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“SÓ PUBLICAMOS TRABALHOS RELACIONADOS COM A ORDEM MAÇÔNICA”

ACEITAMOS A OPINIÃO DE TODOS, DESDE QUE O COMENTÁRIO SEJA ACOMPANHADO DE IDENTIFICAÇÃO E UM E-MAIL PARA CONTATO.


“NÃO SERÃO ACEITOS COMENTÁRIOS ANÔNIMOS”

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

CONTRADIÇÃO FUNDAMENTAL



A Maçonaria regular só admite no seu seio crentes. Deixa, porém, ao critério de cada um a crença concreta que cada um professa nada lhe importando a forma como cada um vive a sua crença.

As obrigações que respeita (ou infringe...), a forma como se organiza (ou não) a estrutura que porventura enquadre a prática da religião professada, nem sequer a designação que cada um atribui à divindade que concebe e em que crê. Por isso, adotou uma forma de se referir à Divindade por cada um venerada, que é independente da designação utilizada em qualquer religião e que pretende seja reconhecida por cada crente como se referindo à Divindade da crença que professa: Grande Arquiteto do Universo.

Assim, para a Maçonaria, um maçom pode perfeitamente, sem problemas ou reservas, ser católico, batista, anabatista, mórmon, pentecostal, evangélico, luterano, calvinista, testemunha de Jeová, muçulmano, judeu, hindu, ou o que quer que seja. A sua crença é do seu foro íntimo e é com ela que se junta aos demais maçons para que, em auxílio mútuo, cada um se aperfeiçoe pessoal, ética, moral e espiritualmente.

No sentido inverso, no entanto, as coisas não se processam de forma tão simples e clara. 

No âmbito da religião católica, é conhecido que repetidas vezes vários Papas emitiram documentos de condenação da Maçonaria, tendo mesmo, durante largo tempo, o Código de Direito Canônico punido com a excomunhão o católico que a ela aderisse. Hoje, não é já assim, mas o último documento proveniente da Cúria Romana continua a não ser particularmente simpático para a Maçonaria: 

Permanece, portanto imutável o parecer negativo da Igreja a respeito das associações maçônicas, pois os seus princípios foram sempre considerados inconciliáveis com a doutrina da Igreja e por isso permanece proibida a inscrição nelas.  Os fiéis que pertencem às associações maçônicas estão em estado de pecado grave e não podem aproximar-se da Sagrada Comunhão.

(excerto da Declaração sobre a Maçonaria de 26 de novembro de 1983 do então Prefeito da Congregação Para a Doutrina da Fé, Cardeal Ratzinger).

No âmbito da religião islâmica, também se conhecem posições de responsáveis nada lisonjeiras para a Maçonaria:

Dado que a Maçonaria se envolve em atividades perigosas e é um grande perigo, com objetivos perversos, o Sínodo Jurisdicional determina que a Maçonaria é uma organização perigosa e destrutiva. Todo o muçulmano, que se filiar nela, conhecendo a verdade dos seus objetivos, é um infiel ao Islã.

(excerto final do parecer de 15 de julho de 1978 do Colégio Islâmico Jurisdicional).

No campo das crenças cristãs resultantes da Reforma, também não é difícil encontrar posições contrárias à maçonaria:

A COMISSÃO FAZ A SEGUINTE PROPOSTA:
1) - QUE SEJA REAFIRMADA A POSIÇÃO DA ASSOCIAÇÃO CONTRÁRIA A MAÇONARIA E OUTRAS SOCIEDADES SECRETAS;
(...)
4) - QUE A AIBRB FAÇA UM APELO COM BASE NO AMOR CRISTÃO, AOS CRENTES FILIADOS À MAÇONARIA, PARA QUE, POR AMOR A CRISTO E AO TRABALHO DE DEUS QUE NOS FOI CONFIADO, AFASTEM-SE DE TAL SOCIEDADE.

(excertos de proposta aprovada na 12.ª Assembleia da Associação das Igrejas Batistas Regulares do Brasil).

Não é de estranhar que existam posições antimaçônicas em vários setores ou hierarquias - normalmente os mais integristas, ortodoxos ou fundamentalistas - de várias confissões religiosas, se tivermos em atenção à contradição fundamental entre a Maçonaria e as religiões.

Cada religião, e particularmente nas religiões monoteístas, considera que o seu caminho, a sua doutrina, a observância dos seus preceitos é que conduz à Salvação. Portanto todos os que se posicionam no exterior do seu caminho, da sua doutrina, dos seus preceitos, estão destinados à Perdição.  

Já para a Maçonaria, a questão não se põe nestes termos. Cada um é livre de seguir o seu caminho, de professar a sua religião, de seguir os preceitos dela e todos são considerados iguais e aptos para serem bons e se tornarem melhores.

A Maçonaria (o maçom) não concebe que o mesmo Criador, chame-se-Lhe Deus, Allah, Jeovah, Krishna, Manitu, ou o que se Lhe chamar, conceba, admita, queira, que os que O veneram por um nome sejam salvos e os que O conhecem por outro se percam, que os que seguem preceitos de uma Tradição religiosa recebam eterna recompensa e os que tiveram a desdita de nascer e viver num ambiente com diversa Tradição religiosa eternamente sejam punidos. 

Para a Maçonaria, o que importa é o comportamento, a postura ética, o reconhecimento do Transcendente e do Divino, não o cumprimento específico de normas, de práticas, de posturas, quantas vezes decorrentes de diversos ambientes, de diferentes culturas, de separações feitas pelos homens daquilo que o Criador fez igual.

Para a Maçonaria não há caminhos certos nem errados. O caminho de cada um é o certo para ele, se estiver de boa-fé e for perseverante nos seus propósitos.

A contradição fundamental entre a Maçonaria e as diferentes hierarquias religiosas está na Tolerância, que é inerente à Maçonaria e que os integristas, os ortodoxos e os fundamentalistas não aceitam. Tão simples como isto!

Rui Bandeira


segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

AS DECEPÇÕES COM A MAÇONARIA



Meu irmão!

Faz um bom tempo que não nos encontramos, lembro sempre da tua presença alegre, prestimosa e fraterna, em nossa antiga oficina de desbaste da pedra bruta, a qual, proporcionou a nossa iniciação maçônica.

Estás frequentando, participando, em outra Ordem Maçônica?

A resposta que mais tenho ouvido, - não participo mais, me decepcionei com a Maçonaria!

Na verdade, aqui no meu Oriente, conheço mais de cem irmãos maçons que estão adormecidos, isto é, não fazem mais parte dos Augustos Trabalhos.

Escolhi a imagem de uma colmeia para ilustrar o presente texto, para que façamos uma reflexão:

Respeito, e acato as comparações simbólicas, que já li e ouvi, quando são feitas analogias entre uma colmeia e uma Loja Maçônica, porém, na colmeia o produto elaborado, o mel doce e nutritivo, não é compartilhado com mais ninguém, inclusive, uma, ou centenas de abelhas preferem à morte, a permitir que alguém fora do seu meio, do seu habitat, possa usufruir do produto produzido, mesmo que haja abundante sobra.

Também, que a abelha rainha é soberana, pois somente ela pode gerar novas trabalhadoras e futuras rainhas que trabalharão formando novas colmeias.

Ainda é preciso considerar que, existem agentes inimigos, predadores naturais, como, fungos, vírus e bactérias, além de certos animais e alguns seres humanos que, sem nenhuma noção do valor de preservação, podem destruir completamente uma colmeia.

É neste sentido que pretendo me ater, desenvolvendo as minhas considerações e comparações simbólicas a respeito dos irmãos maçons decepcionados, e depois, adormecidos.

Todo o maçom é desde a sua iniciação, sua constituição, sua criação, e daí em diante, de sua participação em Loja, é incitado, estimulado a trazer com ele o germe, o néctar, o amor pela vontade de se entregar ao constante aprendizado. 

Muitos irmãos maçons, infelizmente, trazem os fungos, as bactérias, os vírus da vaidade, da prepotência em impor valores profanos destrutivos da fraterna amizade.

Estes também podem ser comparados com os zangões que fecundam a rainha, no caso a potencia, para o ganho de novos adeptos, porém, como são nulos nas demais atividades, são jogados fora, quando geralmente, os acompanham aqueles a quem convidaram e ingressaram, e que também acabam se desiludindo, decepcionando.

E os irmãos bem intencionados, geralmente iniciando a carreira maçônica, dispostos a cumprir as normas e leis maçônicas, como se sentem, como ficam? 

Quando constatam que nada daquilo que a ritualística apresenta como fundamentos essenciais ao bom viver maçônico, ao crescimento bem ordenado, disciplinado, hierarquizado, não acontece no interior do Templo da Virtude?

Ainda mais, quando a abelha rainha, - comparada a uma potência maçônica, através do seu comandante, o grão mestre, comete desatinos, desmandos extrapolando a autoridade da qual está investido.

É certo que se decepcionam, e decepcionados se afastam, adormecem.

Aconteceu a pouco por aqui, quando um grão mestre, saiu do seu Oriente e veio para fomentar discórdias, a ponto de considerar inimigo quem não mais pertencia à sua Ordem, e o pior, veio destruir o belíssimo trabalho de construção de uma Loja de Maçons Universitários.

Reconheço humildemente as minhas deficiências e imperfeições!

Porém, jamais fui falso, desonesto e profanamente interesseiro, pois, sempre desejei e desejo sim, me manter interessado, motivado em praticar e fazer Maçonaria!

Desta forma, na Cadeia de União, sempre me dou conta da universalidade da Maçonaria e emociono quando unido aos meus irmãos, repetimos, - irmãos visíveis e invisíveis, presentes com o corpo e com pensamento, velem por estes homens!

A grande verdade é que a Maçonaria Universal não decepciona ninguém!

Alguns maçons que A constituem são os que decepcionam!

 Entendo que um maçom deve perdoar sempre, as ofensas pessoais, os agravos, mesmo os que tentam atingir a sua honra e a sua dignidade!

Porque o Ideário Maçônico está acima dos irmãos que se entregam de verdade na propagação dos Trabalhos da Arte Real.

Ainda mais que, - o Grande Arquiteto do Universo, Deus, é Justo e Perfeito!

Cabe a Ele, o Supremo Árbitro de todos os mundos e de todas as coisas, julgar a todos nós maçons, que, de livre e espontânea vontade, juramos com a mão direita sobre o Livro da Lei, a Bíblia Sagrada; entre outros compromissos morais espirituais o de defender e ajudar daí em diante, os nossos novos irmãos em toda a superfície da Terra.

Também porque todos os maçons são alertados, - não façais aos outros aquilo que não quereis que vos façam.

Portanto, repito: A Maçonaria jamais decepcionará aos que desejam com persistência, com boa vontade, com boa fé, com estudo e participação em Loja, - Trabalhar para Tornar Feliz a Humanidade.

Ir.'. Orlei Figueiredo Caldas M.'.I.'. 33°


quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

DILEMAS MAÇÔNICOS



Ao longo da vida de um maçom, ele irá ser confrontado com vários tipos de dilemas e situações em que terá de refletir sobre as decisões a tomar e a responsabilizar-se pelo que decidir e optar.

Neste texto em concreto, irei abordar apenas alguns dos potenciais "dilemas" que serão possíveis de aparecerem ao longo do percurso de uma "vida maçônica".

Naturalmente que não irei responder a nenhuma das questões ou dilemas que irei apresentar porque a ideia é levar à reflexão sobre as mesmas e as ditas respostas apenas poderão ser dadas e concretizadas por quem por estes dilemas passar. E, portanto, tal poderá diferenciar de pessoa para pessoa como de situação para situação.

E como tal ação "reflexão/execução" é do foro privado de cada um, considero apenas que tal deve ser feito da melhor forma que considerem que lhes serve e com a qual se sintam melhor, por forma a não se prejudicarem nem a prejudicar terceiros.

Deste modo passarei a citar potenciais dilemas que existem ou poderão vir a surgir durante a caminhada maçônica a que se proporá um maçom a fazer:

* Encontrando-se um maçom há tempo considerado suficiente para progredir (subir de Grau) e tal ainda não ter sucedido, por questões que lhe sejam alheias...

* Pertencer ao quadro de obreiros de uma Respeitável Loja e já não se identificar com a generalidade dos seus membros...

* Estar numa Obediência, mas sentir que deve prosseguir o seu caminho noutra que não a original...

* Auxiliar na fundação de uma nova Respeitável Loja e consequentemente não ter a certeza em qual ficar a pertencer em "exclusividade"...

* Se sentir desapoiado ou desintegrado da Respeitável Loja que o acolheu, mas pretender continuar a seguir uma vida na Maçonaria...

* Ter atingido o grau de Mestre e não saber decidir se deve optar pela continuação dos seus "estudos maçônicos" nos designados "Altos Graus" ou "Graus Filosóficos"...

* Ter entrado numa Ordem Maçônica e ter afinal chegado à conclusão que não se identifica com a sua substância, mas que se sente integrado e gosta de conviver com os seus "Irmãos"...

Estas questões que acima apresentei são, por certo, dilemas que um maçom poderá vir-se a debater, seja na sua totalidade ou em parte. E saber o que fazer é que será o xis da questão.

Não será fácil decidir sobre tal, mas também não poderá tal ser feito de uma forma intempestiva, dadas as consequências que por norma advêm de tais decisões.

Estas decisões ou escolhas deverão ser feitas após uma reflexão extensiva e ponderada, por forma a que nada nem ninguém saia beliscado com a decisão final a ser tomada.

-Não existe ação sem reação, já o afirmava Lavoisier... -

 E gerir este tipo de situações e enquadrá-las como deverão ser feitas, sem melindres ou condicionantes, será difícil o fazer, apesar de não ser impossível tal. Respeito e Amor Fraterno serão essenciais para levar a bom porto qualquer decisão que venha a ser tomada e executada!

O melhor conselho que posso dar a quem passa ou puder vir a passar por alguma das situações que abordei é que um processo refletivo aprofundado e debatido com quem nos tiver mais próximo e também que nos possa elucidar sobre o tema é sempre bem-vindo, pois trará alguma "luz" à situação. 

Mas, importa ter em atenção que a decisão a ser tomada deve impreterivelmente ser confortável para quem a toma. Uma vez que é fundamental  que quem decide deve estar de bem consigo e com o seu "espelho", e não obstante, se sentir integrado e apoiado na decisão que vier a tomar, seja ela qual for. 

Isto é deveras importante, pois é normal sempre surgirem opiniões adversas que colidam com o interesse de quem tem de decidir o que fazer e/ou o caminho a tomar. Pois a vida é feita de ações/atitudes, tanto que as palavras são usualmente levadas pelo vento.

É preciso sentir, refletir e por fim, decidir. 
Se bem, se mal, apenas o tempo o poderá demonstrar, mas queira o Grande Arquiteto do Universo iluminar com a sua sapiência quem passa por estas situações, pois de fato não são fáceis por quem por elas passa ou tem de passar. O apoio dos seus Irmãos será crucial nesse processo refletivo e consequente ação.

Mais que tudo, o importante é se estar confortável (como já afirmei) com a decisão e que nos sintamos bem no local onde estivermos ou no sítio onde viermos a estar a pertencer. Nada será mais relevante que isso.

Por isso meus queridos e estimados Irmãos, se passarem por alguma destas situações que abordei, pensem, repensem, clarifiquem e somente depois façam!

O resto virá por si…

Nuno Raimundo


sábado, 17 de fevereiro de 2018

P E R I G O S O - Q U I T E P L A C E T



O tema é polêmico e merece ser estudado com seriedade pelos Irmãos.
Frequentemente, confundimos benevolência com negligência.

O instrumento do Quite Placet é um direito e até mesmo uma benesse que o IRMÃO pode requerer. Seja por motivo de trabalho, mudança, ou até mesmo por não querer fazer mais parte da Loja ou da Maçonaria. Existem milhares de motivos.

Mas compreendam que a proposição do Quite Placet deve vir do Irmão. Trata-se de uma escolha pessoal. Estando ele em dia com suas obrigações para com a Loja, basta apenas uma comunicação feita à direção da Loja.

O problema se apresenta com os “Irmãos Terríveis”, aqueles que trazem desarmonia, criam discórdia, não trabalham e dão trabalho. Muitas vezes, por falta de pulso e seriedade de toda a Loja, os Irmãos o “convencem” a pedir o Quite Placet, pois será o caminho mais fácil ou considerado o melhor caminho.

Melhor caminho para quem? Para a Loja que se viu “livre” do nome do Irmão em seu Livro de Obreiros, mas que constantemente gravará seu ne varietur no Livro de Visitantes?

Desta forma, ele continuará a falar despropósitos em Loja e sua presença será motivos para a ausência dos bons obreiros.

Se este Irmão não serve para trabalhar com os Irmãos da Loja “X”, por que servirá para a Loja “Y”?

Quando o problema está na Loja, o Irmão que não se sente bem ou não pactua com alguma situação, naturalmente se afasta, procurando outra Loja.

Assistimos também a desenrolares desarmoniosos em nível de Potências e Lojas co-irmãs. Uma Loja dá o Quite para o Irmão e este procura na sua cidade outra Loja que o acolhe, (pois ele esta devidamente regular), acaba por criar ressentimentos na Loja Mãe.

Sejamos objetivos: Se o Irmão não tem valor para sua Loja, não terá também para as outras.

Se identificarmos o Irmão como um “Profano de Avental” é hora de o colocarmos para fora da Sublime Ordem.

Comportamentos dentro ou fora do Templo que não coadunam com a moral e éticas maçônicas, devem ser punidos com exclusão ou expulsão.

Todas as Potências/Obediências têm em suas leis os instrumentos legítimos e adequados para esse essencial procedimento de “assepsia”. Não cabem aqui falsa tolerância e benevolência da fraternidade.

A pessoa expulsa pode continuar a ser seu parceiro de truco, companheiro de pescaria, amigo de buteco, mas não poderá ser um Maçom, pois suas atitudes negativas podem resvalar em todos nós.

A sociedade que assiste de fora ou que sofre com o comportamento inadequado, desonesto, ignorante deste profano de avental, desconhece o que seja uma Loja ou Potência.

Para a sociedade profana, a Maçonaria é uma coisa só.

Portanto, quando admitimos que um ou outro Irmão continue com comportamentos inadequados para a Sublime Ordem, estamos colocando sobre nós mesmos o olhar desconfiado, crítico das pessoas de fora da Maçonaria e muitas vezes trazemos para nós, o irado crivo da sociedade profana.

Vamos deixar de lado a negligência e atuarmos como corpo único. O que não serve para mim não vai servir para meu Irmão. Estudemos a Constituição da Potência/Obediência, o Regulamento Geral e os Códigos de Delitos e de Processo Penal Maçônico.

Não podemos deixar brechas para permitir a entrada e a presença de pessoas de mau caráter na Maçonaria.

TFA

Ir
Sérgio Quirino Guimarães
Delegado Geral do Grão-Mestre
G
LMMG
Fonte: Jornal do Aprendiz.



segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

A VERDADE



JOÃO 8·32 e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.

·SALMOS  51·6 Eis que desejas que a verdade esteja no íntimo; faze-me, pois, conhecer a sabedoria no secreto da minha alma.

A verdade, quantas vezes nos deparamos com esta esquina. Quem já não ouviu ou disse “... é verdade o que você me conta?” aprendi durante minha vida que toda história ou conto tem no mínimo três versões diferentes: a sua a minha e a verdadeira. Sabe por quê? Humanos somos demasiadamente humanos, parodiando Nietzche (Friedrich Wilhelm Nietzsche).

Como somos humanos, a luz da nossa razão é imperfeita, como pode a imperfeição da luz tornar exatidão? Decerto quanto mais puros de sentimento, quanto mais perfeito nosso grau de entendimento mais próximo da verdade estaremos. Não atingiremos nunca, lembra-se da máxima? (somos eternos aprendizes...) isto é uma verdade incontestável.

A verdade no lado simbólico é uma parede a ser levantado tijolo a tijolo, quanto mais evoluirmos mais alto esta parede fica, porem ventos podem soprar derrubar alguns tijolos, assentareis outros, busquei a verdade, e sua obra continuará, mas nunca terminareis esta parede, pois o espaço e o universo assim não o permite.

Pensar meus irmãos que a consciência humana, criação do G.A.D.U., é a principal diferença entre nós e os demais animais que coabitam este nosso planeta, e mesmo assim, conscientemente a destruímos.

Pode ser que procurar respostas sem encontrá-las seja um empecilho, um fardo, especialmente quando tomamos consciência de que jamais encontraremos a verdade! Triste noticia para os que esperavam alcançá-la. Pior ainda se esta informação nos afastar da busca.

O preguiçoso rende-se ao fútil, o falso buscador aquieta-se nesta dificuldade. Embora, intransponível, não deve bastar para deixar a busca de lado Racionalmente, a rendição parece um argumento lógico, razoável. Se a verdade é inatingível, para que insistir na caminhada? Se o objetivo fosse saber a verdade, faria sentido. Mas não é.

Preciso valer-me de analogias para expor meu pensamento. Suponha ser a verdade um objeto, e o nosso conhecimento a luz sobre este objeto. Podemos enxergar a verdade pela nossa luz, pela nossa óptica. Nossa luz precisa ser incolor para não interferir no objeto observado. Se iluminarmos um objeto branco com luz vermelha e perguntar a alguém sua cor, com convicção vai dizer que é vermelho!

É a convicção do limitado ignorante da verdadeira luz. É a certeza daquele que sequer sabe a pobreza da luz, incapaz de refletir sobre outras cores senão o vermelho. Mas se tiver eloquência, se souber trabalhar bem as nuanças das palavras, com oratória e sofismas carregará multidões, cegas pelo vermelho.

Aonde encontraremos o caminho da verdade? Não sei, mas Krishnamurti disse que “decerto não será seguindo as pegadas de ninguém, senão seremos cegos seguindo cegos, nos labirintos das nossas loucuras” Nenhum homem tem a formula da verdade. Temos o caminho da busca.

Ainda utilizando-me da analogia da luz interior, podemos observar a verdade somente com ela. Quanto maior nossa pureza, tanto melhor a qualidade da nossa luz, ou seja: menor interferência no objeto observado. Contemplaremos a verdade com absoluta isenção, todo seu esplendor será refletindo. Mas se somos puros, a verdade estará imersa em nós, daí inexiste a necessidade de observar a verdade, somos parte dela, coexistimos a esse fato.

Não competimos com ninguém nem com nós mesmos. Absorver cada passo da caminhada da nossa vida embriagarmo-nos com ela sem embebedarmo-nos, aprender, ensinar, aprender, ensinar, aprender ensinar. Aprender.

A Maçonaria é um meio, um método eficiente e eficaz de edificarmos um mundo melhor. Paradoxalmente, para conseguirmos um mundo melhor, de paz e evolução que é o nosso objetivo.

A.M. Anderson J Garcia
Bibliografia:
Fundamentos da Filosofia
Sois Maçom? – Editora Madras

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

AS QUATRO BORLAS



Para a Igreja Católica Apostólica Romana existem quatro virtudes cardinais ou virtudes cardeais que polarizam todas as outras virtudes humanas. Este conceito teológico destas quatro virtudes teve a sua origem inicialmente do esquema de Platão e adaptado por Santo Ambrósio de Milão, Santo Agostinho de Hipona e São Tomás de Aquino.

O conceito teológico destas quatro virtudes, segundo a Doutrina da Igreja Católica, elas são perfeições habituais e estáveis da inteligência e da vontade humana, que regulam os nossos atos, ordenam as nossas paixões e guiam a nossa conduta segundo a razão e a fé.

As virtudes cardeais são quatro:

 A prudência (originalmente “Sapientia” que em latim significa conhecimento ou sabedoria), dispõe a razão para discernir em todas as circunstâncias o verdadeiro bem e a escolher os justos meios para atingi-lo. Ela conduz a outras virtudes, indicando-lhes a regra e a medida, sendo por isso considerada a virtude-mãe humana.

 A justiça, que é uma constante e firme vontade de dar aos outros os que lhes é devido;

 A fortaleza (ou Força) que assegura a firmeza nas dificuldades e a constância na procura do bem;

 E a temperança (ou Moderação) que modera a atração dos prazeres, assegura o domínio da vontade sobre os instintos e proporciona o equilíbrio no uso dos bens criados, sendo por isso descrita como sendo a prudência aplicada aos prazeres.

“Pendente nos cantos da Loja estão quatro borlas, destinadas a nos lembrar das quatro virtudes cardeais, a saber: Prudência, Justiça, Fortaleza e a Temperança, a totalidade das quais, nos informa a tradição, era constantemente praticada pela maioria de nossos antigos irmãos”.

Esta provavelmente seja a referência mais conhecida sobre as quatro borlas, mencionada nos principais rituais Ingleses, Escoceses e Irlandeses, de onde derivam a maioria dos rituais do mundo.

As virtudes cardinais como esculpidas na tumba do Papa Clemente II na Catedral de Bamberg.



As Quatro Borlas pendentes dos quatro cantos da Loja que são mencionados nas instruções sobre o painel do Primeiro Grau, estão diretamente relacionadas com os métodos utilizados pelos mestres pedreiros operativos ao definir os quatro cantos do prédio e ao implantar os cantos em um canteiro de obra.

Mesmo hoje em dia, um mestre de obra, ao construir os cantos das linhas de um prédio irá suspender prumos a partir de suportes de madeira, adjacente aos cantos, para garantir que os cantos fossem perpendiculares, bem como corretamente localizados com relação aos demais pontos de canto estabelecidos.

Estas linhas eram também esticadas entre as linhas de prumo relevantes nos cantos, para garantir que as paredes seguiriam as linhas corretas e assegurar que os cantos estavam no esquadro e perpendiculares. As Quatro Borlas também aludem às linhas de prumo, que foram colocadas nos cantos do prédio durante a construção.

Em tempos operativos as Quatro Borlas que eram suspensas nos quatro cantos do alojamento representavam guias, que foram destinados a ajudar um maçom para manter uma vida justa e correta, de onde derivou a referência para as quatro virtudes cardeais que, tradicionalmente, são prudência, justiça, fortaleza e a temperança.


Em lojas modernas especulativas essas Quatro Borlas, representando respectivamente a prudência, justiça, fortaleza e a temperança, nesta sequência, deve começar no canto sudeste, que está ao lado esquerdo do Venerável Mestre, em seguida, avançar no sentido horário em torno do recinto da loja.

Hoje em dia borlas não é uma característica comum em templos maçônicos, mas geralmente são representados apenas pelo nome de uma das quatro virtudes cardinais em cada canto. Em linguagem atual temperança sugere moderação ou mesmo abstinência; fortaleza implica coragem no sofrimento; prudência transmite uma impressão de cautela e justiça implica em reconhecer o que é certo.

A prática da temperança ou moderação deve estar estreitamente aliada à fortaleza ou força, o que implica coragem moral, bem como ser forte e destemido. Mesmo assim, a busca do curso de ação correto deve ser sempre temperada ou moderada com prudência, que envolve o uso do bom senso e da boa aplicação da razão e da lógica.

No senso comum a justiça implica na interpretação estrita da lei, mas no seu sentido mais amplo, deve refletir o maior bem para a comunidade como um todo. É por isso que, em muitas versões da instrução sobre o painel do primeiro grau, a referência às quatro virtudes cardeais é seguida imediatamente por uma declaração semelhante à seguinte passagem citada do Ritual de Emulação Inglês:

“As características distintivas de um bom maçom são virtude, honra, e misericórdia, e que elas possam sempre ser encontradas no peito de um maçom.”

Neste contexto, misericórdia implica que a justiça por si só é insuficiente, mas que ela deve ser temperada pela misericórdia se for para alcançar um resultado equitativo. A virtude e a honra são corolários importantes da misericórdia. Virtude significa bondade, moralidade e probidade, e também significa muitos atributos de honra, que por sua vez significa honestidade, integridade, retidão e justiça.


Na época operativa, todas as estruturas religiosas significativas e outros edifícios imponentes foram criados a partir do centro, quando a localização do centro de uma estrutura tinha sido decidida, o primeiro dever do mestre pedreiro era estabelecer o ponto central da estrutura no terreno. Chamava-se a isso de bater o centro. Ele, então, iria determinar a necessária orientação do edifício por um método apropriado e configurá-la no chão.

Nós maçons especulativos deveríamos estar cientes de que, simbolicamente, eles têm por objetivo encontrar as respostas para suas perguntas no centro, que é o ponto dentro de um círculo a partir do qual todas as partes da circunferência são igualmente distantes.

O Círculo entre Paralelas Tangenciais e Verticais é também importante símbolo maçônico e, como essas paralelas representam os trópicos de Câncer e de Capricórnio, ou seja, os dois São João, o Batista e o Evangelista, a figura mostra que o Sol não transpõe os trópicos e recorda, ao maçom, que as concepções metafísicas e a consciência religiosa de cada obreiro são de foro íntimo e, portanto, invioláveis.

O ponto dentro de um círculo é um hieróglifo antigo e sagrado que se refere à divindade. O mundo maçônico é um mundo geométrico por excelência, portanto podemos definir o quadrado como a matéria, o círculo como o espírito e o ponto é a origem de tudo, o criador.

É um símbolo de importância suficiente para merecer uma contemplação profunda, mas bastará agora dizer que as respostas encontradas no centro são aquelas estabelecidas de acordo com os decretos da divindade.

 Edifícios sagrados geralmente eram obrigados a facear ou o leste ou o nascer do sol no solstício de verão. Caso se necessitasse que a orientação fosse de leste a oeste, o primeiro passo seria determinar a verdadeira linha Norte-Sul com precisão, por meio de uma linha passando pelo ponto central, a partir da qual a verdadeira linha Leste-Oeste poderia ser estabelecida.

Quando as quatro marcas de canto tinha sido estabelecidas, estacas perpendiculares distintamente marcadas eram criadas perto delas, com cordões ou fitas coloridas suspensas distinguiam as estacas marcadas, da mesma forma como hoje são usadas estacas pintadas ou estacas com bandeiras coloridas, chamando a atenção para a sua localização e protegendo-as contra danos acidentais.

Como as lojas operativas eram orientadas na mesma direção do templo de Salomão em Jerusalém, que é o inverso de lojas especulativas modernas, a entrada para o alojamento era no leste e o mestre sentava no oeste. Para evitar possíveis confusões, na discussão a seguir será feita referência à posição dos oficiais na loja, e não aos pontos cardeais.

Lojas Operativas tinham um Mestre, um Primeiro Vigilante e um Segundo Vigilante que tinham uma localização relativa entre eles. Em lojas operativas havia também um quarto oficial, o Superintendente de Trabalho, cuja localização era do lado oposto ao do Segundo Vigilante. Nesta explicação sobre a localização e o simbolismo das Quatro Borlas pendentes dos cantos do alojamento, assume-se que todos esses quatro oficiais ficam sentados de frente para o centro do alojamento.

A borla no canto do lado direito do Mestre deve representar justiça e a do seu lado esquerdo deve representar temperança. A razão para isso é que, quando governa seu alojamento e administra sua força de trabalho, o Mestre deve fazê-lo com justiça que, no entanto, deve ser temperada com misericórdia, de modo a garantir que não só o cliente obterá o serviço que está pagando, mas também que os seus trabalhadores vão receber os devidos pagamentos.

A borla no canto do lado direito do Superintendente do Trabalho deve representar prudência e a do seu lado esquerdo deve representar justiça. Tal como o seu Mestre, a quem ele representa, o Superintendente do Trabalho deve ser prudente na utilização de sua força de trabalho e dos materiais, para que o Mestre esteja devidamente servido; mas ele também deve garantir que os homens sejam tratados com justiça, para que eles recebam os proventos a que têm direito.

Os dois Vigilantes são os oficiais que exercem controle direto sobre os trabalhadores, sob a supervisão imediata do Superintendente do Trabalho. A borla no canto do lado direito do Administrador Sênior, o Primeiro Vigilante, deve representar fortaleza e a do seu lado esquerdo deve representar prudência.

A razão para isso é que, como o oficial que exerce o controle direto sobre os trabalhadores enquanto estão no trabalho, ele é responsável por superar as muitas dificuldades que inevitavelmente afligem o trabalho, o que exigirá a máxima firmeza de sua parte. Ao mesmo tempo, deve exercer o seu controle sobre o emprego dos homens e do uso de materiais com a máxima prudência, para proteger o bem-estar dos homens e, ao mesmo tempo garantir que a execução da obra não seja penalizada.

O Segundo Vigilante, cujo dever é ajudar o Administrador Sênior, é o oficial principal responsável pelo bem-estar dos homens, especialmente quando eles estão em repouso e descanso. A borla no canto do lado direito do Segundo Vigilante deve representar temperança, em alusão à forma pela qual o descanso deve ser sempre conduzido. A borla do lado esquerdo do Segundo Vigilante deve representar fortaleza, porque ele deve personificar Hiram Abif cuja fortaleza deve ser sempre imitada por todos os maçons.

Para o nosso pleno desenvolvimento como Maçom e como ser humano, devemos não só praticar as quatro virtudes cardiais, prudência, justiça, fortaleza e a temperança, bem como as três virtudes teologais, a fé, a esperança e a caridade, as quais nós deveremos usar com muita sabedoria e inteligência.

Bibliografia:


1. https://leonardoboff.wordpress.com/2011/07/19/face-a-crise-quatro-principios-e-quatro-virtudes/
2. LEWIS, C.S. Cristianismo Puro e Simples, Livro III, cap. 2. São Paulo: Martins Fontes, 2005.
3. https://bibliot3ca.wordpress.com/as-quatro-borlas/
4. https://focoartereal.blogspot.com.br/2015/06/as-borlas-e-corda-de-81-nos.html
5. http://bodeadormecido.blogspot.com.br/2016/01/as-quatro-borlas-na-maconaria.html
6. Ritual no grau de Mestre Maçom do G.’.O.’.B.’. dos seguintes ritos, Brasileiro, R.’.E.’.A.’.A.’., Adonhiramita e York.
Oriente de Porto Alegre, 29 de setembro de 2017 da E.’.V.’..
Eduardo Bandeira Lecey
C.’.I.’.M.’. 250559 – M.’.I.’.
Praticante do Rito Brasileiro
A.’.R.’.L.’.S.’. Guardiões da Arca nº 4348
Federada ao Grande Oriente do Brasil

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