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“NÃO SERÃO ACEITOS COMENTÁRIOS ANÔNIMOS”

sexta-feira, 30 de março de 2012

POR QUE A MAÇONARIA NÃO INICIA MULHERES?



Há, basicamente, dois fundamentos para a Maçonaria não aceitar mulheres como membros:

1º) - a origem Operativa da Ordem, e 2º) - por ser, a Maçonaria, um rito solar (masculino).

1º) - Origem Operativa:
A origem da Maçonaria moderna está nas Corporações de Ofício? Espécies de sindicatos, na Idade Média. Especificamente, a corporação de pedreiros. A palavra "Maçonaria" em francês, "Maçonnerie", é derivada do francês "maçon", pedreiro. Ou, como preferem alguns, do inglês "Masonry" (Maçonaria) e "mason", igualmente, pedreiro.

Pode-se inferir que, seus primeiros integrantes operavam, materialmente, em construções, obras - eram trabalhadores especializados, construtores de Templos, de Igrejas, pontes, moradias etc, os quais, desde a Antigüidade, detinham conhecimentos especiais e constituíam uma espécie de aristocracia do trabalho. Eram os profissionais mais qualificados da Europa, e mantinham as técnicas de seu ofício, em segredo.

Esta fase da Maçonaria é conhecida como "Operativa", porque seus membros trabalhavam em construções? Eram obreiros. Na Idade Média havia dois tipos de pedreiros: o "rough mason", pedreiro bruto que trabalhava com a pedra sem extrair-lhe forma ou polimento, e o "free mason", pedreiro livre, que detinha o segredo de como polir a pedra bruta.

A Ordem Maçônica, atualmente Maçonaria Especulativa, não inicia mulheres, pois tendo evoluído da Maçonaria Operativa, adotou a antiga regulamentação que previa o seguinte (por entender que, a mulher não é afeita ao trabalho árduo de pedreiro, ofício original dos primeiros integrantes.

As corporações de pedreiros eram constituídas, exclusivamente, por pessoas do sexo masculino:

"As pessoas admitidas como membros de uma Loja devem ser homens bons e de princípios virtuosos, nascidos livres, de idade madura, sem vínculos que o privem de pensar livremente, sendo vedada a admissão de mulheres assim como homens de comportamento duvidoso ou imoral".

Apesar da Constituição de Anderson (1723), que é o marco inicial da Maçonaria Especulativa, não permitir a admissão de mulheres, há algumas correntes maçônicas que admitem o fato como sendo um princípio antigo.

No Egito e na Índia, pelas pinturas nas tumbas e pelos manuscritos do Antigo Egito, a esposa está presente quando o marido, como sacerdote, executa cerimônias. Nas tradições das sociedades iniciáticas antigas, tanto homens como mulheres de qualquer posição social e cultural, podiam ser iniciados, e a única exigência era a de que deveriam ser puros e de conduta nobre.

Porém, na Idade Média, (final do século XVI) havia restrições quanto ao ingresso da mulher na Maçonaria.

A Maçonaria, em 1730, na França, criou o movimento da "Maçonaria de Adoção". A Maçonaria de Adoção foi um fenômeno da última metade do século XVII. Uma Loja de Adoção, era conduzida por uma Loja Maçônica regular que promovia sessões especiais, no curso das quais as mulheres eram admitidas em Loja e participavam de rituais quase maçônicos.

Tais Lojas foram particularmente bem sucedidas na França, onde houve uma revitalização da Maçonaria de Adoção depois da Revolução e que continuou pelo século seguinte. A própria imperatriz Josefina, esposa de Napoleão Bonaparte, era a Grã-Mestra da Loja de Adoção Santa Carolina.

Porém, a Maçonaria, atualmente, conserva a regulamentação – conforme reza a Constituição de Anderson, de não iniciar mulheres.

2º) - Ritos Masculinos e Ritos Femininos:
O grupo de primatas, do qual descendemos, provém de um tronco insetívoro. Esse grupo subdividiu-se: alguns tornaram-se herbívoros e, outros, carnívoros. Esses carnívoros tiveram que se lançar na competição com outros animais terrestres e, tornaram-se melhores caçadores.

Começaram a utilizar instrumentos e aperfeiçoaram as técnicas de caça, com a cooperação social. Diferentemente dos lobos, os hominídeos não se dispersavam após o ataque - e, o grupo caçador era formado por machos.

As fêmeas estavam muito ocupadas em cuidar da prole, e não podiam participar ativamente na perseguição e captura das presas. Assim, o papel de cada sexo tornou-se diferenciado.

Socialmente, os machos aumentaram a necessidade de comunicação e cooperação com os companheiros, e desenvolveram expressões faciais e vocais - em seus grupos caçadores, exclusivamente formados por machos.

Com o advento da agricultura e da domesticação de vários animais, como cabras e ovelhas, os machos tiveram suas funções caçadoras, diminuídas.

Essa falta, muito provavelmente, foi compensada pelo trabalho e por associações masculinas - proporcionando oportunidade para a interação entre machos e para atividades em grupo. Nessas associações, há um forte sentimento emocional de união masculina.

O mesmo não ocorre com as mulheres. Esses grupos, associações, preocupam-se com a união entre machos, que já existia nos primitivos grupos de caçadores cooperativos - essas entidades exercem um importante papel na vida de machos adultos, revelando a manutenção de instintos básicos ancestrais.

Muitas mulheres ressentem-se quando seus maridos saem para compartilhar sua masculinidade essencial - ou desejam fazer parte dessas associações, o que é um equívoco, porque trata-se apenas da necessidade moderna da tendência ancestral da espécie para formar grupos de machos caçadores.

É interessante observar, que grande parte desses encontros masculinos, termina com um jantar, um lanche, um banquete etc. - o sucedâneo da partilha da comida (caça).

Assim, mulheres e homens, geneticamente, possuem necessidades diferentes. E, criaram-se mistérios masculinos e femininos. Para a mulher a maternidade, a comunhão com a flora, etc. Para o homem, a caça, a guerra, a comunhão com a fauna. A mulher, a Lua; o homem, o Sol.


Porém, para recriar os ciclos da Natureza, o princípio feminino e o masculino juntam-se: diferentes, porém complementares.

A Maçonaria reverencia o feminino - seus Templos apresentam o Sol e a Lua como símbolos: o positivo e o negativo. O Sol e a Lua são símbolos herméticos e alquímicos (ouro e prata). O Sol é a vida, o masculino? A Lua, sua complementaridade, o feminino.

A Maçonaria é uma Ordem Solar (masculina), porém, os maçons, trabalham à noite, em suas Lojas, sob a energia feminina, equilibrando os dois pólos. O Sol deve estar presente na decoração do Templo, no teto, mostrando a Luz que vem do Oriente, com a Lua, que representa a Mãe Universal que fertiliza todas as coisas. A mulher é a formadora, a que reúne, rega e ceifa - a Natureza do princípio passivo é reunir e fecundar. As forças da Lua são magnéticas, opostas e complementares às do Sol, que são elétricas.

Atualmente, há Maçonarias mistas, mas, não regulares. A Ordem, por ter uma origem muito, muito antiga, respeita a diversidade entre as energias masculinas e femininas.

Os maçons usam três pontos dispostos em triângulo (.*.), como símbolo - símbolo solar, símbolo masculino. Os Três Pontos têm uma origem bem antiga? Nos objetos celtas do século IX a. C e, muito antes, nas cerâmicas egípcias e gregas. A tradição grega considerava o triângulo a imagem do céu. Os Três Pontos traduzem a concepção piramidal egípcia.

Símbolo sexual masculino completo (pênis mais testículos). O sexo em função procriativa. Procriação, que necessita do masculino e feminino.

A Maçonaria, mesmo não iniciando mulheres, demonstra um grande respeito à energia feminina.

Bibliografia:
Blanc, Claudius - "Maçonaria Sem Mistérios" - São Paulo, Editora Nova Leitura, 2006.
MacNulty, W. Kirk - "Maçonaria" - São Paulo, Editora Madras, 2006.
Morris, Desmond - "O Macaco Nu" - São Paulo, Círculo do Livro, 1975.
 Contribuição do Ir:.Jaime Barbosa

COMO RECONHECER UM MAÇOM!



Ser reconhecido Maçom podemos até por um simples PIM na lapela.  Por isso nossa preocupação deve ser:   Que qualidade de Maçom sou reconhecido?  Um Maçom de ouro ou um Maçom apenas dourado (ou nem isso...)?

Maçons existem que se acomodam, julgando que, atingindo o grau de Mestre estão na plenitude maçônica.  Na verdade, considerando a Maçonaria Simbólica é o último grau.   Porém, não se pode dizer com isso sejam ‘justos e perfeitos’, vez que o desbaste da pedra bruta somente termina com a nossa ida para o Oriente Eterno.  Assim sendo, triste do Maçom que aposenta seu Maço e seu Cinzel.   Porque a construção de nosso Templo interior só termina com o final de nossa vida material.  E não é  suficiente somente esquadrejarmos a Pedra Bruta.  Necessário se faz também deixá-la bem polida.

Diz o LL que fomos criados à imagem do G:.A:.D:.U:. (Gên. 1,26); porém a semelhança precisa ser conquistada.  O desbaste da nossa pedra bruta, poderá resultar numa ‘obra de arte’ ou num ‘monstrengo’.  Se o monstrengo for o resultado final, o Criador nos irá arguir:   “É isto que me apresenta no final de sua caminhada”?!

Nossa responsabilidade vai além do próprio desbaste.  Precisamos ajudar os Irmãos na caminhada, não só com nosso bom exemplo, como alertando os acomodados para um melhor desempenho maçônico.

Não basta ser reconhecido Maçom.   É preciso também ser reconhecido como MISSIONÁRIO, como autêntico CONSTRUTOR SOCIAL.
          
As duas horas templárias são importantíssimas para recarregarmos nossas baterias.  Assim, não devemos faltar às reuniões da nossa Loja.  Até como desculpa, alguns dizem que já fazem maçonaria, fora do templo. Ótimo.  Isso é um dever de todo bom maçom.  Mas não o isenta do comparecimento às Reuniões.

Alguns dizem que não vai à Loja, porque as reuniões são da mesmice.  Ora, se a Loja entrou numa mesmice a culpa é de todos e de cada um.  Use-se então o Saco de Propostas e Informações, não para criticar mas para sugerir melhoras.   O bom Maçom participa de tudo de sua Loja, de suas decisões, de seus projetos.  O bom Maçom não se distancia de seus Irmãos;  a prática da fraternidade se faz com o bom convívio (Sl 133).

Quando falo aos Aprendizes costumo perguntar ‘quem é o responsável pela Loja’ e a maioria deles dizem ser o Venerável Mestre.  Apontando para ele(s) afirmo:  O responsável é você.   Somos todos nós.

Talvez muitos Mestres não digam que a responsabilidade da Loja seja do Venerável, mas pensam e agem como se assim o fossem.  Por isso não acham grave faltar às Reuniões, motivo porque algumas Lojas têm até abatido colunas.

Seria bom cada um contemplasse o ‘OLHO QUE TUDO VÊ’, a onisciência divina, e refletisse: “Como me vê o G:.A:.D:.U:.?   Um maçom responsável, presente, participativo, fraterno, preocupado com o bom desempenho da Maçonaria?”

O progresso na maçonaria também se consegue pelo estudo, pela pesquisa, pela apresentação de Peças de Arquitetura.  Quem assim faz aprende sempre mais e enriquecem também os outros com seus conhecimentos partilhados.  (“A luz que tu levas para alguém, vai iluminar-te também”).  Não faz sentido Mestre que não ensina.

Irm:. W.S.S.  

O MAR DE BRONZE



O objetivo deste trabalho é relatar o resultado das pesquisas efetuadas sobre o Mar de Bronze, que orna nosso templo do R:.E:.A:.A:..

Para falar do Mar de Bronze, é necessário fazer referência a textos bíblicos. Como se sabe, há diversas traduções e interpretações da Bíblia – muitas delas inclusive discordantes entre si, como pudemos constatar nas pesquisas para este trabalho. Por isso, optamos por desenvolver a pesquisa a partir de quatro destas traduções, todas transcrita de modo comparativo, versículo a versículo, nos anexos desse trabalho. São elas:

- a Vulgata Latina, em latim, traduzida por São Jerônimo no século IV d.C. diretamente do grego antigo e do hebraico.

- a Vulgata Latina, em português, traduzida pelo Padre Matos Soares diretamente da versão em latim.

- a primeira tradução da Bíblia para o Português, feita por João Ferreira de Almeida em 1753, a partir do grego antigo, hebreu e latim.

- edição pastoral, utilizada pela Igreja Católica atualmente.

O Mar de Bronze surge na Bíblia quando esta descreve a construção e estrutura do Templo de Salomão. Tal descrição surge no 1º Livro de Reis e no 2º Livro de Crônicas. Segundo a versão de João Ferreira de Almeida da Bíblia, durante o processo de construção do Templo de Salomão:

[Hiram] Fez mais o mar de fundição, de dez côvados de uma borda até à outra borda, perfeitamente redondo, e de cinco côvados de alto; e um cordão de trinta côvados o cingia em redor. E por baixo da sua borda em redor havia botões que o cingiam; por dez côvados cercavam aquele mar em redor; duas ordens destes botões foram fundidas quando o mar foi fundido. E firmava-se sobre doze bois, três que olhavam para o norte, e três que olhavam para o ocidente, e três que olhavam para o sul, e três que olhavam para o oriente; e o mar estava em cima deles, e todas as suas partes posteriores para o lado de dentro. E a grossura era de um palmo, e a sua borda era como a de um copo, como de flor de lírios; ele levava dois mil batos (I Reis, 7, 23-36)

“Côvado” é uma antiga unidade de medida que representa 44 cm (Côvado Hebreu) ou 45 cm (Côvado Romano)1. Assim, as dimensões do Mar de Bronze eram aproximadamente de 4,50m de diâmetro, e 2,25cm de profundidade. Naturalmente, o autor do texto bíblico fez referências apenas aproximadas, já que com tais medidas, e sendo perfeitamente redondo, não poderia ter 30 côvados (13,5 metros) de perímetro, já que o Q (Pi) não é 3, mas 3,14.

O mesmo ocorre com o volume d’água suportado pelo Mar de Bronze. Um  bato representa 45 litros. Assim, a capacidade do Mar seria de 90.000 litros (2.000 batos). Um recipiente como o descrito nas Escrituras não comportaria tal volume de água).
A finalidade do Mar de Bronze no Templo de Salomão era a ablusão. Ou seja, os fiéis, antes de entrarem no Templo, deveriam lavar seus pés e mãos, buscando a purificação. Também os animais que seriam levados a sacrifício antes eram banhados no Mar de Bronze, para serem purificados.

Maçonicamente, o Mar de Bronze exerce esta mesma função de purificação, já que é nele que se opera a purificação pela água nas iniciações. Simbolicamente, ocorre aí a purificação da alma do candidato, que está sendo preparado para sacrificar o Homem profano e fazer nascer na luz o Homem Maçom.

A localização do Mar de Bronze nos templos maçônicos é tema relativamente controvertido. Aliás, as próprias traduções bíblicas apresentam certa divergência quanto à localização do Mar de Bronze no próprio Templo de Salomão.

Sabe-se que o Templo de Salomão estava orientado do Oriente para o Ocidente. A entrada do Templo e as coluna Jaquim e Boaz, portanto, estava no Oriente, enquanto o Santo dos Santos situava-se no Ocidente.

Olhando-se de dentro para fora, em direção à entrada oriental do Templo, estavam localizadas as colunas Jaquim (direita) e Boaz (esquerda). Todas as traduções consultadas afirmam que o Mar de Bronze estava localizado fora do Templo, no Oriente e à direita. Portanto, próximo à coluna Jaquim.

Algumas traduções dizem que o Mar de Bronze estava nesta posição contra o meio-dia; outras falam em meridiano; e outras ainda ao sul. As expressões meio-dia e meridiano referem-se ao ponto cardeal Sul. O Mar de Bronze, portando, localizava-se entre o Oriente (Leste) e o Sul, ou seja, a sudeste. Porém, a versão Pastoral da Bíblia, em 1º Reis, 7, 39, traduz esta posição como sendo sudoeste, o que aparenta ser um equívoco, já que em 2º Crônicas, 4,10 esta mesma versão da bíblia referencia sudeste.
Talvez tenha sido esta – ou outra com o mesmo equívoco – a tradução utilizada por CASTELLANI quando, transcrevendo a mesma passagem bíblica, afirma que no Templo de Salomão o Mar de Bronze situava-se a sudoeste.

Todas as representações gráficas, gravuras e plantas do Templo de Salomão consultadas, a mais antiga datada de 1584, posicionam o Mar de Bronze a sudeste. Portanto, à esquerda de quem entra no Templo de Salomão pelo Oriente, e próximo à coluna Jaquim.

Qual será, então, a posição do Mar de Bronze no Templo Maçônico? Sabe-se que o Templo Maçônico é a representação simbólica do Templo de Salomão, porém voltado do Ocidente para o Oriente.

Partindo dessa premissa – e sempre considerando a inexperiência desses nossos primeiros passos, ainda retos, de Aprendiz – parece-nos que o Mar de Bronze deve estar localizado à sudoeste no Templo Maçônico, ou seja, próximo à porta de entrada do Templo, à direita de quem de fora olha, e perto da coluna J.

É que, direcionando-se o Templo Maçônico (Ocidente para o Oriente) em sentido inverso ao do Templo de Salomão (Oriente para o Ocidente), parece-nos que deve haver a correspondente inversão dos demais pontos cardeais, para que se mantenha a mesma simetria. Tal fato, aliás, justifica o posicionamento das colunas J e B: no Templo de Salomão, J está à esquerda de quem de fora olha, e B está à direita. No Templo Maçônico, J está à direita de quem de fora olha, e B está à esquerda. E isso reforça nossa impressão.

Corrobora também esta nossa impressão o fato de que na Planta do Templo apresentada no Ritual do R:.E:.A:.A:. vigente, o Mar de Bronze está localizado no Ocidente (Oeste), mais próximo à Coluna do Sul e próximo da Coluna J.

Contribuição do Ir:.Cícero D:., A:.M:.

OS QUE FICAM PELO CAMINHO



"Nem todos os Aprendizes chegam a Companheiros. Nem todos os Companheiros ascendem a Mestres. E seguramente que nem todos os Mestres virão a exercer o ofício de Venerável Mestre. É assim a realidade!" Assim escreveu o Rui Bandeira num texto publicado em 2008, ainda não tinha eu recebido o meu avental branco. Na altura, quando o li, achei estranho o tom, a naturalidade, e o que tomei por critérios de seleção apertadíssimos.

Recordo-me de ter pensado algo como "Estes tipos não brincam em serviço... Devem ser bestialmente exigentes, e só escolhem os melhores para progredir... Isto devem ser chumbos de três em pipa..."

Estava tão enganado!

Com o tempo vim a perceber que dificilmente a Loja "chumbava" fosse quem fosse, a não ser nas circunstâncias mais excepcionais, mas que, não obstante, o Rui tinha razão: havia muitos que ficavam pelo caminho. Mas se a Loja não chumbava ou impedia a progressão, quem o fazia então? Ora... o próprio, quem mais?! Comecei a perceber que por detrás de cada nome que era chamado no início da sessão pelo Secretário e a que se seguia um silêncio em vez de ser anunciada a presença se encontrava um Irmão que não viera. E que os nomes que eu ouvia repetidamente e a que não associava uma cara eram de Irmãos que, de todo, não apareciam.

Uns - já Mestres - haviam-se desencantado, suponho, com a rotina da vida da Loja, e tinham agora outros entreténs - razão por que não punham os pés numa Sessão fazia tempo. Outros tinham, simplesmente, prioridades - frequentemente profissionais ou familiares - que se impunham sobre a presença em Loja, ou não tinham de todo disponibilidade para integrar a Linha de Sucessão assumindo um Ofício. Uns e outros lá iam aparecendo, uns mais e outros menos frequentemente, mas alguns desapareciam completamente de circulação.

A outros - ainda Companheiros - sucedia perderem o estímulo, ou não aguentarem tanto tempo sem poder falar e sem ser exaltados a Mestre. Ao fim de um tempo, também alguns destes começavam a faltar, a envolver-se pouco, e a certa altura eram, também eles, um desses nomes que se ouve e se associa a uma cara, mas que se tem uma certa nostalgia de não ver há meses...

Por fim, alguns Aprendizes eram iniciados, achavam graça à coisa, mas não tinham vida nem disponibilidade para pertencer a uma Loja que se reúne duas vezes por mês em dias e horas certos. Outros, quiçá mal conduzidos ou defeituosamente escrutinados, acabavam por se aperceber que a Maçonaria não lhes fazia vibrar corda nenhuma, e desapareciam.

Alguns interiorizavam que não queriam mais pertencer à Maçonaria, e pediam para sair. Outros, divididos entre o querer e o não poder, não assumiam a impossibilidade de permanecer, e iam ficando sem ficar. A certa altura, já nem as quotas pagavam, nem asseguravam os "mínimos olímpicos" da assiduidade - nós nem somos esquisitos: uma presença por ano basta-nos - e tinha que se lhes chamar a atenção para que cumprissem com os seus deveres.

E de fato confirmei ser precisamente assim, como o Rui tinha dito: há os que ficam pelo caminho, e os que vão progredindo de degrau em degrau, uns mais depressa e outros mais lentamente. Por vezes, alguns metem-se por becos sem saída e, ou adormecem, ou corrigem o percurso. Mas se é sempre triste vermos um irmão sentar-se na beira do caminho, descalçar as botas e adormecer encostado a uma árvore - pois sabemos que a maioria ficará ali para sempre - já nos enche de orgulho ver um irmão subir mais um degrau, assumir mais uma responsabilidade, receber mais um reconhecimento.

Os caminhos são muitos, e o destino é cada um que o escolhe. Não é, portanto, a Loja que é exigente e o "chumba" - pois para isso teria que ser a Loja a determinar os objetivos, e estes pertencem a cada um. É antes o Maçom que é muito ocupado, desiludido, ou simplesmente complacente, e se retira pelo seu pé. E assim deve ser. É que a Maçonaria não é para todos: é só para aqueles que de fato queiram - e façam por isso.

Contribuição do Ir:. Paulo M.

POR QUE SÃO SECRETOS OS RITUAIS MAÇÔNICOS



Como se disse já, a Maçonaria tem apenas três tipos de segredos: os rituais, os meios de reconhecimento e a identidade dos seus membros. Debrucemo-nos hoje sobre os rituais.

Recordo claramente o "ritual" de início de cada dia de escola: entrávamos todos em fila, ordeiramente e em silêncio, colocávamo-nos em locais pré-determinados, respondíamos à chamada, preparávamos os instrumentos de trabalho (a caneta e o caderno diário) e escrevíamos o local e a data do dia, seguidos do sumário; depois disso, cada um tinha procedimentos a seguir - se, por exemplo, pretendia falar, tinha que levantar o braço - bem como tinha variadas limitações à sua ação - não podíamos levantar-nos sem autorização, por exemplo.

Identicamente, os rituais maçônicos determinam e regulam uma série de acontecimentos que sucedem durante uma reunião (a que os maçons chamam "sessão"), no sentido de conferir alguma ordem aos trabalhos - precisamente do mesmo modo que numa sala de aula. Assim, fazem parte dos rituais procedimentos meramente administrativos como o são a chamada ou a leitura da ata da sessão anterior. Estes procedimentos nada têm de secreto, e poderia dizer-se que só não se referem por não o merecerem, de tão enfadonhos que são...

Por outro lado, os rituais também são uma espécie de "peças de teatro", no sentido em que há vários "atores" com "falas" e ações bem definidas e pré-determinadas. Estas ações são um pouco mais elaboradas do que é costume noutras circunstâncias do nosso dia-a-dia, e muito do que se diz e faz é simbólico.

O simbolismo, em si, não é oculto; já o significado que lhe é atribuído em determinado contexto pode sê-lo. Há coisas que estão à vista desde o primeiro dia em que se entra num templo maçônico e que nunca são explicadas, antes sendo deixadas - como tantas outras - à interpretação e interiorização de cada um.

De outras é dada uma explicação em determinado contexto, como na cerimônia de Iniciação - em que se passa de Profano a Aprendiz - na passagem de Aprendiz a Companheiro, ou na de Companheiro a Mestre. Esses "rituais secretos" nada têm de interessante para quem esteja fora do contexto. Imaginem um músico a assistir a uma secretíssima reunião de alta finança num banco; ou uma pessoa como eu, avessa a futebol, a assistir às secretíssimas reuniões do Mourinho com a sua equipa em vésperas de um grande jogo... Para essas pessoas, pouca ou nenhuma valia teria esse conhecimento.

Então por que o secretísmo? Por uma razão: porque, para aqueles a quem interessa, há um momento certo para se saber. E porque é que há esse "momento certo", e não se pode saber logo? Procurei um bom paralelismo que o explicasse, e creio que o encontrei: imaginem-se a ler um bom livro policial, daqueles bem elaborados; ou a ver um bom filme de suspense. Agora imaginem que alguém chega, e vos diz: "Ah, conheço, já vi, foi o mordomo na biblioteca com o candelabro." Pior: imaginem que vo-lo dizem mesmo antes de iniciarem o livro ou o filme.

Acham que irão retirar o mesmo prazer, ler com o mesmo empenho, analisar com o mesmo estímulo? Claro que não. A experiência ficou arruinada pelo conhecimento prévio. O mesmo se passa com os rituais maçônicos. Por isso se recomenda a quem pretenda ingressar a Maçonaria que não leia, não procure, não se informe. Mas, se o fizer, apenas a si mesmo se prejudica - na mesma medida de alguém que, sorrateiramente, ludibriando-se a si mesmo, ardendo de curiosidade, fosse ler as últimas páginas do tal romance policial.

Por isso, e se não pretendem alguma vez ser admitidos na Maçonaria - ou se pretendem mas querem garantir que a experiência fique irremediavelmente arruinada - então basta procurarem que, com o auxílio do nosso "amigo" Google, terão, com alguma diligência e arte, acesso a dezenas de versões de rituais maçônicos de diversas épocas, locais e obediências.

Encontrarão também, se as procurarem, partituras de obras musicais famosas, e mesmo vídeos das mesmas. Mas - ah! - só quem já cantou num coro ou tocou numa orquestra sabe o quão diferente é estar de fora a ver, ou participar de dentro. Tentem que vos expliquem a diferença, e serão unânimes: "não dá para explicar, tens que viver a experiência para a compreenderes". Com um ritual maçônico - já o adivinharam - passa-se o mesmo. Não se explica, não se revela, não se estuda - vive-se, ou não se entende.
 
 Contribuição do Ir:.Paulo M.

POR QUE SOMOS DIFERENTES DOS PROFANOS



Queridos Irmãos, creio que podemos iniciar nossa conversa de hoje apresentado os conceitos de Iniciado e Profano, e a partir daí tentar explicar por que, enquanto iniciados na Arte Real, não somos iguais aos profanos.

Profano [de pro e fanum] é a denominação que se aplica a todos aqueles não são iniciados em nossa Ordem Maçônica. Esse nome ou denominação vem correndo o mundo desde os primeiros iniciados nos mistérios antigos que chamavam de profanos aos estranhos aos seus segredos. 

Não se trata de uma denominação ofensiva, mas, apenas, uma distinção entre iniciado e não-iniciado. Iniciado, ao contrário de profano, denominam-se todos aqueles que têm conhecimento dos mistérios, isto é, aquele que conhece a ciência oculta, a arte sagrada, ou aquele que conhece os fundamentos da doutrina esotérica. Em suma, iniciado é aquele que se submeteu a um procedimento iniciático específico.

Grosso modo, podemos concluir afirmando que em Maçonaria, o iniciado é aquele que passou pelas provas da iniciação, melhor dizendo, iniciado é aquele que vive a iniciação.

Entretanto, para uma melhor compreensão do assunto, julgo que valeria a pena discorrer sobre iniciação e outros temas correlatos, como simbolismo, esoterismo, misticismos e filosofia maçônica, mas o espaço e o tempo de que disponho é insuficiente para tal desiderato. Vou me ater, rapidamente, ao termo iniciação. Fico devendo o resto.

Iniciação [do latim initiatio] é um termo que remete o nosso pensamento à idéia de começo, entrada: iniciar um evento, ação, circunstância ou acontecimento. Também tem um significado de ascensão de um nível de existência para um outro de nível superior ou mais elevado.

A iniciação é um tipo de cerimônia adotada em muitas sociedades místicas e esotéricas, na qual é recepcionado um novo membro após alguma tarefa ou ritual particular. Normalmente o ritual de iniciação envolve a condução do neófito por um veterano do grupo, e costuma consistir na exposição de novos conhecimentos - inclusive segredos e mistérios.

Entre os objetivos de alguns tipos de iniciação, destacam-se o aprendizado de valores fundamentais para a vida no nível seguinte. O iniciado deve aprender a se fortalecer com o isolamento, sobreviver em condições precárias, estar preparado para as dificuldades da vida [por exemplo, muitas iniciações exigem que o iniciado construa a cabana em que ficará isolado durante o ritual], aprender a caçar, pescar, conhecer a fauna e flora, etc. O nosso ritual de iniciação maçônica é de todos conhecidos, por isso estou me referindo a outros tipos de iniciação em outras Ordens.

A propósito da iniciação, os novos adeptos são “obrigados” a observarem ou cumprir as regras da associação a que deseja pertencer. Na Ordem maçônica, temos por livre convicção, entendido que:

Um iniciado maçom, por livre e espontânea vontade é “obrigado”, pela sua condição de iniciado, a obedecer à lei moral e viver segundo os ditames da honra, praticar a justiça, amar o próximo e trabalhar incessantemente pela felicidade do gênero humano. E, se bem compreende a Arte Real, nunca será um ateu estúpido nem um libertino irreligioso. Mas, embora, nos tempos antigos, os pedreiros fossem obrigados, em cada país, a ser da religião desse país ou nação, qualquer que ela fosse, julga-se agora mais adequado obrigá-los apenas na religião na quais todos os homens concordam, deixando a cada um as suas convicções próprias; isto é, a serem homens bons e leais ou homens honrados e honestos, quaisquer que sejam as denominações ou crenças que os possam distinguir. Por conseqüência, a Maçonaria converte-se no Centro de União e no meio de conciliar uma amizade verdadeira entre pessoas que poderiam permanecer sempre distanciadas uns dos outros.

Creio que com essas primeiras informações conceituais já podemos responder, em parte, porque somos diferentes dos profanos: Nós passamos e vivenciamos a nossa iniciação maçônica.

A estrutura conceitual que acabo de apresentar constitui a introdução ao tema que me trouxe aqui nesta noite.

E, prosseguindo, direi que o homem profano é aquele imerso nos erros e na mediocridade material, irremediavelmente submetido aos sete pecados capitais: orgulho ou soberba, inveja, ira, preguiça, avareza, gula e luxuria. Capital significa “cabeça”, como ensina São Tomás de Aquino [1224-1274], são capitais os pecados que nos fazem perder a cabeça e dos quais derivam inúmeros males.

A propósito, o contrário da soberba, é a humildade; da inveja, o despojamento; da ira, a tolerância; da preguiça, o compromisso; da avareza, a partilha; da gula, a sobriedade; e da luxúria, o amor.

E o homem iniciado, neste contexto frasal, é aquele que aprendeu a superar e a vencer os pecados [ou vícios] capitais que afligem o homem profano.

E, aqui temos mais um indicativo da razão pela qual somos diferentes dos profanos com que convivemos em nosso dia-a-dia.

Para bem se distinguir o iniciado do profano há que se considerar, ainda, muitas outras coisas, e essas outras coisas só se dão a conhecer mediante uma variedade de símbolos, ferramentas de trabalho, conceitos e idéias filosóficas, espirituais e sociológicas, sobretudo mediante o exercício de tarefas e trabalhos que revelem os diferentes níveis de consciência, esforço intelectual individual, estudo e disciplina férrea para, entre muitas outras competências, reconhecer no próximo um irmão com quem haveremos de repartir nosso pão e nossa água até que possamos alcançar, pelo livre-arbítrio, o domínio dos sentimentos e dos vícios, e pela ascese, a iluminação.

Eis aqui, mais um forte argumento a indicar porque somos diferentes dos profanos. Somos diferentes dos profanos pelos laços de amizade, sinceridade, irmandade que assentada na tríplice argamassa que a iniciação maçônica nos une à liberdade, à igualdade e à fraternidade.

Uma vez maçom, sempre maçom. Diz o lema que norteia a vida em Maçonaria.
Quando o profano é admitido numa Loja Maçônica à iniciação, sua condição de iniciado perdura além do simbolismo da “pedra bruta” que caracteriza sua condição individual de aprendiz nos mistérios da Arte Real, para passar pela “pedra polida” e depois pela “pedra angular”, que é aquela apta a ser usada em toda e qualquer espécie de construção individual, e esta evolução processa-se junto com a responsabilidade individual que se assume com os próprios atos, constituindo-se um conceito a ser desenvolvido à medida que o iniciado progride em direção aos graus de companheiro e Mestre, até alcançar a plenitude maçônica.

Atentem-se que a iniciação e os graus da escalada maçônica estimula o iniciado a olhar para o interior de si mesmo e das transformações da sua psique, e esta é a razão pela qual distingue-se o iniciado do profano.

Tenho, assim, como acreditar que estou respondendo por que somos diferentes do homem profano. Somos iniciados e aptos a nós transformar, quando se fizer necessário, em iniciadores.

Antes de concluir, talvez valha a pena apontar o que é necessário para um profano se tornar um iniciado.

Em primeiro lugar, é preciso que ele tenha vocação maçônica, ou seja, que, para além de uma identificação com os grandes valores éticos da Maçonaria regular, tenha vocação para o simbolismo e para o ritual, e sobremodo, vocação para a prática maçônica.

Para isto é necessário que o profano bata à nossa porta, isto é, que manifeste o seu interesse em entrar para a Maçonaria regular, isto no caso de não ter sido ainda cooptado por algum ou alguns maçons.

O contacto com a Grande Loja leva a um conjunto de conversas, entrevistas ou inquéritos que poderão e deverão avaliar se o profano está em condições de entrar para a Maçonaria.

É evidente que, segundo a tradição, só pode ser maçom aquele que for “livre e de bons costumes”, o que quer dizer, nos nossos dias, que deve ter meios de sustento, para si e para a sua família; que não deve ter problemas com a Justiça, e que tenha um comportamento ético e moral íntegros.

Depois do Inquérito, é feita a votação, na Loja respectiva, uma vez que os Padrinhos e os Inquiridores tenham apresentado os seus relatórios; depois, no caso de uma votação positiva, é marcado o dia da Iniciação. Para além das condições éticas, vocacionais e espirituais, é preciso também que o futuro maçom possa satisfazer as suas obrigações materiais para com a Ordem [jóias, quotizações, etc.], para que ela possa ter condições materiais para exercer a sua ação.

Profanos e Iniciados, um ponto de vista diferente – Acredito que num futuro não muito distante, a humanidade não mais precisará se distinguir entre iniciados e profanos, mas até lá, iniciados e não-iniciados [profanos], precisam desenvolver a consciência plena de que todos somos Filhos do mesmo Pai, seres da mesma espécie, e iguais entre si, independentemente de raças, origens, crenças e posições sociais ou desenvolvimento sócio, econômico, político e cultural.

E encerro este quarto de hora com essa frase magistral do filósofo Friedrich Nietzsche:

“Ao invés de mostrarem à altura da insustentável solidão da sua condição, os homens continuam à procura do seu Deus despedaçado e por Ele amarão até as serpentes que moram em meio das Suas ruínas”.

Por isso, a concepção de Liberdade, Igualdade e Fraternidade ministrada aos iniciados maçons precisa ser expandida para toda a humanidade até congregar num só estado o gênero humano inteiro.

Helio P. Leite

quarta-feira, 28 de março de 2012

INFLUÊNCIAS CRISTÃS NA MAÇONARIA



Além da lenda que norteia nossos trabalhos, as religiões judaico-cristãs exerceram e pode até parecer estranho, ainda exercem influências em alguns Ritos.

 No Brasil o Rito mais praticado é o Escocês Antigo e Aceito e percebemos, nos diversos graus que o constituem, citações explicitamente católicas (nome de santos por exemplo), porém não há dogmatismo religioso, mas em outros ritos temos situações muito interessantes: O Escocês Retificado tem seus princípios baseados e fundamentados na fidelidade à religião cristã, principalmente fé na Santíssima Trindade.

E não pensem que é um rito antigo, ou em desuso, etc e tal, e se eu citar o Rito Sueco? Certamente alguém responderá: - Nunca ouvi falar! Pois é, a Maçonaria chegou na Suécia há 275 anos e a Svenska Frimurare Orden (Grande Loja da Suécia) tem em seu Quadro de Obreiros algo em torno de 16.000 membros e uma das prerrogativas para ser admitido é ser praticante da Fé Cristã. 

Os rituais e graus são fundamentados não só na doutrina como na prática da liturgia católica. Mas, como fica a Igreja de Roma com suas Bulas Papais perante a Maçonaria Sueca? Fica o dito pelo não dito, afinal os Reis da Suécia sempre estiveram a frente da Grande Loja e um embate poderia gerar um problema de política internacional. "Mas, no nosso caso devemos compreender muito bem que existem diferenças muito grandes entre “baseado” e influenciado”. Apesar da formatação dos trabalhos da Sublime Ordem estar ligado ao Velho Testamento não devemos esquecer que também estão presentes em nossos labores entre outros, o zoroastrismo, a astronomia, as ciências matemáticas e valores da cavalaria medieval.

Em resumo, desde que houve a transformação da Maçonaria Operativa para a Maçonaria Especulativa foram codificados em SS.’.TT.’.PP.’. e Instruções, valores das mais variadas origens com o propósito de transformarem profanos em homens justos e de bons costumes. Portanto, nada mais natural que também tenhamos VALORES CRISTÃOS e esta é a “chave”, não sendo uma religião a Maçonaria não cultua o Cristo, mas recolhem em sua missão, instruções (valores) que devem ser observados.

 Esta é a tônica da maioria dos Ritos Maçônicos, pois o enlevo moral e ético está sempre em sintonia com valores espirituais. A Maçonaria usa símbolos cristãos, pois eles automaticamente nos remetem a significados que antes mesmo de sermos iniciados já conhecíamos. Por exemplo no ocidente uma cruz é símbolo de Fé e o que encontramos na Escada de Jacó? Ou mesmo a própria menção da Escada! 

Em nosso meio devemos tomar muito cuidado para não trazermos a religiosidade aos nossos trabalhos; a utilização de valores/símbolos religiosos/místicos/esotéricos destina-se exclusivamente ao aprimoramento do ser humano como cidadão, como pai, como filho, como profissional, como esposo e principalmente a prática material/profana do grande princípio cristão: "Ame a teu próximo como a ti mesmo e não faça aos outros o que não quer que façam contigo." Observem que há uma congruência entre o grande mandamento e as diretrizes maçônicas.

A história do nascimento de Jesus, da estrela guia, os três reis MAGOS, os três presentes e a possibilidade de todos nós virmos no exemplo do mais “poderoso” servir como o mais “humilde”, nos remete às nossas iniciações. Mais do que nos tratarmos como Irmãos, precisamos reconhecer no outro o genótipo de “Filho do Pai”.

Trinta e três anos passam muito rápido e é preciso muito comprometimento para erguer Templos e cavar Masmorras, pois há sempre aqueles que calam as vozes cortando gargantas ou pregando na cruz os arautos da Boa Nova.

Veja no exemplo desse menino que hoje nasceu, o ideário maçônico, ao seu redor criou-se uma instituição universal, essencialmente filantrópica e filosófica; ele levou a verdade, criou um estatuto moral pela prática da solidariedade e trabalhou para o bem da Humanidade.

Ensinou-nos os princípios da tolerância mútua, do respeito aos outros e de si mesmo e a liberdade absoluta de consciência. Ele foi o primeiro a ensinar que as concepções metafísicas são de domínio exclusivo da apreciação individual das pessoas e assim recusar toda a afirmação dogmática. 

Considerava o trabalho como um dos deveres primordiais do homem, honrando igualmente o trabalho manual e o intelectual. Juntou um grupo e os mandou a todos os recantos, afim de que todos compartilhassem os laços fraternais que unem todos os homens sobre a superfície da Terra, os quais se devem auxiliar, esclarecer e proteger, mesmo com risco da própria vida. Recomendou aos seus discípulos que fosse o melhor exemplo daquilo que acreditavam e que tivessem determinação para que o direito prevalecesse sobre os caprichos humanos e sobre a força.

O menino que hoje nasceu, viverá sempre tendo por divisa a Liberdade, a Igualdade e a Fraternidade pela honra e glória de seu Pai e de seus Irmãos.

Por conta disso, nós Maçons devemos respeito a este grande exemplo de vida. A palavra natal já foi natalis no latim, derivada do verbo nascor (nasceris, nasceris, nasci, natus sum) que tem sentido de NASCER. Que este dia seja também um novo nascimento para nós e que esta nova vida seja baseada na JUSTIÇA, na VERDADE, na HONRA e no PROGRESSO. Feliz nascimento querido Irmão.

Sérgio Quirino Guimarães
ARLS Presidente Roosevelt 025

A FAMILIA DO MAÇOM



A FAMÍLIA DO MAÇOM A família para a Maçonaria é a base de tudo, depois de Deus, Portanto, sob o critério filosófico A família é um dom dos maiores que recebemos de Deus. Não é somente uma realidade cultural que pertence a historia dos povos. É uma instituição natural criada por Deus.

A Maçonaria ilumina-nos sobre o sentido da família. Somos criados à imagem e semelhança de Deus, cuja vida é comunhão profunda entre as pessoas. O ser humano não existe apenas para alimentar-se, crescer e ocupar espaço e tempo sobre a terra. É feito para “con-viver” (viver com), partilhar a vida com os outros, viverem em comunidade.

Amadurecer no relacionamento fraterno e entrar em comunhão com o próprio Deus, não só nesta vida, mas por toda a eternidade. No projeto da Maçonaria, a família é destinada a ser a “comunidade de pessoas unidas no amor”, Sacramento cujo núcleo é a união amorosa e fiel entre o homem e a mulher, caminho de aperfeiçoamento recíproco e fonte de vida.

A família é, também, um compromisso. A comunhão de vida não se realiza por encanto. É necessária a colaboração de cada um, para superar o egoísmo, abrir-se ao outro na doação conjugal e familiar. Requer-se, ainda, a cooperação da sociedade para que se criem condições adequadas à vida em família. A finalidade primeira da família, é o valor que lhe confere sentido, é a prole, sua educação física, psíquica, intelectual, moral, religiosa, econômica e social.

O berço doméstico é a primeira escola e o primeiro templo da alma. A Casa do homem é a legítima exportadora de caracteres para a vida comum. Como esperar uma comunidade segura e tranqüila sem que o lar se aperfeiçoe? A Paz no mundo começa sob as telhas a que nos acolhemos. Se não aprendemos a viver em Paz entre quatro paredes, como aguardar a harmonia das nações? Se não nos habituarmos a amar o Irmão mais próximo, associado à nossa luta de cada dia, como respeitar o Grande Arquiteto do Universo, que é DEUS?

Tantos pais, irmãos e filhos se separam só pela necessidade de impor vontades, de ver “quem manda aqui”, quem ganha à condição de dono DA última palavra. Na maioria dos casos, numa reunião familiar, e com um pouco de humildade todos saberiam até onde ir e quando parar.

São naturais as discordâncias. O homem um dia há de aprender a combater as idéias e não as pessoas. Toda a discordância deve priorizar o respeito.
Se o “diálogo” antecedesse as nossas diferenças, não haveria espaço em nossos corações para ressentimentos e muito menos cultivaríamos sentimentos tão letais no que diz respeito aos outros.

O lar deve ser cultivado como um santuário. É nas lutas diárias do lar que nos preparamos para abraçar tarefas de vulto em prol da humanidade. É preferível abdicar de servir à humanidade, se nos esquecemos dos compromissos prioritários de nosso lar.

Nos tempos atuais, em que tantos banalizam a vida e as ruas se tornam abrigos de órfãos de pais vivos, é hora de refletirmos sobre a Família e o papel do Maçom na Comunidade.

A Maçonaria quer que cada um de nós busque melhorar em todos os sentidos, porque em assim fazendo estaremos no caminho certo que é a busca de uma melhoria cada vez maior para a humanidade.

O comportamento do Maçom se torna muito difícil na sociedade maçônica que na profana, porque na sociedade maçônica, os indivíduos estão mais chegados uns aos outros, exigindo deles tolerância, fraternidade, principiando pela família, que reflete no procedimento social.

O cumprimento destas tarefas tão importantes para o indivíduo e para a comunidade significa, ao mesmo tempo, para os maçons o desdobramento benéfico de suas próprias disposições.

O respeito e a realização de tão nobre tarefa não podem ficar a mercê do acaso ou da arbitrariedade, mas deve ser assegurada por uma verdadeira obrigação.
A Maçonaria brasileira com o seu papel na formação do homem sempre foi uma constante na consciência de liderança nacional da importância da função da família. À família é atribuído o papel de primeira célula da organização social, responsável pela transmissão dos valores morais, espirituais, para que o mundo alcance a Paz.
Portanto, a família, para a Maçonaria, tem o merecimento que lhe atribuiu o Irmão Rui Barbosa que aconselhava: “multiplicai a célula e tendes o organismo. Multiplicai a família, e tereis a Pátria”.

A família natural do Maçom passa a ser também maçônica, a partir do momento em que o Iniciando recebe a luz (da Iniciação), a primeira coisa que vê é seus novos Irmãos armados com espadas, jurando protegê-lo sempre que for preciso. Passa a ser tratado como Irmão, demonstrando-se, assim, o caráter fraternal da Maçonaria. A partir daí, todos que a ele se referem o tratam por Irmão, OS filhos do Irmão passam a tratá-lo como “tio” e as esposas de seus Irmãos passam a ser “cunhadas”. Forma-se nesse momento um elo firme entre o novo membro da Ordem e a família maçônica. Na realidade, uma Loja constitui uma família, pois todos OS seus membros são Irmãos entre si, sem o destaque hierárquico; O Venerável Mestre continua sendo o irmão do novel Aprendiz. Se existe essa família, a união de seus membros deve ser cultivada e todos se amarem com laços afetivos.

É difícil precisar, no entanto, como esse vínculo se cria e se mantém. Por quê? Ao sermos reconhecidos como Maçons o outro lado prontamente abre um sorriso amigo e o abraça, como se já o conhecesse de toda a vida. Que força é essa que nos une e faz com que homens de diferentes raças, credos, profissões e classes sociais, tenham um sentimento de irmandade mais forte entre eles, que entre irmãos de sangue?

A Maçonaria reserva um lugar de destaque à Mulher. Com a evolução e a modernidade atuais, a mulher está conquistando, ao lado do homem, um lugar igual. E nós, Maçons, não temos motivos para combater os ideais de emancipação da mulher. Ao invés, é nosso dever amparar a mulher em seus esforços para obter liberdade e igualdade.

Há casos em que o Candidato já está vivendo sua segunda união matrimonial. É importante que descubramos se sua esposa anterior e os filhos dessa união ficaram amparados e se o Candidato está cumprindo com os deveres como um dos construtores daquela família. Quem age corretamente não se opõe a essa providência, a Maçonaria destina-se tanto ao homem como a mulher, complementos que são um do outro e destinados como estão a constituir a família base celular de uma sociedade bem organizada. "Por isso deixa o homem pai e mãe, e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne" (Gêneses 2:24).

Se em nossos dias são freqüentes as agressões à família e à vida, é também confortador, podermos nos unir para abrir o coração para aprendermos através do estudo de nossos Rituais, que sempre nos ensina a força do Amor, capaz de sacrifício, diálogo e coragem.

O encontro semanal em nossas Lojas, sob a proteção do Criador, seja para nós um encontro com a própria família e a ocasião de sentirmos a alegria de sermos todos Irmãos à luz de Deus.

A Maçonaria convoca seus adeptos a oferecer seus serviços à família para que possa alcançar, dia a dia, o ideal de união revelado pelo Grande Arquiteto do Universo.

Bibliografia: Waldemar Sansão
GRUPO MAÇÔNICO ORVALHO DO HERMON
Fundado em 31 de maio de 2006 - ANO V
Rio de Janeiro – RJ – Brasil

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