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terça-feira, 22 de novembro de 2011

ESTÁ TUDO JUSTO E PERFEITO?



“A ponte entre o humano e o divino: – o justo e perfeito.”
“… há um encontro entre o divino e o humano. Assim como em A criação de Adão, os dedos dos homens tocam os dedos de Deus…”
Em referencia “que a expressão tem origem nas associações de artesãos construtores, hoje englobadas sob o título de Maçonaria de Ofício, ou Maçonaria Operativa, para distingui-la da Maçonaria dos Aceitos, associação maçônica, sem laços profissionais de união”.
“Desde remotos tempos, os construtores sempre verificaram a exatidão das construções com o prumo, ou Perpendicular, e com o Nível, proclamando, ao constatar essa exatidão, que “tudo está justo e perfeito”.
Vê-se, pois, que a expressão ‘tudo está justo e perfeito’ veio de épocas pretéritas, originária da chamada Maçonaria de Ofício, possuindo a época a finalidade de atestar a exatidão da obra, após verificações empreendidas com o Prumo e o Nível, instrumentos de ambos os Vigilantes, respectivamente, em informação que era transmitida ao Venerável Mestre, Chefe da obra.
Transformando-se a Maçonaria, de Operativa em Especulativa, por não mais agregar apenas construtores de profissão, mas construtores no sentido simbólico, do templo moral e social da humanidade, segundo o atual conceito da Instituição, é intuitivo que a expressão teria deixado de possuir aquele significado, uma vez que não mais estamos construindo edifícios ou catedrais.
O nível hoje é símbolo da igualdade e, juntamente com o prumo, formam uma esquadria.
Recorrendo-se à língua portuguesa, quase nada há de interessante, onde o vocábulo ‘justo’ significa ‘conforme à justiça, à equidade, à razão; ou ainda, imparcial, íntegro ou exato e preciso. De qualquer forma, ‘justo’ é um adjetivo e como tal pode ser usado, por exemplo, para se dizer ‘homem justo’, nunca se dirá, em português, tudo justo, como também não se diria ‘tudo virtuoso’.
Já o ‘perfeito’ exprime um tempo de verbo, passado, e é também um adjetivo a indicar a reunião “de todas as qualidades concebíveis, ou a superação do mais alto grau numa escala de valores”. Igualmente soa estranho dizer-se “está tudo perfeito”, uma vez que também é adjetivo, servindo para modificar um substantivo, como ‘objeto perfeito’, ‘jóia perfeita’, ‘obra de arte perfeita’, no sentido de que nestes não se observa nenhum defeito.
Certo é, todavia, que a expressão “tudo justo e perfeito”, por estas razões, aparenta não estar correta segundo a língua portuguesa, faltando-lhe um ou dois substantivos como, ‘aquele homem justo construiu uma obra perfeita’.
Na linguagem jurídica, a expressão ‘justo’, que ‘é derivada do latim ‘justus’, entende-se o que é conforme o direito e a justiça. É o que é legítimo, próprio, adequado, eqüitativo.” Já o ‘perfeito’, ‘do latim perfectus , é empregado na terminologia jurídica, precisamente no sentido literal ou de origem: quer exprimir o que está concluído, segundo as regras legais, para que produza os efeitos desejados’, é utilizado na expressão ‘ato jurídico perfeito e acabado’.
Abandonando tais conceitos, poucos esclarecedores para os nossos objetivos maçônicos, surge-nos a perspectiva de partir para a análise do tema, por intermédio de conceitos filosóficos de ‘justiça’ e ‘perfeição’, em busca oblíqua das bases da nossa expressão ‘justo e perfeito’.
Na busca da assimilação da inteireza e significado de tais valores – justiça e perfeição – justo e perfeito, vê-se a necessidade de examiná-los sob a ótica da filosofia, ‘para ampliar a compreensão da realidade’
No que concerne à perfeição (e ao perfeito), autores de épocas distintas, discorrem sobre o amor, sobre o belo estético, e a idéia, perfeita em si mesma (Platão), dando ao sublime*: ‘faculdade originária de conceber pensamentos elevados, numa riqueza espiritual interior que ultrapassa os limites do usual, diretamente relacionada com o êxtase. ’
Os filósofos ao perscrutar o sentido de tais expressões, sentem que elas, em seus significados mais elevados, muitas vezes escapam à compreensão humana e aí porque a menção e o paralelo com a justiça e a perfeição divinas e a busca de comparações em decorrência da dificuldade de se estabelecer conceitos precisos.
No aprofundamento destes temas, observará o Irmão uma verdadeira ponte entre valores do humano e do plano divino, como observou o filósofo Platão.
* do latim sublimis, composto de sub-limen: ‘o que está suspenso na arquitrave da porta’, o lintel entre duas colunas (OED), origem na arquitetura, o que está acima da cabeça do homem.
A expressão, “Justo e Perfeito” é encontrada pela primeira vez no L.’. L.’., que é a Bíblia, mais especificamente no Livro de Gênesis, onde é retratada a história do Dilúvio.
O G.: A.: D.: U.:, que é Deus, “arrependendo-se de ter criado o homem”, eis que havia se esquecido de praticar o bem trilhando pelos caminhos da iniqüidade corrompendo a humanidade, resolveu destruir a terra com um Dilúvio de proporção imensurável.
No capítulo 6 : 9, encontramos:
“Esta é a história de Noé. Noé era um homem Justo e Perfeito no meio dos homens de sua geração. Ele andava com Deus”.
Livro do Génesis [6, 9-14]
Bem, isto é na Bíblia e o seu valor é aquele que cada um quiser atribuir – o que eu atribuo é apenas histórico -; duvido muito que Noé conseguisse construir tal arca. Mas tirado à letra, diria que Deus hoje não precisaria de se incomodar muito. Nós fazemos o trabalho por ele.
Em Gênesis, capítulo 7 :1-3, assim o G.: A.: D.: U.: se manifesta:
“O Senhor disse a Noé: Entre na arca, tu e toda a tua casa, porque te reconheci JUSTO diante dos meus olhos, entre os de tua geração.”
«Esta é a descendência de Noé. Noé era um homem justo e perfeito, entre os homens do seu tempo, e andava sempre com Deus. Noé teve três filhos: Sem, Cam e Jafet. A Terra estava corrompida diante de Deus e cheia de violência. Deus olhou para a Terra e viu que ela estava corrompida, pois toda a humanidade seguia, na Terra, os caminhos da corrupção.
Então Deus disse a Noé: «O fim de toda a humanidade chegou diante de mim, pois ela encheu a Terra de violência. Vou exterminá-la juntamente com a Terra. Constrói uma arca de madeiras resinosas. Dividi-la-ás em compartimentos e calafetá-la-ás com betume, por fora e por dentro.»
Mas onde, quando e como surgiu para a maçonaria?
A expressão: “justo e perfeito”, segundo José Castellani, remonta às organizações medievais de canteiros (trabalhadores em cantaria, ou seja, no esquadrejamento da pedra bruta). Como os bons profissionais eram muito requisitados, havia muita rivalidade entre as corporações, valendo, nesse caso, até a sabotagem do trabalho, a qual consistia em penetrar no terreno do concorrente e fazer um leve desbastamento da pedra já cúbica, difícil de constatar pelo olho humano, porém, quando usada na construção, daria diferença, comprometendo aquele núcleo de pedreiros e maculando sua imagem.
Assim, no fim do dia de trabalho, por ordem do Máster (o proprietário, ou um seu preposto), um Warden (zelador, ou vigilante), media a horizontalidade da obra, com o nível, enquanto o outro media a perpendicularidade, com o prumo, e, se tudo estivesse em ordem, comunicavam ao Master: “tudo está justo e perfeito”.
Na manhã do dia seguinte, a operação era repetida, da mesma maneira, para prevenir eventuais sabotagens durante a noite, pois da forma cúbica das pedras, dependia a estabilidade das construções.
Se tudo estivesse “Justo e Perfeito” os trabalhos eram iniciados.
A expressão “Está tudo justo e perfeito” também é utilizada como cumprimento e reconhecimento entre os maçons, inclusive de graus dos IIr.:.
Mas será que está TUDO JUSTO E PERFEITO com a atual Maçonaria?
E as queixas de IIr.: de que nada vai bem na Maçonaria de hoje, que ela anda meio que adormecida.
Está sim Tudo Justo e Perfeito, pois a Maçonaria de hoje ainda permanece como a Maçonaria de ontem. Sua filosofia é eterna assim como seus ensinamentos.
O que mudou então?
Como disse nada mudou na Maçonaria, mudou sim a atitude de alguns Irmãos, que não conseguem assimilar seus ensinamentos deixando de incorporá-los no seu templo interior, ou seja, não os praticam, não andam na sina das virtudes, muitas vezes vilipendiando-a, deixando de ser um maçom autêntico. 
São os vaidosos, antiéticos e hipócritas que vivem em nosso meio. Esses profanos de avental se esquecem de renunciar ao TER para passar a acreditar e ter atitude, no SER. Essa é a essência do que acontece na Maçonaria de hoje. Não levam consigo para o mundo profano os preceitos e ensinamentos da sublime Arte Real. Muito pelo contrário, trazem do mundo profano todas as imperfeições possíveis semeando a desarmonia na Loja, pregando a desagregação entre os IIr.: e o desequilíbrio nos nossos trabalhos.
Quando passamos pelo ritual da iniciação maçônica, renunciamos aoTER passando a SER útil aos nossos pares, órfãos e viúvas que é o grande objetivo da Maçonaria. Ninguém nos obrigou a assumir esse sério compromisso, mas quando o assumimos juramos sempre buscá-lo a fim de contribuir para o engrandecimento do nosso EU interior e contribuirmos para o bem estar da Humanidade.
Portanto, temos que colocar em prática no mundo profano a doutrina e os ensinamentos maçônicos transformando-os em uma filosofia de vida, como muito trabalho e ação.
Albert Pike, nos deixa uma lição. Assim ele discorre:
<< “É surpreendente ver como os homens falam das virtudes e da honra e não pautam suas vidas nem por uma nem por outra. A boca exprime o que o coração devia ter em abundância, mas quase sempre é o inverso do que o homem pratica”.
A peça de arquitetura “Por uma Ética Maçônica”, publicada duplamente, na Revista Maçônica “A Trolha”, discorre, com muita propriedade, sobre o comportamento do Maçom atual da seguinte forma:
<< “O maior desafio para um maçom, tenho repetido isto, é honrar e representar a instituição no desempenho de suas atividades como homem, profissional, cidadão e chefe de família, pois deve ser exemplo de postura ética e moral numa sociedade excessivamente individualista, consumista, voraz, onde o TER a todo momento procura absorver o SER numa luta desigual e numa competição desenfreada, incompreensível e desumana. Uma sociedade em que valores familiares são desconsiderados, onde a honestidade, a honradez e a correção de conduta são tidos como sinônimo de atraso, de práticas ultrapassadas.
Mas sempre haverá um maçom nesse meio, o chamado “iniciado nos augustos mistérios da Sublime Ordem”, envolvido nesse turbilhão, atônito, muitas vezes impotente para reagir porque se apega exclusivamente às coisas do “mundo exterior” e não aplica as que aprendeu no “mundo interior do templo maçônico”, o que faz nascer o conflito, a quebra da ética e do decoro pessoais, numa cadeia de afetamento de condutas reprováveis como nunca se presenciou antes, contaminando a convivência dentro de nossas Lojas. “Fora é uma pessoa, dentro aparenta ser outra, mas sempre conflitante na prática dos princípios éticos e morais maçônicos, o que traz como conseqüência a quebra da harmonia e da confiança no seio de uma Loja, e conseqüentemente espraia por toda a Ordem” >>.
É certo que ser justo e perfeito não é tarefa das mais fáceis, pois devemos procurar diariamente a busca pelo autoconhecimento, Enfrentando e aceitando nossa dualidade, rejeitando as ocupações supérfluas e os pensamentos inúteis, certamente estaremos bem mais perto do “justo e perfeito”.
O filósofo Platão afirma que “o homem justo será aquele que tem uma alma harmônica, ou seja, respeita a ordem natural das coisas”. “A natureza” quer que o homem seja orientado pela razão. “O homem injusto se deixa governar somente pela sua parte concupiscente e irascível”.
Os Irmãos, certamente conhecem a abreviatura da frase em latim, V. : I.: T.: R.: I.: O.: L.:, que significa: “Visita Interiorem Terrae Rectificando que, Invenies Occultum Lapidem”.
Traduzindo ao pé da letra: “Visita o interior da terra e, retificando-te, encontrarás a pedra oculta”.

A profundidade de tal frase, a princípio, nos salta aos olhos, mas ela nos remete a um exame profundo do nosso Templo interior desde que iniciamos na Arte Real, pois é meditando nesse silêncio profundo que buscaremos um novo homem que, após iniciado nos augustos mistérios da Maçonaria, trabalha seu espírito para que, arrebentando os grilhões dos vícios possa adotar novos e claros padrões de moral e virtude que anteriormente estavam submersos nos escaninhos de seu coração, num aprendizado constante e incessante da prática de boas ações, com respeito às normas, os ensinamentos, princípios e ideais maçônicos.
Assim, meus Irmãos, para que tudo de fato esteja JUSTO E PERFEITO, devemos deixar de lado a hipocrisia, a falta de ética e sermos maçons de verdade. Primeiro, absorvendo e incorporando os ensinamentos da Ordem. Segundo colocando-os em prática na vida profana, pois só assim poderemos concluir que tudo realmente ESTÁ E ESTARÁ JUSTO E PERFEITO.

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