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“SÓ PUBLICAMOS TRABALHOS RELACIONADOS COM A ORDEM MAÇÔNICA”

ACEITAMOS A OPINIÃO DE TODOS, DESDE QUE O COMENTÁRIO SEJA ACOMPANHADO DE IDENTIFICAÇÃO E UM E-MAIL PARA CONTATO.


“NÃO SERÃO ACEITOS COMENTÁRIOS ANÔNIMOS”

terça-feira, 26 de março de 2013

MAÇONARIA E LIVRE ARBÍTRIO



A vontade quer o bem. Mas os bens deste mundo são muitos, são imperfeitos e são diferentes; a vontade pode escolher entre eles: daí o livre arbítrio de que é dotado o ser humano. Em geral, a liberdade é o poder de fazer ou deixar de fazer alguma coisa.

Estar livre é estar isento de vínculos; daí, serem tantas as formas de liberdade quantos são as espécies de vínculos, que podem ser classificados em físicos e materiais, que forçam à inércia ou ao movimento, e em morais, que prescrevem certos atos e proíbem outros, sem tirar ao homem o poder de omiti-los ou de executá-los; estas são as leis e as obrigações, ou deveres.

O maçom precisa ser não só livre de vínculos, mas precisa também ser de bons costumes.

O livre arbítrio é o poder que tem a vontade de se determinar por si mesma, por sua própria escolha, a agir ou não agir, sem ser constrangida a isso por força alguma, externa ou interna. 

Assim, entre dois ou mais pensamentos que nos solicita em sentidos opostos, o livre arbítrio decide qual deles seguirá. Do mesmo modo que, em um litígio, as partes recorrem a um árbitro, assim também atua o livre arbítrio, que decide em favor de uma ou de outra parte.

Ele – livre arbítrio – é prerrogativa essencial do ser humano; a violência pode privá-lo da liberdade física e a autoridade pode restringir a sua liberdade moral; no entanto, o seu livre arbítrio está acima de tudo; enquanto conservar a razão, ele será sempre livre para querer ou não querer.

AS PROVAS MORAIS

As provas morais da existência do livre arbítrio baseiam-se no fato da obrigação e da responsabilidade (o remorso e o mérito são consequências da responsabilidade). 

Com efeito, só nos sentimos moralmente responsáveis pelos atos de que somos a causa livre, isto é, pelos atos cuja execução – ou não execução – só depende de nós. Os atos de que não podemos nos abster, podem se constituir em motivo de alegria ou de tristeza, mas não serão motivos de remorso ou de insatisfação moral.

AS PROVAS SOCIAIS

Todas as sociedades possuem sanções que têm por objeto a recompensa ou a punição de certos atos. O castigo só é justo, e a recompensa só é lisonjeira, quando são merecidos; por sua parte, o mérito supõe o livre arbítrio.

Leibniz e os deterministas não admitem esta prova. Para eles, o castigo se justifica como meio de defesa para a sociedade e como meio de intimidação para aqueles que pensam em prejudicá-la. Leibniz conclui que os castigos e as recompensas seriam justificados, ainda que as ações do homem fossem motivadas pela necessidade.

O livre arbítrio demonstra-se também pelas promessas e pelos contratos, por meio dos quais os homens se comprometem mutuamente a cumprir certos atos em determinadas circunstâncias. É evidente, com efeito, que não podemos nos comprometer com antecipação a um ato, se não estivermos certos de que esse ato depende da nossa livre vontade.(...)

Extrato de uma prancha de ANTÓNIO ROCHA FADISTA, M.'.I.'., Loja Cayrú 762 GOB-RJ / GOB - Brasil

sexta-feira, 22 de março de 2013

RITO BRASILEIRO COMPLETA 45 ANOS DE REIMPLANTAÇÃO



Quando Álvaro Palmeira assumiu o seu mandato, em 1963, o Rito Brasileiro apresentava o seguinte cenário:
a) Era um Rito reconhecido e incorporado ao Grande Oriente do Brasil, reconhecido, consagrado e autorizado pela Soberana Assembleia e tinha a sua Constituição adotada e incorporada ao patrimônio legislativo do Grande Oriente;

b) Ocorreram duas tentativas para a sua implantação definitiva, uma em 1921, em São Paulo e outra em 1940, na antiga Guanabara, com a publicação de alguns Rituais e fundação de algumas Lojas;
     c) As lojas surgidas em diversos Orientes, tanto naquele período inicial        e outras mais recentemente, fracassaram pela falta de Rituais completos e ausência de governo no filosofismo do Rito;
     d) Dois Atos haviam sido baixados pelo Grão-Mestre, em 1940, o de nº 1617, relacionado com a constituição do núcleo do Corpo Máximo do R:.B:. (Supremo Conclave), e o outro, o de nº 1636, que designava uma comissão para sua regularização;
      e) Vários IIr:. de relevo, depois de 1940, haviam sido agraciados com o mais alto Titulo do Rito, mas o Supremo Conclave, logo adiante, adormeceu;
f) Havia, nessa época, um interesse manifesto pelo Grão-Mestrado, em promover uma reformulação na Maçonaria no sentido de ela corresponder às exigências do momento vigente, e o Rito Brasileiro, por seu conteúdo, era o que possibilitaria a interação da Maçonaria Contemplativa à Maçonaria Militante, respeitando o alto conteúdo doutrinário da Instituição. A igreja católica era o exemplo marcante de que era possível a uma instituição que cultiva a tradição, ser evolutiva no atendimento das necessidades conjunturais da sociedade;

      g) Em março de 1968, infelizmente, não havia nenhuma Loja do Rito Brasileiro do Grande Oriente do Brasil em funcionamento, encontrando-se o Rito adormecido.
Assim, o Grão-Mestre Álvaro Palmeira, considerando o cenário existente, e o desejo insistente de numerosos IIr:. em vários Orientes, de trabalharem no Sistema do Rito Brasileiro, que vinham de encontro aos seus próprios anseios, e contando com o apoio  e a aprovação unânime dos IIr:. do Conselho Federal da Ordem, desencadeia o processo de implantação regular do Rito Brasileiro, ao baixar o decreto nº 2080, de 19 de março de 1968, que teve o intuito de renovar os Superiores  Objetivos do  Ato nº 1617, de 03 de agosto de 1940, como marco inicial da efetiva implantação  do Rito Brasileiro, e determina a constituição de uma Comissão Especial, composta por 15 Poderosos Irmãos, com a finalidade de reverem, com plenos poderes, a Constituição do Rito Brasileiro, publicada pelo Grande Oriente do Brasil, em 1940, de modo a colocar o Rito rigorosamente em acordo com as exigências Maçônicas da Regularidade Internacional, fazê-lo Universal, separar o  Simbolismo, do Filosofismo, e tornando-o um  verdadeiro veículo de renovação da Ordem, conciliando a  Tradição com a Evolução.
 Participaram desta Comissão os EEm:.IIr:. Benjamim Sodré, Grão-Mestre Geral Honorário e Erasmo Martins Pedro, Grão-Mestre Adjunto, e mais os PPod:.IIr:. Adhemar Flores, Adalberto Alves Sarda, Álvaro de Mello Alves Filho, Ardvaldo Ramos, Cândido Ferreira de Almeida, Edgard Antunes de Alencar, Eugênio Macedo Matoso, Humberto Chaves, Jorge Bittencourt, Jurandyr Pires Ferreira, Norberto Santos, Oscar Argollo e Tito Ascoli de Oliva Maya.
 O Professor Álvaro Palmeira se designou Assessor desta comissão, orientando seus trabalhos, inclusive na redação da nova Constituição do Rito, aprovada em 25 de Abril de 1968. Nela, os quatro Títulos de Honra, constantes na Constituição de 1919, transladaram-se para as quatro Oficinas Litúrgicas: Sublimes Capítulos – Mestres e Cavaleiros, Graus 4 a 18; Grandes Conselhos – Missionários, Graus 19 a 30; Altos Colégios – Guardiões do Bem Público, e do Civismo, Graus 31 e 32; e Supremo Conclave – Servidor da Ordem e da Pátria, Grau 33.
 A Comissão constituída se esforçou para por o Rito em ordem, porque ele já era Legal, Regular e Legítimo.
 A Magna Reitoria inicial tinha como Grande Primaz de Honra o Ir:. Almirante Benjamim Sodré.  O primeiro Grande Primaz de Ofício foi o Ir:. Humberto Chaves, seguido pelos IIr:. Adhemar Flores, Cândido Ferreira de Almeida. O atual Grande Primaz Nei Inocêncio dos Santos, assumiu o cargo, ao fim da década De oitenta, com apoio de Álvaro Palmeira.
 O cargo de Grande Instrutor do Rito foi desempenhado, em 1968, pelo Ir:. Professor Álvaro Palmeira, responsável pela regularidade Maçônica do Rito e pela exação dos Rituais.
 Em 10 de junho de 1968, o Grão-Mestre do Grande Oriente do Brasil Álvaro Palmeira celebrou Tratado de Amizade e Aliança com o Supremo Conclave do Rito Brasileiro, que foi ratificado pela Assembleia Federal Legislativa, no dia 27 jul de 1968, definido, entre outras importantes deliberações, que as Lojas Simbólicas do Rito pertencem à obediência do Grande Oriente do Brasil e os Altos Graus são de responsabilidade do Supremo Conclave do Brasil.
 Palmeira, como Grão-Mestre do GOB, moldou o Rito, na área doutrinária e intelectual, na esfera do conhecimento. Em 1968, ele deu estrutura ao Rito e escreveu todos os nossos rituais Simbólicos e Filosóficos, exceto o do Grau 33, CUJO Rito próprio foi aprovado pelo Supremo Conclave, em 1999, escrito de autoria do Ir:. Carlos Simões.
fonte: http://www.ritobrasileirogob.com.br/portal/mnuhistoria.html

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quinta-feira, 21 de março de 2013

A VISÃO EVOLUTIVA DO APRENDIZADO




"...De fato, há poucas atividades mais estimulantes do que aprender coisas novas, conseguir perceber a LUZ onde só havia trevas.

O aprendizado ocorre no cérebro. Durante muitos séculos, o cérebro foi tratado como uma caixa-preta, à qual não podíamos ter acesso direto, e cujas maquinações só poderiam ser depreendidas por meio de observação cuidadosa e perspicaz do comportamento de pessoas...

Porém, desde a época da virada do século XIX para o XX, a compreensão que temos do cérebro fez grandes avanços, e a neurociência está conseguindo ligar habilidades e comportamentos humanos a áreas e processos cerebrais específicos, abandonando o modelo “caixa-preta” por outro em que o cérebro é percebido como um órgão material, que tem uma fisiologia, no qual agem células, neurotransmissores etc. 

Uma das descobertas que essa ciência já conseguiu fazer é que, ao aprendermos, mudamos a própria arquitetura física do órgão..., a formação de uma memória de longo prazo altera nossa rede neural em pelo menos duas maneiras: não só aumenta a força do sinal da sinapse na área relevante como cria novas sinapses (as estruturas neurais que permitem a passagem de um sinal químico ou elétrico entre neurônios vizinhos).....

...Como mostra o psicólogo cognitivo Daniel Willingham em “Why Don’t Students Like School?”, o cérebro pensa em duas situações: quando é estritamente necessário (não há procedimento na memória que nos ajude) e quando nós acreditamos que seremos recompensados por resolver determinado problema.

A recompensa? Pequenas doses de dopamina, um poderoso neurotransmissor associado aos circuitos de prazer do cérebro, liberado quando se resolve uma questão (e também durante o consumo de cocaína). Para que a dopamina seja liberada, o fundamental é calibrar a dificuldade do problema.

Se ele é fácil demais e o aprendiz já sabe a resposta antes de pensar, não há pensamento nem, portanto, dopamina. Se ele é difícil demais e a pessoa já pressente que não conseguirá encontrar a solução, o cérebro “desliga-se”; não havendo a possibilidade de dopamina, não vale a pena gastar o maquinário neural.

     Mas o que é, em termos neurológicos, pensar? Pensar é combinar informações de maneira diferente. Essas informações podem vir do ambiente externo e/ou da memória de longo prazo.

 A memória de longo prazo é aquela que armazena informações e processos que estão fora de nossa consciência imediata. A tabuada, por exemplo, ela não estava na sua mente antes de eu mencioná-la e desaparecerá de novo em alguns minutos, mas, sempre que você precisar fazer uma multiplicação, ela virá, facilmente à sua mente. O local do cérebro em que esse novo processamento de informações se dá é a memória operacional (ou “de trabalho”, do inglês working memory).

A memória operacional tem capacidade limitada... sua capacidade é determinada geneticamente. Pensar bem, portanto, envolve quatro variáveis: 
1ª) informações externas, do ambiente;
2ª) fatos na memória de longo prazo;
3ª) procedimentos na memória de longo prazo; e
4ª) tamanho do espaço disponível na memória operacional.

   A primeira implicação dessa descoberta é que o domínio de fatos não apenas ajuda no ato de pensar: ele é indispensável. Como mostra Willingham, décadas de pesquisa em ciência cognitiva revelam que, se você não domina as informações básicas de determinado assunto, não conseguirá ter um raciocínio analítico/crítico a seu respeito.  

Até a leitura se torna mais fácil se o cérebro já conhece o assunto em questão: a pesquisa mostra que uma pessoa com ótima habilidade de leitura e pouco conhecimento de um assunto entende menos de um texto sobre aquele tema do que outra pessoa que lê mal mas conhece o assunto.

...Se a memória é importante, surge outra pergunta fundamental: como o cérebro memoriza? Nosso cérebro ficaria sobrecarregado se memorizássemos tudo o que aprendemos. A maioria do que aprendemos passa para a memória de trabalho e é descartada, não chegando nunca à memória de longo prazo.

Como decidimos o que é armazenado? Infelizmente isso não depende da nossa vontade de memorizar algo ou apenas da quantidade de vezes que tenhamos tentado.

O cérebro decide da seguinte maneira: se você pensa cuidadosamente sobre algo, é porque é importante para você e provavelmente precisará ser pensado novamente – e, assim, deve ser retido.  Na formulação feliz de Willingham,  “memória é o resíduo do pensamento”.

Se você pensar sobre algo e o entender, provavelmente vai lembrar-se depois. Veja que essa compreensão deixa claro que o processo do pensamento é cumulativo: quanto mais se pensa, mais se conhece – e, quanto mais se conhece, mais fácil é o pensamento, e assim sucessivamente.

...E como um instrutor faz para que um aprendiz pense em algo? Provavelmente a resposta mais comum dos instrutores seja “fazer com que aquele conteúdo tenha relevância para a vida do aprendiz”, apostando que a ligação emocional do assunto com a vida do aprendiz desperte sua atenção. A ciência da cognição sugere que esta não é uma boa aposta: existe uma relação entre a emoção e memória, mas a emoção precisa ser bastante forte para que tenha impacto na memória.......

A chave para o aprendizado não está no que é ensinado, mas em quem ensina e como. Deve haver uma conexão pessoal entre o aprendiz e seu mestre, e para que haja essa ligação o instrutor precisa ser percebido como uma pessoa do bem por seus aprendizes e ter uma explanação bem organizada.

Se não existir essa conexão pessoal ou se o material a ser ensinado não estiver bem organizado, não haverá aprendizagem. (Uma dica dos neurocientistas sobre como organizar o material: o cérebro humano adora histórias. Conte uma história).

A última lição da ciência da cognição é sobre a importância da repetição. Repetir um aprendizado aumenta nossas chances de dominá-lo. Primeiro, porque a repetição espaçada é um antídoto contra o esquecimento.

Segundo, porque a repetição faz com que certos procedimentos sejam automatizados e, assim, possam sair da memória operacional e ir para a memória de longo prazo. Lembre-se: pensar ocorre quando combinamos novas informações, vindas do ambiente e/ou da memória de longo prazo, e isso acontece na memória de trabalho.

 Quanto mais espaço livre tiver na memória de trabalho e quanto mais informação tiver na memória de longo prazo, melhor será nossa capacidade de pensamento. A prática importa porque fazem as duas coisas: ao automatizar processos, libera espaço na memória de trabalho e enriquece a memória de longo prazo...."

Uma transliteração de parte um Artigo de Gustavo Ioschpe, publicado na Revista VEJA de 20 de março de 2013, à pág. 94 a 96, que foi adaptado para nossa maneira de instruir e/ou aprender, na Maçonaria, a ARTE REAL; a ARTE DO PENSAMENTO.

Gustavo Ioschpe é Economista.

segunda-feira, 18 de março de 2013

O SABER LIBERTADOR - QUEM SOMOS? DE ONDE VIEMOS? PARA ONDE VAMOS?



O ditado “conhecer é poder” é confirmado diariamente na vida social. Aliás, o inverso também. E quanto ao conhecimento gnóstico? É verdade que existe um conhecimento que ultrapassa o entendimento humano?

Comecemos por dirigir nossa atenção para os conceitos de “saber” e “aprender”. Aprender significa normalmente adquirir informações e armazená- las.

O saber obtido do exterior é guardado na memória, onde fica à nossa disposição em caso de necessidade, desde que continue acessível.

Esse é um modo intelectual de aprendizagem. Ele traz um conhecimento limitado pelo tempo.

O acúmulo de conhecimentos resulta das atividades do eu que, do berço ao túmulo, é voltado para o exterior e orientado para este mundo.

É daí que provém a civilização materialista e também a política, a ciência, a vida social.

Esse tipo de saber inspira respeito e sua utilização eficiente nos relacionamentos com as outras pessoas dá poder sobre elas.

Nesse sentido, o conhecimento é, de fato, um poder.

O saber limitado do eu, no entanto, podemos nos perguntar em vista da história da humanidade: pode esse conhecimento auxiliar na resolução dos enigmas da existência?

Encontraremos a verdade aprendendo as respostas das principais perguntas?

Poderemos algum dia responder a perguntas do tipo: Quem somos? De onde viemos? Para onde vamos?

A experiência não cessa de nos ensinar o quanto é limitado o saber que o eu adquire.

Sempre vemos os limites desse saber, mesmo quando temos a impressão de tê-los ultrapassado, por exemplo, com o uso de drogas, o que é uma ilusão, porque depois de todo prazer, a vida comum diária volta à tona, com todos os seus problemas.

Não é a vida com seus problemas nada mais que um percurso absurdo do combatente?

Ou há outra forma de saber que eleva o homem acima de suas angústias e de suas preocupações cotidianas?

Um saber que é adquirido por meio de uma aprendizagem diferente; um saber que sempre acompanhou a humanidade ao longo de sua caminhada e sempre foi ensinado nos diversos e seletos caminhos da Tradição.

Um saber que se apoia na rememoração e diz respeito ao homem em sua totalidade, um saber não restrito ao intelecto, mas que se estende até à alma?

A alma é o princípio vital, o plano que serve de base para a existência humana. Um plano que abarca tudo e ultrapassa de longe o entendimento normal; atravessa as fronteiras do espaço e do tempo e reconduz o homem à eternidade.

Hoje a alma está tão rebaixada que já não pode realizar seu destino.

Por isso é preciso fazer a distinção entre a alma presa a terra, a alma natural e a alma ligada à vida divina, a alma divina e imortal.

A primeira busca o sentido da vida, a segunda o conhece.

A primeira mede a vida pelas sensações e com o auxílio do entendimento e da consciência - eu.

A segunda, tirada da eternidade, não tem o mínimo vínculo com normas terrestres; ela contém o começo e o fim, como a semente encerra a planta inteira. Para ela, o tempo não existe; há somente fases de desenvolvimento que tornam possível o desabrochar na eternidade.

As palavras “desenvolver” e “desabrochar” indicam que algo, que sempre existiu, entra em manifestação, se liberta.

A alma natural é um sistema muito complexo do qual a inteligência pode apenas sondar algumas porções.

A alma imortal não pode de forma nenhuma ser captada pela inteligência da qual ela ultrapassa os limites.

Entretanto, todos os homens têm a capacidade de libertar a alma imortal.

Todavia, o espaço e o tempo limitam a consciência natural e impedem a manifestação da alma imortal.

O ser humano é totalmente dominado pelo intelecto, que é influenciado por simpatias e antipatias.

Sua alma natural não permite nenhuma relação com a verdadeira vida.

Privado dessa relação, o homem permanece, apesar de toda felicidade que pode viver insatisfeito e descontente.

Cada homem é um arquiteto que recebeu materiais de construção dos quais ignora a finalidade.

Ele conhece o sentido de sua existência? Estudou o plano dessa existência?

A alma encerra o plano de vida descobrir o sentido de nossa vida, compreender nossa missão, exige que nos desprendamos dos conhecimentos impostos e aprendidos, e que nos tornemos conscientes da alma original, pois ela encerra o plano de vida, o plano de construção, assim como o conhecimento que permite a sua execução.

É preciso antes de tudo libertar esse conhecimento para poder executar o plano.

Como proceder? Quem ainda está consciente da alma original e imortal?

Para muitos o conhecimento em questão está perdido.

O primeiro passo no caminho que liberta dos limites do egocentrismo é compreender que a vida e a alma natural estão presas nos limites do espaço e do tempo.

É por isso que a Tradição recomendam a seus buscadores que busquem as leis e as forças que formam e regem o mundo e o homem, a fim de chegar ao verdadeiro conhecimento e voltar a se lembrar da verdadeira vida.

O ser humano está totalmente restrito às imagens geradas pelo espaço tempo e está sob sua influência.

A existência se divide em ciclos, anos, semanas, horas, segundos.

Sempre temos muito ou muito pouco tempo.

Estamos sempre presos aos limites de nossas lembranças e de nossos projetos futuros.

Muito raramente vivemos no presente.

Além disso, o homem está estritamente encurralado nas suas experiências.

Seu corpo, sua família, seu trabalho, seu pequeno mundo, o mundo do universo. Não há nenhuma escapatória.

O espaço e o tempo são as fronteiras da existência.

No interior das fronteiras, tudo obedece à lei dos opostos: o acima supõe o abaixo; o grande implica o pequeno; a luz, as trevas; a inteligência, a tolice; o feminino, o masculino; a vida, a morte; a guerra, a paz. A lista não tem fim.

Todas as flores que se abrem e florescem estão fadadas a murchar.

Os opostos estão em relação com o espaço-tempo, dimensões que são leis, e as leis criam a ordem. Não uma ordem teórica, mas uma ordem que se demonstra por uma força de correção inelutável.

Como indivíduo ou como grupo, se negligenciamos ou rejeitemos essa ordem, deveremos aceitar as consequências, esperando que sejam o resultado de uma justa avaliação!

Cada um de nós sabe que deve morrer um dia. És pó e ao pó voltará como é dito na Bíblia. Nada podemos contra essa lei.

Por que a morte causa um sentimento desagradável, embora nos submetamos sem problemas a outras leis naturais?

Será que algo como uma reminiscência da vida original se reflete em nós?

Pressentimos que algo no mais profundo de nosso ser é imortal?

Que algo continua a viver depois da morte física? Tentai relembrar: o que é a imortalidade, a eternidade?

Nada podemos dizer sobre isso, pois a fronteira entre o mortal e o imortal é intransponível.

No Novo Testamento é dito: "Meu reino não é deste mundo e A carne e o sangue não podem herdar o reino de Deus.”

A primeira proposição, Meu reino não é deste mundo, mostra que há dois reinos, o reino de Deus e o mundo material.

Há, portanto, duas leis ou ordens de natureza: por um lado, a lei do espaço-tempo, a lei da polaridade que se aplica a todos os domínios deste mundo, incluindo ao amor “divino”; por outro lado, a lei da eternidade, a lei do amor divino verdadeiro.

Como reconhecer e experimentar a ordem da eternidade?

Para responder a essa pergunta é preciso buscar o sentido da vida no espaço e no tempo.

Este mundo é a escola de aprendizagem da eternidade.

O homem aprende, aqui, pela experiência, que o amor humano não traz a realização. Essa constatação desperta nele o desejo de um Amor que transcenda a forma mais elevada de amor terreno. É nele que estão inscritas as leis da eternidade.

A natureza é o manual de instrução de Deus. As leis da eternidade aí estão inscritas; e o homem está no meio delas, mas ele não se questiona, pois tem coisas mais importantes a fazer...

Por que sempre nos focar na solução de nossos problemas? O que se interpõe no nosso caminho: o eu ou a alma? O que faz que nos esquivemos da solução?

Quem nunca tem tempo de se aprofundar na lei divina?

Quem se sente limitado?

Quem tem medo da morte?

Não é o eu que retém a alma prisioneira? Resposta: pois é, eu sou como sou. Eu sou eu.

É assim que nos desvencilhamos de nossos erros e nossos fracassos.

Então, é o eu a causa de todos os problemas!

Como o eu se forma? Ele se constitui a partir dos pensamentos, sentimentos e atos; é a soma dos três, no presente e no passado, e é formado de todas as representações e percepções que ele mesmo desperta.

Ele é o resultado das ilusões que ele mesmo forja. Ele não tem substância própria e se enraíza nas leis deste mundo dominando-as apenas por dádiva da eternidade, mas sem querer ou poder reconhecê-lo.

Sob as leis do domínio de vida original, ele derreteria como neve ao sol.

Para alcançar a unidade, a eternidade, a verdade e o amor divino, o eu deve colocar-se em segundo plano.

E isso só é possível quando o identificamos em nós mesmos, quando encontramos um ponto de vista exterior ao eu.

Nossa personalidade mortal não ama verdadeiramente a vida a não ser que tenha aceitado como única realidade a vida imutável, cujo núcleo está em nós, e reconhecido que essa vida está mais próxima do que pés e mãos e reside no silêncio do coração purificado.

A partir do momento em que nossos esforços obstinados e incansáveis

de autoconservação são vistos como aprendizagem da eternidade, já existe uma brecha nos limites do espaço e tempo.

O caminho gnóstico é a vereda ao longo da qual o verdadeiro conhecimento, a Gnosis, é revelado.

Pode levar tempo antes que as artimanhas secretas sejam descobertas, examinadas sem ideias preconcebidas e aceitas.

É uma via que exige uma vigilância absoluta.

A consciência crescente da alma verdadeira dá uma dimensão totalmente diferente à vida.

O auxílio necessário para se orientar nessa nova dimensão chega sempre no momento certo.

Quem tem olhos para ver e ouvidos para ouvir percebe os segredos do plano de Deus graças à nova consciência.

Uma vida extraordinária se manifesta, uma vida eterna no centro da existência transitória.

O homem é como um fruto que encerra uma semente.

Quando a semente da eternidade entra em manifestação, a vida eterna se torna um fato.

A sabedoria oriental denomina a semente que está em ligação direta com o amor de Deus, a Gnosis, de “a joia no lótus”.

Ao abrir-nos a ela entramos na primeira fase dos mistérios cristãos: a da fé, que corresponde à experiência do toque da eternidade no coração.

A segunda fase dos mistérios cristãos é a da esperança, na qual a nova alma é percebida. A semente começa a germinar. Uma nova faculdade se desenvolve, a do discernimento do bem e do mal. O tenro broto transpassa as trevas terrenas, e estende-se para a Luz.

A esperança leva à terceira fase dos mistérios cristãos: a do amor. A alma verdadeira renasceu; ela é a nova lei.

A lei dos opostos é reduzida a nada.

Deus e o homem são um. A semente deu nascimento a uma planta que agora floresce.

É assim que o homem retorna à perfeição divina.

A lei superior se realiza, a lei inferior desaparece.

O conhecimento original, a Gnosis, é revelado.

No prólogo de seu Evangelho, João diz: "aos que o aceitam ele dá o poder de voltarem a ser filhos de Deus."

Aceitar esse broto, essa semente de eternidade, abrir-lhe o espaço de nosso coração, faz-nos receber a Gnosis, isto é, o autoconhecimento, o conhecimento da existência, o conhecimento do objetivo da vida.

O conhecimento nesse sentido é um poder além de todo e qualquer poder.

Ele revela o amor verdadeiro que não é desse mundo.

A descoberta do Amor marca o início do retorno à onipotência divina.

Na nova alma está inscrito o plano de nosso destino.

Ele começa no cruzamento entre o horizontal e o vertical. A ativação desse centro espiritual na força de Cristo dá início ao processo de reviravolta, de reerguimento, ou seja, de transfiguração.

O eterno começa a desagregar o transitório.

A alma-eu mortal se dissipa na alma do homem verdadeiro, o filho de Deus. A rosa floresce.

A reunião de Deus e do homem vence a “queda original” e a polarização.

Essa elevada missão que ultrapassa nosso entendimento aguarda cada um de nós.



Fraternalmente -  Jesus  Mihu Omnia

sábado, 16 de março de 2013

ESCURIDÃO E A LUZ



Para que se possa compreender e se libertar das dicotomias absolutas e absurdas, para que possa se libertar do dogma, do “tabu” e do senso comum, Luz e Trevas não são os clichês que se costuma pensar.

A Luz não é o bem, e a Escuridão não é o mal. Não existe bem absoluto na Luz nem o mal absoluto nas Sombras. A escuridão nada tem a ver com o Diabo dogmático (pois esse não existe) nem com o mal que assola o mundo.

A escuridão simplesmente significa aquilo que está oculto, significa mesmo o próprio Oculto, o Mistério, aquilo que é “proibido”, que é secreto, aquilo que é escondido como um tesouro.

Portanto, a iniciação (metafísica e espiritual) das Trevas é a mais importante, pois o Mistério das Sombras é o mais secreto e o mais sagrado e o mais íntimo para um ser. Nas Sombras, o iniciado se recolhe para desvendar tudo o que está oculto, para acessar conhecimentos “proibidos” e profundos.

Nesse sentido, Luz significa consciência, e Trevas significa subconsciência, o repositório de todo conhecimento oculto, esquecido e abandonado pela Luz, ou seja, pela consciência ordinária, de vigília, pela personalidade que se manifesta no dia a dia.

Por meio da introspecção nas sombras interiores, o indivíduo pode então confrontar os elementos mais profundos, “perigosos” e “proibidos” de sua subconsciência (Trevas) e trazê-los assim para a consciência, ou mente consciente (Luz), assimilando os conhecimentos mais secretos de seu Daemon (Eu Superior, Logos, etc.)

A Luz verdadeira, portanto, é a consciência desenvolvida e expandida após essa imersão nas Trevas, é o conhecimento assimilado e consciente, percebido sobre o fundo negro no qual essa Luz brilha e pode ser vista.

Pelo que precede a Luz sem as Trevas jamais poderia ser percebida. Sem o contraste entre Luz e Escuridão nada poderia ser visto (ou seja, nada poderia se manifestar). Para que a Luz possa se manifestar e iluminar, a Escuridão é necessária.

Em sentido filosófico e metafísico, Luz e Trevas, dia e noite, são a manifestação e a não manifestação, consciência e subconsciência, inteligência e imaginação, razão e emoção… Em termos de individualidade humana, Luz é atividade, intelecto, mente racional; e Trevas é inatividade, repouso, reflexão intuitiva, imaginação e instintos (quase sempre elementos negados, rejeitados, reprimidos e menosprezados pela imposição dos dogmas e dos preconceitos sócio religioso).

Podemos ilustrar essa questão com alguns exemplos: no ser humano, a Escuridão é o subconsciente repleto de forças primais que trazem experiências interiores e sabedoria; é o útero psicomental do qual nasce à consciência superior; os seres vivos nascem da escuridão do útero de suas mães e quando “morrem” voltam para as trevas da terra; os minerais e pedras preciosas se formam na escuridão da terra; as plantas brotam também do interior escuro da terra; o universo nasce da escuridão do caos; as estrelas surgem na matéria escura do espaço e a incrustam com seu brilho visível, porque sem a escuridão elas não poderiam brilhar; e o dia e a noite intercalam-se na manifestação do tempo em nosso mundo, do mesmo modo que a vigília e o sono em nossa vida.


Portanto, as Trevas não são o mal (como o conhecemos), e a Luz não é o bem. Tal dicotomia não existe, pois a Luz e as Trevas são gradações que se manifestam em toda Existência.


Todo aquele que nega e menospreza a Escuridão está negando a própria Luz que jaz nas profundezas de si mesmo, na caverna escura que é o abrigo protetor do tesouro, da joia brilhante que é a gnose, que é a Luz do conhecimento, que é a consciência do Eu Superior.


fonte: Web 

terça-feira, 12 de março de 2013

A MAÇONARIA NA VISÃO DE UM INICIADO



Sabemos e não necessitamos de quem nos diga que a Maçonaria, tal como é conhecida hoje em dia, está muito longe da instituição original. Todos os seus trabalhos atuais não são mais do que uma rememoração da Iniciação Antiga nos Mistérios de Osíris e, também, dos antigos druidas, fazendo dela, como todas as religiões, uma instituição composta e modernizada de tempos em tempos, segundo a exigência das circunstâncias. 

Todas as religiões têm por objetivo espiritualizar o homem e fazer dele um super-homem, intelectual e espiritualmente, suprema autoridade do domínio de si mesmo, varrendo a ignorância, o egoísmo e o medo. Chegar a super-homem, ou Mestre, é chegar a defrontar-se com Deus, com o Fogo Sagrado, com a Sarça de Horeb, e ouvir a voz interior que lhe grita: “Descalçai vossos pés, porque o solo que pisais é sagrado!” 

O Mistério do Fogo, na Maçonaria, está baseado numa lenda de Hiram Abiff, que relata o Terceiro Grau do Mestre Maçom. A lenda desse grau é uma adaptação de um relato simbólico; seu disfarce oculta a Grande Verdade da Iniciação Interna. A lenda é uma verdade disfarçada, porque a Verdade nua fere os olhos dos débeis, e estes tratam de destruí-la, como sucede com todas as verdades religiosas, que foram descobertas ao público. A verdade nua envenenou Sócrates, crucificou o Nazareno, queimou Savonarola e assassinou Gandhi. 

A lenda do Terceiro Grau é uma verdade oculta. Os homens de boa vontade podem descobrir e descerrar seu véu, chegando à sua compreensão por meio do estudo, da aspiração, respiração e meditação, como temos explicado nos graus anteriores. Sem esses requisitos, ninguém pode chegar a levantar o Véu de Ísis. A lenda, com sua cerimônia enigmática, estimula, primeiro, a imaginação e, logo, converte-se em motivo de visualização, que conduz à intuição e que nos abre a porta do Templo da Verdade, isto é, dá-nos o poder de descobrir a Verdade para podermos contemplar sua beleza. 

O motivo da lenda é a construção do Templo, para que nele habite o Deus íntimo e tenha sua completa liberdade de manifestação. O Templo é o corpo dominado, educado e guiado por mandato do Espírito, que é a verdade e a virtude. 

O Templo de Salomão é o modelo do corpo humano. O Templo, como o corpo humano, estende-se do Oriente ao Ocidente e do Norte ao Sul, o que quer dizer que o homem é unidade indivisível como o Universo. Sua cabeça, que se eleva em direção a mundos superiores, converte-se, pela Sabedoria Espiritual, em Salomão, que levanta um Templo para glória do Grande Arquiteto do Universo Íntimo. 

Esse corpo-templo, maravilha das idades, foi construído e dirigido pelo poder, pelo saber e pela beleza. Apesar disso, no mundo inferior do homem, existem, sempre, certos defeitos e vícios que o induzem a cometer barbaridades inauditas e indignas; esses defeitos são a ignorância, o medo e a ambição. A ignorância é um defeito que faz o homem crer que sabe, não desejando aprender nada; o medo elimina a fé do coração do homem em seu Deus íntimo e em seus guias; a ambição é filha do egoísmo, que exige tudo para si, sem merecimento. 

Essa trindade de vícios – ignorância, medo e ambição – no homem quer, sempre, obter o que não merece do mundo espiritual e material. O simbolismo ou a lenda nos ensina que o Mestre Interno, que está trabalhando, sempre, pelo bem do homem, pelo seu progresso espiritual e anímico, é atacado pelos três defeitos, em princípio, qualidades ou caracteres necessários ao homem. O desejo de progredir se converteu, por meio do intelecto, em ambição egoísta; o amor desenfreado a si próprio tornou-se fanatismo estúpido, e, por sua ambição e ignorância fanática, o homem perdeu sua fé, e o Medo se apoderou dele. 

Esses três grandes vícios matam, no homem: o Eu Superior, na parte Oriental; a Personalidade, na Ocidental; na parte Sul, o Intelecto. Em outras palavras: o Mestre Interno, Eu Superior, que é a Consciência; a Personalidade, Eu Individual, que é a Vontade, e o Intelecto, ou Inteligência. 

Como todas as lendas e fábulas escolhidas para transmitir uma verdade às gerações posteriores, seu significado é múltiplo. Contudo, o único que importa ao Mestre Maçom é o significado interno e pessoal, ou individual. 

Hiram é o Sol, é o Eu Superior, é o Espírito Divino dentro do corpo do homem, é o Ideal de todo ser que vem a esse mundo. Enfim, é o homem. Esse homem-Deus se encontra, continuamente, devido à sua mente objetiva, ameaçado pela Ignorância, pelo Fanatismo e pela Ambição, que o dominam e impedem seu progresso. Todavia, o homem nasce e está obrigado a construir e a dirigir o Templo da Vida e a fazer dele o Templo de Deus Vivo, ou a levantá-lo para a glória do Grande Arquiteto do Universo, expressando, em sua obra, sabedoria, poder e amor. 

Porém, nossas baixas tendências e paixões estão sempre na expectativa e matam, dentro de nós, a voz da consciência, a Voz do Íntimo, nosso único guia, e, assim, verifica-se, em nós, a simbólica “morte de Hiram”, ou o adormecimento do Eu Superior, cujo Ideal Elevado dirige nossa vida a um fim superior. Quando nos entregamos às nossas paixões, nossos trabalhos de adiantamento ficam suspensos devido à perda do guia ou do Eu Superior. 

O Templo é o corpo do homem. A construção do Templo é a evolução e a elevação de esforços para um fim superior, através do conhecimento da Verdade e da prática da virtude. O Templo de Salomão é o símbolo do corpo físico, Jerusalém (cidade-paz) é o mundo interno. Os quatro pontos cardeais do Templo, no corpo, são: a cabeça, que corresponde ao Oriente; o baixo-ventre, ao Ocidente; o lado direito, ao Sul; o esquerdo, ao Norte. Os construtores do Templo são os átomos construtores no corpo físico. 

Os obreiros tinham três graus e se dividiam em três categorias. Os Aprendizes trabalhavam na parte inferior do corpo, o ventre; os Companheiros na parte média, o tórax; os Mestres, na parte superior, a cabeça. As duas colunas do Templo são os dois polos, passivo e positivo, representados pelas pernas esquerda e direita. A câmara do meio é o “Lugar Secreto”, ou o Mundo Interno do homem no coração ou peito. Apesar do grande número de obreiros dentro desse Templo, todos trabalhavam, silenciosamente, na Obra do Grande Arquiteto, e não se ouve nenhum ruído, porque esse Templo não foi nem é construído por mãos humanas, nem por instrumentos materiais e metálicos. 

Sete anos durou a construção do Templo, porque o resultado da Genuína e Verdadeira Iniciação se obtém depois de sete anos, os quais são necessários para a limpeza dos átomos inferiores, para dar lugar aos superiores. O corpo é o Templo de Deus Vivo. Deus pode se manifestar nesse corpo por meio da alma, que é fogo e luz no sexo, sempre, na sua presença. O templo material, onde se celebrava a Iniciação, representa o corpo-templo de Eu Sou Aquele. As cerimônias são evocações que ajudam a encontrar o Fogo Sagrado e a Luz Interior. Foi isso que Jesus quis dizer: “O reino de Deus está dentro de vós... Vós sois o templo do Espírito Santo...”.

Jorge Adoum

Especial para o Diário de Cuiabá



O presente artigo pode ser encontrado em toda a sua íntegra na Revista Arte Real, uma publicação e comercialização de assinaturas da Grande Loja do Estado de Mato Grosso. www.glemt.org.br – revistaarte@entreirmaos.net e glemt@glemt.org

segunda-feira, 11 de março de 2013

INSTRUÇÃO DA INSTRUÇÃO



Instrução – ação de instruir, ensino; lição; explicação ou esclarecimentos dados para uso especial; apontamento, regimento, ordem, explicação que se dá a alguém encarregado de alguma função.

Instruir – ensinar, dar instrução a, doutrinar; informar, esclarecer; adquirir conhecimentos novos, desenvolver os conhecimentos adquiridos; tornar-se sabedor.

Quando falamos em instrução na Ordem Maçônica, o que compreendemos como instrução? Considero como uma diretriz importante e fundamental para que tenhamos um rumo temporário para nossos estudos. Temporário, pois, a compreensão pessoal do que estudamos ao longo dos graus, a nossa experiência pelo tempo de Loja e o que entendemos com isso, acabamos por elaborar nosso próprio entendimento sobre os conhecimentos recebidos.

Nossa instrução pode ser histórica, repleta de dados armazenados ao longo do tempo e que estão à disposição através da literatura histórica concernente ao que desejamos, abrangendo a própria Loja, outras Lojas, Orientes e ou literatura maçônica internacional.

O desenrolar maçônico ao longo do tempo firma suas origens pelos dados compilados através dos anais das diversas Lojas espalhadas pelo mundo, que por sua vez armazenou informações de um passado em que as descobertas eram resguardadas como segredos que foram repassados com interessantes anotações no contexto temporal dentro dos diversos períodos históricos.

É fonte de conhecimento inesgotável e interessante. Proporciona o conhecimento da luta da Maçonaria por um mundo melhor e mais esclarecido.

A instrução ritualística que trata sempre dos procedimentos dinâmicos em que trabalhamos, visa aprofundar a compreensão desses procedimentos que produzem determinadas ações e alterando determinados comportamentos. 

Os ritos pouco se alteraram ao longo do tempo. São sempre adequados às suas próprias épocas e sofrem pequenas alterações ocasionadas pela dinâmica do tempo e das consciências (às vezes por conveniência). Só que observamos que essas alterações podem produzir um desvio do sentido original quando de sua criação, pois, na época da sua elaboração, procuraram representar e firmar um conceito importante para o homem de sua época preservando-o para o futuro. Não podem ser desprezados ou alterados sem que as razões que provocaram essa criação possam ser compreendidas em sua integridade. Faz-se necessário a prudência ao rever nossos rituais.

A instrução que visa o comportamento moral (1) procura ensinar, lembrar, ou reforçar toda aquela experiência milenar que a humanidade vem acumulando em forma de normas e preceitos eficazes para a realização da pessoa humana em busca da perfeição. Podemos dizer que são as regras da convivência social.

Revela-se como uma ciência normativa, não especulativa. Devemos lembrar que todos os membros de nossa Ordem são cidadãos consolidados numa sociedade em constante mutação e reorganização, portando educação e comportamento diferentes e por vezes conflitantes que necessita desbaste e melhor adequação, assim sendo, toda liberdade usada por qualquer Ir\ como forma de ação ou no nível da consciência postula um risco pessoal implicando na responsabilidade moral de seu uso.

A instrução sobre nossa simbologia (2) se reveste de grande importância para o maçom, pois, o símbolo tem a função de provocar certos estados de consciência intelectuais e emotivos proporcionando uma compreensão e significado mais profundo do objeto observado, sedimentando conceitos abstratos através de uma simples visualização.

O símbolo se manifesta e se revela no interior de cada um e sua riqueza transparece pelo significado que ele representa para aquele que o procura compreender, pois, cada um enriquece o conceito de determinado símbolo com sua experiência de vida, revelando assim múltiplos significados de um mesmo conteúdo ampliando seu horizonte de conhecimento. O símbolo transcende o conhecimento objetivo e histórico formal, proporcionando uma visão psíquica que pode ultrapassar o espaço-tempo.

Avançando sobre o mais profundo objetivo de nossa ordem, deparamos com a instrução espiritual (3). Podemos falar em instrução espiritual? Sim, precisamos nos preparar e enfrentar esse desafio que tem dificultado o processo maçônico que trabalha com o ser humano e a humanidade como um todo.

Temos na Constituição do GOB, Art.1º, parágrafo I – “proclama a prevalência do espírito sobre a matéria” e no Art.2º como 1º postulado de nossa Instituição “a existência de um princípio criador: o Grande Arquiteto do Universo”, e mais, no RGF, Capítulo I falando da Admissão, em seu Art.1º item IX: “aceitar a existência de um Princípio Criador” e no seu Art.2º: “a falta de qualquer dos requisitos do artigo anterior, ou sua insuficiência, impede a admissão”. 

O próprio texto de nossos regulamentam enfatizam o caráter espiritual do homem, e como poderemos espiritualizar o homem sem dar a ele a consciência de sua natureza espiritual?

Assim exposto, será necessário abordar o horizonte espiritual do ser humano que não deve e não pode ser confundido com as práticas abordadas pelos sistemas religiosos que se apresentam como dogmas indiscutíveis.

Ou essas obrigações são meras formalidades, com as quais não devemos nos preocupar? 

Mesmo com os dogmas ou as regras de comportamento como as constituições que defendem o Homem em seu caminho evolutivo dentro ou fora de nossa Ordem, à orientação que deve prevalecer é a reflexão pelo conhecimento, pois, as circunstâncias estão em constante mutação acompanhando a dinâmica de cada período. 

E mais, a ciência e a tecnologia com seus avanços na pesquisa fundamentada têm demonstrado e firmado que muito do que era tido como fantasia, crendice ou superstição tem uma base científica e como toda organização humana é feita de convenções, e quando estas são contrariadas, surge o inevitável conflito que pode ser contornado e ser recuperada a harmonia quando as consciências são elevadas.

Os homens - a Humanidade - têm melhorado suas relações sociais e progredido na relação ao respeito, à responsabilidade, a consideração, a aceitação do próximo, o amor filial (ou melhor, responsabilidade filial), a amizade e a fraternidade, e, como Maçons e membros da família humana corremos atrás desses conceitos pelo estudo, compreensão e dedicação procurando entende-los e conscientizá-los como patrimônio pessoal útil para uma vida em sociedade.

Como Aprendiz, Companheiro e Mestre Maçons, pedreiros construtores do edifício social, é preciso refletir, tornar clara as ideias, comparando-as, e como consequência formando nossos próprios juízos de valor.

Perguntamos: entendendo a maçonaria também como uma escola de comportamento, estamos inseridos num processo evolutivo ou ainda nos preocupamos em alcançar a condição de um “status” maçônico (que nos forneça projeção pessoal) que nos confere a Ordem?

Claro é que não é este o objetivo, mas essa condição maçônica proporciona esse destaque e “seduz” uma grande maioria de IIr\ que procuram projeção pessoal e reconhecimento, sendo assim inevitável, pois, temos vaidades e paixões ainda não controladas.

Mas, o que vindes aqui fazer?

Ensinam nossos rituais que é necessário vencer nossas paixões e submeter nossa vontade. Como edificar templos à virtude e enterrar os vícios se somos levados pela turbulência das paixões e lutamos ainda em prevalecer nossas vontades?

Em nosso aprendizado maçônico, de aprendiz à mestre maçom, é extremamente relevante que isso pese em nosso comportamento. Quando alcançamos o domínio de nossas paixões e de nossa vontade, já não fazemos parte das batalhas profanas, não é mais necessário o conflito. Isso não significa omissão, desleixo ou fraqueza de caráter, simplesmente não é mais necessário, pois, compreendemos o Todo e com essa certeza e verdade sedimentada podemos sutilmente alterar e redirecionar atitudes profanas incorretas e insuficientes.

Para que todas essas considerações sejam alcançadas, nossas instruções precisam ser objetivas e direcionadas a todos nós que aqui estamos em busca de mais luzes. 

Todo trabalho ou instrução nunca é desperdiçado pelo fato de que acendemos luzes em nosso interior promovendo novas ideias, preenchendo lacunas e gerando a vontade de progredir sempre. Será sempre possível e é necessário organizarmos nossas instruções para auxílio de todos que participam dessa Arte.

É responsabilidade dos Mestres facilitarem e auxiliarem os Aprendizes e Companheiros na compreensão dos trabalhos maçônicos e sua dinâmica. Se não nos transformamos, como queremos que os que aqui chegam aprofundem sua maneira de pensar e agir? Que exemplo esperamos dar?

Sempre enaltecemos a Ordem Maçônica e os trabalhos maçônicos, seus princípios, seus objetivos. Nosso ritual esclarece com perfeição e transparência que “a Maçonaria no grau de Mestre é o laboratório espiritual, onde os iniciados de todas as partes do mundo se reconhecerão e trabalharão em comum, visando solucionar a crise moral da Humanidade, assegurando ainda os direitos e deveres do Espírito”.



José Eduardo Stamato, M.’.I.’.
ARLS Horus nº 3811 - Santo André - SP (Oriente de São Paulo) - Brasil

Notas:
Moral (da raiz latina “mores” como costumes, conduta, comportamento, modo de agir) - é o conjunto sistemático das normas que orientam o homem para a realização de seu fim pelo exercício de sua responsabilidade.

Simbologia - estudo dos símbolos, o entendimento de uma imagem empregada para significar um conceito facilitando sua compreensão.

Espiritual – que tem a natureza do espírito. Espírito – identifica-se com o que chamamos alma; também a sede das atividades superiores do ser inteligente (os conhecimentos, a erudição, o poder lógico, a capacidade intuitiva, o senso artístico, a reflexão transcendente).

quinta-feira, 7 de março de 2013

A SALA DOS PASSOS PERDIDOS E O ÁTRIO




No edifício Maçônico, o Templo situa-se na parte mais interna e vem separado da Sala dos Passos Perdidos pelo Átrio.

A denominação da Sala dos Passos Perdidos é poética; significa o mundo em que a humanidade transita sem rumo certo, porque, se a vida é apenas uma fase passageira, raramente o homem planeja com acerto a trajetória que deve seguir nos anos que lhe são determinados pela vontade Superior.

A Sala dos Passos Perdidos é a continuidade do espaço profano, em que subsiste a promiscuidade e perdura a individualidade.

Não há qualquer seleção de cargos ou graus; todos são Maçons, todos são iguais.

É hábito o Maçom chegar à sua Loja um pouco antes do horário previsto para o início dos trabalhos.

Esse lapso é necessário para a “descarga” das pressões, para “purgação” dos efeitos resultantes da promiscuidade do mundo e para a “limpeza” da área espiritual.

Pelo fato da Sala dos Passos Perdidos preceder o Átrio, ela mantém a energia necessária para que os ímpetos profanos se amenizem, a fim de preparar a mente para o ingresso no Átrio.

Não é aconselhável a circulação na Sala dos Passos Perdidos dos Maçons já vestidos com suas insígnias, cada qual com seu respectivo grau, pois as vibrações emanadas das insígnias, dos adornos, do Avental, do balandrau diferem uma das outras gerando confusões e conflitos.

No templo de Salomão, esse espaço se situava ao ar livre, limitado por muros protetores.

Infelizmente, encontramos muitas lojas acanhadamente construídas sem o planejamento da Sala dos Passos perdidos e do Átrio. Evidentemente, a falha refletirá, bastante, no êxito dos trabalhos e na preparação dos Maçons.

O Maçom ao entrar no Templo, dirigirá com segurança os seus passos, não se perderá. No entanto, se não passar pelo Átrio vindo da sala dos Passos perdidos, ele transformará o seu trajeto dentro do Templo, seus passos se perderão. Na Maçonaria tudo tem razão de ser para existir!

O Mestre de Cerimônias, ao aproximar-se a hora para o início dos trabalhos, conduzirá os irmãos ao preparo adequado para o ingresso no Átrio. Chega o momento em que se deve cessar o murmúrio.

Lentamente, um após o outro, os Maçons buscam a porta do Átrio e, silenciosamente se preparam colocando o seu balandrau, quando é o caso, seu avental, seus adornos e joias e permanecem na expectativa do ingresso do Venerável Mestre.

O que se entende por Átrio? No grande Templo de Salomão era o vestíbulo no qual se encontravam as duas Colunas: B e J.

Sabemos que o Maçom tem plena certeza da existência de dois Templos: Um Templo Material que é a sua Loja e o outro Templo, o Espiritual que se encontra dentro de cada um. É na mente que nós preparamos o trabalho espiritual. Essa é a parte exotérica maçônica.

O que faz o Maçom no Átrio? Ele se prepara para ingressar no Templo.

Por que esse preparo? Porque não se pode entrar no Templo sem uma prévia preparação.

O Maçom que passa pelo Átrio sem se preparar, não estará ingressando no Templo, mas apenas passando pela porta que o conduz ao recinto sagrado. Dentro do Templo, ele não fará parte da Egregora, será apenas “uma presença amorfa e neutra”, ninguém tomará conhecimento dessa presença, porque dela não emanam vibrações e fluidos. Portanto, nenhum Maçom deve ignorar o modo como se preparar no Átrio.

A preparação é mental, embora o pensamento possa ser induzido por intermédio de luminosidade adequada, de som apropriado, do perfume do incenso.

Após minutos de meditação, silenciosamente, em fila dupla, os Maçons ingressam “em si mesmo”, dirigindo os seus passos aos seus lugares.

Jorge Henrique Simões Porto
MM – ARLS Cedros do Líbano 1688 – GOB-RJ
Bibliografia: O Mestrado Maçônico – Rizzardo da Camino

NR: Jesus falava para os ouvidos que eram capazes de entendê-lo.


  

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