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“SÓ PUBLICAMOS TRABALHOS RELACIONADOS COM A ORDEM MAÇÔNICA”

ACEITAMOS A OPINIÃO DE TODOS, DESDE QUE O COMENTÁRIO SEJA ACOMPANHADO DE IDENTIFICAÇÃO E UM E-MAIL PARA CONTATO.


“NÃO SERÃO ACEITOS COMENTÁRIOS ANÔNIMOS”

terça-feira, 30 de junho de 2015

MAÇOM TEM QUE LER


No dicionário Aurélio consta que o verbo ler é a técnica de decifrar ou interpretar o sentido de algum escrito; estudar significa dedicar-se à apreciação, análise ou compreensão de algo com a finalidade de emitir um juízo de valor e pesquisar é buscar em diligência, inquirir, perquirir, esquadrinhar ou devassar algum assunto ou fato ocorrido.

         É inconcebível um Maçom passar anos sem ler, estudar ou realizar pesquisas sobre temas relacionados com a Maçonaria.

         No meio maçônico existe uma quantidade enorme de Irmãos que publicam trabalhos da maior relevância para  o engrandecimento dos seus pares. Mas são criticados, invejados, malditos em turbas noturnas em meio a lacaios que nem parecem maçons e sim lavadeiras, incompreendidas e abandonadas.

         Nestas obras temos a oportunidade de conhecer diversos acontecimentos ocorridos em nosso País e em outras Nações, na sua grande maioria omitidos por uma considerável parcela da imprensa e de  historiadores. Pode ser de cunho político, social, místico, exotérico, histórico, etc.

         Como exemplo cito a Revolução de 1932 ocorrida em São Paulo, movimento Constitucionalista e nitidamente maçônico, pouco citado nos anais das Lojas. 

         Defendo a necessidade dos Irmãos estudarem e se atualizarem. Não é necessário  torna-se um obcecado por nossa Ordem, entretanto, pela sua qualidade de livre pensador deve ler e pesquisar um pouco sobre a historia da mesma, de sua Obediência, de sua Loja, do Rito que pratica e do Corpo Filosófico que estiver ligado.

O que não se admite é o Irmão iletrado e ignorante, muitas vezes em grau de Mestre, não sabe nem ler o ritual.

Tenho dito!



Ir.'. Denilson Forato


segunda-feira, 29 de junho de 2015

AS BORLAS E A CORDA DE 81 NÓS


BORLAS E AS ‘VIRTUDES CARDEAIS’ 

“Tudo na Maçonaria tem história e autenticidade, que muitos maçons não querem conhecer, por ignorância ou por lamentável sectarismo”. (Theobaldo Varoli Filho) 

A borla consiste na reunião de um conjunto de fios em números variáveis, presos por um nó. As borlas são na verdade uma arte de “passamanaria”, - o trabalho com passamanes. Uma arte que se ocupa de bordados ou transados de fios em roupas, tecidos, cortinados ou borlas. Estas servem para complementar um enfeite e geralmente, como parte final de um cordão que vem atado ou preso a uma peça de vestuário. 

A origem das Borlas é remota. Reis, poderosos, sacerdotes, as usavam em suas vestes; em 1660 foram implantadas nos uniformes militares franceses. 

As borlas traduzem o “Poder”e em certas partes, este uso prossegue, como terminais em cordões atados à cintura ou em chapéus. De tal modo, temos o Barrete (Barrete Frígio) usado na Turquia Antiga, como distinção entre os vulgos e os poderosos. Durante a época do fascismo, na Itália, os militantes, usavam um “barrete negro”, de cuja calota pendia um cordão que terminava em borla.

Vemos borlas em estandartes, vários escudos ou brasões de cidades, e nas armas dos clérigos, especialmente do cardinalato e dos papas. Na realeza é centralização do poder que se espalha alcançando os súditos. A borla passou a ser usada nas universidades, para ornar tanto o capelo, como as faixas, simbolizando a libertação da ignorância, e o poder passou a ser emanado do diploma. 

Os cortinados nas casas ricas ou nos palácios têm os seus cordões terminados em borlas de todo tipo, simplesmente como adereço e demonstração de poderio econômico. 

Dentro dos Templos Maçônicos a “Corda de 81 nós” (ou houppe dentelée), que contorna a parte interior e superior do Templo antes da “Abóbada Celeste”, tem a finalidade de simbolizar a união do maçons. Seus oitenta e um laços duplos (que devem ser apertados e não frouxos), recordam o entrelaçamento, com elos de uma mesma corrente, das mãos formadas na “Cadeia de União”.

Protegendo, além de “conectar” e de “ligar”, os símbolos e emblemas que aparecem desenhados no quadro, o que é considerado como um espaço sacralizado, e, portanto, inviolável. Nesse sentido, a ideia de “proteção” está incluída no simbolismo dos nós e das ligaduras, que por suas respectivas formas relembram o traçado dos dédalus e labirintos iniciáticos. 

Esquadrinhando o atavismo da operatividade, quando nossos irmãos não só cercavam como determinavam a posição correta dos templos ou catedrais, que sempre, e de forma invariável, estavam orientados segundo as direções do espaço assinaladas pelos quatro pontos cardeais, exatamente iguais á Loja. 

Ao mesmo tempo reforçavam o canteiro de obras com as estacas e, em cada uma destas, a corda era entrelaçada. Detemos aí a origem da “Corda de 81 Nós”. Hoje, na Maçonaria Especulativa, todo obreiro, como coluna, faz referência a uma estaca. Ligados cada qual pela corda de nós. 


O algarismo 81 é o quadrado de 9, que por sua vez é o quadrado de 3, número perfeito e de grande importância mística para as ancestrais civilizações. Três foram os filhos de Noé, três os varões que apareceram a Abraão, três os dias de jejum dos judeus desterrados, três as negações de Pedro, três as virtudes teologais (Fé, Esperança e Caridade); além disso, as tríades divinas sempre existiram na maioria das religiões: 

. Sumérios – Shamash, Sin e Ichtar: 
. Egípcios – Osíris, Íris e Hórus; 
. Hindus – Brahma, Vishnu e Shiva; 
. Taoismo – yang, ying e Tao; 
. Trindade Católica romana – Pai, Filho e Espírito Santo; 
. Da Constituição do Ser – Espírito, Alma e Corpo; 
. Do hermetimo – Archêo, Azoth e Hylo; 
. Da Cabala Hebraica – Kether(Coroa), Chokmah(Sabedoria) e Binah(Inteligência); 
. Do Budismo – Buda(Iluminado), Dhama(lei), e Sanga( Assembléia de Fiéis); 
. Da Trimurti indiana – Brahma, Vishnu, e Shiva; Sat, Chit, e Ânanda; 

O nó central deve estar sobre o Trono de Salomão, representa a Unidade, não como forma de medida, mas sim como fonte Criadora e indivisível. “O Todo”. O restante dos nós distribuídos com quarenta nós ao sul e quarenta nós ao norte. Pois, 40 como o numeral simbólico da Penitência e da Expectativa: a duração do dilúvio (Gênesis, 7:4); quarenta dias passou Moisés no Sinai( Êxodo, 34:28); foram os dias de jejum de Jesus no deserto(Mateus, 4:2); quarenta dias o Grande Mestre ficou na Terra após a Ressurreição(Atos dos Apóstolos, 1:3). 

Essa Corda absorveria as tensões nervosas (elétricas) dos irmãos, descarregando-as através dos fios das duas borlas pendentes. Detém-se que, dentre outros “efeitos esotéricos”, a corda retém a energia que emana de todos os Obreiros presentes, bem como da distribuição da Energia de cima para baixo e de fora para dentro. Os nós funcionando como acumuladores de energia. 

Cada borla é formada de um “botão” recoberto de fios, formando uma franja que desce ao piso. O botão modula e concentra as “forças” e os fios descarregam em direção ao solo a energia. Funcionando como “fios terra”. 

Essas borlas deveriam ser amparadas pelos Diáconos, sustentando-as em suas mãos, quando da formação do triângulo, junto com o Mestre de Cerimônias, protegendo o Oficiante, no momento da abertura do Livro da Lei. 

Os rituais do REAA instruem que as quatro borlas representam as quatro Virtudes Cardeais: 

. TEMPERANÇA 
. JUSTIÇA 
. FORTALEZA 
. PRUDÊNCIA 

Helio P. Leite 


domingo, 28 de junho de 2015

LIÇÕES QUE A HISTÓRIA DA MAÇONARIA NOS REVELA


A Maçonaria é uma escola, sua presença no cenário da civilização humana, perde-se na bruna do passado.

Conduzindo-se desde suas origens, como inimiga de preconceitos, desigualdades, privilégios e discriminações, a Maçonaria sempre foi contrária a tudo que se oponha ao pleno exercício dos direitos fundamentais do homem.

Fiel aos seus princípios considera um homem igual ao outro em direitos não fazendo distinção entre eles, seja de origem, raça, credo, nacionalidade ou outra qualquer natureza, deixando, assim, bem claro seu caráter marcadamente democrático e sua vocação universalista.

Essa instituição milenar, universal, de base filosófica, que trabalha pelo advento da justiça, da solidariedade e da paz entre os homens, segundo opinião de pesquisadores, já percorreu dois períodos históricos e encontra-se em um terceiro ou atual – A Maçonaria Especulativa.

A Maçonaria Especulativa, Atual ou Moderna que evoluiu a partir das antigas corporações medievais de ofício – mestres pedreiros -, começou a partir do século XVIII, tendo como marco divisor de água a fundação da Grande Loja de Londres, 24 de junho de 1717, portanto, há 294 anos.

Não resta dúvida que ela nos tem oferecido histórias magníficas no decorrer dos séculos.

 Em nosso País, sua história é rica e apesar de não ser devidamente ensinada nas escolas, está ai a revelar que mesmo antes de sua instalação regular e oficial no Brasil, como Obediência maçônica em 17 de junho de 1882 (Fundação do Grande Oriente do Brasil), a Maçonaria já trabalhava, incansavelmente, pelo ideal da independência, através de poucos brasileiros iniciados na Europa que retornavam após terem concluído seus estudos.  Independência era a meta principal daqueles que fundaram o Grande Oriente do Brasil. 

Quem de sã consciência poderá desconhecer que a Maçonaria ao longo dos seus 189 anos de existência como Obediência, no Brasil, tenha exercido grande influência nos momentos e fatos mais marcantes de nossa história? 

Saibam senhores (as), os maçons brasileiros têm a honra de afirmar: foi a Maçonaria de nosso País a primeira corporação que tomou a iniciativa da Independência do Brasil e tomou todas as providências ao seu alcance, por meio de seus membros, para ser levada a efeito em todas as províncias.

O primeiro passo oficial em busca do objetivo foi o “Fico”, (ocorrido em 09/01/1822) o que representou uma desobediência aos decretos 124 e 125, emanados da Corte Portuguesa que exigia o retorno imediato do Príncipe D. Pedro a Portugal, o que se acontecesse, praticamente retornava o Brasil a condição de colônia, desfazendo-se assim a união brasílico-lusa, o que vinha de encontro aos anseios do nosso povo. 

   Maçons ilustres como José Joaquim da Rocha, José Clemente Pereira, frei Francisco de Santa Tereza de Jesus Sampaio, José Bonifácio de Andrada e Silva, Joaquim Gonçalves Ledo, Domingos Alves Brandão Muniz Barreto, José Mariano de Azevedo Cunha, Antonio Carlos Nóbrega, Domingos Alves Branco, Januário da Cunha Barbosa, dentre outros.

Quem não reconhece a participação decisiva de membros da Ordem maçônica no movimento revolucionário, de caráter nacionalista – A Revolução Pernambucana de 1817, - liderada por Domingos José Martins e outros?

Como negar que além da Independência do Brasil, a Abolição da Escravatura e a Proclamação da Republica, são exemplos irrefutáveis de grandes vitórias que marcam a presença da Maçonaria em três importantes períodos de nossa história: Colonial, Monárquico e Republicano?

Quão bom ver maçons de Itabuna liderando ações, estimulando pessoas a criarem instituições, a engajarem-se em movimentos visando o desenvolvimento da região?  

Avante irmãos! O mais sério problema do País repousa na educação e na cultura. Com o fanal da Maçonaria Universal, convictos de nossos princípios, lutemos quanto pudermos, para nobilitar o destino do gênero humano e conferir à Terra a platônica musicalidade perdida.

Combatamos o bom combate, cuja vitória só pode conduzir à fraternização dos homens.
   
Por Antônio da Silva Costa

M.•. M.•. Gr.•. 33 Oficina Integrada de Graus Superiores São José – Loja Maçônica 28 de Julho – Itabuna – Bahia. Secretário de Planejamento do Grande Oriente Estadual da Bahia (GOEB). Itabuna – Bahia.


sexta-feira, 26 de junho de 2015

JUSTIÇA SOB A ÓTICA DA MAÇONARIA


Universu Terrarum Orbis Architectonis Ad Glorian Ingentis Ordo Ab Chão

Os estudos maçônicos, a partir dos Graus Simbólicos, dedicam especial atenção ao tema: “JUSTIÇA”.

Nas mais diversas abordagens, sempre que ritualística ou doutrinariamente se refere a “Justiça”, tem sentido de julgamento, de avaliação de conduta e de tomada de decisão por parte do Maçom.

Ao ingressar na Ordem, durante a Cerimônia de Iniciação, o neófito já assume o compromisso, através de juramento, de defender e proteger seus irmãos esparsos pelo mundo, em tudo que puder e for necessário e justo.

Neste juramento já esta assumindo o compromisso de julgar e fazer justiça. Sobre a forma de fazer justiça, maravilhosos ensinamentos são ministrados em nossos rituais, como o constante da 2ª Instrução do Grau de Mestre que estabelece “verbis”: 

“A sabedoria não esta em castigar os erros, mas em procurar as causas e afastá-las”.

Tal ensinamento deixa bem claro que mais importante que a repressão é a prevenção. Se avançarmos nos Graus Filosóficos, com fulcro na lenda da construção do Templo de Salomão, o Grau 7 – PREBOSTE OU JUIZ, dedica especial atenção ao tema: DIREITO E JUSTIÇA.

Dentre tantos ensinamentos infere-se que as leis e regulamentos devem estar alicerçados em valores éticos e morais; Que em todo julgamento deve ser assegurada a ampla defesa; Que devem ser apreciados direitos e deveres; Que as decisões devem ser imparciais, sem serem tendenciosas, seja por amizade, seja por temor, seja por recompensa; Que a justiça deve ser igual para todos, e o que é mais importante, que a justiça maçônica atende também ao apelo, a consideração e ao perdão.

Quando se trata de julgar um irmão em face de um ilícito maçônico, sem repercussão na justiça profana, os critérios devem ser diferentes, sem considerar a máxima do Direito: “DURA LEX, SEDE LEX”, ou seja, “ A LEI É DURA, MAS É LEI”, pois se houver arrependimento e o firme propósito de corrigir sua conduta, o irmão deve ser auxiliado e não considerado um ser irrecuperável, que não merece outra oportunidade.

O julgamento maçônico, diferentemente do que, via de regra, acontece na justiça profana, é feito entre irmãos, entre pessoas que tem o compromisso de auxílio mútuo.

Na Maçonaria o exercício do poder de julgar e de aplicar penalidades, deve ser exercido com muita serenidade, ponderação, equilíbrio, bom senso, tolerância e exacerbada responsabilidade, para não transformar a oportunidade de recuperar um homem, num instrumento de revolta e desencanto com a Ordem.

Todos temos o compromisso assumido ao entrarmos para a Maçonaria, de socorrer os irmãos em suas aflições e necessidades, encaminhá-los na senda das virtudes, desviá-los da prática do mal e estimulá-los a fazerem o bem, dando exemplo de tolerância, de justiça e de respeito a liberdade de cada um.

O julgador para praticar a justiça, deve alem de apreciar as provas cabais e irrefutáveis da autoria do ilícito ou da infração, saber analisar as circunstâncias em que o ato infracional aconteceu, se não há nenhuma excludente de ilicitude, se o fato aconteceu por negligência, imprudência ou desconhecimento, e ainda que fique bem caracterizada a autoria e o dolo, saber avaliar o estado psicológico e emocional de autor, sua vida pregressa e seu histórico na vida maçônica.

Para finalizar minhas breves considerações sobre a Justiça Maçônica, quero me reportar ao que reiteradas vezes temos ouvido e concordamos: “O verdadeiro maçom não se conhece pelos sinais, toques e palavras, mas pela sua conduta, pela sua reputação dentro e fora da Maçonaria”.

Não basta sermos bons maçons dentro de nossas lojas ou no exercício dos compromissos maçônicos, é fundamental levarmos esses ensinamentos para as nossas atividades profanas.

O nosso compromisso maior é tornar feliz a humanidade, com demonstrações de amor, sem ser omisso; de tolerância, sem ser conivente; de respeito ao livre arbítrio de cada um, dentro dos limites impostos pelos direitos e deveres constantes das regras de convivência social.

Julgar e fazer justiça no mundo profano não é responsabilidade exclusiva de juízes, promotores, advogados, militares e policiais, é uma tarefa que exercitamos com frequência, seja como pais de família, seja como chefes, diretores, empresários, etc.

Nesse sentido todos devemos internalizar e assimilar os ensinamentos maçônicos, bem como colocá-los em prática em nossas vidas, pois só assim estaremos sendo verdadeiramente maçons.


VALDEMAR KRETSCHMER

quinta-feira, 25 de junho de 2015

O QUE VOCÊS QUEREM PARA MAÇONARIA?



Um monte de “lambe-botas”, bajuladores, que precisam “se dar bem” com os graus superiores para poder subir e alcançar cargos?
Ou querem uma Maçonaria composta de homens livres e de bons costumes, que sejam livres-pensadores e busquem incessantemente a Verdade, sem restrições?
Quem quiser impor Respeito, Disciplina e Hierarquia estão no lugar errado, devia procurar e se inscrever na caserna.
Aí estão os três dogmas, de uma Maçonaria que se diz, e deveria ser antidogmática.
RESPEITO
O que é o Respeito?
É a deferência, obediência, submissão, acatamento; também pode incluir medo, temor e receio.
É comum, dentro de nossa Ordem, ver e ouvir irmãos de graus superiores exigindo respeito – obviamente para os graus superiores – dos graus inferiores.
Ou ver irmãos, que não se dão conta que estão “temporariamente” em cargos de Grandes Oficiais ou Grandes Luzes, exercendo um pseudo-poder de mando de forma a humilhar e a se sobrepor aos outros irmãos.
Aí perguntamos: devemos respeitar os irmãos de graus superiores?
Claro que devemos, principalmente, – ou seria tão somente? – àqueles que sabem se dar ao respeito de seu alto grau, porque muitos são traídos em seus belos, laudatórios e esotéricos discursos pelos seus próprios atos, por sua ação.
Então vem a pergunta que não quer calar.
A quem devemos respeitar mais, um Aprendiz, que é o futuro da Ordem, ou a um irmão do Grau 33º?
Quem optou por qualquer um dos dois errou, e feio!
O início dos trabalhos ao meio-dia iguala os irmãos presentes na sessão.
Ou alguém duvida?
Será que nós temos irmãos que são mais iguais que os outros?
Se nós perguntarmos a dez irmãos de graus superiores, o que fazer se um irmão Aprendiz levantar em Loja e disser: “Eu exijo respeito”, nove vão responder: “Esse sujeitinho tem que ser posto pra fora”.
Todos os irmãos, independente de grau, merecem o respeito de todos.
Respeito se conquista respeitando os outros, e a política de respeito pela imposição de medo e terror só leva a se conseguir acabar com um dos três pilares básicos da maçonaria que é a Igualdade.
DISCIPLINA
O que dizer da Disciplina?
Disciplina é um regime de ordem imposta e a relação de subordinação entre um superior e seu inferior, com imposição de limites.
A maçonaria não prega e não impõe limites à livre investigação da verdade?
Se em algum momento tivemos que impor limites é porque falhamos em nossa missão.
A palavra “limite” evoca outra que lhe é próxima: disciplina.
Como uma entidade, como a maçonaria, pode ser evolucionista e progressista impondo limites?
Pode-se afirmar sem medo de errar que os guias e sua autoridade são fatores degenerativos, em qualquer civilização.
Ao seguirmos outra pessoa não há compreensão, mas só medo e submissão, de quem resulta, por fim, a crueldade do Estado e o dogmatismo da religião organizada.
Ao mencionar “medo e submissão”, deixo claro que chamo de “autoridade” aquele poder que busca impor-se com autoritarismo, sem fundamento real na aceitação e na compreensão, sendo assim um instrumento de perpetuação das estruturas da sociedade.
Vemos que a autoridade como instrumento de submissão não é bem-vinda, até porque seus efeitos se limitam à presença do agente repressor.
É preciso deixar claro que tanto o irmão que segue outro, quanto o que é seguido, abre mão de sua liberdade.
O que segue porque deixa de ser livre e passa a “comer na mão do outro”. O que é seguido porque passa a ter a responsabilidade de pensar por dois, e a agir conforme agrade seus seguidores.
E aí se vai mais um dos três pilares básicos da maçonaria que é a Liberdade.
HIERARQUIA
Hierarquia pode ser definida como ordem e subordinação de poderes.
Graduação da autoridade, correspondente a várias categorias, classes, escala de valores ou castas.
A maçonaria, atualmente, pode ser definida, em várias obediências, como uma entidade dividida em castas.
Todo irmão exaltado é imediatamente rotulado pelos mais velhos de “mestre novo” ou “mestrinho”.
Mas um dia, esse mestre chega ao Grau 33º, e aí é apresentado o velho jargão que “na maçonaria, antiguidade é posto”.
Quer parecer que os mais velhos, que usam esse artifício, têm medo de ser contrariados em seus desatinos e ditames.
São “mestres velhos” e não “velhos mestres”.
Eles se entregam e deixam aparentes, sem sombra de dúvida, a sua total insegurança.
Pode-se afirmar que, um aprendiz que domina completamente seu grau, está no topo de sua escala hierárquica.
A hierarquia deve se dar-se pelo conhecimento do grau em que o irmão está, e pelos atos e fatos praticados pelos irmãos (exemplo e trabalho), em prol da sua Loja, da sua Obediência e da Maçonaria em Geral e da Sociedade.
De que adianta ser Mestre, e não se lembra de seus juramentos e seus compromissos assumidos, tanto no seu grau atual quanto nos graus anteriores?
Têm muitos MM.•. II.•. (Ex-Veneráveis) que não passariam por um exame simples da sua classe, entre os Mestres.
Quer me parecer que a excessiva militarização da nossa Ordem, de meados do século passado até agora, tem feito muitos Irmãos confundirem maçonaria com caserna.
Talvez sejam militares frustrados. Afinal, tem gente que adora uma farda.
Muitos Irmãos têm se mostrado ávidos por graus, só para chegarem mais rápido ao topo da “hierarquia”. Dá pena desses Irmãos. Nem sabem o que estão fazendo na Ordem.
Como dizia meu avô, quando era criança, e minha mãe me arrumava todo para passear:
“Aunque de seda se vista el mono, mono se queda”.
Ou seja: “Ainda que se vista o macaco de seda, ele continua macaco”.
E vamos subir de grau!
Afinal, os comerciantes de joias e paramentos precisam sobreviver.
Com a divisão em castas, os Irmãos de graus superiores evitam conversar, e até mesmo cumprimentar, os Irmãos dos graus ditos inferiores.
Sentar na mesma mesa desses em um ágape, dito “fraternal”, nem pensar!
E ai se vai o último dos três pilares básicos da maçonaria, a Fraternidade.
DOGMAS DE UMA MAÇONARIA ANTIDOGMÁTICA
Entende-se por dogma o ponto fundamental e indiscutível de uma doutrina religiosa e, por extensão, de qualquer doutrina ou sistema.
A palavra “dogma”, em grego, significa “opinião”, mas, em filosofia, é empregada no sentido de opinião explicitamente formulada como verdadeira.
Daí serem chamados dogmáticos aqueles que oferecem uma filosofia fundada em dogmas, ou que a apresentam dogmaticamente.
No Cristianismo, porém, chamam-se dogmas as verdades reveladas e que são propostas pela suprema autoridade da Igreja, como artigos de fé, que devem ser aceitos por todos os seus membros.
Pejorativamente, também são chamados “dogmas” as afirmações que expressam opinião, sem os necessários fundamentos, mas que são proclamadas como verdades indiscutíveis.
A Maçonaria não professa nem impõe dogmas maçônicos, visto que ela não se proclama depositária de nenhuma “Revelação”; ela só tem princípios.
Como, porém, não existe uma religião sem dogmas, a Maçonaria não condena o pensamento dogmático em si, deixando a cada Maçom o direito de ser dogmatista, fora da Maçonaria. Não obstante, o ensinamento maçônico não é dogmático.
O dogmatismo era, entre os gregos, a posição filosófica que se opunha ao cepticismo. Enquanto os defensores desta posição negavam a possibilidade do conhecimento, os dogmáticos afirmavam-na plenamente.
Kant emprega o termo em sentido pejorativo, e o considera não apenas oposto ao cepticismo, mas também a critica, por ele estabelecida.
Chama-se “dogmatismo moral” a concepção que explica legítima a certeza pela ação. Emprega-se em geral para indicar a afirmação de doutrinas que não admitem em si mesmas nada de imperfeito ou errado.
O “dogmatismo moral” opõe-se ao “dogmatismo intelectual”. Aquele afirma que nossos conhecimentos espontâneos são a expressão de nossos desejos, e que as nossas atitudes intelectuais, em suma, dependem dos interesses humanos.
O “dogmatismo intelectual” afirma a independência do nosso conhecimento quanto aos nossos interesses.
Dogmatismo negativo? é o nome que se dá geralmente ao cepticismo, porque ao afirmar a impossibilidade do conhecimento verdadeiro, faz uma afirmação dogmática, enquanto se chama de positivo o dogmatismo contrário.
Chama-se “dogmatismo intelectual”, genericamente, as doutrinas que afirmam a capacidade de nossa mente, de nossa intelectualidade, para alcançar a verdade no problema crítico.
Entre essas doutrinas, podem ser salientadas: a teoria mista, fundada na evidência abstrata e na evidência sensitivo-intuitiva, que admitindo o problema crítico, afirma, ainda mais, que os princípios ideais são objetivamente certos, e que a intuição sensitiva e a demonstração fundam-se em termos reais.
Outra teoria é a de dinamismo intelectual, que também admite o problema crítico, mas aceita certos postulados kantianos de condições a priori, não adquiridas, mas inatas, que é a tendência a afirmar.
Há, ainda, a teoria da intuição intelectual, que admite haver intuições intelectuais suficientes para dar soluções necessárias.
Se a maçonaria é composta por livres-pensadores que buscam a Verdade, obviamente ela não pode ser dogmática. Mas o que é verdade?
A definição de Verdade é das mais complexas, por isto cada filósofo a apresenta de uma forma diferente.
Os dicionaristas a apresentam apenas como a qualidade pela qual as coisas aparecem tais como são; realidade, exatidão, sinceridade, etc.
E por ser definida segundo pontos de vista tão variados, a Verdade em filosofia é um dos problemas mais espinhosos.
Em metafísica, define-se a Verdade como “o que realmente é”. Em Lógica, “a conformidade do pensamento com o seu objetivo”, por oposição ao erro. Em Moral, “conformidade de uma afirmação com o pensamento”, por oposição à Mentira.
A verdade tem por caráter a evidência e produz no espírito que a possui a certeza. A coordenação das verdades constitui a ciência.
A Verdade dos conhecimentos humanos é a base de toda Filosofia, a Verdade moral é a base de toda vida social.
Para os antigos, a verdade era uma divindade alegórica, filha de Saturno, isto é, do Tempo, e a mãe da Justiça. Representavam-na, geralmente, sob a figura de uma mulher segurando na mão um espelho ou um facho, e algumas vezes saindo de um poço.
O verdadeiro objetivo da Maçonaria é a busca da Verdade, quer no sentido filosófico, quer no sentido religioso.
Para o Maçom, a investigação da Verdade é contínua, é algo que se começa com a sua entrada em Loja como Aprendiz, mas não acaba quando atinge os graus mais elevados.
Por meio de símbolos e alegorias, a Maçonaria ensina aos seus adeptos que a Verdade constitui um atributo da Divindade, sendo ela a busca de todas as virtudes, sem, contudo apontar-lhes o que ela considera como Verdade, nem a definindo.
Deixa esta tarefa, e isto constitui a principal característica da Instituição Maçônica, aos seus adeptos, para que, por meio do estudo, da pesquisa e da meditação, possam chegar, neste particular, a “Conclusões” que satisfaçam em tudo a Moral e a Razão.

ARLS Obreiros de Irajá

quarta-feira, 24 de junho de 2015

NO SÉCULO XXI FARÁ SENTIDO SER-SE MAÇOM?




Chama-se "Idade das Luzes" ao período que decorreu desde 1650 até 1780, aproximadamente. Nesse período, as forças intelectuais e culturais na Europa Ocidental davam preponderância à razão, à análise e ao individualismo, por oposição às linhas tradicionais da autoridade.

Esta visão era promovida por filósofos e pensadores nos círculos em que estes se movimentavam, como as coffeehouses, que eram estabelecimentos comerciais onde se consumia café, chá e chocolate - mas não bebidas alcoólicas - e onde se trocavam ideias desde as mais fúteis - como a moda da época, os escândalos da semana ou a coscuvilhice do dia - a outras mais elevadas - como as ciências naturais, as últimas descobertas e invenções, e mesmo as mais recentes ideias e correntes da filosofia.

Estas novas ideias desafiavam frontalmente a autoridade de instituições profundamente enraizadas no tecido social, especialmente a Igreja Católica, e a possibilidade de reformar a sociedade através da tolerância, ciência e ceticismo era tema permanente. Muitas das ideias discutida, por porem em causa a autoridade da Igreja e da Coroa, poderiam ser interpretadas como heresia, traição ou ambas. Era, assim, essencial alguma discrição na sua discussão. Urgia encontrarem-se locais discretos onde pudessem ser debatidas.
  
Numa altura em que o tijolo - mais barato, fácil e rápido de produzir - tinha substituído a pedra quase na sua totalidade, as lojas maçônicas operativas que nesta altura ainda existiam - chamar-lhes-íamos hoje algo como "associações de construtores civis" - seriam mais ou menos tão anacrônicas como as nossas atuais associações desportivas e culturais de bairro, que só subsistem graças a um balcão de "comes e bebes" cuja exploração suporta as despesas correntes e vai adiando uma morte anunciada. Constituía, assim, local privilegiado de encontro discreto de quem pretendesse encontrar-se em local menos exposto do que uma coffeehouse. 

Havia, contudo, um obstáculo: muitas eram de acesso reservado a membros. Os verdadeiros artífices da pedra já quase não existiam, encontrando-se os seus filhos agora no seu lugar, dando continuidade a antigos usos e costumes relacionados com a profissão, transmitindo de geração em geração segredos centenários cujo propósito se perdera havia muito e constituía a aura de certo mistério que era apenas transmitida a novos membros.

As necessidades complementares de uns e outros terão levado a que os pensadores fossem aceites como membros das lojas maçônicas operativas.

Não havia, pelos primeiros, qualquer interesse em perturbar o que já existia pelo que todos os antigos usos se mantiveram. Porém, ao introduzir o debate filosófico e científico, os novos membros terão acabado por conduzir os antigos grêmios a um rumo totalmente distinto. Com o tempo, as ligações ao trabalho da pedra foram-se transformando em meras referências simbólicas, e as ideias passaram a constituir aquilo que, de fato, se trabalhava. Surgia a maçonaria especulativa e foi neste contexto que, em 1717, foi fundada a Grande Loja Unida de Inglaterra - há quase 3 séculos, portanto.
  
Poderia dizer-se - e há quem diga - que a maçonaria, surgindo por oposição a um status quo, é "inimiga" das instituições que são contrárias aos princípios do racionalismo, da dúvida metódica, ou da tolerância religiosa. É uma forma falaciosa de colocar as coisas.

A maçonaria não confronta religiões, antes defende ideias; não se foca nas instituições, mas antes no indivíduo; mas, acima de tudo, longe de ser "contra" o que quer que seja, é antes "a favor" de que cada um possa exercer a  liberdade de decidir o seu futuro, de escolher o seu lugar no mundo, e de construir, no seu interior, a identidade que o faça mais feliz.

Num mundo em que a tolerância é constantemente posta em causa, em que a autoridade militar, religiosa e econômica se sobrepõe frequentemente, à autoridade moral, aos princípios e aos bens maiores, e em que o pensamento é desvalorizado a favor da ação (tantas vezes mal orientada...), a maçonaria continua constituir a egrégora emanante de quantos acreditam que a existência humana não é "só isto" e que, inconformados com o que são hoje, almejam a ser melhores - e aqui, cada um sabe de si, e o que escolheu para se aperfeiçoar.

É esta, a meu ver, a ideia basilar da maçonaria: a de que é possível - e desejável - a construção de uma sociedade em que cada um, contribuindo com a sua diversidade no garante de que a tolerância e o respeito mútuo serão princípios universais e reciprocados, possa ser feliz à sua maneira. E isto continua a ser pertinente, hoje como há três séculos.

Paulo M.


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