quinta-feira, 8 de outubro de 2026

AS TRÊS COLUNAS: SABEDORIA, FORÇA E BELEZA

O presente Trabalho tem por objetivo apresentar um estudo superficial a respeito dos três Pilares ou Colunas que, segundo o REAA, dão sustentação [1][2] ao Templo/Loja [3]. Salientamos que estas Colunas não se confundem com as Colunas “J” e “B” que estão dispostas na entrada do Templo e, muito menos, com as Colunas dos Companheiros e dos Aprendizes dispostas, respectivamente, no Sul e Norte do Templo.

Segundo o Ritual do Aprendiz, três grandes Colunas sustentam a Loja: Jónica (Minerva) – Sabedoria; Dórica (Hércules) – Força; e a Coríntia (Vénus) – Beleza [4]. Sendo tais Colunas representadas pelas Luzes da Loja respectivamente: o Venerável Mestre; o Irmão 1º Vigilante; e o Irmão 2º Vigilante [5].

Estas três Colunas ou Pilares são emblemas de três grandes personagens que fazem parte da própria essência da Maçonaria, cujas habilidades combinadas resultaram na construção do primeiro Templo. Desta forma, as Colunas representam: Salomão, portador da Sabedoria para planear e construir o Templo de Jerusalém; Hiram, rei de Tiro, pela Força que deu aos trabalhos do Templo, fornecendo homens e materiais; e Hiram Abiff, por seu primoroso trabalho em adorná-lo, dando-lhe Beleza ímpar, até hoje nunca igualada [6].

Destarte, encontramos uma correlação entre aqueles que construíram o primeiro Templo e as Luzes da Loja, pois conforme a tradição, o Templo Maçónico é a reprodução daquele, possuindo igualmente três Colunas que sustentam a eterna construção do nosso Templo. Seguindo essa esteira, tais Luzes são relacionadas com aquelas Colunas, sendo atribuído a elas certos poderes/deveres, conforme passamos a descrever.

A primeira Coluna, representa a Sabedoria, o vetor inventivo com o qual devemos nos pautar, a fim de orientar as nossas atitudes no decorrer das nossas vidas. Daí a sua relação com o Venerável Mestre, pois cabe a ele a missão de comandar e orientar, de forma sábia e inventiva, os demais Irmãos.

A segunda Coluna, representa a Força; não a força desmedida, desregrada, mas aquela que nos dá ânimo, sustância, para superar todas as dificuldades encontradas no nosso caminho. Tal Coluna, é representada, em Loja, pelo Irmão 1º Vigilante, que, entre outras atribuições, possui a missão de instruir os Companheiros, de cuja Força depende o futuro da Arte Real.

Por último, mas não menos importante, a terceira Coluna, representante da Beleza; não a vaidosa, mas aquela que adorna todas as nossas ações, o nosso caráter e o nosso espírito. Esta Coluna é personificada pelo Irmão 2o Vigilante que, por sua vez, tem como obrigação, além da instrução dos Aprendizes, fiscalizar todos os trabalhos realizados em Loja, a fim de que sejam estáveis e resultem em honra para o Venerável Mestre e glória para o GADU, tornando a sua obra bela e graciosa.

Segundo Jules Boucher [7], devemos notar que os nomes dados às Colunas correspondem aos nomes de três das Sephiroth da Kaballa. Conforme o autor, na Kaballa hebraica as Sephiroth [8] representam um sistema particular de emanação divina, que pode ser representado sob a forma reproduzida na página 35.

Para o referido autor, houve uma confusão entre Chesed e Thiphereth, pois as três pilares que se correlacionam no Quadrado Oblongo só poderiam ser Chochmah (Sabedoria), Geburah (Força) e Chesed (Graça) [9].

Contudo, mesmo levando-se em conta a sapiência do douto autor, adotamos no presente Trabalho a denominação majoritária, ou seja, aquela que atribui à Coluna do Irmão 2o Vigilante, como correspondente à Tiphereth (Beleza), pois não encontramos mais nenhuma outra fonte que corrobore tal entendimento.

Além disso, como já descrito, cada uma das três Colunas representa também uma das três principais ordens da arquitetura Grega: a Jônica, a Dórica e a Coríntia.

A Coluna Jónica, símbolo da Sabedoria e do Venerável Mestre, possui vinte e quatro estrias e a sua altura é nove vezes o seu diâmetro. O capitel está adornado com duas volutas [10] e a cornija [11] com dentículos. De formas elegantes e esteticamente estáveis e seguras, a Coluna Jónica é comparada a uma bela mulher, pois o seu capitel e o seu fuste lembram as roupas e o penteado das mulheres viventes naquele período.

A Coluna Dórica, símbolo da Força e do Irmão 1º Vigilante, é a mais simples das três Colunas Gregas. O fuste tem vinte estrias superficiais e a sua altura é oito vezes o seu diâmetro. Considera-se esta Coluna traçada segundo o modelo de um homem de perfeita musculatura, pois denota fortaleza e nobre simplicidade.

A Coluna Coríntia, símbolo da Beleza e do Irmão 2º Vigilante, é a mais formosa. Tem as mesmas estrias da Coluna Jónica, mas a sua altura é dez vezes o seu diâmetro, o que lhe dá aspecto gracioso. O seu capitel é belo e adornado com duas filas de folhas de acanto [12] e oito volutas que sustentam o ábaco [13].

Como podemos observar, as três Colunas são consubstanciadas de uma forte carga simbólica e filosófica. Indicam-nos que, tanto na Obra Universal do GADU, como na Obra Fundamental da nossa construção moral, devemos iluminar todas as possibilidades da nosso potencial coletivo, como Irmãos construtores e partícipes da Arte Real e, individual, despojando-nos de todas as paixões e vícios. E, que para tanto, só poderemos ser sábios se possuirmos Força, porque a Sabedoria exige sacrifícios que só podem ser realizados pela Força; e que ser Sábio com Força sem ter Beleza, torna a obra desarmónica, pois a Beleza é fio condutor entre o mundo e a nossa sensibilidade.

Assim, podemos concluir que a Sabedoria, a Força e a Beleza são essenciais ao desfecho de toda Obra, formando a tríplice argamassa responsável pela firmeza e equilíbrio do Templo.

Marcos Eduardo Lelis – Or. São Paulo – SP

Notas

[1] Dada a multiplicidade de formas de se abreviar os termos maçónicos, adopta-se no presente Trabalho a utilizada no Ritual de Apr.’., 2001.

[2] Segundo Harry Carr, somente em 1730, no Masonry Dissected de Prichard e no Wilkinson MS., é que encontramos a primeira menção aos “Três Pilares” que “sustentam a Loja…[isto é] Sabedoria, Força e Beleza”. Salientamos que tal informação é apenas ilustrativa, pois, além de se referir a outro Rito (Lojas Inglesas), não pudemos corroborá-la em nenhuma outra obra consultada.

[3] Há quem relacione as três Colunas com o Templo. Contudo, não corroboramos com esse entendimento; seguimos a corrente majoritária que as relaciona apenas com a sustentação da Loja.

[4] Minerva (Roma)/Atena ou Palas (Grécia) – deusa da guerra justa, da sabedoria, das artes, da estratégia e ofícios; Vênus (Roma) – deusa pré-romana da península itálica, representava a beleza e as aventuras amorosas. Na Roma Antiga foi identificada com Afrodite, a deusa grega do amor. Contudo, segundo os historiadores não há motivo relevante para essa ligação; Héracles (Grécia (Hércules (Roma) – aclamado herói e depois adorado como deus, filho de Zeus.

[5] Ritual do Aprendiz, 2001, pp. 158 e 159.

[6] Neste sentido, Ritual e Instruções de Aprendiz Maçom, 1974, pp. 158-159 e Wagner Veneziani Costa, Maçonaria – Escola de Mistérios, p. 538.

[7] A Simbólica Maçônica, pp. 113-114.

[8] 1. – Kether (Coroa); 2. – Cbochmah (Sabedoria); 3. – Binah (Inteligência); 4. – Chesed (Graça); 5. – Geburah (Força); 6. – Tiphereth (Beleza); 7. – Netzah (Vitória); 8. – Hod (Glória); 9. – lesod (Fundamento); e 10. – Malkuth (Reino). Ressaltamos que existem variações ortográficas presentes nas traduções dos termos utilizados para representar o conjunto das dez emanações divinas descritas na Sephiroth, justificando, assim, a discrepância entre a descrição do texto e a imagem apresentada acima. Contudo, tal discrepância ortográfica, não inibe a inteligência das informações.

[9] Para um estudo mais aprofundado, ver A Simbólica Maçônica, pp. 113-118.

[10] Volutas, sf. 1. Ornato espiralado de um capitel de coluna. 2. Parte de objeto, ou ornato etc., em forma de espiral. – Minidicionário Aurélio.

[11] Cornija. Sf. Arquit. Série de molduras sobrepostas que formam saliências na parte superior de parede, porta, etc. – Minidicionário Aurélio.

[12] Acanto, sm. Bot. Planta espinhosa, acantácea, cujas folhas serviram de modelo para ornamentos arquitetônicos. – Minidicionário Aurélio.

[13] Ábaco, sm. Arquit. Parte superior do capitel de uma coluna, com a finalidade de criar apoio para arco ou arquitrave. Disponível em: Wikipedia. Acesso em: 10 abr. 2008.

Bibliografia

  • ADOUM, Jorge. Grau do Aprendiz e seus Mistérios. São Paulo: Pensamento, 2006. BOUCHER, Jules. A Simbólica Maçônica – Segundo as Regras da Simbólica Esotérica e Tradicional. ed. São Paulo: Pensamento, 2006.
  • CAMINO, Rizzardo da. Simbolismo do Primeiro Grau-Aprendiz. 1. São Paulo: Madras, 2005.
  • CARR, Harry. O Ofício do Maçom – Guia Definitivo para o Trabalho Maçônico, tradução de Carlos Raposo. São Paulo: Madras, 2007.
  • CASTELLANI, José. O Rito Escocês Antigo e Aceito – História, Doutrina e Prática. ed. Londrina: “A TROLHA”, 2006.
  • COSTA, Wagner Veneziani. Maçonaria – Escola de Mistérios. A Antiga Tradição e seus Símbolos. São Paulo: Madras, 2006. FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Mini Aurélio – O Dicionário da Língua Portuguesa. ed. Curitiba: Positivo, 2007. RITUAL e Instruções de Aprendiz Maçom do Rito Escocês Antigo e Aceito, Grande Oriente de São Paulo, elaborado por Theobaldo Varoli Filho. São Paulo, 1974.
  • RITUAL – Rito Escocês Antigo e Aceito – Io Grau – Aprendiz, Grande Oriente do Brasil, 2001.

 

segunda-feira, 5 de outubro de 2026

HUMILDADE E VAIDADE: COMO SÃO PASSAGEIRAS AS GLÓRIAS DO MUNDO!


Como são passageiras as glórias do mundo!

Esta frase dita pelo Venerável Mestre é o ponto alto de uma Iniciação Maçônica. Ela encerra uma das maiores verdades e que quase sempre é ignorada por todos nós. Julgamo-nos eternos e pouco fazemos para vencer as nossas paixões. Os cargos, o poder e a vaidade impedem-nos muitas vezes de aparar a pedra bruta que somos, e, esquecemos então um dos princípios mais importantes da Maçonaria que é a humildade.

Já, como neófito, é-lhe dito que ele acabou de morrer para a vida profana (Era Vulgar) e renasceu para a Verdadeira Luz. Isto quer dizer que tudo que o aviltava, quando profano, deverá ser desvestido, inclusive a VAIDADE. E, tudo que lhe faltava como virtudes, deverá ser incorporado, inclusive a HUMILDADE. Uma vez Iniciado, o postulante torna-se Maçom, e, como tal, estará sob vigilância da sua própria consciência e dos demais Maçons.

Comandado pelo Venerável Mestre a Loja dará guarida ao novo Irmão orientando e ensinando o caminho a ser trilhado, agora como Maçom, imbuído de humildade e destituído de ostentação.

A figura do Venerável Mestre, das Luzes ou de qualquer outra autoridade, numa Loja Maçónica, reflete sempre a bondade e as suas ações que são comparadas as de um pai que aconselha o filho ou do irmão mais velho que o protege.

É por esta razão que a joia do Venerável Mestre (o esquadro) tem um significado tão profundo para todos nós, pois ela representa a retidão das suas atitudes além da confiança que todos os irmãos nele depositam. No nosso meio não há lugar para arrogâncias, vaidades, orgulho e alta opinião de si mesmo.

Ser humilde significa seguir esta postura e quando perguntado: “Que vindes fazer aqui?”, responder com convicção e com orgulho: “Vencer as minhas paixões, submeter a minha vontade e fazer novos progressos na Maçonaria!”

Aquele Maçom que se deixa contaminar pelo sonho passageiro de poder, seja na vida profana ou até mesmo dentro da Ordem infelizmente não entendeu a beleza e a profundidade dos nossos ensinamentos.

Devemos ter sempre em mente que a Maçonaria é perfeita nos seus ensinamentos e naquilo que tenta modificar dentro de cada um de nós, porém nem todos os Maçons entendem desta forma e alguns permitem que o falso brilho das coisas possa ofuscar estas verdades.

Pior que a falta de humildade é a vaidade.

O Maçom tem o dever de constantemente policiar os seus procedimentos para evitar que a vaidade possa fazê-lo esquecer dos ensinamentos recebidos, que somos todos iguais e que na Maçonaria não existem distinções de títulos e de cargos.

Devemos aprender sobre humildade com o maior homem que já pisou nessa terra e que por milhares e milhares de anos pregou e prega o verdadeiro amor, a verdadeira compaixão, a verdadeira retidão e a verdadeira humildade, que é Jesus Cristo.

Uma das frases mais expressivas de Jesus é: “Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração!”. Os discípulos são chamados a serem humildes como Jesus.

Aprendendo a sermos humildes como Jesus, vamos lá?

Muitas foram as ações do Senhor que demonstravam o cultivo da virtude da humildade.

1 – Tratou as pessoas com compreensão e respeito.

Em nenhuma ocasião bíblica vimos Jesus ser incompreensivo ou desrespeitoso com ninguém. Ao contrário, o Senhor se sentava com pecadores públicos (cf. Mt 9,10-13), lidava com leprosos (cf.Lc 17,11-19), submetia-se às leis civis (cf. Mc 12,13-17). Os seus apóstolos testemunharam a mesma vivência mesmo depois da Ascensão do Senhor. O livro dos Atos dos Apóstolos testemunha que o povo era cativado pela simpatia e fraternidade dos discípulos (cf At 2,47).

2 – Quando foi desapontado ou traído, não julgou.

Já nos seus sermões, o Senhor dizia: “Não julgueis e não sereis julgados” (Lc 6,37). Na sua vida e missão, testemunhou inúmeras vezes o acolhimento e o perdão diante do desapontamento com os seus amigos e discípulos. Quanto a nós, tendemos a no primeiro flagrante de um erro, julgarmos e implicarmos castigo e humilhação, tal qual foi a sorte da mulher pega em adultério. Jesus, porém, disse: “Ninguém te condenou, eu também não te condeno!” (Jo 8,11).

O ápice da sua Misericórdia deu-se no alto da Cruz quando exclamou: “Pai, perdoa-lhes, eles não sabem o que fazem.” (Lc 23,34). Jesus ensina-nos que o coração humilde não condena, não julga, mas acolhe e ama.

3 – Quando estiveram contra Ele, foi suave e não desistiu

Eis uma grande prova de humildade do Senhor. Em meio aos julgamentos e emboscadas que colocaram contra Ele, com sabedoria e serenidade Jesus respondia e ensinava fielmente a doutrina aprendida do Pai. O Senhor não desistiu de ninguém, mesmo dos seus algozes. Jesus deu-se também por eles, e Neles a nós todos, mesmo diante dos nossos erros e pecados. A humildade é a capacidade de estar amavelmente em desacordo.

Com Jesus aprendemos a ser dóceis em todas as circunstâncias, mesmo na discordância.

4 – Ao ser ferido, o Senhor quebrou as ofensas com a caridade

Quando somos feridos ou magoados e perdemos o controle da situação, estamos sendo levados pelo orgulho. A verdadeira humildade sabe sofrer pacientemente – mesmo diante do sofrimento mais cruel, da maior injustiça – sendo humilde como Jesus. Como diz São Paulo aos Romanos, “Não te deixes vencer pelo mal, triunfa do mal com o bem” (Rm 12,21).

Poderíamos dar muitos outros exemplos da vida do Senhor, ele é a humildade em perfeição, e tudo viveu assim. Seja humilde e verá como as pessoas se aproximam de você. Jesus quer que sejamos humildes, em troca devemo-nos esforçar permanentemente. A boa notícia é que é possível aprender a humildade, é o que Jesus diz:

“Aprendei de mim…”.

O humilde vive em paz. Esse é o motivo que muitos sofrem e se perdem na vida, falta de humildade. Sejamos humildes a exemplo de Jesus e se cumprirá o que Ele disse aos seus discípulos: “Ao que se humilhar será exaltado!” (cf. Lc 18, 14).

Sendo assim, devemos cativar constantemente a humildade para não caímos na ignorância, nos erros, e assim, continuamos em busca de uma vida cheia de graça e repleta de amor, humildade e irmandade.

Danialison Lima de Araújo – CIM 335518 – ARLS Amor, União e Justiça nº 1888, Or.: de Ouricuri-PE.

 

 

 

terça-feira, 29 de setembro de 2026

O AMOR FRATERNAL VERDADEIRO NA MAÇONARIA?


O amor incondicional é conhecido como o afeto sem quaisquer limitações. Este termo é às vezes associado a outros termos tal como o verdadeiro altruísmo, amor completo.

Não há um consenso sobre o que exatamente seja o amor incondicional. ... Lembrando que é possível amar incondicionalmente outras pessoas, como familiares, cônjuge, amigos, contudo, trata-se de algo mais raro, já que a natureza humana envolve certas condições, principalmente ligadas ao ato de retribuir.

O amor é um sentimento universal, poderoso, que podemos sentir por várias pessoas e de maneiras diferentes. Porém, existe uma versão que alguns afirmam sentir e que chama de amor incondicional, um sentimento que é tão forte que é capaz de ultrapassar qualquer barreira. Faça uma análise interior a respeito do assunto, trazendo, aqui, à baila seus sentimentos à Luz de um Verdadeiro Iniciado.

Alguns eruditos em Maçonaria dizem que se trata simplesmente de um amor fraternal, verdadeiro em essência e em espírito, e acho que essa colocação faz bastante sentido. Afinal, se formos pensar no significado da palavra AMOR FRATERNAL, veremos que se trata de algo que não está relacionado a nenhuma condição, ou seja, se ama alguém independente de qualquer coisa, sem qualquer tipo de interesse ou necessidade de retribuição. E essa explicação lembra muito o amor em sua mais pura essência.

Quando se fala a respeito de amor EM ESSÊNCIA, uma das primeiras relações que nos vêm à mente é aquela entre uma mãe e seu filho, pois se trata de um sentimento puro, desinteressado, motivado apenas pelo desejo de vê-lo feliz. Lembrando que é possível amar incondicionalmente outras pessoas, como familiares e irmãos maçônicos, cônjuge, amigos, contudo, trata-se de algo mais raro, já que a natureza humana envolve doação e retribuição, sentimentos e posturas, cada vez mais raras na sociedade atual.

Considerando tudo isso, existem dois pontos que precisam ser esclarecidos. O primeiro: o fato de não amar, aparentemente demonstrável a um irmão, não significa que não o ame de verdade e de todo o seu coração, pois isso não anula o grande carinho que sente por ele. Já o segundo ponto diz respeito ao amor-próprio, pois amar fraternalmente, nada tem a ver com se anular ou colocar a felicidade de um terceiro acima da sua e sim desejar o melhor para ele assim como deseja para si, sem esperar nada em troca.

A empatia está sempre presente no amor fraternal, pois através dela é possível se colocar no lugar do outro e evitar ter atitudes que não gostaria que tivessem contigo. Quando se é empático, fica mais fácil ser respeitoso com o espaço alheio e evitar excessos, mesmo que motivado por boas intenções.

Outra ação que pode ser promovida através da empatia presente no amor fraternal, mas que merece um tópico de destaque é o perdão. Afinal, quando você se coloca no lugar de um irmão que errou, chega à conclusão de que poderia ter falhado também, afinal, são seres humanos e isso é natural. E essa postura faz com que o perdão aconteça com mais naturalidade.

Amor e inveja são dois sentimentos que não combinam, pois um anula o outro. Dessa maneira, quando se ama de forma verdadeira, um irmão Maçom é incondicional e natural torcer pelo sucesso dele e se sentir feliz com as suas conquistas. Isso não ocorrendo é falsidade e pobreza de espírito, que jamais deve campear um coração e mente de um cidadão que tem o coração sensível ao bem e que abriu os olhos para verdadeira luz e a fixou em seu interior.

Amor fraternal é um sentimento de carinho muito forte, de dedicação, de interesse pela figura do outro, gerando sentimentos positivos em construtivos, podendo até em certos momentos, levar o indivíduo a fazer grandes sacrifícios, que só seria capaz de fazer por ele mesmo.

O amor fraternal valoriza a confiança mútua, havendo também um perfeito entrosamento entre as pessoas, porque são relacionamentos tranquilos e afetuosos, duradouras e estáveis, profundo e compromissado.

Agora analisando à luz da maçonaria contemporânea atual, surge a pergunta:

"EXISTE A I N D A O V E R D A D E I R O A M O R FRATERNALNAMAÇONARIA?"

Diria o Sábio, cada irmão, do menor aprendiz ao mais renomado mestre teria que olhar para seu interior e responder a SI PRÓPRIO, sem subterfúgios, sem figuras de retóricas fictícias e embromadoras, sem a eloquência da vulgaridade e pobreza dos discursos vazios e que não fomentam o crescimento interior.

Fraternidade significa parentesco entre irmãos. A fraternidade universal designa a boa relação entre os homens, em que se desenvolvem sentimentos de afeto próprios dos irmãos de sangue e aqui no caso, entre irmãos maçons.

Fraternidade é o laço de união entre os homens, fundado no respeito pela dignidade da pessoa humana e na igualdade de direitos entre todos os seres humanos.

Se não tiver Igualdade e Liberdade, jamais poderá existir a Fraternidade. Essa Trilogia, não foi escolhida por acaso para ser a Essência da Ordem Maçônica...

Agora responda com franqueza, sua resposta não nos ofenderá: Vós amais verdadeiramente ao seu irmão maçom?

Um ósculo fraternal em seu coração.

TFA

Dario Angelo Baggieri

(*) O autor, Irmão Dario Angelo Baggieri é médico, é Mestre Instalado; membro da Academia Maçônica de Letras do Espírito Santo onde ocupa a cadeira no 1, cujo patrono é o Alferes Tiradentes.

quinta-feira, 24 de setembro de 2026

NINGUÉM É MAÇOM, SOMOS RECONHECIDOS COMO TAL


 

Um dos grandes dilemas maçônicos é saber se podemos ou não nos intitular maçons (Sou Maçom!) ou se esta afirmação não nos pertence e só pode ser feita por um outro Maçom.

De facto, temos uma visão míope de nós mesmos.

Tendemos a uma hiper valorização do nosso eu e, não raras vezes, em detrimento do outro…

Explico melhor: fomos educados num sistema de comparações em que um ponto geralmente é explicado ou visto em relação a outro.

Tendemos a fazer comparações e assim sentimo-nos mais ricos quando vemos mais pobres, sentimo-nos mais bonitos quando vemos mais feios e assim por diante.

Ocorre que por vezes a nossa miopia egocêntrica é tão grande que nos assustamos com nós mesmos ao vermos a nossa imagem refletida em um espelho.

Tendemos a não acreditar no que vemos… não é possível que seja eu…

Mas por vezes forçamos a barra e influenciamos a imagem do espelho, ou pelo menos no que ela nos está a revelar.

O feio torna-se belo e assim por diante.

Assim, ao nos considerarmos maçons, em detrimento de sermos reconhecidos como tal, chamamos para nós um conjunto de características do “ser Maçom” que muitas vezes não apresentamos, não temos.

Claro, pode-se sempre invocar o formalismo.

Sou Maçom porque fui iniciado.

Sou Maçom porque pertenço à obediência tal… e etc.…

Mas será que isso realmente nos confere a autoridade para nos denominarmos maçons?

O que é ser Maçom???

É somente ter sido iniciado???

Não implica mais nada???

Desde os meus tempos de Aprendiz que escuto um trocadilho muito usual no nosso meio, principalmente quando não gostamos de um determinado Irmão: “fulano é um profano de avental” ou então, quando encontramos qualidades num não iniciado: “é um Maçom sem avental”…

Por certo, ser Maçom implica muito mais que ter passado por uma iniciação.

Também reverbera no meu pensamento uma frase muito pronunciada em iniciações: “bem-vindo meu Irmão; esperamos que agora que entrou para a Maçonaria, que deixe que a Maçonaria entre em si, no seu coração e atitudes…”

A minha angústia, que motiva esta reflexão sobre SER MAÇOM, é a inépcia dos nossos métodos “maçônicos” em muitos de nós.

Não é raro vermos Irmãos com graus de mestre, mestres instalados e, até com o grau 33º, com exposições diametralmente opostas à nossa filosofia, com atitudes antagônicas ao que está inerente às nossas alegorias e símbolos.

Bem sei que deveria estar preocupado acima de tudo com a minha pedra bruta, evitando reparar nas imperfeições de outras pedras, mas isto está a tornar-se impossível para mim, pelo que peço humildes desculpas aos meus Irmãos, mas não consigo “tapar o sol com a peneira” – empresto aqui voz a muitos que se têm chocado com palavras e atitudes de outros Irmãos.

Abate-me extremamente estar ao lado de Irmãos que acham que o cume dos seus progressos na Maçonaria são os graus atingidos… ser grau 33º do seu rito, ser Mestre “instalado”, estar autoridade maçônica e assim por diante e, deixam a humildade, a fraternidade, o carinho e virtudes trancados no armário, o armário da arrogância e da empáfia.

Abate-me saber que Irmãos são indiciados civil ou criminalmente pelos mais variados delitos ou crimes.

Abate-me ter conhecimento de Irmãos que batem nas suas esposas, filhos e familiares.

Abatem-me as disputas para saber quem é mais Maçom, quem tem o maior grau… quem foi melhor Venerável Mestre.

Não consigo entender também como alguns insistem em trazer o pior das suas práticas profissionais para o seio das Lojas.

Estive em Lojas onde me senti como num tribunal de justiça, onde se fazia de tudo menos aquela egrégora gostosa de estar entre Irmãos.

Todas as palavras eram medidas com cuidado, os discursos eram cheios de erudição jurídica, menos maçônica.

A sessão travava com os famigerados “pela ordem Venerável”…

E o que dizer dos Irmãos entendidos em política.

Raro é vê-los apresentar um trabalho sobre alegoria ou simbolismo maçônico… a tônica é uma só: política.

Voltamos então ao fulcro desta reflexão: sou Maçom ou sou reconhecido como tal?

O que significa ser reconhecido como Maçom?

O que é ou quem é o Maçom?

Há algo que o diferencia de outro ente?

Se nos orientarmos pelos rituais e pela literatura maçônica teremos uma visão super idealizada do SER MAÇOM.

Ele mais se parece com um super-homem, dotado de poderes extraordinários.

Mas no convívio, no dia a dia, desfaz-se esta visão do super-homem.

Eu pelo menos nunca o encontrei entre nós, pelo menos não na forma idealizada.

Muito menos em mim mesmo…

Está mais do que na hora de nos despirmos do modus profano.

De tirarmos as nossas máscaras e darmos um passo em direção ao autêntico “ser Maçom”.

Está na hora de sermos maçons.

Reconheça que você não é o centro do universo!

Reconheça que outros podem vivenciar mais a maçonaria do que você!

Reconheça que graus para nada servem se o seu coração e atitudes não passaram daquelas do grau de Aprendiz (pedra bruta)!

Reconheça que ser Mestre Instalado não lhe dá direitos acima dos seus Irmãos!

Reconheça que tem pesquisado, estudado e refletido muito pouco sobre os nossos símbolos, alegorias e ritualística!

Reconheça que tem faltado às sessões porque se acha melhor que aqueles que lá estão sempre, gostando ou não, ajudando nos trabalhos em Loja.

Reconheça que se é verdade que Maçonaria não se faz somente em Loja, também o é verdade que sem estar em Loja não se faz Maçonaria!

É na Loja que exercitamos o “submeter minhas vontades e fazer novos progressos na maçonaria”.

Não se iluda.

Reconheça que a Maçonaria não é clube social, partido político, confraria da cerveja ou o quintal da sua casa, terraço do seu apartamento, a sua sala de trabalho, mas uma Ordem INICIÁTICA.

Reconheça, por fim, que você não é dono da Loja.

Deixe que as alegorias e símbolos tomem forma no seu interior e se manifestem nas suas atitudes, não em meras palavras.

Deixe que o movimento da egrégora maçônica lhe tome a mente, o coração.

Deixe que a humildade aflore nas suas palavras e ações.

Não tema, pode baixar a guarda, você está entre Irmãos.

Por fim, receba o seu prêmio, não é um avental mais bonito que o dos outros Irmãos ou um título de Mestre Instalado ou 33º mas, tão somente uma ação: você é reconhecido como tal, sem sombras de dúvidas!

A/D

 

sábado, 19 de setembro de 2026

O PAPEL DO MAÇOM NA SOCIEDADE

INTRODUÇÃO

Livre e de bons costumes, o Maçom atua, constantemente, na sociedade a que pertence, de inúmeras maneiras e valendo-se de diversos meios pelos quais possa influenciá-la. Ele, portanto, exerce um papel importante, na medida que, sendo de origem variada, ele permeia todos os estamentos sociais e se faz presente nas mais distintas e importantes funções, seja no serviço público, quando a ele estiver vinculado, seja na iniciativa particular, se é ali que desempenha o seu trabalho. É importante para todos nós, portanto, ter uma percepção o mais exata possível e um entendimento tão amplo quanto se possa atingir, desse papel que todos sabemos existir, mas nem todos conseguimos delimitar muito bem.

Todos vivemos em comunidade, seja ela extensa e diluída, como é o caso das grandes cidades, seja ela compacta e limitada, como nas orbes de menor porte. Como cidadãos, temos o dever de participar das iniciativas comunitárias de interesse geral, mormente quando somos solicitados a isso, mercê das nossas qualificações pessoais e da nossa posição na estrutura social. Como maçons, temos a obrigação moral, assumida por juramento, de influenciar o meio social em que vivemos por todas as formas ao nosso alcance, quer individualmente, quer de maneira coletiva, e esta, através de associações, entidades, organismos oficiais e… a Maçonaria.

A nossa Ordem não se destina a desempenhar um papel proeminente nem a interferir em assuntos oficiais diretamente, como alguns poderiam gostar de ver. Ao contrário, ela reúne homens de variadas formações culturais, sociais e morais, identificados, simplesmente, como livres e de bons costumes, com a finalidade de ampliar as qualidades de que são já detentores e, quando possível, fazer desabrochar outras, adormecidas ainda, de modo que, ao atuarem na sociedade a que pertencem, possam ser propagadores de uma doutrina voltada para a prática desinteressada da virtude e a busca incessante da verdade.

OS PAPEIS DO MAÇOM

Então, podemos alinhar alguns pontos que caracterizam o papel do homem Maçom na sociedade, assim entendendo o meio social da comunidade a que pertence e, por extensão, o conjunto da nação onde nascemos e vivemos. Estes pontos são, por assim dizer, lindeiros da ação maçônica em benefício da coletividade, na busca pela paz social, um dos objetivos permanentes da nossa nação.

O primeiro papel é desempenhado quando o Maçom procede, na sua vida particular e profissional, com absoluta pureza, com lisura, dignidade e honestidade, sempre se valendo dos valores morais que buscamos desenvolver e maximizar. O seu exemplo de honradez, dignidade e exatidão no cumprimento dos seus deveres profissionais, assim como o seu papel de homem íntegro junto à sua família, a quem conduz com a mesma dignidade, associada ao amor que lhe dedica, é marca imarcescível que lega aos que o cercam e aos seus pósteros.

Outro importante papel é o que o Maçom exerce ao participar dos esforços coletivos em prol da obtenção de resultados sociais efetivos e necessários, seja ao chamado da voz oficial, seja pela própria iniciativa, a partir de entendimentos com os seus irmãos. Neste caso, as Lojas maçónicas podem e devem orientar a aplicação desse esforço, traçando as diretrizes e normas que lhe dão sustentação e orientação.

Neste papel, o Maçom trabalhará sob a mesma inspiração filosófica que desenvolveu na Ordem, a partir da sua boa formação inicial. Ele procederá associado a organizações não maçônicas que possam e queiram participar da busca dos objetivos colimados, entre os quais citamos, como exemplo, o combate à maldição das drogas, a implementação de medidas de segurança pública, os esforços de melhoramento do ensino público, a luta contra doenças sexualmente transmissíveis etc.

Mais um outro papel relevante pode prestar, o Maçom, na sua atuação junto à sociedade que o acolhe: é aquele de servir de meio de transferência dos ensinamentos maçônicos a todas as pessoas, através de palestras, conferências, visitas às escolas, simpósios etc. Usando o seu poder de convencimento, ele vai implantando as sementes de cultura filosófica que, ao vingarem no fértil terreno do espírito humano, vão ajudar a propagar as nossas premissas e a contribuir para o melhoramento do ser humano, seu alvo primordial.

Algumas comunidades, como as de bairro e os municípios, organizam-se para ações específicas na direção desses objetivos e de muitos outros do seu interesse próprio. O Maçom participará destas iniciativas sempre que for chamado, seja como integrante dos poderes públicos, seja como cidadão capaz de oferecer os seus esforços e recursos para o atingimento do fim traçado.

Mesmo que não declare, de público, a sua condição de Maçom, o obreiro deve proceder, opinar e votar, sempre, de acordo com a sua consciência e à luz inspiradora dos nossos ensinamentos. É nestes momentos que ele tem de ter em mente as várias oportunidades em que, ajoelhado ante o Livro da Lei e os seus irmãos, ele assumiu, livremente, o compromisso de sempre defender, propagar e incentivar os princípios basilares que a Ordem o fez compreender e adoptar.

Citemos, ainda, um papel de notável importância, que é o que o Maçom desempenha ao participar das atividades beneficentes e solidárias, seja da sua Loja, por iniciativa desta, seja das organizações beneficentes não maçónicas, como Rotary Club, Lions Club, Cruz Vermelha e outras tantas existentes na sua comunidade.

Atuar com elas e através delas em ações beneficentes e de solidariedade é um salutar exercício dos princípios maçónicos e uma oportunidade ímpar de ser útil à sociedade, ainda que, aparentemente, o que quer que tenha feito lhe pareça pouco. Pode ser pouco, se considerado do ponto de vista de quem faz, individualmente, mas é muito, se temos a perspectiva de quem se beneficia dessas ações, sempre pessoas carentes de quase tudo, principalmente de amor e calor humano.

CONCLUSÃO

Vimos, então, que o Maçom não tem um, mas sim, muitos papeis a desempenhar na sua comunidade, no seu meio social, na sua cidade. Ele é o portador de uma mensagem oculta nas suas ações, atitudes e iniciativas, servindo como um portador de comportamentos que servirão de modelo para os que o cercam.

Ele atua individualmente, no seu trabalho, nas suas horas de lazer e descanso, na sua família e entre os seus amigos. Também age como ser social, incorporado àquelas instituições que tratam de resolver os problemas da sociedade, agindo em conjunto com os poderes públicos e as organizações não governamentais, em benefício do bem-estar coletivo e da paz social. E opera nas ações de beneficência, como integrante das forças que trabalham para mitigar as necessidades dos menos afortunados.

Através das iniciativas da sua Loja, o Maçom pode, de alguma forma, ser partícipe da construção de um mundo melhor. Para isso, deve decidir-se por não se omitir, não dar de ombros, como se tais programas não fossem da sua conta.

Deve oferecer-se, voluntária e espontaneamente para o trabalho maçónico de produzir o bem em todas as suas expressões, na forma e intensidade que a Loja identificar como possível e necessária, participando no planeamento, na execução e na avaliação de tudo o que for feito, lembrando-se, sempre, de que, afinal, somos todos filhos do mesmo Pai, que nos concedeu uma chispa da Sua divina Luz para que compreendamos o nosso verdadeiro papel social: o de mensageiros da Verdade e do Bem.

José Prudêncio Pinto de Sá

 

 

quarta-feira, 16 de setembro de 2026

A ALAVANCA


 

A palavra Alavanca deriva da palavra latina levare, que corresponde ao início da ação de levantar alguma coisa, mas que, do ponto de vista metafórico, representa a força criadora do Homem.

 

Trata-se, com efeito, de um instrumento simples, formado por um corpo rígido, geralmente uma barra, que se apoia e pode girar em torno de um qualquer ponto fixo, dando-se a este ponto o nome de fulcro.

Curiosamente, a alavanca tem como princípio básico a possibilidade de se poder mover grandes cargas por meio de pequenas forças, sendo um dos apetrechos mais importantes e mais antigos.

Consta que a Alavanca foi inventada por Arquimedes, matemático e inventor grego, nascido na cidade de Siracusa, na Ilha da Sicília. Em jovem, Arquimedes estudou em Alexandria, tendo-se destacado principalmente como inventor e matemático.

Presentemente, o princípio da Alavanca é aplicado em diferentes tipos de balanças, manivelas, tornos e engrenagens. Quando olhamos para uma tesoura ou um carrinho de jardim, não imaginamos que estes objetos simples do quotidiano possam basear-se também no princípio da Alavanca.

No seio da Maçonaria, encontrei a Alavanca aquando da terceira viagem de passagem a Companheiro. Nesta viagem, aquela que me traz precisamente aqui hoje, encetámos o estudo da Natureza através da Ciência, nela tendo recebido dois instrumentos: a Régua e a Alavanca. A Régua, que traça linhas diretas, que poderão ser prolongadas até ao infinito, é o emblema inflexível da lei moral no que ela tem de imutável e rigoroso. Já a Alavanca representa a força do trabalho e a força de vontade, que nascem de uma inteligência colocada ao serviço da coletividade.

Voltando à simbologia, a Alavanca pode representar o desenvolvimento da nossa inteligência e da nossa compreensão para regular e dominar a inércia da matéria, levantando-a e movendo-a, para que ocupe o lugar que lhe está destinado na construção do Templo.

Neste contexto metafórico, o Companheiro vai buscar esta força ao ensino iniciático, que o ensinou a levantar os obstáculos, por mais difíceis e pesados que possam parecer. Todavia, esta força é sustentada pela retidão e justeza da Régua.

Podemos, desta forma, dizer que a força da Alavanca nunca será devidamente equilibrada sem a régua, pois esta tem a função de controlar e medir essa mesma força. Ambas as ferramentas da terceira viagem representam a Ciência e são fruto da sua evolução, mas, simultaneamente, contribuem para essa mesma evolução.

Todavia, se a Ciência é uma das formas de conhecimento, ela é, indubitavelmente, entre todas, a mais valorizada, e por isso privilegiada. Socialmente, a Ciência impõe-se não tanto pelo que é, mas sobretudo pelo que faz e permite fazer, isto é, ela é socialmente reconhecida pelas suas consequências, bem visíveis no quotidiano do homem, permitindo-lhe agir eficazmente sobre as coisas, controlá-las e dominá-las.

Podemos efetivamente considerar a Alavanca como sendo o símbolo por excelência da inteligência humana, cujo ponto de apoio natural é o corpo físico sobre o qual a Alavanca atua para que este produza todas as ações necessárias à vida.

Assim, o pensamento sem a vontade e a vontade sem o pensamento são igualmente incapazes de gerar qualquer força. Para se ser eficaz, necessitamos de ser iluminados por um ideal, ser orientados por motivos mais elevados, mais nobres e desinteressados, a fim de que a cada um seja dado alcançar o que tem na mente e no coração, transformando- se desta forma a cada dia um melhor homem.

Se na primeira e segunda viagem, podemos ver que o Maçom desbastou a pedra bruta, criando a partir desta outras peças mais perfeitas e passíveis de se unirem, na terceira viagem, com a ação da régua e da Alavanca, as pedras já se podem unir, começando-se, assim, verdadeiramente a edificação do Templo.

No entanto, que só será possível em união fraterna, pois nenhuma pedra singular construirá, de forma alguma, um Templo plural. Refletindo um pouco sobre a Alavanca, ela mostra-nos que não há peso ou dificuldade alguma que não possa ser removida. Deste modo, perante um problema, mediante a Alavanca, a solução tornar-se-á mais fácil de encontrar. Se é um ponto que sustenta a Alavanca, suportando todo o peso do obstáculo, podemos afirmar que esta é uma parte extremamente importante desta ferramenta.

A presente reflexão leva-me a pensar que, na Maçonaria, cada irmão constitui um “ponto de apoio”, e unidos representamos a Alavanca e a sua força. Assim, torna-se necessário aprender a usar este poder que a Maçonaria propicia. Esta é, sem dúvida, uma enorme responsabilidade, um legado que nos tem sido transmitido por outros Homens que antes de nós têm vindo a construir o seu Templo, e que para nós têm constituído um exemplo.

É por isso necessário sermos resistentes aos vícios, aos dogmas que escravizam o Homem e tenazes nos desafios que nos surgem diariamente, perante os quais é imprescindível de exercer a flexibilidade na prática contínua da Tolerância.

“deem-me um ponto de apoio e uma alavanca e moverei a terra”

 

Arquimedes

 

R. Antunes

 

sexta-feira, 11 de setembro de 2026

MAÇONARIA, A SUA FILOSOFIA NO MUNDO ATUAL

O homem na sua constante evolução sofre transformações. A cada dia os meios de comunicação, encurtam distâncias, aceleram conhecimentos; é o pleno exercício da dúvida, da especulação e da explicação tão exigida pela curiosidade humana. Nesta magnitude, os princípios de vida, são conceituados dentro de novos postulados.

Mas se no mundo material o progresso é visível, o homem relegou para um segundo plano a sua evolução interior, os valores que antes eram pontos de honra, hoje são conflitos entre as pessoas, que perdem a razão da sua existência com ser supremo do universo, sabemos com irrefutável certeza, que todo problema comporta diversas soluções, cabendo ao homem digno, licitamente, optar por uma delas.

A força da Maçonaria, que não se mede pelas ações e atos decisivos com os quais convivemos diariamente, mas pela capacidade de reunir no seu cerne expressivas e valiosas vocações dos membros da sua ordem.

É isto que nos permite dizer que não chegamos a este século de mãos vazias, nem com projetos pessoais de poder, é o desejo de colaborar para a consolidação dos anseios de todo Maçom, e que se façam de acordo com a mais pura, a mais legítima e a mais autêntica honra dos postulados básicos do Maçom.

É preciso lembrar que, sob inspiração destes ideais de virtudes, conceitos da mais alta liberdade de pensamentos, de costumes, são passagens evocadas como justificativa para que o Maçom, desde logo, se torne evidente que temos a obrigação de preservar, para as gerações futuras, o gesto que o Maçom hoje deve assumir.

Os ideais e aspirações contemporâneos formam, com o passado rico de devoções, uma cadeia indestrutível, que apenas reforça a certeza de que os maçons, de todas as convicções, querem e exigem transformações, sem que isso signifique desprezar as conquistas fundamentais que formam o nosso património histórico e cultural e, sobretudo, a nossa índole.

O nosso trabalho, tem raízes históricas e profundas significações na vida e na filosofia da Maçonaria. Não se trata, pois, de restaurar velhas ideias ou de apenas vesti-las com roupagens novas, não chegamos até aqui para de braços cruzados a história passar, nós os maçons com a nossa participação e ocupação dos espaços a que fomos destinados somos a história, nós a faremos, e não permitiremos que falsos profetas, usurpadores, oportunistas nos tirem o direito do nosso lugar.

A atividade do Maçom no mundo atual, além dos dogmas, que o fazem um homem predestinado, justo como é a definição de justiça, perfeito como obra acabada de um artista.

São estes princípios básicos, a alma de uma sociedade congenitamente tolerante, uma convivência singular, à fraternidade social, à cordialidade mais espontânea, o respeito pela pessoa humana. Por tudo isso é que se faz necessário que busquemos sempre os verdadeiros caminhos que possibilitem aflorar em toda a sua plenitude os conceitos virtualistas, aos quais o Maçom atual deve se firmar, que tem a sua doutrina própria, que é ademais, a melhor, só a Maçonaria marca e define a linha a seguir, a plenitude da liberdade para ser assumida deve ser conquistada esta é a missão que deve estar latente a cada momento.

A Maçonaria se constrói a partir do homem e nele está a sua verdade. O Maçom, luta como sempre lutou, pela liberdade do indivíduo e do cidadão, com a garantia real relacionada com a dignidade da vida com a igualdade de oportunidades e com a justiça que livrem o homem dos padrões de miséria e do temor pela contínua violação dos direitos. O moderno Maçom exige prioridade indispensável ao crescimento das virtudes e valores, a fim de enfrentarmos os problemas, da desigualdade e da escassez, e de assegurarmos a preservação do equilíbrio do meio em que vivemos.

O Maçom e a Maçonaria na sua filosofia devem romperas amarras do autoritarismo, fomentando um trabalho estável e invulnerável às crises que periodicamente pretendem destruir instituições; O seu papel histórico consistiu, sempre, em conciliar os ditames da ordem com as exigências da liberdade, um conceito que não é univalente. Ambíguo e polivalente, varia de uma tendência libertária e igualitária, com enorme variedade de significações, sobre as quais se assenta o património maçónico e do mundo contemporâneo.

A busca do aprimoramento do Maçom não se circunscreve, o princípio de participação deve sempre estar presente no nosso dia a dia. A Maçonaria espera que cada um cumpra o seu dever, em busca da verdade e da livre investigação.

O desafio do desconhecido não pode ser vencido apenas com instrumentos frágeis e precários, esta é uma tarefa para toda a sociedade maçónica, para exemplo de todas as instituições, para todos os homens, em todos os momentos.

Não podemos nem pretendemos fazer de uma só vez, o nosso trabalho e conscientizar-nos de que não venceremos a barreira que nos separa, se não vencermos a batalha da nossa própria consciência. 

Nesta tarefa de extraordinária importância, não podemos usar a força de um Maçom, mas de receber a crescente população da ordem, e enfrentar os desafios que nos são apresentados.

Somente assim conseguiremos evitar a ruptura; unir, encontrar os caminhos que nos são marcados. O destino do Maçom está no próprio Maçom, o futuro de novas gerações de maçons está nas nossas mãos, assim como os nossos passos foram marcados pelos nossos antepassados.

Temos o dever de não nos omitir

Fernando Demetri, 

ARLS Lealdade, Acção e Vigilância

 


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