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“NÃO SERÃO ACEITOS COMENTÁRIOS ANÔNIMOS”

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

A CAMARA DE REFLEXÕES


Tida e havida como uma das mais sérias instituições do nosso mundo, de origem desconhecida, que vai desde os primórdios do mundo, ou desde os tempos de Jesus Cristo, também tida como fundada em 1717, a Maçonaria hoje em dia continua tendo uma aura de secreta, de misticismo, de esoterismo, de uma crendice impar, que a torna respeitada e, até odiada.

                           Neste trabalho, porém, não quero abordar este lado da nossa SubInst e sim abordar uma das coisas mais importantes, que é a Iniciação de Profanos, no aspecto que tange a Câmara de Reflexões, local sagrado onde o futuro irmão se concentra, medita, reflita sobre a fragilidade humana, sobre o nosso futuro, enfim, sobre tudo aquilo que a Maçonaria quer que ele reflita naquele momento solene e importante de sua vida.

                           A Câmara de Reflexões, portanto, é o primeiro contato real que o postulante tem com a Maçonaria. Para que melhor a compreendemos, se faz necessário conhecermos o significado da palavra Iniciação etimologicamente. Derivada do latim “initiare-initium” representa “inicio ou começo” derivada de “in tere” “ir dentro ou ingressar”. Em outras palavras, Iniciação é a porta que nos conduz a um novo estado moral ou espiritual a partir do qual se inicia ou começa uma nova maneira de ser ou viver.

                           O símbolo fundamental da Iniciação é a morte, como estado preliminar à nova vida. Para tal, a Maçonaria nos oferece a Câmara de Reflexões. Afastada como é do Templo. Constitui a prova da Terra, a primeira das quatro que simbolizam os elementos da natureza. Com suas pretas paredes, figurando uma catacumba, cercada de símbolos e de emblemas da morte, inscrições, um galo, um testamento entre outros, revela-nos que cada símbolo, cada frase, tem sua própria explicação e importância isolada, mas o conjunto é que nos oferecerá a idéia e a sensação de transitoriedade e insignificância da vida.

Neste local, somos levados a conceber novas ideias, introspectar, examinar e comparar tudo o que nos cerca. Isolados do mundo exterior para concentrarmos no estado intimo do mundo interior, aonde devemos dirigir nossos esforços para chegar à Realidade. É o “gnothi seautón” dos iniciados gregos. É a formula hermética V.I.T.R.I.0.L.; “Visita Interiora Terrae: Rectificando: Invenies Occultun Lapidem” cuja a tradução literal é: “Visita o interior da Terra, retificando encontrarás a pedra oculta”.

Significando que devemos ingressar dentro da realidade do próprio mundo objetivo, não contentando-nos apenas com o seu estudo ou exame puramente exterior: então, retificando constantemente nosso ponto de vista, a nossa visão, e com os esforços de nossa inteligência (como o demonstra a cuidadosa retidão dos três passos da marcha do aprendiz), poderemos chegar ao uso do compasso junto com o esquadro, isto é, o conhecimento da Verdade livre a Ilusão.
                          
Em segundo lugar, retificando-te significa, na verdade o “seguir em linha reta”, ou seja, agir em si mesmo com profundidade. E é nesse momento de solidão, de encontro consigo mesmo, de meditação diante do inusitado, do desconhecido, que o novo homem retifica-se interiormente, deixando de lado todos os vícios de uma vida anterior para adotar novos padrões de conduta moral. E ao fazer isso, mostra-se para o novo homem a pedra oculta que há dentro de nós.

                           A visita a C de R é fundamental no processo iniciático porque é no interior da terra, por ela representada, que o profano morre para nascer um Maçom. A Câmara das Reflexões, na realidade, relembra as cavernas das antigas iniciações, inclusive religiosas.

Como qualquer iniciação, simboliza a morte material de alguém e o seu ressurgimento em um plano mais elevado. O iniciando permanecia no interior de uma caverna da qual em dado momento, saia por uma fenda ou orifício, como se estivesse nascendo.

A Câmara das Reflexões representa, ainda, o útero da mãe terra, de onde os filhos da viúva nascem para uma nova vida. Esse conceito atual de masmorra foi introduzido pelos franceses na metade do Século XIX, influenciados pela revolução Francesa e por certo sentimento antimístico oriundo do iluminismo francês, mas esses não podem desvirtuar a sua origem.

                           A passagem pela Câmara das Reflexões, onde o profano, deixado a sós com ele mesmo, em ambiente decorado com diversas alegorias que estão o tempo todo a demonstrar a fatalidade e brevidade da matéria, permite claramente a reflexão da necessidade de estar sempre vigilante e perseverante em seu aprimoramento espiritual, afinal a todo instante somos lembrados que a morte física poderá se abater sobre nós.

Segundo o poeta e orador romano Cícero “Quem não souber morrer bem, terá vivido mal, pois quantas vezes morremos vitimas de nosso medo de morrer”.
                          
Finalizando, a Câmara de Reflexões da a oportunidade ao candidato de refletir sobre a vida pregressa: e sentir o peso das quantas vezes que: por orgulho, ignorância, apego à matéria, falta de sabedoria deixou de ajudar algum necessitado.

Pois enquanto não conseguirmos dominar a materialidade existente em nós, o nosso lado divino não fluirá. Porque o GADU nos criou para sermos divinos e perfeitos, somente dominando a matéria à centelha divina existente nos levará invariavelmente a buscar o sol do meio dia que irradia o TODO, o qual nos originou a para o qual retornaremos.

                           E vocês meus IIr que pensamentos vos ocorreram quando estáveis no lugar sombrio de meditação, onde vos pediram que escrevêsseis a vossa última vontade e o vosso testamento?

Nota: São considerados elementos obrigatórios em uma C.’.d.’.R.’., segundo Ritual de Aprendiz do REAA-GOB, a ampulheta, o esqueleto humano, o pão e a água.

Fonte: O Templo Maçônico – Dario Velozzo
           Pesquisa de vários autores – Internet
           Ritual de Aprendiz Maçom – REAA-GOB-2001
 Ir Paulo Edgar Melo -  MI

ARLS Cedros do Líbano, 1688 – GOB-RJ

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

A GRANDE LOJA DOS “ANTIGOS” NA INGLATERRA



Já foi esclarecido anteriormente que, além da Primeira Grande Loja de Londres, houve outras e a mais importante, a grande rival, foi a dos “Antigos” fundada por um irlandês, pintor de paredes, de sobrenome Dermott. Sabemos também que em 1813 elas se uniram, dando origem a Grande Loja Unida Inglaterra.

Em minha opinião, o nome deveria ser “Tradicionalistas” em vez de “Antigos”, pois pretendiam como veremos abaixo, manter, de maneira extremamente rígida, as antigas tradições maçônicas e apelidaram de modo pejorativo, os membros da Primeira Grande Loja, de 1717, de avançados, modernos.

Os membros das Lojas dos Antigos, até recentemente eram chamados de “separatistas”, mas investigações têm mostrado que nenhum dos fundadores pertenceu a qualquer uma das Lojas aderentes a Primeira Grande Loja. Portanto, esse termo “separatistas” parece não ser aplicado, no caso.

Eles eram, na maioria, Irlandeses residentes em Londres. Isso nos permite pensar e concluir que tenha ocorrido um racismo, muito comum na época, por parte dos ingleses formadores da Primeira Grande Loja.

As causas da separação foram enraizadas principalmente na negligência e na débil administração da Primeira Grande Loja naquele tempo e, principalmente, em certas mudanças nos costumes e na Ritualística, as quais foram feitas deliberadamente com o propósito de excluir impostores e oportunistas na Ordem, devido publicação do livro “A Maçonaria Dissecada” de Samuel Prichard.

Vamos citar abaixo, algumas prováveis mudanças que provavelmente colaboraram na referida separação:

· A descristianização da Franco-maçonaria desde os primórdios, em 1723, quando foi feito o livro das “Constituições” pelo reverendo Anderson.

· Desleixo referente aos dias de São João Batista e São João Evangelista, como festivais especiais Maçônicos.

· A mudança dos modos de reconhecimento no Grau de Aprendiz e no Grau de Companheiro. Esta era, aparentemente, a principal causa ofensiva.

· Abandono de partes esotéricas na Instalação de Mestres.

· Negligências referente ao Catecismo, ligadas a cada Grau.


Felizmente, em 1813, após anos de preparação e acertos, as duas grandes Lojas se uniram e deram ao mundo maçônico a Grande Loja Unida da Inglaterra, Potência Mor das Obediências Maçônicas.


M.'.I.'. Alfério Di Giaimo Neto

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

SOBRE AS VIRTUDES MAÇÔNICAS


A Maçonaria vem provavelmente do francês “Maçonnerie”, que significa uma construção, feita por um pedreiro, o “maçom”. A Maçonaria terá assim, como objetivo essencial, a construção. A Maçonaria promove a transformação do ser humano e das sociedades em que vive, através da fraternidade, solidariedade e da justiça.

Para ser iniciado deve ter profissão honesta que assegure meios de subsistência, ser ético, ter condições morais e intelectuais, e instrução necessária para compreender os objetivos da Ordem Maçônica. A Maçonaria honra igualmente o trabalho manual e o trabalho intelectual, e crê na existência do G.'.A.'.D.'.U.'..

O Maçom deve ser escolhido para ser Iniciado, pelas razões acima descritas, e não por motivos profissionais, familiares ou de amizade, e sim por ser o profano reconhecido Maçom em sua essência, encontrando nele virtudes maçônicas.

Mas o que o busca Maçom? Ele busca o aperfeiçoamento intelectual, o afinamento das faculdades de pensar e de enriquecimento dos conhecimentos adquiridos, para que tenham o domínio do saber necessário, para se comportarem de forma digna em todos os momentos, sejam eles profanos ou maçônicos, pois é mais fácil sucumbir ao vício, que aprimorar a virtude.

A tolerância é das virtudes maçônicas, á mais enfatizada, pois, significa a tendência de admitir modos de pensar, ser, agir e sentir que diferem as pessoas, e nos fazem indivíduos (únicos).

Muitas vezes confundimos tolerância com conivência.

A tolerância é a habilidade de conviver, com respeito e liberdade, com valores, conceitos e situações. Conivência é a convivência em que, mesmo não concordando com certos valores, conceitos e situações, deixamos de expressar nosso parecer desfavorável, não refutamos, e não reprovando, estamos tacitamente autorizando, aceitando e gerando cumplicidade. Deus é tolerante com o pecador, mas não com o pecado.

Outra virtude é a Ética, que por definição é um conjunto de princípios e valores que guiam e orientam as relações humanas. É uma espécie de cimento na construção da sociedade. O forte sentimento de fraternidade designa o parentesco de irmão; do amor ao próximo; da harmonia; da boa amizade e da união, de tal forma a prevalecer à harmonia e reinar a paz. 

A justiça é a virtude de dar a cada um aquilo que é seu, julgar segundo o direito e a melhor consciência. Para que se possa evitar o despotismo, o arbítrio e manter a liberdade e o direito. 

A Maçonaria é uma sociedade que luta pelo Direito, pela liberdade e pela justiça, por isto todo Maçom deve ser um defensor incansável destes valores.

Estamos vivendo uma época em que há uma falta aguda, de um valor fundamental em todo o mundo: A caridade. Ela é o amor que move a vontade à busca afetiva do bem de outro. Ninguém precisa de nada a não ser seu coração para saber o que machuca os outros. Jamais subestime o sofrimento alheio. Seu julgamento poderá lhe falhar, seu conhecimento, sua experiência e sua inteligência poderão ser inúteis diante do mal, que torcerá fatos, palavras e aparências. Até o branco pode parecer preto e o preto parecer branco, decida com caridade e toda essa farsa se dissipará sob o brilho de uma alma integra.

A liderança também uma grande virtude maçônica, é a capacidade de influenciar positivamente as pessoas para que elas atinjam resultados que atendam as necessidades tanto individuais como coletivas e ainda, se responsabilizar pelo desenvolvimento de outros líderes. O líder tem que ser íntegro, confiável, ético, honesto e coerente. Ele deve evitar se acomodar, competir, comprometer e sempre colaborar. Ele é descrito como alguém que tem carisma e qualidades relacionadas para gerar aspirações e mudar pessoas, levando-os a despertarem seus potenciais e perseguir propósitos compartilhados.

A Maçonaria é uma instituição fundamentalmente ética, onde a reflexão filosófica sobre a moralidade, regras, códigos morais que orientam a conduta humana; que tem por objetivo a elaboração de um sistema de valores e o estabelecimento de princípios normativos da conduta humana, impondo ao Maçom um comportamento ético e, exigindo-lhe que mantenha sempre uma postura compatível com um homem de bem. 

Pelo acima exposto aprendemos que o Maçom quer conhecimento, evolução, fraternidade, justiça e liberdade. A elevação de Grau é uma simples conseqüência desta incessante busca pelo aperfeiçoamento da pedra bruta e não o objetivo.

Estas são apenas algumas virtudes maçônicas a serem lapidadas. 

O egoísmo é a fonte de todos os vícios, assim como a fraternidade é a fonte de todas as virtudes, destruir um e desenvolver o outro, esse deve ser o objetivo de todos os Maçons.

Sem ação nada pode ser feito.
Quem é bom, é livre, ainda que seja escravo. Quem é mau, é escravo, ainda que livre
Santo Agostinho



segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

SÍMBOLOS E ALEGORIAS


“Do mesmo modo que os antigos filósofos egípcios, para subtrair seus segredos e mistérios aos olhos dos profanos, ministravam seu ensino por meio de símbolos e alegorias, a maçonaria, continuando a tradição egípcia, encerra seus ensinamentos e filosofia em símbolos e alegorias, pelos qual oculta suas verdades ao mundo profano, só as revelando àqueles que ingressam em seus templos (ritual ap.`.maç.`.)”


O que se observa no escopo da filosofia maçônica simbólica universal, como se pode depreender na citação acima, é que o universo de seu conhecimento que tem como objeto a construção moral da humanidade se dá através de conjunto de símbolos e alegorias. 

Como uma expressão de idéias elaboradas através da história da humanidade na sua relação com a natureza, os símbolos e alegorias, carregam consigo significados e interpretações que variam de acordo com a capacidade intelectual e o conhecimento das pessoas que os interpretam. Neste sentido, antecipo minhas escusas quanto aos entendimentos errôneos que possa cometer neste trabalho.

Segundo o dicionário Aurélio, símbolo é  aquilo que, por um principio de analogia, representa ou substitui outra coisa, ao passo que alegoria compreende a exposição de um pensamento sob forma figurada, ainda, ficção que representa uma coisa para dar idéia à outra; ou, a seqüência de metáforas que representam uma coisa nas palavras e outra nos sentido.

Contudo, seria muita pretensão abordar um tema tão vasto e profundo na historia da maçonaria neste pequeno estudo. Neste sentido, procuraremos abordar o mundo simbólico e alegórico maçom através dos conteúdos que estes símbolos e alegorias representam para o primeiro grau de aprendiz na construção e reforço das virtudes necessárias para a superação das suas próprias imperfeições. 

Os primeiros elementos simbólicos apresentados ao aprendiz constituem uma variedade de percepções sensoriais auditivas, tácteis e visuais durante o ritual da iniciação, na qual lhe é induzido o reconhecimento das suas profanas limitações perceptivas para o real entendimento do conjunto do conhecimento simbólico maçônico e para o qual deverá desenvolver as habilidades virtuosas das luzes da sabedoria, da força e da beleza, que sustentam seu templo, e para a construção harmoniosa, justa e perfeita da humanidade. 

Durante o ritual de iniciação do aprendiz maçom, no momento em que lhe é retirada a venda dos olhos pela primeira vez, o iniciado se vê situado a um conjunto de expressões sob lusco-fusco da luz de velas. A que mais se apresenta pelo fato de ser a mais ininteligível é expressão V.I.T.R.I.O.L. esta expressão contempla as iniciais das antigas doutrinas iniciáticas alquimistas que significa: "visita interiorem terrae rectificando que invenies occultum lapidem", ou seja, “desce às profundezas da terra, e retificando-te, encontrarás a pedra oculta”.

Desde o dia em conheci esta expressão, precisei enterrar minha ignorância e aprofundar no conhecimento do seu significado. O que me foi mais interessante neste estudo, superados os significados, literal e figurado da expressão, o seu significado oculto é findo na contemplação e permanência da nossa própria ignorância.

Neste sentido, este símbolo carrega a universalidade da constante busca do homem para melhorar a si mesmo e à sociedade. É um convite à busca da essência da alma humana. É utilizando a alegoria de chaves, “o grão tem de apodrecer e morrer para dar à luz a nova planta (neófito)”.

O painel alegórico da loja do 1º grau, como o próprio nome diz, contempla, a exemplo do parágrafo anterior, muito mais do que um conjunto literal, figurado e oculto de símbolos, mas pretende expressar nesse conjunto simbólico, o caminho, as ações e os instrumentos necessários ao aperfeiçoamento moral das nossas limitações e imperfeições.

O painel constitui para o aprendiz, o segundo contato com este aspecto do simbolismo maçom. se no primeiro momento iniciático lhes são apontadas suas limitações, neste, o legado maçom lhe orienta o caminho operativo e filosófico pelo qual deverá seguir para o seu aperfeiçoamento.

Ao que tudo indica a alegoria expressa neste painel contem também seus significados em pelo menos três dimensões para o desenvolvimento, a saber, engloba ao mesmo tempo as perspectivas para o desenvolvimento individual, social e espacial. a título de exemplo, sob o aspecto do individuo, o conjunto das virtudes a serem potencializadas.

Sob ótica do desenvolvimento social, a relação entre os indivíduos e o produto destas virtudes no meio social e, por conseguinte as abordagens sob o aspecto estético no entendimento e harmonização das relações com a natureza.

Da mesma forma, exemplificando o conteúdo literal, figurado e oculto na simbologia maçônica, a pedra bruta, contém simbolicamente o seu sentido literal no conjunto do painel alegórico, a aparência de nada mais que uma pedra no canto da loja. em seu sentido figurado, é através dela que todos nós iniciamos e é o objeto de nossas ações na maçonaria e por fim em um de seus sentidos ocultos, aí de ordem pessoal, ao observar suas irregularidades e asperezas, poderemos questionar e contemplar a nos mesmos sobre o prisma das nossas próprias asperezas e imperfeições da moral, nossos vícios, a nossa imobilidade pela intolerância, e a dureza pela ignorância. 

Simbolicamente a filosofia maçônica dispõe em seu legado da maçonaria operativa o conjunto dos instrumentos para o aperfeiçoamento da pedra bruta.

Desbastá-la de suas imperfeições exige em suas ações de aperfeiçoamento, sabedoria, força e beleza na utilização dos instrumentos do compasso, esquadro, a régua, o nível e o prumo. 

O compasso e o esquadro são observados sempre juntos em loja. Compõem simbolicamente a espiritualidade, o conhecimento e a retidão e a perfeição que devem estar sempre presentes nas ações dos maçons.

Referem-se ainda às dimensões relativas à justiça, retidão e equidade no julgamento dos atos humanos. Em loja de aprendiz, a sobreposição do esquadro sobre o compasso e estes sobre o livro da lei, representa ainda a matéria predominante sobre o espírito, em alegoria a imaturidade, desarmonia e desequilíbrio entre estes componentes complementares da existência humana. 

O nível maçônico em seu sentido literal aponta-nos espacialmente a horizontal em relação ao eixo perpendicular (vertical) da terra que pode ser auferida pelo prumo. Em seu sentido oculto, por sermos todos iguais perante as leis naturais e sociais, expressa a igualdade, a tolerância e a imparcialidade que devem estar contida nas nossas ações e julgamentos.

O prumo, por estar sob a ação da força da gravidade aponta sempre para o eixo central da terra, expressando, portanto a situação que melhor acomoda ou equilibra a ação desta força. Em seu sentido mais oculto, ponderam o equilíbrio e estabilidade como atitudes virtuosas presentes nas nossas ações e ao mesmo tempo refere-se à profundidade que devemos imprimir na busca da nossa verdadeira essência.

A régua por sua vez, dividida em 24 polegadas, compreende a mensuração e a delimitação de nossas ações em relação ao tempo e ao espaço. Isto é, as medidas de espaço e o tempo para a realização do nosso trabalho. Ao mesmo tempo em que requer a compreensão, os limites e as conseqüências dos nossos atos.

CONCLUSÃO

A ordem maçônica “é um sistema de moral, velado por alegorias e ilustrado por símbolos”. Neste contexto, procuramos exemplificar através algumas representações alegóricas e simbólicas presentes no painel alegórico do grau de aprendiz, os significados literal, figurado e oculto sob as limitações da percepção e do conhecimento de um aprendiz. 

É patente o grau de dificuldade no entendimento mais integral do universo simbólico existente, como por exemplo, as relações internas entre os símbolos e alegorias no conjunto da filosofia maçom.

Ao aprofundar neste estudo, fica evidente a dimensão da ignorância sobre o real sentido e significado de todo o simbolismo ai presente, mas remete concomitantemente a consciência ao desafio e busca do entendimento e conhecimento desse universo, da mesma forma alegórica que se busca o conhecimento e entendimento do universo da existência humana no interior de cada um. 

Finalizando, é indiscutível o conteúdo de sabedoria existente na filosofia e ensinamentos da ordem maçônica. Na gênese do esoterismo encontram-se os aspectos ligados fundamentalmente à espiritualidade, que não que dizer religiosidade. a espiritualidade congrega a síntese das faculdades intelectuais e físicas da humanidade e as suas expectativas frente ao universo.

A simbologia, portanto, procura preservar o conhecimento não só pelo seu aspecto de conteúdo, mas trás no conjunto de suas emanações a memória histórica de todo o âmago da humanidade.

Ir.’. Amaury Ângelo Gonzaga

G.’.L.’.E.’.M.’.T.’.
A.’.R.’.L.’.S.’. Trabalho e Progresso nº. 17 - Chapada dos Guimarães

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA.

Charlier, Rene Joseph. Pequeno Ensaio de Simbólica Maçônica. Edições E. D. O. Ribeirão Preto, SP.

Ferreira, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Dicionário Aurélio, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro, RJ.

Figueiredo, Joaquim Gervásio. Dicionário de Maçonaria. Editora Pensamento. São Paulo, SP. 

Carvalho, Assis. O Aprendiz Maçom. 2ª ed. Londrina: ed. Maçônica. `` a Trolha``, 2001.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

IRMÃOS BRIGAM?


Sinopse: Ensaio sobre o 'amor ação' que existe entre os maçons. Contenda no plano das ideias.

Existe uma sociedade onde as pessoas se tratam por irmãos.

É uma sociedade onde existe o irmão que raramente aparece, um age mais outro menos, existe o tímido, o retraído, o mais adiantado, o noviço cheio de sonhos, o comumente exaltado e o de ânimo calmo qual ovelha no pasto.

Mas todos são irmãos e se amam em ação; com vontade, sabedoria e inteligência.

Significa que, por se autodenominarem irmãos e se amarem profundamente, eles nunca brigam?

É claro que não!

Estes irmãos debatem sim! Porque não! Podem disputar, afinal são seres humanos inteligentes, livres e de bons costumes.

É regra irmãos se desentenderem no plano das ideias! A querela, quando motivada para o bem, para estabelecer limites e promover progresso é atitude positiva - mesmo que os meios não sejam lá satisfatórios, os irmãos que assim agem estão lutando para que prevaleça o bem comum.

Ação assim é sinônimo de amor; de amor fraterno. O mesmo amor que grandes iniciados intuíram como a única solução de todos os problemas da humanidade.. E toda ação assim dirigida resulta em mudanças com objetivo e não simplesmente mudar pela mudança.

O "amor ação" não é o "amor sentimento" com que aquele é normalmente confundido. É o amor alicerçado na vontade.

Quando alguém está cheio de intenção, mas não faz o propósito ser acompanhado de ação, obtém resultado nulo. De outra forma, quando este soma intenção e ação, o resultado é aflorar sua vontade.

E vontade é sinônimo de amor porque resulta em ação, o "amor ação". E assim, vontade é força. E onde existe ação entre seres humanos, encontram-se disputas.

É por isto que irmãos brigam, mas só o fazem por amor e não por vaidade. Daí a necessidade de equilibrar a vontade com sabedoria e inteligência. Um não existe sem os outros dois.

O destempero entre irmãos aflora sempre?

Não! Os irmãos convivem em ambiente com limites claros e definidos, numa sociedade caracterizada por padrões preestabelecidos e onde todos são responsáveis.

Na maioria das vezes eles elogiam e apóiam, haja vista o elogio ser uma necessidade essencial nos relacionamentos saudáveis. Irmãos desenvolvem a humildade, que é outra expressão do amor, pois significa que são autênticos, sem arrogância, pretensão ou orgulho.

Em seu progresso pessoal desenvolvem autocontrole; sustentam as escolhas que fazem; dão atenção aos seus irmãos; apreciam e incentivam os outros irmãos; são honestos, forçam evitar o engano; visam satisfazer as necessidades dos outros, não fazem necessariamente o que o outro deseja; seria escravidão, mas o que o outro irmão precisa, o que é convertido em liderança; existe ocasião em que o irmão põem de lado sua própria vontade e necessidade apenas para defender um bem maior para seus irmãos; e acima de tudo, o irmão perdoa.

Se houver dano prefere recolher-se, isolar-se por uns tempos, nunca fechando questão a ponto de nunca mais oportunizar reconciliação. Mesmo prejudicado, o irmão desiste do ressentimento.

Tudo isto o tempo, o treinamento constante, a convivência frequente desenvolvem nestes que são verdadeiros irmãos. Explicar isto em palavras é difícil, senão impossível, daí a necessidade da convivência frequente e rotineira.

No passado alguém disse que o Grande Arquiteto do Universo só está onde as pessoas se tratam como irmãos e se amam uns aos outros. Hoje os verdadeiros irmãos que praticam o "amor ação" tudo fazem para que a divindade em cada um esteja presente de fato em todos os momentos de suas vidas. Assim são os irmãos maçons que honram seus juramentos.

LIBERDADE - IGUALDADE - FRATERNIDADE


Charles Evaldo Boller

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

O USO RACIONAL DA PALAVRA EM LOJA



A linguagem é, sem dúvida, o mais antigo e significativo sistema simbólico que a humanidade já desenvolveu. Foi o surgimento da linguagem que possibilitou ao homem acumular e transmitir o conhecimento.

Dentre todas as formas de linguagem, a palavra nos possibilita apreender todas as coisas do mundo no restrito espaço de nossas mentes.

É das palavras que nos utilizamos para formular pensamentos e desenvolver raciocínios.

Aprender é acumular novos arranjos de palavras para traduzir novos conceitos.

Enfim: a palavra é o mais poderoso e democrático instrumento já desenvolvido pelo engenho humano, e, como tal está sujeita ao bom e ao mau uso.

O dom da oratória, ou seja, a habilidade no uso das palavras causa admiração e proporciona prestígio e satisfação pessoal a quem o possui.

por isso mesmo os seres humanos, quase em sua totalidade, gostam muito de falar, principalmente quando há platéia.

O desejo pelo reconhecimento e admiração de seus pares é uma característica humana muito útil e profícua, porém, não basta dominar a arte de bem falar, mas também é preciso domínio sobre o assunto abordado, adequação do tema ao momento, ao ambiente e à platéia.

Preferencialmente que o discurso contribua para o crescimento intelectual ou que tenha utilidade para os ouvintes.

Muito tem se debatido, inclusive sendo tema recorrente nos erac’s, sobre como manter aos membros em nossa ordem e como definir um papel atuante da sublime instituição na sociedade moderna.

De fato tal momento histórico da maçonaria implica em revermos nosso papel como instituição, bem como o que fazer para prender o maçom em seu compromisso semanal junto a sua loja.

O uso da palavra dentro de loja tem papel preponderante neste aspecto!

É com palavras, mais do que com sinais, que se comprova a qualidade de um bom maçom.

Em loja, a palavra circula para certificar que está tudo justo e perfeito em ambas as colunas.

Numa instituição que preza, sobretudo, a liberdade e a igualdade entre os povos, os ritos maçônicos propiciam a todos os seus membros o direito à palavra. 

Infelizmente nem sempre os irmãos observam o bom senso ao “dela fazer uso”.

Verificamos que as pessoas tendem a fazer uso da palavra em demasia, ainda mais quando os VVen.·. no ensejo de serem educados dispensam o sinal de ordem, permitindo que o irmão fale livremente.

Contra as sessões monopolizadas pelos faladores ou oradores de plantão, apresentamos o presente trabalho, com fito de demonstrar que a melhoria das lojas e de seus quadros e uma reposição institucional da nossa instituição passam pelo uso racional da palavra em loja.

Os chineses, em sua cultura milenar, deixaram vários provérbios, dentre os quais destacamos: “ha três coisas na vida que não tem volta: a flecha disparada, a oportunidade perdida e a palavra lançada”; encontramos também na tradição hinduísta uma liça que diz “se paga mais carma pela nossa língua do que pelo resto de nosso corpo inteiro”.

Ou seja, ambas as culturas reconhecidamente sábias, importa em reafirmar que a palavra deve ser usada com parcimônia e cautela. E assim, o maçom, que é pedra bruta em constante lapidação, deve aprender a manter sua boca, sua língua e sua fala sob retidão.

Não é cediço relembrar que quando ingressamos na sublime instituição, existe expressa recomendação que o iniciado aprendiz, ouça e não fale, pois ouvindo estará recebendo a instrução necessária para galgar sua evolução. Em algumas lojas e ritos tal proibição vem sendo mitigada, no entanto permanecer a lição do aprender a ouvir, ou o permanecer calado, como ouvinte.

Entendemos que realmente assiste razão aos rituais que prescrevem a permanência do aprendiz, e às vezes dos companheiros (como no rito Adhorinamita) em silêncios senão falando quando devidamente assistidos por um mestre.

O silencio não deve ser interpretado como uma proibição, mas como salienta Nicola Aslam, como um aprendizado a comedir o usa da palavra sem o filtro da razão, ou seja, se for falar, falar aquilo que é importante e essencial, não se perdendo em inutilidades ou besteiras.

Devemos relembrar que dois são os momentos definidos no ritual de aprendiz maçom do R.·. E.·. A.·. A.·. para o uso da palavra: quando se dá a palavra ao bem da ordem em geral e do quadro em particular, nas sessões econômicas e, a palavra sobre o ato realizado, quando em sessões especiais.

Ressalva-se o direito do V.·. M.·. em entregar a palavra sempre que for interesse da loja a discussão.

Os IIr.·. devem aprender que “no silêncio da matriz da loja maçônica desenvolve-se o aprendiz e se realiza o mestre”.

Ora muitos IIr.·. confundem estes momentos de oportuna manifestação e passam a transformar o tempo em uma interminável ladainha de elogios, que na verdade é responsabilidade do Or.·., ou a praticar uma ode a própria inteligência, muitas vezes suposta, fazendo os IIr.·. suportarem um discurso vazio e inaproveitoso.

Detenhamo-nos um pouco na posição em que se deve falar em Loj.·. aberta, ou seja, à ordem, executando o Sin.·. Gut.·. (em loja de aprendiz).

Além de todo simbolismo referente ao sinal, quanto à representação do juramento maçônico a que nos submetemos, inteligentemente, tal sinal cansa.

Suscitamos os irmãos a tentarem falar mais que dois ou três minutos em executando o sinal de ordem. O sinal implica em retidão para que aqueles que se apresentam à assembléia sejam comedidos, pois implicará em transtorno físico seu abuso.

Ora uma das formas de impor o uso racional da palavra em loja é a não dispensa de se falar à ordem, por quem quer que seja, sendo a atitude gentil do V.·. em dispensar o uso do sinal uma atitude temerária que pode liberar o Ir.·. a falar demais.

Em um segundo momento, encontramos irmãos que ciosos de passar conhecimento aos demais, transformam a palavra ao bem da ordem em aula de historia, física, astronomia, etc. Na verdade, poderia se evitar este tipo de assunto despropositado, organizando estes irmãos de grande conhecimento, a proferirem palestra no tempo de estudos, que seria o uso adequado de tal quarto de hora.

Verificamos que as lojas, mesmo as que possuem comissão de admissão e graus, usam o tempo de estudos para leitura de trabalhos repetitivos, sobre ritualística e simbolismo.

Não que o estudo destes não seja necessário, todavia, poderia ser realizado o estudo e produzido o trabalho escrito, submetido apenas aos irmãos componentes da comissão de admissão e graus, em vez da repetição das leituras, utilizarem-se destes quartos de hora para passagem de conhecimentos mais interessantes e abrangentes sobre o cotidiano, ciência, política e a natureza das coisas.

Assim transportaríamos os pensadores, que discursam ao final, para o quarto de hora, no qual seria sobremaneira mais aproveitado.

O manual de ritualística maçônica brilhantemente define o escopo da “palavra a bem da ordem em geral do quadro em particular”:

“Este é o momento em que os IIr.·. fazem uso da palavra, referente a assuntos que digam respeito a ordem maçônica ou do quadro da loja no seu particular a exemplo de quando o Chanc.·., comunica as efemérides.” (manual de dinâmica ritualística do 1º grau R.·.E.·.A.·.A.·.)

De outra banda, observamos que quando tratamos da palavra sobre o ato realizado, também há equivoco dos irmãos que erroneamente a tratam como palavra a bem da ordem.

O nome é excludente ”palavra sobre o ato realizado”, ou seja, apenas sobre aquela sessão desenvolvida. Entretanto, verificamos um sem fim de: “sessão brilhantemente conduzida”, “belíssima sessão”, dentre outros. Nada se acrescentou ao acontecido até ali!

Não se pretende aqui coibir toda e qualquer manifestação, mas buscamos exaltar o bom senso.

As sessões devem ser realizadas para aumentar a irmandade do quadro da loja e da maçonaria universal, bem como enriquecer os obreiros de conhecimento, tornando-os esclarecidos e polidos para ocuparem o edifício social.

Não nos esqueçamos que a ordem repudia a vaidade, pois esta é aresta que se desbasta desde a iniciação, quando despidos de todos os metais, entramos como simples pessoas em loja. a palavra, quando bem usada exalta o individuo, e alguns irmãos embebidos desta exaltação passam a usar da palavra para saciar sua vaidade, de modo que desperdiça um tempo importante para a loja crescer em outros aspectos.

Ora como já dito acima, existem irmãos que tecem odes a si mesmos, ou tentam causar boa impressão através de sua retórica e oratória.

Chamamos atenção para que os irmãos cuidem com esta tentação, impedindo que a vaidade, despida na iniciação, volte a se instalar em nossos corações no dia a dia da loja.

Não nos esqueçamos da importante lição do mestre Jesus que num dia de sábado ensinou que “o mal não é o que entra pela boca do homem, mas o que sai de seu coração”.

Uma seção em que não se permite discursos vazios, usando o V.·. M.·. o malhete de forma consciente, uma ordem do dia devidamente organizada, e o bom senso dos irmãos quanto ao uso da palavra quando permitido pelo ritual, é utilizar racionalmente a palavra, sem que haja qualquer tolhimento aos irmãos.

Gostaríamos que se levasse como lição deste pequeno excerto: é direito inalienável de cada indivíduo e de cada irmão a livre manifestação.


Todavia, isto não pode ser causa nem de aborrecimento aos demais nem de imposição de idéias. Um bom discurso é aquele que incute a ideia pelo seu interesse despertado, jamais pelo cansaço da repetição enfadonha.

Tornemos nossas sessões mais inteligentes e menos faladas!

Autores:
Gabriel Bardal C.'. M.'.
Guilherme João Müller C.'. M.'.
Juliano Alves da Rocha Loures A.'. M.'.
Kleber Gil Zeca A.'. M.'.
Marco Antonio Langer A.'. M.'.
Ricardo Key Sakaguti Watanabe A.'. M.'.


Referências Bibliográficas
Ir.·. Ismael Aquiles Salinas, artigo: O silêncio. site: http://www.unidad-servicio-uruguay.org/osiencio.htm

IIr.·. Antonio Lira Bonfim, Antonio Neto de Lima, Francisco Moézio, Gleidivam Palácio Bezerra e José Cardoso Neto: artigo: Fraternidade entre irmãos. existe? Como melhorar?: Maringá: Revista “a Trolha”, ano XXXIV – nº218 – dezembro/2004, págs. 19/21.

Aslan, Nicola. Comentários ao ritual do aprendiz maçom: vade-mecum iniciático. Maringá: Editora Maçônica “a Trolha”. 2ª edição 2003

Boucher,  Jules. A Simbólica Maçônica: Segundo as regras da simbólica esotérica e tradicional. São Paulo: editora Pensamento

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

RESSIGNIFICAR A MAÇONARIA


"É PRECISO QUE A MAÇONARIA ASSUMA SEU PAPEL DE REPRESENTATIVIDADE SOCIAL, INTEGRANDO-SE ÀS DEMAIS FORÇAS E INSTITUIÇÕES DA SOCIEDADE MODERNA"


Meus caros irmãos, nas dificuldades da vida nos deparamos com mais
uma: o termo RESSIGNIFICAR.

Não é uma novidade, coisa passageira, mas é o novo que muda.

O NOVO NOS FAZ PESSOAS MELHORES PORQUE NOS FAZ NOVAS
PESSOAS.

Os ensinamentos, os termos nos são passados como verdades e por muito tempo se mantinham na nossa vida, como tal.

Dificultando as investigações científicas ou os pensamentos da coletividade, por algum interesse ou porque não havia motivo para questionar o "status quo" -

SEMPRE FOI ASSIM!

Mas, precisamos Ressignificar.

As nossas práticas ritualísticas, as nossas instruções, eram passadas e
organizadas para as gerações futuras como conquistas imutáveis, não sendo permitido falar e questionar.

Virou unanimidade tal prática, adormecendo as idéias, a argumentação, e
assim limitando o conhecimento, nos levando a uma apatia e inércia mental.

Mas, no mundo hoje, de grande transição, com milhões de descobertas,
onde amanhecemos muitas vezes em situações diversas daquelas em que nos recolhemos ao leito, aonde as notícias chegam a nós no mesmo instante do ocorrido, mesmo que a milhões de distância nossa.

É PRECISO RESSIGNIFICAR.

Dar um sentido novo a um porvir de esperanças e completude interior.

VER COM NOVOS OLHOS.

Precisamos na Maçonaria ressignificar para sermos capazes de reconstruir e mesmo construir algo que a sociedade moderna nos pede, uma ação mais fraterna e abrangente, onde será possível mostrar o que aprendemos nos Templos.

Sem nenhuma necessidade de mostrar ou revelar nossas posturas herméticas.

Posturas essas tão necessárias para a vida da instituição e para que tenhamos noção de grupo ou de corporação numa linguagem mais atualizada.

Verdades absolutas, destinos inevitáveis ou rumos traçados que não possam ser mudados para o bem da humanidade, não servem mais. Um plano, um conhecimento que não pode ser mudado ou não se aperfeiçoa, não é um bom plano.

A Maçonaria foi feita para o Maçom e é este Homem, o Maçom, que precisa de uma nova ressignificação no seu trabalho, na sua oficina, para que possa atuar em condições de tornar feliz a humanidade, começando pela sua família.

A Maçonaria precisa estar junto com a família e a família precisa estar junto da Maçonaria.

Nossa educação formal já não supre a sede de conhecimento e a nossa
instituição, com todo respeito, com didática desatualizada é incapaz de oferecer os subsídios necessários a esse Homem Maçom, que busca algo mais para se desenvolver melhor.

A Maçonaria é muito mais abrangente que o ritual.

Precisamos ressignificar a doutrina social que a Maçonaria nos proporciona.

Vencendo a incredulidade, o Homem Maçom saiu a campo para encontrar
outros conhecimentos complementares ou não, para satisfazer e preencher o seu espírito, que está inquieto, não permitindo que ele se fixe onde não lhe permitam o diálogo, o raciocínio e a inquirição, pois nada mais é como antes.

A Internet, por exemplo, democratizou o conhecimento, tornando-o acessível a partir de nossa própria casa. Sabendo selecionar teremos a chance do descobrir, e isto é de suma importância.

Como diz o sobrinho Lucas, a Internet não se aprende, se descobre.

E nós ainda estamos tentado ensinar Maçonaria, esquecendo que ela descoberta possui muito mais valor. Estamos tentando ensinar aquilo que é preciso aprender pelo interesse.


Precisamos saber qual o motivo de estarmos aqui e torná-lo real.

Para que serve a Maçonaria, para que eu sirvo para Maçonaria?

Umberto Eco nos fala que o Homem do futuro será aquele que sabe separar o que serve daquilo que não serve. Isso é atualização pura do que está na Livro da Lei, que é saber separar o bem do mal, ou o joio do trigo.

A Maçonaria terá que se adequar a esse novo mundo e a esse novo membro que chega ansioso por entender, por trocar informações e principalmente
construir uma nova rede de conhecimento, tão necessário para o real significado à sua existência.

De onde viemos, onde estamos e para onde vamos. Talvez a chave da existência. Não acham meus irmãos?

A Maçonaria é o grande elemento para esse homem, essa humanidade
cheia de violência, desencantada, triste e sem um norte em seu cotidiano.
Nossa ação política, como nação e como um todo, está lamentável.

Neste novo mundo a percepção de tempo está diferente, muito rápida e há necessidade de capacitar o Homem Maçom a fazer frente a esses novos paradigmas.

Há necessidade de uma visão holística do Mundo, da Sociedade, para que
não venhamos a ter melancolia, que é viver do passado ou ansiedade, que é viver no futuro, nos esquecendo do presente.

É preciso uma ressignificação da Loja, dos trabalhos e da ação Maçônica
para que possamos acolher o Homem Maçom, capacitá-lo e assim devolvê-lo a seu meio em condições de torná-lo feliz pelo seu exemplo e responsabilidade social.

Outro termo necessário para que nos atualizemos é responsabilidade social, uns acham que deve ser para o nosso meio, via ajuda do tronco de solidariedade ou bolsa de beneficência, outros para fora, via creche, asilos, etc. Mas que  precisamos desta responsabilidade social, precisamos.

É o meio de materializar e realizar o conhecimento Maçônico.

A Maçonaria precisa ser uma praça de diálogo para as soluções sociais
que se fazem necessárias, afeto, compreensão e reforço espiritual para os que lá já estão ou para os novos que chegam diariamente. Isto é Ressignificar à Loja, é ver com novos olhos, dar objetivos novos e mais atuais, nada de conceitos pré-estabelecidos, afinal estamos na Maçonaria para despertar e não engessar o conhecimento e o pensamento.

Ressignificar é uma nova iniciação a todos nós e aos que chegarão, onde
poderão saber que somos progressistas a bem do Homem Maçom. O mundo, a sociedade passa a ser entendida com um grande buril, aonde seres diferentes com concepções e aprendizados diversos vão estabelecendo trocas que possibilitarão o progresso coletivo, tornando a todos nós felizes.

Estamos na Maçonaria para sermos felizes e não para termos razão.
Impulsos mais nobres nos nortearão neste RESSIGNIFICAR, nossa responsabilidade de amparar o próximo na sociedade se tornará mais fraterna, educando melhor nossos sentimentos e emoções.

A Maçonaria possui em sua doutrina as ferramentas para que possamos
ressignificar nosso entendimento sobre Homem Maçom e suas necessidades.

Mas, para adequá-la, é necessário RESSIFIGNAR conceitos, as verdades e as certezas e acima de tudo, colocá-los a serviço da Humanidade.

A AÇÃO SE FAZ NECESSÁRIA. QUEM NÃO FAZ, NÃO RESSIGNIFICA.

O Ressignificar Maçônico passa por uma melhoria de nossas sessões,
mais confiança entre nós, mais diálogo sem reserva mental, troca de informações, uma maior fraternidade entre os irmãos, sem a vaidade de paramentos que escondem a essência, já que o Homem Maçom vale pelo que ele é e não pelo que ele usa.
 
O MAIS IMPORTANTE NUM ÁGAPE É QUEM ESTÁ À FRENTE PARA
DIALOGAR E NÃO O QUE ESTÁ NO PRATO.

Ressinigficar, meus irmãos, é dar sentido novo em direção a um provir de
esperanças e completude interior.

"Eurípedes Barsanulfo- Lírios de Esperança."

Assim levo aos irmãos esta reflexão para que possamos avançar irmanados.
Gratos pela paciência, nos colocamos à disposição.

Abraços Fraternais.

Inspiração a partir do artigo Ressignificar de Ionilda Velloso de Carvalho,
Médica, Professora Universitária e Oradora Espírita em Campos dos
Goytacazes - Rio de Janeiro.
Revista Espírita de Campos - REC 78 jun-2006.


Carlos Augusto Gabesh Pereira da Silva.
Ex-Venerável Mestre da LOJA OBREIROS DE SÃO JOÃO Nº 42.

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