terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

AFINAL, O QUE É O SALÁRIO MAÇÔNICO?


Como vivemos a alegoria de “Obreiros da Arte Real”, “Construtores Sociais” e “Pontífices da Sociedade”, é natural que haja uma suposta superioridade interna, em virtude do desempenho da função, que se traduz em graus, cargos e títulos.

Na verdade, é quase uma profanação, se compreendemos o conceito de hierarquia como a organização de elementos em ordem de importância.

Na Maçonaria, hierarquia é a distribuição ordenada de obrigações.

Aprendizes devem aprender; Companheiros devem compartilhar; Mestres devem ensinar. Todavia, essa não é uma estrutura “engessada”. O escritor Guimarães Rosa nos ensina:

“Mestre não é quem sempre ensina, mas quem de repente aprende”.

Nessa linha de pensamento, Aristóteles proclamava:

“O verdadeiro discípulo é aquele que supera o mestre“.

O Rei Salomão, por sua vez, proverbiou:

“O verdadeiro companheiro está amando todo o tempo e é um irmão nascido para quando há aflição”.

E o “Aumento de Salário? Primeiro, Isso não é uma coisa, mas sim um processo.

Convém abrir um parêntese para alertar a todos que as Potências Maçônicas indicam o MÍNIMO necessário para a mudança de grau A Loja pode e deve trabalhar mais os aspirantes. Assim, tanto a Loja quanto os Obreiros não devem apressar o processo. Não há grau, título ou quaisquer designações maiores do que ser tratado e reconhecido como IRMÃO.

Retornando ao tema, por que tanto desejo de graus e títulos? Porque somos humanos, e não espíritos. Sendo assim, então não há problemas?

Vou usar a alegoria da água. Água é bom? Traz satisfação? É necessário? Com certeza, todos responderam que sim. No entanto, escolham um copo de água para matar a sede ou pular em uma piscina e morrer afogado.

Em ambos (copo e piscina), a água é a mesma, e ninguém nos obriga a pegar o copo ou pular na piscina. O que se apresenta é a consciência, a espiritualidade sobre a matéria. 

Quando sabemos os nossos méritos, os nossos limites e as nossas necessidades, a graduação é natural e reconhecida.

O mais bonito na simbologia do “Aumento de Salário Maçônico” está na palavra “salário”, que deriva do latim salarium e significa “pagamento de sal” ou “pelo sal”.

Estranho é para nós pensarmos que, na Roma Antiga, o sal e o ouro equiparavam-se monetariamente. O soldado ia para a guerra em troca de um saquinho de sal. Contudo, com essas pequenas pedras brancas, ele comprava todo o necessário para seu sustento

Há. porém, detalhes interessantes no uso do sal. Ele era utilizado para dar sabor, na cicatrização de ferimentos e para conservar a carne.

Vamos, pois, às reflexões maçônicas:

• Quando o Irmão almeja um aumento de SALário, ele está disposto a dar sabor (trabalhar) pela Instituição?

• Com seu aumento de SALário, ele será um elemento de concórdia e fraternidade (cicatrização de ferimentos) na Loja?

• Com seu SALário, ele conservará a carne (Irmandade) ou ela se desprenderá dos ossos?

Por isso, devemos ter cuidado, pois nós nos tornamos o nosso salário. Assim como no mercado financeiro, se não for bem aplicado, entramos em decadência. Há uma instrução muito bela no Livro da Lei. em Mateus 5:13. que encerra a reflexão:

“Vós sois o sal da terra; e se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta senão para se lançar fora e ser pisado pelos homens”.

Sérgio QUIRINO Guimarães-EX-GM-GLMMG

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