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“NÃO SERÃO ACEITOS COMENTÁRIOS ANÔNIMOS”

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

LIBERDADE DE PENSAMENTO


Quando dizemos que a Maçonaria é uma Escola de filosofar, assim o fazemos porque entre nós se exige estudo, pesquisa, meditação.

No entanto, não tememos afirmar que nossa Ordem é fundamentalmente filosófica, uma vez que ela tem por mira alcançar um ideal superior. A beleza do filosofar maçônico está no estudo comparativo dos sistemas filosóficos que a história nos proporciona.

A Maçonaria não se prende a uma escola ou a um determinado sistema, porque se tal o fizesse estaria tirando a liberdade de pensamento de seus membros, obrigando-os a seguir um único e mesmo caminho.

Haveria, então, é de supor-se, uma verdadeira lavagem cerebral; se tal ocorresse mais cedo ou mais tarde, nossa Ordem ou se desvirtuaria ou desapareceria.

O Maçom tem inteira liberdade de interpretação, pois o símbolo permite exegese variada e, muitas vezes, desigual.

Se houvera uma uniformidade obrigatória de interpretação, isto seria um verdadeiro atentado contra um dos sagrados postulados que ela prega: liberdade.

Portanto, é impossível, maçônicamente, alguém pretender fixar determinada corrente ideológica.

A preocupação maçônica pelo ser, pelo conhecer, pelo alcançar a verdade, exige análises, debates, troca de ideias e, sobretudo, respeito ao pensamento alheio.

O esoterismo se sobrepõe ao exoterismo, porque os problemas interiores merecem maior atenção que os exteriores.

O Maçom deve conscientizar-se de que tem um compromisso consigo mesmo, com o seu pensar, com o que fazer de sua vida maçônica.

Ele não pode prescindir de si próprio, não pode prescindir de seus direitos e, sobretudo, de seus deveres, porque se o fizera estaria negando-se como ser, como homem, como Maçom.

Não podemos escapar da grande verdade de que o saber humano, mormente o saber filosófico – vem do homem, pelo homem e para o homem.

Devemos ter sempre diante dos olhos esta verdade: a Maçonaria proporciona aos seus membros os meios necessários para que adquiram o saber. Infeliz do Maçom que disto não se aperceber. 

É necessário, no entanto, que tenhamos a melhor boa vontade em assimilarmos tudo àquilo que ela põe ao nosso dispor não só para adquirirmos o saber, mas também para alcançarmos aquele Grau de educação maçônica que nos projetará como verdadeiros e autênticos Maçons.

Autor:  Raimundo Rodrigues
Do livro A Filosofia da Maçonaria Simbólica – Vol. 1,Londrina : A Trolha, 1999,


sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

TU ÉS UM MAÇOM REGULAR?


Nunca houve essa pergunta nos graus de qualquer ritual maçônico da antiguidade ou da atualidade.

A questão da Regularidade Maçônica tem sido a principal luta priorizada pelas organizações maçônicas, as quais se voltaram unicamente para a burocracia e apegos superficiais, esquecendo-se da necessidade do aperfeiçoamento interior.

É lamentável ver maçons imorais, arrogantes, cheios de vícios e defeitos, galgarem os graus maçônicos, sem saberem qualquer significado das lendas ou dos personagens, sem retificarem sua moral, sua conduta social, arrogando-se “maçom regular” e imputando aos outros o anátema de “maçom irregular” ou “espúria”.

Para estes maçons, importa primeiramente saber, antes de qualquer coisa, qual a Loja Simbólica ou Potência/Obediência Maçônica a qual se está filiado, do que avançar no diálogo calcado em conhecimento histórico, simbólico e místico da Maçonaria. São os considerados “MAÇONS DE PAPEL”, que priorizam a carteira de identificação, o certificado de graus, atestados e declarações, os quais se encontram todos em suas paredes para exibição.

Mas afinal, o que significa “ser maçom regular?”.

Num tempo não longínquo, na época em que os pedreiros se reuniam em tavernas ou nos átrios de igrejas, ou ainda em campo aberto, seria impróprio perguntar a um irmão – “és maçom regular?”.

Não havia qualquer templo para reunião periódica, porque nem periodicidade era obrigatória entre os maçons.

Os templos, atendendo a um conceito contemporâneo, somente foram institucionalizados em 1726, mas inicialmente com muitas reservas.

Não havia “grau superior ou filosófico” ou mesmo o grau de mestre. Inexistiam os paramentos mais complexos, o painel do grau (que eram apenas um desenho riscado no chão, a giz ou com carvão), as colunas, os nós, os degraus, a balaustrada, os altares, enfim… a instituição maçônica era formada mais de irmãos do que forjada de aparências. O que antes era impensável e motivos de repulsa hoje se digladiam para saber quem é e quem não é “regular”.

Ultrapassado o preconceito de achar que Maçonaria sempre existiu tal como é hoje, ainda há a questão da regularidade. É evidente que ambos os termos “regular” ou “irregular” significam CONCEITOS DE EXCLUSÃO. Ou seja, quem é regular deverá atender ou atentar para as regras, normas, estatutos, formalidades exigidas de quem se presta a “conceder” a regularidade. Assim, essa disciplina gera subordinação, dominação, submissão a determinado conjunto de normas, usos, costumes da Obediência da qual se pressupõe a regularidade. Mas…

Quem foi a primeira “Potência Regular”?

Foi a dos Estados Unidos que organizou o primeiro Supremo Conselho ou a da Inglaterra, onde aparentemente se estruturou a primeira Loja ou Primeiro Grão- Mestrado?

Será menos “regular” a França que teve os pedreiros-livres em seu seio antes mesmo dos Estados Unidos virarem um país independente?

E o que dizer no Brasil? Será “regular” o Oriente mais antigo, com ou sem vários reconhecimentos internacionais ou as Grandes Lojas Estaduais, que se rebelaram daquele primeiro Oriente, fundando suas próprias Potências?

Qual das rupturas políticas gerou a “potência mais regular”?

E acaso se reconhecem uma a outra que convivem há décadas?

Observa-se que “regularidade” depende da instituição, conselho, congregação, para os quais se voltam o agrupamento que busque esse título “Regular”. Esse procedimento é como tudo o mais na vida, vinculante à coerência.

Uma potência pode se dizer “regular”, quando outra vizinha não a reconhece?

Afinal, será que a regularidade maçônica está sob o jugo e o cabresto de um conjunto de outras potências externas, elas mesmas lutando por ser “mais regular e reconhecida” que a outra?

Por óbvio, o raciocínio nesse diapasão não poderá prosperar, porquanto teremos a seguinte situação:

“Uma potência brasileira “X”, do século XIX se diz regular, da qual nasceu uma potência brasileira “Y”, por meio de um rompimento no século XX. Essa potência “Y” não é regular para a potência “X”, mas por ter sido reconhecida por um Supremo Conselho Internacional, o será para todas as potências ligadas a este Supremo Conselho, enquanto que a potência “X” torna-se irregular para este Supremo Conselho Internacional e suas demais Potências…”.

E então, como ficamos?

Ora, persistindo neste grande erro, a Obediência será e não será regular dependendo da conveniência política da ocasião, da instituição que a reconhece, dos interesses em jogo, da penetração social disposta no tabuleiro.

Como a maçonaria chegou a este ponto?

Onde ela errou tanto?

Como conseguiram desvirtuar a Maçonaria dessa forma?

Infelizmente hoje observamos Maçons corrigirem Maçons, dizendo o que é “certo” e o que é “errado”, mesmo que a história demonstre que nunca houve nada além de Lojas livres, sem subordinação, sem obediências.

É uma ignorância sem fim ver os doutos expedirem os pareceres sobre cores, colunas, nós, altares, disposição de oficiais, jóias, usos e costumes, e toda essa pletora de práticas que se compõe um ritual, o qual já sofreu centenas de modificações ao longo do tempo, por razões das mais diversas.

Foram tantas as mudanças e eram tantas as vertentes locais, regionais e nacionais, ritos dos mais diversos que não há como afirmar quem é regular ou irregular. Há os princípios gerais e só. Mais do que isso é fantasiar a história e mistificar a própria Obediência que sempre se arroga como “antiga, regular, aceita” e outros adjetivos. 

Na verdade, tais qualificações são apenas excludentes.

Afirmamos sem medo de errar que a estrutura profana tem dominado algumas potências maçônicas ditas regulares. Tribunais, Ministério Público, Defensoria, Conselhos, Tratados, Direito Maçônico, Jurisprudência, Atas, Secretarias, carimbos, carteiras.

Qual a origem disso tudo?

É tradição ou criação moderna?

Então, resta a pergunta: – Tu és um maçom regular?
Como responder?

É muito simples, ao contrário do que parece.

Para a Maçonaria Universal, MAÇOM REGULAR é aquele que:
1) Estuda com frequência e conhece o significado dos símbolos do seu próprio Rito.
2) É assíduo na loja da qual é filiado, arcando com todas as obrigações para com sua própria potência ou Rito.
3) Reflete e aplica na própria vida os ensinamentos adquiridos na loja que frequenta.
4) Estende a mão a outro irmão, quando necessário, sem atender à coloração política.
5) Transforma a sociedade ao seu redor, atuando positivamente para a fraternidade e liberdade.
6) Julga-se igual ao seu semelhante, não fazendo distinção de credo, raça, religião ou orientação política.
7) É um exemplo de vida e de compostura diante da sociedade.
8) Aplaina as divergências e fomenta o consenso, ainda que se despisse de vaidades.
9) É discreto quanto à sua própria condição.
10) Está preparado para a transição para o Oriente Eterno (morte), preparando os seus familiares e todos que estão à sua volta.

Todos os Maçons, Ritos e Potências que se enquadram nos princípios supracitados são regulares, sem necessidade de certificados ou tratados. Não é preciso qualquer certidão na parede para dizer ao público que se é HONESTO, assim como os atestados de regularidade são plenamente sem valor quando a potência ou a loja semeia cizânia, discrimina ou exclui.

A família do “irregular” vive contendas; Sua loja não pode contar com ele, porque não sabe se comparece ou não; Ele abandona sua loja, após galgar o grau pretendido; Ele deixa de estudar, de escrever, de dialogar, de palestrar, de conviver, tornando-se um poço de preconceitos sem qualquer explicação razoável.

“Ser regular” é ser honesto consigo mesmo e com o grupo a que se deve fidelidade. É simples, meus irmãos, é fácil e é ético.

Não deixe com que a “maçonaria de papel” vos contamine. Seja um homem livre e de bons costumes. Seja, pois, regular primeiro consigo e para com os seus…”.

Liber Grinmoire


quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

UM MAÇOM NUNCA ESTÁ SOZINHO


Quando o meu avô morreu, a meio da sua nona década de vida, comentou-me uma das minhas tias: "O avô morreu três vezes. A primeira foi quando a avó morreu. A segunda foi quando se apercebeu de que era o último dos da geração dele que ainda estava vivo. E a terceira foi agora." E continuou: "Sabes, há um par de anos foi ao funeral de um dos amigos de infância, e quando olhou em volta, viu-se sozinho. 

Aqueles com quem ele cresceu os que fizeram a escola ao mesmo tempo... já tinham ido todos. A partir daí, limitou-se a ficar à espera." Confesso que senti um arrepio ao imaginar como seria me sentir assim.

Anos volvidos, estou bastante mais seguro de que tal não me acontecerá. Não porque tencione morrer cedo - nunca se sabe, mas não tenho grande pressa... - mas porque os meus amigos não estão todos na mesma faixa geracional; é certo que tenho uns quantos amigos chegados que são de idade próxima da minha, mas a gama de idades dos que me são próximos é bastante alargada. E tenho, mesmo, alguns amigos que nasceram uma, duas, três ou mesmo quatro décadas antes de mim.

São homens a quem trato por tu, amigos próximos com quem partilho uma piada parva, membros da minha tribo perante a qual baixo a guarda. A um ou outro chego a cumprimentar, sem pensar, com um abraço e um beijo na face - tal como sempre fiz e faço ao meu pai ou ao meu irmão de sangue. Alguns nada têm que ver com a maçonaria, mas mais de metade são meus irmãos maçons.

Diz-se que, em maçonaria, "se faz amigos de infância aos quarenta anos". Só posso falar por mim - e confirmar que senti isso mesmo. O que nunca imaginei foi que, aos quarenta anos, fizesse "amigos de infância" de sessenta, e de mais.

De fato, das primeiras coisas que notei no dia da minha iniciação foi a variada gama de idades: havia um ou outro que ainda não tinha feito trinta anos, mas a maior parte estava entre os trintas e os quarentas - idade em que é mais frequente ingressar-se a Ordem - mas havia também uma boa quota de cabelo grisalho e branco. Hoje não dou por nada; somos todos irmãos, e todos nos tratamos da mesma forma: por tu, e com um respeito fraternal.

Entre gerações partilham-se histórias na primeira pessoa. Os mais antigos recordam tempos idos, explicam decisões passadas, mostram os erros cometidos permitindo que não tenhamos nós que os repetir. Os mais novos, por seu lado, instilam novo fôlego em assuntos batidos, vestem ideias vetustas com novas roupagens, e por ser novo para eles o que para os demais é já conhecido, mostram-no, por vezes, como se o fora pela primeira vez. A cumplicidade vai-se construindo, ano após ano. E os laços apertam-se, mesmo sem darmos por eles.

Imagino que também alguns dos mais maduros sintam que, aos setenta ou aos oitenta, fizeram amigos de infância que por mero acaso têm metade da idade deles. 

Especialmente a estes, e principalmente quando sabemos que precisam, fazemos por, mais do que estar apenas disponíveis, estarem mesmo presentes - e não os deixar sozinhos; isto se, evidentemente, assim o desejarem, que a liberdade de cada um é princípio absoluto entre nós.

Ao contrário do que sucedeu com o meu avô, espero que a nenhum deles desse razão para sentir que o último dos seus acabou de partir e os deixou para trás. E é por isto que sei que, quando estiver no seu lugar, só ficarei sozinho se assim o desejar.

Paulo M.


domingo, 17 de dezembro de 2017

A HONESTIDADE E O MAÇOM


Honestidade é a palavra que indica a qualidade de ser verdadeiro: não mentir, não fraudar, não enganar. Quanto à etimologia, a palavra honestidade tem origem no latim honos, que remete para dignidade e honra. A Honestidade pode ser uma característica de uma pessoa 

ou instituição, significa falar a verdade, não omitir, não dissimular. O indivíduo que é honesto repudia a malandragem e a esperteza de querer levar vantagem em tudo.

Honestidade, de maneira explícita, é a obediência incondicional às regras morais existentes (Fonte: significados.com).

Segundo o Islã, a Honestidade incorpora os conceitos de Sinceridade e confiabilidade, que reside em todos os pensamentos, palavras, ações e relacionamentos humanos. 

Honestidade é mais do que pura precisão; é mais do que pura Sinceridade; denota integridade ou firmeza moral. O Islã ordena autenticidade e proíbe mentir, pois Allah ordena que um muçulmano seja honesto: "Ai dos fraudadores, aqueles que, quando alguém lhes mede algo, exigem a medida plena. Porém, quando eles medem ou pesam para os demais, burlam-nos. Porventura, não consideram que serão ressuscitados, para o Dia terrível? Dia em que os seres comparecerão perante o Senhor do Universo?” (Alcorão 83:1-6).

Ratificando, o Profeta Muhammad alerta sobre os perigos inerentes à desonestidade e os benefícios de viver de forma honesta, dizendo: “a verdade leva à virtude e a virtude leva ao Paraíso. Além disso, um homem continua a dizer a verdade até que se torna uma pessoa sincera (As Sadiq). A falsidade leva à maldade e à malfeitoria, e a maldade leva ao Inferno, e um homem continua a mentir até que seja registrado perante Deus como um mentiroso.” (Saheeh Al-Bukhari). A Honestidade é sempre igual.

Todos nós sabemos o que é ser honesto. Não sendo preciso explicar. Quando nos relacionamos com pessoas que agem com honestidade, temos uma sensação de segurança e tranquilidade, pois sabemos que podemos confiar que ela não trairá nossa confiança (Fonte: Aisha Stacey - Islam Religion. com).

Diz a Torá que "quando um ladrão recita uma bênção, Deus fica irado" (Tehilim 10:3).

Deus torna-se irado, pois não apenas esta pessoa pecou pelo roubo, como também teve a audácia de pronunciar o nome de Deus sobre algo que foi adquirido por meio de desonestidade.

Cumprir uma mitsvá com algo que não foi honestamente adquirido é a maior de todas as deturpações. Numa sociedade altamente competitiva, podemos pensar que tudo é justo, especialmente se pudermos achar uma forma de fazer ações desonestas parecerem legítimas.

A Torá condena este modo de pensar. De fato, a maior devoção é atingida quando as pessoas cumprem as leis que regulam seu viver; desta forma respeitando os pertences e direitos do próximo.

A honestidade de uma pessoa deve ir além dos requisitos da Lei, e todos os seus procedimentos devem ser íntegros e justos para todos. Em todos os caminhos da vida, deve-se estar ciente de que Deus está sempre a assistir ao que fazemos e como agimos. Por isso, somos ordenados a: "Farás o que é recto e bom aos olhos de Deus" (Deuteronômio 6:18). A honestidade constitui uma qualidade humana que consiste em comportar-se e expressar-se com sinceridade e coerência, respeitando os valores da justiça e a verdade. (Fonte: Paulinho Rosenbaum - Professor e Palestrante).

Assim sendo, a Justa Medida faz lembrar ao Maçom em geral e a cada instante que todas as suas ações deverão ser plantadas com sinceridade, bom senso e espírito de justiça. Faz recordar o compromisso solene assumido quando da iniciação, de sempre agir dentro de uma escola de perfeita honestidade e retidão. (Fonte: Ação Maçônica Internacional)

Na Maçonaria se ensina e se pratica os princípios e os ideais da decência, honestidade, gentileza, honradez, compreensão e afeto. Nas Lojas maçônicas aprende-se a amar a pátria em que se vive, a se submeter às leis e às autoridades legalmente constituídas e considerar o trabalho como um dever essencial ao ser humano.

Nesta escola, se aprende que a maior honestidade é aquela que surge do compromisso assumido consigo mesmo, ou seja, aquela que brota o desejo de ser feliz. Que a pessoa honesta é a aquela que exerce a sua vocação para fazer da Honestidade seu verdadeiro caminho profissional e vital.

Uma pessoa honesta mostra uma lógica interna entre pensamento, sentimento e ação. Uma pessoa honesta não é hipócrita, ao contrário, ela emana uma luz especial graças a essa autenticidade que surge do coração.

A Honestidade é fruto do amor e do respeito para consigo mesmo e para com os outros.

Em outras palavras, a Honestidade é um princípio básico de sinceridade consigo mesmo e com os outros, é um valor fundamental na existência humana que se soma à verdade interior, solidificando as relações pessoais e vivificando a fraternidade entre os povos.

Desta forma, "em tudo seja você mesmo um exemplo para eles, fazendo boas obras. Em seu ensino mostre honestidade e seriedade" (Tito: 2.7).

Ainda que vivamos tempos inglórios, onde este atributo está ficando cada vez mais raro, lembremos que é dever do Maçom "fazer o que é correto (honesto), não apenas aos olhos do Senhor, mas também
aos olhos dos homens"
(2 Coríntios: 8.21).


Por Bruno Bezerra de Macedo

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

ALÉM DO AVENTAL


O que te faz maçom além do avental que usas?

Discussões dantescas a respeito de quando nos tornamos especulativos e deixamos de ser operativos são travadas por celebrados escritores. Nas origens e etimologia da palavra “pedreiro”, em grego “tekton”, é aquele profissional que se empenhava na transformação de materiais em construções diversas com variados materiais, veja bem, não se limitando a pedra.

Chamo a atenção pelo motivo de que às vezes nos achamos pensadores especulativos e na verdade deveríamos estar trabalhando em algo. Em quê?

A filosofia já cuida da mente. A ordem criada por Baden-Powell, das medalhas que usa sobre vosso peito que me lembram mais escoteiros que qualquer outra coisa. Os Clubes de serviço, da caridade. A política dos cursos das nações. O que resta a você como maçom?

O quê foi construído desde que iniciaste, além da evolução oriunda de qualquer ser humano que tem consciência cívica de melhorar a cada dia?

Os ritos e rituais em seu cerne almejavam ser o método do obreiro. E hoje se resume a ser discutido em termos e posições geográficas ou disposição de artefatos, perdendo-se a essência e finalidade de sua existência. Ou você acredita que foram criados para serem manuais de procedimentos simplistas?

O ritual é uma parte do laço místico. Como ou por que o homem deve fazer rituais e aprendê-los, amá-los, preservá-los, é tão misterioso quanto qualquer coisa na vida – mas sempre foi assim. Há algo profundo dentro de nós que exige uma forma definida de expressão: podemos dizer o pensamento de mil maneiras, mas nós o dizemos em uníssono e de uma maneira especial. E isto é verdade seja a Maçonaria, a Igreja ou a vida cotidiana que é preenchida com um ritual.

A pedra somos nós mesmos. Mas tendemos a cinzelar a pedra alheia. Isso é demagogia se você não trabalha em sua própria pedra. Mudar de grau não é evoluir, não passando de procedimento administrativo se não foi trabalhada a lição que o traz, por mais pomposo e ornado que sejas o avental quer agora usas.

Recentemente, em um grupo de comunicação Maçônica e De Molay, soltei um texto que tirava da zona de conforto e indagava a todos sobre seus deveres, resultado? Silêncio por horas. Quando o assunto é o dever, o trabalho, todos tendem a fingir que não é consigo mesmo, quando pensamos assim, de fato é conosco mesmo o problema.

O filósofo Marcuse em seu Livro “Eros e civilização” retrata essa gana da atual sociedade em satisfazer seus desejos às vezes maquiados em boas intenções.

O que você faz quando ninguém te vê fazendo ou o que faria se ninguém pudesse te ver” diz uma música. Maquiavel é ridiculamente estudado e utilizado como manual por jovens que creem aprender política com práticas traiçoeiras e vis.

O que a mão esquerda faz a direita não fique sabendo é ignorado por publicidade desmedida. O que te faz Maçom além do avental são os “nãos” que você tem firmeza pra dizer aos seus próprios impulsos e não o avental ou joia que usa.

Uma vez me foi dito, rasgue a “procuração” de quem faz mal. Indaguei sobre a indisposição criada. E me foi dito, se não tem vergonha de fazer o mal será você a ter por dizer?

Infelizmente constatamos que, atualmente, adaptada aos novos tempos, a Ordem é uma sociedade iniciática, mas social/recreativo-religiosa congregando seres humanos comuns que se ajudam mutuamente. Concluindo, esta reflexão, inquirimos se, modernamente, em nossas Lojas: Realmente erguemos templos as virtudes?!

Uma máxima em engenharia diz que não controlamos o quê não medimos. Além de suposições, qual o método que usas para te nortear na mudança de si mesmo? Ter consciência dos defeitos e falhas não passa mera reflexão feita por qualquer profano. Renascer para uma nova realidade por si só já é conceito do batismo de varias religiões em variadas culturas.

Um método interessante de trabalharmos em nossa própria pedra, a cada semana escrevemos uma virtude em nossas anotações, que queremos melhorar e intensificar, e ao findar o dia relatamos como nos saímos, e opõe dificultou de praticarmos a tal virtude. Isso é um exercício fantástico, e nos estimula a ficarmos vigilantes como prega nossos rituais. Alguns vão dizer, já faço isso de cabeça. Será?

E você meu irmão qual método utiliza?

A corrupção não esta em Brasília no planalto, mas nos nossos espíritos corrompidos que se calam…, o cantor Renato Russo disse, “vivemos entre monstros de nossa própria criação”, mas não temos medo da escuridão, o maçom hoje, teme a própria luz, por conta da aceitação social. 

Discutir maçonaria é falar sobre as dificuldades da prática de alguma virtude e por ai se aprofundar, e não erros de gráficas datas de fundação ou algum fator que qualquer historiador não iniciado poderia fazer e já fazem. Não que não seja importante, mas isso é demasiadamente simplório se comparado ao que realmente é a Arte Real.

Aos outros, a tolerância de serem como quiserem. A nós, a obrigação de sermos cada dia melhores.

 Irmão Bruno Oliveira – ARLS Amizade, Trabalho e Justiça nº 36


domingo, 10 de dezembro de 2017

FRUSTRAÇÃO EM LOJA, ISSO EXISTE?


É muito comum nos darmos conta de como fomos infelizes em relacionamentos, seja em casa, no trabalho ou em Loja. Por que nos sentirmos culpadas pelos dissabores dessas relações frustradas?  O problema são as expectativas que colocamos sobre as relações quando embarcamos em um empreendimento, achando que vai ser bom pra vida toda. Temos que nos conscientizar de que nem sempre aquela relação foi como esperávamos que fosse. Ai entra o amadurecimento.

Por que tenho que pagar o preço sozinho por tanta frustração? Esta e a conclusão que muitos chegam depois de anos de vida e luta em uma Loja Maçônica. Por que a conta cai sempre do lado mais fraco? A solidão, o choro, a mágoa e as frustrações. Não queremos mais pagar esse preço. 

Temos que dividir essa conta. Os Irmãos de Loja também tem que começar a dividir esse prejuízo. Por que essa falta de discernimento sobre o sentimento de algum Irmão afetado? O universo maçônico é bom. Não pode “aquele Irmão” só chegar, bagunçar, e ir embora, como se nada tivesse acontecido.

A verdade é que quando entramos num espiral de paixão (coisa proibida para os Maçons) passamos a não enxergar as coisas como realmente são. Acostumamo-nos até mesmo com os defeitos uns dos outros, e passamos a achar que tudo é normal, até que por fim se torna realmente normal, e já não enxergamos mais aquilo que nos faz infelizes, nos acostumamos com as falhas uns dos outros. Até que em algum momento um dos Irmãos, sente que algo não vai bem e começa a procurar algo de diferente, ai pede seu Quite Placet e vai embora.

Por que não podemos estar sempre alertas, dialogar e tentar encontrar caminhos de mudar aquilo que não vai bem em Loja? Podemos sempre melhorar como seres humanos e Irmãos. Temos que aprender a nos dar o devido respeito. A própria sociedade, cruel, sempre joga a culpa no que “fala”: Ele é sempre o culpado pelos dissabores no relacionamento em Loja, quando não é por ser muito possessivo , é por negligência, falta de atenção e cuidado com os irmãos. Esquece-se que nós Maçons  também temos nossas carências, nossas necessidades de atenção, somos seres feitos de puro sentimento e nos dedicamos por natureza às pessoas a quem amamos família e Irmãos. 

Precisamos aprender a nos reeducar e aprender a ter um segundo plano, não se pode jogar uma vida inteira nas mãos de Irmãos que não gostam de você, e não é somente no aspecto financeiro de Loja, não se pode ser mais um, mais um que paga a Mutua ou o aluguel, mas intelectual e afetivo também. O Respeito a cada Irmão, deve ser levado a sério, pois é humano e não só um nº de CIM.

Nada disto! Precisamos reagir. Vamos rever nossos conceitos, afinal nascemos para a felicidade, e tornar feliz a humanidade. Mas como isso de em Loja não há “clima”? 

Se em Loja o Irmão é podado, pelos “donos”? Se suas ideias e opiniões não são aceitas? Se o “mimimi” impera?

Conversar é uma saída pratica e leal. Coloque tudo em pratos limpos. 

Muitas Lojas abatem colunas, por causa de Irmãos, já vi isso, já senti isso, já vivi isso!

Então, a deixa fica: Cuide bem do seu Irmão, cuide de suas frustrações, faça-o sentir parte da Loja, faça-o sentir-se bem. Ai não haverá problemas e nem perdas.

Denílson Forato, M.I.      


quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

POR QUE PROFANO? ONDE ESTÁ O BUSILÍS?


Assim não profanarão as coisas santas dos filhos de Israel, que oferecem ao Senhor!
Levítico 22:15

Após alguém ser convidado para ingressar na Maçonaria, ao se referir a ele, diz-se que é um candidato ou aspirante a tornar-se Maçom.  Entretanto, não raro os adjetivos passam a ser outros.

Quando Lojas despacham convites para uma Sessão Magna de Iniciação, geralmente informam a Iniciação do "Profano"  e não, como deveria ser "Candidato".

Em sessões Maçônicas costuma-se dizer, quando um Irmão justifica a ausência de outro Irmão, que "fulano está ausente por motivos profanos".  Apesar de todos os presentes entenderem a mensagem, que o motivo pode ser profissional ou social, fica para alguns, que o ausente estaria cometendo algo condenável.  Profano...

Não obstante, a utilização desse adjetivo não está somente nos convites ou nas expressões para justificar ausência.  A própria cerimônia utiliza da palavra o tempo todo.

A Iniciação, para ingresso na Maçonaria, é o ato ou sequência de atos de natureza litúrgica, esotérica e simbólica, pelos quais se aceita um novo adepto e se transmite a ele a filosofia e a doutrina da Sublime Ordem.  É um ato ativo de ambas as partes: o primeiro inicia e o segundo se esforça para ser iniciado.  A Iniciação comporta uma morte e uma ressurreição ritualísticas.  O neófito é, simbolicamente, "morto", e, ao fim da cerimônia, é considerado um homem novo. 

SIC TRANSIT GLORIA MUNDI! - Renasceu!

A Iniciação equivale ao amadurecimento espiritual.

No Ritual de Aprendiz, uma explicação antes do texto da cerimônia de Iniciação, no item INICIAÇÃO, a referência é mesmo "candidato". Mas, no item DA PREPARAÇÃO DO CANDIDATO, a explicação inicia assim:

"O profano deve ser conduzido à Loja por seu padrinho..."

Já no item CÂMARA DE REFLEXÃO o candidato recebe o nome de Recipiendário (Que alguns dicionários dão como "aquele que é recebido em uma academia, em uma corporação de letrados, de sábios.")

No Ritual da cerimônia de Iniciação, propriamente dito, esporadicamente se fala "candidato", sempre se menciona "Profano".

No início da cerimônia, quando o Irmão Experto retorna da Câmara de Reflexão com a espada em punho, tendo na ponta espetado o testamento, ele diz:

"Venerável Mestre, o Profano cumpriu sua primeira obrigação!"

O Orador lê o documento e o Venerável Mestre pergunta:

"Meus Irmãos, estais satisfeitos com as respostas do Profano?"

(Observe-se que a palavra Profano é sempre grafada com a primeira letra em maiúscula!)

Durante toda a cerimônia, o candidato é referido como profano.

Nos dicionários, profano é tudo que transgride as regras sagradas, o que torna contrário ao respeito devido às coisas divinas.  Gramaticalmente, profano é adjetivo que qualifica o que é estranho à religião.  O adjetivo profano vem do latimprofanus: pro (=ante) + fanum (templo).  Aquelas pessoas que estavam dentro do templo eram consideradas sagradas ou religiosas;  as que ficavam fora ou na frente do templo eram as não religiosas, ou profanas.

Na Bíblia Sagrada, a palavra profano aparece em diversos capítulos.  Por exemplo, no livro do profeta Ezequiel, capítulo 44, versículo 23, reza:

"E a meu povo ensinarão a distinguir entre o santo e o profano, e o farão discernir entre o impuro e o puro!"

Acontece que a Maçonaria não é religião!

Se a Maçonaria não é religião não caberia, portanto, o adjetivo Profano para o candidato ingressar na Sublime Ordem!

Os mesmos dicionários dão como antônimo de profano as palavras "divino" e "santo", dentre outras, o quê nos direciona, também, à religião.

Qual seria a reação de um homem, ao ser convidado para ingressar na Maçonaria, dizer a ele que é um profano?  Inaceitável admitir tratar-se de uma gramática própria como na política, no cinema, na produção de automóveis e na sociedade.

Compreende-se que esse raciocínio, para os não iniciados serem tratados de profanos, não tem essa designação porque os Maçons seriam preconceituosos ou desrespeitosos para quem não pertence à Sublime Ordem, mas sim por serem estranhos e alheios aos conhecimentos dos assuntos ligados à Maçonaria. 

Ao analisarmos bem, seria um paradoxo trazer um profano de verdade para um ambiente de moral Maçônica, que é o maior escopo da Instituição.  E, nesse contexto, há de se convir, jamais um Maçom convidaria alguém para ingressar na Ordem sabendo-se que seria uma pessoa profana, na melhor acepção da palavra e por mais tênues quem fossem os sinais.

Como substituir a palavra "Profano" se os seus sinônimos são "sacrílego", Ímpio", "Irreverente", "Irreligioso", "libertino", todos eles se referindo transgredir, violar, infringir uma regra sagrada??!...

Aí é que está o busílis!...



Obras consultadas:
  Eliade, Mircea - O Sagrado e o Profano
    Huxley, Francis  - O Sagrado e o Profano
    Pacheco, jr,  Walter - Entre o Esquadro e o Compasso
  Siqueira, Francisco Mello - Jesus e a Moral Maçônica
  Ritual de Aprendiz  - GLESP
  Bíblia Sagrada

 E. Figueiredo – é jornalista – Mtb 34 947 e pertence ao CERAT – Clube Epistolar Real Arco do Templo/Integra o GEIA – Grupo de Estudos Iniciáticos Athenas/Membro do GEMVI – Grupo de Estudos Maçônicos Verdadeiros Irmãos/Obreiro da ARLS Verdadeiros Irmãos – 669 – (GLESP)


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