terça-feira, 7 de julho de 2026

ENTRE A LUZ E A SOMBRA: A PEDRA BRUTA DO AUTOCONHECIMENTO

A antiga inscrição do Templo de Delfos dizia: “Conhece-te a ti mesmo.”

Séculos depois, essa continua sendo uma das maiores e mais difíceis tarefas do ser humano.

Conhecer o mundo é importante. Conhecer os outros também. Mas talvez o maior desafio seja olhar para dentro de si mesmo com honestidade suficiente para reconhecer virtudes, defeitos, limites e potencialidades.

Foi justamente nesse caminho que Carl Jung desenvolveu a teoria da Sombra. Segundo ele, todos nós carregamos uma parte oculta da personalidade: medos, ressentimentos, vaidades, preconceitos, inseguranças e impulsos que preferimos não enxergar. Não porque sejamos maus, mas porque somos humanos.

A sombra não é formada apenas pelos defeitos que escondemos dos outros. Muitas vezes, ela é composta pelos defeitos que escondemos de nós mesmos.

E talvez aí esteja uma das mais belas conexões entre a psicologia junguiana e a Maçonaria.

Quando ingressamos na Ordem, recebemos a missão simbólica de lapidar a Pedra Bruta. À primeira vista, imaginamos que essa pedra representa apenas nossos vícios mais evidentes. Com o passar do tempo, porém, descobrimos que as arestas mais difíceis de aparar são justamente aquelas que não conseguimos ver.

A vaidade que criticamos nos outros.

A intolerância que condenamos.

O orgulho que apontamos.

 

 

segunda-feira, 29 de junho de 2026

QUAL É O DESTINO DO MAÇOM?

Existem conceitos enraizados que consideramos verdades absolutas e aplicáveis em tudo e em toda vida. Por exemplo: “tudo tem princípio, meio e fim”, “haverá sempre uma partida e uma chegada”, e outras mais que envolvem o “tempo” e o “espaço”.

Como Maçons, não nos apegamos ao passado, uma vez que, sendo glorioso, torna-se combustível da vaidade e da intolerância. É quando surge a frase: “No MEU tempo...”. Em contrapartida, constituindo algo a se esquecer e não o conseguindo, é a ancora que trava o navio da vida.

Quanto ao espaço, as instruções referentes às dimensões do Templo devem ultrapassar o macro, que é o Templo Material/Externo, e servir de medidas ao micro, que consiste no Templo Espiritual/Interno. Vide o início da quinta instrução do Grau de Aprendiz.

Portanto, a essência da instrução é que, não havendo limites espaciais, a Maçonaria é universal. Mas atenção: “universal”, nesse sentido, ultrapassa o conceito de Universo como estruturas sensoriais.

A UNIVERSALIDADE DA MAÇONARIA ENCONTRA-SE
NOS VALORES ÉTICOS E MORAIS APREGOADOS.
POR ISSO, A DIVERSIDADE DE RITOS E RITUAIS NÃO MUDA SUA ESSÊNCIA.


Como seria, então, a universalidade do/no Maçom?

A UNIVERSALIDADE DO MAÇOM RESIDE NOS VALORES ÉTICOS E MORAIS PRATICADOS. LOGO, A DIVERSIDADE DE AMBIENTES E SITUAÇÕES NÃO MUDA SUA CONDUTA.


Sendo assim, tempo e espaço são entendidos, em âmbito profano, como noções autônomas para a compreensão dos sentidos. Tudo o que vejo ocupa um espaço; tudo o que ouço teve um tempo determinado. Porém, no contexto maçônico, essas duas noções tornam-se entidades que trabalham não por heteronímia – algo que age sob regras ou controle externo –, mas por “leis” próprias.

Já observaram “nossa” régua? Ela é organizada em polegadas (espaço), contudo a utilizamos para dividir as atividades (tempo). Régua de 24 polegadas (60,96 centímetros) = oito horas de trabalho, oito de descanso e oito de estudo (um dia de vida).

Onde mais se consubstanciam o espaço e o tempo em nossos simbolismos e alegorias?

Nas marchas dos Graus! Reflitam bem! E é um trabalho bonito e complexo relacionarmos o conteúdo do grau com o número, os movimentos e as direções de passos e pés.

A marcha não é ensinada para sair ou chegar a algum lugar, mas para mostrar como são os passos, onde (espaço) e quando (tempo) devemos estar ou deixar de estar, porém sempre à Ordem.

A resposta para a pergunta “qual é o destino do Maçom” é: destino nenhum. Isso porque destino representa alcance, complementação, finalização, e o 20º Landmark é a certeza de que não há tempo nem espaço. Maçonaria não é um caminho, é apenas um caminhar.

Duas décadas de compartilhamento do que aprendi com o único propósito de ofertar às Lojas material para o QUARTO DE HORA DE ESTUDO, ATIVIDADE OBRIGATÓRIA DE UMA LOJA MAÇÔNICA, e uma salutar provocação dominical aos amados Irmãos. São artigos curtos e objetivos, a fim de dar espaço à pesquisa, entre o pouco que sei e o muito que desejo que os Irmãos se aprofundem sobre os temas.

Fraternalmente

Sérgio Quirino
TFA

 

 

segunda-feira, 22 de junho de 2026

O PALÁCIO MAÇÔNICO DO LAVRADIO, RIO DE JANEIRO


O Palácio Maçônico, construído na década de 1840, é a sede do Grande Oriente do Brasil, fundado a 17 de junho de 1822, tendo como seus primeiros Grão-Mestres a José Bonifácio de Andrada e Silva, seguido por D. Pedro I, Imperador do Brasil.

O Palácio, aberto à visitação pública, é de estilo neoclássico e tem sua planta original atribuída ao arquiteto Grandjean de Montigny. No acervo histórico do Museu está o trono maçônico de Dom Pedro I, retratos de maçons históricos e a Mesa com que Deodoro da Fonseca e Benjamin Constant se reuniam para organizar o Golpe de 15 de novembro de 1889

Em 1831 após anos fechado por Dom Pedro I foi restaurado o Grande Oriente do Brasil. Foi de novo aclamado Grão-mestre o Sr. José Bonifácio de Andrada e Silva, que dirigiu então aos maçons do mundo e do Brasil um famoso "manifesto maçônico" pedindo a Unificação das lojas Maçônicas

A atividade maçónica no Brasil vinha se acentuando desde o entardecer do século XVIII. Foi muito silenciosa até 1815, quando se fundou a famosa Loja Comércio e Artes. Em 1821, montava-se o Poder Maçônico brasileiro no Rio e em 1822 fundava-se, afinal, o Grande Oriente do Brasil. E, segundo Gonçalves Lêdo e José Bonifácio, é de crer que a primeira loja maçônica regular no Brasil foi a Reunião, estabelecida em 1801.

Na sua atuação em prol da independência, a Maçonaria no Brasil do Século XIX procurou condicioná-la a uma verdadeira transação entre os elementos nacionais conservadores e os mais revolucionários.

Estes queriam logo a república. Aqueles a repeliam. Daí se tomar como base a permanência da dinastia bragantina num império constitucional e democrático. A república viria a seu tempo, como veio, coroando a obra da Maçonaria em 1889.

Em 1831 após anos fechado por Dom Pedro I foi restaurado o Grande Oriente do Brasil. Foi de novo aclamado Grão-mestre o Sr. José Bonifácio de Andrada e Silva, que dirigiu então aos maçons do mundo e do Brasil um famoso "manifesto maçônico" pedindo a Unificação das lojas Maçônicas.

Em 1843, instalou-se o Grande Oriente do Brasil no Palácio Maçônico do Lavradio.

#maconaria

sexta-feira, 19 de junho de 2026

QUEM OU O QUE É A VIÚVA EM MAÇONARIA?

No coração das ideias maçônicas, há uma figura enigmática que despertou curiosidade, admiração e profundas reflexões: a Viúva. Não só despertou a curiosidade de maçons, mas também de NÃO maçons, perguntamo-nos é um nome ou uma imagem arquetípica de algo representante do Eterno Feminino, e é que é o símbolo central de todo um mistério que liga antigas tradições, mitos universais e a própria essência da Maçonaria.

Esta narração percorre sua história, seus significados ocultos e as múltiplas faces que teve ao longo de séculos, convidando-nos a descobrir quem é realmente essa figura a que todos os iniciados chamam de “mãe”. É um percurso cheio de sabedoria, onde a Maçonaria se mostra como a herdeira fiel destes conhecimentos antigos, guardiã da luz e do sentido profundo que une céu e terra, espírito e matéria.

Antes de seguirmos em frente, devemos lembrar que, na Maçonaria, não há dogmas fixos, para vos dizer ou definir quem ou o que é a viúva, e deixa a livre interpretação do Maçom defini-la.

A lenda de Isis e Osíris: a possível origem do mistério

Tudo começa no antigo Egito, com uma história que é muito mais do que um mito: é a representação perfeita do ciclo eterno de morte e renascimento, base de todo ensinamento esotérico. Osíris e Ísis eram irmãos e maridos, filhos da deusa Nut; Seth e Neftis também nasceram juntos, seus parentes mais jovens.

Uma noite, por um erro, Osíris juntou-se a Neftis acreditando que era Isis, e dessa união nasceu Anubis. Seth, cheio de ciúmes e rancor, planejou sua vingança: tomou as medidas exatas do irmão, mandou construir um sarcófago do seu tamanho e, em uma festa, ofereceu-o como presente para quem copiasse perfeitamente. Ao entrar Osíris, imediatamente ele e seus 72 cúmplices fecharam a tampa, amarraram-no e jogaram-no no Nilo.

Assim morreu o deus que representava vida, fertilidade e ordem. Seu destino ficou ligado ao rio: seu corpo viajou para a Síria, onde cresceu uma árvore linda e perfumada que envolveu o sarcófago dentro dela. O rei dessa terra, admirando sua beleza, cortou-o e transformou-o na coluna central do seu palácio.

Entretanto, Isis ficou viúva, mas não desistiu. Começou sua busca incansável, uma imagem que passou para todas as tradições: a deusa que percorre o mundo para recuperar o que foi perdido, que desce até ao reino da morte para redimi-lo e devolvê-lo à vida. Chegou ao palácio real, reconheceu nessa coluna o rasto do marido e fingiu ser ama do filho do rei.

À noite, transformada em andorinha, voando ao redor do pilar, e queria dar imortalidade à criança colocando-a no fogo, até que a rainha descobriu e interrompeu o ritual. Então Isis revelou sua identidade e pediu que lhe entregassem o que era seu: o rei concordou, e pôde levar de volta os restos de Osíris.

Junto a ele, concebeu Hórus, o filho que nasceria para restaurar a ordem e derrotar a escuridão. Aqui está o sentido mais profundo: da morte nasce a vida; da ausência, a nova luz. Esta mãe viúva que dá à luz sem companhia terrena é o modelo da Virgem Mãe, da natureza que sempre renasce, da sabedoria que nunca morre.

Neste sentido Isis, a Deusa Viúva, seria a representante da Mãe Natureza, a Mãe Cósmica, que está grávida pela Luz, neste caso a Luz do Sol, Sol que morre todos os dias no horizonte do poente, e a natureza fica viúva do seu marido o sol, mas renasce no dia seguinte.

Na visão esotérica, Osíris é o princípio divino que se manifesta e depois parece desaparecer; Isis é a substância, a terra, o espírito materno que o sustenta, busca e faz renascer. Por isso, em catedrais antigas como a de Chartres, veremos a Virgem sentada como um trono: ela é o assento, o lugar onde habita o divino, assim como Isis era o trono sobre o qual se sentavam os faraós, representantes da luz na terra.

Este mito não é único: repete-se em Adonis, Gilgamesh, Hiram, Cristo... todos são o deus que morre e ressuscita, seguindo o ritmo da lua, que se apaga e volta a brilhar, ou do solstício de inverno, quando a luz parece se perder para renascer com mais força. Não se trata apenas de datas, mas do que significam: em nós também morre o velho, o instintivo, o animal, para nascer o espiritual, o consciente, o eterno.

Isis ou Balkis? Duas caras da mesma verdade

Mas aqui surge uma dúvida que percorreu séculos: Isis é realmente a única imagem da Viúva? Muitas tradições e textos antigos, inclusive em línguas como o árabe, o hebraico ou o grego, mencionam Balkis, a rainha de Sabá, como outra possível representação dessa mesma figura suprema. Ela, sábia e poderosa, viajou para conhecer o verdadeiro conhecimento, e segundo algumas lendas, estava ligada a Hiram, o arquiteto do Templo, tornando-se mãe espiritual e guardiã dos segredos.

Isis é a Viúva Maçônica? Balkis é a Rainha Mãe que procuramos? Ou serão dois nomes, dois rostos da mesma realidade? Nos ensinamentos ocultos, ambos são reflexos de algo maior: a Mãe Universal, que tem mil nomes, mas uma única essência. Em obras antigas como O Asno de Ouro de Apuleyo, Isis diz: “Eu sou a mãe de todas as coisas, senhora dos elementos, aquela que está no céu, na terra e no inferno”. É a mesma voz que poderíamos ouvir dos lábios de Balkis: ambas representam a sabedoria, a natureza, o poder que transforma e eleva o ser humano.

A Viúva como princípio universal: Shakti e a Mãe Cósmica.

Para melhor compreendê-la, olhamos para outras tradições, como a hindu, onde se fala de Shakti, uma palavra que não se traduz simplesmente como força ou energia, mas como o feminino poder criador, sustento e transformador de tudo o que existe.

Neste sentido, a Viúva é essa mesma Shakti: o princípio feminino que age porque o divino absoluto está além do manifesto, “ausente” no mundo visível, e ela permanece como guardiã, como vida que continua a fluir, como mãe que não abandona seus filhos.

Na visão gnóstica e ocultista, ela é a natureza inteira, que destrói para reconstruir, que tira para dar algo melhor. Está em tudo: na luz e na sombra, na dor e no prazer, na ignorância e na sabedoria. O iniciado maçom, o “filho da Viúva”, aprende a vê-la em tudo, a juntar-se a ela, porque ela é o caminho, a verdade e a vida. Como se diz nos ensinamentos: “Ela está em todas as coisas, e todas as coisas estão nela”.

Maçonaria: herdeira e guardiã deste mistério da Viúva, somos chamados os maçons de “Os Filhos da Viúva”.

É impossível falar da Viúva sem elogiar a Maçonaria, que foi, ao longo da história, a única instituição que manteve intacta este ensino profundo. A Maçonaria reúne tudo isso: as antigas escolas de mistérios, a lenda de Hiram, o sentido de morte e renascimento, a presença dessa mãe espiritual que nos acolhe, nos ensina e nos transforma.

Entrar em uma loja é voltar ao peito da Viúva: lá nascemos de novo, passamos da escuridão para a luz, abandonamos o superficial para descobrir o eterno. A Maçonaria não fala apenas dela; vive-a, representa-a e honra em cada ritual, em cada símbolo, em cada trabalho. Ensina-nos que ser “filho da Viúva” não é apenas um título, mas uma condição: somos filhos da sabedoria, da natureza, da verdade que nunca morre, e que nossa missão é fazer essa luz brilhar no mundo.

Desde textos maçônicos que a chamam de “a Mãe de todos os Iniciados”, até autores maçons que a descrevem como “a Sabedoria que espera e procura o seu marido divino”, passando por tradições esotéricas maçônicas que a chamam de “a Eterna, aquela que nunca envelhece”, todos concordam: a Viúva é o coração de tudo o que procuramos compreender. E a Maçonaria é o templo onde este coração continua pulsando, intacto e vivo, para todos que queiram se aproximar.

A Viúva é um símbolo central que nasce do mito de Isis, que busca e faz Osíris renascer; representa o princípio materno universal, a natureza, a sabedoria e o poder que transforma. Balkis, rainha de Sabá, está associada à ideia hindu de Shakti: força criadora e sustentadora de tudo. A Maçonaria manteve este ensinamento, chamando seus membros de “filhos da Viúva”, porque encerra o sentido de morte, renascimento e união com o divino, sendo a única que mantém vivo este conhecimento antigo.

A grande pergunta

Isis é realmente a viúva maçônica? Balkis é a rainha Mãe viúva que procuramos? Ou talvez ambos sejam apenas dois nomes, duas imagens, de algo muito maior e mais profundo que ainda estamos prestes a compreender? Quem é realmente a Viúva que a Maçonaria fala?

Alcoseri

 

 

domingo, 14 de junho de 2026

OITO PONTOS DE RECONHECIMENTO


Para o conhecimento dos Irmãos, segue a seguir os oito pontos de reconhecimento emitidos pela Grande Loja Unida da Inglaterra em 1929 e aceitos pelas Obediências Regulares (no caso do Brasil: Grande Oriente do Brasil e CMSB) com as quais a Grande Loja Unida da Inglaterra mantém relações:

1. Regularidade de origem, ou seja, que cada Obediência deverá ter sido estabelecida legalmente por uma outra Obediência reconhecida ou por três ou mais Lojas regularmente constituídas.

2. Que a crença no G.A.D.U. e Sua vontade revelada deverá ser uma qualificação essencial de seus membros;

3. Que todos os Iniciados deverão tomar seu Juramento sobre ou à vista de um Volume aberto da Lei Sagrada, pelo qual seja pleno o reconhecimento sobre os valores de consciência dos indivíduos particulares que estejam sendo iniciados.

4. Que os membros das Obediências e Lojas individuais sejam compostos exclusivamente por homens; e que cada Obediência não poderá ter nenhum intercurso maçônico de qualquer tipo com Lojas mistas ou Corpos que admitam mulheres como membros.

5. Que a Obediência deverá ter soberana jurisdição sobre as Lojas sobre seu controle; ou seja, que será responsável, independente, auto governável, com somente uma e indisputável autoridade sobre a Loja ou Graus Simbólicos (Aprendiz, Companheiro e Mestre Maçom) dentro de sua Jurisdição e não poderá dividir sob quaisquer meios tal autoridade com Supremo Conselho ou outro Poder que clame qualquer controle ou supervisão sobre estes Graus.

6. Que as três Grandes Luzes da Franco-Maçonaria (nomeadas o Livro da Lei, o Esquadro e o Compasso) deverão sempre serem exibidas quando a Obediência ou suas Lojas subordinadas estiverem em trabalho, sendo o chefe destes o Volume da Lei Sagrada.

7. Que a discussão sobre religião e política dentro das Lojas seja estritamente proibida.

8. Que os princípios dos Antigos Landmarks, costumes e usos das Oficinas sejam estritamente observados.

Fraternalmente,

Ir. Fábio Cyrino, M. I.

Harmonia e Concórdia 3522 - GOB/GOSP

Oriente de São Paulo (SP)


 

quinta-feira, 11 de junho de 2026

A MORTE DO "EU PROFANO"


Toda verdadeira iniciação começa com uma renúncia.

O homem que procura a Luz não pode entrar no Templo sendo exatamente o mesmo que era antes de bater em suas portas. Deve estar disposto a se livrar daquilo que limita o seu crescimento: orgulho, preconceitos, falsas certezas e domínio das suas paixões.

É por isso que a tradição maçônica fala de uma transformação interior que muitos descrevem como uma “morte simbólica”. Não morre o homem físico, mas a maneira antiga de pensar e compreender o mundo.

O termo profano vem do latim pró fanum: “fora do templo”. Representa o homem que ainda vive condicionado pelo ego, aparência e apegos materiais, sem ter iniciado o trabalho consciente sobre si mesmo.

Atravessar o limiar implica então uma decisão profunda:

abandonar o conforto das certezas para entrar no caminho da busca.

Maçonaria não promete perfeição imediata. Entrega ferramentas. O resto depende do trabalho constante do iniciado.

A pedra bruta simboliza precisamente esse estado inicial do ser humano: uma obra incompleta, cheia de arestas e contradições. Com vontade, disciplina e reflexão, cada golpe do baralho representa um esforço para se corrigir, compreender e elevar moralmente.

- Ninguém se transforma sem sacrifício

- Ninguém alcança clareza sem antes enfrentar sua própria escuridão

- Ninguém constrói um templo firme sem remover primeiro os destroços interiores

A verdadeira mudança começa quando o homem deixa de se perguntar o que pode obter do mundo e começa a se perguntar o que deve corrigir dentro de si mesmo.

Porque a iniciação não consiste em adquirir segredos, mas em iniciar uma batalha silenciosa contra as próprias limitações.

E é aí, nesse combate interior, que realmente nasce o iniciado.

Por Carlos L. Sánchez

segunda-feira, 8 de junho de 2026

OS TRÊS TRAIDORES DO TEMPLO INTERIOR

Dentro da tradição maçônica, poucos relatos possuem uma profundidade simbólica tão poderosa quanto a morte de Hiram Abif, o Mestre Construtor do Templo de Salomão. Longe de ser apenas uma alegoria ritual, este drama representa um ensino iniciático sobre a queda e regeneração do ser humano.

Os chamados “três traidores” não devem ser entendidos apenas como personagens históricos ou rituais. Desde a interpretação filosófica e esotérica da Maçonaria, simbolizam as forças inferiores que ameaçam constantemente a construção do Templo interior.

A ignorância é o primeiro deles.

Não é simplesmente falta de informação, mas sim permanecer voluntariamente na escuridão. É a negação da busca, a rejeição da reflexão e a renúncia do autoconhecimento. Quando domina, o homem perde a orientação e esquece o propósito superior da sua existência.

Ambição desordenada é o segundo traidor.

Nas antigas tradições iniciáticas, as ferramentas do construtor simbolizam faculdades espirituais destinadas ao aperfeiçoamento do ser. No entanto, quando a ambição substitui o serviço, essas ferramentas param de construir e começam a destruir. Poder, posição ou reconhecimento acabam ocupando o lugar da virtude.

O terceiro é o fanatismo.

Historicamente, a Maçonaria combateu todas as formas de dogmatismo que impedem o livre pensamento. O fanático não procura compreender, mas impor. Confunde convicção com verdade absoluta e transforma sua própria cegueira em bandeira. Por isso, este traidor representa o golpe final contra a sabedoria.

Em conjunto, estes três inimigos simbolizam a rebelião da natureza inferior contra os princípios superiores do homem.

Então, Hiram morre cada vez que:

A razão é substituída pelo preconceito.

A virtude é sacrificada por interesse pessoal

A tolerância cede ao ódio ou à intolerância

A tragédia hirâmica não pertence apenas ao ritual maçônico. Manifesta-se constantemente na história humana. Civilizações inteiras viram seus templos morais cair quando a ignorância foi exaltada, a ambição glorificada e o fanatismo legitimado como verdade.

Por isso, a busca da Palavra Perdida representa muito mais do que um símbolo ritual: é a recuperação da consciência, do equilíbrio e da luz interior enterrada sob as ruínas do ego.

O ensino final é claro:

O templo não é destruído primeiro na pedra, mas na alma do homem.

E enquanto os três traidores continuarem habitando no interior humano, o trabalho do iniciado permanecerá o mesmo:

vigiar-se, purificar-se e reconstruir-se.

A/D

 

 

terça-feira, 2 de junho de 2026

A ENCÍCLICA PAPAL À LUZ DA MAÇONARIA REGULAR

A exortação feita pelo Santo Padre Leão XIV no final da introdução da Carta Encíclica ‘MAGNIFICA HUMANITAS’ é clara: “A todos os fiéis católicos, a todos os cristãos, a todos os homens e mulheres de boa vontade, dirijo um sentido apelo: não tenhamos medo de sujar as mãos no canteiro de obras do nosso tempo”.

Em resposta a esse mesmo apelo, como Obediência que inclui, nos seus princípios, a crença obrigatória em Deus, e que integra um número extremamente representativo de maçons que são também professos da religião católica, entende a Maçonaria Regular portuguesa responder positivamente a esta chamada ao serviço por parte do Papa e face a um tema tão profundamente determinante para o futuro não apenas da tecnologia e da ciência, mas de toda a Humanidade pela sua transversalidade e alcance disruptivo.

Tal como o texto da Encíclica reafirma, “a técnica não deve ser considerada, em si mesma, como uma força antagónica em relação à pessoa”. Mas é também crucial entender que “outrora, eram sobretudo os Estados a orientar e a dirigir a inovação. Hoje, pelo contrário, os principais motores do desenvolvimento são sujeitos privados, frequentemente transnacionais, dotados de recursos e capacidades de intervenção superiores aos de muitos Governos. O poder tecnológico assume, destarte, uma identidade inédita, predominantemente “privada” e, portanto, ainda mais difícil de discernir, gerir e orientar para o bem comum”, alerta o Papa Leão XIV.

Ainda na sua introdução, o texto aponta claramente o caminho a seguir para transpor este desafio, e que é o da partilha e não da divisão, o da Nova Jerusalém e não o de Babel. Em suma, o da incorporação do divino no propósito da construção comum, em lugar da tentação do humano centrismo que transporta consigo a inevitável queda.

Nesse caminho, e obviamente sem entrar no campo teológico que é do foro da Igreja Católica Apostólica Romana, interessa à Maçonaria Regular regozijar-se com a menção a “um discernimento partilhado, capaz de penetrar nas raízes espirituais e culturais das transformações em curso” e salientar a dimensão otimista e humanista da ‘MAGNIFICA HUMANITAS’ que é, em essência, uma chamada à ação.

Ao escrever que “Se nos limitarmos às contingências, corremos o risco de deixar que uma série de emergências decida, em nosso lugar, a direção do caminho”, o Papa coloca-nos a todos a responsabilidade de fazer, não apenas de entender. De agir e não apenas de ouvir.

A Maçonaria Regular não poderia estar mais de acordo com o Santo Padre quando ele aponta que

“a verdadeira realização não nasce da supressão das fragilidades, mas de um crescimento harmonioso: onde a liberdade e a responsabilidade se entrelaçam com o cuidado recíproco e a verdadeira solidariedade, e onde o progresso se mede pela dignidade de cada um e pelo bem dos povos”.

Este é um parágrafo que, de certa forma, descreve um dos eixos principais da Maçonaria Regular, o do desenvolvimento harmonioso do Homem em solidariedade para com os restantes. Ao sublinhar que “construir um mundo onde todos possam ‘florescer’ exige uma corresponsabilidade corajosa”, os Maçons reconhecem-se nessa corresponsabilização e estamos prontos a unir os nossos esforços e contributos para o objetivo comum.

Há alguns meses, a Maçonaria Regular portuguesa promoveu um debate sobre a Inteligência Artificial e a Saúde. Mas os assombrosos progressos, a par das questões que nos assombram, extrapolam para todos os setores da atividade humana.

Neste seu histórico texto, o Papa alerta-nos também para a “responsabilidade duma autêntica participação” e aponta que “a solidariedade se expressa quando cada um, pessoalmente e com os outros, participa na vida da comunidade – informa-se, associa-se, faz-se ouvir, contribui para as decisões e escolhas públicas – assumindo responsabilidades concretas para que o bem comum se traduza em escolhas partilhadas”.

Aqui também estamos completamente em sintonia e aqui também se manifesta um valor tão católico e cristão quanto maçónico, essa “solidariedade efetiva” de que fala Leão XIV.

É sabido que existe uma doutrina que lamentavelmente impede o diálogo institucional concertado entre Igreja Católica e Maçonaria, mesmo a Regular, mesmo sendo nós crentes e tantos de nós praticantes. É uma decisão que mais uma vez, à luz desta encíclica, acreditamos que possa vir a ser revertida no futuro próximo.

Obviamente, para impedir uma nova Babel e pelo contrário seguirmos o exemplo de Neemias na reconstrução de Jerusalém, todos somos necessários, e o diálogo é tão mais justificado quando olhamos mais para o que nos une nos princípios e nas ações, e menos para o que eventualmente nos divida.

Em nome de todos os maçons regulares, envio à Igreja Católica e ao Santo Padre Leão XIV os nossos sinceros agradecimentos por uma magnífica encíclica, que a todos nos ilumina e ajuda no caminho da luz.

Paulo Rola – Grão-Mestre da Grande Loja Legal de Portugal / GLRP

Fonte: Publicado no Jornal Observador em 31 de maio de 2026

 

 

domingo, 31 de maio de 2026

A VERDADEIRA FORTUNA MAÇÔNICA


A Maçonaria não é um sistema de ganhos externos, mas uma jornada de Ontogênese, onde o ser humano "nasce de novo" através do conhecimento. Unir o prático ao místico exige entender que cada ação no mundo material é um reflexo de uma verdade espiritual superior.

A Riqueza da Transmutação:

O Ouro dos Filósofos

I. Da Pedra Bruta ao Logos Interior (Autoconhecimento Alquímico)

A verdadeira fortuna do iniciado começa com o Solve et Coagula. Ao entrar na Câmara de Reflexões, ocorre a primeira grande "ganho": a morte do ego profano.

A riqueza aqui é o poder de desbastar a Pedra Bruta, não apenas como um exercício moral, mas como uma alquimia mental. O maçom ganha a capacidade de transmutar o chumbo de suas paixões no ouro da espiritualidade, despertando o Logos interior — a centelha divina que permite a comunicação direta com o Grande Arquiteto do Universo.

II. A Geometria das Leis Universais

(O Legado Ético)

Ganha-se a posse das "Chaves do Templo". Enquanto o mundo caminha no caos, o iniciado enriquece-se com a compreensão das Leis Universais. A retidão do Esquadro e a abrangência do Compasso deixam de ser ferramentas de madeira e metal para se tornarem bússolas vibracionais. A verdadeira riqueza é viver em harmonia com o ritmo do cosmos, entendendo que a Justiça e a Tolerância são manifestações da Lei de Correspondência: "O que está em cima é como o que está embaixo".

III. A Egrégora e a Fraternidade Iniciática

A riqueza humana da Maçonaria é elevada ao plano da Unidade Mística. Não se ganham apenas amigos, mas integra-se uma Egrégora — um reservatório de força espiritual alimentado por milênios de busca pela Verdade. O tesouro aqui é a dissolução da separatividade; o maçom descobre que sua obra é parte de uma construção eterna. É o acesso a uma corrente de consciência que transcende o tempo, unindo o obreiro aos mestres do passado e às promessas do futuro.

IV. A Gnose do Simbolismo Sagrado (Conhecimento Oculto)

O acesso ao simbolismo não é apenas estudo, é Gnose. A verdadeira riqueza é a capacidade de "ler" o universo através de seus arquétipos. Cada grau alcançado é um véu de Ísis que se levanta, revelando que o verdadeiro Templo é o próprio ser humano. O ganho real é a Palavra Perdida, que representa a consciência plena de sua própria natureza divina e a capacidade de vibrar em sintonia com os planos superiores da existência.

V. A Paz de Espírito no Equilíbrio das Colunas

Finalmente, conquista-se o Equilíbrio Real. A riqueza suprema é o posicionamento exato entre as colunas J e B — o caminho do meio entre o Rigor e a Misericórdia. Dessa síntese nasce a paz de espírito, uma harmonia interior que reflete a Geometria Sagrada. É o estado onde o pensamento, a vontade e a ação estão em perfeito esquadro, gerando uma vida que é, em si mesma, uma obra de arte dedicada à Luz.

"A riqueza maçônica é o tesouro que o iniciado carrega para além do túmulo; é a luz acumulada na alma que, tendo sido polida pelo trabalho constante, brilha com a intensidade de mil sóis no Oriente Eterno."

Deco Pereira PM / MI

"Urbi et Orbi"

"Homo Homini Frater"

 

segunda-feira, 25 de maio de 2026

SISTEMA FEDERATIVO DO GRANDE ORIENTE DO BRASIL É MODELO ÚNICO NA MAÇONARIA MUNDIAL

O Grande Oriente do Brasil possui uma das mais sólidas e organizadas estruturas institucionais da Maçonaria contemporânea. Seu sistema federativo, construído ao longo de décadas, é considerado único no Brasil e no mundo pela sua amplitude territorial, capacidade de integração administrativa e unidade institucional.

Atualmente, o GOB é composto por 27 unidades federativas, sendo 26 Grandes Orientes Estaduais e um Grande Oriente Distrital no Distrito Federal, formando uma estrutura nacional integrada que garante presença em todo o território brasileiro.

Esse modelo federativo representa uma das maiores forças do Grande Oriente do Brasil, permitindo que cada Estado possua sua administração própria, respeitando suas particularidades regionais, mas mantendo plena harmonia com os princípios, normas e diretrizes da Potência nacional.

A estrutura federativa do GOB consolidou um modelo de união institucional que alia autonomia administrativa estadual à unidade nacional, preservando a identidade histórica da instituição e fortalecendo sua capacidade de atuação em todo o país.

Não existe atualmente na Maçonaria brasileira ou mundial uma organização com características equivalentes ao sistema federativo do Grande Oriente do Brasil. A dimensão territorial, a integração entre os entes federados e a organização administrativa nacional tornam o modelo gobiano singular dentro da Maçonaria universal.

Outro ponto fundamental deste sistema é que existe apenas uma unidade federativa vinculada ao Grande Oriente do Brasil em cada Estado da Federação e uma no Distrito Federal. Esse princípio preserva a estabilidade institucional, evita conflitos de representação e mantém a harmonia administrativa e maçônica dentro da estrutura federativa do GOB.

Como defensores da tradição, das leis e da fraternidade entre os irmãos, permaneceremos sempre vigilantes na preservação dessa premissa, mantendo firme o compromisso histórico e institucional de um só GOB, unido e integrado com todos os irmãos pertencentes ao Grande Oriente do Brasil em cada unidade da Federação.

Ao longo de sua história, o Grande Oriente do Brasil construiu uma estrutura baseada na união, no respeito federativo e na preservação de sua identidade nacional, consolidando-se como a maior e mais tradicional Potência Maçônica da América Latina e uma das maiores organizações maçônicas do mundo.

Arlindo B Chapeta 
Secretário Geral de Comunicação do GOB
Grande Oriente do Brasil
Sempre à frente, o GOB e você!

 

 

quarta-feira, 20 de maio de 2026

MAÇONARIA NO MUNDO ISLÂMICO


ENTRE REFORMAS, CONFLITOS E SOBREVIVÊNCIA

A relação entre a maçonaria e o mundo islâmico é marcada por contrastes profundos. Ao longo da história, essa fraternidade discreta foi, ao mesmo tempo, vista como um instrumento de modernização e alvo de desconfiança religiosa e perseguição política. Entre períodos de florescimento e repressão, sua trajetória revela muito sobre as transformações sociais e políticas em países de maioria muçulmana.

RAÍZES HISTÓRICAS E O IMPULSO REFORMISTA

O auge da maçonaria no mundo islâmico ocorreu durante a Revolução dos Jovens Turcos, quando ideias de liberdade, progresso e constitucionalismo ganharam força no Império Otomano. Em cidades como Istambul, lojas maçônicas com nomes como La Renaissance e L'Aurore simbolizavam um novo espírito intelectual e político, alinhado com os ideais iluministas.

Entre os nomes mais influentes associados à maçonaria estava Jamal ad-Din al-Afghani, um dos principais articuladores do modernismo islâmico. Ele via na instituição uma ferramenta para combater o autoritarismo e promover reformas políticas no mundo muçulmano.

Outro nome frequentemente ligado a esses círculos é Mustafa Kemal Atatürk, cuja atuação foi decisiva na construção de um Estado secular na Turquia.

Curiosamente, estudiosos como Thierry Zarcone apontam semelhanças entre a estrutura da maçonaria e as ordens do Sufismo. A organização hierárquica, os rituais de iniciação e o simbolismo eram elementos familiares a muitos muçulmanos, o que facilitou a aceitação inicial da fraternidade em determinados contextos.

Tensões religiosas e perseguições políticas.  Apesar dessas afinidades, a maçonaria enfrentou forte resistência dentro do mundo islâmico. Embora a organização exija de seus membros a crença em um “Ser Supremo” — o chamado Grande Arquiteto do Universo, muitos líderes religiosos a consideraram incompatível com os princípios do Islã.

Para esses críticos, a maçonaria promovia valores seculares que poderiam enfraquecer a autoridade religiosa e os dogmas tradicionais.

Além da oposição teológica, fatores políticos contribuíram decisivamente para sua repressão. Ao longo do século XX, diversos países proibiram suas atividades.

No Egito, a maçonaria foi banida após a queda da monarquia. Já no Irã, a proibição ocorreu após a Revolução Islâmica de 1979, levando a Grande Loja do país a operar no exílio, em Los Angeles.

Outro elemento que contribuiu para sua rejeição foi o estigma colonial. Em países como a Indonésia, a maçonaria passou a ser vista como uma extensão das potências europeias especialmente dos holandeses — e como um instrumento de afastamento das elites locais de suas tradições religiosas.

A maçonaria hoje: resistência e adaptação. Atualmente, a presença da maçonaria no mundo islâmico é limitada, mas não inexistente. Países como Turquia, Líbano e Marrocos figuram entre os poucos onde a instituição ainda atua oficialmente, em alguns casos, até com sinais de renovação.

As práticas também se adaptaram às realidades locais. Em geral, maçons muçulmanos devem professar o monoteísmo, alinhando-se ao princípio islâmico da unicidade divina. Em lojas turcas de perfil mais liberal, por exemplo, o juramento pode ser feito sobre o Livro das Constituições Maçônicas, em vez de um texto sagrado específico, refletindo uma abordagem mais pluralista.

ENTRE TRADIÇÃO E MODERNIDADE

A história da maçonaria no mundo islâmico é, em essência, uma narrativa de tensão entre tradição e modernidade. Em determinados momentos, ela funcionou como um espaço de debate intelectual e articulação política; em outros, foi vista como ameaça à ordem religiosa e cultural.

Essa dualidade ajuda a explicar por que a maçonaria, embora ainda presente, permanece envolta em controvérsias. Mais do que uma simples organização, ela se tornou um espelho das disputas mais amplas que moldaram, e continuam a moldar o mundo islâmico contemporâneo.

Fonte: O Malhete

  

segunda-feira, 18 de maio de 2026

INSTALAÇÃO DO VENERÁVEL MESTRE

É uma cerimônia Maçônica, repleta de simbolismo e alegorias, tendo por finalidade a transmissão do cargo de Venerável Mestre, que é a autoridade máxima de uma determinada Loja. Ao ocupar o “Trono de Salomão”, alegoricamente falando, o obreiro deverá ficar revestido de poder e sabedoria e, durante um ou dois anos, assumirá o veneralato da referida Loja.

Segundo alguns historiadores maçônicos essa cerimônia foi, a princípio, típica do Rito praticado na Inglaterra, na metade do século XVIII, quando ainda havia lá duas emergentes Obediências: a dos Modernos e a dos Antigos, que posteriormente, em 1813, se uniram e formaram a GLUI.

Segundo Mackey, a Instalação é mais antiga, surgindo juntamente com as Constituições de Anderson, em 1723, elaborada por Desaguliers.

Inclusive, em 1827, devido a pequenos desvios que começaram a surgir, foi criado, pelo Grão Mestre, na Inglaterra, um “Conselho de Mestres Instalados” com a finalidade de coordenar todas as atividades contidas no Ritual de Instalação.

Com o passar dos tempos, todos os demais Ritos, como o REAA, por exemplo, copiaram e adotaram essa prática Maçônica.

O novo Venerável Mestre é “Instalado” pelo Mestre Instalador, que pode ser um Grão Mestre, ou um ex-Venerável Mestre, e sua comitiva. Em seguida, o novo Venerável Mestre instala todos os Oficiais de sua Loja que realizarão suas funções, sob juramento, até que sejam substituídos por outros, instalados da mesma forma.

Na verdade, esse ato de dar posse de um cargo, dando o direito de exercer os privilégios inerentes, é bem antiga e já era praticada pelos antigos romanos, que instalavam seus novos sacerdotes, normalmente pelos Augures (sacerdotes que prediziam o futuro).

A origem do nome “instalação”, em português, vem da palavra francesa installer que por sua vez vem do latim medieval Installare (stallumsignifica cadeira, e in é estar dentro, adentrar).

Outras associações iniciáticas, também possuem Instalações. Os padres da Igreja Católica, por exemplo, também são instalados em suas paróquias.

Fonte: Pílulas Maçônicas

 

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