quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

RESPEITO, O DEVER POUCO PRATICADO

Qual o sentido de existir e conviver de forma conjunta e pacífica?

A raça humana, Homo sapiens, são seres portadores de grande capacidade cognitiva, ou seja, raciocinamos, aprendemos, memorizamos, tomamos decisões e interagimos de forma eficaz.

Certa vez, num programa de televisão, o médico, matemático e físico Doutor Enéas Carneiro foi questionado sobre o sentido da vida. A sua resposta foi impactante, foi firme sem agredir, foi enfática sem desrespeitar e foi crítica sem mencionar nada nem ninguém.

A pergunta foi então sobre o sentido da vida, parte da sua resposta foi: “Cada ser humano é um universo em miniatura. Cada ser humano tem aspirações que são diferentes quando a gente sai de um para outro representante dessa espécie. Eu vejo como uma tônica geral, que deveria ser objeto, deveria ser escopo do processo educacional do nosso país, desenvolver em cada indivíduo, em cada ser humano, o respeito pelo seu semelhante. Na medida em que cada um de nós aprender que a matéria de cada um de nós é feita, é idêntica à matéria com que todos os outros são feitos, na medida que cada um de nós tiver consciência que não há nada de intrinsecamente diferente que nos separe a nós todos, seres humanos, quando nós tivermos consciência que a palavra semelhante, quer dizer semelhante mesmo, nós respeitar-nos-emos melhor!”.

A palavra que mais deveria representar a postura de Maçom é o respeito. A partir dessa linda reflexão que o Doutor Eneias Carneiro traz, vejo que cada vez faz mais sentido a palavra silêncio; ele, juntamente com a ação individual de exemplo na sociedade, é o principal combate aos tiranos.

Não somos seres que agem sempre de forma comedida nos nossos pensamentos; os nossos excessos fazem com que, na maior parte das vezes, o nosso comportamento seja desrespeitoso, para conosco e com o próximo.

Imaginemos a água, um recurso essencial para a vida. Quando digo essencial, essencial, é na sua maior e extrema verdade que não sobrevivemos sem ela, não seria possível a nossa existência, porém, se usar essa substância de forma demasiada, seremos comedidos a uma hiponatremia, condição grave que pode levar à morte pelo excesso. É uma forma muito clara de distinguir algo; o que é essencial para a vida pode, se consumido em demasia, te levar à morte.

O nosso pensamento não é diferente, pensamos de forma individual; o coletivo não pode e nem deve ser o principal meio de tomada de decisão de nenhum indivíduo, haja vista que este seja um indivíduo portador de conhecimento.

A dualidade se mostra latente demais nos nossos trabalhos; ela existe para o equilíbrio e harmonia do universo na sua grandeza. O que seria do Grémio sem o Inter? O que seria do claro sem o escuro? O que seria da direita sem a esquerda?

As nossas ações não podem sofrer influência externa; devemos buscar, na sabedoria, na força e na beleza, as nossas formas mais sensatas de pensar e se manifestar. Somente assim iremos agir sem repelir.

A nossa principal missão, não é converter um extremista, um religioso ou um fanático, por ele pensar diferente de nós, e sim mostrar que nós, maçons, somos e agimos baseados em princípios de respeito e tolerância, e que a nossa atitude é a principal arma contra isso.

Ainda na mesma ocasião, o doutor Eneias faz uma ponte de extrema importância, que nos faz entender melhor o motivo das pessoas agirem de forma que NÓS CONSIDERAMOS INADEQUADA:

“A diferença entre o indivíduo que limpa o chão e um astrofísico é uma diferença de informação! O que limpa o chão aprendeu muito pouco, coitado! Ele sabe apenas limpar o chão, mas ele é tão útil quanto o astrofísico! Ele tem direito a uma vida digna.”

Será que temos a ingenuidade de pensar que, neste universo, não existem maçons de denominação religiosa e política diferentes das que cada um de nós tem por certa? É exatamente isso, cada um de nós, ninguém pensa igual, meus irmãos, podemos ter objetivos e indicadores que levam para o mesmo lado, mas o pensamento, esse cada um tem o seu.

Já pensamos que a Maçonaria enfrenta todas as frentes de desigualdades e injustiças?

Maçons sobrevivendo em países comunistas, maçons sobrevivendo à guerra da Ucrânia, maçons sobrevivendo à guerra de Israel, mas agindo, agindo de forma silenciosa. O agir é o simples fato de levar lá para fora o que aprendemos aqui, com respeito e principalmente com tolerância.

Tenho acompanhado tudo o que ocorre no mundo, da forma mais cruel, mais hipócrita e mais injusta. Isso causa repúdio, mas não tenho o direito de me levantar e achar que o meu senso de entendimento é melhor que o do outro. A intolerância e o desrespeito, além de nos atormentar lá fora, no mundo profano, estão começando a atormentar a nossa ordem, causando desordem e evasão, com grandes proporções de desrespeito.

Contudo, o entendimento que cabe a nós, homens livres e livres-pensadores, é de tornar uma sociedade melhor, mas ela começa dentro do templo; a nossa egrégora não pode ser quebrada por falta de respeito. E aqui faço um paralelo: o desrespeito não é somente tratar o outro de forma ríspida; desrespeito é tudo aquilo que, de alguma forma, desvaloriza a convivência entre as pessoas ou membros de um local ou sociedade.

Que os nossos mais puros pensamentos e sentimentos sejam para contribuir, com o conhecimento dos demais. Todos. Todos, independentemente das suas posições sociais, possuem dentro da Maçonaria o mesmo valor. O conhecimento é direito de todos, mas o conhecimento maçônico não; este só aqueles que tiveram a oportunidade de receber a luz serão portadores. Que sejamos a fonte do conhecimento para os nossos irmãos, que sejamos o exemplo, que as nossas ações sejam com base na fraternidade, que saibamos sabiamente o momento de parar, para que sempre prevaleça o respeito e a tolerância entre nós.

Mateus Hautt Norenberg-MM

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