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quinta-feira, 28 de julho de 2016

VELAS E SEU SIGNIFICADO NA MAÇONARIA


Um ensaio sobre as Velas e seus usos na Ordem.

Toda vela ao ser acesa, ou será como iluminação, ou como ornamentação do ambiente ou então fará parte de um ritual onde a concentração mental e a chama como elementos simbólicos comporão um processo especial onde acontecerá uma intenção, como por exemplo, um desejo, uma promessa, uma oferta votiva uma invocação quer com fins religiosos ou mágicos.

Na Maçonaria, nos ritos em que elas existem, participam de um simbolismo muito profundo quando da invocação de Deus, no inicio e durante e no final de uma sessão ritualística.

É importante o uso do poder da mente e o desejo de se obter algo quando se acende uma vela. Uma das velas usada na Maçonaria é uma vela grande chamada círio a qual deverá ter em sua composição mais de 50% de cera de abelha, o que lhe garantirá uma chama pura.

As velas são usadas desde a mais remota antiguidade, inclusive sendo usadas pelos pagãos e pelos povos primitivos ou como iluminação ou com fins iniciáticos ou religiosos. Somente a partir do século V foi que seu uso se generalizou na Europa.

A vela não é, portanto, um símbolo criado pela Maçonaria, sendo emprestado da Igreja Católica adotado por ela, e que também copiou dos antigos e deu sua própria versão. As verdadeiras velas são constituídas por um bastonete de cera de abelhas, ou então as fabricadas hoje industrialmente não sendo, portanto, as verdadeiras velas de outrora, onde usam uma composição de acido esteárico ou de parafina que envolve uma mecha luminosa, cuja combustão fornece uma chama luminosa.

A matéria prima mais empregada era a fabricação de velas era cera de abelha, sebo, óleo de baleia, gordura animal. Posteriormente a indústria mais desenvolvida passou a usar produtos de destilação do petróleo, xisto betuminoso (parafina) bem como ésteres esteáricos da glicerina (estearina). Nas funções religiosas da Igreja Católica são usados os círios que é em realidade, uma vela grande. A maçonaria adotou o mesmo critério. Durante séculos os círios foram fabricados em cera de abelha pura. Isto é, sem mistura.

A chama de um círio é para os Maçons, pura, viva e ritualística e há nela uma profunda espiritualidade. Enquanto que a chama produzida a gás, ou por velas de estearina ou parafina, que fazem parte das velas comuns, e ainda por lâmpadas elétricas imitando uma chama de vela são estranhas artificiais e impuras, mas substituem as velas de cera, porque tudo mudou no mundo.

Os tempos mudaram a Maçonaria, não em seus princípios que continuam duradouros, mas mudou e os maçons de hoje também mudaram, mas a essência deste simbolismo não mudou e através da imaginação e do seu poder mental os maçons podem sentir que as ditas velas chamadas impuras possam fazer o mesmo efeito simbólico das velas puras, pois tudo é simbolismo.

É tudo uma questão de reprogramação mental Hoje as velas de cera de abelha são bastante caras e não se tem mais a certeza de que sejam totalmente de cera de abelha. Então que se imagine e que se que a chama de uma vela atual tenha o mesmo valor simbólico e espiritual, mas o maçom terá que senti-lo como tal, e que as sempre lembradas velas de cera de abelha e a essência dos princípios maçônicos continuarão os mesmos.

Antes do advento da luz elétrica as velas eram usadas com fins litúrgicos na Maçonaria simbolicamente, e também como iluminação dos locais onde os maçons se reuniam. Hoje fabricam lâmpadas elétricas que simulam artificialmente a chama de uma vela. Atualmente uma grande maioria de lojas substituíram as velas de cera por lâmpadas imitando velas.

Uma rica tradição, simbólica e poderosa foi aos poucos sendo abandonada em favor do modernismo. Felizmente muitas Lojas, para o bem da tradição ainda conservam os costumes antigos usando velas de cera de abelha.

Segundo Boucher, a cera de abelhas, quando faz parte de uma vela acesa apresentam dentro da ritualística maçônica os seguintes símbolos: Trabalho, Justiça Atividade e Esperança.

Há ainda outro símbolo, muito usado na Maçonaria Americana, a Colmeia que significa o Trabalho e a Diligência.

No Catolicismo o uso das velas é antigo, apesar dos primeiros cristãos ridicularizarem os pagãos que empregavam velas em seus ritos, e passaram a usá-las. As velas foram oficializadas quando no século V em Jerusalém foi feita a primeira procissão de velas. No século XI a Igreja adotou o uso das velas sobre os altares, já que até então elas eram dispostas a frente dos altares para uso litúrgico e atrás dos mesmos para ornamentação e iluminação.

Para alguns autores sacros o Pai seria a cera, o Filho, o pavio e a chama seria Espírito Santo. Ainda representaria outro ternário: corpo alma e espírito.

Se observarmos atualmente os círios na Igreja Católica eles contem inúmeros símbolos gravados no bastonete da vela de cera que usam.

As velas são usadas em festas judaicas em especial na festa de Hanukhah ou Festa da Dedicação ou ainda das Luzes, que dura oito dias, e são acesas progressivamente oito velas, uma cada dia, do chanukiá, que é um candelabro de nove braços, no centro do qual existe uma pequena vela, que serve para acender as outras 8 velas. Um dos símbolos importantes do judaismo é um candelabro de sete braços chamado menorah. Não será necessário dizer que durante as cerimônias cada braço será o suporte de uma vela acesa.

Na umbanda e no candomblé como são conhecidos atualmente, também usam as velas como oferendas ou como pedidos. Os adeptos destas religiões costumam acender velas de cores de acordo com as entidades invocadas.

Adeptos do ocultismo, ou também como são conhecidos atualmente como bruxos ou simplesmente magos utilizam velas para realizar seus rituais, com fins mágicos. Segundo manuais de ocultismo os magos visam através destas práticas, liberar seu subconsciente. Trabalham em silêncio e seus trabalhos exigem muita concentração. Costumam antes das sessões de magia, queimar incenso para despertar a mente. A seguir usam um óleo especial para untar a vela visando desta forma criar um elo entre a vela e o mago através do tato.

Ainda ao passar as mãos na vela acreditam que transmitam a ela as suas próprias vibrações que passaria a atuar como um magneto psíquico. Enquanto o mago unta a vela, ele dirige a mente ao que está desejando. Citam os manuais de magia que todo trabalho perfeito do mago é realizado em primeiro lugar na sua mente. “O que sem tem na mente torna-se realidade” afirma uma escola parapsicológica. Como se pode observar o uso das velas nestas situações é importante até na Magia.

Segundo autores maçônicos a velas da época das corporações de oficio e das guildas seriam ofertas votivas. Não nos dão a ideia de que os maçons operativos promoviam a guarda de votos de gratidão, por graças recebidas. Mas como a maçonaria operativa era totalmente católica e a Igreja já existia há mil anos antes dos maçons operativos se acredita que estes seguiam a mesma tradição católica em relação ao uso das velas. Seria apenas a continuação de um costume já antigo no mundo, religioso ou não.

A tradição maçônica está ligada a todas as filosofias antigas às religiões, inclusive a Católica, e em especial em muitos dos seus símbolos. Um fato que chama a atenção é que após a fundação da Grande Loja de Londres fundada em 24/06/1717, quando a Maçonaria ilusoriamente se tornou Especulativa ou Moderna, pois desde 1600 já estavam recebendo “maçons aceitos”, a orientação católica enfraqueceu a Ordem dela passou a contar com a participação muito grande de pastores principalmente de anglicanos e luteranos. Foi nesta fase que a Ordem além da influência evangélica, começou a receber um novo contingente de alquimistas, cabalistas, rosacrucianos e ocultistas que enriqueceram os nossos símbolos, em nossos rituais. Somos obrigados a raciocinar que estes novos tipos de maçons introduziram algum simbolismo a mais às velas, além dos sentidos espirituais.

Mas de qualquer forma as velas que desde as épocas mais distantes representam para certas correntes espiritualistas a Sabedoria, Iluminação, Conhecimento e Realização espiritual e ainda a alma imortal.

Sabemos que os maçons pertencentes à Grande Loja e Londres eram chamados de Modernos e que tiveram por muito tempo influência grande no mundo maçônico. Eles acendiam velas, provavelmente círios (vela grande) em seus candelabros e as chamavam de as Três Grandes Luzes que representavam as posições do Sol em seu trajeto diário e noturno nas vinte e quatro horas. Diziam também que elas significavam o Sol, a Lua e o Venerável da Loja.

Este conceito temos até hoje em nossas instruções em Loja.

Entretanto a grande rival da Grande Loja de Londres, ou seja, a Grande Loja dos Antigos e Franco Maçons, fundada em 1753, consagrada aos Antigos obedeciam às Antigas Obrigações (Old Charges) que até então respeitavam os “maçons livres em loja livre” isto, é lojas sem potência.

Somente em 1813 é que se uniram a Grande Loja de Londres e a Grande Loja dos Antigos e Franco Maçons e fundaram a Grande Loja Unida da Inglaterra como é conhecida hoje. Os Antigos admitiam as três velas como Pequenas Luzes que representavam o Venerável e os dois Vigilantes E as Grandes Luzes que seriam o Livro da Lei o Esquadro e o Compasso.

Os círios ou velas são também chamados de Estrelas. Por isso usa-se em Maçonaria a expressão “Tornar as estrelas visíveis” quando o Venerável ordena em alguns ritos que se acendam as velas. Quando uma Loja recebe visitantes ou Dignitários ilustres e que serão recebidos de acordo com o protocolo de recebimento com tantas estrelas conforme sua importância na Ordem. Todavia segundo um antigo costume as estrelas (velas) não serão usadas para iluminar os visitantes, mas sim para representar Luz que eles representam.

O número e a disposição das velas em Loja variam, conforme o costume, grau, rito e até à potência à qual pertencem.

Desde o inicio da Maçonaria Especulativa ou Moderna foram usadas três velas grandes (círios) colocando-as em cima de grandes candelabros. Está claro que deveriam existir outros tipos de velas ou candeeiros com finalidade de iluminação, ou fonte de luz já que não já nesta época não se tinha descoberto o uso da energia elétrica. Em algumas Lojas eram colocados no chão em forma de triângulo.

No fim do século XIX as velas foram colocadas ao lado do Venerável e dos Vigilantes (tocheiros como são chamados no Trabalho de Emulação).

Atualmente dependendo do Rito usa-se uma vela em cima do Altar das Luzes e além das três citadas, usa-se três círios ao lado do Altar dos Juramentos, ou painel das Lojas ou como no caso do Rito de Schröder que não tem Altar dos Juramentos, mas estende-se o seu maior símbolo, o Tapete entre três círios.

O modernismo fez com que quase em todas as Lojas, a velas fossem substituídas por lâmpadas de luz elétrica imitando os bastonetes das velas.

Portanto, não há mais parâmetros de comparação ou um estudo mais sério a respeito. E com o modernismo veio normalmente a alteração das interpretações, e isto é um fato, mas ao lado este detalhe, os inventores, “achistas” irmãos que gostam de aparecer, fazendo suas fantasias virarem procedimentos, trataram de alterar ainda mais a Ordem. E estas mudanças feitas pelo próprio maçom, acabam tornando-se verdades para principalmente os que foram iniciados na Ordem após elas terem disso realizadas.

Posteriormente com a criação de novos Ritos foram criados procedimentos ritualísticos, diga-se de passagem, alguns deles muito lindos como é o caso do Rito Adorinhamita e o Rito de Schröder (Alemão).

Já o Rito Francês ou Moderno aboliu-se definitivamente o uso das velas, do Altar dos Juramentos e da Bíblia.

O REAA usa as velas com finalidade litúrgicas. Além das velas sobre os altares do Triângulo Dirigente, é comum observar velas acesas em cima dos altares do Orador e Secretário e das Luzes Místicas que triangulam o Altar dos Juramentos onde deve estar a Bíblia aberta. Estas três velas representariam simbolicamente os três aspectos da Divindade: Onisciência, Onipresença e Onividência.

No Trabalho de Emulação usam-se os chamados tocheiros que são um tipo de coluna pequena sobre a qual um círio permanece aceso durante a sessão. São três tocheiros, um à direita do Venerável e um ao lado de cada um dos Vigilantes.

As cerimônias de acendimento das velas deveriam obedecer alguns princípios que seguem as antigas tradições Sempre o Fogo Sagrado deverá vir do Oriente, pois toda Sabedoria, e toda Luz vem do Oriente.

As velas não podem ser acesas com isqueiros, gasolina fósforos enxofrados, ou qualquer outro meio que produza fumaça ou cheiro fétido. A vela do Altar do Venerável deverá ser acesa através de outra vela intermediaria, para que a chama recebida possa ser pura. Igualmente ao apagá-la não poderá ser com o hálito que é considerado impuro, ou com dois dedos se tocando, abafando a chama como é comum ocorrer. 

Esta tradição a Maçonaria foi buscar na Antiga Pérsia segundo Boucher que afirma que o culto ao Fogo dos persas era tão sagrado que jamais empregavam o hálito ou sopro para apagar a chama, bem como jamais usavam água para apagar o fogo. Isto quando estavam executando uma cerimonia sagrada ou ritualística. Provavelmente usavam o sopro e a água para apagarem o fogo fora dos seus templos ou lugares sagrados.

Devemos usar um velador, adaptado com um abafador. Um velador é um suporte fino de uns 30 cm de comprimento feito de madeira ou metal na extremidade do qual existe um disco para a vela ou candeeiro. Perto da extremidade adapta-se um abafador pequeno de metal para apagar a vela.

Todavia nem sempre o velador deverá ter um abafador ou apagador de velas, acoplado. Um abafador ou apagador de velas poderá ser uma peça de madeira ou de ferro, tendo presa a uma das suas extremidades uma espécie de campânula que se usará para abafar ou apagar a chama da vela, mas nunca com sopro ou outro meio.

Alguns autores sugerem que o Venerável e Vigilantes utilizem o próprio malhete para apagar a vela de seus altares. Não nos parece esta prática, uma maneira adequada para se apagar uma vela dentro de uma sessão ritualística que tem um simbolismo tão profundo. E ainda tem que se considerar que o malhete não foi feito para dar pancadas em velas para apagá-las. Isto é um absurdo.

Três dos Ritos existentes no Brasil têm uma ritualística própria e especial muito interessante com relação às velas, que merecem ser mencionadas. São muito lindas, e repleta de espiritualidade, que vale a pena serem descritas como está no Ritual porem de maneira sintética só descrevendo suas etapas mais importantes, onde mostram o trajeto das velas durante esta cerimônia de abertura e fechamento da Loja.

No Rito Adonhiramita esta passagem ritualística chama-se Cerimônia do Fogo. Antes do inicio da sessão o Arquiteto, Mestre de Cerimônia e 1º Experto acendem o Fogo Eterno (Reavivamento da Chama Sagrada) que é uma grande vela um círio portanto, que fica situado no Oriente entre o Altar dos Juramentos e o Altar do Venerável. Após iniciada a sessão é realizada a Cerimônia da Incensação que é uma parte da ritualística. A seguir, o Venerável ordena ao Mestre de Cerimônia que realize a Cerimônia do Fogo.

O Mestre de Cerimônias com um velador ou acendedor apanha a Chama Sagrada junto ao Fogo Eterno, que está entre o Altar dos Juramentos e o Altar da Sabedoria ou do ou do Venerável e o conduzirá ao Altar do mesmo. Este, ao receber o velador, ergue-o com as duas mãos à altura de sua face e diz: “Que a Luz da Sabedoria ilumine nossos trabalhos”. “Em seguida acende sua vela e diz “Sua Sabedoria é infinita”, o Mestre de Cerimônia leva a chama ao Altar do Primeiro Vigilante Este igualmente ergue o velador à altura da face e diz ”Que a Luz de sua Força nos assista em nossa Obra”. Acende sua vela e diz: “Sua Força é infinita”. Repete-se o mesmo procedimento com o 2° Vigilante e este dirá: ”Que a Luz de sua Beleza manifeste-se em nossa Obra”. Acende sua vela e diz: “Sua Beleza é infinita”.

O Mestre de Cerimônia apaga a Chama do velador com o abafador ou apagador e comunica ao Venerável que terminou a cerimônia. Este no final da sessão após vários procedimentos ritualísticos determina ao Mestre de Cerimônia que proceda o adormecimento do Fogo.

O Mestre de Cerimônias vai até o 2° Vigilante e entrega-lhe o abafador ou apagador. Este adormece a Chama dizendo “Que a Luz de sua Beleza continue a flamejar em nossos corações”. Devolve o apagador para o Mestre de Cerimônias vai ao Altar do Primeiro Vigilante entrega-lhe o apagador: “Que a Luz de sua Força permaneça em nossos corações” e adormece a sua chama. É devolvido ao Mestre de Cerimônia o apagador que vai até o Venerável e este ao apagar ou adormecer a sua Chama dirá: “Que a Luz da Sabedoria prossiga habitando nossos corações”. O Mestre de Cerimônia volta ao seu lugar a e avisa que procedeu a Cerimônia de Adormecimento do Fogo.

O Venerável termina a sessão, todos saem, permanecem no Templo apenas o Irmão Cobridor Interno, Mestre de Harmonia e Arquiteto, sendo este o ultimo a sair do templo após adormecer a Chama Sagrada o que fará em companhia do Mestre de Cerimônias e 1° Experto que se colocam numa posição a formar um triangulo. O Arquiteto fechará o templo

No Rito de Schröder ou Rito Alemão no centro do Templo há um Tapete o qual contem todos os símbolos do Rito e que é desenrolado no inicio dos trabalhos de uma sessão, sendo enrolado no final com uma ritualística especial. Ao lado do tapete junto às bordas estão três Colunas Dórica Jônica e Coríntia de 90 cm a 120 cm em cima das quais estão três círios, um em cada coluna.

Já antes do inicio da sessão deverá estar acesa uma vela fixa, chamada de Luz do Mestre, no Altar do Venerável o qual entregará ao Primeiro Diácono uma pequena vela que foi acesa na Vela do Mestre. O Primeiro Diácono vai até o Altar do Segundo Vigilante e acende sua vela e a seguir vai até o Altar do Primeiro Vigilante e acende também sua vela. A seguir o Primeiro Diácono segue pelo Norte e vai até o Altar do Primeiro Vigilante e vai até a Coluna Jônica que está ao lado Tapete e aguarda o Venerável que chega, em seguida e lhe entrega sua pequena Vela. O Venerável acende com esta pequena vela o círio da Coluna Jônica e diz “Sabedoria dirija nossa Obra”.

O Primeiro Vigilante acende o círio da Coluna Doria e dirá: “Força, execute-a” e o Segundo Vigilante acende em seguida o círio da coluna Coríntia e diz: “Beleza, adorne-a”. No final da Sessão, O Venerável e os Vigilantes se colocarão junto às suas colunas representativas já citadas, que estão localizadas nos três cantos ao lado Tapete. Os círios vão sendo apagados e as Luzes da Loja dirão: Primeiro Vigilante - “A Luz se apaga, mas que, em nós atue o fogo da Força”. 2° Vigilante – “A Luz de apaga, mas que fique, em torno de nós o brilho da Beleza”. Venerável: – “A Luz se apaga, mas que, sobre nós continue a brilhar a Luz da Sabedoria”

O Rito Brasileiro não nega que tenha emprestado as cerimônias mais lindas dos demais ritos praticados no Brasil e colocadas no seu ritual. Tem também a cerimônia do acendimento das Luzes Místicas que é uma adaptação das cerimônias usadas nos Ritos Adonhiramita e de Schröder, mais simples, porem também muito bonita.

O Criador dos mundos emite continuadamente Sabedoria Força e Beleza. Para nós Maçons compete apenas abrirmos o canal espiritual para recebermos esta Energia. Uma vela dentro da nossa ritualística, quando acesa funciona como um emissor repetidor das vibrações mentais nela enfocadas e concentradas. Enquanto estiver ardendo a chama estará se repetindo o propósito pelo qual a vela foi acesa. Ela é, pois o símbolo do Fogo Sagrado emitido pelo GADU.

Mas não esqueçamos que através tão somente do poder mental que todos nós possuímos, verdadeira dádiva de Deus, poderemos desde que nossa mente devidamente sintonizada em ondas alfa ou teta, e programada para esse fim, conseguir o mesmo efeito que uma vela acesa dentro de um Templo maçônico. Tudo dependerá do grau de concentração no Criador.

Mas de qualquer forma as velas sagradas usadas nas nossas ritualísticas, tem um valor muito grande para que nossa mente fique focada totalmente no GADU e a Maçonaria soube de maneira tão profunda e linda, usar o poder mágico das Velas.

 Hercule Spoladore – Loja de Pesquisas Maçônicas “Brasil” – Londrina – PR

Referências
ASLAN, Nicola - Grande Dicionário Enciclopédico da Maçonaria Simbólica Vol. 4
BOUCHER, Jules - La Symbolique Maçonique
CASTELLANI, José – Liturgia e Ritualística do Aprendiz Maçom
CHARLIER, René Joseph – Pequeno ensaio da Simbólica Maçônica

HOWARD, Michael - Uso mágico das Velas e seu significado oculto


segunda-feira, 25 de julho de 2016

O ESTUDO DA ORDEM E DOUTRINA MAÇÔNICA


Qualquer que tenha sido o vosso propósito e o anseio de vosso coração ao ingressar na Augusta Instituição que fraternalmente vos acolheu como um de seus membros é certo que não tereis entendido, a princípio, toda a importância espiritual deste passo e as possibilidades de progresso que com ele vos foram abertas.
A Maçonaria é instituição hermética no tríplice e profundo sentido da palavra. O segredo maçônico é de tal natureza, que não pode nunca ser violado ou traído, por ser mística e individualmente realizado por aquele maçom que o busca para usá-lo construtivamente, com sinceridade e fervor, absoluta lealdade, firmeza e perseverança no estudo e na prática da arte.
A Maçonaria não se revela efetivamente senão a seus adeptos, aqueles que a ela se doam por inteiro, sem reservas mentais, para tornarem-­se verdadeiros maçons, isto é, obreiros iluminados da inteligência construtora do universo, que deve manifestar-­se em sua mente como verdadeira luz que ilumina, desde um ponto de vista superior, todos os seus pensamentos, palavras e obras.
Isto é conseguido por intermédio das provas que constituem os meios pelos quais se torna manifesto o potencial espiritual que dorme em estado latente na vida rotineira, as provas simbólicas iniciais e as provas posteriores do desânimo e da decepção. 
Quem se deixar vencer por elas, assim como aquele que ingressar na associação com um espírito superficial, deixará de conhecer aquilo que a ordem encerra em sua forma e seu ministério exterior: deixará de conhecer seu propósito real e a força espiritual oculta que interiormente anima a ordem.
O tesouro acha-­se escondido profundamente na terra. Só escavando, buscando-­o por debaixo das aparências, pode-se encontrá-lo. Quem passa pela instituição como se fosse uma sociedade qualquer ou um clube de serviço, não pode conhecê-­la: somente permanecendo nela longamente, com fé, esforçando-se e tornando-se maçom, reconhecendo o privilégio inerente a esta qualidade, ela revelará o tesouro oculto.
Deste ponto de vista, e qualquer que seja o grau exterior que se possa conseguir, ou que já tenham sido conferidos para compensar de alguma forma os anseios e desejos de progresso, dificilmente pode-­se realmente superar o grau de aprendiz.
Na finalidade iniciática da ordem, somos e continuaremos sendo aprendizes por um tempo muito maior que os simbólicos três anos de idade. Oxalá fossemos todos bons aprendizes e continuássemos sendo-o por toda nossa existência!
Se todos os maçons se esforçassem primeiro em aprender, quantos males têm sido lamentados e que ainda serão lamentados, não mais teriam razão de existir.
Ser um aprendiz, um aprendiz ativo e inteligente que envida todos os esforços para progredir se iluminando no caminho da verdade e da virtude, realizando e colocando em prática, fazendo-­a carne de sua carne, sangue de seu sangue e vida de sua vida, a doutrina iniciática que se encontra escondida e é revelada no simbolismo do grau, é, sem dúvida, muito melhor que ostentar o mais elevado grau maçônico. Permanecendo na mais odiosa e destruidora das ignorâncias dos princípios e fins sublimes de nossa ordem não levam à evolução.
Não devemos ter pressa na ascensão a graus superiores. O grau que nos foi outorgado, e pelo qual exteriormente somos reconhecidos, é sempre superior ao grau real que alcançamos e realizamos interiormente, e a permanência neste primeiro grau dificilmente poderá ser taxada de excessiva, por maiores que sejam nossos desejos de progresso e os esforços que façamos nesse sentido.
Compreender efetivamente o significado dos símbolos e cerimônias que constituem a fórmula iniciática deste grau, procurando a sua prática todos os dias da vida é melhor que sair prematuramente dele, ou desprezá-­lo sem tê-­lo compreendido.
A condição e o estado de aprendiz referem-­se, de forma precisa, à nossa capacidade de apreender; somos aprendizes enquanto nos tornamos receptivos, abrindo-­nos interiormente e colocando todo o esforço necessário para aproveitarmos construtivamente todas as experiências da vida e os ensinamentos que de algum modo recebemos. Nossa mente aberta e a intensidade do desejo de progredir determinam esta capacidade.
Estas qualidades caracterizam o aprendiz e o distinguem do homem comum dentro ou fora da ordem. No profano, segundo se entende maçonicamente esta palavra, prevalecem a inércia e a passividade, e, se existe desejo de progresso, aspiração superior, encontram-se como que sepultados ou sufocados pela materialidade da vida, que converte os homens em escravos completos de seus vícios, de suas necessidades e paixões.
O que torna patente o estado de aprendiz é exatamente o despertar do potencial latente que se encontra em cada ser e nele produz um veemente desejo de progredir, caminhar para frente. Leva a superar todos os obstáculos e limitações, tira proveito de todas as experiências e ensinamentos que encontra em seus passos. Este estado de consciência é a primeira condição para que seja possível tornar-­se maçom em sentido lato.

Toda a vida é para o ser ativo, inteligente e zeloso, uma aprendizagem incessante. Tudo o que encontramos em nosso caminho pode e deve ser um proveitoso material de construção para o edifício simbólico de nosso progresso.
O templo que assim erigimos a cada hora, cada dia e cada instante à glória do Grande Arquiteto do Universo: é o princípio construtivo e evolutivo em nós mesmos. No fundo tudo é bom, pode e deve ser utilizado construtivamente para o bem: apesar de que possa ter-­se apresentado sob a forma de experiência desagradável, contrariedade imprevista, dificuldade, obstáculo, desgraça ou inimizade.
Eis o programa que o aprendiz deve esforçar-se em realizar na vida diária. Somente mediante este trabalho: inteligente, zeloso e perseverante, ele tem a possibilidade de converter-se em obreiro da inteligência construtora, e companheiro de todos os que estão animados pelo mesmo programa e finalidade interior.
O esforço individual é condição necessária para o progresso. O aprendiz não deve contentar-se em receber passivamente as ideias, conceitos e teorias vindas do exterior, e simplesmente assimilá-­las, mas trabalhar com estes materiais, e assim aprender a pensar por si mesmo, pois o que caracteriza a instituição maçônica são a mais perfeita compreensão e realização harmônica de dois princípios: liberdade e autoridade.
Estes se encontram amiúde em franca oposição ao mundo profano. Cada um deve aprender a progredir por meio de sua própria experiência e por seus próprios esforços, ainda que aproveitando segundo seu discernimento e experiência daqueles que procederam nesse caminho.
A autoridade dos mestres é simplesmente guia, luz e apoio para o aprendiz, enquanto não aprender a caminhar por si mesmo. Seu progresso será sempre proporcional aos seus próprios esforços. Assim é que esta autoridade, a única reconhecida pela Maçonaria, nunca será resultado de imposição ou coação, mas o implícito reconhecimento interior de superioridade espiritual, de um maior avanço na mesma senda que todos indistintamente percorrem. Aquela autoridade natural que somente conseguimos reconhecendo a verdade e praticando a virtude.
O aprendiz que realizar esta sublime finalidade da ordem reconhecerá que em suas possibilidades há muito mais do que fora previsto quando, inicialmente, pediu sua filiação e foi recebido como irmão.
O impulso que o moveu desde então foi radicalmente mais profundo que as razões conscientes determinantes. Naquele momento atuava nele uma vontade mais elevada que a da sua personalidade comum, sua própria vontade individual, a vontade do divino em nós. Seja ele consciente desta razão oculta e profunda que motivou sua filiação à augusta e sagrada ordem por suas origens, natureza e finalidades.
A todos é dado o privilégio e a oportunidade de cooperar para o renascimento iniciático na Maçonaria, para o qual estão maduros os tempos e os homens. Façamos-lo com aquele entusiasmo e fervor que, tendo superado as três provas simbólicas, não se deixa vencer pelas correntes contrárias do mundo nem arrastar pelo ímpeto das paixões nem desanimar pela frieza exterior, e que, chegando a tal estado de firmeza, amadurecerá e dará ótimos frutos.
Mas antes aprendamos o que é a ordem em sua essência: origem, significado da iniciação simbólica pela qual fomos recebidos. A filosofia iniciática da qual provêm os elementos. O estudo dos primeiros princípios e dos símbolos que os representam. A tríplice natureza e valor do templo alegórico de nossos trabalhos e a sua qualidade. A palavra dada para uso e que constitui o ministério supremo e central.
Receberemos assim o salário merecido como resultado de nossos esforços e nos tornaremos obreiros aptos e perfeitamente capacitados para o trabalho que de nós é exigido.
Texto extraído do livro Manual do Aprendiz Franco-Maçom
Sociedade de Ciências Antigas


quarta-feira, 20 de julho de 2016

O MAÇOM E A SOLIDARIEDADE

A Solidariedade é uma das marcas características do Homem, que o distingue das demais criaturas porque brota de seu íntimo e se origina da Lei Natural impressa pelo Criador em seu espírito. Basta atentarmos para as incontáveis tragédias que diuturnamente os meios de comunicação de massa nos colocam diante dos olhos.

Em meio aos quadros terríveis, alguns dantescos, invariavelmente aparecem, como anjos de misericórdia, aqueles que se doam a si mesmos para minorar os sofrimentos alheios, às vezes sob o risco ou até mesmo com o sacrifício de suas próprias vidas. 

Se formos ao dicionário, encontraremos como definição que Solidariedade é: “Adesão ou apoio, no sentido moral, à causa, empreendimentos, princípios, etc., de outros de tal forma que um indivíduo se vincula à vida, aos interesses e às responsabilidades de um grupo social, de uma nação ou da humanidade como um todo.”

Se nos voltarmos, agora, para a instituição maçônica veremos que nela a Solidariedade constitui uma das colunas mestras de  sua construção, dada a universalidade da Ordem.

É por meio desse sentimento que nos unimos, em espírito, a outros Irmãos Maçons, inclusive àqueles de cuja existência sequer temos conhecimento mas com quem, a cada dia, do meio-dia à meia-noite, trabalhamos espiritualmente para construir a Paz e erguer o Templo da Fraternidade Universal.  

Como diz a Quinta Instrução de Aprendiz, a Solidariedade é o laço que nos une e nos fortalece na luta incansável e ininterrupta que devemos manter contra os inimigos magnos da felicidade do Homem. Mas, ainda que exaltada dentro da Ordem, ela não pode ser praticada apenas dentro do universo maçônico e deixada de lado na vida profana.

Isso seria uma incoerência, porque antes de sermos Maçons somos irmãos universais, independente de nossas nacionalidades, cor, crença política ou religiosa.

Se semelhante nosso sofre, quem quer que seja ou onde esteja, nossa natureza comum de filhos do mesmo Pai deveria nos irmanar nesse mesmo sofrimento. Mas é justamente aí, na visão do sofrimento que se tornam nítidos os dois lados contraditórios do problema: Luz e Trevas. Por que, diante de tragédias dos últimos anos, como as de Biafra, Ruanda, Angola, Zaire, África do Sul, Bósnia, para citar apenas algumas das mais cruentas, se vemos exemplos da mais exaltada Solidariedade de um lado, de outro também se destaca uma fria Indiferença de tantas pessoas e mesmo nações?  

O monstro de crueldade, Stalin, que durante tantos anos dirigiu com mão de aço a União Soviética, disse certa vez que “uma morte é tragédia, mas milhões são apenas uma estatística” e a realidade do mundo de hoje continua dando razão àquela afirmação de crueza inaudita.

Quando o sofrimento se torna, apesar de concreto, uma mera abstração que desaparece ao apertar do botão da televisão ou do fechamento da página do jornal nós nos separamos dele, deixando de vê-lo sob a ótica da Lei Natural. Não nos irmanamos, pois, não o sentimos como nosso também; alienamos-nos dele, simplesmente.

Ao longo de minha vida, tanto profana como maçônica, tive a oportunidade de me deparar com inúmeras abordagens, textos e concepções sobre a Solidariedade, alguns superficiais, outros por demais filosóficos mas, alguns também de conteúdo maravilhoso e inspirador.

Dentre esses, lembro-me bem deste que se segue e que reproduzo na esperança de que sirva para alimentar a chama da Fraternidade e da Solidariedade em nossos corações, única forma de nos sentirmos verdadeiramente unidos e irmanados com todos os que sofrem e choram na solidão gelada em que são colocados pelo desamor.  “Um discípulo chegou-se a seu Mestre e perguntou-lhe:

- Mestre, qual a diferença entre o Céu e o Inferno?

Respondeu-lhe o Mestre:

- Vi um grande monte de arroz, cozido e preparado como alimento. Ao redor dele estavam muitos homens famintos. Eles não podiam se aproximar do arroz, mas possuíam longos palitos de dois a três metros de comprimento. Pegavam, é verdade, o arroz mas não conseguiam levá-lo à própria boca porque os palitos eram muito longos.

E assim, famintos e moribundos, embora juntos, permaneciam solitários curtindo uma fome eterna diante daquela inesgotável fartura. Isso era o Inferno. - Vi outro grande monte de arroz, cozido e preparado como alimento.

Ao redor dele estavam muitos homens famintos, mas cheios de vitalidade. Eles não podiam se aproximar do arroz, mas possuíam longos palitos de dois a três metros de comprimento. Pegavam, é verdade, o arroz mas não conseguiam levá-lo à própria boca porque os palitos eram muito longos. “Mas, com seus longos palitos, ao invés de levá-los à própria boca serviam-se uns aos outros o arroz e assim saciavam sua imensa fome, numa grande comunhão fraterna, juntos e Solidários”. 
‘“Isso era o Céu.”

Reflitamos um pouco sobre o que essa parábola oculta em sua linguagem figurada e se o mundo hoje não é, em grande parte, aquele primeiro grupo de homens, juntos mas solitários, padecendo de fome diante da fartura. Ao depararmos com o sofrimento, o que sentimos?

O aguilhão da culpa, por nada fazermos, ou uma identificação? 

De nada serve racionalizar o problema, dizendo: “Não posso fazer nada. Esse problema está muito longe e não tenho como ir até lá” ou “Faço o que posso com quem está mais próximo de mim e sempre contribuo com o Tronco de Beneficência de minha Loja”. Pode-se fazer mais, sim.  

Pode-se estender a ponte e compartilhar o sofrimento em espírito.

Pode-se erguer os olhos para o Senhor da Compaixão e orar, em união com todo o sofrimento do mundo.  

Se for Solidário apenas porque uma regra me diz que devo sê-lo que mérito há nisso, se até uma criança é capaz de seguir regras, ainda que não saiba discernir o seu conteúdo?

Se for Solidário apenas com quem está mais próximo de mim, o que estou realizando se até mesmo os animais são capazes de defender os seus?

Cada um de nós recebeu, embutida no espírito pelo Criador, a semente da Solidariedade. Ela está dentro de nós mas não lhe damos um solo, não a irrigamos, não nos tornamos jardineiros. Carregamos a semente adormecida, encerrada em uma cela; não a colocamos na terra.

Temos medo que ela morra, o que é verdadeiro num certo sentido pois morrer ela precisa para que a árvore nasça. Cada desabrochar é morte e nascimento e a semente tem que morrer mas é precisamente por isso que temos medo, porque protegemos a semente.  

Diz uma história oriental que certo rei tinha três filhos, todos fortes e talentosos e estava indeciso e confuso quanto a qual deles entregar o reino. Assim, chamou um Mestre e perguntou-lhe o que deveria fazer para resolver o impasse.

O Mestre aconselhou-o a sair em uma longa viagem deixando com cada filho uma determinada quantidade de sementes de uma flor muito rara e dando-lhes instruções para que as preservassem o mais cuidadosamente possível, eis que suas vidas dependeriam disso. Satisfeito com o conselho do Mestre, o rei procedeu como lhe fora dito e partiu em viagem.

O filho mais velho era mais experiente nas coisas do mundo e calculou que o melhor seria guardar as sementes a salvo e assim poder devolvê-las a seu pai, intactas. Assim pensou e assim fez. Colocou-as em um cofre e pendurou a chave em uma corrente que levava permanentemente presa ao pescoço. 

O segundo filho calculou que sendo as sementes de uma flor muito rara, deveria vendê-las e fazer um bom dinheiro. Quando o pai retornasse, compraria outras sementes novas pois ninguém saberia dizer a diferença. Assim pensou e assim fez.  

O terceiro filho era menos experiente nas coisas do mundo e mais inocente e calculou que as sementes deveriam ter um significado. Pensou consigo mesmo, “As sementes existem para crescer. A própria palavra já tem o sentido de Origem, o que indica que ela é uma busca e a menos que se torne algo, não tem significado. Ela é como uma ponte que se tem que atravessar”. Assim pensou e assim fez. Foi ao jardim do palácio e plantou as sementes.  Após uma longa ausência, retornou o rei e quis logo saber das sementes, mandando chamar os filhos à sua presença.   
                                                                        
O mais velho pensou que o mais novo iria ficar muito mal perante o pai, porque destruíra as sementes; e o mesmo se daria com o segundo, porque as vendera. Mas, o mais novo não estava preocupado em vencer, apenas em preservar as sementes e isso só conseguira quando entendera que elas precisavam morrer e depois renascer, para dar novas sementes.  

O rei chamou o mais velho e disse-lhe: “És um estúpido e por isso perdeste o reino, porque uma semente só pode ser preservada se tem a oportunidade de morrer no solo, se tem a oportunidade de renascer”.
  
Ao segundo filho disse: “Agiste melhor que teu irmão mais velho, mas também perdeste o reino, ainda que tenhas compreendido que as sementes envelheceriam. Mas, a quantidade não mudaria.

“Quando a semente é preservada, multiplica-se por milhões”.

Ao terceiro filho disse: “É teu o reino, porque soubeste compreender, na inocência, a mensagem que antes dos tempos já te fora dada pelo Criador”.

BIBLIOGRAFIA
Ir.'.Antonio Carlos de Souza Godói
A.’.R.’.L.’.S.'. Nove de Abril  de Mogi Guaçu 


terça-feira, 19 de julho de 2016

O PASSO LATERAL DA MARCHA DE COMPANHEIRO


 A Marcha é uma técnica adotada nos três Graus Simbólicos. Como recém-elevados ao Grau de Comp.’.Maç.’., a Sublime Instituição abriu-nos uma porta a mais para ser explorada através dos estudos. E, estudando, notamos pequenas diferenças ritualísticas entre as diversas Potências, mas não nos esqueçamos que todos somos Maçons e, como tais, temos como meta final o mesmo resultado moral, ou seja, a construção de nosso Templo Interior para a Glória do G.’.A.’.D.’.U.’., não importando a Potência à qual pertençamos.

Enquanto AApr.’.MMaç.’., ainda sem sabermos ler e nem escrever, somente soletrar, obrigatoriamente temos que ser guiados e orientados por nossos MM.’. na luta e na perseverança em nosso caminhar na senda da Perfeição, isto é, pelo caminho que nos leva das trevas à Luz, do Ocidente para o Oriente, do mundo objetivo dos sentidos para o mundo subjetivo do espírito. Este objetivo não é somente dos AApr.’. mas também dos CComp.’. e dos MM.’..                              

Sendo assim, nossos passos, sempre iniciados com o pé esquerdo, são obrigatoriamente retos e dirigidos, sempre na mesma direção, pelos IIr.’. mais experientes e compreende três passos de longitude desigual e proporcional a 3-4-5, lembrando o Teorema de Pitágoras e, a cada passo, juntando os pés em ângulo reto, em esquadria.

Estes três passos simbolizam as três qualidades morais que caracterizam a conduta do Apr.’.:- Retidão, Decisão e Discernimento. Também simbolizam que o maçom deve andar sempre retamente, em busca da virtude e da perfeição.

Como CComp.’., devemos sempre nos recordar de que tudo tem lógica e, portanto, a lógica é o caminho mais seguro que pode existir. Também temos que ter sempre em mente que devemos nos guiar a nós mesmos, uma vez que procuramos desenvolver o autodomínio.

No Grau de Comp.’., a Marcha é a continuação do caminhar iniciado no grau anterior. É a Marcha do Apr.’. acrescida de mais dois passos.

Ao passarmos do Nível à Perpendicular, ou dos cuidados do 1o.Vig.’. para os do 2o.Vig.’., ou seja, da Coluna onde operávamos com Força para a Coluna onde iremos trabalhar com a Beleza, e sedentos por novos conhecimentos, deixamo-nos dominar pelos nossos devaneios.

 Abandonamos a linha central trilhada enquanto AApr.’., dando o primeiro passo da marcha de Comp.’. em linha oblíqua para a direita ou para a esquerda, dependendo da Potência.

Este passo lateral e oblíquo é realizado conduzido por nossa faculdade de criar e, assim, arriscamo-nos aos perigos do desconhecido. Por isso, este passo denomina-se de Imaginação.

Saindo da trajetória a que estávamos obrigados enquanto AApr.’., significa que já podemos e devemos variar nossos caminhos em busca da Verdade. A Razão vigia e controla constantemente os devaneios da criação, ou seja, da Imaginação.                   

A Razão, que acompanha e reconduz a Imaginação de volta à realidade, sempre que esta se exceder, é simbolizada pelo pé direito que segue o esquerdo, formando uma esquadria. E é este pé esquerdo que dará  o segundo passo, em ângulo reto, denominado de Afetividade, retornando ao equador da Loja, demonstrando Obediência e Amor ao Trabalho.

 Neste passo do pé esquerdo, o direito o acompanha, simbolizando o regresso da Imaginação ao caminho inicial da Retidão, da Decisão e do Discernimento, evidenciado nos três passos iniciais.

A esquadria formada ao terminar a marcha leva o nome de Razão, protetora da Inteligência. O primeiro passo oblíquo também poderia se denominar de Livre Arbítrio significando que não precisamos mais caminhar em linha reta, pois já adquirimos conhecimento, podendo sair da trajetória.

O segundo passo seria o da Consciência, pois já conseguimos discernimento e, por conseguinte, sabemos voltar ao caminho da retidão quando nossa Razão assim ordenar. Isto demonstra que, quando nos desviamos da linha reta a que estávamos obrigados como AApr.’., é porque os nossos MM.’. já nos consideraram aptos a observar, procurar, experimentar e quantificar os métodos para assimilar e usufruir da filosofia contida e ensinada no Grau de Comp.’.. 

Como todo adolescente, sentimo-nos cheios de energia e totalmente independentes, auto-suficientes. Julgamo-nos possuidores dos conhecimentos, dos segredos e dos mistérios do caminho a ser percorrido e não levamos em conta as sábias orientações dos mais velhos e mais experientes que podem nos mostrar os atalhos para evitar passos desnecessários.

Assim, através do livre-arbítrio de que somos dotados, abandonamos impetuosamente, a linha central por onde até então trilhávamos e optamos por outros caminhos para chegarmos à Verdade, contrariando aqueles métodos impostos que nortearam nosso procedimento desde o início de nossa senda.

Ao contrariarmos as regras seguidas até então, nós, os CComp.’., como adolescentes no caminho da Perfeição, não devemos ser reprimidos em nosso processo criativo nem tampouco doutrinados com teorias que determinem nosso progresso, mas orientados para tais teorias.

É por isso que no Grau de Comp.’. há uma mudança no posicionamento das Três Luzes Emblemáticas, onde o Compasso, agora, está entrelaçado ao Esquadro, ou seja, uma perna do Compasso está livre do domínio moral do Esquadro simbolizando que nós, os CComp.’. já nos encontramos em condições de trilhar pelos caminhos da Verdade, em busca do saber, livre de preconceitos e de superstições. 

Os cinco passos do Comp.’.  também nos recordam a Conjugação dos Quinários:- De cinco anos é a idade do Comp.’.; os golpes de malhetes; as pancadas de bateria; os toques no sinal de reconhecimento. Cinco são as luzes que iluminam e cinco os pilares que sustentam a Loja de Comp.’..

De cinco viagens se compõe a elevação ao Grau. Quintessência é o quinto elemento. Quinta Ciência é a classificação da Geometria dentro das Sete Artes ou Ciências Liberais e, posicionada ao Meio Dia, a Estrela Rutilante  com suas cinco pontas a lembrar-nos que a Mente deve ser posta em Ação e Movimento, portanto, devemos Criar e Trabalhar com Sabedoria e Conhecimento!

Esta Peça de Arquitetura tem como finalidade um breve estudo sobre o tema "O Passo Lateral da Marcha de Comp.’.Maç.’.".


BIBLIOGRAFIA
Companheiro Maçom – Ir.’. Inácio Jorge Paulo Filho – Ed. Country
Curso de Maçonaria Simbólica – Companheiro – Theobaldo Varoli Filho – A Gazeta Maçônica
Grau de Companheiro e Seus mistérios – Jorge Adoum – Ed. Pensamento
Caminhos da Perfeição: O Companheiro – Walter de Oliveira Bariani – Ed. Maçônica A Trolha
Cartilha do Companheiro – José Castellani e Raimundo Rodrigues – Ed. Maçônica A Trolha

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