Nas profundezas de uma floresta escura e espessa, onde as árvores guardavam segredos milenares e o nevoeiro dançava como véus que escondem mistérios, vivia uma velha raposa astuta. Há anos que ela perdeu a pata dianteira numa armadilha humana, um artefato profano colocado por caçadores. Surpreendentemente sobreviveu contra todas as probabilidades, movendo-se silenciosamente entre raízes retorcidas e sombras das árvores. Ninguém sabia como: uma força oculta o sustentava na escuridão?
Um venerável maçom, que
habitava na beira daquela selva misteriosa — um maçom de avental bem colocado e
um coração procurando luz — observava-o de vez em quando. Intrigado pelo
enigma, perguntou-se silenciosamente: "Como é que esta raposa consegue se
alimentar? Será que Deus, o Grande Arquiteto do Universo, na sua infinita
providência, lhe envia sustento de maneiras invisíveis e milagrosas?"
Numa tarde nebulosa, o maçom
escondeu-se atrás de um tronco centenário e viu a raposa espreitar cautelosa da
sua toca, iluminada por raios filtrados como colunas de luz num templo. De
repente, um rugido abalou a selva: um tigre feroz emergiu das sombras, com uma
presa fresca ainda sangrando nas suas mandíbulas. O maçom segurou a respiração,
temendo o pior para a raposa. Mas o tigre, num ato enigmático, devorou sua caça
permitindo que a raposa se aproximasse e tomasse os restos suculentos, como se
uma lei oculta da natureza ditasse essa generosidade inesperada.
No dia seguinte, em
meditação profunda sob o dossel estrelado, o maçom refletiu: "Se o Grande
Arquiteto do Universo envia o tigre para sustentar a raposa deficiente, por que
não poderia eu, filho da luz, esperar quietude meu sustento divino? Eu valho
mais do que um animal; Ele cuidará de mim".
Com fé ardente, abandonou
seus trabalhos e retirou-se para uma caverna escura na cidade próxima,
esperando pelo milagre.
Passaram dias de jejum
involuntário e sede. Seu corpo enfraqueceu em apenas 3 dias e removeu as pedras
molhadas em busca de alguma água na caverna, sua força desvaneceu até se tornar
uma sombra fina de si mesmo.
À beira do apagão, na
escuridão da sua agonia, uma voz ressoou como um trovão: "Oh, meu filho!
Você confundiu o caminho inicial. Abra os olhos para a verdade: você deveria
ter imitado o tigre, o fornecedor ativo, não a raposa que espera passiva".
Acordado por essa revelação,
o maçom voltou para sua casa, comeu e recuperou as forças. Mas um ressentimento
subtil o acompanhava. Dias depois, nas ruas depredadas, viu um menino órfão e
sua mãe viúva tremendo ambos de frio, faminto e sem esperança. A raiva
invadiu-o e elevou a sua voz ao céu: "Por que permites isto, Grande
Arquiteto dos Mundos? Por que você não intervém? ".
O silêncio divino durou até
a noite, quando uma voz serena, como eco na loja, respondeu: "Eu
certamente agi, meu filho. Criei você para ser o tigre: aquele que fornece,
aquele que age com virtude e fraternidade".
Desde então, o maçom dedicou
sua vida a obras de caridade, compreendendo que a verdadeira fé maçônica não é
espera passiva, mas ação iluminada: ser instrumento do Grande Arquiteto no
mundo profano.
Esta parábola ressoa com
ensinamentos maçônicos de "fé ativa" (trabalho interior e exterior),
semelhante à transição de Aprendiz (purificação passiva) para Companheiro (ação
construtiva). Em um mundo de passividade digital, ela nos lembra que a luz se
manifesta por esforço fraternal.
O tigre não age por bondade
instintiva ou aliança secreta. Representa alegoricamente a providência divina
em ação: caça (trabalhe ativamente) e deixa restos mortais à raposa coxa,
permitindo sua sobrevivência. A raposa simboliza aquele que recebe passivamente,
enquanto o tigre encarna o fornecedor forte e generoso.
A moral é que Deus (ou o
Grande Arquiteto) fornece, mas através de instrumentos ativos. O homem do conto
mal interpreta: imita a raposa (espera milagre passivo) e quase morre. A voz
reveladora o corrige: "Seja o tigre! Aja, providencie, seja canal do
bem".
Não é caridade animal; é
alegoria de fé ativa versos passividade ilusória. A Tradição Maçônica ensina
que a graça divina flui através de esforço consciente e generosidade, não uma
espera mágica.
Este conto ressoa
perfeitamente com maçonaria — não esperamos luz passiva; construímo-la com
ferramentas (virtude, trabalho).
Seja o tigre: forneça luz
para "raposas" carentes!
Alcoseri

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