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“NÃO SERÃO ACEITOS COMENTÁRIOS ANÔNIMOS”

quarta-feira, 29 de maio de 2019

A INICIAÇÃO REAL



A Maçonaria adquiriu o seu aspecto iniciático a partir do século XVIII. A singela recepção das Lojas operativas foi transformando-se, o ritual foi enriquecendo-se e complicando-se a Liturgia, durante todo o século XIX, até chegar à Iniciação Maçônica atual com o seu brilhante cortejo simbólico.

Na verdade, o que a Ordem Maçônica pretende, através da Iniciação, é dar ao iniciado uma responsabilidade maior não somente como ser humano com vida espiritual, mas também como homem e cidadão. E isso os antigos o faziam por meio de ritos iniciáticos.

Os iniciados eram submetidos a exercícios mentais e intelectuais e, pela meditação e a concentração, eram conduzidos paulatinamente, ao despertar de uma vida interior intensa e, assim, a uma compreensão melhor da vida. Diz Aryan, na introdução ao Livro “La Masoneria Oculta Y La Iniciacion Hermética”, de J. M. Ragon, que “os ritos não teriam nenhuma utilidade se os seus ensinamentos caíssem como água numa ânfora quebrada”.

O seu objetivo consiste em relembrar ao iniciado que deve dar, cada vez mais, predomínio à vida interior do que à atração dos sentidos. A promessa do Maçom de ser bom cidadão, de praticar a fraternidade não quer dizer outra coisa.

Diodoro da Sicília dizia que “aqueles que participavam dos Mistérios tornavam-se mais justos, mais piedosos e melhores em tudo”. Por isso, o primeiro passo da vida iniciática é a entrada em câmara ou cripta onde hão de morrer as paixões, para que o aspirante possa ser admitido no reino da Luz.

Como dizia, há séculos, Plutarco: “Morrer é ser iniciado” Há duas espécies de iniciação: a REAL e a SIMBÓLICA. A primeira, segundo escreve A. Gédalge no “Dicionário Rhea”, é o resultado de um processo acelerado de evolução que leva o Iniciado a realizar, em si mesmo, o que o homem atual deverá ser num futuro, que não pode ser calculado.

A segunda é, apenas, a imagem da iniciação real. Referindo-se à Iniciação Simbólica, o Manual de Instrução do Primeiro Grau da Grande Loja de França, citado por Paul Naudon em “La Franc-Maçonnerie et le Divin”, assim se expressa:

“Os ritos iniciáticos não têm nenhum valor sacramental. O profano que foi recebido Maçom, de acordo com as formas tradicionais, não adquiriu, só por esse fato, as qualidades que distinguem o pensador esclarecido do homem inteligente e grosseiro. O cerimonial de recepção tem valor, unicamente, como encenação de um programa que importa ao Neófito seguir, para entrar na posse de todas as suas faculdades”.

Pela iniciação simbólica, segundo o sentido etimológico dado por JULES BOUCHER, no livro “Simbólica Maçônica”, o “iniciado” é aquele que foi “colocado no caminho”. Paul Naudon, em “La FrancMaçonnerie”, referindo-se à iniciação simbólica, assim escreve:

 “O objetivo da iniciação formal é conduzir o indivíduo ao Conhecimento por uma iluminação interna. É a razão pela qual a Maçonaria usa símbolos para provocar essa iluminação, por aproximação analógica. Vemos, assim, que os verdadeiros segredos da Maçonaria são aqueles que não se dizem ao adepto e que ele deve aprender a conhecer pouco a pouco, soletrando os símbolos”.

Não existe nisso nenhum incitamento à pura contemplação interior, a êxtase, ao misticismo... “Cabe ao neófito descobrir o segredo. Dentro da noite de nossas consciências, há uma centelha que nos basta atiçar para transformá-la em luz esplêndida. A busca dessa Luz é a Iniciação”.

“Nessa marcha ascensional em direção à Luz, onde a via intuitiva parece primordial, é evidente que a razão não pode ser afastada. Em todos os ritos, a Maçonaria a evoca sem cessar. É a lição dos símbolos, entre outras, a do compasso, que se aplica, particularmente, ao volume da Lei Sagrada, símbolo da mais alta espiritualidade, à qual aspira o Maçom.”

Essas ideias e pensamentos têm o objetivo fraterno e leal de incutir nos recém-iniciados o verdadeiro espírito maçônico; de fazê-los ver a responsabilidade assumida perante a família dos Irmãos conhecidos e desconhecidos espalhados pelo orbe da Terra.

Que todos nós, indistintamente, aprendamos a conhecer o espírito maçônico, afastando-nos da falsa ciência e do sectarismo, combatendo e esclarecendo todo cérebro denegrido pelo obscurantismo, para que possamos tornar-nos dignos de ser uma dessas Luzes ocultas que iluminam a humanidade.

Os verdadeiros sinais pelos quais se reconhece o Maçom não são outros senão os atos da vida real já nos ensinavam o Irmão Oswald Wirth. O Maçom há que agir equitativamente como homem que cuida de se comportar para com outrem, como deseja que se proceda a seu respeito.

O Maçom distingue-se dos profanos por sua maneira de viver. Se não viver melhor que a massa frívola ou devassa, a sua pretensa iniciação na arte de viver revelasse fictícia, a despeito das belas atitudes que fingem. Esforcemo-nos para que sejamos reconhecidos não pelo toque, pelo sinal ou pela palavra, mas por nossas ações no âmbito maçônico, social e profissional.

“Sejamos homens de elite, sábios ou pensadores, erguidos acima da massa que não pensa”, porque somente desse modo é que poderemos alcançar a Iniciação Real, digna de poucos.

Jaime Balbino de Oliveira

segunda-feira, 27 de maio de 2019

O QUE ENTENDEIS POR VIRTUDE?


INTRODUÇÃO

Na ocasião de minha iniciação, apesar de ter uma noção do assunto, não fui capaz de emitir uma resposta condizente com a importância que a palavra virtude tem para a Maçonaria.

Embora estivesse livre para me expressar, naquela ocasião, como neófito, não seria capaz de expor o que as virtudes representam para a Maçonaria.

 Como os primeiros passos do aprendiz maçom são no sentido da superação da ignorância das verdades da maçonaria, meu terceiro trabalho foi buscar esse entendimento e, em um primeiro momento, busco conhecer as virtudes cardeais e sua importância para a Maçônica.

CONCEITO DE VIRTUDE
O conceito de virtude começou a ser desenhado nos tempos da Grécia de Homero, quando o termo areté (deus marte, deus da guerra) representava a coragem, o valor, a hombridade e a honra do soldado da guerra.

Posteriormente, essa excelência humana foi traduzida na palavra virtude que, etimologicamente, deriva do latim virtus (vir) (Homem), cujo radical vir significa valente, valoroso, varão, viril.

Dessa forma, virtude, em seu sentido original, expressa a virilidade do homem, sua excelência ou perfeição moral. Durante o apogeu da filosofia grega, surgiram considerações importantes sobre a virtude por meio dos filósofos Sócrates, Platão e Aristóteles. Sócrates (470 - 399 a.C.) considerou que a virtude do homem é tudo o que faz a alma boa e, a isso, ele deu o nome de conhecimento.

Então, o homem virtuoso era aquele que possuísse o conhecimento. Já Platão (427-348 a.C.), nesse sentido, remete virtude ao contexto de “o mais justo dos homens”, a “excelência humana”, ou seja, a clara percepção do reconhecidamente melhor.

As virtudes passam a ser entendidas como uma unidade necessária para harmonizar as diferenças, ou seja, com o domínio das virtudes era possível harmonizar razão e paixão.

Assim, virtude é uma consequência da inteligência e por esse motivo o conhecimento delimita todas as virtudes.

Termo grego que vem da palavra Ares (deus Marte, deus da guerra) e tem relação com a coragem, valor, hombridade e honra do soldado nas guerras. Era a força eminentemente masculina, a nobreza do soldado e por isso, nos poemas Homéricos.

Finalmente, Aristóteles (384-322 a.C.) ratifica a ideia de ligação das virtudes com o conhecimento. No entanto, para esse filósofo, a virtude se dava com a repetição de atos virtuosos, ou seja, era através da vontade do homem que se gerava o hábito virtuoso.

Com isso, representava uma disposição para agir deliberadamente, consistindo de um meio-termo relativo a nós, que é racionalmente determinado e determinado pelo homem prudente. Logo, o homem virtuoso é aquele que vive de acordo com o bom desenvolvimento do espírito racional.

VIRTUDES CARDEAIS
Esses conceitos filosóficos são então assumidos pela igreja católica quando Santo Ambrósio2 (340-397), em "De officiis ministrorum", lista as virtudes cardeais:

Prudência, fortaleza (força), temperança e justiça. Logo depois, Santo Agostinho (354-430), em seu livro intitulado "O Livre arbítrio – Livro I” retoma a teoria das quatro virtudes e considera Prudência, Fortaleza, Temperança e Justiça a virtude em suas quatro grandes formas tradicionais.

Santo Agostinho não muda as concepções anteriores, porém, afirma que as virtudes cardinais são reflexos da boa vontade quando representa o hábito do bem, isto é, a disposição estável para agir bem, o que toca a vontade do agente moral.

São Tomás de Aquino (1225-1274), em se tratando de virtudes, seguiu o entendimento de Aristóteles e Agostinho. Para ele, as virtudes cardeais são aquelas nas quais se fundam e reside a vida moral por meio de um habitus (um bom habitus).

Para São Tomás de Aquino, as virtudes cardeais representam a porta para se chegar às outras virtudes. Ele conceitua as principais virtudes: [...] E então se chamam principais como quase gerais, em relação a todas as virtudes.

De modo que toda virtude que faz o bem, levando em conta a consideração da razão, chama-se prudência; toda a que, nos seus atos, observa o bem no atinente ao devido e ao reto, chama-se justiça; toda a que coíbe as paixões e as reprime chama-se temperança; toda a que dá a firmeza de ânimo contra quaisquer paixões se chama fortaleza. — Suma Teológica, Tomás de Aquino.

Primeiro autor cristão a listar as virtudes cardeais. 3 A palavra cardeal, em se tratando das virtudes cardeais, deriva do latim cardo, que significa gonzo ou dobradiça de uma porta ou janela, por exemplo. Essas virtudes carregam consigo todas as outras e representam os pontos fixos nos quais as outras virtudes estão ancoradas, ou seja, são as principais virtudes.

Hoje esse entendimento está consolidado e ligado à Maçonaria. Prova disso está no teto da sede da Maçonaria em Londres (ceiling of Freemasons Hall), onde são exibidas figuras em forma de anjos com os nomes das quatro virtudes cardeais.

AS QUATRO BORLAS E A RELAÇÃO COM AS VIRTUDES CARDEAIS 
Vários autores ratificam a relação entre as quatro virtudes principais e as quatro borlas existentes no Painel do Aprendiz. DON FALCONER (2003) ensina que o simbolismo das quatro borlas tem origem na maçonaria operativa e estão diretamente relacionadas com os métodos utilizados pelos mestres pedreiros operativos ao definir os quatro cantos do edifício.

Nesse sentido, DYER (2006) ensina que, no período operativo, os maçons desenhavam, no chão, a planta de uma nova construção e marcavam o centro para iniciar os seus trabalhos.

A partir dessa orientação, desenhavam o quadrado ou o retângulo sobre o qual as paredes seriam levantadas.

Para marcar os quadros ângulos, eram esticados cordéis até as extremidades da construção e um pedaço de madeira (guia) era colocado no canto interno.

 Dessa guia, pendia uma linha de prumo de forma a assegurar que a parede estava na perpendicular e o ângulo era o mesmo do alto até a base.

De acordo com HAYHOOD (2008), essas linhas de prumo permaneceram na Maçonaria Especulativa até meados do século XIX, não apenas com borlas tecidas no carpete, mas franjas reais penduradas nos quatro cantos da sala da loja; e no ritual usado nos velhos tempos são essas borlas suspensas às quais as quatro virtudes cardeais estavam ligadas, implicando que estas eram guias para capacitar um homem a manter uma vida correta.

O Irmão PEDRO JUK (2015) também entende que as quatro borlas simbolizam as virtudes cardeais e que elas, tradicionalmente, se apresentam junto aos quatro vértices da orla dentada que Painel do Aprendiz Maçom.

Ele ensina que nos cantos superiores (oriente) estão as borlas da Justiça e da Prudência, enquanto que nos cantos inferiores (ocidente) estão às borlas da Temperança e da Fortaleza. No entanto, essa não é a disposição encontrada no teto da sede da Maçonaria em O Painel já representa simbolicamente o conjugado de símbolos da Loja conforme o Grau e, dentre os tais está à representação da Orla Denteada conjuminada nos seus quatro vértices internos com os símbolos das respectivas borlas. (Pedro Juk - Fonte: JB News – Informativo nr. 1.579 - Florianópolis (SC) – sábado, 24 de janeiro de 2015).

Nesse local, a Justiça e a Temperança estão localizadas no oriente, enquanto que a Prudência e a Fortaleza se encontram no ocidente. Essa disposição das virtudes é explicada por DON FALCONER (2003) quando ele ensina sobre as quatro borlas em lojas operativas que eram orientadas na mesma direção do templo de Salomão em Jerusalém, que é o inverso de lojas especulativas modernas.

A entrada para o alojamento era no oriente e o mestre sentava no ocidente. Embora não tenha sido verificado na pesquisa nada concreto que indique o posicionamento correto das borlas representativas das virtudes, uma vez que não há uniformidade entre os autores pesquisados, o entendimento é no sentido de que a presença das borlas no Painel do Aprendiz nos faz lembrar as virtudes cardeais e seu importante significado para a vida de um Maçom.

CONCLUSÃO
As Virtudes têm valor intrínseco para o maçom e são certamente essenciais para a Maçonaria. A relação com as borlas lembram o Maçom a trabalhar as quatro virtudes cardeais em conjunto:

A Temperança consiste na contenção devida sobre as nossas paixões;

A Fortaleza (Coragem) representa para o Maçom a virtude da força e da capacidade de tomar uma decisão com base em suas próprias convicções morais;

A Prudência permite que o maçom regule as suas ações de acordo com o ditado da razão; e finalmente, considerando que o verdadeiro Maçom é o símbolo de um homem bom que não desvia dos seus princípios, a virtude da Justiça representa a igualdade que deve existir quando o Maçom governar suas próprias ações.

A prática constante das principais virtudes simbolizadas nas borlas do Painel do Aprendiz é fundamental para o domínio de minhas paixões e a combinação harmoniosa com as minhas ferramentas de aprendiz contribuirá para o exercício de outras virtudes como, por exemplo, a humildade, a fraternidade e a tolerância e, assim, contribuirá para o aperfeiçoamento do meu espírito e minha consequente evolução na Maçonaria.

Portanto, acredito que a virtude é fruto de nosso livre-arbítrio quando temos a oportunidade de praticar o bem e representam a base para a construção do templo interior.

Sem a prática perene das principais virtudes, estamos fadados ao desmoronamento moral e com isso, a quebra de harmonia existente entre os irmãos.

Compreendo, finalmente, que em loja estamos vestidos com os respectivos aventais de forma a identificar a responsabilidade de cada irmão dentro do grau no qual nos encontramos.

Na vida profana, estamos vestidos com nossas virtudes de forma a identificar o verdadeiro Maçom e sua responsabilidade perante a sociedade na qual está inserido. À Glória do Grande Arquiteto do Universo e que Ele ilumine a todos.

Aprendiz Maçom CARLOS HENRIQUE SOARES Loja Maçônica Terceiro Milênio/ nº 07 – GOAL– COMAB 

REFERÊNCIAS
AGOSTINHO, Santo, Bispo de Hipona. O Livre-Arbitrio. São Paulo: Paulus, 1995. Disponível em    https://sumateologica.files.wordpress.com/2009/07/santo_agostinho_-_o_livre-arbitrio.pdf. Acesso em: 17 de dezembro de 2018.
AQUINO, Tomás. Suma Teológica. I-II. Coordenador geral da tradução brasileira Carlos-Josaphat Pinto de Oliveira, OP. São Paulo: Editora Loyola, 2005. Disponível em https://sumateologica.files.wordpress.com/2017/04/suma-teolc3b3gica.pdf. Acesso em: 20 de dezembro de 2018.
ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. Tradução e notas Edson Bini. 2 ed. São Paulo: Edipro, 2007. Disponível em https://abdet.com.br/site/wp-content/uploads/2014/12/%C3%89tica-aNic%C3%B4maco.pdf. Acesso em: 18 de dezembro de 2018.
BLOG DO PEDRO JUK. Estudos "achar menos - procurar mais". Fonte: JB News – Informativo nr. 1.785 – Florianópolis (SC) quinta-feira, 20 de agosto de 2015 Disponível em: http://iblanchier3.blogspot.com/. Acesso em: 18 de março de 2019.
DA SILVA, Cláudio Henrique. Virtudes e Vícios em Aristóteles e Tomás de Aquino: Oposição e Prudência. Boletim do CPA, Campinas, nº 5/6. Jan./Dez. 1998.
DON FALCONER, W.M. The four tassels. Revista di Massoneria. Abr. 2003. Disponível em: http://www.freemasons-freemasonry.com/don13.html. Acesso em: 30 de janeiro de 2019.
DYER, Colin F. W. O Simbolismo na Maçonaria. São Paulo: Madras, 2006.
GOAL, Grande Oriente de Alagoas, Ritual do Aprendiz Maçom. 2017. Grande Oriente do Paraná (GOP/COMAB). Ritual do Aprendiz do Trabalho de Emulação, Edição 2010
HAYWOOD, Martin PS. The Queensland Freemason, edição de fevereiro de 2008. Disponível em: http://www.masoniclibrary.org.au/research/list-lectures/158-the-origin-of-the-four-tassels.html. Acesso em: 30 de janeiro de 2019. JUK, Pedro. Exegese Simbólica para o Aprendiz Maçom. Ed. Maçônica “A Trolha”. 2007
MURRAY, Roy. The Four Cardinal Virtues And Tassels. Disponível em: http://www.masoniclibrary.org.au. Acesso em: 28 de fevereiro de 2019.
PLATÃO. A República. Tradução e Organização J. Guinsburg. São Paulo: Editora Perspectiva, 2006. Disponível em http://www.eniopadilha.com.br/documentos/Platao_A_Republica.pdf. Acesso em: 9 de janeiro de 2019.
TEMPLE LODGE, Nº.33, DUNCAN, BC. Photos of Freemasons Hall, London, UK – from Paul Philcox. Disponível em: http://www.templelodge33.ca/masonic-education/photos-of-freemasons-halllondon-uk-from-paul-philcox/. Acesso em: 28 de fevereiro de 2019.

segunda-feira, 20 de maio de 2019

APRENDIZ - SOLUÇÃO




Fundamental é que cada personalidade divirja pouco ou muito em sua opção quanto ao ideal e sua trajetória visando a construção de um mundo melhor. Quase sempre nos surpreendemos com a discrepância de conclusão em semelhante circunstância.

Minha pretensa contribuição nos leva ao refinamento do emocional. – posto que o propósito não encontre apoio na maioria dos ideais, parecendo destoar da compreensão lógica. Contudo, prefiro persistir nessa tese.

Quando apontamos para a educação (tradicional), por exemplo, outros setores como a segurança, combate à fome, habitação, etc. compreendemos essas necessidades iminentes. Mas se o homem não estiver polido, compreensível da verdade, não terá condições da colaboração construtiva.

Quanto mais aguçado o ego mais relutante o indivíduo em aceitar opinião nova, pois, a desconfiança está fortemente arraigada num solo compacto, difícil de remover a vulgar mentalidade.

A solução plausível me parece está no paulatino arrefecimento da tosca índole trivial do homem abrangendo a coletividade, a sociedade em geral. Mas esse é um trabalho hercúleo realizado por pessoas competentes na área psíquica coadjuvada por místicos, esotéricos, metafísicos, teólogos, alquímicos e outros mestres transcendentes, gurus e hierofantes, mentalidades afeitas a compreender as metáforas, em suma os aspectos subjetivos invisíveis permeáveis ao cósmico.

Paz é o sagrado atributo consciente ou inconscientemente buscada por todos já que esta é a harmonia, a música das esferas assente pela incomensurável natureza.

O homem, todos nós estamos distraídos com a paisagem ilusória nos deixando totalmente perdidos no mar sem referência e inteiramente desorientado. – deduzimos daí que o essencial seria verdadeiramente “conhecermo-nos”...

Necessário é que sejamos alertados do perigo de continuarmos nessa apatia, indolentes como que esperando um milagre acontecer. Vejamos os acontecimentos atuais em todos os quadrantes da Terra deixando-nos perplexos.

A tendência é sem dúvida a ampliação dessa ininterrupta barbaridade amplamente testemunhada através do noticiário da imprensa. Todavia isso é resultado do ócio insipiente e ignorância, principalmente daqueles que estão liderando o destino dos povos necessitados de esclarecimentos e iludidos, supõem que são esclarecidos da verdade quando estão redondamente enganados.

Entendemos que tal clima faz-se crer vai levar o mundo à ruína pela falta de respeito à polaridade anímica do Ser. Interessante que a maioria procura sintonizar-se com o aspecto dito espiritual. Só que este está arredio pela espessa cortina que intercede à tentativa de aproximação do extremo oposto mais denso e material. Tornando-o inacessível.

Este palpável atributo essencial do plano em que vivemos mexe mais enfático com nossa mentalidade afeita aos impulsos provenientes dos cinco sentidos, portal escancarado e devassado pelo nosso sistema racional e que naturalmente concretiza a dedicação individual atuante, bastante diversificada pela experiência desigual oriunda da mutável natureza dos acontecimentos mundanos.

Conquanto, a rebeldia caracterizada pelo que chamamos marginalização nos parece que a solução seria a complexa conscientização desses atores, à formação de uma cultura generalizada orientada para a misericórdia, isto é, uma verdadeira fraternidade, realizando uma transmutação do egocentrismo individual para uma solidária cordialidade coletiva. – utopia? – há VI séculos Platão se referia a esse tema “utopia é a forma de sociedade ideal.

“Talvez seja impossível de realizá-la na Terra, mas é nela que um sábio deve depositar toda esperança.” Esse filósofo proeminente receptivo ao clima da época da proliferação da plêiade de extraordinários eruditos merece   nosso crédito.

O difícil é sairmos desse marasmo em que nos encontramos. Urge sermos despertados. Estamos afeitos às soluções fáceis, mesmo que essas tenham implicações desabonadoras, embora essas decisões sejam tomadas inocentemente pelo hábito em vista da exiguidade de tempo em processo acelerado nesta fase. Impedindo a abordagem de novas atitudes e orientação geral.

Entidades milenares de origem eminentemente sagradas persistem em evidência, como a Maçonaria e a Ordem Rosa-cruz e outras esotéricas instituições remanescentes, parecendo protegidas por forças sublime no intuito de orientar a humanidade à senda do seu bem-estar.

Entretanto estamos sendo obliterados pelo descaso e indolência da sociedade eminente e daquelas denominadas mística e Iniciáticas, não tem ânimo de se aprofundar no estudo em busca do âmago ou essência de seu contexto divino. 

Esmaecendo e recrudescendo a lembrança remanescente do misterioso atributo primordial com condições de alavancar das trevas o sagrado intuito de busca da luz intensa da Consciência Universal.

Destarte, temos que convir que a vulgar mentalidade corrente dos líderes sociais tentando conter as degradantes atitudes dos marginais vem de encontro às pretensões e ao contrário amplia e incentiva esses abomináveis atos.

Só a compreensão cordial e análise imparcial de homens ilustrados nos princípios relacionados ao transcendental podem entender a mazela e crueldade do mundo atual.

Quando se pensa em pena e punição ampliadas para os infratores, construção de penitenciária e perseguição atroz me parece que essa mentalidade está totalmente ilógica até embrutecida, necessitando de esclarecimento transcendente, espiritual.

A previsão de pena maior não evita o crime... Já imaginaram um ano de cadeia, que martírio! Propor mais de trinta anos de reclusão prova o elevado nível de crueldade inserido nessa personalidade, fazendo acreditar no mínimo na  equivalência de sentimento. Quando entender a máxima bíblica “ame seu inimigo?”.

Em decorrência vamos imaginar na misericórdia generalizada. O pensamento é uma energia que contribui para sua auto-realização.

Polindo nosso ser o mundo tornar-se-á naturalmente bem melhor.
Contudo, para transpor os obstáculos ou arredá-los do caminho é uma tarefa extrema em complexidade pela cultura atuante orientada pelo racional empírico predominante. Tentar modificar sua tradicional trajetória é uma iniciativa extremamente difícil, mas evidentemente meritória.

Atônitos testemunhamos a contenda inominável entre  os Estados Unidos e o Iraque! Resultado do choque de causa e efeito, as duas polaridades imprescindíveis em toda manifestação em desequilíbrio resulta em desastre. Focalizando o grau de instrução atinente a atualidade seria inconcebível tal incidente.

Admitimos que fosse resquício da pretensa civilização ainda recrudescida pela arrogância egoística não só das partes beligerantes, mas a influência perniciosa da civilização insipiente em evidência mundial assaz ávido por uma filosofia adequada e harmoniosa com a natureza abrangente e permeável ao  Todo.

Concomitantemente os confrontos dos extremos entre a paz e a guerra nos leva a meditar na assertiva bíblica “buscai primeiro conhecer o segredo do reino do céu porque o resto vos sereis acrescentado”. Donde deduzimos: aperfeiçoai cada qual no transcendente conhecimento e formaremos um povo polido e harmonizado com as hostes divinas.

Essa é, sem dúvida, a Solução.

Ir,’, WPMeireles
 


quinta-feira, 16 de maio de 2019

OS ATUAIS INIMIGOS DA MAÇONARIA



Antes, há muito tempo, todos os Maçons se precaviam e se protegiam contra inimigos externos.

O Clero, governos extremistas e outras forças ameaçavam, constantemente, a sobrevivência da Instituição, perseguindo, prendendo e julgando os maçons como criminosos.

Estes tempos já passaram o que não quer dizer que não poderão voltar.
A inquisição dorme apenas, daí a necessidade de permanente vigilância.

Se analisarmos, com isenção, o quadro atual, aceitaremos sem reservas que os maiores inimigos da Maçonaria, hoje, são os próprios Maçons.

Mal selecionados, não convictos e invigilantes, legam perigo constante à nossa Ordem.

A falta de instrução e de estudos maçônicos, portanto, o desconhecimento de nossa Filosofia dificulta ou até mesmo impedem, a reforma íntima de cada um, prevalecendo "vícios" como vaidade, orgulho, arrogância e tantos outros.

A indisciplina tem causado sérios problemas em Loja.

Alguns Irmãos se dão ao luxo de ignorar Leis e Regimentos Internos.

A omissão, a conivência e a tolerância excessiva têm feito da Moral um código adaptável ao momento, às circunstâncias e às conveniências de cada um.

Há a necessidade de uma conscientização intensa e geral.

Entramos para a Ordem por vontade própria.

Não fomos obrigados a nenhum juramento.

Quando o fizemos não foi sem antes nos oferecerem inúmeras oportunidades de recuo.

Ainda há tempo para uma atitude menos indigna: se nos sentirmos decepcionados, desiludidos ou desapontados afastemo-nos da Maçonaria com a mesma espontaneidade com que entramos.

Se, decididos a continuar, lembremo-nos de todas as nossas obrigações, especialmente a de cumprir e fazer cumprir a obrigação jurada.

Convençamo-nos, somos os atuais inimigos da Maçonaria.

Reformemo-nos, eliminando em nós próprios muitos dos inimigos internos da nossa Instituição e, assim, estaremos combatendo, natural e intensamente, os inimigos externos.

Lembremos e pratiquemos todos os nossos deveres maçônicos.
Afastem-se os derrotistas, os omissos e os acomodados.

*LUTEMOS, TODOS, POR UMA MAÇONARIA DE MAÇONS!*

(Extraído do livro "Maçonaria, uma Esperança", de Armando Righetto)

"Ser *Perfeito* é a meta; ser *Justo* é o meio para alcançá-la!"



segunda-feira, 13 de maio de 2019

SE QUISERES BEM EMPREGAR A TUA VIDA, PENSA NA MORTE!




Na câmara de reflexão existem vários simbolismos. Entre eles, a figura do galo, por conceito é o que anuncia um novo dia, ou seja, um novo ciclo, e, assim, simboliza o nascimento de uma nova era para o profano, que deixa a vida material nascendo para uma vida espiritual, voltada ao culto das virtudes e á busca constante da verdade, e que o tornará um cidadão útil á sua família, á pátria e á sociedade;

O nascer para as virtudes, e o morrer para a vida profana, nos remete a pensar acerca da vida, do nosso tempo em vida, e meditar também sobre a morte.

Os maçons conhecem bem a frase inicial, faz parte do simbolismo de nossa ordem, convido-os a deixar esse simbolismo tornar-se vivo em nossa vida, lembremos da morte, para aproveitarmos bem a vida, pensemos que o Grande Arquiteto do Universo nos deu um tempo limitado e recheado de incertezas para que pudéssemos tomar as rédeas de nossos destinos, cometendo erros e acertos e com isso aprendendo a evoluir, partindo de nossas próprias experiências.

 Quando aqui entrei, na sublime ordem, tive o privilégio de ver essa expressão escrita na câmera de reflexão.

Penso que a morte se trata de uma passagem, o corpo inerte fica esquecido, é como se deixássemos um pequeno objeto para trás, e a partir daí exercitássemos a consciência, ou a nossa espiritualidade. Assim, ao iniciar nesse plano, com novos aprendizados, estaríamos unidos também com os irmãos de que outrora partiram dessa vida terrena.

Uma vez ouvi de uma pessoa que existem dois planos, o AQUI e agora, e o ETERNO. Quando alguém morre nessa vida, entra para o plano eterno. O que é o aqui e agora diante do eterno? O pra sempre? A imensidão do tempo?  Onde não há como apagar jamais.

Então dessa forma, quem escapará da morte?

Quem de nós não quer entender que um dia chegará nosso derradeiro instante?

Preparemo-nos, pois viver em abundância e também pensar no final de tudo isso que vivemos aqui agora.
     
O que quero chamar atenção meus irmãos, é da necessidade de vivermos com paciência, dia após dia, com dignidade entre as pessoas, em paz consigo, viver com tranquilidade, sem pensar em fortunas. Seria muito bom, se todos no mundo fossem afortunados, milionários, mas, e daí?  Isso não é necessário, nada adianta viver muito bem com dinheiro se você não tem amor no coração, paz e sossego na alma, no dia a dia.
       
Um dia , quando a gente sentir que é chegado a nossa hora de partir, não há como levar nada pra nova morada, teremos que deixar tudo. Sonhos incompletos, desejos, planos, projetos, tudo ficará por aqui, partiremos sem levar nenhum bem ou coisa qualquer. Somente o que temos em nossos corações. Por isso é importante ter sempre o amor e a bondade dentro de nós.

Deixaremos aqui nossos pensamentos, nossos filhos e amigos. E que eles lembrem com carinho de nós como pessoas pacíficas e boas. Que nossos filhos assimilem um dos mandamentos. Honrar pai e mãe, e tentem agir melhor que nós. Sigam em frente levando o legado que os deixaremos. Não podemos deixar espaço para o egoísmo, o rancor e a vingança, pois, tudo isso é perca de tempo.

Nossa caminhada é efêmera, deve ser feita com observação. Se estivéssemos em uma nave com vista panorâmica, não devíamos perder a vista tudo que se passa lá fora com problemas internos. Sendo que ao chegarmos ao nosso destino, nossas lembranças da viagem é o que vai ficar para nós, como lembrança e aprendizado.
    
Então meu irmão, daqui a algum tempo, nenhum de nós estará por aqui, só as pessoa que nos conheceram falarão de nós, nossa família, nossos amigos, mais precisamente nossos filhos. Falarão de como fomos, como vivemos, de como nós os amamos e dedicamos ás pessoas que convivemos, este é o nosso legado. 

Deixemos um rastro de amor e paz, entre as pessoas, sejamos lembrados por boas condutas, boas conversas e atitudes, sejamos lembrados por boas idéias e sorrisos. Assim estaremos muito bem no lado de LÁ, o lado da eternidade.

Devemos, pois encarar a morte, em vida, é pensando no agora que devemos também pensar, que tudo é passageiro dessa forma pensar em viver em paz, na caminhada rumo ao nosso encontro com o Grande Arquiteto, com sabedoria de que tudo passa. 

Precisamos viver a cada dia como se fosse o último, amando nossos semelhantes, praticando o bem, promovendo a paz, semeando o amor, sem temer o findar de nossos dias. Temos a certeza que não caminhamos sozinhos, nosso criador está sempre conosco e nos aguarda em sua morada.
   
Eu os convido meus queridos, façamos um breve instante de pause, pensemos!
     
Estamos em paz?

Nossa caminhada está sendo executada com amor?

O que deixaremos para nossos semelhantes?  Para as pessoas mais próximas de nós?

Vamos viver com bondade no coração!

Temos parentes, amigos, filhos, todos esperando o melhor de cada um de nós. E somos detentores da sábia premissa, que tudo passará.

Precisamos dar valor á nossa família, nossos amigos, e a nossa união. É pensando na morte, que evitamos pensar em perder tempo com o nosso aqui e agora. Podemos durar ou não muitos anos, mas que esses anos aqui sejam de muita paz e união.

Quero ainda conviver com vocês por muito tempo, tentando o meu melhor, dedicando com amor, a minha família, amigos e a vocês meus irmãos.

E pra pensar na vida, os convido a celebrarmos de hoje em diante os nossos melhores momentos como irmãos. 
Que assim seja!


Ir.: m.: m.: Marcelo Nunes Bezerra
Loja Maçônica Onofre de Castro Neves - 2555
Oriente de Carangola - MG


quinta-feira, 9 de maio de 2019

O SÍMBOLO E O RITO MAÇÔNICO DA CADEIA DE UNIÃO



A cadeia de união é sem dúvida alguma um dos símbolos mais significativos de entre todos os que decoram a Loja maçônica.

Trata-se de um cordão que rodeia todo o templo na sua parte superior.

Esta situação no “alto” lhe dá uma conotação celeste, confirmada pelos doze nós que aparecem de trecho em trecho ao longo de todo o cordão, os quais simbolizam os doze signos do zodíaco.

Estes nós correspondem, além disto, às doze colunas que exceto pelo lado de Oriente também rodeiam o recinto da Loja. Cinco dessas colunas estão situadas no lado do Setentrião, outras tantas ao Meio-dia, e as duas restantes – as colunas J e B – no Ocidente.

Para compreender esta simbólica teríamos de ter em conta que a Loja é, antes de tudo, uma imagem do mundo, e como tal deve existir nela uma representação do que constitui o próprio “marco” do cosmos, que é propriamente o zodíaco.

Muitos recintos ou santuários sagrados – do mesmo modo que as cidades edificadas segundo as regras da arquitetura tradicional -, sendo a projeção na terra da ordem celeste, estão de uma ou outra maneira “marcados” pelas constelações zodiacais.

É o caso, por exemplo, do Ming-Tang chinês, do Templo de Jerusalém (e o seu arquétipo, a Jerusalém Celeste), de muitas fortalezas templárias, e de construções tão antigas como é o cromlech megalítico de Stonehenge.

Desta forma, os maçons operativos, e em geral os artesãos construtores de qualquer sociedade tradicional, serviam-se de um cordão para determinar a posição correta dos templos ou catedrais, que sempre, e de forma invariável, estavam orientados segundo as direções do espaço assinaladas pelos quatro pontos cardeais, exatamente igual à Loja.

Pois bem, como menciona René Guénon “… entre as funções de um “marco” quem sabe a principal seja manter no seu lugar os diversos elementos que contém ou encerra no seu interior de modo a formar com eles um todo ordenado, o qual, como se sabe, é a própria significação da palavra “cosmos”.

Este “marco” deve, pois, de certa maneira, “ligar” ou “unir” esses elementos entre si, o que está formalmente expresso pelo nome de “cadeia de união”, e inclusive disto resulta, no que se refere a ela, o seu significado mais profundo, pois como todos os símbolos que se apresentam em forma de cadeia, cordão ou fio (todos eles símbolos do eixo) referem-se definitivamente ao sütrâtmâ”.

 Por conseguinte, a cadeia de união maçônica viria a significar, considerada do ponto de vista metafísico, exatamente o mesmo que a “cadeia dos mundos”: um símbolo que resume o conjunto de todos os estados, seres e mundos que formam a manifestação universal, os quais subsistem e estão ligados entre si pelo “fio de Atmâ” (sütrâtmâ”), ou seja, pelo seu hálito ou espírito vivificador.

Por outro lado, a cadeia de união é também a corda com nós (ou houppe dentelée) que aparece figurada nos “quadros de Loja” maçônicos, mais concretamente nos pertencentes aos graus de aprendiz e de companheiro.

A significação simbólica de tal corda é idêntica à da cadeia de união, mas, ao mesmo tempo, e vinculado especificamente com o simbolismo do quadro de Loja, teria de se considerar também outro aspecto importante dela: o que tem como função “proteger”, além de “unir” e de “ligar”, os símbolos e emblemas que aparecem desenhados no quadro, o que é considerado como um espaço sacralizado, e por tanto inviolável.

Neste sentido, a ideia de “proteção” está incluída no simbolismo dos nós e das ligaduras, que pelas suas respectivas formas relembram o traçado dos dédalos e labirintos iniciativos.

Na simbólica universal, o labirinto, além de estar relacionado com as “viagens” e as provas iniciáticas, também tem como função a defesa e proteção dos lugares sagrados ou centros espirituais, impedindo o acesso aos mesmos pelos profanos que não estão qualificados para receber a iniciação.

Porém a defesa estende-se igualmente (e poderíamos dizer que principalmente) a impedir o acesso às influências subtis do psiquismo inferior, que pelo seu caráter especialmente dissolvente representam um claro perigo que deve ser controlado e evitado a todo custo, pois por meio destas influências introduzem-se determinadas energias maléficas e caóticas destinadas a destruir, ou no melhor dos casos a debilitar, os próprios centros espirituais e as organizações tradicionais ligadas a eles, e consequentemente a impedir dentro do possível a comunicação com as influências verdadeiramente superiores, das quais esses centros e organizações foram – e são – precisamente, o suporte.

E ao fio desta última reflexão, quem sabe seria demais assinalar os perigos de dissolução (ou de petrificação, pois no caso dá no mesmo) que na atualidade espreitam a Maçonaria, já que é a todas as luzes evidente que esta organização tradicional se tem visto submetida a uma paulatina extirpação da dimensão iniciática e esotérica dos seus símbolos e dos seus ritos.

E o que é talvez mais lamentável seja que essa ação foi levada a cabo muitas vezes por maçons que não compreenderam que é precisamente graças a esses símbolos e ritos (revelados na origem e transmitidos ao longo do tempo) que a Ordem maçônica adquire o seu pleno sentido, pois eles constituem as suas senhas de identidade, o que tal Ordem é em si própria, e não poderia deixar de ser, a menos de seja para ficar totalmente desvirtuada e vazia de conteúdo essencial.

Para que esta situação não chegue a ser irreversível, pensamos que se faz necessário que os maçons de espírito tradicional (isto é, aqueles que consideram que a Maçonaria pertence e é uma ramificação da Tradição Primordial e, portanto uma via de realização do Conhecimento) restituam de novo o sentido cosmogônico e metafísico do seu legado simbólico-ritual, começando por considerar que a cadeia de união é efetivamente, o “marco” celeste que delimita, separa e protege o “mundo da luz” do “mundo das trevas”, o sagrado de o profano.

Além da corda com nós que rodeia a Loja e o quadro, existe um rito na Maçonaria que também recebe o nome de cadeia de união. Trata-se daquele que está constituído pelo entrelaçado que formam as mãos, com os braços entrecruzados, de todos os integrantes da oficina, o qual, precisamente, tem lugar ao redor do quadro da Loja e dos três pilares da Sabedoria, a Força e a Beleza, momentos antes de encerrar os trabalhos.

Em primeiro lugar, há que se dizer que é a cadeia de união é um dos ritos maçônicos que mais diretamente aludem à fraternidade maçônica, a qual, de fato, está sustentada nos laços de harmonia e concórdia que ligam todos os maçons entre si.

Daí o porquê de se denominar os nós da corda também de “laços de amor”, pois o amor, entendido na sua mais alta significação, é a força que concilia os contrários e resolve todas as oposições na unidade do Princípio.

Tal fraternidade representa, portanto, o próprio fundamento sobre o qual se apóia a própria organização iniciática e tradicional. Neste sentido, o entrelaçar de mãos e braços configura uma trama cruciforme que evoca a imagem de uma estrutura fortemente coesa e organizada.

Mas este rito realiza-se, fundamentalmente, para dirigir uma prece ou invocação ao grande Arquiteto, sendo nesta invocação onde reside o seu sentido profundo e a sua razão de ser. Por isto, prescindir da prece como sucede em muitas lojas atuais, pelo mero fato de ignorá-la ou por considerá-la um ultrapassado anacronismo, provoca inevitavelmente o empobrecer do próprio rito, ficando este, como consequência, reduzido praticamente a quase nada.

Não obstante, na antiga Maçonaria operativa, a prece e as invocações dos nomes divinos formavam parte constitutiva do rito e dos trabalhos simbólicos; e precisamente ela realizava-se na cadeia de união e ao redor do quadro da Loja, com o qual se confirma o papel verdadeiramente “central” que este último sempre desempenhou na Maçonaria.

De modo geral, a cadeia de união começa e termina no Venerável Mestre, e é ele, como a máxima autoridade da Loja, o que dirige a invocação ao grande Arquiteto. 

Vejamos a seguir um exemplo desta, segundo é ainda usado em alguns Ritos maçônicos que seguiram conservando parte do legado operativo:
“Arquiteto Supremo do Universo; Fonte única de todo bem e de toda perfeição; Oh Tu! Que sempre trabalhastes para a felicidade do homem e de todas Tuas criaturas; damos-te graças por Teus paternais beneplácitos, e te conjuramos para que os concedas a cada um de nós, segundo Tuas considerações e segundo as nossas necessidades. Espalhe sobre nós e sobre todos os nossos Irmãos a Tua celeste Luz. Fortifica nos nossos corações o amor pelas nossas obrigações, a fim de observá-las fielmente. Que as nossas reuniões possam estar sempre fortalecidas na sua união pelo desejo de Teu prazer e para nos fazer úteis aos nossos semelhantes.Que elas sejam para sempre a morada da paz e da virtude, e que a cadeia de uma amizade perfeita e fraterna seja sempre tão sólida entre nós que nada possa alterá-la. Assim seja”.

Por conseguinte, e segundo se depreende desta oração maçônica, a união encadeada e fraterna converte-se no suporte horizontal e psicossomático (terrestre), sobre o qual “descerão” – estimulados pela prece – os beneplácitos (bendições) da influência espiritual ou supra-individual -“Tua celeste Luz”-, possibilitando assim uma via de comunicação axial entre o céu e a terra, ou como se diz em linguagem maçônica, entre a Loja do Alto e a Loja de Baixo.

Quer dizer que através da invocação o que se pretende essencialmente é a comunicação com as energias celestes (as Ideias ou atributos criadores do Arquiteto universal) cuja ação espiritual conformou – e conforma permanentemente – a realidade simbólica e ritual (ou seja, cosmogônica e metafísica) da organização iniciática.

Ao mesmo tempo, no rito da cadeia de união concentra-se a entidade coletiva constituída por todos os antepassados que realmente participaram na Tradição e o seu conhecimento, e dos que se diz que moram no “Oriente Eterno” (a Loja celeste).

Tal entidade faz-se una em comunhão com os seus herdeiros atuais, isto é, com os maçons que, tendo recebido e compreendido (na medida em que for) a mensagem do seu legado tradicional, contribuem hoje em dia para mantê-lo vivo e atuante.

Neste sentido, a cadeia de união também está a simbolizar a cadeia iniciática da tradição maçônica (e por analogia a de todas as tradições), cuja origem é imemorial, como o é da mesma forma a mensagem que ela foi transmitindo ao longo do tempo e da história.

As individualidades, ou melhor, a ideia do individual e do particular que cada componente da cadeia pudesse ter de si mesmo, desaparece como tal para formar um só corpo que vibra e respira a uma própria cadencia rítmica.

A cadeia de união cria assim um círculo mágico e sagrado onde se concentra e flui uma força cósmica e teúrgica que assimilada por todos os integrantes lhes permite participar do verdadeiro espírito maçônico e da sua energia salutar e regeneradora.

Não é então de se estranhar que durante o transcurso do rito da iniciação, o neófito receba simbolicamente a “luz” integrado na cadeia de união, o que é perfeitamente coerente numa tradição na qual o rito e o trabalho coletivo desempenham uma função eminente como veículos de transmissão da influência espiritual.

Francisco Ariza
Tradução: Sérgio K. Jerez


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