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“SÓ PUBLICAMOS TRABALHOS RELACIONADOS COM A ORDEM MAÇÔNICA”

ACEITAMOS A OPINIÃO DE TODOS, DESDE QUE O COMENTÁRIO SEJA ACOMPANHADO DE IDENTIFICAÇÃO E UM E-MAIL PARA CONTATO.


“NÃO SERÃO ACEITOS COMENTÁRIOS ANÔNIMOS”

domingo, 27 de abril de 2014

COMO POSSO ME TORNAR MAÇOM


Antes de mais nada, o postulante ao ingresso nos quadros da Ordem Maçônica, deve autoavaliar-se em busca de valores, costumes, atitudes (interiores), e comportamentos sociais exteriorizados cotejando-os com algumas premissas a seguir apresentadas.

O Candidato deve, portanto, identificar-se com os aspectos a seguir:

  • LEGAL:
- ser emancipado e ter completado 18 anos antes da cerimônia de Iniciação;
- se dependente pecuniariamente, obter anuência dos tutores ou genitores;
- se engajado em união estável, contar com a concordância da esposa;
- ser um homem íntegro, ligado e atualizado em relação ao seu tempo;
- ser empreendedor e capaz de assumir responsabilidades;
- ter emprego, residência e domicílio fixos, no Oriente (estado, município) pleiteado; suas atividades profissionais devem ser lícitas, não importando o metier;
- esperar encontrar na Loja pleiteada, homens livres, de bons costumes, capazes de realizar obras poderosas em benefício da Humanidade, da Pátria e da Família;

  • DOUTRINÁRIO:
- ter religiosidade, melhor do que religião;
- crer em Deus, acima de tudo;
- ter uma idéia clara da virtude e do vício, adotando aquela e rejeitando este;
- estar apto a apreender conhecimentos litúrgicos e filosóficos;
- distinguir entre religião e maçonaria;
- ser respeitado na Iniciação, não só pelas características esotéricas, exotéricas e metafísicas do evento, como pelo significado simbólico trazido pelas nossas tradições e regularidade;

  • PRÁTICO:
- apresentar bons costumes;
- ter boa família;
- seguir as leis;

  • METAFÍSICO:
- ser receptivo às idéias;
- estar ideologicamente alinhado com a idéia de Deus;

  • DA TRADIÇÃO:
- estar apto; ou pronto, disposto e capacitado, "sponte SUA";

  • INICIÁTICO:
- creditar respeito ao processo;
- manter o espírito receptivo (“nada lhe será cobrado; tudo lhe será dado”);

A admissão à Maçonaria é restrita a pessoas adultas sem limitações quanto à raça, credo e nacionalidade, desde que gozem de reputação ilibada e que sejam homens íntegros.

Nenhum homem, por melhor que seja, poderá ser recebido na Maçonaria, sem o consentimento de todos os maçons. Se alguém fosse imposto à Maçonaria, poderia ali causar desarmonia, ou perturbar a liberdade dos demais, o que sempre deve ser evitado.

A aceitação do pedido de ingresso na Ordem depende bastante da declaração de motivos do candidato. A Ordem espera que o candidato seja sincero perante sua própria consciência, quando do preenchimento da proposta de admissão.

Quando alguém se candidata a ingressar na Maçonaria, é verificado em sindicância se dispõe de ganhos pecuniários que permitam cumprir os compromissos maçônicos, sem sacrificar a família. Vale dizer que nenhum homem casado poderá entrar para a Maçonaria sem que a esposa esteja de acordo.

É óbvio que, ao se iniciar na Maçonaria, o indivíduo deverá assumir compromissos derivados de participação engajada e responsável nas lides maçônicas. Entre os compromissos e responsabilidades, encontram-se aqueles de estudar, com mente aberta, as instruções maçônicas, bem como, o de considerar denso sigilo sobre os ensinamentos recebidos e contribuir pecuniariamente para a manutenção de sua Loja e sua Obediência. Os compromissos e responsabilidades, a propósito, são do mesmo gênero daquelas encontradas em qualquer associação humana.

É fato inconteste que uma das finalidades da Ordem é a de implantar sistematicamente na sociedade humana uma efetiva fraternidade entre os homens.

Ao contrário do “folclore” que alimenta a crença de muita gente, a Maçonaria não é uma sociedade secreta e exerce suas atividades extensivamente, sob o pálio da legitimidade de sua natureza e da legalidade de seus atos e fatos administrativos, fiscais e tributários. Suas Propriedades, Constituições, Emendas, Regimentos e Estatutos são registrados em cartório de imóveis, títulos e documentos, e publicados em Diário Oficial.

Uma vez Iniciado, o postulante torna-se Maçom, e, como tal, estará, para todo o sempre, sob constante vigilância de sua própria consciência e dos demais Maçons.
Isso posto, havendo seu interesse em “entrar” na Maçonaria, entre em contato com um Maçom de seu conhecimento ou com uma Loja Maçônica de sua cidade.


REPASSANDO DO SITE DO GOB.


A PRANCHETA, A PEDRA BRUTA E A PEDRA CÚBICA


Numa Loja Maçônica encontramos vários simbolismos que decoram seu interior. Algumas dessas peças, denominadas “jóias”, representam física e espiritualmente os fundamentos maçônicos. Assim são as jóias móveis, representadas pelo Esquadro, o Prumo e o Nível, as quais ficam a guarda do Ven:. Mest:., do Ir:. Pri:. Vig:. e do Ir:. Seg:. Vig:., respectivamente, e assim chamadas “móveis”, por serem passadas a essas autoridades a cada mudança de posição em Loja. 

As jóias fixas são outros três ornamentos, sempre presentes e inerentes, que simbolicamente fundamentam a loja como o fazem os alicerces de um edifício, sendo por isso fixas.

Essas jóias são representadas pela Prancheta, pela Pedra Bruta e pela Pedra Cúbica (Polida). Neste trabalho serão feitas algumas interpretações deste conjunto paramental. A primeira é a interpretação oficinal. O Aprendiz, como iniciático e portanto, inexperiente, tem como primeira missão o desbaste da pedra bruta. Mas nada o Aprendiz pode fazer sem a devida orientação.

Cabe ao Mestre, através da Prancheta, instruí-lo a executar o trabalho perfeito. Então esse objeto é o primeiro e mais importante da vida do neófito, pois sem este não poderá ser instruído de forma clara e objetiva a manusear a Régua, o Maço e o Cinzel.

Assim feito, o iniciático deve fazer com esmero sua contribuição à obra, visando obter com exatidão um objeto justo, reto, linear, regular, simétrico e, portanto, belo. Este objeto, provindo do interior da pedra bruta, rugosa e disforme é um cubo, de arestas lisas e superfície perfeitamente polida. Estes blocos perfeitos são o fundamento, a base e as paredes de uma Loja justa e harmoniosa. 

Na visão simbólica, a Prancheta é interpretada como sendo a Sabedoria, onde o M:. M:. projeta, ilustra e ensina o oficio da Arte Real. A Prancheta é portanto o instrumento de aprendizagem do neófito, como o quadro negro é para os alunos o objeto que transpõe para a visão concreta, a abstração do conhecimento do mestre. A Pedra Bruta representa a força, pois nela será executado o árduo trabalho do desbaste. Essa força é a energia impulsiva que o Aprendiz necessita para fazer a transformação da Pedra, que nada mais é que sua própria transformação.

O ser humano, sempre relutante a mudanças, deve se exigir grande força de vontade para conseguir o objetivo de tornar-se uma pessoa sábia, justa e perfeita. A Pedra Cúbica é o emblema da beleza. De algo sem forma, agora se tem um objeto rigoroso, liso, reto, simétrico, especular, enfim, de grande admiração.

Este é o objetivo final, após toda a aprendizagem, esforço e dedicação. Essa interpretação nos remete ao conceito de “jóias fixas”, como parte integrante da arquitetura da Loja, pois assim representam as três colunas edificadoras. 

A terceira interpretação vem da disposição desses ornamentos em Loja. A Prancheta se encontra no Oriente, aos olhos do Ven:. Mes:., enquanto que a Pedra Polida está ao Sul, sob cuidado do Ir:. Seg:. Vig:. e a Pedra Cúbica está ao Norte, aos pés do Ir:. Pri:. Vig:.. Sendo assim, essas jóias representam os Três Graus Maçônicos de uma Loja Simbólica: Mestres (Prancheta), Companheiros (Pedra Cúbica) e Aprendizes (Pedra Bruta). 

Uma reflexão que pode ser feita a respeito dessas jóias é sobre o seu caráter emblemático na formação do Apr:. M:.. Ao se fazer o ingresso em uma oficina maçônica, o neófito, embora maçom nato, carrega toda uma formação moral, ética e social profanas. Portanto o Aprendiz é uma Pedra Bruta, na qual se encontra no seu interior, uma forma perfeita, bela e justa.

O renascentista florentino Michelangelo fora incumbido de terminar uma monumental obra de escultura em mármore. Daquele bloco deformado surgiu das mãos do hábil artista uma enorme figura humana apolínea. As aparas estavam encobrindo a imagem colossal do Rei Davi, a qual adormecia na pedra. Do mesmo modo o Aprendiz, sendo maçom nato, adormece no interior da Pedra Bruta.

Os ensinamentos maçônicos passados pelas instruções provindas simbolicamente da prancheta dos MM:. MM:. permitem aos iniciáticos a removerem as aparas de uma sociedade profana, na qual se criou. Portanto o trabalho dos neófitos é de se auto-conhecer, viajar em seu interior e encontrar a forma de ângulos retos, iguais e coerentes. Quando falamos da pedra cúbica, sendo esta exata e precisa, será perfeitamente polida, sendo sua arestas apenas os seus limites conformais.

Uma Pedra Polida não é necessariamente uma Pedra Cúbica, podendo ter o aspecto especular, mas de arranjo poliedral qualquer que não seja um cubo. O cubo, por sua vez, é totalmente simétrico, sendo a única forma geométrica espacial que possui lados e superfícies iguais, e todos os seus vértices possuem ângulos retos.


Além de representar a beleza e ordem, o cubo também representa a igualdade. O objetivo do Aprendiz é alcançar e obter para si os adjetivos da Pedra Cúbica e por meta ter o direito de se estabelecer na Col:. do S:. como Ir:. Com:..

À G.'.D.'.G.'.A.'.D.'.U.'.

Apr:. M:. Jorge Luiz Brito de Faria
A:.R:.L:.S:. Aprendizes de um Novo Tempo no. 54

quinta-feira, 24 de abril de 2014

MISTICISMO MAÇÔNICO



Meus IIr .´., escrever sobre o misticismo maçônico realmente não é uma tarefa fácil depois então de solicitar ajuda para alguns IIr.´. e pesquisar em alguns livros por indicações.

Misticamente sobre a maçonaria tem se muito a dizer. Podemos, em alguns casos, reunir alguns elementos como misticismo, esoterismo, alquimia, cabala, astrologia e numerologia, que de alguma forma se correlacionam com a maçonaria.

As influências místicas sobre a escalada iniciática da maçonaria, de maneira geral, vêem das antigas civilizações e dos agrupamentos medievais. Entre as antigas civilizações, encontra-se a da Grécia Arcaica, com os chamados Mistérios de Eleusis (representada com espigas de trigo nos braços) e o Pitagorismo.

A iniciação maçônica, como, geralmente, ocorre na maioria das ordens iniciáticas, desde a antiguidade, representa a morte física do iniciado e o seu renascimento em um plano superior. Assim no Grau de Companheiro Maçom, que o símbolo é uma espiga de trigo, que, além de representar fartura, conseqüência do trabalho, simboliza, também, a renovação sempre constante da vida (morte e ressurreição)

A Estrela de Cinco Pontas citada por mim em meu trabalho de Companheiro Maçom “Letra G”, ou Estrela Pentagonal, ou Pentagrama, ou Estrela Hominal é um dos diversos símbolos da magia e sempre surge nos ritos de varias correntes místicas, tanto as dedicadas à magia branca (Teurgia), quanto à magia negra (Goecia).

Para todos os ocultistas, todos os mistérios da magia e da alquimia mística, todos os símbolos da gnose e todas as chaves cabalísticas da profecia resumem-se no Pentagrama.

Quem deu, ao Pentagrama o nome de Estrela Flamejante, foi o teólogo, alquimista e medico Enrique Cornélio Agrippa de Neteshein, natural de Kholn (Colônia), onde nasceu no final do séc. XV, o qual era dedicado a magia, alquimia e a filosofia cabalística.

O significado da Letra G, que é inscrita no centro da estrela pentagonal tem sido para os maçons, objeto de ampla especulação e de teoria mística absolutamente arredada da realidade, descrito também no trabalho sobre a Letra G.

Assim deve entender, também, o Companheiro Maçom, sabendo, entretanto, que a alquimia mística pode ser aceite, também, como a transmutação espiritual põem que deve passar todo iniciado, mas não como a fantasia engendrada por alguns alquimistas místicos e considerada segredo para melhor poder negociada.

A Cabala, ou, mais propriamente Cabalá, significa tradição e é a essência do misticismo hebraico. Como doutrina mística e metafísica, e muito antiga, conforme encontra - se no Torá. O traço da filosofia transcendental, que evoluiria, através dos tempos, vem sofrendo, constantemente, influencias de outras culturas.

Os temas místicos do judaísmo e fonte do pensamento cabalístico são:

O Apocalipse, a visão de Merkabá, a Halaká, a Hagadá, e as Alegorias.

O Sepher ha Zoar (livro do esplendor) é o principal texto cabalístico, o Zoar é, na realidade, um romance místico - filosófico, desenrolado na Terra Santa, que é, vista como um belo e tranqüilo campo semeado de figueiras, vinhas e pés de romã, muito propicio para à meditação, ao recolhimento e a elevação espiritual., em suma o Zoar mostra o infinito incognoscível de Deus.

Embora a astrologia seja muito antiga, remontada á época dos sumerianos, (Sul da Mesopotâmia) a partir do V Milênio A.C., foi somente na idade media que ela cresceu de importância. O primeiro livro astrológico escrito por Claudius Ptolomeu (Séc II era atual), em Alexandria, houve depois da morte de Ptolomeu uma grande queda.

Nessa época obscura de grande queda surgiram os árabes conquistadores, motivados pela força de sua religião o Islã, habilidosos nos terrenos da medicina, da alquimia e da astronomia, desenvolveram extensos estudos astronômicos, que mostraram acentuada orientação astrológica Abu Maachar ou Abumansur, foi o maior astrólogo árabe.

Falar de astrologia e não falar de sua física universal seria uma falta muito grave. O zodíaco ou zodiacum ou as constelações celestes com seus determinados signos zodiacais ocupam um segmento de 30 graus do circulo completo, que tem 360 graus.

O zodíaco divide-se dessa maneira, em doze constelações, que são percorridas pelo sol uma vez por ano: Áries (ou Carneiro), Touro, Gêmeos, Câncer (ou Caranguejo), Leão, Virgem, Libra (ou Balança), Escorpião, Sagitário (ou Arqueiro), Capricórnio e Peixes.

Com a numerologia dos hebreus que consideravam certos números como sagrados e outros nefastos. Para os números fundamentais existem grandes cargas de atributos místicos.

Zero – é o símbolo da eternidade ou símbolo da morte, representado pelo circulo, simboliza o infinito, o universo, o todo.

Um - símbolo de Deus, número sagrado, inicio ativo, o pai dos números, simboliza o sol, que foi o primeiro dos deuses da humanidade.

Dois – número nefasto representa a dualidade, o ser e o não ser, representa também a dualidade positiva – negativa de tudo que existe.

Três – representado graficamente pelo triangulo, é o símbolo de síntese espiritual e a formula para a criação de cada ser humano, numero perfeito de grande significado místico um numero sagrado.

Quatro – representa o cubo ou quadrado perfeito, um numero cósmico, já que quatro são os elementos tradicionais – ar, água, terra e fogo.

Cinco – o numero do homem, cuja a representação mística e gráfica é a estrela de cinco pontas, a estrela hominal, já que se refere aos cinco aspectos do ser humano – físico, emocional, mental, anímico e consciente, a idéia central que o cerca é a do quinto elemento que seria a quintessência dos alquimistas.

Seis – o numero do equilíbrio, da união entre espírito e matéria, é representado misticamente por dois triângulos eqüiláteros – o positivo, do fogo e o negativo, da água, os quais formam a estrela de seis pontas ou a conhecida estrela de David

Sete – e um numero sagrado para todos os povos da antiguidade, que lhe atribuíram grande valor astrológico, místico e mágico, pois sete são as notas musicais, sete as cores do arco íris e a expressão “sete vezes sete”, etc.

Oito – é o símbolo do logos, ou poder criativo universal, graças a sua forma, representa o perene movimento em espiral dos céus, e também simboliza o equilíbrio dinâmico entre as duas forças opostas (masculino e feminino)

Nove – encerra a serie numérica, antes do retorno da unidade, e o numero simbólico da humanidade, nove meses levam o homem a nascer, é o numero do adão.

No Grau de Companheiro há dois números que ligam especificadamente o grau.

Dois – é o numero místico do Grau de Companheiro Maçom, onde interessa a dualidade do ser e do não ser, a dualidade em posição ao monismo que se aplica a todo sistema filosófico.

Cinco – representa pela estrela hominal ou pentagonal dos pitagóricos, e simbolizando os cinco aspectos do ser humano, é numero ligado, fisicamente ao grau de companheiro maçom, cinco passos, cinco toques, cinco luzes, idade simbólica, embora que possamos notar uma certa influencia da numerologia pitagórica, a que prevalece é a hebraica.

Conclusão

O misticismo nada tem de "misterioso". Tudo, absolutamente tudo é natural. O sobrenatural existe? Nada pode estar sobre a natureza!

O que se posso abordar em meu trabalho são as antigas ciências ocultas, dando os significados esotéricos como nas iniciações e suas correlações com a natureza.

Sem dúvida é um tema abrangente e como tal com minhas palavras tentei responder em minha peça e arquitetura. Ninguém, absolutamente ninguém poderá me ajudar, pois coube a eu desenvolver e explicar o misticismo, ou seja, é um tema muito particular. A única via é a da pesquisa, coisa que, feita por mim tem um sentido e para outra pessoa tem outra explanação.


Esta é a gnoses cárdia, o conhecimento verdadeiro, aquele que brota espontaneamente.

Não existe na maçonaria um misticismo como se abrange, por exemplo, na Rosa Cruz e no Ilusionismo.


Ir .´. Fabiano Camargo Gonçalves

sábado, 19 de abril de 2014

ORAÇÃO DE UM MESTRE PARA OUTROS MESTRES


Novos Mestres:

Eis-vos finalmente na Câmara do Meio. Eis-vos merecidamente revestidos da plenitude de todos os direitos de Mestres Maçons. Eis-vos igualmente onerados com a totalidade dos deveres de Mestres Maçons.

Estais na Câmara do Meio iguais entre iguais. Cada um de vós não é menos, não vale menos, do que eu ou qualquer outro Mestre Maçom presente nesta sala – quaisquer que sejam os ofícios por alguns exercidos, quaisquer que sejam as dignidades à alguns outorgadas.

Cada um de vós não é mais do que eu ou qualquer outro Mestre Maçom presente nesta sala – quaisquer que sejam os vossos méritos, os vossos títulos acadêmicos ou posições profanas.

Cada um de vós é exatamente igual a mim e a qualquer outro Mestre Maçom presente nesta sala – iguais entre iguais na nossa comum pequenez perante o Grande Arquiteto do Universo, perante a nossa comum ignorância do sentido da vida e da existência, perante o nosso comum desejo de ser melhor, saber mais, fazer bem, viver plenamente.

Tendes exatamente os mesmos direitos que cada um dos outros Mestres Maçons presentes nesta sala – e que, afinal, se resumem ao direito de transmitir aos demais as opiniões e os entendimentos de cada um, ao direito de cooperar na tomada das deliberações que hajam de ser tomadas e ao direito de participar organizadamente na administração da Loja.

Recaem sobre vós exatamente os mesmos deveres que recaem sobre cada um dos outros Mestres Maçons presentes nesta sala – todos os deveres inerentes a um homem de honra e de bons costumes, fiel à sua palavra e aos seus compromissos, mais os deveres resultantes do nosso comum compromisso de nos aperfeiçoarmos permanentemente, acrescidos da especial responsabilidade assumida pelos Mestres Maçons: a partir de agora, não sois responsáveis apenas por vós próprios e pela vossa própria melhoria; a partir de agora sois responsáveis também por todos os Aprendizes e Companheiros desta Loja.

Responsáveis por os auxiliarem na sua jornada, responsáveis pela preparação e evolução de cada um como todos nós nos responsabilizamos pela vossa preparação e evolução. Responsáveis por iguais que um dia também acederão a esta Câmara do Meio no exato mesmo estatuto de que agora vós, como todos os demais Mestres Maçons presentes nesta sala, dispondes.

Compreendeis agora, se não vos tínheis já apercebido antes, que a dureza dos Mestres na apreciação dos vossos trabalhos não era vã exigência, estulto apoucamento ou deslocada manifestação de inexistente superioridade. A nossa meticulosidade no apontar dos mais ínfimos detalhes negativos dos vossos trabalhos, tantas vezes mostrando-os piores e mais significativos do que realmente eram, o nosso hábito de temperar os quantas vezes parcos elogios ao resultado do vosso esforço com a referência ao que podia ser melhor, não se destinaram nunca a desmerecer do vosso trabalho ou alardear inexistentes superioridades. Foram como tudo o que ritualmente em Loja se processou ao longo de todo o tempo da vossa formação, simples meios, ferramentas, de vos incutir algo que deveis considerar absolutamente inerente à condição de Mestre Maçom: uma absoluta e permanente exigência da melhor qualidade possível em tudo o que somos e fazemos uma absoluta aspiração à maior aproximação que nos for possível da perfeição.

O vosso percurso teve de ser longo e duro, porque culmina na vossa presente situação de iguais entre iguais, com a inerente consequência de que o direito de vos julgar e de julgar as vossas ações passou a ser em primeiro lugar atribuído aos mais severos dos julgadores: vós próprios!

A nossa aparente severidade nunca foi, pois, mais do que mera preparação para a mais rigorosa severidade na vossa apreciação e na apreciação dos vossos atos, a indeclinável e inabalável severidade que um homem de bem, livre e de bons costumes, devidamente preparado e completamente consciente de si próprio deve devotar à sua auto-apreciação, como meio de ser e tornar-se sempre, dia a dia, momento a momento, melhor, cada vez melhor, cada vez um poucochinho menos longe da inatingível meta da perfeição.

De vós a Loja pede sempre o mesmo: aquilo que cada um de vós, em cada momento, puder dar. Cada um de vós retirará e receberá da Loja sempre o que lhe aprouver do que a Loja tem e todos nos sabemos que a Loja só tem aquilo que nós lhe dermos, pelo que, quanto mais todos lhe dermos, mais poderemos tirar.

Meus Irmãos Mestres Maçons, hoje festejai. A partir de amanhã reiniciai o vosso trabalho, reempunhai as vossas ferramentas, senhores do vosso trabalho, do vosso caminho, da vossa criação.

Confiamos todos em que, como até aqui, sereis dignos de vós próprios e das vossas ferramentas até ao momento em que finalmente vos autorizardes a vós mesmos a pousá-las, quando verificardes ter chegado a vossa meia-noite.

Meus Irmãos no vosso grau de Mestres Maçons e na vossa insuperável qualidade de homens livres e de bons costumes, bem-vindos ao vosso lugar, bem-vindos aonde sentíamos a vossa falta, bem-vindos a esta Câmara do Meio!

Rui Bandeira


quarta-feira, 16 de abril de 2014

POR QUE OS MAÇONS DORMEM?



...” No pleno gozo de vossos direitos, podeis também ver, de um momento para outro, um usurpador declarar sua vontade, única lei, e, nesse caso, sereis levado a defender os direitos do povo e a majestade da lei, contra ele. A nação, hoje livre, pode amanha estar escravizada. Republica ontem, reino hoje, império amanha, tais são as fantásticas mutações da cena das nações” ...(ritual aprendiz – iniciação)
Muitas são as irregularidades e desmandos cometidos pelos que dizem atualmente governar pelo povo e para o povo.
A maçonaria sempre pugnou pela liberdade. O que aconteceu?
Os velhos ideais estão ultrapassados?
Por que não enxergamos o que esta acontecendo no Brasil?
Por que não nos indignamos mais, por que permanecemos dormindo?
Hoje o Brasil compra escravos, e aceitamos essa imoralidade, essa atitude criminosa, passivamente. Uma pessoa vem trabalhar em nosso país, seu passaporte fica retido, impedindo-o da liberdade de locomoção.
Recebe uma parcela irrisória de seu salário enquanto o grande montante é entregue ao seu proprietário. O fato do escravo aceitar a escravidão não elimina o crime ou a imoralidade do ato, e isto está escrito em nossas leis.
Nosso país hoje apoia o regime ditatorial comunista de Cuba e a sangrenta ditadura Venezuelana. Meu governo hoje apoia a tirania e a escravidão. Meu governo hoje não me representa, nem como maçom, nem como cidadão.  
Como cidadãos somos responsáveis pelo que acontece em nosso país. Nos encontramos com amigos em botecos e expomos nossa posição contrária aos erros, roubos, crimes e corrupção que impregnam nossa política, ou como eu, vem a loja, faz um discurso e a noite dorme tranquilo com a sensação de dever cumprido.
O que está sendo feito? Absolutamente nada.
Torno a perguntar: por que continuamos dormindo, fingindo não ver nada?
Do que temos medo?
De perder benesses?
A corrupção já está dentro desta casa?
Somos coniventes ou nos locupletamos com essa situação espúria?
É disso que seremos acusados amanhã se nada fizermos hoje.
A maçonaria tem a obrigação de combater tais erros. A maçonaria tem a obrigação de se posicionar contra a escravidão, contra a corrupção e contra a transgressão da lei.
Venho aqui propor um encontro entre veneráveis de lojas irmãs, ou de diretorias de Lojas e cobrar do GOB, Grandes Lojas, do GOEB, GLEB, GOBA um posicionamento (em suma, a todas as potencias brasileiras, GOB-COMAB-CMSB)(Grifo nosso).
Não é mais hora de falar, é hora de agir.
O que mais precisa acontecer nesse país para os maçons acordarem? 
Nilo Paraná Júnior   M.M
Cavaleiros do Claraval  2738  - Alcobaça, BA


terça-feira, 15 de abril de 2014

ONDE ESTÁ A FRATERNIDADE?



Queridos irmãos, 

Nós todos sabemos que a palavra “fraternidade” em latim é “fraternitate” tem o significado de “irmandade” ou “conjunto de irmãos”, sendo usada inicialmente na idade média na designação de inúmeras associações de caráter mais ou menos esotérico e de fundo religioso.   

Atualmente tem várias acepções: parentesco de irmãos, irmandade, união, convivência como irmãos; harmonia, paz, concórdia e amor ao próximo.

Na trilogia maçônica “liberdade, igualdade e fraternidade”, a fraternidade é a base, o sustentáculo da liberdade e da igualdade, isto quer dizer, que nós maçons, devemos em primeiro lugar, colocar a fraternidade em prática para podermos galgar o aperfeiçoamento do nosso próprio “eu”.

Sempre procuramos dizer e demonstrar na vida profana e até mesmo dentro da maçonaria, que somos pessoas íntegras, honestas, caridosas etc.

Mas, na verdade faltamos com a fraternidade que é a base de tudo que intrinsecamente somos. Já ouvimos muitas vezes dizer que nada somos perante o G.'.A.'.D.'.U.'. se não praticarmos a caridade-fraternidade, até mesmo a fé é morta sem as obras.

A maçonaria condena o despotismo e trabalha, incessantemente, para unir a espécie humana pelos laços de fraternidade.

Precisamos pensar e refletir muito nessas coisas que estamos deixando de lado sem praticarmos e que não estamos dando nenhuma importância. 
Será que estamos realmente desbastando a Pedra Bruta? 

Ou estamos apenas fingindo, enganando a nós mesmos, sem progredir espiritualmente, parados no mesmo degrau da escada de Jacó onde colocamos nossos pés pela primeira vez e não conseguimos mudar de degrau, de subirmos rumo ao seu cume onde todos nós almejamos e que de uma maneira ou de outra, até mesmo por comodismo ou até por covardia, por não agregarmos às nossas forças (atitudes e demonstrações aparentes) a fraternidade, as obras? 

Queremos apenas fazer parte desta tão sublime instituição que é a Maçonaria de podermos usufruir sermos maçons ou realmente iniciamos nesta sublime instituição milenar para praticarmos a liberdade, a igualdade e fraternidade? 

Temos é que fazer alguma coisa para o nosso próximo, começando aqui dentro, começando dentro de casa.

Queridos irmãos, quando viemos fazer parte desta instituição “Maçonaria” que é uma instituição milenar e mais antiga do mundo, onde poucos têm o privilégio de vir a fazer parte e que sempre ouvimos falar que as qualidades mais raras em um ser humano lá no mundo profano, para nós maçons, não passa de uma insignificante e mera obrigação, de sermos bons.

Temos que procurar fazer alguma coisa para mudarmos e corrigir isso, estamos de passagem por aqui na terra e estamos faltando com a fraternidade. 

Onde está esta fraternidade que pregamos tanto?

Está em não cumprirmos com nossas obrigações de maçons e falharmos com o juramento que fizemos sobre o livro da lei, o livro sagrado, a bíblia? 

Juramos quando iniciamos, e continuamos a jurar até hoje em todas nossas sessões, a guardar segredo de tudo que vemos e que tratamos aqui.

Juramento que fizemos em praticar a fraternidade e assim, como conseqüência, ir galgando a escada de Jacó.

Fraternidade, meus irmãos, agente se encontra a cada momento, a cada dia, em tudo que fizemos em prol do aperfeiçoamento do ser humano e que fazemos sem segundas-intenções e sem esperarmos nada em troca, mas que pela infinita misericórdia do G.'.A.'.D.'.U.'. , este ser supremo que todos nós acreditamos e que é Deus, sempre estamos recebemos setenta e sete vezes sete o que praticamos em prol do aperfeiçoamento do ser humano e para o amenizamento de seus sofrimentos. 

Quanto mais agente faz e quanto mais agente dá, mais agente recebe. 

Como poderemos receber? como poderemos ser ajudados? como poderemos ser socorridos? se agente não sabe o que é fraternidade, o que é o sabor de doar, de dar, de ser útil a alguém, sem pensarmos em receber alguma coisa em troca ou até mesmo de sermos beneficiados depois, tirar algum proveito em cima disso. 

Fraternidade é coisa séria, até a igreja faz anualmente uma campanha, que é chamada de campanha da fraternidade, sempre com um slogan diferente. só iremos encontrá-la e sabermos realmente o que significa, quando agente vivê-la.


Pensemos nisso, meus irmãos e a colocamos em prática. só assim, saberemos realmente onde está a fraternidade que o mundo inteiro prega e que nós não vemos.


Ir.'. Sebastião Eustáquio da Silveira - M.'. M.'.

A.'.R.'.L.'.S.'. Deus, Justiça e Fraternidade – 223
Or.'. de Passos - MG

domingo, 13 de abril de 2014

O PERFIL MAÇÔNICO


Através da história tem o homem manifestado uma tendência, que diríamos inata, de lutar e trabalhar em grupos, de se compor em organizações e formar associações, quer procurando a satisfação de seus anseios individuais, quer buscando alcançar suas metas grupais, a que isoladamente não poderia jamais chegar.

Houve, até, agrupamentos humanos, como os colégios funerários romanos, que visavam unicamente dar a seus membros, no final de suas vidas, um enterro e uma campa decentes.

Floresceram as Guildas e corporações intensamente durante toda a Idade Média, estendendo? Se quase até o final da Idade Moderna. Essas associações tinham o escopo principal de agregar os profissionais de uma determinada atividade, tanto para se protegerem mutuamente, como para tratar da defesa dos interesses gerais da classe.

Mais recentemente, os historiadores concluíram através de suas pesquisas que esses colégios, corporações ou Guildas, além de sua finalidade material e ostensiva, também tinham entre seus membros ligações mais íntimas de caráter religioso, e que sua reunião, de um modo geral, ser realizavam acobertada pelo segredo e obedeciam a determinados rituais e esquemas rígidos de trabalho.

É inegável, porém, que todas tinham sempre o fato de um interesse comum ligado ao modo de vida dos associados, principalmente sob o aspecto profissional. Os rituais e senhas de reconhecimento eram unicamente um elemento de ligação entre os membros, mantendo não somente o grupo unido, mas também tornando as reuniões mais rigidamente ordenadas e produtivas.

Qualquer cidadão que quisesse pleitear seu ingresso deveria identificar-se com o grupo, e assumir o compromisso de trabalhar incansavelmente pelo bem comum. A identificação de interesses com os dos futuros companheiros era essencial, e cada candidato era rigorosamente submetido a uma sindicância prévia para analisar suas verdadeiras intenções e capacidades.

Tentava-se evitar, a todo custo, que um iniciado viesse a prejudicar a harmonia do grupo. Por isso, cada associação estabelecia um perfil avaliativo do cidadão a ser iniciado, e somente quem a ele perfeitamente se adaptasse lograria ser aceito.

A definição desse perfil era considerada uma necessidade indispensável para que a organização pudesse seguir homogênea e ativa na luta por seus ideais. A fixação das características essenciais do candidato e sua exata definição não poderiam ser desprezadas sob nenhuma forma sem o perigo de graves danos à comunidade.

Temos aí uma premissa básica a ser seguida se quisermos um grupo unido e coeso, capaz de atingir suas finalidades, grupais ou individuais. Não se pode permitir a existência de vozes contrárias e destoantes comprometedoras da boa ordem dos trabalhos. A história nos diz que as Guildas, corporações e colégios seguiam rigorosamente esse estatuto, observância que lhes deu vida por mais de mil anos.

É muito natural, portanto, que a Maçonaria, como toda e qualquer sociedade que se proponha altas finalidades sociais, estabeleça um rígido perfil para enquadramento dos candidatos à iniciação, perfil esse que deve delinear com precisão as qualidades básicas mínimas e indispensáveis desejadas.

“Já é nosso hábito dizer que somente damos ingresso a homens livres e de bons costumes”. Essas qualidades, contudo, nos parecem absolutamente vagas e imprecisas, por não serem capazes de definir a verdadeira personalidade de alguém.

É mister procurar com denodado empenho uma elaboração mais exata para o perfil das pessoas que queremos trazer para o nosso meio e engajar na luta pelos ideais maçônicos. Necessitamos, na realidade, de verdadeiros homens de iniciativa, com decisão de luta pelo bem comum de nossa sociedade, que possam efetivamente envolver-se com o nosso grupo, com disposição também de dedicar-se sem esmorecimento à elevação de seu nível cultural individual.

Ser "livre e de bons costumes" seria apenas um poluo de partida para analisar um candidato; porém em segundo lugar, mas não secundariamente, aquilatar outras qualidades imprescindíveis como disposição para o estudo sério, para a filantropia, para a luta pela solução de problemas sociais, disposição para lutar, enfim, por uma boa causa.

Em suma, queremos homens "livres e de bons costumes" sim, mas também culturalmente avançados, verdadeiros líderes sociais, intensamente dedicados à busca da perfeição não somente em si mesmo mas em toda a humanidade. É neste ponto que se origina a maior parte dos problemas internos de nossa Ordem.

É notoriamente difícil encontrar candidatos que se ajustem com perfeição a esse perfil, ainda mais porque essa exigência tolhe o desejo de muitas Lojas que querem a todo custo aumentar os seus quadros, como se isso representasse algum fato positivo em seus trabalhos.

Mas, analisemos mais pormenorizadamente as duas qualidades referidas inicialmente, e que sempre mencionamos em nossos trabalhos: "Livre e de bons costumes". Verificaremos que se presta a interpretações ambíguas, pois têm um sentido demasiadamente amplo e indefinido.

O que é um homem livre?

Livre para ir e vir conforme assegura a Constituição Brasileira? Livre em contraposição a escravo? Livre de laços de juramento com outras associações similares? Livre das imposições do seu meio social? Livre de pressões de parentes e amigos? Livre de pensamento?

Seria, ainda, ser livre contar com a coragem suficiente para arrostar com a reprovação da sociedade para com todo aquele que tenha a ousadia de ser diferente, diferente apenas, do pensar da maioria?

Provavelmente naqueles primeiros tempos em que a Maçonaria Especulativa começou a substituir à antiga Maçonaria Operativa, quando as Guildas de pedreiros vinham perdendo sua finalidade em virtude da vulgarização dos segredos de construção, a expressão "livre" era entendida em seu sentido literal, ou seja, livre da peia de ser escravo ou servo.

Evidentemente não é mais essa a conotação de liberdade que hoje referimos, eis que no oriente, no sentido estrito da palavra, não temos mais escravos, embora devamos admitir que uma família que receba apenas um salário mínimo esteja em piores condições do que um escravo, pois a este se garantiam a comida, a moradia e o vestuário.

O termo livre tem hoje uma interpretação muito mais nobre em nossas sindicâncias, sendo definida em sentido mais de liberdade mental do que física. Entendemos como homem livre, ou deveríamos sempre entender, aquele com coragem suficiente e evidente capacidade de escolher livremente os seus passos, e determinar ele próprio os rumos de sua vida. Homem livre é um homem de iniciativa, dono de seu próprio destino, que ousa pensar sem imposição de limites para isso.

Mas, poderá um homem livre assim praticar alguma religião carregada de afirmações dogmáticas, e ser ao mesmo tempo um maçom convicto? Evidentemente que sim, desde que ele adote essa fé e seus dogmas como uma livre escolha sua, como urna conclusão de seu processo cognitivo, como um ponto de chegada de sua busca intelectual; desde que ele aceite esses dogmas como uma verdade plausível perante sua consciência.

Certa vez, em viagem, identifiquei-me junto a alguém que de antemão sabia ser maçom. Ele correspondeu, mas imediatamente esclareceu que abandonara nossos trabalhos porque seu pároco, ele era católico, lhe dissera que teria de optar entre Maçonaria e Igreja, pois as duas se excluíam mutuamente.

Evidentemente esse ex-Irmão não chegou a conhecer nossa Ordem, como não conhecia sua própria religião. Não era tampouco, seu procedimento o denunciava, um homem livre; tinha necessidade de alguém a pensar por ele. Possivelmente teria sido mais uma vítima da preocupação que algumas Lojas têm de aumentar os seus quadros. Uma sindicância um pouco mais rigorosa teria mostrado que ele não deveria ter sido iniciado.

Liberdade não é uma aparência externa do indivíduo, é antes uma condição interna que permite agir sem condicionamento e sem constrangimento, sem limitações impostas por outrem. Liberdade é uma posição conscientemente assumida, tolerada apenas a limitação da própria capacidade intelectual. Essa posição não será revelada pelo comportamento visível de um candidato, somente o seu passado o revelará.

Mas, há um segundo quesito' que costumamos exigir dos que desejam a Iniciação: ser um homem de bons costumes. Esta é uma expressão muito mais ambígua ainda. Tentemos defini?Ia e veremos quantas dificuldades se nos depararão. "De bons costumes" é popularmente considerado aquele hábito que leva o cidadão a proceder de acordo com a maioria de seu meio social, a seguir os usos gerais de procedimento adotados como corretos pelo grupo dominante.

Conheço homens que são considerados "de bons costumes" apenas porque publicamente se comportam segundo um padrão preestabelecido. Não têm títulos protestados, são pontuais no pagamento de suas dívidas, têm ficha policial sempre limpa, mantêm oficialmente um lar com esposa e filhos, em suma, na aparência externa, nada se provará contra eles, e uma sindicância superficial não os condenará. Mas no seu foro íntimo, são verdadeiros tiranos com seus inferiores e seus familiares, fazem quaisquer negócios escusos quando podem esconder a mão, aceitam e dão propinas e subornos; são cidadãos que pensam exclusivamente em seu próprio bem-estar e posição social.

Não se pode naturalmente definir um homem por suas aparências sociais. Ser realmente livre e de bons costumes são facetas muito íntimas de foro interno de cada um, que não podem ser aquilatadas por uma mera e superficial análise externa, muitas vezes eivada de considerações e influências pessoais.

Há que se recorrer a outros meios que não esses prismas para analisar corretamente o perfil moral de um homem. O seu passado deve ser percorrido. Como disse muito sabiamente o escritor grego Políbio, não é o presente que define um homem, mas sim os atos e fitos de sua vida pregressa.

Percorramos a estrada da vida de nossos candidatos. Procuremos ver o que eles já fizeram pelos seus semelhantes, se eles têm efetivamente participado de atividades sociais, se já têm voluntariamente assumido trabalhos comunitários, se têm demonstrado espírito de iniciativa.

Se um homem já se aproxima da metade de sua vida e nunca participou ativamente da solução dos problemas de sua comunidade, se é adepto de uma religião e se limitou a assistir passivamente aos cultos em ocasiões obrigatórias, se em matéria de cultura nunca foi além da leitura superficial de jornais e revistas, poderemos afirmar com certeza que é assim que ele será em nossas Lojas.

Jamais nossa Ordem poderá contar com ele. Não é por entrar para a Maçonaria que alguém se tornará homem atuante do dia para a noite, ou virá a ser um homem interessado em seu desenvolvimento pessoal. Jamais será um verdadeiro Maçom.

Não poderemos aceitar como digno de Iniciação alguém que de positivo apresente apenas a característica de ser um bom cidadão, ou que seja considerado de bons costumes por não ter feito mal a ninguém. Essa máquina com que datilografo estas linhas também pode ser considerada boa porque não faz mal a ninguém; ela é exatamente como aquele cidadão, apenas bom, mas que para produzir algo proveitoso deve ser permanentemente manejado.

Ao acolhermos a apresentação de novos candidatos, deveremos fazer prevalecer sempre o bom senso e a responsabilidade, tanto dos apresentantes como dos sindicantes, do corpo da Loja, da Administração Central do Grande Oriente. A análise dos dados apresentados deve ser profunda e cuidadosa. O passado do apresentado deve ser à base de uma pesquisa muito ampla e conscienciosa.

As liberalidades para com amigos e pessoas por ocuparem cargos de destaque têm permitido que entrem para nossa Ordem muitos candidatos que nada mais são do que simplesmente livres (não escravos) e de bons costumes (apenas bons cidadãos), mas cujo passado nada mais mostra do que um caminho deserto sem nada de positivo a ser anotado.

A condescendência, as liberalidades, os precedentes são o grande mal que afligem o funcionamento de muitas associações, e principalmente não poucas de nossas Lojas.

Como são raros os candidatos que poderiam se enquadrar no perfil de perfeição que tentamos delinear, e como muitas Lojas deixam entrever um desusado interesse em ampliar o quadro de seus obreiros, possivelmente para encobrir a falta de outras iniciativas mais substanciosas, verifica?Se um apressamento dos cerimoniais de Iniciação. Freqüentemente, por isso, são iniciadas pessoas que nada trarão para nossa Instituição, muito ao contrário, sua inércia será muito prejudicial e contagiante.

E a observância do perfil rigoroso antes estabelecido vai se abrandando. As considerações de amizade e uma indisfarçada admiração por quem ocupa cargos públicos importantes, forçam um relaxamento do processo de seleção. De concessão em concessão se inicia uma reação em cadeia.
Os mesmos que foram iniciados em virtude de uma sindicância facilitada, quando por sua vez apresentarem os seus candidatos usarão um perfil ainda mais diluído.

O nível geral da Ordem, como estamos assistindo nesse momento histórico, vai decaindo, não no sentido moral evidentemente, mas pela ausência de homens dinâmicos com quem a Maçonaria necessita contar para poder atingir os seus altos objetivos. A própria freqüência aos trabalhos, por vezes muito aquém do desejado, é um atestado desse fenômeno.

Embora devamos admitir que a condescendência se tomasse quase universal, afetando em todo mundo as associações de qualquer natureza, ela não deveria existir na Maçonaria, dada a seriedade com que costumamos encarar nossos trabalhos. Essa reação em cadeia também vem nos atingindo, levando para baixo o nível de nossa eficiência, tão decantada em outros tempos.

Nossa atenção a esse fato social deverá ser dobrada, agora, para que não deixemos chegar esse nível a um patamar perigoso, pois a experiência evidencia que quando isso ocorre à própria existência da associação se vê ameaçada.

Muitos membros de nível cultural mais elevado poderão se afastar silenciosamente por não encontrarem guarida para seus esforços pela dinamização da luta por ideais que tanto apregoamos serem nossos.

Qualquer associação que se permita cair no conceito de seus próprios membros está chegando a um limiar indesejável e perigoso para a sua própria sobrevivência.

Nossa Ordem nunca poderá ser maior ou melhor do que o forem os Irmãos que a constituem. Nem se aceitará aquela observação de alguns pusilânimes que dizem querer deixar a Instituição porque não encontraram nela o que procuravam, pois habitualmente nada fizeram ou fazem para modificar a situação. A Maçonaria será tão grande e boa quanto nós, os Irmãos, se formos grandes e bons individualmente.

Esses que assim pensam são exatamente aqueles que em sua vida pregressa nada fizeram de grandioso e meritório, e entraram na Maçonaria pensando que ela faria isso por eles; pretendiam apenas engrandecer-se à custa dos Irmãos.

Cuidemos para que não entrem para o nosso grupo aqueles que Cristo já rejeitou como nem frios nem quentes: os medíocres.

Os pusilânimes não fazem história, são apenas levados de roldão. Percorramos a trilha da história da humanidade e veremos que ficaram apenas os nomes dos que foram ou muito bons ou muito maus. Procuremos ficar na evidência por termos sido muito bons, muito grandes em nossa luta por uma vida melhor, por uma MAÇONARIA GRANDE E UNIDA.

Ir.’. Ambrósio Peters


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