quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

O TIGRE, A RAPOSA E O MAÇOM


Nas profundezas de uma floresta escura e espessa, onde as árvores guardavam segredos milenares e o nevoeiro dançava como véus que escondem mistérios, vivia uma velha raposa astuta. Há anos que ela perdeu a pata dianteira numa armadilha humana, um artefato profano colocado por caçadores. Surpreendentemente sobreviveu contra todas as probabilidades, movendo-se silenciosamente entre raízes retorcidas e sombras das árvores. Ninguém sabia como: uma força oculta o sustentava na escuridão?

Um venerável maçom, que habitava na beira daquela selva misteriosa — um maçom de avental bem colocado e um coração procurando luz — observava-o de vez em quando. Intrigado pelo enigma, perguntou-se silenciosamente: "Como é que esta raposa consegue se alimentar? Será que Deus, o Grande Arquiteto do Universo, na sua infinita providência, lhe envia sustento de maneiras invisíveis e milagrosas?"

Numa tarde nebulosa, o maçom escondeu-se atrás de um tronco centenário e viu a raposa espreitar cautelosa da sua toca, iluminada por raios filtrados como colunas de luz num templo. De repente, um rugido abalou a selva: um tigre feroz emergiu das sombras, com uma presa fresca ainda sangrando nas suas mandíbulas. O maçom segurou a respiração, temendo o pior para a raposa. Mas o tigre, num ato enigmático, devorou sua caça permitindo que a raposa se aproximasse e tomasse os restos suculentos, como se uma lei oculta da natureza ditasse essa generosidade inesperada.

No dia seguinte, em meditação profunda sob o dossel estrelado, o maçom refletiu: "Se o Grande Arquiteto do Universo envia o tigre para sustentar a raposa deficiente, por que não poderia eu, filho da luz, esperar quietude meu sustento divino? Eu valho mais do que um animal; Ele cuidará de mim".

Com fé ardente, abandonou seus trabalhos e retirou-se para uma caverna escura na cidade próxima, esperando pelo milagre.

Passaram dias de jejum involuntário e sede. Seu corpo enfraqueceu em apenas 3 dias e removeu as pedras molhadas em busca de alguma água na caverna, sua força desvaneceu até se tornar uma sombra fina de si mesmo.

À beira do apagão, na escuridão da sua agonia, uma voz ressoou como um trovão: "Oh, meu filho! Você confundiu o caminho inicial. Abra os olhos para a verdade: você deveria ter imitado o tigre, o fornecedor ativo, não a raposa que espera passiva".

Acordado por essa revelação, o maçom voltou para sua casa, comeu e recuperou as forças. Mas um ressentimento subtil o acompanhava. Dias depois, nas ruas depredadas, viu um menino órfão e sua mãe viúva tremendo ambos de frio, faminto e sem esperança. A raiva invadiu-o e elevou a sua voz ao céu: "Por que permites isto, Grande Arquiteto dos Mundos? Por que você não intervém? ".

O silêncio divino durou até a noite, quando uma voz serena, como eco na loja, respondeu: "Eu certamente agi, meu filho. Criei você para ser o tigre: aquele que fornece, aquele que age com virtude e fraternidade".

Desde então, o maçom dedicou sua vida a obras de caridade, compreendendo que a verdadeira fé maçônica não é espera passiva, mas ação iluminada: ser instrumento do Grande Arquiteto no mundo profano.

Esta parábola ressoa com ensinamentos maçônicos de "fé ativa" (trabalho interior e exterior), semelhante à transição de Aprendiz (purificação passiva) para Companheiro (ação construtiva). Em um mundo de passividade digital, ela nos lembra que a luz se manifesta por esforço fraternal.

O tigre não age por bondade instintiva ou aliança secreta. Representa alegoricamente a providência divina em ação: caça (trabalhe ativamente) e deixa restos mortais à raposa coxa, permitindo sua sobrevivência. A raposa simboliza aquele que recebe passivamente, enquanto o tigre encarna o fornecedor forte e generoso.

A moral é que Deus (ou o Grande Arquiteto) fornece, mas através de instrumentos ativos. O homem do conto mal interpreta: imita a raposa (espera milagre passivo) e quase morre. A voz reveladora o corrige: "Seja o tigre! Aja, providencie, seja canal do bem".

Não é caridade animal; é alegoria de fé ativa versos passividade ilusória. A Tradição Maçônica ensina que a graça divina flui através de esforço consciente e generosidade, não uma espera mágica.

Este conto ressoa perfeitamente com maçonaria — não esperamos luz passiva; construímo-la com ferramentas (virtude, trabalho).

Seja o tigre: forneça luz para "raposas" carentes!

Alcoseri

Nenhum comentário:

Postar um comentário

É livre a postagem de comentários, os mesmos estarão sujeitos a moderação.
Procurem sempre se identificarem.

Postagem em destaque

O TIGRE, A RAPOSA E O MAÇOM

Nas profundezas de uma floresta escura e espessa, onde as árvores guardavam segredos milenares e o nevoeiro dançava como véus que escondem m...