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“SÓ PUBLICAMOS TRABALHOS RELACIONADOS COM A ORDEM MAÇÔNICA”

ACEITAMOS A OPINIÃO DE TODOS, DESDE QUE O COMENTÁRIO SEJA ACOMPANHADO DE IDENTIFICAÇÃO E UM E-MAIL PARA CONTATO.


“NÃO SERÃO ACEITOS COMENTÁRIOS ANÔNIMOS”

quinta-feira, 28 de abril de 2016

CÂMARA DE REFLEXÕES


Este trabalho tem o objetivo de esclarecer sobre os significados da Câmara de Reflexões, local esse que somos recolhidos logo após a nossa chegada a Loja, durante a iniciação.

Na Maçonaria, esse compartimento recebe o nome de Câmara de Reflexões, onde o candidato permanece em meditação, antes de ser conduzido ao templo, para a cerimônia de iniciação. Tudo nessa Câmara lembra a morte, a enfermidade da matéria e a eternidade do espírito.

 O candidato é conduzido vendado e devidamente guiado pelo 1º Experto e depois é retirada sua venda, e orientado a preencher um questionário e fazer seu testamento que estão sobre a mesa e ao terminar tocar a campainha.

  Ao se deparar com objetos e dizeres as quais induz a uma reflexão, sobre sua família, apegos materiais, amigos, sua vida e até a sua morte, um verdadeiro exame de consciência e atitudes.

         Inicialmente para o candidato esse local pode se mostrar um pouco assustador, mas após receber a “Luz” e com os ensinamentos que serão recebidos, percebe então que essa foi uma das principais fases de sua Iniciação.

Nesta Câmara, haverá um esqueleto humano ou, pelo menos um crânio, um pedaço de pão, uma bilha com água, enxofre, mercúrio, uma cadeira, uma campainha, uma mesa e uma caneta,

QUESTIONÁRIO
Após entrar recebe breve questionário com as seguintes questões:
·         Quais os deveres do Homem para com Deus?
·         Quais os deveres do Homem para com a Humanidade?
·         Quais os deveres do Homem para com a Pátria?
·         Quais os deveres do Homem para com a Família?
·         Quais os deveres do Homem para com consigo mesmo?


PAREDE - Na parede as inscrições abaixo:
- Se tens apego às distinções mundanas, vai – te. Nós não a reconhecemos.
- Se tens receio de que se descubram os seus defeitos, não estarás bem entre nós.
- Se fores dissimulado, serás descoberto.
- Se queres empregar bem a tua vida, pensa na morte.
- Se a curiosidade aqui te conduziu, retira-te.
- Se tens medo não vás adiante. 

O QUE HÁ SOBRE A MESA
        Sobre a mesa, estarão representados um galo, e uma ampulheta e, debaixo do galo, as palavras VIGILÂNCIA E PERSEVERANÇA.

A vela simboliza a Luz, uma vez que é o único luminar existente e auxilia ao candidato a preencher o formulário e ao ver os objetos ali existentes.

Crânio representa o despojamento da carne e, consequentemente da mente, representa o vazio, a ausência vital do cérebro, da inteligência e só pensamento.

Uma ampulheta é um instrumento usado para medir o tempo e para demonstrar que dentro da Câmara o tempo não para.

ESQUELETO - representa a fragilidade humana, necessária para que o profano deixe esta condição e renasça como um membro da ordem simboliza, ainda, a justiça divina, qual teremos que enfrentar para que possamos descansar em paz.

 MERCÚRIO - representado pelo Galo, é um símbolo não apenas de Vigilância e Coragem, como também de Pureza. Princípio fêmea, na alquimia, é considerado Hermeticamente como o princípio da Inteligência e Sabedoria.

ENXOFRE - É considerado o princípio macho, na alquimia. É o símbolo do espírito e por isso simboliza o ardor.

“ A pedra Filosofal é um Sal perfeitamente purificado, que coagula o Mercúrio a fim de fixá-lo em um Enxofre extremamente ativo. Esta fórmula sintética resume a Grande Obra em três Operações que são: a purificação do Sal, a coagulação do Mercúrio e a fixação do Enxofre”. (In “O Simbolismo Hermético” de Oswald Wirth)

O sal procede dos mares e no mundo moderno é indispensável na alimentação dos homens como dos animais e também simboliza o seu efeito é dizer que o iniciando é recebido com satisfação.

A bilha de água completa os elementos da natureza, pois, além de saciar a sede, “lava” as impurezas, enfim a bilha nada significa, o símbolo é a água, o terceiro elemento natural que simboliza a purificação, o refrigério e a candura.

O pedaço de pão simboliza a presença do trigo, é o símbolo do cárcere, deixar um homem a pão e água, significa castiga-lo pelo mal causado a alguém em outra época. O trigo simboliza a fartura, sendo garantia de subsistência e certeza de que não haverá crise nem penúria. O trigo sempre foi símbolo do poder revelador do mistério da vida, que, como grão pode germinar. Necessita da água e da terra para apodrecer e dar origem à multiplicidade de grãos, simbolizando a ressureição espiritual.

Iluminados pela luz da vela estão os papéis que o Iniciando deve interpretar: primeiramente o questionário, com uma série de perguntas que devem ser respondidas. Ao lado um formulário, para preenchimento de espaços, a respeito de testar bens e disposições gerais em caso de morte.

Esse renascer constante, a partir da morte simbólica, associado a toda escalada iniciática, no caminho que vai das trevas à luz, pode ser assimilado às sucessivas mortes e ressurreições da natureza, mostrada pelo ciclo imutável dos vegetais, em todos os anos, que simbolizam todo o aperfeiçoamento do candidato, desde que ele entra na Câmara de Reflexão, até que, como iniciado, ele percorre o caminho do conhecimento, que o leva à visão da Luz total, simbolizada pelo Sol, no Oriente.
          
  Uma iniciação maçônica é uma morte simbólica e um renascimento, ou, um novo nascimento. Podendo simbolizar em um determinado momento do ritual iniciático, a saída do útero para a luz.  

Rizzardo de Camino, um dos maiores autores maçons do Brasil, descreve a Câmera de reflexão como ''Propositalmente sinistras, com paredes negras adornadas com símbolos como: foice, o galo, frase vigilância e perseverança, caveiras, lágrimas desenhadas, ampulheta''. Os símbolos são lembretes ao maçom.

V.I.T.R.I.O.L. - É uma expressão em latim que é considerada uma língua morta, mas o significado e amplo é esotérico.

“Visita o interior da terra e, retificando, acharás a lápide oculta”.

Esta expressão lembrará ao candidato que, na Maçonaria, o mesmo de dedicará à construção moral do seu interior.

“Contém em si algo de profundamente místico: o “interior da terra” seria o próprio ser humano;” a pedra oculta”, o esoterismo da parte” interior e espiritual” do homem; em ambos os casos, deve haver uma” descida”, uma “penetração profunda”, em todos os aspectos do ser humano.

“Para conseguir esse intento, será preciso uma “retificação”, ou seja, uma “mudança” que equivale a um” renascimento”, porque a finalidade da iniciação é justamente esse renascimento.

Bibliografia:
Site Brasil Maçom

Rizzardo da Camino - O Aprendiz Maçom

Edição 1999 - Ritual do Grau de Aprendiz
Oriente de Miguel Pereira, 22 de Julho de 2015.

                                  A.’. M.’.   Jorge A. Fonseca

ARLS Cedros do Líbano – Miguel Pereira/RJ – GOB-RJ

terça-feira, 26 de abril de 2016

O PERIGO DA FALA E MENSAGENS NAS REDES SOCIAIS


A prática da Maçonaria Especulativa ensina que o debate é essencial, tanto em Loja quanto nas redes sociais ou círculos de estudos presenciais ou online. Ademais, leituras de instruções e textos em Loja não agregam valor se não são sucedidos de reflexões.

E a participação, em qualquer dos fóruns acima citados, deve se transcorrer observando-se o que está sendo dito e não quem o diz, pois esta se dá no nível de igualdade entre os participantes, valendo as diferenças culturais apenas como tempero e enriquecimento, respeitados os valores de cada um.

A somatória das experiências individuais, os saberes e os conhecimentos obtidos pelo compartilhamento dos demais, formam um patrimônio cultural que beneficia a todos.

Ocorre que, não obstante esse entendimento ser um norte da Maçonaria, e apesar de vacinados contra a “ditadura do pensamento”, rotulagens e o patrulhamento, vez por outra caímos na cilada da fala passional, acompanhando uma opinião mais incisiva sobre determinado assunto, como o ocorrido recentemente no WhatsApp da nossa Loja em grupo restrito,causou furor, levando o “autor”, num primeiro momento, a ter que se retratar  e sofrer as sanções negativa de tal “conversa”. 

Passado o frisson e serenados os ânimos, o grupo voltou ao seu merecido lugar, para que possa ser lido e avaliado por todos, mas com uma cicatriz de 1m com no mínimo 1000 pontos.

Para não fugir ao lugar-comum, quando a discussão envolve censura, o não falar que se pensa, de maneira didática e objetiva em um grupo, e-mail, texto, blog, etc. inevitavelmente somos remetidos aos lamentáveis registros históricos de queima de papiros, destruição de bibliotecas, além de situações ainda mais gravosas como a queima de livros e de seus autores, tão covardemente praticados por ocasião da Inquisição. São famosas as sessões de queima de livros promovidas pelo regime nazista. Isto chama-se “cerceamento”.

Em nosso meio, cabe-nos refletir frente a esses acontecimentos sobre a nossa real certeza quanto à valorização da dialética, da arte do diálogo, como instrumento que viabilize discussões que contrariem entendimentos arraigados, permitindo que a força da argumentação inteligente, fundada na pesquisa e no estudo, produza novas ideias, amparada pela igualdade e liberdade de pensamento. Importa ressaltar que o verdadeiro Iniciado tem perfeito domínio do que pode ser discutido, em que nível e com quais públicos, respeitados os postulados da Ordem.  

Com relação aos chamados reacionários, que não medem esforços em julgar a tudo que venha de encontro à suas idiossincrasias, e pouco ou quase nada agregam, por vezes desagregam, mas que se destacam apenas e tão somente pela dimensão da arrogância e da vaidade, não devemos gastar mais que algumas linhas e desejar-lhes que sejam felizes e avaliem a possibilidade de retornar ao primeiro grau e que procurem seguir com seriedade as instruções que não foram assimiladas na sua plenitude.
“Na essência somos iguais, nas diferenças nos respeitamos”

( Santo Agostinho)

“Reaja com inteligência, mesmo que o ataque não seja inteligente”

(atribuído a Lao-Tsé, na obra “Tao-Te King”).

“A situação é bem clara, cuidado com o que se  fala, como se fala, para quem  se fala, do jeito que se fala, onde se fala, para não ser interpretado de forma errada e ter que pagar caro, por tal ato”
Denilson Forato


domingo, 24 de abril de 2016

A IMPORTÂNCIA DA MAÇONARIA NOS DIAS DE HOJE


Neste dia comemorativo da nossa Ordem, cabe indagar o que é a Maçonaria, hoje.
Como prática de grupo, com características iniciáticas, a Maçonaria Moderna parece ir à contramão da história moderna, a qual mostra cada vez menos formalismo e mais transparência nas suas instituições de cunho social.

Na verdade, o legado maçônico hoje como sempre, é a formação de líderes pela educação da sua prudência ao falar, da sua capacidade de sentir, e da libertação de seu pensamento de dogmas que o aprisionem e sufoquem seu espírito.

As Lojas Maçônicas não são escolas filosóficas, mas sim escolas éticas, centros de treinamento para aprimoramento humano, que disciplinam seus membros na capacidade de calar, de conter as emoções, de, enfim, canalizar suas energias de forma organizada, tornando cada maçom senhor de seu espírito e de seu destino.

Todo indivíduo que cruza os portais da maçonaria tem a chance de, após algum tempo, transformar-se de homem chumbo em homem-ouro, sofrendo a única transformação alquímica que importa aquela que aperfeiçoa o Ser Humano, que o melhora como cidadão e como indivíduo.

Queira o Grande Arquiteto do Universo que possamos, nós, membros desta Tradicional Ordem, levar a muitos mais a mensagem e a prática maçônica, melhorando com isso, em qualidade, toda a Humanidade.

Por Mario Sales, FRC.:,S.:I.:,M.:M.:


sábado, 23 de abril de 2016

A MAÇONARIA E A CELEBRAÇÃO DOS SOLSTÍCIOS E EQUINÓCIOS


Nossa Ordem, como detentora de milenares tradições de natureza espiritual tem como uma de suas práticas mais antigas e tradicionais a celebração dos Solstícios e Equinócios. Estas celebrações remontam a outras também antigas tradições esotéricas e iniciáticas que foram ensinadas aos humanos por seres de natureza superior.
Nos Solstícios e Equinócios toda a natureza, na forma de animais, vegetais e também minerais, celebra as mudanças de estação, o magnífico e necessário ciclo da vida. É uma verdadeira festa e os humanos mais antigos, orientados e sensíveis a este ambiente festivo, resolveram também participar dele.
A origem desta tradição se perde nas brumas de um passado longínquo. A celebração dos solstícios e equinócios pode ser encontrada junto a povos e culturas como os celtas e os egípcios e ainda outros povos. Se nos permitirmos pesquisar o assunto na Internet encontraremos que a celebração da passagem das estações é uma tradição pagã. 
É importante salientar que conforme o cristianismo de Saulo de Tarso, tudo o que não seja o seu próprio cristianismo é chamado de pagão. Só isso, nada mais. Ou seja, uma prática pagã não é necessariamente algo demoníaco, perverso ou contrário à ordem e ao desenvolvimento.
Mas, talvez o maçom se pergunte o que temos nós maçons a ver com tradições ou celebrações pagãs comuns à bruxaria e ao esoterismo medieval? Bem, existe um importantíssimo elo entre o mundo maçônico e os cultos ancestrais: o Rei Salomão. Devemos lembrar que Salomão viveu na Mesopotâmia, o berço tanto da civilização quanto da cultura terrena e mais ainda dos principais conceitos relativos à espiritualidade universal.
Historicamente Salomão se uniu à riquíssima e poderosa Rainha de Sabá (conhecida pelos etíopes como Makeda e na tradição islâmica como Balkis) e juntos chegaram a ter um filho Menelik I, que foi o primeiro rei ou imperador da Etiópia. Os arqueólogos apontam evidências de que a Rainha de Sabá rendia culto às tradições primitivas da Mesopotâmia, principalmente à Sóthis (a estrela Sírius para os egípcios) e à deusa egípcia Sopdet (deificação de Sóthis – uma referência ao brilho de Sirius).
Na arte, Sopdet é descrita como uma mulher com uma estrela de cinco pontas sobre a cabeça. Sopdet é a consorte de Sah , a constelação de Órion, e o planeta Vênus era por vezes considerado seu filho. A figura humana notável de Orion foi eventualmente identificada como uma forma de Hórus , o deus do céu para os egípcios.
Na antiguidade as civilizações estavam totalmente alinhadas com os ciclos da vida representados pelas estações do ano e os solstícios e equinócios. A vida daquelas civilizações dependia 100% do movimento da Terra em torno do Sol, tanto no plano da agropecuária quanto social e principalmente espiritualmente. 
A Rainha de Sabá e seu povo perpetuando as mais antigas tradições mesopotâmicas certamente também celebravam os Solstícios e Equinócios.
Sob o antigo palácio de Menelik I, em Axum, em maio de 2008, o arqueólogo alemão Helmut Ziegert encontrou os restos da casa da Rainha de Sabá e junto a eles encontrou também evidências que indicam forte probabilidade de que por um longo tempo lá tenha ficado a tão procurada Arca da Aliança de Moisés, com os Dez Mandamentos. 
Fica então evidente a possível troca de práticas entre ela e Salomão em um verdadeiro ecumenismo espiritual e religioso, sem preconceitos, tabus ou dogmas limitantes.
Fica também evidente que muito provavelmente a relação entre Salomão e a Rainha de Sabá não foi coisa passageira, trivial ou superficial como se pode supor. Para que um rei hebreu tirasse a Arca da Aliança de dentro do Tabernáculo e levasse para um templo ou palácio de outra cultura e religião, seria necessário haver uma razão muito importante.
Se nossa Maçonaria tem sua origem em Salomão, se Salomão se envolveu não somente com a Rainha de Sabá, mas também com sua religião e espiritualidade, fica claro e evidente a justificativa da presença até os dias atuais da celebração dos Solstícios e Equinócios em nossa liturgia. Se atentarmos para a nossa atual Celebração Litúrgica dos Solstícios perceberemos evidentemente elementos tidos como pagãos não tocados pelo cristianismo de Saulo de Tarso.
O exemplo disso são as libações aos Sete Planetas e a tudo aquilo que eles representam na Criação e na vida de todos nós. A própria comida também sempre esteve presente nas passagens das estações, pois a Deusa Natureza está em festa, assim como todos os demais seres que Nela habitam. A humanidade tem papel determinante nesta celebração. Nestas ocasiões festivas eram servidas comidas da época, abundantes pela colheita recente, bem como as bebidas tradicionais e muita música e dança.
A Deusa primitiva sempre foi sinônimo de alegria, paz, harmonia, saúde, descontração e prazer. Na chamada Idade das Trevas, de uma forma preconceituosa e despótica Ela foi amaldiçoada e retratada como bruxa demoníaca, conceito que a humanidade traz até os presentes dias. 
A antiga tradição original informa, Poderosos e Amados Irmãos, que na ocasião dos Solstícios e Equinócios a “distância” entre os mundos físico e espiritual é reduzida e assim está facilitada a transição ou o acesso entre elas. Ou seja, no exato momento em que nosso Logos Solar cruza a Eclíptica ou atinge seus pontos máximos e que marcam os Solstícios e Equinócios temos a oportunidade de tanto receber quanto enviar mensagens de natureza espiritual evolutiva.
É interessante observar que nossos rituais são abertos e fechados citando-se exatamente a movimentação solar. Além disso, as Colunas Zodiacais aludem aos Doze Signos Astrológicos por onde o Sol passa ao longo de seu ciclo anual.
Nossa Ordem, meus Irmãos, é uma Ordem Solar. Nossa Ordem, que tradicionalmente atua na sociedade visando “tornar feliz a humanidade”, evidentemente não poderia deixar de se “alimentar” das mais elevadas energias e consciências espirituais que nos vêm dos planos superiores exatamente nos Solstícios e Equinócios. 
Mais ainda, se nosso mister é “tornar feliz”, é exatamente na Deusa Natureza que encontraremos nossa fonte para recarregar as forças. É na natureza, Poderosos Irmãos, que podemos encontrar Deus em sua forma Manifesta. É onde Ele está próximo e “tangível”.
Se abnegarmos a divindade da Natureza estaremos nos condenando à orfandade de Pai e de Mãe e somente a desesperança, a insegurança, a incerteza e a falta de rumo serão nossas realidades. Lembremo-nos do exemplo do Antigo Egito, onde seu deus maior, Osíris, era reconhecido e reverenciado, mas não estava presente.
A regência espiritual do Antigo era da deusa Ísis a quem seus súditos recorriam. Da mesma forma, nosso GADU é inacessível para nós. Porém podemos encontrá-Lo na Natureza, Sua manifestação e Obra Maior.
Lembremo-nos que muitos autores maçônicos estabelecem uma relação direta entre nossa Ordem, a Maçonaria, com a deusa egípcia Ísis, a viúva de Osíris. Abençoadas as Sagradas Oficinas que celebram nossos Banquetes Solsticiais Maçônicos e reverenciam as manifestações e origem das Sete Leis Universais.
Esse é o Solstício de Inverno, a noite mais longa do Ano. A partir desse dia, a luz do Sol passa a iluminar e aquecer cada vez mais a Terra, e a escuridão e o frio do inverno ameaçam ir embora. É quando a Deusa dá à luz seu novo filho, o Deus renovado e forte, ainda bebê, a “criança prometida”. Ou seja, é quando “nasce” anualmente o Cristo Solar.
O deus Mithra, da Pérsia, nasceu de uma virgem no Solstício de Inverno, teve 12 discípulos e praticou milagres, e após a sua morte foi enterrado, e 3 dias depois ressuscitou, também era referido como “A Verdade”, “A Luz”, entre muitos outros. 

Curiosamente, o dia sagrado de adoração a Mithra era a um Domingo. Outro mito solar se refere a Hórus: consta que Hórus nasceu no Solstício de Inverno da virgem Ísis-Méris. O seu nascimento foi acompanhado por uma estrela a Leste, que por sua vez, foi seguida por 3 Reis em busca do salvador recém-nascido.

Baco ou Dionísio da Grécia também nasce de uma virgem no Solstício de Inverno. Átis, deus da Frígia/Roma também nasceu de uma virgem no Solstício de Inverno, foi crucificado, morreu e foi enterrado, tendo ressuscitado no terceiro dia. Hércules nascido da virgem Alcmena, e seu nascimento é comemorado no Solstício de Inverno no Hemisfério Norte. Na mitologia hindu Krishna (um avatar, personificação ou encarnação de um deus, do Deus nasceu no Solstício de Inverno de uma virgem, Devaki (“Divina”) e uma estrela avisou a sua chegada.

Em 274 o Imperador Aureliano proclamou o dia 25 de dezembro (Solstício de Inverno no hemisfério norte), como “Dies Natalis Invicti Solis” (O Dia do Nascimento do Sol Inconquistável). O Sol passou a ser venerado. Buscava-se o seu calor que ficava no espaço muito acima do frio do inverno na Terra.

O início do inverno passou a ser festejado como o dia do Deus Sol. A comemoração do Natal de Jesus surgiu de um decreto. O Papa Júlio I decretou em 350 que o nascimento de Jesus o Cristo deveria ser comemorado no dia 25 de Dezembro (Solstício de Inverno no hemisfério norte), substituindo a veneração ao Deus Sol pela adoração ao Salvador Jesus Cristo.

O nascimento de Cristo passou a ser comemorado no Solstício do Inverno em substituição às festividades do Dia do Nascimento do Sol Inconquistável.

Segundo a tradição esta celebração solsticial chama-se Yule. Foi a primeira festa sazonal comemorada pelas tribos neolíticas do norte da Europa. É até hoje considerado o início da roda do ano por muitas tradições, inclusive a chinesa.

Daí surge a simbologia do Natal. Certamente os Irmãos estranharão se falar de Natal em junho, mas a simbologia do Natal ou de Yule ocorre no Solstício de Inverno, que no hemisfério norte ocorrem em dezembro e aqui no hemisfério sul ocorrem agora em junho.

Conforme a Tradição, em Yule é tempo de reencontrarmos nossas esperanças, pedindo para que os Sete Deuses Mitológicos rejuvenesçam nossos corações e nos deem forças para nos libertarmos das coisas antigas e desgastadas. É uma excelente oportunidade “recarregarmos” nossas energias pessoais com os sete arquétipos divinos e perfeitos, aferindo nossa conduta e vivência.

Um feliz e alegre renascimento a todos!
Autor: Juarez de Fausto Prestupa
Membro da Loja Maçônica de Pesquisas Quatuor Coronati “Pedro Campos de Miranda


sexta-feira, 22 de abril de 2016

A CATEDRAL E O APRENDIZ



A construção de uma edificação é algo que envolve muito trabalho, muito empenho, e, sobretudo o domínio de técnicas precisas transmitidas por alguém, para quem o ofício já não tenha segredos, para outro alguém ignorante no ofício no qual se iniciou, e com um longo caminho na sua frente rumo à perfeição.

O ofício, qualquer um, preciso não só de quem tenha conhecimentos q.b. para nele atuar, mas também de certos utensílios essenciais à realização das tarefas. A tarefa do Aprendiz começa, desde logo, por ser, a identificação desses utensílios: o que são, como se chamam, para que sirvam, quando se utilizam e finalmente como se utilizam.

O Aprendiz, em regra, alguém que pensaria ter conseguido o mais difícil, isto é, o ingresso no seio de uma comunidade especial, porque diferente de outras, constata ter de se empenhar, pela aprendizagem com uma entrega total, sob pena de, não merecer a confiança nele depositada para aceder ao conhecimento.

Estes quatro parágrafos são diretamente aplicáveis a qualquer um, a qualquer sociedade organizada, seja ela de cariz profissional, social, filantrópico, etc.

Na antiguidade, já os Romanos legislaram no sentido das profissões serem hereditárias, impedindo-se, desse modo, a extinção de algumas delas.

Na Idade Média as profissões organizaram-se em Corporações ou ofícios, nos quais poucos tinham o ensejo de ingressar, tal a necessidade de cada corporação guardar ciosamente os seus segredos, os seus conhecimentos.

Tal aconteceu com os Pedreiros franceses, os Maçons, ou Arquitetos, responsáveis pelas construções de Catedrais. Os seus ensinamentos só eram transmitidos a Aprendizes, sendo estes, homens de características especiais, a quem tinham sido reconhecidas capacidades de integrar uma comunidade tão eclética.

Essa comunidade era a Maçonaria operativa. Os Maçons eram então autênticos edificadores, construtores ou arquitetos dos mais belos monumentos que ainda hoje se podem admirar. Construções sólidas, duradouras, quase intemporais, encerrando em si um saber acumulado, só desvendado ou acessível a muito poucos.

A Maçonaria já não é operativa, mas sim filosófica.
                                                  

O Aprendiz Maçom tem, porém que percorrer o caminho da sua iniciação, assim como percorreu o caminho que a antecedeu, enquanto profano livre e de bons costumes.

O templo, também conhecido por loja, é o espaço físico onde ele e os seus demais irmãos, uns Aprendizes, como ele, outros já Companheiros, outros ainda Mestres, se reúnem fraternalmente e em comunhão espiritual desenvolvem os seus trabalhos.

Essa é, porventura, a catedral da comunidade iniciática a que pertence. Aí é a fonte onde o Aprendiz saciará a sua sede de aprendizagem. Aí será onde uma mão amiga o amparará e guiará na senda do seu aperfeiçoamento.

Esse Templo é o lugar sacralizado orientado segundo a discrição bíblica do Templo de Salomão. Todos os templos maçônicos são iguais, contêm os mesmos signos visuais. Mas cada templo possui um espírito particular que caracteriza a respectiva assembléia de maçons.

É então aqui, no nosso Templo, que estamos a coberto da indiscrição dos profanos, onde não "chove", e onde nos sentimos seguros na senda da descoberta das verdades e dos mistérios da nossa congregação.

A Catedral que o Aprendiz procurará construir, então qual é?
                                    

Encomendas como na Idade Média já não existem. A catedral do coletivo, o templo ou loja, essa está já construída, e a ser aperfeiçoada com o contributo de todos os irmãos, através da sua participação.

Verdadeiramente a Catedral que o Aprendiz terá de construir é a sua própria Catedral interior. De pedra bruta, o Aprendiz terá de desbastar o seu potencial interior, ainda disforme, e imperfeito.

Que a sabedoria do Oriente me ilumine, ao desbastar a minha pedra disforme, que a força não me falte, neste trabalho interior, e, no final, que a beleza seja seu apanágio, e a minha catedral estará pronta.
 
Que a minha postura, perante a vida, e os outros, seja tão reta quanto o é o esquadro; Que, enquanto Maçom, eu me mantenha solidariamente eqüidistante dos homens, tal compasso cujo desenho geométrico perfeito, simboliza, o maçom, na extremidade cujo movimento de rotação se opera sobre si, para desenhar o círculo.

Que eu seja aprumado e me mantenha ao nível de os meus irmãos me considerarem digno de me considerar entre iguais, no seu seio. E tal como a colher do pedreiro alisa a superfície irregular, eliminando as suas imperfeições, assim espero, tal como ela, conseguir suprimir os meus muitos defeitos, aperfeiçoando, o meu caráter.

Estes signos maçônicos, o esquadro, o compasso, o nível, o prumo a colher de pedreiro, serão os meus utensílios que comigo transportarei para usar no meu trabalho interior, para construir a minha Catedral Interior, na certeza que a Catedral de todos os meus irmãos será o somatório da catedral da cada um de nós.

Sei irmãos o longo caminho a ser percorrido no trilho da Maçonaria simbólica, constituída pelos 3 graus de Aprendiz, Companheiro e Mestre.

O fim deste trilho apenas significará o início de outro representado pela Maçonaria Filosófica. Como comunidade eclética que somos o reconhecimento entre nós é feito com sinais e palavras próprias, para que os profanos não se arroguem qualidades que não têm perante nós.


E também para que de entre nós não invoquemos graus aos quais não acedemos ainda. Isso só deverá ser possível depois dos nossos irmãos Mestres acharem que está chegada a altura.

Será chegada a minha vez de ultrapassar os meus 3 anos maçônicos de idade?

BIBLIOGRAFIA

Esta Peça de Arquitetura pertence à ARLS  MESTRE AFFONSO DOMINGUES

quinta-feira, 21 de abril de 2016

A ALQUIMIA DA PEDRA


Retirar pedras de lugar, e pedras grandes, não é fácil.

Maçons são como rochas. 

A Ordem Maçônica surgiu como uma associação de construtores de igrejas. Os maçons, simbolicamente, portanto, são as pedras que sustentam o templo, o material que constrói e dá solidez ao sagrado.

Por isso, ainda hoje lembram aquelas primeiras guildas que se reuniam para comer e beber após um estafante dia de trabalho, de trabalho físico não espiritual e muito menos intelectual.

Faço estas considerações para concluir que, fora honrosas exceções como José Catelani e Nicola Aslan, e até Rizzardo Del Camino, os maçons não foram feitos para a reflexão filosófica.

Gostam de pensar que sim.

Gostam de se imaginar filósofos e pensadores.

Só que este não é o fato.

Não que isto os diminua que isto deponha contra a Maçonaria. Não. Só que os nichos de ação de cada grupo devem ser compreendidos para não cometermos equívocos e exigirmos do arqueiro que domine a arte da espada, ou ao espadachim que seja hábil no manejo da catapulta.


Cada um tem seu papel neste exército e o papel do maçom não é refletir ou pensar. É agir.

Também não quer dizer que dentro de uma Loja Maçônica não encontremos vários Irmãos que não queiram se dedicar a reflexão filosófica ou ética. 

Só que esta não é a natureza da Ordem Maçônica.

Embora como Rosa cruz eu ame a reflexão e a busca do Cálice Sagrado dentro do meu coração, o “Hole Graal” da mitologia britânica, como maçom reconheço que é necessário que algum grupo cuide da construção do ambiente físico em que serão feitas as preces que prepararão o espírito para este encontro com o Sagrado.

Esta é a função da Maçonaria.

Mesmo assim, todos os Veneráveis mestres devem insistir em propor aos seus Irmãos questões de caráter moral e ético, pois a Maçonaria, como Ordem de construtores sociais, deve ser uma escola de líderes, e líderes devem saber como liderar, devem saber que para liderar primeiramente devem ser capazes de liderar sua própria língua, devem ser capazes de influenciar multidões com discursos que possuam valor moral, com imagens claras, e antes de tudo isso, precisam ter o desembaraço de manifestar com coragem e convicções suas ideias e destacar-se em uma multidão apática e sem rumo como pessoas seguras de seus pontos de vista, ao ponto de poderem catalisar transformações importantes para este grupo. 

Na educação desses líderes maçons é preciso que exista um currículo mínimo. O problema é que não existe consenso sobre que currículo mínimo é este.

As lojas funcionam de modo mais ou menos improvisado neste campo, com um protocolo formal rígido, mas sem a mesma rigidez para o conteúdo educacional.

Trabalha-se pelo método de tentativa e erro, experimentando-se aqui e ali maneiras de atingir o coração desses Irmãos com alguma provocação que os mobilize que os faça pedir a palavra e opinar com paixão e convicção.

Às vezes parece pura perda de tempo.

Paciência. Uma hora as pedras se encaixam.

É preciso polir e polir até que esse encaixe seja perfeito.

Trabalhemos com paciência e calma.

O que importa é que ao final tenhamos uma construção sólida.

Esta é a Alquimia da Pedra.


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