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“SÓ PUBLICAMOS TRABALHOS RELACIONADOS COM A ORDEM MAÇÔNICA”

ACEITAMOS A OPINIÃO DE TODOS, DESDE QUE O COMENTÁRIO SEJA ACOMPANHADO DE IDENTIFICAÇÃO E UM E-MAIL PARA CONTATO.


“NÃO SERÃO ACEITOS COMENTÁRIOS ANÔNIMOS”

terça-feira, 30 de agosto de 2016

NOTA RECEBIDA PELO BLOG ARTE REAL – TRABALHOS MAÇÔNICOS


Gostaria de me desculpar por fugir um pouco da finalidade do blog, mas o motivo é para lá de justificável.

Foi com muito orgulho que recebemos, através de um e-mail, uma mensagem que nos foi enviada pelo Irmão Rui Bandeira, membro da Loja Mestre Affonso Domingues, Grande Loja Legal de Portugal/GLRP, um dos administradores do blog maçônico “A Partir Pedra”. O motivo dessa felicidade é que o autor da mensagem pode ser considerado, como um dos maiores escritores maçônicos da língua portuguesa.

Segue, na íntegra, a nota recebida.  

“O blog Arte Real - Trabalhos Maçônicos é administrado pelo Irmão Paulo Edgar Melo, Mestre Instalado da Augusta e Respeitável Loja Simbólica Cedros do Líbano, n.º 1688 do Grande Oriente do Brasil, que trabalha no Rito Escocês Antigo e Aceite, ao Oriente do Rio de Janeiro. 

Este blog foi, assumidamente, criado "para divulgar trabalhos Maçônicos de Irmãos". Publica, assim, textos de diversas proveniências e inéditos (não anteriormente publicados) de maçons que chegam ao conhecimento do seu administrador.

Publica-se há cinco anos (desde julho de 2011), com assinalável regularidade - 1.451 textos até a data de elaboração deste texto, à média de 290 textos por ano, ou seja, mais de cinco textos por semana, em média.

Com esta frequência e quantidade de textos, naturalmente que nem sempre há ópera, mas a qualidade média dos textos é muito interessante e a variedade dos temas abordados muito rica.

Como é natural, essencialmente os textos publicados são originários de maçons brasileiros, mas o administrador do blog, de quando em vez, também divulga alguns textos originalmente publicados aqui no A Partir Pedra.

Os textos dedicados a questões rituais permitem avaliar as especificades da ritualística brasileira, o que é particularmente interessante e instrutivo para os europeus que sigam o blog.

É um blog interessante de visitar e de espreitar. Por vezes - com agradável frequência - deparamos com textos muito interessantes de ler, analisar e, sobretudo, meditar sobre eles. Outras vezes encontramos textos mais simples, o que não é de admirar, por se tratar de blog que publica muitas pranchas de maçons de vários graus e destinadas à leitura em vários graus, por regra no grau de Aprendiz.

É um bom blog de divulgação, que regularmente publica algumas pérolas merecedoras de especial atenção.  

O trabalho de recolha e publicação do Irmão Paulo Edgar Melo é merecedor de encômios.

É um blog que, com gosto e interesse, acompanho regularmente e que recomendo seja acompanhado por quem se interessa pela Arte Real”.

Rui Bandeira

Paulo Edgar Melo


Membro da ARLS Cedros do Líbano, 1688 – Miguel Pereira/RJ - GOB 

domingo, 28 de agosto de 2016

O PAVIMENTO MOSAICO



Primeiramente, o que é mosaico? Ao contrário do que muitos já registraram mosaico não tem origem em Moisés. Conforme a etimologia dessa palavra já confirmou, sua origem é a mesma da palavra “museu”. Mosaico é o trabalho feito através da união de diferentes pedras.

Em Loja, diz-se que o Pavimento de Mosaico, constituído de pedras brancas e pretas, simboliza a diversidade do ser humano, mas sempre levado à dualidade das forças: bem e mal, rico e pobre, sábio e ignorante saudável e doente, virtude e vício, feliz e triste. Muitos autores concordaram sobre isso. Será que essa é a verdadeira interpretação? 

Também se diz que o Pavimento Mosaico está presente em nossos templos porque assim era o piso do Templo de Salomão. Será mesmo verdade? 

Outra importante questão sobre o Pavimento Mosaico é quanto ao seu formato. Qual é o correto? Aquele pequeno retângulo na área do Altar dos Juramentos, ou todo o piso da Loja? 

Para encontrar as respostas corretas para tais questionamentos, deve-se por um momento esquecer-se dos nossos Rituais atuais e voltar os olhos para a história: 

Mosaicos faziam parte da arte e da arquitetura romana. Tem-se no livro João, Capítulo 19, versículo 13, que os julgamentos do governante romano Pilatos ocorriam em um lugar chamado pelo termo grego de “Litóstrotos”, e em hebraico chamado de “Gabatah”. Litóstrotos significa calçado por pedras, e Gabatah significa pavimento. Plínio utilizava o termo Litóstrotos para se referir a um Pavimento Mosaico. 

Convencionou-se imaginar que o “Santo dos Santos” do Templo de Salomão, por também ser um local de juízo, possuía um Pavimento Mosaico.

Essa teoria não tem fundamentos na Bíblia, onde consta que todo o piso do Templo era de madeira de cedro, mas é baseada em uma breve passagem do Talmud, que permite uma interpretação de que os lugares mais sagrados dos templos tinham o Pavimento Mosaico. As escrituras e tradições também dão notícia de que o Santo dos Santos, mais alto do que o restante do Templo era delimitado por véus com franjas e borlas (almiazar). Franjas e borlas eram usadas em sinal de respeito e devoção na época. Por borlas, entende-se um adorno pendente. Uma herança dessa tradição ainda está presente, por exemplo, nos populares lenços palestinos. 

Até o final da Idade Média, não se sabia quais as cores desses antigos Pavimentos Mosaicos. Porém, no século XVI, o Rei Henrique VIII autorizou a confecção de um bíblia em inglês, surgindo então a chamada “Bíblia de Genebra”, por ter sido feita naquela cidade. Essa versão traduzida trazia como novidade diversas ilustrações. Entre elas, a do Templo de Salomão, que era ilustrado com um Pavimento Mosaico de quadrados intercalados em preto e branco.

É evidente que não havia outra forma de ilustrar um pavimento colorido, pois a impressão na época era apenas em preto e branco. Porém, com pouco tempo a visão do Pavimento Mosaico do Templo de Salomão em preto e branco firmou-se como realidade. Dessa forma, quando do surgimento dos templos maçônicos, inspirados no Templo de Salomão, o Pavimento Mosaico em preto e branco foi adotado. 

Enfim, as cores não tinham a simbologia da dualidade das forças. As cores eram apenas porque essa era a ideia que se tinha do piso do Templo de Salomão. O próprio Mackey, um dos maiores escritores sobre maçonaria de todos os tempos, confessou isso em sua Enciclopédia Maçônica, declarando que, apesar de equivocada, é adequada a interpretação do Pavimento Mosaico como a dualidade entre o bem e o mal. 

Você pode estar se perguntando: “E a Orla Dentada?” Essa é uma questão interessante. Quando do registro dos primeiros rituais em inglês, o que era uma orla (borda, margem) com franjas e borlas (adornos pendentes) nas extremidades… tornou-se simplesmente “indented tessel” que, em tradução livre, significa “orla dentada”. Mas o que seria então uma verdadeira “orla dentada”? Trata-se do que hoje vemos sobre o trono do Venerável Mestre, em que a borda da cobertura do trono possui “dentes” com franjas, sendo comum atualmente serem feitos de gesso. 

Como se sabe, os primeiros templos maçônicos eram planos e sua ornamentação precária. Por esse motivo, o retângulo onde se encontra o Altar dos Juramentos, o qual simbolicamente representa o Santo dos Santos, não era elevado, o que impedia de se ter uma Orla Dentada real.

Por isso, a Orla Dentada precisava ser desenhada ou pintada no chão, ao redor do Pavimento Mosaico. Com o tempo e a forte presença do triângulo na simbologia maçônica, convencionou-se desenhar os “dentes” da orla em formato de triângulos, e assim surgiu o que atualmente se vê na maioria dos templos maçônicos espalhados pelo mundo. 

Nos Ritos que adotam o Pavimento Mosaico como um retângulo central, os maçons não devem pisar no Pavimento, a não ser aquele que irá abrir e fechar o Livro da Lei, assim como ocorria no Santo dos Santos, onde apenas o Sumo Sacerdote podia ingressar e para realizar um fim específico relacionado ao GADU. A circulação então é feita em ângulo reto, tendo como parâmetro o Pavimento Mosaico.

Já no REAA, prevaleceu o entendimento de que todo o piso do Templo de Salomão era um Pavimento Mosaico, baseado nas ilustrações medievais. Por isso, todo o piso nos templos do REAA é em mosaico alvinegro, e a Orla Dentada, que circula todo o pavimento, está representada pela “Corda de 81 nós”, da qual pendem 04 borlas nos 04 cantos do Templo. Porém, com a perda de tal compreensão e do conhecimento da origem de tais símbolos, além da influência de outros Ritos, é comum encontrar templos do REAA no Brasil que possuem o Pavimento Mosaico restrito ao retângulo central, constituído também de Orla Dentada, ao mesmo tempo em que vemos a Corda de 81 nós sobre as colunas zodiacais, algo totalmente redundante. Onde se vê Orla Dentada não deveria existir Corda de 81 nós, e vice-versa. Dessa forma, não é de se surpreender com as dezenas de significados inventados para cada um desses símbolos: 

Rizzardo da Camino chegou a escrever que o Pavimento Mosaico representa a união das doze tribos de Israel, os dentes da Orla Dentada são os planetas que giram no Cosmos, e que a Corda de 81 nós absorve as vibrações negativas e as transforma em positivas. Castellani preferiu escrever que o Pavimento Mosaico representa a mistura de raças, a Orla Dentada é a união dos opostos, e a Corda de 81 nós representa a comunhão de ideias e objetivos de todos os maçons, tendo suas borlas o papel de representar que a Maçonaria é “dinâmica e progressista”. Não somente discordaram um do outro como suas suposições estavam erradas. 

Apesar de esses dois grandes autores discordarem um do outro em suas teorias, eles têm algo em comum: criatividade. 


Autor: Kennyo Ismail


quinta-feira, 25 de agosto de 2016

O RAMO DE ACÁCIA


Quem me conhece sabe que não sou dado a grandes explicações simbólicas, nem tão pouco tenho seguido a via do esoterismo.

Acredito que as coisas têm um fundamento e que esse fundamento poderá ser encontrado na História, nos Usos e Costumes, ou em Livros Sagrados.

O que fazemos com as coisas pode derivar da interpretação dada, tenha ela sido a mais correta ou não, ou simplesmente diferente.

Hoje decidi pegar na Acácia.

A Maçonaria elegeu como um dos seus símbolos a Acácia, outros, e apenas a título de exemplo, são o Esquadro e o Compasso.

Por que a Acácia e não o Cedro? Sabemos pela tradição e pela História que estas madeiras foram usadas no Templo de Salomão, base simbólica da Maçonaria Especulativa tal como a conhecemos atualmente.

Aliás, o Cedro é muito mais mencionado como material de construção do Templo que a Acácia, mas não é utilizado na simbologia Maçônica.

E a Acácia, ou mais propriamente o Ramo de Acácia (Inglês: Sprig; Francês: Rameau) passou a ser claramente um símbolo.

As primeiras referências à Acácia aparecem no Antigo Testamento no Livro do Êxodo. Aqui Deus determina que seja esta a madeira e não outra a que será utilizada para a construção da Arca a Aliança onde estão depositadas as Tábuas da Lei, bem como para a construção da mesa Para os Pães da Preposição e outros objetos de culto utilizados naquele que foi na verdade o primeiro Templo.

Não um templo de pedra como o que o rei Salomão constrói (ou manda construir), mas um templo móvel que era erguido nos acampamentos do Povo Judeu.

A estrutura deste Templo Móvel é depois emulada por Salomão para a construção do Templo em Jerusalém, respeitando as proporções e os compartimentos. Nesse Templo foi depositada a Arca da Aliança e os demais objetos de culto.

Ora o Templo era revestido a cedro, mas os Objetos de Culto em Acácia.

O termo hebraico é Shittah e pensa-se que referencia a espécie de Acácia hoje conhecida por Nilotica ou Seyal. Sendo que na região também existem a Albida, Tortilis e Iraqensis.

Mas esta referência é à madeira de Acácia. Todavia como já disse antes o Símbolo é o Ramo de Acácia.

E as referencias ao Ramo de Acácia aparecem também relacionadas com os Hebreus, mas não com o Templo.

De entre as tribos do Povo Judeu uma originou a linhagem dos Sacerdotes. Primeiro no Templo móvel e depois no Templo de Jerusalém. Ora por uma questão religiosa estes Sacerdotes não podiam aproximar-se de cadáveres humanos e por consequência das respectivas campas.

Na altura os cemitérios não estavam tão organizados como atualmente e os defuntos eram inumados nos terrenos fora das cidades, mas muitas vezes sem critérios de localização. Ora isto representava um problema para os Sacerdotes, pois para cumprirem os preceitos religiosos tinham que saber onde estavam essas campas.

Como sabemos a Acácia é considerada em muitos sítios uma praga, pois precisa de poucos recursos para viver e em caso de incêndio é a primeira planta a aparecer, não deixando que as espécies autóctones voltem e assim causando desequilíbrios ambientais.

Esta característica seguramente levou a que as campas passassem a ser marcadas com um Ramo de Acácia para assim serem facilmente reconhecidas pelos Sacerdotes.

Daqui à Lenda de Hiram é um passo, pois a lenda situa no espaço e no tempo a estória da morte de Hiram, espaço e tempo que são os que acabo de referir, Jerusalém na época da construção do templo.

Na Lenda Hiram é assassinado e o seu cadáver enterrado fora da cidade para encobrir o crime. Todavia a regra mandava marcar a sepultura com um Ramo de Acácia.

Temos aqui a ligação.

Hoje o ramo de acácia continua a ser usado como símbolo, sendo que e tanto quanto consegui perceber é o Ramo da Acácia Nilotica ou Seyal, ou eventualmente o da Acácia Robinia.

Ficam aqui as imagens de cada um deles e cada um de vós que tire as conclusões.


José Ruah

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

QUEM FOI HIRAM ABIFF?



A maçonaria é uma entidade filosófica, com grande envolvimento com a cultura e que se comunica com os seus membros, preferencialmente por intermédio de símbolos.

Não se sabe ao certo qual é a sua origem; muitos historiadores querem localizá-la há milhares de anos, nos tempos pré-bíblicos, existindo muitas informações e também lendas a este respeito, algumas dignas de fé, outras nem tanto.

É importante frisar que toda e qualquer discussão a respeito da Ordem Maçônica sempre envolverá aspectos atinentes ao rico e complexo simbolismo das suas movimentações, normalmente hermético para o não iniciado na Instituição, o que leva a especulações.

O nome Hiram Abiff é um destes nossos símbolos, cujos feitos tornaram-se uma lenda (transmissão de eventos históricos por via oral), como está registrado na Bíblia Sagrada , ou seja, sua ligação com a construção do Templo de Salomão e a sua morte em condições trágicas.

Tentarei esmiuçar estes relatos; neste texto, pela limitação do espaço que é gentilmente concedido pela direção do jornal DM, irei me ater, somente, à figura do homem Hiram e na próxima semana tecerei considerações a respeito dos seus feitos, principalmente a sua participação na construção do Templo de Salomão e a causa da tragédia da sua morte.

Antes de tudo preciso deixar bem claro que os leitores iniciados na Ordem Maçônica, tangidos pelo coração, sabem quem foi e o que representa a legenda Hiram.

A busca da sua identidade material, que timidamente nos propomos a fazer, transcende este impacto inicial e leva-nos à procura de fatos históricos reportados no velho Testamento. Inicialmente vamos verificar o que a Bíblia diz a respeito deste personagem, conforme é do conhecimento de todos os maçons, acrescentando o relato feito pelo Pastor da Igreja Anglicana da Inglaterra, J.S.M. Ward, no seu livro "Who was Hiram Abiff? - Quem foi Hiram Abiff?" publicado em 1925 em Londres e posteriormente reeditado pela London Lewis Masonic em 1986, que baseou suas pesquisas na Palestina, quando comparou os relatos bíblicos com relatos profanos e, principalmente, estudou as raças que habitavam a Síria e a Ásia Menor na época da construção do Templo de Salomão.

Dentre outras publicações, foram consultados três outros importantes livros The History of Freemasonry - A História da maçonaria, de Albert Mackey, publicado pela primeira vez em 1881 e reeditado em 1996 por Random House Value Publishing, N.York; (The Secrets of Solomon´s Temple - Os Segredos do Templo de Salomão, de Kevin L. Gest. Gloucester, USA, 2007) e o fabuloso (The Builders - Astory and study of freemasonry - Os Construtores, a História e o estudo da maçonaria, de Joseph Fort Newton, Virginia-USA, 1914. Está descrito na Bíblia, (2 Crônicas 2:13-14) que Salomão, pretendendo levar adiante a idéia de Davi, seu Pai, de construir um Templo em louvor ao nome do Senhor e um Palácio para sua morada, solicitou auxílio de Hiram, rei de Tiro.

Além da ajuda material (madeira de cedro, cipreste e pinho do Líbano) Salomão pediu, também, que lhe fosse enviado um "homem sábio", que provavelmente ele já sabia quem seria para comandar a construção. O Rei Hiram enviou-lhe um "comunicado", enaltecendo a sabedoria e a inteligência, do seu indicado, um seu homônimo, que era Hiram Abiff.

Ainda se lê em (2 Crônicas 2:13-14), que neste mesmo "comunicado" o rei Hiram faz uma descrição detalhada da capacidade laborativa de Hiram: "Trata-se de um homem que sabe trabalhar em ouro, em prata, bronze e ferro, pedra, madeira, púrpura, jacinto, linho, escarlate, laura, todo gênero de escultura e é capaz de inventar, engenhosamente, tudo o que seja necessário para qualquer trabalho e trabalhará com os teus artistas e com os artistas do teu Pai".

Em (I Reis) estão bem especificados os trabalhos desenvolvidos por Hiram no Templo; são enumeradas todas as obras por ele realizadas, com destaque para duas colunas de bronze, que depois de construídas, ele as denominou de Jaquim e Booz e estavam colocadas, respectivamente, à direita e à esquerda da entrada do Templo, representando Judá e Israel, os dois Reinos que foram unificados por David, pai de Salomão.

Existem duas versões Bíblicas para a origem deste Arquiteto Hiram Abiff; em (II Crônicas) esta escrito que ele era filho de uma tribo denominada Dan, enquanto que em (I Reis) ele é tido como filho de uma mulher viúva, originaria da tribo de Naftali.

Se consultarmos os tratados de arqueologia, iremos verificar que estas duas tribos, Dan e Naftali, estavam situadas nas redondezas de Tiro. Para dar mais veracidade a esta afirmativa, deve-se salientar que as duas versões Bíblicas afirmam que Hiram teria sido um homem que morava na cidade de Tiro.

Este relato é muito significativo porque Tiro era um dos centros de trabalho da região de Adonis, portanto um local de conglomerado populacional. Os testemunhos conflitantes acerca da identificação da tribo a que sua mãe pertencia, pode ser explicável pelo fato de que talvez ela não fosse uma judia propriamente dito, porém era oriunda de outra tribo de difícil localização nos mapas atuais. Aos olhos da maioria dos historiadores é interessante manter a afirmação de que o grande Arquiteto do Templo de Salomão tinha sangue judeu nas veias.

Dentro dos conhecimentos atuais, talvez devêssemos considerar que ela realmente pertencia a uma tribo denominada "Dan", senão vejamos: "Dan", naquela época, era dividida em duas sessões; uma de pequena dimensão que era separada da parte principal e estava localizada à direita da tribo de Naftali e entre os seus vizinhos fenícios, os habitantes dessa sessão seriam considerados como oriundos de uma tribo da fronteira, sem uma especificação correta, até pelas dificuldades topográficas e de localização.

É necessário salientar que a maioria das pessoas daquela época, nasciam e morriam em um mesmo lugar, sem nunca arriscar uma viagem mais longa e a comunicação era exclusivamente verbal. Por onde ela passou, justamente a tribo que os judeus mais conheciam, que era a tribo Fenícia, denominada de Nafftali, dá-nos a impressão de que a mãe de Hiram Abiff era viúva (Reis 1:7-13); baseado nestas observações, os maçons estão acostumados a se denominarem de "filhos da viúva", uma vez que consideramos Hiram Abiff nosso irmão.

Não há dúvida de que o pai de Hiram era um Fenício de quem aprendeu a profissão. Está claro que o maior número de trabalhadores que ele requisitou, quando foi chamado para construir o Templo de Salomão, são os Fenícios que ele conhecia. Definida a sua origem, podemos discutir o porquê do seu nome.

O nome Hiram Abiff ainda causa controvérsia entre os estudiosos da maçonaria e das escrituras sagradas; parece que Abiff não seria, propriamente, parte do seu nome, pois Ab em Hebreu significa (Pai), a letra (i) teria o significado de (meu) e (if) significa, também, (meu), portanto o nome Hiram Abif deveria ser traduzido por (Hiram, meu pai). 

É necessário acrescentar que entre os Hebreus a expressão (Pai) significava uma honraria, pessoa proeminente a ser assim nominado, podendo significar, também, (Hiram, meu conselheiro), como afirma o Dr. Mc Clintock (citado no livro "The History of Freemasonry".

É interessante salientar que em (I Reis), não é feita referência a este segundo nome de Hiram, sendo encontrado somente em (II Crônicas).


Na verdade, para a maçonaria, o nome Hiram é o representante abstrato da ideia de um homem trabalhando no Templo da humanidade, cavando masmorras ao vicio e construindo catedrais à virtude e contentamos em nominá-lo "O Arquiteto", o pedreiro que construiu o Templo de Salomão. 

O Ir.’. Hélio Moreira é membro da Academia Goiana de Letras, Academia Goiana de Medicina, Instituto Histórico e Geográfico de Goiás e do Conselho Federal da Ordem do Grande Oriente do Brasil

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

A IMPORTÂNCIA DO TEMPO DE ESTUDOS PARA O MAÇOM ESPECULATIVO


O objetivo deste trabalho é tentar revelar a importância do Tempo de Estudo em Loja, o qual pode servir como fonte de reflexão e de exercício das virtudes valorizadas pela sublime ordem. Ainda, procura causar, neste restrito tema, alguma inquietação que provoque nos leitores (ou ouvintes) o gosto pela especulação. Primeiramente, vamos retomar às origens da maçonaria especulativa e o que vem a ser esse termo:
A Maçonaria Especulativa, também chamada Maçonaria dos Aceitos, iniciou-­se por volta do ano de 1717 da era vulgar e perdura até os dias atuais. Os maçons que nos antecederam eram predominantemente operativos e dedicados à arte de construir, embora não negligenciassem os conceitos de fraternidade e guarda dos segredos da Arte Real (Audi, Vide, Tace). Os maçons aceitos levam esse nome, porque foram aceitos entre os maçons operativos, mesmo sem possuir a mesma profissão dos maçons ditos antigos, utiliza do simbolismo das ferramentas operativas como forma de desbastar a pedra bruta, que eternamente seremos, seja do ponto de vista moral, espiritual ou intelectual.

O outro termo utilizado para designar os maçons modernos merece uma definição vinda do dicionário, ou seja, o que é especulativo, que vem de especular:
§  Especulativa: faculdade de especular.
§  Faculdade: poder de efetuar uma ação física ou mental; capacidade.
§  Especular: estudar com atenção e minúcia sob o ponto de vista teórico. Meditar, raciocinar.
§   
Ser maçom especulativo significa ser observador, perceber os princípios morais subjacentes aos símbolos e aplicá-­los no desbaste da pedra bruta e na construção de relacionamentos humanos confiáveis, sinceros e leais. Isso é feito através do estudo e da observação, tentando apreender a melhor forma de construir uma harmoniosa e perfeita fraternidade. O que os maçons especulativos fazem ultrapassa os limites de suas Lojas. O maior trabalho de um maçom moderno é aplicar de maneira prática e correta a sabedoria moral que, se espera, venha adquirindo durante sua vida maçônica.
O maçom vai à Loja para especular, estudar e aprender e volta ao mundo para trabalhar e aplicar o que aprendeu. O maçom especulativo não é mais um construtor material como o eram os mestres maçons operativos. Ele será, antes de tudo, um homem moralmente sadio em busca da luz da verdade, dedicado à construção do edifício moral próprio.
Símbolo maior disso é o Painel de Aprendiz, o qual devemos ter marcado a ferro e fogo em nossa mente. Na mais bela representação, segundo minha visão, vê-se o Aprendiz, meio homem e meio pedra bruta, se lapidando com o uso do maço e do cinzel. 
Enquanto o Aprendiz segura o cinzel, instrumento de precisão que desbasta a pedra bate-lhe com o maço, que é o símbolo da força que sozinho não desbasta, apenas destrói. Nessa alegoria vemos a construção de si mesmo, lapidando-se em busca da utópica perfeição, cabível apenas ao G.’.A.’.D.’.U.’., mas a qual deve ser perseguida dos pontos de vista já citados (moral, espiritual ou intelectual).
Se o maçom moderno deve ir à Loja para especular, estudar e aprender creio que momento mais que oportuno seja o tempo de estudo, ou, ¼ de hora (15 minutos). Entretanto, uma reflexão sobre a nomenclatura é válida, pois o que temos é tempo de estudo e não tempo de leitura. Para entender melhor, vejamos as definições extraídas do dicionário:
§  Leitura: ação ou efeito de ler.
§  Estudo: trabalho ou aplicação da inteligência no sentido de aprender uma ciência ou arte. Aplicação, trabalho do espírito para empreender a apreciação ou análise de certa matéria ou assunto especial. Ciência ou saber adquiridos à custa desta aplicação. Investigação, pesquisa acerca de determinado assunto.

É notório que as possíveis definições de estudo coadunam justa e perfeitamente com o dever de um maçom especulativo, que é especular, estudar e aprender e voltar ao mundo para trabalhar e aplicar o que aprendeu. A especulação deve ocorrer logo após a apresentação do trabalho, momento esse muito rico no qual os irmãos podem contribuir para o enriquecimento do trabalho ou até mesmo propor questões para o irmão que trouxe o trabalho em Loja. 
Quando um irmão tece comentários a respeito do trabalho, é fato que enriquece o que foi exposto, mas também serve como forma de promover o exercício da oratória, que se bem feita, cria instantaneamente lideres, pelo simples fato de convencer mediante argumentos.
Fazendo um paralelo com o Quadro de Aprendiz, quando apenas lemos um trabalho e ninguém faz comentários, vamos embora crendo que a forma como estamos manuseando o maço e o cinzel é perfeita.
Por outro lado, as criticas e comentários nos impõem uma reflexão a respeito do manuseio e nos ajudam a apurar a arte do uso dessas ferramentas. Assim nos retiramos para o mundo profano com uma visão diferente daquela inicial quando da chegada na Loja.
Outro ponto sobre especulação a respeito do trabalho, que, creio eu, deva ser feita de forma quase que exaustiva, está no fato que essa prática vai de encontro à vaidade e ao encontro da temperança. 
A verdade é que quando alguém apresenta um trabalho em público, o que se espera são os aplausos e as palavras de agradecimento pelo belo trabalho exposto. Ninguém espera o contrário. Aqui vale a pena citar uma frase do escritor americano Norman Vincent Peale (1898­-1993):
“O mal de quase todos nós é que preferimos sermos arruinados pelos elogios a sermos salvos pelas críticas.”

O ser humano é vaidoso por natureza e, em geral, quando faz algo pelos outros, o faz não pela ação em si, mas na esperança de receber em troca o reconhecimento pela ação feita. A vaidade, segundo o dicionário, é o “desejo imoderado e infundado de merecer a admiração dos outros. Presunção mal fundada de si, do próprio mérito”. Acrescento: vício vil!
Sendo assim, esse momento de embate no tempo de estudos também é importante para ajudar a conter a vaidade e exercitar uma das quatro principais virtudes de um maçom: a temperança, a qual, segundo o dicionário é o “poder ou virtude pela qual o homem pode refrear os apetites desordenados”. “Parcimônia. Modéstia. Humildade”. Empregamos a temperança no tempo de estudos quando da forma como nos dirigirmos aos irmãos a respeito do assunto sendo especulado, o qual por sua vez, mesmo que a vaidade o instigue, deva usar a temperança para aplacá-­la e tratar o irmão como irmão.
Resumindo, creio eu ser o tempo de estudos momento único no qual o conhecimento trazido pode ser especulado e salutarmente debatido entre os irmãos, como forma de lapidar a pedra bruta do ponto de vista intelectual (conhecimento e reflexão) e moral (combate ao vício e estímulo às virtudes). Assim, faremos valer a resposta à indagação: “O que fazem em vossa Loja?”…”Levantam-­se templos às virtudes e cavam-­se masmorras aos vícios”.
Termino este trabalho a respeito da importância do estudo e da especulação com uma frase do escritor francês Bernard le Bovier de Fontenelle (1657–1757):
“É verdade que não podemos encontrar a pedra filosofal, mas é bom que ela seja procurada. Procurando-­a, encontramos muitos segredos que não procurávamos.”

Autor: Ivair Ximenes


quinta-feira, 18 de agosto de 2016

MAÇONARIA OPERATIVA VERSUS ESPECULATIVA - RAGON X JORGE FERRO



Desde que Elias Ashmole e iniciados britânicos introduziram novos rituais na Ordem Maçônica, esta se difundiu seu esplendor pelos quatro cantos do globo com a rapidez de um raio. Sob a batuta do Reverendo James Anderson em 1717 foram sancionadas na Inglaterra as novas constituições, agora ditas especulativas em contrate com os regulamentos dos maçons operativos que ergueram as catedrais e monumentos que até os dias de hoje fascinam o expectador na Europa.

Foram eles também os construtores da vasta maioria das edificações públicas das capitais européias e os encarregados de sua reconstrução após catástrofes como os grandes terremotos de Londres e Lisboa e, bem mais recentemente, a Segunda Guerra Mundial, quando pequenos agrupamentos de “operativos” foram identificados e chamados aos trabalhos de “oficina”, pois só eles e somente eles - guardavam a sete chaves os segredos da geometria sagrada.

Estes mesmos “pedreiros livres” cujas origens remontam à Gália e às corporações do antigo Império Romano (quiçá às corporações de obreiros da Alta antiguidade e, com certeza, aos construtores da Índia durante os anos de magnificência de seus impérios). Na obra “La Masonería Operativa” de Jorge Francisco Ferro (Buenos Aires: Ed. Kier, 2008) é assinalada a presença na Índia da “Ordem de Vishwakarma” (literalmente, “O Grande Arquiteto do Universo”), composta por indivíduos da casta artesanal dos “Vaishas”.

Os mesmos grêmios artesanais existiam na Turquia, Bulgária, Servia (“Esnafs”). No império romano, sua matriz, eram os “Collegia Romani”, anteriores à era cristã, mais precisamente no reinado de Numa Pompilio (700 A.C.). Na Itália persistiram por décadas como os “Magistri Comacini”. Corporações similares se multiplicavam na Itália, na Inglaterra (York, Oxford, Londres) e Alemanha. Este foi o substrato humano e material que engendrou a maçonaria operativa.

Os ensinamentos e a importância dos operativos foi desprezado por muito tempo. Era como se homens superiores em conhecimento e sabedoria “especulativa e simbólica” não pudessem se misturar a pobres e ignorantes operários que grosseiramente viam uma pedra bruta como uma pedra bruta e o malhete e o cinzel como reles instrumentos de trabalho braçal. O incensado Ragon (deveras elogiado por Madame Blavatsty) insinua que a arte das catedrais é inferior à obra monumental de Milton (nada temos contra o Milton, mas, sim contra a arrogância de Ragon) e considera os “operativos” como ambiciosos e lacaios dos patrões.

Do alto dos seus elevados estudos maçônicos e com o tom unificador e universalista que lhe foi peculiar Ragon sentencia em sua “Ortodoxia Maçônica”:

 “(...) a Franco-Maçonaria nada tem a ver, pois, com o pacto dos maçons construtores”. Comentando alguns autores, aduz que:

 “(...) Aqui se vê que a questão não foi sobre a arte material de edificar cujos segredos se vulgarizaram, desde longo tempo, e que são bastante inúteis ao franco-maçom (pois a arte de construir não era sua profissão)”. 

“(...) De outro lado, os maçons de profissão compreenderão a linguagem dos maçons filósofos, tratando das altas ciências ou dos mistérios antigos dos quais provieram? Deixemos esses obreiros geometrizar e se instruir nas suas honoráveis corporações, cuja meta é fornecer habitações aos ricos, que lhe podem retribuir e consintamos que os franco-maçons trabalhem nas Lojas, com zelo e gratuitamente, para o aperfeiçoamento e a ventura da Humanidade, esclarecendo e melhorando os seres humanos, pobres e ricos, fracos e poderosos.

Uma é profissão material e compulsória, pois todo homem deve ter uma situação para viver. A outra é o oficio que requer devotamento freqüentemente oneroso e de uma abnegação voluntária.

Todas as duas são honradas, mas não comparáveis: quem ousaria, seriamente, colocar em termos de comparação o plano em que se encontra traçada a magnífica Igreja de São Paulo e o em que foi descrita a obra imortal de Milton - duas obras primas, sem duvida, que, entretanto, seria extravagante querer confrontá-las.

Quem impediria a Grande Loja da Inglaterra estabelecer s, pouco a pouco, aquele traço de demarcação. Era seu dever.

Tendo-o faltado, ela arremessou para os séculos, uma confusão que a dividiu e que não havia sido esclarecida, na França. Desde o começo, ela deveria ter abjurado a trivial denominação de “freemason” (mentirosa para os seus membros) e adotado (se o orgulho nacional o tivesse consentido) o nome Frances de franc-maçon, que não tem de comum com o outro senão a terminação.

“Então, a divisão ficaria transparente e cessaria a discussão”
O posicionamento de Ragon, felizmente, foi contrariado pela historiografia moderna. Com efeito:

“A antiguidade do ritual operativo se sustenta na própria evidência interna e em sua coerência, as quais constituem uma das principais provas de autenticidade possíveis, possuindo os critérios corretos de avaliação das mesmas.

Este ritual [dos operativos, N.T] possui referências ao culto às estrelas em relação direta com a estrela polar, ao culto ao Sol, expresso na saudação ao Sol Nascente, ao culto ao fogo escondido sobre os lugares elevados, por meio dos candelabros colocados sobre as três colunas da Loja, cada uma das quais representa um dos três montes sagrados: Moriah, Sinai e Tabor. Muitos destes elementos foram conservados primeiramente por meio da tradição oral, a qual, não se deve duvidar, existiu muito antes da história escrita, e este é principalmente o caso quando se tratava de segredos que não era legítimo colocar por escrito.

“Os mais antigos dos livros sagrados do mundo foram conservados por meio da tradição oral antes de serem escritos”.

 “O ritual operativo é mais arcaico em suas formas e mais completo que o ritual especulativo e contém instruções práticas das quais o ritual especulativo só conservou ecos distantes. Quase todos os ensinamentos especulativos podem ser rastreados nas cerimônias operativas, mas muitos dos ensinamentos operativos não possuem nenhum tipo de correspondência com o ritual especulativo.

“Deste modo, muitas das cerimônias especulativas podem ser explicadas a partir do ritual operativo, ao passo que nenhuma das cerimônias operativas pode explicada pelo ritual especulativo”.

Nos dia de hoje, rendemos tributo ao Senhor Ferro que não só reabilita os operativos como revela o esplendor de escola das escolas de pedreiros livres que antecederam as “landmarks” do Século das Luzes. Que esta contribuição não seja nunca mais olvidada e acresça ainda mais o patrimônio de todos nós, maçons.


A/D

terça-feira, 16 de agosto de 2016

O GRANDE MISTÉRIO MAÇÔNICO


Tentam os profanos, de todas as formas, desvendarem os segredos maçônicos. Utilizam sistemas e normas de eliminação, culminando sempre com uma parafernália de conclusões confusas, absurdas.

Nossa simbologia, a vista dos curiosos, torna-se incompreensível. De forma esotérica buscam respostas, os leigos, porem não as encontram. Interpelam IIr.’. que na maioria das vezes se utilizam o silencio, norma quase sagrada de nossa Instituição. A partir disso é difundida a Maçonaria com seita satânica, intrusa Ordem que ataca as varias religiões, um Clube congregando homens a se ajudarem mutuamente. Tudo se fala, tudo se interpela e, na maioria das vezes, em tudo se falha quando esbarram na Verdade Final.

Tentemos pois, IIr.’., decifrar-nos mesmo o que seria o nosso maior Mistério… Seria um mistério nos congregarmos e formar uma família universal? Poderia ser um mistério, nos igualarmos uns aos outros, independente, da casta social ou racial? Ou um mistério a nossa união em torno de um bem comum, não só para maçons, como também para profanos?

É um mistério nossa crença num ser Onipresente, Onisciente, Onipotente? É um mistério estendermos as mãos para os necessitados sem que ninguém visualize essa ação? Ou seria um mistério o despojar das vaidades com a busca incessante da Verdade?

Quantos mistérios, quantas interrogações… A Maçonaria, na essência, se reproduz por alegorias e símbolos. Na realidade terrena se apresenta fincada em ações e participações coletivas em prol da humanidade. Ela é justa com os justos, perfeita com os perfeitos, todavia não se descarta os ignorantes, os imperfeitos. Faz deles instrumentos para o seu desenvolvimento, estudando-os, auxiliando-os. Nossa confraria é uma Luz!

O ponto máximo da Maçonaria é o esclarecimento. Várias tentativas são feitas pela Ordem, desde os tempos mais remotos, com a finalidade de introduzir na Terra e seres humanos, o sentimento de aprendizado, disciplina e pesquisa. Nossa Confraria foi uma semente, tornou-se uma árvore e agora, apresenta seus frutos a todos os seres do Universo. Fruto do saber, com sabor de Verdade.

Qual seria então, na realidade, o nosso grande mistério? Estaria ele ligado às monumentais construções do passado? Poderia estar na língua dos filósofos do presente, e do passado? Estaria na força dos magos? Em páginas de livros?

Não! O Grande Mistério Maçônico está na simplicidade que se configura a palavra amor. O amor e respeito a tudo e a todos. Não creio na existência de um mistério maior que o amor… Reconhecemos a Ciência, se nela estiver contido um trabalho salutar. Aceitamos o esoterismo desde que, baseado na verdade. Reconhecemos todos os credos que tenham Deus por princípio, meio e fim.

Como uma Confraria pode se dirigir a tantos ideais e interesses, senão pela participação ativa junto à sociedade. Como uma Ordem, dita diabólica, procura no Universo o coração divino para o melhor entendimento das misérias humanas? Na realidade seria necessária a existência de algum mistério?

Não, pois não existe mistério algum, só o amor…

E o que é o amor?
  

Ir.'. Douglas Garcia Neto
Venerável Mestre
A.'.R.'.L.'.S.'. Madras GOB-SP/GOB


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