segunda-feira, 25 de maio de 2026

SISTEMA FEDERATIVO DO GRANDE ORIENTE DO BRASIL É MODELO ÚNICO NA MAÇONARIA MUNDIAL

O Grande Oriente do Brasil possui uma das mais sólidas e organizadas estruturas institucionais da Maçonaria contemporânea. Seu sistema federativo, construído ao longo de décadas, é considerado único no Brasil e no mundo pela sua amplitude territorial, capacidade de integração administrativa e unidade institucional.

Atualmente, o GOB é composto por 27 unidades federativas, sendo 26 Grandes Orientes Estaduais e um Grande Oriente Distrital no Distrito Federal, formando uma estrutura nacional integrada que garante presença em todo o território brasileiro.

Esse modelo federativo representa uma das maiores forças do Grande Oriente do Brasil, permitindo que cada Estado possua sua administração própria, respeitando suas particularidades regionais, mas mantendo plena harmonia com os princípios, normas e diretrizes da Potência nacional.

A estrutura federativa do GOB consolidou um modelo de união institucional que alia autonomia administrativa estadual à unidade nacional, preservando a identidade histórica da instituição e fortalecendo sua capacidade de atuação em todo o país.

Não existe atualmente na Maçonaria brasileira ou mundial uma organização com características equivalentes ao sistema federativo do Grande Oriente do Brasil. A dimensão territorial, a integração entre os entes federados e a organização administrativa nacional tornam o modelo gobiano singular dentro da Maçonaria universal.

Outro ponto fundamental deste sistema é que existe apenas uma unidade federativa vinculada ao Grande Oriente do Brasil em cada Estado da Federação e uma no Distrito Federal. Esse princípio preserva a estabilidade institucional, evita conflitos de representação e mantém a harmonia administrativa e maçônica dentro da estrutura federativa do GOB.

Como defensores da tradição, das leis e da fraternidade entre os irmãos, permaneceremos sempre vigilantes na preservação dessa premissa, mantendo firme o compromisso histórico e institucional de um só GOB, unido e integrado com todos os irmãos pertencentes ao Grande Oriente do Brasil em cada unidade da Federação.

Ao longo de sua história, o Grande Oriente do Brasil construiu uma estrutura baseada na união, no respeito federativo e na preservação de sua identidade nacional, consolidando-se como a maior e mais tradicional Potência Maçônica da América Latina e uma das maiores organizações maçônicas do mundo.

Arlindo B Chapeta 
Secretário Geral de Comunicação do GOB
Grande Oriente do Brasil
Sempre à frente, o GOB e você!

 

 

quarta-feira, 20 de maio de 2026

MAÇONARIA NO MUNDO ISLÂMICO


ENTRE REFORMAS, CONFLITOS E SOBREVIVÊNCIA

A relação entre a maçonaria e o mundo islâmico é marcada por contrastes profundos. Ao longo da história, essa fraternidade discreta foi, ao mesmo tempo, vista como um instrumento de modernização e alvo de desconfiança religiosa e perseguição política. Entre períodos de florescimento e repressão, sua trajetória revela muito sobre as transformações sociais e políticas em países de maioria muçulmana.

RAÍZES HISTÓRICAS E O IMPULSO REFORMISTA

O auge da maçonaria no mundo islâmico ocorreu durante a Revolução dos Jovens Turcos, quando ideias de liberdade, progresso e constitucionalismo ganharam força no Império Otomano. Em cidades como Istambul, lojas maçônicas com nomes como La Renaissance e L'Aurore simbolizavam um novo espírito intelectual e político, alinhado com os ideais iluministas.

Entre os nomes mais influentes associados à maçonaria estava Jamal ad-Din al-Afghani, um dos principais articuladores do modernismo islâmico. Ele via na instituição uma ferramenta para combater o autoritarismo e promover reformas políticas no mundo muçulmano.

Outro nome frequentemente ligado a esses círculos é Mustafa Kemal Atatürk, cuja atuação foi decisiva na construção de um Estado secular na Turquia.

Curiosamente, estudiosos como Thierry Zarcone apontam semelhanças entre a estrutura da maçonaria e as ordens do Sufismo. A organização hierárquica, os rituais de iniciação e o simbolismo eram elementos familiares a muitos muçulmanos, o que facilitou a aceitação inicial da fraternidade em determinados contextos.

Tensões religiosas e perseguições políticas.  Apesar dessas afinidades, a maçonaria enfrentou forte resistência dentro do mundo islâmico. Embora a organização exija de seus membros a crença em um “Ser Supremo” — o chamado Grande Arquiteto do Universo, muitos líderes religiosos a consideraram incompatível com os princípios do Islã.

Para esses críticos, a maçonaria promovia valores seculares que poderiam enfraquecer a autoridade religiosa e os dogmas tradicionais.

Além da oposição teológica, fatores políticos contribuíram decisivamente para sua repressão. Ao longo do século XX, diversos países proibiram suas atividades.

No Egito, a maçonaria foi banida após a queda da monarquia. Já no Irã, a proibição ocorreu após a Revolução Islâmica de 1979, levando a Grande Loja do país a operar no exílio, em Los Angeles.

Outro elemento que contribuiu para sua rejeição foi o estigma colonial. Em países como a Indonésia, a maçonaria passou a ser vista como uma extensão das potências europeias especialmente dos holandeses — e como um instrumento de afastamento das elites locais de suas tradições religiosas.

A maçonaria hoje: resistência e adaptação. Atualmente, a presença da maçonaria no mundo islâmico é limitada, mas não inexistente. Países como Turquia, Líbano e Marrocos figuram entre os poucos onde a instituição ainda atua oficialmente, em alguns casos, até com sinais de renovação.

As práticas também se adaptaram às realidades locais. Em geral, maçons muçulmanos devem professar o monoteísmo, alinhando-se ao princípio islâmico da unicidade divina. Em lojas turcas de perfil mais liberal, por exemplo, o juramento pode ser feito sobre o Livro das Constituições Maçônicas, em vez de um texto sagrado específico, refletindo uma abordagem mais pluralista.

ENTRE TRADIÇÃO E MODERNIDADE

A história da maçonaria no mundo islâmico é, em essência, uma narrativa de tensão entre tradição e modernidade. Em determinados momentos, ela funcionou como um espaço de debate intelectual e articulação política; em outros, foi vista como ameaça à ordem religiosa e cultural.

Essa dualidade ajuda a explicar por que a maçonaria, embora ainda presente, permanece envolta em controvérsias. Mais do que uma simples organização, ela se tornou um espelho das disputas mais amplas que moldaram, e continuam a moldar o mundo islâmico contemporâneo.

Fonte: O Malhete

  

segunda-feira, 18 de maio de 2026

INSTALAÇÃO DO VENERÁVEL MESTRE

É uma cerimônia Maçônica, repleta de simbolismo e alegorias, tendo por finalidade a transmissão do cargo de Venerável Mestre, que é a autoridade máxima de uma determinada Loja. Ao ocupar o “Trono de Salomão”, alegoricamente falando, o obreiro deverá ficar revestido de poder e sabedoria e, durante um ou dois anos, assumirá o veneralato da referida Loja.

Segundo alguns historiadores maçônicos essa cerimônia foi, a princípio, típica do Rito praticado na Inglaterra, na metade do século XVIII, quando ainda havia lá duas emergentes Obediências: a dos Modernos e a dos Antigos, que posteriormente, em 1813, se uniram e formaram a GLUI.

Segundo Mackey, a Instalação é mais antiga, surgindo juntamente com as Constituições de Anderson, em 1723, elaborada por Desaguliers.

Inclusive, em 1827, devido a pequenos desvios que começaram a surgir, foi criado, pelo Grão Mestre, na Inglaterra, um “Conselho de Mestres Instalados” com a finalidade de coordenar todas as atividades contidas no Ritual de Instalação.

Com o passar dos tempos, todos os demais Ritos, como o REAA, por exemplo, copiaram e adotaram essa prática Maçônica.

O novo Venerável Mestre é “Instalado” pelo Mestre Instalador, que pode ser um Grão Mestre, ou um ex-Venerável Mestre, e sua comitiva. Em seguida, o novo Venerável Mestre instala todos os Oficiais de sua Loja que realizarão suas funções, sob juramento, até que sejam substituídos por outros, instalados da mesma forma.

Na verdade, esse ato de dar posse de um cargo, dando o direito de exercer os privilégios inerentes, é bem antiga e já era praticada pelos antigos romanos, que instalavam seus novos sacerdotes, normalmente pelos Augures (sacerdotes que prediziam o futuro).

A origem do nome “instalação”, em português, vem da palavra francesa installer que por sua vez vem do latim medieval Installare (stallumsignifica cadeira, e in é estar dentro, adentrar).

Outras associações iniciáticas, também possuem Instalações. Os padres da Igreja Católica, por exemplo, também são instalados em suas paróquias.

Fonte: Pílulas Maçônicas

 

terça-feira, 12 de maio de 2026

O QUE TEMOS ADIADO?


Estamos, de fato, usando bem o tempo que nos foi confiado? 

Poucos aspectos da vida revelam com tanta clareza nossas prioridades quanto a forma como o empregamos. Universal e irrecuperável, ele permanece um dos maiores desafios da condição humana.

 

Paradoxalmente, quanto mais ferramentas temos à disposição para aproveitar melhor o tempo, maior a sensação de escassez. As incômodas razões são corroboradas por diversas pesquisas: passamos, em média, mais de nove horas por dia conectados à internet, além de sermos o terceiro maior consumidor global de redes sociais. 

Isso se soma ao fazer incessante e à sobrecarga de informações, intensificadores do mau uso da atenção no mundo contemporâneo. Essa realidade alcança todas as idades e gera problemas como o distanciamento nos relacionamentos, dificuldades para dormir e sensação de inadequação. 

O ritmo atual parece não permitir que nos detenhamos — ainda que por instantes — para questionar a própria vida, ou deixar certas coisas irem embora para abrir espaço ao que chega. 

A esse contexto soma-se uma dificuldade que não possui fronteiras: a distância que separa o que desejamos daquilo que estamos dispostos a sustentar. Para exemplificar, um recente levantamento revelou que cerca de 80% dos brasileiros acreditam ser possível viver mais e melhor — mas apenas uma parcela ínfima, próxima de 4%, efetivamente se planeja para isso no longo prazo. 

 

Muito do nosso tempo também é consumido revisitando mentalmente situações que já não podem ser alteradas, como se nelas ainda residisse alguma possibilidade de controle — ou de um sentido que talvez nunca tenha existido. Por vezes, aquilo que chamamos de “deixar fluir” não passa de uma forma socialmente aceitável de evitar decisões que exigiriam coragem — e responsabilidade pelas suas consequências. 

Dúvidas se acumulam nos finais de domingo: continuo vivendo apenas na espera entre um fim de semana e o outro?

 

É importante considerar também que nem todo desperdício de tempo se perde nas distrações da vida virtual ou na inércia. A diligência também pode se dispersar em esforços que não apaziguam as angústias. Há formas mais sutis — e, não raro, socialmente recompensadas — como o envolvimento em afazeres contínuos ou a busca exagerada pelo reconhecimento alheio.

Na direção contrária, o que fazer com os nossos dias quando a vida se estabiliza e vem o desassossego de não ter pelo que lutar?

 

 Enquanto a atenção se volta para fora pelo temor de ficar só, invisível ou sem propósito, a construção interior tende a ser adiada.


Neste ponto, percebe-se que considerar apenas a falta de tempo — ou mesmo de consciência — é uma simplificação do problema. Em muitos casos, a inércia vem acompanhada da percepção do que deveria ser feito, da carência de força interior e do entusiasmo para assumir a condução da própria vida.

 

É nesse ponto que as buscas por sentido tendem a se iniciar. Para alguns, surge então a Maçonaria; para outros, já iniciados, ela deixa de ser apenas uma filosofia de vida e passa a se apresentar como um campo de trabalho, no qual a própria experiência se torna matéria-prima para a edificação interior.

 

Ainda assim, a condição de Maçom não nos imuniza contra as dificuldades inerentes à natureza humana ou às pressões da vida contemporânea — inclusive no que diz respeito à má gestão do tempo. O que ela pode oferecer, no entanto, são instrumentos que ajudarão o indivíduo a desenvolver maior lucidez — tanto interna quanto na forma de perceber o mundo —, de modo a lidar melhor com as adversidades.

 

 

Nessa direção, a tradição maçônica oferece ricos caminhos simbólicos nos quais compreender é apenas o primeiro estágio. Eles só começarão a fazer sentido a partir do momento em que os integramos ao nosso dia a dia. Viver é praticar.


 Escada em Caracol sugere um avanço gradual — não imediato. Ela nos lembra que não há como pular etapas — e que o entendimento chega no tempo próprio da experiência. É o próprio ritmo da jornada que nos dará sabedoria para lidar com o presente e reinterpretar acontecimentos distantes com mais clareza.

 O Ternário ensina que passado, presente e futuro não estão separados, mas se refletem continuamente nas escolhas que fazemos.

 Já a Câmara de Reflexões confronta o indivíduo com a finitude, instigando-o a reconsiderar prioridades e a reconhecer o valor do tempo que lhe é dado. A Régua orienta para alcançar o equilíbrio — mas, na prática, raramente nos perdemos por distração ou excesso de descanso. Nos desviamos por não saber interromper o que nos consome — ou o que colocar no lugar. 

 

Ainda assim, saber de tudo isso não garante mudança. Muitos de nós já reconhecemos essas verdades — e seguimos adiando o que sabemos que deveria ser feito.

 

Mais do que conceitos, esses símbolos incentivam observar com naturalidade o próprio agir e sentir, ampliando aos poucos a autopercepção no cotidiano. Um recurso valioso, quem sabe para notar mais cedo o que desagrada e eventualmente corrigir rumos, até mesmo quanto a formas de pensar.

 Recordar como a realidade era sem determinados bens ou pessoas pode renovar o olhar sobre o presente. Reinterpretar experiências como aprendizado tem o potencial de atenuar pesos que antes pareciam permanentes — ou, ao menos, torná-los mais suportáveis. Há momentos em que compreender deixa de ser possível — e ainda assim precisamos seguir.

 Diante da impossibilidade de interromper o fluxo do existir e das lembranças que irrompem a todo instante, procurar amparos nos oferece esperança. 

 

Mais do que isso, se estivermos verdadeiramente comprometidos com os valores que professamos, talvez consigamos evitar que nossa jornada siga no piloto automático — ainda que parcialmente.

 Como sugere a filosofia aristotélica, o esforço orientado pela intenção já confere dignidade à existência, independentemente de seus resultados. Cultivadas na simplicidade dos gestos diários, essas práticas podem sustentar uma caminhada mais consciente — ainda que mais lenta do que gostaríamos.

 E, nesse ritmo mais atento, pode residir não apenas a possibilidade de uma vida mais autêntica, mas também a chance de finalmente percebê-la com clareza.

 

E tu, Irmão, o que tens adiado — mesmo sabendo que já poderias ter começado? 

 

Autor: Mauro José de Oliveira

*Mauro é Mestre da Loja Maçônica Novos Tempos Nº 288 – GLMMG, Oriente de Belo Horizonte.

 

Notas

1.     CNN BRASIL. Mais de 9h online por dia: hiper conexão preocupa brasileiros, diz estudo. CNN Brasil, 30 jun. 2025.

2.     Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/tecnologia/mais-de-9h-online-por-dia-hiperconexao-preocupa-brasileiros-diz-estudo/>. Acesso em: 27 out. 2025. 

3.     A permanência da impermanência. [s.l.]: Neura, 2025. 

  

sábado, 9 de maio de 2026

O POSICIONAMENTO DO MAÇOM DIANTE DE QUESTIONAMENTOS RELIGIOSOS E SOCIAIS: DIÁLOGO SEM CONFLITO E CONDUTA DIANTE DE OPINIÕES DIVERGENTES


Tem sido frequente, nas redes e mídias sociais, questionamentos de religiosos e leigos sobre a verdadeira face da Maçonaria. E muitos irmãos não sabem como enfrentar essa questão que, por vezes, não está apenas no ambiente digital, mas também dentro da própria família, no trabalho e em diversos momentos da vida cotidiana.

Muitos irmãos, em algum momento, já se viram diante de questionamentos mais rigorosos ou pouco fundamentados, e nem sempre é simples saber como se portar nessas situações. Este texto não pretende ser uma cartilha perfeita, mas sim uma reflexão fraterna, construída a partir da convivência com diferentes doutrinas, católicas, protestantes e de outras matrizes, buscando apontar um caminho mais sereno e equilibrado.

O primeiro ponto é compreender que, na maioria das vezes, o desconforto não nasce daquilo que somos, mas daquilo que se imagina sobre nós. Por isso, entrar em debates ou tentar convencer pela argumentação raramente produz bons resultados. O melhor caminho costuma ser o da aproximação pelos valores que nos são comuns: a fé em Deus, o respeito à família, a ética e o desejo sincero de evolução como seres humanos.

É importante também deixar claro, de forma simples e tranquila, que a Maçonaria não é religião, não substitui a fé de ninguém e não interfere na crença individual. Quando falamos com naturalidade, sem termos complexos, transmitimos segurança e serenidade.

Outro aspecto fundamental é evitar o confronto. Diante de opiniões mais firmes, a postura respeitosa sempre se mostra mais eficaz. Reconhecer o direito do outro de pensar diferente, sem necessidade de embate, revela equilíbrio e maturidade.

Ainda assim, nada é mais convincente do que o exemplo. Um maçom que vive com retidão, que honra sua família, que pratica o bem e se conduz com coerência, naturalmente transforma a percepção daqueles que o observam.

Na convivência com opiniões mais extremas, é importante compreender que muitas vezes o outro fala a partir de convicções profundas, construídas ao longo de anos. Tentar desconstruí-las em uma conversa pontual tende a gerar resistência e afastamento. Nesses casos, o mais sábio é manter uma postura firme, porém serena: ouvir sem absorver o confronto, responder com respeito e, quando necessário, saber encerrar o diálogo sem desgaste.

Não é preciso concordar, mas é essencial não reagir com a mesma intensidade. A tranquilidade diante da crítica demonstra segurança de propósito. E, muitas vezes, o silêncio respeitoso, aliado a uma vida coerente, produz mais efeito do que qualquer explicação.

A boa convivência se constrói na constância: no trato respeitoso, na ausência de provocação, na clareza sem imposição. Com o tempo, mesmo aqueles que mantêm suas posições mais rígidas passam a reconhecer a postura e a conduta, ainda que não mudem suas crenças.

No fim, não se trata de convencer ou vencer um argumento, mas de saber conviver com as diferenças, mantendo a dignidade, a serenidade e o respeito, valores que, por si só, já dizem muito sobre quem somos.

Fraternalmente,

Arlindo Batista Chapeta 
Secretário Geral de Comunicação do Grande Oriente do Brasil 
Pró-Primeiro Grande Principal do SGCMSARB-GOB

 

segunda-feira, 4 de maio de 2026

A SOMBRA DE SUA PRÓPRIA GRANDEZA

A Maçonaria é um sistema de formação moral, ilustrado por símbolos e velado por alegorias, destinado a transformar o homem para que este, por sua vez, transforme a sociedade. Durante mais de três séculos, essa escola iniciática formou estadistas, cientistas, líderes mundiais e cidadãos comprometidos com a ética pública.

Ao ingressar no século XXI, a Ordem enfrenta um dos maiores desafios de sua história moderna: o envelhecimento de seus membros, a queda no número de obreiros e, sobretudo, a perda da função iniciática das Lojas. Em muitas jurisdições, a Maçonaria deixou de ser uma escola viva de virtude e transformou se em uma associação administrativa marcada por reuniões protocolares, rotinas burocráticas, leitura de atas e formalidades que preservam a forma, mas já não transmite o conteúdo simbólico e transformador que sempre definiu a experiência maçônica.

As novas gerações, em busca de sentido, profundidade e autenticidade, não se satisfazem com encontros vazios de vivência simbólica. Quando encontram uma Ordem burocratizada, com ritual mecanizado, leituras malconduzidas e educação superficial, afastam se naturalmente.

Paradoxalmente, a sociedade moderna precisa exatamente daquilo que a Maçonaria possui em sua essência: comunidade real, ética prática, formação do caráter e transcendência simbólica. O declínio não decorre da irrelevância da missão da Ordem, mas da ausência de um método organizado que traduza seus princípios imutáveis em práticas sistemáticas, mensuráveis e fiéis à tradição.

O exemplo da Maçonaria norte americana é claro e incontornável. Em 1959, a Ordem possuía cerca de 4 milhões de membros. Em 2023, restavam menos de 870 mil, o que representa uma redução aproximada de 80% em pouco mais de seis décadas. Essa queda acompanha o envelhecimento institucional, a baixa renovação geracional e, sobretudo, o enfraquecimento da formação simbólica profunda.

O ritual tornou se formalidade, a educação perdeu sua função pedagógica e a iniciação deixou de cumprir plenamente seu papel transformador.

Ao mesmo tempo, o mundo moderno vive o colapso das comunidades tradicionais. Os vínculos sociais baseados na convivência no mundo real, na confiança mútua e na participação cívica enfraqueceram diante do mundo virtual, do individualismo digital, do uso excessivo das telas, da privatização da vida social e da fragmentação das relações humanas. Esse processo atingiu todas as instituições, não apenas a Maçonaria.

Curiosamente, a Maçonaria foi criada exatamente para formar comunidade, virtude e sentido. O fracasso contemporâneo, portanto, não é de missão, mas de método.

Historicamente, sempre que a Ordem atravessou períodos de declínio, sua renovação ocorreu sem ruptura doutrinária, por meio do retorno disciplinado às suas fundações. A transição da Maçonaria operativa para a especulativa converteu ferramentas físicas em instrumentos morais. Em momentos críticos, a fidelidade ao ritual, a integridade ética e a caridade sustentaram a sobrevivência da instituição.

No período pós-guerra, a integração familiar e comunitária promoveu o maior crescimento da história moderna da Maçonaria. Em todos esses ciclos, o renascimento resultou da organização consciente das boas práticas.

O processo de revitalização começa individualmente no maçom, por meio de formação simbólica sólida e contínua, educação estruturada e mentoria ativa, transformando símbolos em práticas.

A inclusão da família é fundamental. Ela não pode ocupar papel periférico, devendo tornar se parte ativa da vida maçônica, fortalecendo o pertencimento, a permanência dos membros e a continuidade geracional.

Nossas Lojas devem buscar incansavelmente esses pilares fundamentais: ritual executado com excelência simbólica, educação presente em todas as reuniões, mentoria ativa e caridade comunitária. Assim, a Loja deixa de ser meramente administrativa, não sendo um clube de serviços, e retoma sua vocação de centro de formação moral.

O futuro da Ordem não depende exclusivamente do número de iniciados, mas da qualidade da formação e da permanência consciente dos irmãos. Campanhas de filiação em massa e reformas superficiais não resolvem o problema.

O renascimento depende da qualidade da formação iniciática, da vivência simbólica autêntica, da integração familiar e da coerência ética praticada no cotidiano.

A Maçonaria sobreviverá não por quantos entram, mas por quão bem forma seus membros. Ou retorna às suas origens com método, profundidade e fidelidade histórica, ou continuará seu lento esvaziamento institucional, tornando se sombra de sua própria grandeza.

Bibliografia 

A/D

O presente texto constitui um resumo interpretativo do estudo de:

KASI, Arbab Naseebullah. Revitalizing Freemasonry in the Twenty First Century: The Universal Masonic Revival Model (UMRM) as a Lawful, Systematic, and Measurable Framework for Renewal. Academy of Masonic Knowledge, Grand Lodge of Pennsylvania, 2025.

 

 

segunda-feira, 27 de abril de 2026

JURAMENTOS COM PENAS CORPORAIS


Já ouvi e li que os juramentos voluntários baseados em castigos corporais em contextos privados têm vantagens para os membros e para o grupo, tais como demonstrar maior compromisso e lealdade, coesão, preservar uma tradição, ser símbolos de seriedade, evidenciar o carácter etc.

Mas a questão não é tão simples quanto isto, pois quando são exigidos ou impostos no decurso de uma cerimônia solene ou ritual sem aviso prévio de que se trata apenas de uma figura simbólica sem efeito real, acarretam implicações jurídicas e éticas sensíveis relacionadas com os direitos humanos, a integridade física e a dignidade das pessoas.

Idealmente, as associações que os têm simbolicamente em alta estimam podem encontrar formas diferentes de promover os próprios valores que procuram induzir, mesmo que sejam confrontadas com o consentimento prévio de quem os jura. De fato, o consentimento não legitima jurídica ou eticamente situações que possam ser entendidas como atentatórias da integridade física ou moral de uma pessoa.

A maior parte dos países do mundo proíbe os castigos corporais nas suas constituições e leis nacionais e, a nível internacional, podemos referir sobretudo, no mesmo sentido, instrumentos como a Declaração Universal dos Direitos do Homem (1948), o Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos (1966) e a Convenção contra a Tortura e Outras Penas ou Tratamentos Cruéis, Desumanos ou Degradantes (1984). Isto significa que, de uma perspectiva jurídica, estes requisitos de adesão acabaram por ser problemáticos.

Ao longo da história, algumas associações secretas e discretas, fraternidades, ordens religiosas ou militares, tradições tribais, cerimônias de vassalagem etc., basearam-se em juramentos e promessas que incluíam ameaças físicas em caso de traição ou incumprimento do dever. Isto não pode ser considerado uma coisa do passado, porque, no século XXI, existem associações privadas, baseadas em tradições, que nos seus rituais mantêm intimidações e exigem a sua aceitação por parte do novo membro no momento da adesão.

Do ponto de vista ético, estes juramentos com castigos físicos, que são realizados sob pressão ritualística, afetam a autonomia pessoal, que é um valor central na ética moderna, e que tem limites quando são acompanhados de ameaças a que os novos membros têm de se submeter para serem aceites.

Conheço organizações tradicionais que prescindiram da parte simbólica dos castigos corporais no texto dos seus juramentos de adesão e dotaram os símbolos antigos com conteúdo e valores mais coerentes com os seus princípios e valores gerais.

Pessoalmente, penso que esta é uma boa ideia.

Ivan Herrera Michel

Tradução de António Jorge, M M, membro de:

R L Mestre Affonso Domingues, nº 5 (GLLP / GLRP)

Ex Libris Lodge, nº 3765 (UGLE)

Lodge of Discoveries, nº 9409 (UGLE)

Fonte

Blog Ivan Herrera Michel

  

sábado, 25 de abril de 2026

FRATERNIDADE MAÇÔNICA


 

A Maçonaria é uma instituição iniciática de caráter fraternal, logo é uma “fraternidade”. Uma fraternidade de irmãos não de sangue, mas de irmãos unidos pela virtude; pois tudo o que por ela foi unido jamais será separado…E é vivendo essa união fraternal que o maçom complementa o seu trabalho. Ela está lá, ela existe (para assim persistir…).

Na Maçonaria, qualquer Irmão é igual entre si, a Igualdade existe seja para quem for, seja para o que faz na sua vida profana. Dentro da Maçonaria todos são iguais! E sempre que algum maçom necessitar de auxílio, alguém “correrá” em seu socorro.

Mas, todavia, essa “corrida” apenas existirá se a necessidade de auxílio for real e se dela não se depreender nada que seja ou se torne ilegal. Nada em Maçonaria é ilegal!!!

As leis do Estado, as leis morais e sociais, da Sociedade onde se vive devem ser sempre(!) respeitadas, sob pena do não auxílio e/ou consequente pena de expulsão da fraternidade maçônica. E se bem que se fala em auxílio, nem sempre ele terá de ser necessariamente financeiro.

Uma boa maioria das vezes o auxílio que se pode dar ou oferecer é a presença, a companhia, um bom conselho, uma palavra de estímulo para algo, ou simplesmente um abraço caloroso.

E nada disso é de somenos importância. Pois um irmão assim deve agir, tal como faz com a sua “família de sangue”. A Maçonaria é apenas uma família de acolhimento que ele escolheu para prosseguir também o seu caminho de aperfeiçoamento moral.

Tal como um bom amigo meu (e Mestre Maçom) diz: “Na Maçonaria faz-se amizade “pret-a-porter”, isto é, em qualquer parte do mundo, um maçom tem um amigo, um irmão que o guiará, que o auxiliará no que lhe for necessário e lhe seja possível assim fazer. E de fato é isso mesmo, um maçom só está “obrigado” a prestar a ajuda que lhe for possível e mais nada que isso lhe é exigido.

E é essa sensação de ajuda, amizade, presença e pertença a algo maior que permanentemente existe, que incute a vivência da fraternidade de uma forma que se de outra maneira fosse, não seria possível de fazer e vivenciar! E é vivendo esta troca de sentimentos, esta partilha, que o sentimento fraternal cresce e se vai solidificando entre os irmãos.

Quando um recém maçom, recente Aprendiz, neófito ainda, é cooptado pela Loja, terá logo à sua volta quem lhe transmitirá esses valores fraternais, esses valores familiares que infelizmente nos dias que correm nem sempre se encontram ou se reconhecem na família de origem…

Naqueles “novos familiares”, o neófito encontrará alguém que o poderá guiar, apoiar, ensinar, e que acima de tudo o vai criticar. Sim, criticar! Nem toda a crítica tem de ser pejorativa e nem todo o auxílio tem de ser assertivo. Faz-se o que é possível e necessário para o bom encaminhamento do recente Irmão.

É bem verdade que de início a integração na Loja possa parecer difícil, pois se estará num local onde caras que não se conhecem e que nos são estranhas nos tratam de imediato como se nos conhecessem há vários anos e/ou fizéssemos parte dos seus amigos ou familiares. E por mais que diferente pensemos ou mais diferente opinemos (e existem muitas e diversas formas de pensar entre maçons!

E principalmente maçons de diferentes culturas, origens sociais e financeiras), a tolerância e o mútuo respeito sempre existe e se encontra à frente de tudo. E a bem da verdade, é assim que se passa e assim se deve passar entre irmãos, pois a partir daquele momento em que temos um vislumbre da “Luz”, passamos a ser todos parte de uma grande família, a Maçonaria.

E que juntos seguimos o nosso caminho, num trajeto pleno de virtude e amor fraternal, ou não tivéssemos também como mote a frase latina “ Virtus Junxit, Mors Non Separabit”…

Nuno Raimundo

Fonte: “Pedra de Buril”

sexta-feira, 24 de abril de 2026

GNOSE E MAÇONARIA

A JORNADA DA CENTELHA À LUZ

A compreensão da Gnose e sua íntima relação com a Maçonaria exige um olhar que ultrapassa o intelecto e mergulha na experiência direta do ser. Etimologicamente, Gnose deriva do grego gnosis, que significa "conhecimento", mas um saber de natureza intuitiva, experiencial e libertadora, que propõe que a verdade sobre o cosmos e o divino reside no interior de cada indivíduo.

1. O PONTO DE CONVERGÊNCIA:

O CONHECIMENTO COMO LIBERTAÇÃO

O pilar central que une ambas as tradições é a busca pela Luz. Enquanto o gnosticismo histórico via a alma humana como uma "centelha divina" aprisionada na matéria, a Maçonaria utiliza a metáfora da Pedra Bruta que precisa ser desbastada. Em ambos os casos, a salvação ou o aperfeiçoamento não vem por dogmas externos ou ritos vazios, mas pelo despertar de uma consciência que permite ao homem transcender a ilusão do mundo profano. É a aplicação prática do "Conhece-te a ti mesmo".

2. O MÉTODO INICIÁTICO E O DRAMA DE HIRAM ABIFF:

A correlação se manifesta de forma poderosa no ritual. A jornada do iniciado espelha a busca gnóstica pela reintegração:

O Mito de Hiram: No Grau de Mestre, a queda de Hiram Abiff pelas mãos da ignorância e do fanatismo representa a queda da alma na densidade material. Seu "erguimento" simbólico é o despertar gnóstico — o momento em que o homem "morre" para a vida limitada e "nasce" para uma realidade superior.

A Palavra Perdida: Assim como os gnósticos buscavam resgatar a Sophia (Sabedoria), o maçom busca a Palavra Perdida, que simboliza o estado de plenitude espiritual e a conexão original com o Sagrado que foi esquecido pela humanidade.

3. A ALQUIMIA ESOTÉRICA E O V.I.T.R.I.O.L.

Sob a ótica mística, ambas são escolas de Alquimia Espiritual. O processo de transmutação é interno:

A Câmara de Reflexões: Funciona como o "Athanor" alquímico, onde o acrônimo V.I.T.R.I.O.L. convida o iniciado a descer ao interior da terra (seu próprio corpo e mente) para retificar sua alma e encontrar a Pedra Oculta.

A Dualidade: O dualismo gnóstico (Luz vs. Trevas) encontra eco no Pavimento Mosaico e nas colunas J e B. O objetivo místico é o equilíbrio das polaridades para que o iniciado possa caminhar com retidão, governando a matéria (o Esquadro) através do espírito (o Compasso).

4. A TEURGIA E A GEOMETRIA DO G.A.D.U.:

Para o esoterismo, o ritual maçônico é um ato telúrico que cria uma Egrégora — uma força coletiva que facilita a conexão com planos superiores.

O GRANDE ARQUITETO:

A figura do G.A.D.U. ressoa com o conceito gnóstico de uma inteligência ordenadora. Através da Geometria Sagrada e da numerologia (os números 3, 5, 7 e 9), o iniciado compreende as leis que regem o universo e a si mesmo.

O TEMPLO VIVO:

A construção do Templo de Salomão é interpretada misticamente como a edificação do próprio corpo espiritual, um espaço sagrado onde o "Cristo Interno" (ou a consciência gnóstica) pode habitar.

5. AS CATEGORIAS DE EVOLUÇÃO:

Historicamente, os gnósticos dividiam a humanidade em três níveis, que encontram paralelo direto na evolução dos graus simbólicos:

Hílicos (Matéria):

O Aprendiz focado no domínio dos sentidos.

Psíquicos (Mente):

O Companheiro dedicado ao estudo das ciências e da alma.

Pneumáticos (Espírito):

O Mestre que alcançou a Gnose, a compreensão direta do plano espiritual.

Conclusão:

A Maçonaria pode ser vista como um veículo ritualístico e ético que preservou e operacionalizou a essência da Gnose através dos séculos. Enquanto a Gnose oferece a visão do alvo, a Maçonaria fornece as ferramentas — o Maço, o Cinzel, o Esquadro e o Compasso — para que o iniciado percorra o caminho da autotransformação, transformando a "Gnose Teórica" em uma Gnose Ativa e construtora em benefício da humanidade.

Deco Pereira

PM / MI

 

 

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