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“SÓ PUBLICAMOS TRABALHOS RELACIONADOS COM A ORDEM MAÇÔNICA”

ACEITAMOS A OPINIÃO DE TODOS, DESDE QUE O COMENTÁRIO SEJA ACOMPANHADO DE IDENTIFICAÇÃO E UM E-MAIL PARA CONTATO.


“NÃO SERÃO ACEITOS COMENTÁRIOS ANÔNIMOS”

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

O SABER E O APRENDER


“Daria tudo que sei pela metade do que ignoro.”
(René Descartes)

À G.’.D.’.G.’.A.’.D.’.U.’.

           
A importância da aprendizagem na vida humana sempre foi tema de estudos dos mais aprofundados. O aprender é um processo de tal valor para o homem que foram pensados meios educacionais para tornarem a aprendizagem mais eficaz. Entretanto, não é apenas pela via escolar formal que aprendemos. Estamos constantemente aprendendo, sobretudo com a leitura de mundo que fazemos, através de nossas experiências sensoriais.
Estudos da Psicologia chegam a afirmar que o homem começa aprender mesmo no ventre de sua mãe, mantendo um vínculo com o mundo que o cerca através de sentimentos, toques, falas e outros elementos perceptíveis.
Para o pensador Bernard Charlot, aprender é adquirir um saber. Entretanto, para que este saber produza frutos, ou seja, adquira um sentido na vida humana, depende das relações que estabelecemos com o saber. É nessa perspectiva que direcionaremos este breve estudo.
Pelo chamado “senso comum”, desde tenra idade, nós mergulhamos num oceano de dados e ficamos como que extasiados por novas aquisições de conhecimento. Em casa, na rua, na escola, em todos os ambientes em que convivemos, é grande oferta de novas descobertas para compreensão das realidades.
Corrobora com esta proposição o pensamento de Freire:
 A curiosidade ingênua, de que resulta indiscutivelmente um certo saber, não importa que metodicamente desrigoroso, é a que caracteriza o senso comum. O saber de pura experiência feito. (FREIRE, 2011, p. 31)
 Somos seres sociais e vivemos num mundo que nos oferece uma gama extraordinária de informações. Quando nos apropriamos de certa informação e damos um sentido a este novo conhecimento, adquirimos um saber. Portanto, o saber assume um papel de pertencimento do sujeito.O saber contribui para a personalidade dos indivíduos e para o desenvolvimento de suas habilidades no mundo social. Entretanto a aquisição de saberes práticos como: ler, escrever, fazer contas, apreender elementos da cultura científica ou literária por si só não nos dá o verdadeiro sentido do saber.
 Assim, que é que, em um saber, possibilita considerá-lo “prático”? Não é o próprio saber que é prático, mas sim, o uso que é feito dele, em uma relação prática com o mundo. Essa distinção permite evitar falsos debates. (CHARLOT, 2000, p. 62)
 Na maioria dos casos, quando se pergunta a um jovem estudante por que ele estuda, a resposta mais comum é que o estudo lhe proporcionará um saber intelectual que o levará a ocupar um melhor posto no mercado de trabalho. O saber torna-se utilitário e mercantilizado. Sem dúvida nenhuma que a escola é um espaço para a ascensão social. O desejo de escolarização encerra um sentimento de melhoria das condições de vida. Por isso, a maior parte dos jovens não sente prazer em aprender algo que não lhe seja imediatamente útil.
Constantemente confunde-se educação com escolarização. Na verdade, a escolarização é apenas uma parte da educação. Grande parte da apreensão de mundo que o cidadão carrega em seu bojo intelectual é advinda da vivência em família ou em outros ambientes sociais fora da escola.
Nos tempos em não existia a escola formal, nas sociedades primitivas, era a família que desempenhava o papel que agora denominados “escola”. Também é bastante comum associarmos o conhecimento com a bagagem intelectual que absorvemos dos livros, dos estudos, dos eventos científicos... Porém, poderia ser definido o saber principalmente como a compreensão inteligível da realidade, que o sujeito humano adquire através de suas experiências.
A educação formal nos permite absorver conteúdos intelectuais, tais como: aprender gramática, matemática, desenvolver a reflexão filosófica, compreender os elementos históricos que compõem um determinado acontecimento na humanidade, situar-se na geografia do mundo, entre outros. Porém, a escolarização por si só não nos capacita a compreender o mundo ou construir referências para compreender o que é a vida. Necessário se faz que o aprender adquira um sentido mais significante do que o saber.
Compreender as realidades que nos cercam de forma mais ampla e significativa deve ser o objetivo central de toda prática educativa. É preciso se apropriar do conhecimento de forma que ele faça parte da nossa vida. Segundo a análise de Freire (2011), quanto mais criticamente se exerça a capacidade de aprender, tanto mais se constrói e desenvolve a curiosidade epistemológica. E nesse ponto de vista, o aprender adquire mais importância do que o saber.
Aprendemos, sobretudo, fazendo. A única maneira de aprender a nadar é praticar a natação. O que vale para as habilidades motoras, guardadas as devidas proporções, serve para as habilidades mentais. A única maneira de aprender a pensar é exercitar o pensamento.
Todo indivíduo aprende e, através da aprendizagem, desenvolve os comportamentos que o possibilitam viver. Todas as atividades e realizações humanas exibem os resultados da aprendizagem.
A partir desse entendimento, podemos afirmar que aprender é um ato de dentro para fora do indivíduo. Ninguém pode aprender pelo outro. Querer aprender, entretanto, embora seja o primeiro passo, não é o suficiente para se adquirir um saber. É necessário, pois, estar aberto para o novo e, sobretudo, identificar-se com aquilo que vai ser aprendido.
Encerro este ensaio com a verdade inquestionável do mestre das letras Guimarães Rosa: “Mestre não é quem sempre ensina, mas quem de repente aprende”.
 
Ir.’. WELLINGTON LOPES DE ALBUQUERQUE -M.’. M.’. 7°

A.’.R.’.L.’.S.’. PRINCESA DO SERTÃO - Nº 8
ORIENTE DE PALMEIRA DOS ÍNDIOS-AL

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:

CHARLOT, Bernard. Da relação com o saber: elementos para uma teoria. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 2000.


FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: paz e Terra, 2011.

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

HUMILDADE E VAIDADE


O segredo da sabedoria, do poder e do conhecimento é a humildade.
Ernest Hemingway (1899-1961)
A falsa modéstia é o último requinte da vaidade.
Jean de La Bruyère (1645-1696

“SIC TRANSIT GLORIA MUNDI!” (Como são passageiras as glórias do mundo!).  Esta frase dita pelo Venerável Mestre é o ponto alto de uma Iniciação Maçônica.  Ela encerra uma das maiores verdades e que quase sempre é ignorada por todos nós.  Julgamo-nos eternos e pouco fazemos para vencer as nossas paixões. Os cargos, o poder e a vaidade nos impedem muitas vezes de aparar a pedra bruta que somos, e, esquecemos então um dos princípios mais importantes da Maçonaria que é a humildade.

Já, como neófito, lhe é dito que ele acabou de morrer para a vida profana (Era Vulgar) e renasceu para a Verdadeira Luz.  Isso quer dizer que tudo que o aviltava, quando profano, deverá ser desvestido, inclusive a VAIDADE.  E, tudo que lhe faltava como virtudes, deverá ser incorporado, inclusive a HUMILDADE. Uma vez Iniciado, o postulante torna-se Maçom, e, como tal, estará sob vigilância de sua própria consciência e dos demais Maçons. 

Comandado pelo Venerável Mestre a Loja dará guarida ao novo Irmão orientando e ensinando o caminho a ser trilhado, agora como Maçom, imbuído de humildade e destituído de ostentação.

A figura do Venerável Mestre, das Luzes ou de qualquer outra autoridade, em uma Loja Maçônica, reflete sempre a bondade e as suas ações que são comparadas as de um pai que aconselha o filho ou do irmão mais velho que o protege.  É por essa razão que a joia do Venerável Mestre (o esquadro) tem um significado tão profundo para todos nós, pois ela representa a retidão das suas atitudes além da confiança que todos os irmãos nele depositam.  

Em nosso meio não há lugar para jactância do mundo profano. Aquele Maçom que por ventura não se enquadre dentro dessas normas irá se sentir deslocado e, mais cedo ou mais tarde, perceberá que está no lugar errado.

Ser humilde significa seguir essa postura e quando perguntado: “Que vindes fazer aqui?”  responder com convicção e com orgulho: “Vencer minhas paixões, submeter minha vontade e fazer novos progressos na Maçonaria!”


Aquele Maçom que se deixa contaminar pelo sonho passageiro de poder, seja na vida profana ou até mesmo dentro da Ordem infelizmente não entendeu a beleza e a profundidade dos nossos ensinamentos.

Conta-se o caso que no México, há muitos anos, um Maçom foi condenado injustamente à morte. O caso teve grande repercussão dentro e fora da Maçonaria. O Presidente do México era Maçom e um dia estando em Loja, ocupando o humilde cargo de Guarda do Templo ouviu quando os Maçons indignados discutiam a condenação do Irmão. Foi então que um dos presentes sugeriu que o Presidente do México poderia comutar a pena do referido Irmão.

Arguido pelo Venerável Mestre a resposta foi a seguinte:

“Venerável Mestre este guarda do Templo que vos fala nada pode fazer, mas se o Venerável permitir a minha saída, quem sabe o Presidente do México possa fazê-lo!”

O Irmão condenado foi salvo. Esta pequena narrativa mostra primeiro, aquilo que dizíamos anteriormente que a Maçonaria nivela a todos sem distinções de cargos e de títulos; e, em segundo lugar, a humildade do Presidente do México que sem dúvida entendeu muito bem a frase “sic transit gloria mundi”.

Ser humilde é desbastar esta pedra bruta que somos e com tolerância, bondade e amor tratar não só os seus irmãos, mas também aqueles com os quais convive na vida profana. 

Não somos perfeitos e assim sendo, dentro da Maçonaria, encontraremos exemplos de irmãos que por sua postura e pelas suas atitudes são exemplos a serem seguidos, todavia outros existirão que mesmo tendo chegado aos graus mais elevados da Ordem parece que nada entenderam e continuam pedras brutas a serem lapidadas.

Devemos ter sempre em mente que a Maçonaria é perfeita nos seus ensinamentos e naquilo que tenta modificar dentro de cada um de nós, porém nem todos os Maçons entendem desta forma e alguns permitem que o falso brilho das coisas possa ofuscar estas verdades.

Pior que a falta de humildade é a vaidade. 

O Maçom tem o dever de constantemente policiar os seus procedimentos para evitar que a vaidade possa fazê-lo esquecer dos ensinamentos recebidos, que somos todos iguais e que na Maçonaria não existem distinções de títulos e de cargos.

A vaidade, literalmente falando, é a qualidade do que é vão, vanglória, ostentação, presunção malformada de si.  Nos dicionários, soberba, orgulho, arrogância são palavras muito próximas de vaidade.  Homens tomados por esses sentimentos são os que olham para si como dignos de admiração pelos outros.  Imaginam que estão acima das demais pessoas.

Infelizmente, muitos Maçons não conseguem se desvencilhar desse vício, pavoneando sua condição de algum cargo recebido, por menor que seja exigindo tapete vermelho e deixando ao largo a modéstia.

Ainda bem que esses tipos são poucos...

E. Figueiredo & Caio R. Reis são Maçons Eméritos e obreiros da ARLS Verdadeiros Irmãos, 669.


quarta-feira, 13 de setembro de 2017

FRATERNIDADE MAÇÔNICA


Quando se fala de “Fraternidade Maçônica”, para mim, tem um significado muito mais para “além” de considerarmos os maçons de: Todos os Irmãos!

Consideramos como são “Irmãos”, porque foram “escolhidos” para tal, onde, alem do sentimento fraterno de irmão para irmão, como se tem com um irmão de família, neste caso são escolhidos, não por razões familiares, mas sim por poderem ter “potencialidades” de atuar, fazer, ou dar, não só “Amizade”, não só “Conforto”, não só ”Caridade”, não só “Amparo”, mas antes e ainda mais, que algo que está inerente a qualquer pessoa bem formada vivendo em comum! Devemo-nos lembrar dum lema, também utilizado num movimento de solidariedade e, emprestado aqui, que é: “Dar de si, antes de pensar em si”!

Não é fácil! É mais fácil dizê-lo, do que fazê-lo!

Por isso é que em Maçonaria, vai-se interiorizando, passo a passo, os conceitos de “fraternidade”, não só os discutindo, mas “estudando-os” sobre os mesmos, como ainda, desvendando os símbolos que são apresentados aos poucos na “loja” que é a sala em que se reúnem de “Grau” em “Grau”, de modo a podermos melhor absorver, discutir e progredir!

É um “Caminho” longo, persistente, mas necessário! Motivo porque alguns dos “Irmãos” desistem a meio ao se aperceberem que nas ditas Reuniões em Loja, as discussões que surgem, os passos com que se avança, são mais longos e complexos do que fossem simples reuniões de amigos que têm alguma coisa em comum como: pertencer ao mesmo clube desportivo, pertencer à mesma religião, ou pertencer à mesma política! Não, é muito mais do que essas intenções associativas! Como tal, só alguns são escolhidos e só alguns é que permanecem nessa busca “mais elevada”, “mais profunda” e mais “responsável”!

A “Fraternidade” ensina-se, educa-se, responsabiliza-se e dá o fruto de se ser “Bom”, “Saudável de Espírito”, “Útil para a Sociedade” onde se vive e que nos rodeia e, ao mesmo tempo, dá o consolo de se ter sido escolhido como irmão “válido” durante o breve tempo que permanecemos neste Mundo que nos rodeia!

A auto-análise que se procura, auxiliada pelos ditos “Irmãos” mais antigos e experientes, vai ajudar nesta progressão de autoconhecimento, auto-formação benéfica não só para o próprio mas, também, será compartilhada com todos os outros “Irmãos” e com a Sociedade onde se vive, incute uma “Sabedoria” progressiva, válida para o próprio e para quem se convive!

Lisboa, 24 de Julho de 2017

Luís Rosa Dias (Mestre Maçom)     


segunda-feira, 11 de setembro de 2017

O RITUAL É DISCIPLINA E ORDEM


Consola-me é saber que maçom não morre; vai para o oriente eterno.


A sessão maçônica é sempre uma ocasião especial, e deve ser regida pelo cumprimento inflexível do ritual, que é simplesmente a maneira como as coisas devem ser feitas. O ritual é um procedimento padrão para impor a ordem, disciplina e respeito aos trabalhos.  Até nas atividades diárias existe uma ritualística que precisa ser obedecida por todos para que haja ordem.

Numa reunião empresarial deve haver uma norma ritualizada que discipline a sequência dos trabalhos, para discussão de cada item agendado, sem isso haveria falta de ordem na condução dos assuntos, gerando uma preciosa perda de tempo. Assim haveria um mal resultado, e o que se discutiu, seria até questionável.

E o Ritual, na Loja, como tem sido tratado? Muito mal às vezes. Fico desconsolado, quando vejo um Venerável, sem que o irmão tenha direito, o autorize a baixar o sinal de ordem ao falar.   Aliás, esta “gentileza” às vezes, é só aos irmãos postados no Oriente, nem sempre aos do Ocidente, criando assim duas classes de irmãos no templo, os que obedecem ao ritual, e os que pela “bondade” do venerável não obedecem). 

Desinformados e maçonicamente incultos, ou por desconhecerem a ritualística, alguns Mestres, não sabem o significado esotérico que é “Estar de Pé e à Ordem”, esquecendo-se que isso é uma exigência do ritual. Poucos são os casos em que se tolera dispensar o maçom do Sinal de Ordem, entre eles; para altas dignidades maçônicas, para irmãos em idade provecta e para irmãos que estejam com algum problema de saúde. Pasmem irmãos, até aos aprendizes tem sido dispensado à obrigatoriedade de falar de pé e a ordem.

Não vêem esses Veneráveis, que nessa posição (de pé e à ordem), em relação aos demais que estão sentados, o irmão pode mais facilmente ser visto e ouvido, e pelo sinal que faz, mostra o grau em que a Loja está trabalhando.  Mais ainda, assim postado, a palavra mal pronunciada, a idéia mal explicada soam mais altas e claras, sendo necessário todo o cuidado ao enunciá-las. E não é só isso, estar de pé e à ordem, nos faz lembrar que o sinal gutural é o compromisso de honra de guardar segredo, que juramos no dia de nossa iniciação.

O ritual serve para organizar, e ordenar os trabalhos em Loja, garantindo a todos igualmente a participação, à seu tempo. Outro ponto importante, é que o irmão não pode fazer apartes, caso a palavra já tenha passado ritualisticamente pela sua coluna, e somente na sessão seguinte, ele poderá tratar do assunto. 

As normas contidas no ritual são sábias, pois passada uma semana, ambas as partes terão meditado e a solução surgirá de maneira conciliadora e racional. A Maçonaria usa o ritual de forma a expor seus ensinamentos filosóficos, seguindo passo a passo, esse conjunto de normas que é muito rico e antigo, remontando aos primórdios da secular criação da Ordem.

Não pode nossa geração, deturpar esse conjunto de regras, criado por Elias Ashmole, há quase quatro séculos, que nos tem guiado por todo esse tempo.

Se a Bíblia é o Livro da Lei, nosso código de moral, ética e religiosidade, O Ritual, é o manual que nos ensina a maneira correta de falar, caminhar, se portar, ouvir e falar em Loja.  É um conjunto perfeito que deve ser obedecido “ipsis literis”, como está.

A Ordem Maçônica se mantém justa e perfeita no caminho reto e plano, pavimentado com pedras ritualisticamente desbastadas e polidas, como exige o ritual. Se executado corretamente, nem notamos seu desenvolvimento na sessão, pois o ritual é vida, é o coração que pulsa enviando sangue para todo o corpo maçônico, reunidos em Loja na mais perfeita e harmoniosa Egrégora.


Laurindo Roberto Gutierrez


Loja de Pesquisas Maçônicas Brasil- Londrina-PR
Loja de Pesquisas Maçônicas Chico da Botica- Porto Alegre-RS





sexta-feira, 8 de setembro de 2017

MAÇONARIA É CAMINHADA


Sinopse: Incentivo a caminhada maçonicamente orientada.

Pode-se descrever a Maçonaria como instituição de formação cívica, moral, escola de deveres, ciência de busca da verdade divina, instituição orgânica de moralidade com objetivo de eliminar ignorância, realizar filantropia, combater vícios e inspirar amor na humanidade. Mas Maçonaria não é definível. Isto porque abrange todo o conhecimento humano conhecido e desconhecido.

A marcha do simbolismo representa esta diversidade do pensamento como o sair da reta e retornar para ela. Cabe ao maçom duvidar de verdades, modificá-las e retornar fortalecido para a reta, em direção à sabedoria. O vaivém da dúvida define a Maçonaria Especulativa, a especulação do pensamento lato, a busca na racionalidade em respostas a questões que orientam e constroem o homem.

Inicialmente o maçom lida com o "conhece a ti mesmo", de Sócrates. Caminha na reta, busca conhecer-se. Aperfeiçoa o intelecto na materialidade onde se identifica como indivíduo. Desbasta a pedra bruta em sua manifestação material.

Especula em torno de um espírito de condição melhorada onde desenvolve a admiração ao conceito de Grande Arquiteto do Universo. É caminhada para a espiritualidade. Vê a luz da sabedoria que solicitou ver e inicia uma amizade com esta sabedoria. Num segundo estágio trabalha o "penso, logo existo", de Descartes. Pensar é ser. O pensamento vai mais longe. Diagnostica o ser, transcende a si mesmo. Busca metas e conhecimentos fora da reta.

Começa a especular e, com isso, adivinha outras belezas que o conhecimento ainda não determinou. Descobre que o pensamento busca a luz que solicitou e consubstancia riquezas que o tirano não pode usurpar. Busca o conteúdo interno da pedra que tende a transformar-se em pedra polida na relação direta com que especula sua realidade e razão de ser. Torna-se ainda mais amigo da sabedoria.

A Maçonaria Especulativa tem por objetivo espalhar os pensamentos da ordem maçônica para todos os cantos da Terra e é essencialmente conspiratória. 

Conspirações que, pelo pensamento especulativo iluminista mudou profundamente o desenho político nos séculos dezessete e dezoito onde promoveu a independência de países e fomentou a Democracia.

Maçons especularam em templos maçônicos e realizaram magníficas obras em prol da sociedade. Não guardaram segredo da ação maçonicamente orientada. Divulgaram e agiram conforme o que debateram nos templos.

Maçom! Não permita que o fogo da Maçonaria Especulativa se apague dentro de ti. Não te restrinja ao cumprimento automático de rituais e estudos obrigatórios ou esqueça-se da essência do pensamento especulativo de onde nasce a capacidade de mudar a si mesmo e à sociedade. Teu dever é opor-se a obscurantismo, despotismo e tirania. Coloque em prática o que desenvolve em loja.

Continue cada vez mais amigo da sabedoria, do grego "philos" "sophia". Ser maçom é filosofar! Para divulgar a filosofia da Maçonaria use de todos os meios disponíveis de comunicação. Os pensamentos que iniciam dentro de loja devem continuar em todos os recantos e até no espaço cibernético.

Não divulgar o que se especula e conspira em loja torna sem propósito o reunir-se em templos maçônicos. O maçom especulativo livre não permite que lhe calem ou subjuguem o direito de pensar e expor seus pensamentos especulativos onde quer que seja! Romper com esta obrigação tomada por juramento é falhar consigo mesmo e a sociedade.

A caminhada pelo simbolismo da Maçonaria é o ensino fundamental no Rito Escocês Antigo e Aceito. Outras portas são abertas, numa preparação que pode levar até quinze anos para se chegar ao doutorado e então iniciar outra caminhada, com outros alvos de servir a Maçonaria Especulativa, a si mesmo, aos irmãos e a sociedade.

A caminhada para manter vivas as três colunas do simbolismo que suportam o Rito Escocês Antigo e Aceito honram e glorificam a criação do Grande Arquiteto do Universo. Isto não se faz sem tornar-se amigo íntimo da sabedoria e divulgar a filosofia da Maçonaria a todos os cantos da Terra.


Sinopse do autor: Charles Evaldo Boller, autor, engenheiro eletricista e maçom de nacionalidade brasileira. Nasceu em 4 de dezembro de 1949 em Corupá, Santa Catarina. Com 61 anos de idade.

Loja Apóstolo da Caridade 21 Grande Loja do Paraná.

Rito: Rito Escocês Antigo e Aceito

Local: Curitiba.

Grau do Texto: Aprendiz Maçom.


terça-feira, 5 de setembro de 2017

CONSIDERAÇÕES A UM NEÓFITO


 (RECÉM INICIADO)

PARABÉNS, IRMÃO!

Seja bem-vindo a uma das mais antigas fraternidades iniciáticas do mundo, a qual esteve sempre, discretamente, presente nos importantes momentos históricos da Humanidade e permanentemente, ajudando a sociedade ter evolução positiva. Isso tem sido uma tarefa árdua, pois as forças involutivas tentam, a todo custo, e com diversas “armas”, impedir qualquer progresso contra a mediocridade reinante, e o panorama sombrio da conduta humana no Mundo.

Saiba, porém, que o seu maior inimigo poderá ser você mesmo, caso não se empenhe ou deixe de incorporar os altos valores que a nossa Ordem defende.

Agora, sobre sua pessoa, repousam a honra e a responsabilidade da Maçonaria definida, classificamente, como “Corpo institucional de busca permanente da verdade e sistema de moralidade ilustrado por símbolos e velado por alegorias.”

Lembre-se sempre, em sua participação, do que falou Confúcio (551-479 a.C) filósofo chinês:

“Para onde quer que vá, vá de todo coração!”

As orientações a seguir destinam-se a tornar seu caminho iniciático mais fácil e prazeroso em busca da verdade, de sua origem, de quem você é e para onde está indo.

ENTRADA E CONDUTA NO TEMPLO MAÇÔNICO


O Aprendiz, mantendo uma reverência profunda, deixando de lado problemas do mundo profano, ingressa no Templo em primeiro lugar e coloca-se no Ocidente, na Coluna do Norte, região à esquerda da porta de entrada, onde permanecerá em silêncio, sentado com a coluna vertebral ereta, mãos sobre os joelhos, pés descruzados. Falará apenas quando a fala lhe for permitida, batendo palmas, ficando de pé e à Ordem, cumprimentando a seguir as autoridades e participantes da Sessão Maçônica.

Ao falar deve respeitar o tempo regimental, não comentar tema fora da etapa em que se encontra não abordar política e religião, não realizar pronunciamentos enfadonhos nem muito longos e prolixos; não demonstrar postura de superioridade e lembrar-se que o Templo é local sagrado e simbólico.

Ocorrendo algo que o impeça de continuar participando da cerimônia, proceder da seguinte forma:

Pedir permissão ao Vigilante da sua coluna para poder ausentar-se, depositar o óbolo no Tronco de Solidariedade, prestar juramento de sigilo, entre as colunas J e B. Ter sempre presente em sua participação a tríade ”Ver, Ouvir e Calar!”.

 Dilson C.A. Azevedo


domingo, 3 de setembro de 2017

LAPIDANDO MINHA PEDRA


Desde que me iniciei nesta Augusta Ordem, e desde que adentrei ao templo em busca da verdadeira luz, me foi sempre dito que deveria lapidar minha pedra bruta.
Disseram-me também que este lapidar seria um trabalho lento e solitário, onde deveria aparar minhas arestas sem reparar nas imperfeições de outras pedras.

Entretanto, a solidão na caminhada ao espiritual não significa viver apartado das pessoas, pois o crescimento sem a companhia dos irmãos é impossível, visto que desapareceriam os referenciais que servem de colunas de orientação.

Da mesma forma, torna-se impossível lapidar minha pedra sem reparar nas pedras a meu lado que me servem de vetor e por isso mesmo de orientação em minha lenta lapidação. É muito fácil dizer que eu não reparo na imperfeição da pedra alheia e por isso também não vou querer que reparem na imperfeição da minha.

A Maçonaria é sábia e perfeita em seus ensinamentos e nada nos é colocado sem que haja uma razão de ser. Se no primeiro grau simbólico a pedra bruta tem que ser desbastada, ela terá sempre como molde a pedra cúbica.

Para que possa o Aprendiz galgar sua subida na escada de Jacó, ele sempre terá como modelo o Companheiro. Dá mesma forma, o Companheiro no polimento de sua pedra cúbica aprimorando-se em busca da perfeição maçônica, também o fará moldando-se no modelo da pedra polida, que por seu polimento reflete a sabedoria e conhecimentos do Mestre.

Daí a importância em reparar nas perfeições e porque não dizer nas imperfeições de outras pedras, pois até mesmo o errado nos é importante para que saibamos o que vem a ser o certo. A maçonaria é perfeita, mas o homem, este, está fadado à imperfeição, pois vive ainda em sua constante luta entre o espírito e a matéria.

Vemos também a necessidade de um aprendizado em conjunto nas palavras de Lev Vygotsky que particulariza o processo de ensino e aprendizagem na expressão “obuchenie” própria da língua russa, que coloca aquele que aprende e aquele que ensina numa relação interligada e diz ainda que “na ausência de outro, o homem não se constrói homem”. Pois se de uma forma devemos abrir nossos corações para o que nos ensinam, da mesma forma quem nos ensina deve saber tocar nossos corações.

A grande importância de nos reunirmos está em revigorar nossas forças para o solitário desbastar de nossas imperfeições, pois além do carinho, da fraternidade, do amor que nos une e nos fortalece, está também o exemplo que damos e que seguimos. Pois fica, assim, mais palpável para nós, tornarmos pessoas melhores, se estivermos ao lado de pessoas que consideramos e admiramos.

Jean Piaget, Emília Ferreira, Tânia Zagure, Paulo Freire, Rubens Alves, entre tantos outros pedagogos e pensadores são unânimes em reconhecer que aprendemos mais pelos exemplos que temos do que pelas palavras que nos falam, ou seja, a máxima – faça o que eu falo, mas não faça o que eu faço – não funciona nem em nossa infância, quanto mais em nossa maturidade. E, sendo assim, não adianta dizer que por ser um trabalho solitário, tal trabalho não me dará responsabilidades para com as pedras a meu redor, não basta polir somente a minha pedra, tenho que também servir de exemplo para o polimento de outras a meu lado.

Todavia, inerente a tal afirmativa, o maçom está fadado a ser sempre um exemplo a ser seguido, um exemplo de moral, virtude, sabedoria, instrução, bondade, tolerância, ou seja, estará sempre sendo cobrado em sua luta eterna na construção de castelos a virtudes e masmorras ao vício.

O Aprendiz vem a ser um exemplo de modelo ao profano, e terá o Companheiro como modelo, que por sua vez se espelhará nos Mestres, pois a Arte Real sabiamente dividiu os graus simbólicos em três da seguinte forma: no primeiro conheça a ti mesmo, vença suas paixões e submeta suas vontades; no segundo adquira conhecimento, através das ciências para que no terceiro já esteja pronto para ministrar os conhecimentos adquiridos e venha a formar novos Mestres.

Daí, a importância de nos reunirmos, tanto em loja, quanto fora dela em nossos momentos de ágape, para que na troca de experiências possamos nos aprimorar, e comungando, em fraternidade e harmonia, possamos revigorar nossas forças para a árdua caminhada em busca de conhecimento e sabedoria para nos tornarmos homens melhores, servindo de exemplo ao resto da humanidade.

Autor: Irmão Ivan Barbosa Teixeira
ARLS Vale do Itapemirim 


quarta-feira, 30 de agosto de 2017

A MAÇONARIA VERDADEIRA, UMA ESPERANÇA!


É verdade que a maioria dos homens, cegos e fascinados pelo poder, se esquecem que as edificações destinadas à humanidade não podem prescindir de certos valores, principalmente os valores espirituais.

Há muito temos procurado saídas para esse estado de coisas e a construção de uma estrutura espiritual da Maçonaria, para que os verdadeiros maçons, tomados de coragem, esperança e fé, deixem os limites de suas oficinas e substituam a Maçonaria doméstica praticada, pela Maçonaria Universal.

Analisemos duas frases gravadas na câmara das reflexões:

”Se sois capaz de dissimulações, tremei, porque penetraremos e leremos o fundo do vosso coração”.

“Se temeis ter descoberto os vossos defeitos, sentir-vos-ei mal entre nós. Afastai-vos!”.

Os vocábulos que compõem tais frases são claríssimos e representam a base iniciática da Maçonaria, a base da iniciação verdadeira e o autoconhecimento.

O idealismo sincero deve habitar e, até mesmo, inflamar o coração dos maçons. É necessário que isso aconteça, mas não é suficiente. Apenas desejar a verdadeira Luz e a assistência aos menos favorecidos é muito pouco para nós. É imperativa a realização, a transformação da alma, conseqüência de um trabalho árduo de reforma interior, resultante de novos hábitos, o que não se consegue somente por esforço intelectual. Tais mudanças exigem coragem, sacrifício e, sobretudo sinceridade consigo próprio, por sinal tarefa das mais difíceis.

Para muitos, a Ordem tem crescido, e bem, porque consideram crescimento o simples aumento quantitativo sem se questionar sobre a qualidade dos novos maçons e porque não, também, sobre certo comodismo por parte dos mais antigos.

A seleção deficiente, a preocupação com o status do candidato, a ausência de instrução maçônica, o abandono do ritual, a indisciplina, os usos e costumes, o desrespeito à hierarquia e a prevalência da lei da vantagem têm transformado algumas lojas em ineficiente clube de serviços e assim, estimulando os iniciados bem intencionados, desencantados, a deixarem nossa Ordem.

O mundo de hoje é regido pelo materialismo; apesar do esforço e do clamor das religiões, vivemos rodeados de espelhos a refletirem imagens deformadas, que por um direcionamento habilmente manipulado pelos órgãos de comunicação, formam mentalidades condicionadas, alcançando todas as idades, principalmente as mais jovens.

Não é culpa do progresso científico e tecnológico, mas do seu mau uso, não possibilitando um progresso espiritual paralelo, criando a cada dia, mais necessidades materiais e tornando o homem um egoísta, um egocêntrico.

Mas sejamos otimistas! 
A Maçonaria talvez seja uma das únicas instituições capaz de reverter esse panorama; para isso, basta devolvermos a ela a sua real identidade. 

Necessitamos readquirir as bases da verdadeira iniciação, perder as vaidades, retirar todos os resquícios da intolerância, do egoísmo, do radicalismo, da superstição e da ambição desmedida que nos cega e não permite a renúncia.

A tarefa principal da Maçonaria é oferecer a verdadeira educação espiritual aos próprios maçons, educação esta, capaz de alterar profundamente as bases de suas convicções profanas. Muitos hábitos terão que ser desfeitos e substituídos por outros. Os maçons no mundo profano, através de seus exemplos e testemunhos, formarão outros homens à sua semelhança, estes formarão outros e assim desenvolver-se-á uma reação em cadeia capaz de reformar a sociedade.

Procuremos, então, conhecer os princípios básicos da Arte Real.                        
Aprofundemo-nos, passemos à ação!


Trabalho do Ir.´. Carlos Modesto Cabreira. Loja 22 de dezembro nº 14 – Nova Andradina - MS


segunda-feira, 28 de agosto de 2017

MAÇONARIA EM LOJA


A organização da Maçonaria Regular tem uma base de sustentação, a Loja.

E a Loja tem como base os Obreiros que a compõem.

Quero eu acentuar com este começo de texto que os Obreiros, ao nível das Lojas, são os alicerces sobre os quais toda a estrutura se levanta.

Bom…, mas sendo os Obreiros homens, seres humanos com pernas, braços e o resto, como todo o outro interessa discorrer um pouco sobre o relacionamento entre os componentes desta estrutura que assume uma tão grande responsabilidade.

Quando alguém é proposto para iniciação na Maçonaria, necessariamente em nível de loja, é-lhe feito um inquérito e sobre isso já se escreveu aqui neste blog o suficiente para justificar que não gaste agora mais espaço com o porquê e o como do inquérito.

Mas interessa notar que sendo o inquérito, ele também, feito por homens, é evidentemente um exercício de conclusões falíveis, e pode acontecer que seja proposto para iniciação alguém que realmente não esteja em condições de admissão na Maçonaria.

Em boa verdade as exigências são absolutamente humanas, isto é, na prática apenas se exige que o candidato seja um Homem, assim com maiúscula, o que neste caso se resume no nosso dizer, “livres e de bons costumes” e queira verdadeiramente pertencer a esta estrutura.

Apenas isso.

Ainda assim pode acontecer um erro de apreciação, por parte de quem faz a inquirição ou da parte do profano que se apresenta a candidato, e quando isso acontece todos perdem.

É uma óbvia desilusão para todos, desencantamento para o candidato que só tarde percebe que afinal a Maçonaria não responde às suas interrogações e aos Irmãos que com ele contataram porque, à alegria de receber mais um membro na Família se segue a tristeza de verificar que afinal todos estavam enganados.

O relacionamento entre obreiros da Loja constitui o betão que garante a força da estrutura, de forma a que o “prédio” resista aos temporais que de tempos a tempos acontecem, tal qual na Natureza, e do qual a história da nossa Loja Mestre Affonso Domingues, também já contada aqui, pode bem servir de exemplo.

Este relacionamento tem por base duas variáveis, a saber, os procedimentos rituais (o “Ritual” como conjunto de regras formais que regulam a vida em Loja) e a Amizade entre os Irmãos membros daquela comunidade.

É no Ritual e na Amizade entre os Irmãos que assenta tudo o resto.

Se alguma destas variáveis falha, falha a Maçonaria!

Relativamente ao Iniciado muito pouco se sabe, habitualmente.

A Loja sabe que é conhecido do padrinho que o propõe e esse, sendo necessariamente um Mestre Maçom, merece a confiança dos restantes membros da Loja.

Depois, durante o inquérito, algo mais se fica sabendo, mas são conversas curtas, 1 hora ou 2, o tempo de um almoço ou algo assim, o que é manifestamente pouco tempo para conhecer alguém com pormenor.

Quando o Profano se apresenta para iniciação raramente a generalidade da Loja conhece detalhes da sua vida profana, nomeadamente a profissão, onde trabalha o que faz qual o grau de formação e por aí fora.

De fato não é isto que consta por aí, mas é isto o que acontece na verdade!

O que se pede a todos os Maçons quando em Loja é que deixem “os metais à porta do Templo”, e este pedido/exigência é frequentemente mal entendido por muitos, interpretando os “metais” como sendo a bolsa com os valores que eventualmente contenham (aquilo com que se compram os melões…).

Ora os “metais” que devem de ficar à porta do Templo são muito mais subjetivos do que isso.

Esses metais devem ser entendidos como os valores aos quais a profanidade dá importância grande, mas que em vivência Maçônica não só são dispensáveis como totalmente desajustados aos valores que a Maçonaria cultiva.

São a arrogância, a vaidade e a ambição.

Esses são os metais que, de todo devem ficar à porta, para que lá dentro reine verdadeiramente, e naturalmente, a igualdade e a fraternidade objetivos finais do nosso trabalho.

Sem isso surgirão as disputas por interesses particulares, a arrogância da saliência, a ambição por lugares de destaque.

Recordo palavras do nosso companheiro de blog Templum Petrus, “quem se humilha será exaltado, mas quem se exalta será humilhado”.

Pois saibamos verdadeiramente, convictamente, deixar à porta do Templo os nossos metais, principalmente aqueles, porque eles são o fruto da grande maioria (totalidade?) dos desencontros entre Maçons, tal como afinal são a razão de todas as guerras.

Cultivemos e levemos conosco a capacidade de compreender as diferenças.

Porque afinal, ser amigo do que gostamos ou do que nos é igual é fácil.

O que pode ser desafio interessante é a amizade com a diferença.

E para isso a abertura de espírito e a capacidade de aceitação é uma exigência.


Texto de J.P. Setúbal, Outubro de 2007
Do Blog A Partir Pedra

terça-feira, 22 de agosto de 2017

LUZ E SOMBRA!


Dois caminhos estão abertos aos olhos do mundo: Um é estreito e cheio de espinhos; outro é largo e liso, são as duas Veredas, a da Luz e da Sombra, ou melhor, a do Bem e do Mal, de acordo com a estreiteza de muitas consciências ou a sublimidade de outras...

A Luz não se manifesta sem a sombra!Como poderíamos reconhecer o Bem se o Mal não existisse? Como podemos encontrar beleza e perfeição numa tela que se diz de valor real, se ela não possuir os indispensáveis contrastes, para que, através da nuance das suas cores, todos os contornos se destaquem com vida e nitidez?

O segredo incomunicável e inexplicável é: a ciência do bem e do mal. A ciência que o discípulo deverá compreender para palmilhar, com segurança, a vereda da Iniciação até encontrar o Senhor, não mais à beira da estrada, mas dentro do sacrário de sua Alma...

"Quando tivermos comido do fruto proibido dessa árvore seremos como deuses", disse a serpente. "Se o comerdes, morrereis", responde a Sabedoria Divina. Sobre esse assunto Mme. Blavatsky expressava-se da seguinte maneira: "Entre a mão direita e a esquerda existe um tênue fio de teia de aranha". E J.H.S dizia: que o bem e o mal, frutificam numa mesma árvore e saem de uma mesma raiz. E que reunir o bem e o mal, é uma obra de alquimia difícil de ser resolvida, tal como juntar numa só fusão, dois metais desarmônicos ou antipáticos, como sejam: Ouro e Mercúrio.

No entanto, ouro é mercúrio e mercúrio é ouro, se soubermos interpretar a famosa formula mágica da Alquimia divina! V.I.T.R.I.O.L!

Mais de um mortal ousou erguer o Véu de ISIS (que é o da própria consciência), porém, ofuscados, talvez pela Luz intensa de sua Face resplandecente e bela, acharam-se no dever de compartilhar com seus irmãos em humanidade, das delicias sublimes que aquele Corpo encerra.
Assim foram Krishna, Hermes, Budha, Jesus e tantos outros Mestres; que se imortalizaram ao terem deixado para a humanidade um legado da mais alta significância, que um grande filósofo sintetizou nas seguintes palavras: "Os Homens são deuses embrionários".

Palavras de uma realidade absoluta! Pois, de fato, Deus fez o homem à sua imagem e semelhança, em Espírito. Que, a despeito das nossas faltas e dos nossos erros, permanece em nós a Centelha Divina. Que perdoando-nos reciprocamente tais imperfeições, mediante atos de Fraternidade, deixaremos de ser: "deuses maldosos", para nos tornarmos: "homens perfeitos".

Não será implorando a Deus que nos assista nos momentos de amargura e desespero, rogando-lhe que desça até nós, para nos prometer o triunfo nas Guerras ou fortalecer-nos o braço homicida, levantado contra a vida, a honra e os direitos dos nossos semelhantes na Paz. Mas, sim, elevando-nos, subindo até as alturas onde aquele Deus se encontra, para Lhe pedirmos com humildade sincera, que pelo Amor, nos converta em Homens e pelo Perdão, nos transforme em Deuses!...

Daí a necessidade que tem o homem, o pequeno arquiteto, de imitar o seu Criador, o Grande Arquiteto, no seu eterno trabalho de construir e edificar coisas belas e perfeitas...
Comunicação ECMAB


sexta-feira, 18 de agosto de 2017

OS “MAÇONS” INVENTADOS


Recentemente li um texto, onde o autor proclamou ter sido Martin Luther King maçom. Sabendo que os maçons são pródigos em “iniciar famosos à revelia” fui investigar o fato, fazendo contato com a “Masonic Research Society” (Sociedade de Pesquisa Maçônica).

De lá, respondeu-me o Dr. Tom Lewis Jr, Past Master (lá não existe a figura do MI) da Loja Mariner nº 2, oriente de Charleston – Carolina do Sul,  e também  membro da Loja Jackson nº 45 de Jackson - Tennessee.

Esclareceu-me o aclarado Irmão não existir na entidade qualquer registro pertinente à iniciação do Reverendo M. L. King Jr. E aduziu que, havendo consultado seu Venerável Irmão Nelson e ao Grão Mestre da Grande Loja, irmão T. A. Posey, também eles afirmaram não terem ouvido falar, nem visto documento algum que pudesse indicar eventual iniciação do entelado Reverendo.  Aguardo resposta do Memorial  Rev.  Martin Luther King Jr.

Como membro de uma Loja de Pesquisa que sou, fui atrás de outras fontes, havendo encontrado um texto do Dr. Brock H. Winters onde, em sua escrita, a exemplo dos demais consultados, nega peremptóriamente a existência de qualquer fonte a indicar a iniciação daquele líder.  Por mais umas semanas, continuei a investigar em fontes diversas, e descobri que após 32 anos de sua morte do Reverendo, numa ação totalmente absurda e sem precedentes , um Past Master da Loja Prince Hall, da Georgia, fez Martin Luther King Jr. “Maçon at Sight” (Maçom de Vista).  Uma Ordem Iniciática, não pode prescindir do Batismo ritualístco.

Em face desse aloprado ato, que culmina desacreditar nossa Sublime Ordem, o PM “Most Worshipful Master” da Loja Prince Hall, atual Grão Mestre da Grande Loja, da  Georgia, Irmão B. Barksdale, sustou a prática então adotada, pondo termo ao ato “post mortem”,  por falta de coerência do ato com a iniciação, vez que admitida unicamente em razão da fama e notoriedade do falecido.  Muitos famosos são apontados como Maçons por detratores da maçonaria, que acham estarem prejudicando os  indicados e a Maçonaria, em suas listas.

Fica o alerta; se um mestre disser que o Saci  Pererê  é maçom; não acredite.

Conclusão: os Maçons (os mestres) gostam de dizer que vultos eméritos revelados no passado e no presente foram Irmãos, talvez para se sentirem também famosos e importantes. Agindo dessa forma, parecem estar atribuindo à Ordem uma sociedade estabilizada por homens mortos, com o que desdenham a importância da iniciação e elevações e exaltações, atos que conduzem o espírito às alturas, autorizando serem reconhecidos como verdadeiros irmãos. 

O reverendo Luther King é apenas um caso entre centenas, onde se inclui Disney, Chaplin, Fernando Pessoa, Louis Armstrong, Mandela, Obama, Tiradentes, Aleijadinho e Castro Alves, nenhum deles com comprovação, por pífia que seja.  

Uma Ordem iniciática não pode prescindir da Cerimônia de Iniciação. Sem essa passagem não existe Maçom. Será que o atual estado de “anemia” da Ordem, com desprezo dos cerimoniais de iniciação, não tem origem nas veleidades desse tipo?  

Por - Laurindo R. Gutierrez*
*Loja de Pesquisas Maçônicas Brasil* -Londrina –PR
*Loja Pesquisas Chico da Botica-Porto Alegre






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