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quarta-feira, 29 de maio de 2013

CÂMARA DE REFLEXÕES


2ª.  PARTE – “O SIMBOLISMO DOS ELEMENTOS DA CÂMARA”

A VELA
A Câmara de Reflexões é iluminada apenas pela luz de uma vela ou de uma lamparina. Há várias interpretações sobre este símbolo.

Pode ser a primeira Luz da Maçonaria que o profano recebe, de início fraca, para que o profano, através dos pensamentos que o ambiente lhe sugere, possa acostumar a sua visão espiritual à luz deslumbrante das verdades que lhe serão reveladas.
A luz dessa vela é o reflexo e a representação da divindade no plano terrestre.

É ela o único asilo seguro contra as paixões e perigos do mundo e que proporciona o repouso, o discernimento e a luz da inspiração, quando a Ela se recorre.

Esse clarão simboliza então a lâmpada da razão, iluminando a Câmara que não é outra coisa senão o interior do homem, dando-lhe assim a esperança de um mundo novo e diferente, que se abre a sua frente, mundo do qual ele não pode fazer uma idéia precisa, mas que na iniciação haverá de descobrir.

O GALO
O Galo representa o Mercúrio, principio da Inteligência e da Sabedoria.
Essa ave é, também, um símbolo de Pureza.

O Galo é um gerador da esperança, o anunciador da ressurreição, pois seu canto marca a hora sagrada do alvorecer, ou seja, a do triunfo da Luz sobre as Trevas.

A sua presença na Câmara de Reflexões simboliza o alvorecer de uma nova existência, visto que o iniciante vai morrer para a vida profana e renascer para a vida maçônica, sendo ele o signo esotérico da Luz que o Profano vai receber.

Também simboliza a Vigilância, que o iniciado deve manter relativamente ao papel que desempenha na sociedade.

Também simbolizado por forças adormecidas que a Iniciação pretende realizar, esotericamente simbolizado pela “força moral”, indestrutível, guiando os passos do Maçom dentro e fora do Templo. 

A BANDEIROLA
Colocada por baixo do Galo traz inscritas as palavras Vigilância e Perseverança. Consideradas do ponto de vista etimológico, essas palavras podem significar “vigiar severamente”.

 Indicam ao Futuro Maçom que deve, a partir daquele momento, prestar toda a atenção e investigar os vários sentidos que podem oferecer os símbolos, os quais só conseguirá entender completamente, através de uma paciente Perseverança.

Assim, como o dever moral, que o Maçom deve colocar em prática dedicando-se a uma Vigilância constante.

 É também a difícil tarefa de desbastar a Pedra Bruta que só alcança algum sucesso, quando realizada com a mais firme Perseverança.

O CRÂNIO
A presença de um Crânio pode despertar no profano alguns pensamentos, através dos quais ele poderá imaginar a representação, pela caixa óssea, da Inteligência e Sabedoria, da qual ela é símbolo.

 A Sabedoria é tão importante para o nosso cotidiano como o conjunto de nossa existência e para as grandes decisões. Pode ser vista como a Razão governando a prática pela teoria.

Assim, como na Câmara, os ossos são um mero complemento do Crânio como símbolos da Morte.

A AMPULHETA
Como é um instrumento para medir o tempo, é considerado na Maçonaria, um símbolo que mostra, pelo escoamento da areia, o rápido transcorrer do tempo, e recorda ao profano a brevidade da existência humana, aonde têm um significado esotérico com diversas interpretações.

O tempo passa e voa, e a vida sobre a terra é semelhante ao cair da areia.

 Por isso é preciso saber aproveitá-la em coisas úteis e proveitosas para si próprio e também para a humanidade. Pois uma vida dedicada ao acumulo de riquezas e ao gozo dos prazeres sensuais não contribui para a felicidade de ninguém, é uma vida desperdiçada.

 O iniciante deve lembrar que as pequenas porções do tempo juntam-se umas as outras e terminam no seio da Eternidade.


A FOICE
Símbolo muitas vezes não utilizado, mas que representa o símbolo da destruição e da morte, que em dado momento perturba a vida de qualquer pessoa, sem distinção de classe social.

 Pode ser interpretada como também, um símbolo do tempo, mostrando-nos a curta duração de nossa existência terrena e despertando-nos o medo.

O PÃO E A ÁGUA
Tende a assemelhar a Câmara de Reflexões a uma masmorra, onde o profano deve ser recolhido.

Mas o Pão simboliza o laço de fraternidade entre os irmãos e a Água é o símbolo da purificação.

São emblemas da simplicidade que deverá reger a vida do futuro iniciado, assim como alimentos do corpo e do espírito, os quais são indispensáveis, mas que não devem ser o único objetivo da vida.

Sendo assim, é o elemento indispensável à vida, e o pão, provindo do trigo, simboliza a força moral e o alimento espiritual.

O SAL
É o símbolo da mão estendida, representando a hospitalidade.

 Os antigos Greco-Romanos o simbolizavam pela amizade, finura e limpeza da alma e da alegria.

Seria como se fosse algum dizer de boas vindas ao iniciante, mostrando-lhe que ele será acolhido alegremente, com todo o coração, e que ele há de se sentir em “sua casa”.

Assim, o profano, com o espírito livre, se entregará inteiramente à conquista das verdades prometidas.

O MERCÚRIO
Representado pelo Galo, é um símbolo não apenas de Vigilância e Coragem, como também de Pureza. Princípio fêmeo, na alquimia, é considerado Hermeticamente como o princípio da Inteligência e Sabedoria.
  
ENXOFRE
É considerado o princípio macho, na alquimia. É o símbolo do espírito e por isso simboliza o ardor.

“A pedra Filosofal é um Sal perfeitamente purificado, que coagula o Mercúrio a fim de fixá-lo em um Enxofre extremamente ativo. Esta fórmula sintética resume a Grande Obra em três Operações que são: a purificação do Sal, a coagulação do Mercúrio e a fixação do Enxofre”. (In “O Simbolismo Hermético” de Oswald Wirth)

TESTAMENTO
É o ato que geralmente, na vida Profana, é praticado a aqueles que se encontram à beira da morte. Mas na Maçonaria é considerado como um testamento “filosófico”, e não um testamento “civil”, como o dos profanos. No testamento, o iniciado irá “testemunhar” por escrito as suas intenções filosóficas, assumindo, dessa forma, uma obrigação prévia.

Sua verdadeira finalidade não é somente responder as perguntas, mas sim, fazer com que o iniciado expresse sua opinião sobre elas e escreva as suas últimas vontades, como se fosse mesmo morrer, no seu Testamento. O profano expressará seus últimos pensamentos e suas últimas disposições, pois é sob influência da Câmara de Reflexões que ele dirá a verdade.

Assim, por esse documento, em que a sua mente só dirá a verdade, a Loja terá um conhecimento quase perfeito dos verdadeiros sentimentos do Profano.

VI - CONCLUSÃO
Resumidamente, a Câmara de Reflexões nada mais é do que a transição da vida profana para a vida Maçônica, que usa de seus elementos e simbolismos para preparar o iniciante para essa nova e frutífera vida.

Miguel Pereira, 25/05/2013
Wilson Zacharias – M.’. M.’.
Bibliografia:
 - Ritual do Primeiro Grau – Aprendiz – GOB;
- ASLAN, Nicola, Comentários ao Ritual de Aprendiz – VADE MÉCUM INICIÁTICO, Editora MAÇÔNICA, Rio de Janeiro;

- WIRTH, Oswald – O Simbolismo Hermético. 

sexta-feira, 24 de maio de 2013

A MAÇONARIA É A VERDADEIRA MEDIDA DO HOMEM...


MAS QUE ELE SEJA MAÇOM DE FATO!!!

Mas não por sua riqueza ou fama, o que também é uma grande energia, a material, mas mediremos o homem Maçom por suas ações, seu caráter, sua "verdade", já que essa nunca é absoluta... Sua tolerância, e não seu conformismo ou sua conivência... Seu poder de Caridade, Confiança, Lealdade, Amizade e Amor pelos Seres Humanos... Eu disse Seres Humanos, e não isso que foram feitos a nossa imagem e semelhança... kkkkk Uma cópia muito mal feita do homem, deve ser trabalho realizado por Maçons extraterrestres sem nenhum preparo, desculpem pela brincadeira...

Damos o real valor para aquele Homem especial que faz a diferença. Consegue fazer uma mudança POSITIVA. Mesmo que, por num simples gesto de bondade...

PERGUNTEM HOJE PARA OS MAÇONS O QUE É ILUMINISMO?

PERGUNTEM NA PAEL... Com muito respeito, pois essa situação já passou de todos os limites, legais e lícitos, sem falar na Moral e na Ética... Isso não vai acabar bem! Voltemos...

Somos de fato ECUMÊNICOS, mas com uma forte religiosidade... Não religião, mas conhecimento que enobrece o Homem e faz dele, realmente, o ser mais especial desse Planeta. Não por serem escolhidos, coitados, mas por poder escolher o que é melhor para si. Conhecer e somente assim se pode escolher. Se não fizer isso você estará sendo levado, você será uma cópia e não mais um ORIGINAL!!!

Nós somos Maçons!!! Somos Cavaleiros Templários, de Malta... Cavaleiros Benfeitores da Cidade Santa, tentamos praticar e nos esforçamos, persistimos em praticar virtudes morais e sociais... Essa é a Grande diferença em quem é verdadeiramente iniciado dos demais Irmãos que ainda, por ignorância, não vieram conhecer o caminho da LUZ MAÇÔNICA.

Deus faz parte de nossas Vidas. Não aquele que está fora, mas a centelha Divina que vive dentro de cada um de nós e faz com que sejamos todos diferentes, porém feitos à semelhança de nosso criador... E diante do Olho que tudo Vê, somos Pó... E Ele saberá a medida certa que cada um de nós tem, por nossas verdadeiras ações, VIRTUDES. Não por palavras vazias, pequenas, que enganam... Não! Ele não pode ser e não vai nunca ser enganado...

Não se esqueçam... É POR NOSSAS VIRTUDES QUE SOMOS E SEMPRE SEREMOS MEDIDOS... ATITUIDES, MEUS IRMÃOS!!! Não é no silêncio, não é pela inércia, É PELA ATITUDE!!! 

TUDO ILUMINADO PELA NOSSA CONSCIÊNCIA... MANTENDO EQUILIBRADA NOSSAS PAIXÕES, DESEJOS EM SEUS DEVIDOS LIMITES... MAS FAZENDO COM QUE A NOSSA "VONTADE" SEJA ATENDIDA. 

Por isso é importante policiar nossos pensamentos...

Somos indivíduos que precisamos encontrar em nosso consciente e inconsciente o Eu Sou. O que você realmente é! Não é a palavra, o toque, a senha, sinais... Isso é uma grande mentira. E como somos buscadores da verdade, temos que ter consciência que ela está dentro de cada um de nós é pode ser diferente, mas com um resultado fantasticamente IGUAL: AMOR.

A verdadeira Porta de retorno ao nosso LAR... Descobrir de fato quem é você!!! 

Comece por honrar SEUS JURAMENTOS, FEITOS TODOS SOBRE O LIVRO DAS ESCRITURAS SAGRADAS E PERANTE UMA ASSEMBLEIA DE IRMÃOS. VOCÊ JÁ PAROU PARA PENSAR QUE VOCÊ SE AJOELHOU E JUROU, SE COMPROMETEU E NÃO CUMPRIU. Como você consegue olhar nos olhos daqueles que estavam na sua iniciação, elevação e exaltação... Nos demais graus e nas demais Ordens... Como você consegue olhá-los nos olhos? Quem é de fato você?

MEU IRMÃO FOI LHE DADO A CHANCE DE REPARAR SUAS FALHAS E MOSTRAR DE FATO QUEM VOCÊ É.


FAZENDO PELO PRÓXIMO AQUILO QUE NOS FOI ENSINADO POR VÁRIOS MESTRES...

FRATERNALMENTE,
WAGNER VENEZIANI COSTA

quinta-feira, 23 de maio de 2013

SOBRE O SIGILO MAÇÔNICO


Na longa história da Maçonaria, nada causa tanta controvérsia como o compromisso da Ordem com o sigilo. Este único fator tem gerado rumores tão fantasiosos a ponto de se tornarem mitos. Produzindo sátira, desconfiança e, por vezes, a exposição da Ordem ao ridículo. O sigilo leva a uma mística que tanto ajuda quanto prejudica a instituição, de uma forma tão subjetiva que só pode ser imaginada.

Infelizmente, esta mística não é inteiramente benigna. Enquanto os Irmãos desfrutam da fraternidade, o público é deixado para imaginar o que se passa por trás das portas fechadas do Templo. A imaginação é uma ferramenta poderosa, e por isso as características que tornam a Maçonaria atraente para os seus membros dão origem a uma grande variedade de imagens fantásticas para o não iniciados.

Algumas pessoas que veem a Maçonaria do lado de fora acreditam tratar-se de uma organização sinistra. Nos Estados Unidos, por exemplo, ainda é comum pessoas acreditarem que a Loja é um lugar onde o sussurro de uma reunião noturna se transforma em políticas de governo no dia seguinte e onde os homens podem ganhar poder através do conhecimento da “palavra secreta”, e não através de eleições populares.

Esta visão não é difícil de entender. O simples fato de alguma coisa ser escondida aflora a curiosidade. E uma organização que preserva o seu sigilo certamente evoca imagens de conspiração e atividades proibidas.

A questão é que a falta de explicação só provoca o leigo, que é então, deixado para especular sobre o significado de nossas vestimentas peculiares, os emblemas que as decoram e nossos símbolos e alegorias. 

Mas quando examinamos o fenômeno, começamos a vislumbrar a real natureza do segredo maçônico: Como a Maçonaria percebe a sua relação com o público em geral é o cerne da questão.

A partir da iniciação somos levados a entender os significados dos símbolos e as tradições a que se referem, mas prestamos pouca atenção ao aspecto singular do simbolismo.

E rapidamente tornamo-nos confortáveis com a situação, tão rápido quanto perdemos de vista o fato de que o grande público vê tudo isso de uma forma diferente.
Os símbolos são um ponto focal para a crença de muitas pessoas de que a maçonaria detém informações ”clandestinas”, para as quais o resto do mundo não tem acesso.

Este tipo de percepção se manifesta de uma maneira tangível: Ao longo dos anos, a crítica à Maçonaria tem se tornado uma indústria. Existem diversos críticos dedicados a entregar sua mensagem anti maçônica.  Eles aparecem em televisão, escrevem cartas a editores, artigos e livros, todos voltados para um público que muitas vezes parece fascinado pelos contos sensacionalistas que são o estoque do comércio anti maçônico.  Mas o que pensamos de tudo isso?  Como seria de se esperar, não passa despercebido.

Mas este tem sido um debate interno. Raramente divulgamos nossa preocupação. O leigo, ao não ouvir respostas, é induzido ao erro pelo silêncio e pela indiferença. 
No entanto, o debate é real e consciente.

Se por um lado podemos questionar a necessidade de manter o sigilo abrindo a Maçonaria à opinião pública, afinal o mercado já é farto de material de livre acesso, por outro lado é importante lembrar que o sigilo é parte integrante do ofício.

Os “segredos” da Maçonaria são elementos simbólicos intimamente envolvidos com os ensinamentos maçônicos. Mudar isso alteraria a natureza básica da Ordem.

Isto porque somos ensinados a valorizar as tradições representadas por um elaborado sistema de símbolos e alegorias.

 A maior parte da mística, é claro, não tem nenhuma substância.  Ela surge a partir de uma confusa falta de informação combinada com uma tentativa evidente de escondê-la.

As pessoas sabem pouco sobre a Maçonaria, simplesmente porque não sabem para onde olhar. Na realidade, a suspeita que paira sobre a Maçonaria deve-se mais à falta de publicidade do que uma conspiração anti maçônica deliberada. 
Parece, então, que um breve estudo sobre qualquer uma das várias histórias gerais da Ordem seria suficiente para dissipar a maior parte do mal entendido que tem se edificado em torno dela.  Mas aí reside outro problema.

Um ou dois bons livros sobre Maçonaria seriam suficientes para esclarecer uma série de mal entendidos, mas apenas se o leitor entender e acreditar no que está escrito.  Como sabemos a boa literatura maçônica não basta ser lida, deve ser interpretada.

Outro ponto importante é que uma rápida pesquisa de livros sobre maçonaria revela diferentes e contraditórias descrições da organização. Um livro descreve a Maçonaria como uma organização nobre que promove os mais elevados valores morais. Outro a descreve como um sistema anticristão.

Obviamente nem tudo o que tem sido escrito sobre a Maçonaria pode ser verdade.  Muitas obras devem ser imprecisas, mesmo as que tentam explicar as origens da Ordem, visto que podemos encontrar literaturas que defendem a evolução do ofício a partir das guildas de pedreiros medievais, outras imputam o crédito aos Templários ou aos Egípcios. Há até quem já tenha visto os primórdios da maçonaria no Jardim do Éden...

O fato é que qualquer um de nós, dos quais se espera conhecer ao menos parte da verdade, será sempre duramente pressionado para dizer qual é qual.

Durante séculos, as pessoas têm tentado descobrir as origens da Maçonaria. Talvez grande parte deste trabalho tenha sido em vão por estarem procurando por uma organização antiga, que evoluiu para a fraternidade moderna.  Mas a Maçonaria nunca foi uma única organização. Ela sempre foi tradição.

Uma das características de uma alegoria é a de que ela não fornece respostas.  É, afinal, apenas um veículo de comunicação por símbolos. E os símbolos apenas apontam a atenção na direção certa.  O resto é com o indivíduo.

E sob este prisma, o Maçom é livre para interpretar as lições da Loja como quiser. O ritual convida-o a fazê-lo uma vez que é repleto de lendas e, por vezes, situações que dão margem a interpretações diferentes.

Assim, ao usar o livre arbítrio, qualquer indivíduo maçom pode concluir que as lições são destinadas para separar ou unir, que, por exemplo, nossos sinais, toques e palavras são concebidos para receber um Irmão, ou simplesmente excluir um não iniciado.

E isto é tanto uma lição quanto um aviso. Nós, Maçons modernos, temos o espírito e a reputação da Ordem em nossas mãos. Assim, seremos os mocinhos ou os bandidos, dependendo da maneira como interpretamos o ritual e da nossa capacidade (ou falta dela) de argumentar sobre a Ordem com o público em geral. A escolha é nossa.

O fato é que tanto o nosso compromisso com o sigilo quanto os argumentos dos críticos são baseados em um ponto de vista comum. Esse ponto de vista liga o Maçom ao seu crítico em um vínculo que talvez seja até mais forte que a ligação maçônica de fraternidade. Ele promove a intolerância e a exclusividade.  É o contraponto do espírito benevolente que a Maçonaria ensina desde os seus primórdios.

Infelizmente muitos dos que estão envolvidos com a maçonaria, sejam maçons ou seus críticos, não se informam além do básico. Satisfeitos com o que encontram na superfície deixam de perceber o significado subjacente a tudo. E assim, um sistema que foi cuidadosamente construído para unir as pessoas é muitas vezes usado para mantê-las separadas (o maçom do seu crítico).

 Dizer a um homem alguma coisa, qualquer coisa, e então adverti-lo que é um segredo é a melhor maneira de separá-lo das pessoas ao seu redor. Isto o obriga a escolher entre esconder seu conhecimento dos outros e trair aquele que o deu a ele.

Seguros que estamos na crença de que não fazemos nada de sinistro, não vemos razão para corrigir o que não consideramos errado, mas no final, é provavelmente muito melhor entender uma coisa e debater seus desdobramentos, do que ser mistificado por ela.

Bibliografia:
- C. Bruce Hunter. Beneath the Stone, The Story of Masonic Secrecy (1992).
- George S. Eichhorn, Masons.
Reticent like any family.
- Anotações pessoais.

Rogério Alegrucci - M.´.M.´. 
Trabalho apresentado na A.´.R.´.L.´.S.´. Manoel Tavares de Oliveira, 2396 - GOB/GOSP em  13/11/2012 E.´.V.´.


domingo, 19 de maio de 2013

O GRAU DE APRENDIZ - GRAU 1




A origem dos Graus Simbólicos é confusa, vez que, inexiste um documento que a descreva; tudo é suposição, argumento e dedução.

A primeira fonte, é a Lenda de Hiram Abif que seguindo a organização administrativa imposta pelo Rei Salomão, dispunha de três classes de trabalhadores: Aprendizes, Companheiros e Mestres; o próprio Hiram era um Mestre Arquiteto.

O evento trágico envolvendo a morte de Hiram foi protagonizado por três Companheiros.

As Sagradas Escrituras, no Livro dos Reis, informam palidamente sobre a construção do Grande Templo e fala-se em "trabalhadores" e "Chefes Oficiais", sendo o nome "servo" destinado ao próprio Salomão e a Davi, como "Servo de Deus".

Não encontramos classificação hierárquica dos trabalhadores, apesar das diversas tarefas, como os talhadores de pedras, os carregadores e os artesãos.

A divisão de Aprendizes, Companheiros e Mestres, é notada tão somente na Lenda de Hiram Abif que, como lenda, não satisfaz e não preenche a lacuna; lenda é suposição baseada em algum aspecto histórico.

Augusto Franklin Ribeiro de Magalhães nos relata:

"A primeira organização efetiva que se conhece data do ano 704 a.C. quando Numa Pompílio estabeleceu em Roma um sistema de vários colégios de artesãos, que possuía no ápice o Colégio de Arquitetos e englobava os gregos trazidos da África. Daí vieram os Colégios Romanos, similares às organizações gregas, de acordo com a legislação de Sólon. Tinham um regimento especial e celebravam suas reuniões (Logias) a portas fechadas, em locais próximos ao do trabalho.

Conforme Pompier, seus componentes "estavam divididos em três grupos: aprendizes, companheiros e mestres e se obrigavam por juramento ante as ferramentas e os utensílios de seus ofícios e profissões a ajudar-se mutuamente e a não revelar os segredos de suas agrupações aos estranhos”. Tinham o costume de admitir como membros de honra as pessoas que não pertenciam a seus ofícios, porém que eram consideradas úteis para os agrupamentos e se reconheciam entre si por sinais e palavras secretas Suas assembleias eram presididas por mestres eleitos para período de cinco anos, assessorados por dois inspetores ou vigilantes.

“Dedicavam-se à arquitetura religiosa, civil, naval e hidráulica e também dirigiam as construções militares, executadas por soldados."

Esses Colégios perduraram até o ano, aproximadamente, 1200 para dar lugar às "Guildas".

Sem maiores explicações, desses Colégios sacerdotes levaram a organização para os conventos, tomando a si o encargo de construção dos conventos e das catedrais.

Se assim foi, pode-se afirmar que a incipiente Maçonaria, passara a um regime religioso, cuja influência (resquícios) permanecem até hoje, nos Rituais Maçônicos.

Os monges, da Idade Média eram denominados de "Caementerii", "Latomii", e também de "Massonerii".

1. Simbologia Maçônica, Iº volume.
  
O "sigilo" não dizia respeito à organização em si, mas à profissão, "os segredos de cada profissão", em especial dos arquitetos que construíam as cúpulas, arcádias, alicerces suportando o peso da construção, o equilíbrio das traves e a dificultosa ramagem dos telhados.

Os monges movimentando-se chegaram à Alemanha no século XII fundando a Corporação dos Steinmetzen que reuniu os "talhadores de pedra" com as Guildas; evidentemente, a origem foram as construções romanas; os monges aperfeiçoaram a organização administrativa e a chefia tinha autoridade eclesiástica sobre os subordinados.

Pertencer a essas organizações constituía um privilégio, tento como meio de subsistência, como de proteção, pois aqueles "artífices" eram respeitados pelas autoridades e pelo povo; todos tinham uma auréola de misticismo, formalizada pelo poder do clero.

Prossegue Magalhães:

"Essa associação, que passou a denominar-se de "Confraternidade dos Canteiros de Estrasburgo", alcançou notoriedade. Erwin de Steinbach que a dirigiu, submeteu ao bispo de diocese os planos para a construção da catedral de Estrasburgo e, ao mesmo tempo, que iniciava as obras, deu aos seus operários uma organização que se tornou célebre em toda a Alemanha. Em 1275, foi realizada uma convenção histórica, talvez a primeira da Ordem. As Constituições de Estrasburgo, de 1459 as Ordenações de Torgau, de 1462, e o Livro dos Irmãos, de 1563, tornaram-se as Leis e Fundamentos que serviram de regra a essas corporações, até o aparecimento dos primeiros Sindicatos alemães. A entrada dos franceses em Estrasburgo, em 1681, e o Decreto da Dieta Imperial, de 1731. acabaram com a Fraternidade dos Steinmetzen".

As Corporações foram se ampliando, disseminando-se por toda a Europa, todas já desligadas dos mosteiros e tendo vida própria.

As "Lojas" mantinham as tradições recebidas das Guildas anteriores e conservavam "um Ritual", rústico e simples orientado para manter o agrupamento coeso. Esse Ritual, quiçá, tinha apenas um Grau: o do Aprendiz, mas, na evolução natural, seguiu-se o de "Companheiro" para afinal, estabelecer-se o de "Mestre".

Não há documento que registre esse "nascimento". O Ritual não passava de uma "adaptação" da organização dos monges.

Os rituais atuais do Simbolismo Maçônico dão ao Grau de Aprendiz uma ênfase maior; é o Grau mais complexo e básico, sustentáculo dos Graus posteriores.

O Grau de Aprendiz, entre nós, é o mais divulgado de todos, vez que, nas centenas de Lojas que existem no País, os trabalhos são realizados no I° Grau.

Praticamente, em cada Estado (e são 27) há uma Grande Loja e, com raras exceções, cada uma possui um Ritual diferenciado.

Mesmo que essas diferenças sejam mínimas, não temos no Rito Escocês Antigo e Aceito, uma uniformidade ritualística.

Já nos Graus Filosóficos, as diferenças são oriundas dos diversos Supremos Conselhos existentes; quanto às Grandes Lojas, os Rituais são idênticos, vez que, emitidos por um único Poder, o Supremo Conselho.

No entanto, apesar das "ligeiras" diferenças, o cerne é mantido e nenhum Ritual desrespeita os Landmarks.

Nós, afirmamos que essas diferenças caracterizam a Loja e constituem a sua "personalidade".

Os maçons mais antigos, como nós, por exemplo, já com 50 anos de Loja, enfrentamos algumas dificuldades quando visitamos Lojas (e a nossa própria) vez que, encontramos "inovações".

As alterações que os Grãos-mestres introduzem, aparentemente inócuas, na realidade, às vezes ferem a liturgia e alteram o sentido da frase ritualística.

Frequentemente, os Rituais são renovados e assim, perdem o que a tradição deveria conservar.

"Eu aprendi assim", "no meu tempo se fazia assim", são afirmações muito comuns; a tendência é conservar a tradição, mesmo que esse contenha erros vernaculares ou interpretações desusadas.

No entanto, as Lojas progridem e a Fraternidade cresce; talvez esses alterações sucessivas, porque feitas de boa-fé não prejudiquem tanto o organismo em si; os prejuízos revelam-se na parte esotérica, que é a menos estudada.

A divisão simbólica em três Graus recorda a tríade: corpo, espírito e alma nas suas distintas fases: nascimento, vida e morte.

São fases progressivas visando uma "construção" decorrendo daí que se fazem necessários um aprendizado, uma comunicação e um mestrado; esse como garantia de perpetuação da construção; um edifício, depois de concluído, destina-se a alguma função e essa é permanente, sediada num complexo bem realizado e permanente.

A trilogia representa a Deus, à Inteligência e à Virtude e essas fases influenciam a Vida.

Um nascimento e um estágio de companheirismo seriam próprios da juventude; todavia, a Maçonaria inicia a jornada com o homem adulto, vendo nele o desenvolvimento completo; temos então, como se fosse um contrassenso, um adulto nascendo novamente.

Uma "criança", ao mesmo tempo, adulta, recebendo o alimento próprio para a criança.

O simbolismo esconde sigilos, mistérios e esoterismos.

O Iniciado é, simbolicamente, um recém-nascido e a vivência desse recém-nascido é realizada dentro da Loja e não no mundo profano; sai da sessão de dentro de um Templo, para a Sala dos Passos Perdidos, não o recém-nascido, mas um adulto renovado; a sua inteligência compreenderá a transformação e o campo experimental, no mundo profano será numa trajetória virtuosa.

A passagem pelo aprendizado objetiva a "União", o "Aperfeiçoamento" e a "Felicidade" da humanidade.

O "culto" exercitado dentro do Templo redunda em benefício do físico, do intelecto e da moral.

Portanto, a ação do Aprendiz, materializa-se beneficiando o próprio Corpo (o afastamento dos vícios) robustecendo o intelecto, pelos novos conhecimentos através do estudo e do conteúdo de um catecismo.

O catecismo é o resumo da Doutrina, parte compreensível de imediato e parte dependente do raciocínio prolongado.

A Maçonaria fornece os "princípios" estáticos; o simbolismo auxilia na interpretação e a prática contribui para a evolução.

O Mistério maçônico surgirá das regras contidas nos princípios e se revelará paulatinamente para o indivíduo maçom.

Cada Grau (são 33) possui seus Mistérios; ultrapassado o Grau de Aprendiz, os mistérios dos Graus terão sido assimilados e ao final, chegado o maçom ao ápice da pirâmide, nenhum Mistério existirá.

No entanto, as revelações serão individuais porque ficarão dependentes do estudo e da perseverança.

Como a solução dos mistérios é lenta e difícil, cada maçom conservará para si, e isso constituirá o "sigilo".

Dentro dos Graus Simbólicos, os "mistérios maiores" exaurem-se vencido o 3o Grau, ou seja, o Mestrado.

O Grau do Aprendiz filosoficamente vem consagrado ao desenvolvimento dos princípios fundamentais de Sociedade (Maçônica e profana) e ao ensinamento de suas leis e costumes compreendidos nas seguintes expressões: Deus, Beneficência e Fraternidade.

Deus, porque constitui um princípio consagrado; o Maçom deve crer na existência de Deus, caracterizado historicamente através das Sagradas Escrituras.

Beneficência, porque o coração do Maçom não pode permitir que um Irmão (membro de sociedade) padeça necessidades.

Fraternidade, porque todos os homens são filhos de Deus, portanto, simbólica, histórica e filosoficamente, nossos Irmãos.

O Aprendiz cumpre esquadrejar a Pedra Bruta com trabalho, capacidade, persistência e fé.

Sem preparar a Pedra Bruta, não poderá o Maçom, entregar-se à construção do Edifício moral, físico e espiritual; essas três fases resultam em construção de um edifício material e espiritual que é o corpo humano, compreendida a razão e a vida.

A saída do estado de imperfeição somente é realizada através do trabalho.

Esse trabalho, quanto ao Aprendiz é auxiliado pelos seus Irmãos de idade maior (2o e 3o Grau).

O Maçom trabalha em um Templo onde se encontra a Loja que por sua vez mantém uma Oficina.

Aprendiz - Grau 1

Rizzardo do Caminho

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