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“NÃO SERÃO ACEITOS COMENTÁRIOS ANÔNIMOS”

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

LIDERANÇA MAÇÔNICA



Meus Irmãos,

Mais do que nunca, a MAÇONARIA precisa de Líderes. Líderes são aqueles que possuem um sonho e o colocam à disposição para que todos possam alcançá-lo.

A presença e a atuação de Líderes em todos os níveis do relacionamento
social é um fenômeno bem conhecido e muito estudado.

Na Maçonaria seriam os falados Construtores Sociais, e este tema Liderança é eminentemente Maçônico porque o irmão precisa se auto-determinar para seguir em sua carreira maçônica. Só chega lá, o irmão que lidera seus desejos, controlando-os para atingir os objetivos propostos pela Maçonaria.

Os fundadores das grandes religiões e, infelizmente, alguns ditadores
cruéis, possuíam em grau eminente essa característica: a capacidade de
influenciar e conduzir pessoas, o que lhes permitia conquistar adeptos e
seguidores.

Costuma-se dizer que o Líder consegue captar e exprimir as idéias e
intenções do grupo onde atua, as quais , não raro, os próprios liderados não conseguem formular claramente, mas que o Líder apreende e enuncia: ele diz o que as pessoas estão desejosas de ouvir e por isso é admirado e seguido.

Impõem-se ,contudo , algumas distinções. Enquanto os vanguardeiros do
progresso, os verdadeiros profetas, falam de necessidades profundas que derivam de nossa natureza espiritual, valores e mudança de posturas e atitudes, que são ainda imprecisamente percebidas pelo grande grupo de irmãos, por exemplo, a prática do bem, que é a garantia de se encontrar a Felicidade, ou o servir que é mais moderna compreensão de Liderança, os condutores que atuam exclusivamente no plano comum apontam e destacam vantagens materiais e imediatas, desfrutam delas e, não raro, empregam recursos condenáveis para influenciar os que seguem, como a exaltação do orgulho e da vaidade.

É verdade, isto também ocorre na Maçonaria, os que se julgam maiores, mas não trabalham para o bem de todos e nem servem, mas criticam aqueles que o fazem e buscam uma solução, para o nosso bem comum. Não raro criticando o quê não fazem, ou emitindo boatos aos outros, daquilo que são.

Falha de caráter, talvez desses que acham que precisam ter a resposta
material ou algo em troca daquilo que julgam fazer correto.

Esse é chamado do Líder Utilitarista, só faz algo se vê uma oportunidade em troca e de preferência para ele.

Não, não é essa a liderança que a Maçonaria precisa.

Como temos na moderna comunicação de massa facilidades que esse Líder se utiliza e em sua Loja ou no grande Grupo, usa tal processo para tirar vantagem, que ele julga oportuna. Lamentável não estarmos de olhos abertos para barrar, desde o seu nascedouro, tais procedimentos.

Mas há ainda outra diferença essencial. Enquanto a Liderança a serviço do interesse material procura conduzir alinhando a vontade e anulando o
discernimento dos seguidores, a Liderança Maçônica jamais emprega artifícios para tornar feliz a humanidade pelo amor, pelo aperfeiçoamento dos costumes, pela moral, pelo exemplo e pela ação. Aponta caminhos, sobretudo pelo exemplo, luta pelos seus ideais, reafirmando os compromissos individuais na Maçonaria.

Na Maçonaria deve ocorrer de forma natural, sem ser prejudicado pelo
interesse material, de negociações interesseiras e sem ilusão aos mais novos e ainda mais que precisamos ser líderes de homens-maçons que são voluntários.

Mas há necessidade, por outro lado, da qualificação desses homens-maçons, sejam elas técnicas, sociais, humanistas, não desprezando jamais sua história social, já que após a iniciação, por ser um novo homem, não exclui sua vida passada cultural e social. Essa é sua bagagem, precisa ser respeitada.

E o Líder, precisa ter a sensibilidade de observar como mostrar o caminho, para aquele que possui discernimento e para a aquele que ainda não possui.

Nem todos meus irmãos, estão no mesmo nível de desenvolvimento, inclusive espiritual.

O conhecimento e a qualificação reflete a tendência moderna de busca do
aperfeiçoamento das atividades mediante a incorporação de técnicas e
procedimentos novos que proporcionam maior rendimento e mais satisfação para os que se acham nelas envolvidos.

Por isso, necessário se faz um planejamento para as Lojas e conciliar as
técnicas modernas de gestão com as técnicas maçônicas, que não são em nenhuma hipótese excludentes. A Maçonaria busca na sociedade seu novo membro, portanto ela não está separada dista e precisa por ser progressista e se atualizar constantemente.

O líder maçom precisa ter esta sensibilidade para quando necessário agir em tal sentido.

É interessante lembrar, por exemplo, que na obra de MAQUIAVEL - O Príncipe ,estudado como manual de liderança, possui sugestões como:
o príncipe não precisa respeitar a palavra empenhada, sacrificar um amigo fortalece o príncipe, ou ainda o governante deve ser temido pelos
governados.

Esse tipo de liderança, não serve mais, a força não vence mais.

Mas há os manuais dos líderes servidores, e são vários; O MONGE E O
EXECUTIVO, COMO SE TORNAR UM LÍDER SERVIDOR, A SABEDORIA
DOS MONGES NA ARTE DE LIDERAR , JESUS O MAIOR LÍDER DE TODOS OS TEMPOS, etc..,

Esses recomendam servir desinteressadamente ao próximo, fazer o bem, sem olhar a quem, a forma correta de proceder no trato com o próximo.

É este tipo de liderança que a Maçonaria precisa e está buscando.

Maçons baseados no amor, nos princípios da moral e da razão, auxiliando o próximo na busca de tornar feliz a Humanidade, dando o norte, porque recebeu o norte, que é de ação e mudança para melhor.

Sabe que por estar a prumo, é ele quem comanda e não é comando por
fórmulas, manuais ou rituais, e por se conhecerem sabem que o servir é o
caminho da liderança clara, honesta e com objetivos comuns a todos.

Por serem servidores, não lhes causa problema algum serem os últimos
servidores a receberem os benefícios dos que procuram a colaboração
fraterna.

Quem abre uma estrada é o que enfrenta os piores lugares e momentos, mas são os que mostram o caminho a ser trilhado. E esses líderes a Maçonaria ainda está necessitando, são os que estudam, buscam soluções, falam, jogam aberto e se interessam sobremaneira com o próximo.

O Verdadeiro líder maçônico gosta de gente, de seus irmãos e não de status ou de cargos, que são passageiros e momentâneos.

Meus Irmãos,

O LÍDER MAÇÔNICO PRECISA SERVIR PARA MUDAR. PORQUE QUEM NÃO MUDA, É PORQUE NÃO ESTÁ SERVINDO.

É este líder ativo e de visão para servir que estamos em nossas Lojas
precisando para atender aos anseios da sociedade, que é composta pelos
próprios irmãos.

Observemos, é necessário!

Fraternalmente.

Ir:. Carlos Augusto G. Pereira da Silva
EX:.V:.M:. da LOJA OBREIROS DE SÃO JOÃO , Nr. 42 - R.E.A.A. - MRGLMERGS.
Contribuição do Irmão Wagner S. Barbosa, Delegado Litúrgico do Rito Brasileiro, GOB-SC.

EGRÉGORA


Embora a palavra não exista em nosso idioma, não ser listada em nossos dicionários, e o seu aparecimento no Brasil tenha acontecido nos anos 80, a egrégora existe desde os primórdios da humanidade, desde o aparecimento da segunda criatura humana.

Castellani, discorda do culto à egrégora entre irmãos, por julgá-la um termo novo em nossa Ordem e, quem somos nós para contestá-lo? Acontece que há duas correntes entre os escritores irmãos, os ocultistas e os mais tradicionalistas, que crêem apenas no palpável.

Eu sou ledor, admirador e seguidor do "castelanismo", por entender que o irmão Castellani é o "papa" dos escritores maçônicos, mas, creio nas coisas que podemos ver, desde que vemos os seus efeitos; é apenas uma questão de ponto de vista.
Nós somos por células, e estas por átomos, moléculas e núcleos e, em sendo assim, somos um condensador de energia; somos um corpo energizado.

Sabemos também que a energia pode ser positiva, ou negativa, dependendo, no caso do ser humano, do seu estado de saúde física, e ou psíquica Eric Bern, em Relações Transacionais (psicologia) afirma que a pessoa pode estar OK, ou não OK. querendo dizer, positiva, ou negativa.

Quando estamos com a saúde perfeita, bem com a família, bem com os irmãos da Ordem, nós estamos positivos, e em caso contrário, estamos negativos, é claro.

Já existe prova científica da existência da aura humana, vista através da fotografia Kirlian, que mostra a nossa aura com as suas cores e segundo os doutos no assunto, são as cores que determinam o estado de saúde física e ou psíquica, da pessoa no momento. Hoje já se conhece a cromoterapia, ou seja, a cura através das cores, mas por ser uma ciência nova, ainda é um pouco desacreditada.

É claro, lógico, matemático, óbvio, evidente e axiomático, (pleonasmos à parte) que não detenho provas científicas da existência da Egrégora e, expresso apenas o conhecimento empírico, como o meu modo de pensar, de ver, de acreditar.

Acredito que a egrégora seja a soma algébrica das auras positivas e negativas das pessoas que estejam num determinado local. Como exemplo, na formação de uma Cadeia de União, as auras positivas anulam as negativas e daí se forma a egrégora positiva. No caso das auras negativas serem em número maior do que as positivas, a egrégora será negativa ou não se formará.

Podemos verificar isto quando estamos em um ambiente que deveria ser de alegria, uma festa, mas, as pessoas não se congregam, de uma ou de outra maneira e o ambiente se torna tenso, pesado.

Às vezes numa sessão entre irmãos nós sentimos que a coisa não foi bem, não foi positiva. Talvez a causa seja o número de auras negativas maiores do que as positivas dos irmãos ali presentes.

Entendo, pois que a egrégora é a congregação de várias pessoas voltadas para um pensamento afim, que a egrégora entre nós é formada pelo desejo dos irmãos voltados para o seu semelhante, é o desejo da liberdade, da igualdade e da fraternidade, tríade de sustentação na formação de uma sociedade justa e perfeita.

"EU SOU O PRINCÍPIO CRIATIVO” - SOU O ARQUITETO



No início, peguei num compasso e desenhei um círculo. Chamei-lhe de Universo. Ele seria uma espécie de laboratório onde eu havia de me experimentar. Com o mesmo compasso, desenhei todos os lugares habitáveis do Universo. Com o esquadro, defini que o que está em cima, havia de ser como o que está em baixo. Assim, estava lançado o fator determinante da Igualdade. 

Com a régua, defini o plano material. Ligando o plano material com o espiritual através do esquadro, criadas as energias expansivas do universo e determinado o plano experimental, o Universo parecia Justo e Perfeito. Mas não era, faltava-lhe o essencial para que se tornasse experimental. Os pólos opostos à criação sublimes e perfeitos, então, chamei o Diabo. Expliquei-lhe que precisava da sua ajuda, o meu Universo era tão perfeito que não havia nada para experimentar, nada para aprender. Então, ele entendeu o meu problema.

Não podia experimentar a verdade porque não havia mentira. Sem mentira, o conceito de verdade não fazia qualquer sentido. Assim como não podia experimentar a alegria sem saber o que é tristeza, pois não saberia distinguir uma da outra.

Como não poderia distinguir o belo sem conhecer o feio, porque não há termo de comparação. Então o Diabo entendeu a minha preocupação e de pronto se ofereceu para me ajudar a operar o Universo.

Ele havia de se encarregar de lançar a dúvida, de gerir os opostos, garantindo que eles coexistam para garantir o livre-arbítrio, o meu mais sublime conceito. Estava então lançado o fator determinante da Liberdade. 

Um acordo assim requer um consenso, requer respeito e, sobretudo, requer que se unam esforços para que o funcionamento dos trabalhos decorra sempre de forma justa e perfeita.

O acordo era o princípio de um Universo assente em princípios de respeito pelas diferentes crenças dos seus dois administradores. Ficou acordado entre mim e o Diabo que jamais discutiríamos as crenças e as políticas de cada um, durante os trabalhos do Universo. Estava feito o pacto com o Diabo, assente no respeito e amizade, na sociedade existente entre ambos. Estava então lançado o fator determinante da Fraternidade.

O Universo era agora Justo e Perfeito. Restava-me agora voltar à minha condição de Homem, regressando às profundezas da terra, renascendo como homem em busca de luz, experienciando o Universo, empenhando-me em busca da verdade, construindo um templo tão alto que me faça voltar a tocar os céus.

O templo deverá ser construído, um dia de cada vez, no desbaste intensivo da pedra bruta, que ao ser lapidada, poderá se encaixar de forma perfeita em cima de outra pedra lapidada, erguendo colunas de conhecimento assentes nos fatores determinantes de Liberdade, Igualdade e Fraternidade, que estruturem um Templo tão alto, que o seu topo, qual vértice da pirâmide, toque o céu e possa fazer-me experimentar a sublime experiência da Verdade, nas ascensão que farei por uma escada devidamente planeada para o efeito. 

Terei então voltado às origens, terei voltado a experienciar-me Deus, Criativo e Criador - Arquiteto do Universo"

 Excerto de Essência - Edição Reinventada (Progresso da obra) do autor Paz Kardo.

domingo, 29 de janeiro de 2012

ENSINAMENTOS PITAGÓRICOS – O SILÊNCIO



“Deus usa a matéria para escrever o Universo.”
Pitágoras (571 a.C/496 a.C)

Na condição de filósofo, Pitágoras convencido ser a Matemática, a Geometria e a Música a base da expressão do Pitagorismo, sendo os instrumentos de compreensão do Universo.

É de amplo conhecimento que Pitágoras foi grande matemático, criou teoremas geométricos, desenvolveu a escala das notas musicais, tal como conhecemos hoje.

Na Filosofia nos deu o Pitagorismo. Foi o criador da palavra Matemática, palavra essa derivada do grego “mathema”, isto é, “aquilo que se aprende.”

O Pitagorismo nos leva aos pitagóricos, uma das primeiras sociedades seletivas. Totalizavam, aproximadamente, 600 discípulos, entre homens e mulheres, escolhidos pelo próprio Pitágoras através de um exame rigoroso e, depois de admitido, o neófito cumpria um voto de silêncio de cinco anos.

As primeiras instruções eram passada por um discípulo mais antigo, os iniciados recebiam as instruções somente como “ouvintes”. Em seguida o aprendiz se tornava um “Matemático” e, então, recebia os ensinamentos do próprio mestre, jurando nunca divulgá-los aos não iniciados.

Os Pitagóricos acreditavam ser a alma imortal, eram vegetarianos, levavam uma vida ascética e regrada. Cuidavam do corpo por meio de exercícios e procuravam elevar o espírito discutindo Filosofia, estudando Matemática e compondo Musicas.

Segundo os historiadores, os pitagóricos eram mais admirados por seu silêncio do que os mais famosos oradores por seus discursos.

Os pitagóricos não existem mais, porém diversas ordens ainda seguem os seus princípios. Vejamos, então, as regras pitagóricas do Silêncio:

Não tagarelar a toa, isto é, eliminar a conversa fútil;
Não falar de si mesmo;
Não atirar pérolas de sabedoria diante daqueles que não estão prontos para aceitá-las;
Ter consciência de que o homem é lembrado pelo que faz não pelo que fala.

Um ensinamento básico sobre o silêncio que nos é passado pelos pitagóricos, é que através do silêncio que atingimos os nossos objetivos e somente no silêncio que falamos com Deus.

Obs.: Pitágoras usava como timbre o pentagrama, para ele o tríplice triângulo entrelaçado e significava “passe bem”.

Pesquisa do MM.’. William da Cunha Marques, apresentada na reunião de estudos da ARLS Cedros do Líbano, 1688 – Miguel Pereira/RJ – GOB-RJ





GRUPOS MAÇÔNICOS NÃO RECONHECIDOS NO BRASIL

PARA MAÇONS REGULARES

Relação incompleta de grupos maçônicos no Brasil não reconhecidos pelo Grande Oriente do Brasil - GOB, pela Confederação da Maçonaria Simbólica do Brasil - CMSB (Grandes Lojas) e pela Confederação Maçônica do Brasil - COMAB (Grandes Orientes estaduais):

1. Academia Maçônica do Estado de São Paulo
2. Academia Superior Maçônica do Brasil
3. Confederação da Maçonaria Universal Unida no Brasil - COMUB
4. Grande Loja Arquitetos de Aquário - GLADA
5. Grande Loja Brasileira - GLB
6. Grande Loja Carbonária do Brasil
7. Grande Loja da Maçonaria Egípcia - GLOMEB
8. Grande Loja do Brasil - GLOB
9. Grande Loja dos Maçons Antigos do Rito Schröder do Rio Grande do Sul - GLOMARS
10. Grande Loja Feminina da Amazônia
11. Grande Loja Maçônica Feminina do Brasil
12. Grande Loja Maçônica Mista do Brasil
13. Grande Loja Maçônica Unida de São Paulo
14. Grande Loja Maçônica Unida do Piauí
15. Grande Loja Mista do Rito de Memphis-Misraim
16. Grande Loja Regular Brasileira
17. Grande Loja Regular de São Paulo
18. Grande Loja Regular do Paraná
19. Grande Loja Regular do Rio Grande do Sul
20. Grande Loja Simbólica Maçônica Brasileira - GLOSMAB
21. Grande Loja Simbólica Nacional Brasileira - GLSNB (ou Primeira Grande Loja Simbólica Nacional Brasileira)
22. Grande Loja Unida de Maçons Antigos, Livres e Aceitos do Estado do Rio de Janeiro
23. Grande Loja Unida de Minas Gerais
24. Grande Loja Unida de Pernambuco
25. Grande Loja Unida de São Paulo (GLUSP)
26. Grande Loja Unida do Paraná
27. Grande Loja Unida Sul Americana - GLUSA
28. Grande Maçonaria Mista da Bahia - GMMB
29. Grande Oriente da Franco Maçonaria Mista do Estado do Rio Grande do Sul
30. Grande Oriente da Maçonaria do Espírito Santo
31. Grande Oriente do Rito Antigo e Primitivo de Memphis- Misrain
32. Grande Oriente Independente Misto do Rio Grande do Sul
33. Grande Oriente Lusitano no Brasil
34. Grande Oriente Maçônico Cristão do Brasil - GOMCB
35. Grande Oriente Maçônico do Brasil - GOMB
36. Grande Oriente Maçônico Pan-americano - GOMP
37. Grande Oriente Nacional "Glória Do Ocidente" do Brasil
38. Ordem Maçônica Mista Internacional “Le Droit Humain” (O Direito Humano) – Federação Brasileira
39. Ordem Maçônica Mística e Esotérica do Brasil – OMMEB
40. Poderosas Lojas Maçônicas Independentes do Brasil
41. Supremo Conselho Independente da Maçonaria do Brasil
42. União Mineira de Lojas Maçônicas Independentes - UNILOJAS
*Lojas independentes, livres, etc., que não se congregam em qualquer tipo de associação

Pesquisa e compilação: Hideraldo A. Teodoro M.'.I.’. -
 Publicada no Grupo Maçonaria do Brasil - Facebook
MARCOS FISZER

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

SESSÃO MAÇÔNICA (NAVAL) A CÉU ABERTO


No trabalho LOJAS MAÇÔNICAS MILITARES o Irmão Roberto Aguilar M. S. Silva, que anexo, menciona que “A Inglaterra foi o único pais a proteger integralmente a Maçonaria. Tanto o rei quanto a nobreza e a burguesia viam na fraternidade uma oportunidade de garantir seus interesses comerciais e políticos. Em 1732, o país deu um passo decisivo, com a criação de sua primeira Loja Militar, instalada no Primeiro Regimento da Infantaria. Em 1800, praticamente todos os regimentos possuíam Lojas. Na Marinha Real não foi diferente. Lojas Maçônicas funcionavam a bordo de diversos navios. Eram flutuantes e contribuíram incrivelmente para a disseminação da Maçonaria pelo mundo.”  E no ultimo 20 de dezembro de 2011, no navio “Mestre dos Mares” fundeado na baia de Santos, Oriente de  Santos/SP, a Loja Barão de Mauá Nº 3521, GOB-SP, do Rito Brasileiro, realizou SESSÃO NAVAL A CÉU ABERTO.

A sessão foi presidida pelo VM Orlando Rollo, estando presente o Sapientíssimo Grão Mestre Geral Adjunto do GOB Cláudio Roque Buono Ferreira, Grão Mestre do GOB-SP Mário Sérgio Nunes da Costa, Grande Regente do Rito Brasileiro Walter Alexandre Ferraz, Secr.: Geral de Comunicação e Informática Adj. do GOB Fernando Tullio Colacioppo Sobrinho representando o Secr.: Geral de Ed.: e Cult.: Maç.: - GOB Wagner Veneziani Costa, Secr.: Geral Adj.: do Interior do GOB Anibal Martinez, Secr.: Geral Adj.: de Ed.: e Cult.: Maç.: - GOB Cássio Araújo Borges da Silva, Secr.: Est.: Adj.: de Orientação Rit.: - GOB-SP Gerson Magdaleno, Garantes de Amizade Alferio Di Giaimo Neto, Jose Rosa de Souza Neto, José Cherington Boarin - Grande Secretário de Planejamento, Osiris Monteiro Blanco - Grande Secretário patrimônio, Carlos Roberto Giannecchini - Grande Secretário Adjunto de Patrimônio, Grande Secretário Adj.: Rel.: Públicas Túlio Sérvio Prata Ramos, Coordenador Distrital do GM Manoel Lauro de Pontes, Delegado Litúrgico - 2ª Delegacia do Rito Brasileiro - São Paulo Márcio César de Castro Morais, Gr.: Secr.: Relações Exteriores do Supr.: Conclave do Rito Brasileiro Ariovaldo Torresson, M:.I:.Coordenador distrital 9ª Reg.: GOSP Mario Roberto de Souza Ribeiro.

Alguns Irmãos foram laureados com patentes militares honorificas, ao Grão Mestre Geral Adjunto do GOB Irmão Cláudio Roque Buono Ferreira foi outorgada a patente de Almirante de Esquadra, ao Grão Mestre do GOB-SP Mário Sérgio Nunes da Costa a de Vice-Almirante, ao Grão Mestre Adjunto do GOB-SP Benedito Marques Ballouk Filho a de Contra-Almirante.

Gentileza del R:.H:. VÍCTOR MOREIRA MORAES.  São José dos Campos, SP



O RITO BRASILEIRO DE MAÇONS ANTIGOS, LIVRES E ACEITOS


É muito comum quando tratamos do RITO BRASILEIRO, ouvirmos alguns Irmãos afirmarem ser o Rito mais patriota dos praticados no âmbito do Grande Oriente do Brasil, realmente o RITO BRASILEIRO é o que traduz, sem qualquer dúvida, o espírito do Povo, ou melhor, dos Maçons Brasileiros, porem devemos considerar que todos os Ritos inspiram e buscam inculcar nos seus seguidores o Amor a Pátria, o cumprimento inflexível do Dever e a responsabilidade social dos maçons para com a humanidade.

Todos os Ritos procuram, através de seus ensinamentos, levar os maçons a uma reflexão sobre a trilogia que fundamenta a própria essência da Maçonaria: Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Existe uma maior lição de patriotismo que a representada neste triângulo, base ideal de qualquer sociedade e suas relações intrínsecas.

O que faz então com que os Maçons associem o Patriotismo ao RITO BRASILEIRO? Vamos tentar entender o por que, buscando uma síntese da história do RITO BRASILEIRO.

Um grande Maçom e brasileiro, o Soberano Grão-Mestre LAURO SODRÉ, sonhou com um Rito que fosse a expressão do espírito dos Maçons Brasileiros e unindo-se a outro grande Maçom e brasileiro, o Soberano Grão-Mestre NILO PEÇANHA, através do Decreto 500, em 1914, fundou o RITO BRASILEIRO. O Rito nasceu, portanto, da vontade de que fosse criado um Rito para os Maçons Brasileiros, não que os Ritos que vieram da Europa, como o Adonhiramita, o Francês Moderno, o Escocês Antigo e Aceito e o de York, fossem inadequados aos Maçons Brasileiros, mas era desejo daqueles pioneiros, a criação de um Rito que fosse o espelho da Alma do Maçom Brasileiro, um Rito que colocasse o Homem como centro da história e não como um mero protagonista.

Um Rito renovador que buscasse o desenvolvimento do Homem e o Progresso da Humanidade, o desenvolvimento nacional através do estudo e da busca de soluções para os principais problemas sociais que já incomodavam a Maçonaria daquela época.

O RITO BRASILEIRO, não foi criado para substituir os demais Ritos praticados no âmbito da Maçonaria Brasileira, mas, tomando por base exatamente esses Ritos que serviram para criar o Espírito Maçônico Brasileiro, é uma opção a mais aos Maçons, aqueles que buscam encontrar na Maçonaria uma visão desenvolvimentista e progressista da sociedade brasileira e um estudo dos problemas que impedem esse progresso e suas possíveis soluções.

Mas o Rito adormeceu, e somente em 1968, através Decreto 2080, foi reimplantado sob a orientação firme e segura do Soberano Grão-Mestre ÁLVARO PALMEIRA, que segundo conta o Eminente Grão-Mestre JOSÉ COÊLHO DA SILVA, afirmou categoricamente: "Vou reimplantar de forma definitiva o Rito Brasileiro de Maçons Antigos, Livres e Aceitos em 33 (trinta e três) graus, como expressão máxima da Maçonaria renovada".

ÁLVARO PALMEIRA, partiu então para um trabalho incansável, organizar e estruturar o Rito, inicialmente dedicou-se a base, aos três graus simbólicos, onde desenvolveu de forma ortodoxa a tradição e os postulados maçônicos universais, necessários à regularidade universal do Rito e ao aperfeiçoamento moral e cultural do Maçom. 

Contudo na formulação dos graus filosóficos procurou levar os Maçons ao Estudo, análise e Busca de Soluções dos grandes Problemas enfrentados pela humanidade, em especial aqueles afetos aos interesses da Pátria, mostrando a necessidade da evolução social, como forma concreta do bem estar dos povos. Procurou também, seguindo os postulados maçônicos, afastar dos graus superiores a superstição em todas suas formas, inclusive a religiosa, buscando a Fé Racional, fundamentada na Teologia, como expressão da característica Teísta do Rito.

Para alcançar esses objetivos fundamentais, o RITO BRASILEIRO desenvolve nos graus filosóficos uma estrutura caracterizada pela busca do desenvolvimento social do Homem, através do estudo e solução dos problemas enfrentados pela humanidade, para tal estruturou estes graus de forma que nos graus 4 ao 18, procura analisar o Homem como Indivíduo, estudando os valores sociais, culturais e morais, a pratica individual do bem, tendo como objetivo final a Perfeição Humana; nos graus 19 a 30, busca a análise do Homem como Ser Social, em suas intrincadas relações psicossociais, através do estudo das atividades humanas relacionadas basicamente ao trabalho, a agricultura, a indústria, ao comércio, a economia e a justiça, fundamentando-se nas ciências, nas religiões e na filosofia, buscando alcançar os meios para justa distribuição dos bens sociais, criando bases sociais seguras que conduzam a Pátria a Paz, a Ordem e ao Bem Estar Social;

nos 31 e 32, o Maçom é conduzido a análise do Homem como Cidadão, os Guardiões do Bem Público e do Civismo buscam, através do estudo da organização e estrutura das Nações, compreender os princípios basilares da Ordem Pública e Social, analisando as diversas expressões da Liberdade do Homem e dos Povos, dos Direitos e Deveres individuais e sociais, da prática da Política como forma de concretização dos objetivos nacionais e garantia da democracia, e do Civismo como expressão máxima do amor a Pátria; finalmente no grau 33 o Maçom é conduzido a imagem do Homem Ideal, síntese de toda esta trajetória, o Servidor da Ordem e da Pátria, não há maior Honra que Servir aos seus Semelhantes, a nossa Ordem e a Pátria.

Concluindo, esperamos haver conduzido os Ilustres Irmãos, neste curto passeio pelo RITO BRASILEIRO, a análise e possíveis conclusões do porque de muitos Irmãos associarem o RITO BRASILEIRO ao Patriotismo. Na verdade o objetivo fundamental do Rito é a formação do Maçom, do Homem, de seu tempo, preocupado com os problemas que afetam a Humanidade, em particular com a sociedade de que ele faz parte, que é capaz de buscar nos ensinamentos do passado, com as devidas atualizações, o conhecimento necessário para solução dos problemas atuais.

Um Maçom preocupado com o bem estar público e social, disposto ao combate a miséria, a imoralidade na gestão do bem público e a opressão social em quaisquer de suas formas alienantes e perversas, e a lutar pelo desenvolvimento social através da educação, da melhor distribuição de renda e do direito inalienável ao trabalho como fonte asseguradora da manutenção do indivíduo e de sua família.

O objetivo do RITO BRASILEIRO é formar UM HOMEM, UM BRASILEIRO, UM MAÇOM JUSTO E PERFEITO.

Por: Eduardo Gomes de Souza
Grau 33, Membro Extranumerário do
Supremo Conclave do Brasil do Rito Brasileiro de Maçons Antigos, Livres e Aceitos
Ex- Grão-Mestre do GOB-RJ
Contribuição do Irmão Wagner Sandoval

sábado, 21 de janeiro de 2012

CONFIANÇA NA ORDEM


Numerosos pedidos de ingresso na Sublime Instituição continuam a ser apresentados em nossas Lojas, registrando o interesse da sociedade brasileira, e a confiança que ela deposita nesta irmandade de homens livres e de bons costumes, que tem orientado a Nação em muitos  momentos históricos decisivos, e ainda se apresenta como herdeira, que é, de fato, de muitos usos e costumes procedentes organizações análogas da Idade Média e da antiguidade clássica.

O charme do mistério, como já foi dito, é poderosa força de atração que está sempre presente, na Maçonaria, e encanta àqueles que, dentro do coração sensível ao bem, conservam um ideal de aperfeiçoamento só alcançável por meios transcendentais, ou melhor, através do processo iniciático, o modo de crescimento que só se pode compreender praticando.

A esses novos adeptos do caminho maçônico, a esses novos caminhantes da vereda estreita, como futuros mestres da ordem, devemos oferecer todo apoio possível, em matéria de instrução graduada e cercada por grande noção de responsabilidade, tornando-os capazes de orientar as comunidades segundo os princípios do bem estar geral e da prevalência do espírito, conforme nossos estatutos.

Todos nós sabemos, o processo de admissão é rigoroso e invasivo. A sujeição de bom grado as nossas investigações pessoais revela um grau de adesão que pouco se encontra em outros lugares, principalmente ante a consideração das características do mundo moderno, com toda a sua coorte de maldades a inspirar o sentimento de desconfiança.

Os velhos mestres de Lojas são resultado da acolhida generosa e da aprendizagem correta proporcionada aos jovens de outras quadras. E esses mestres mais antigos estão destinados a ser substituídos justamente pelos neófitos de hoje, sedentos, todos, dos conhecimentos que a Arte Real tem em condições de transferir-lhes.

A iniciação do primeiro grau está resumida, simbolicamente, na cerimônia de admissão; é a culminação de um ato litúrgico onde certamente não estão fora as influências do Altíssimo com toda a sua energia da Onipresença o que inspira os Maçons, antigos e modernos, a considerarem, sem reservas, a universalidade da Maçonaria.

Marcos José da Silva
Grão-Mestre Geral – GOB 

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

FALANDO SOBRE A MAÇONARIA

Quando convidado a discorrer sobre algum assunto em reuniões festivas, com presença de profanos, procuro sempre encaminhar o assunto de modo que eles consigam entender melhor a Maçonaria.  Entendo ser sempre oportunidade ideal para divulgar a Ordem e sob certos aspectos desmistificar ou amenizar o termo “Sociedade Secreta”.

Em uma festividade com a presença de autoridades municipais e convidados escolhi como tema o que seria o mais simples e óbvio possível: “O que é a Maçonaria”.

Pedi licença para falar em tom coloquial e, assim, de improviso, adentrei pelo Artigo primeiro da Constituição do GOB, analisando cada item e, propositadamente e, não por coincidência chegar ao item dez que fala que “os maçons se comunicam por sinais, toques e palavras”.  Bem, isso eles querem saber!

Comparei com os cristãos dos primeiros séculos que se comunicavam e se identificavam também desse modo a fim de evitarem as represálias vigentes por parte dos Césares.  Lembrei-lhes do “sinal da cruz e do peixe” usados para se reconhecerem como cristãos.  A Maçonaria, assim como os primeiros cristãos também foi perseguida e seus membros necessitavam de uma proteção, daí os sinais de reconhecimento vigentes até hoje:

Contudo, como sou ousado, disse, não os deixaria sair da Loja sem que soubessem, finalmente qual era o maior segredo de nossa Ordem: “Senhores e senhoras, o que vou lhes dizer deve ser utilizado à vontade e, com certeza espalhado por quantos encontrarem: O Grande segredo da Maçonaria é a Amizade Fraternal que une todos os Irmãos pela superfície da Terra. Porém, esse segredo, não é privilégio de nossa Ordem; os grandes profetas como Jesus, Buda, Zoroastro, Hermes Trimegistus, etc.  já orientaram, através dos tempos para a sua aplicação.  Todos eles em diversos idiomas já disseram: “Amai-vos uns aos outros”. 

A Maçonaria através de sua filosofia sempre conseguiu aplicar esses ensinamentos; façam isso e serão felizes.

Rodrigo Otávio de Mattos – CIM 133.241 – M I.'.
É membro da ARLS José Bonifácio nº 0486 – GOB-RJ                                           

do Or.’. de Barra do Piraí – RJ.
 

AS POTÊNCIAS E LOJAS MAÇÔNICAS



Os Maçons se congregam em Lojas, que se organizam em potências. As lojas, que são a base fundamental, se constituem com um determinado número mínimo de membros, obrigatoriamente iniciados em uma loja regular de acordo com os Landmarks.

Essa tradição na formação de novas lojas mantém uma transmissão regular que vem dos tempos dos maçons medievais e foi assumida pela Maçonaria Moderna. Esta é a legítima e única regularidade maçônica.

Uma nova loja pode surgir sempre que o número de membros de alguma loja regular ultrapassar certo nível, definido de acordo com a região geográfica e os interesses de ampliação da Maçonaria. Em alguns casos, bastante raros, uma nova loja pode ser fundada por motivo de dissidências internas. Qualquer ato de fundação, contudo, dependerá sempre da autorização administrativa do Grão-Mestrado a que pretende se ligar.

Quando não há essa autorização a nova loja é considerada espúria e normalmente tem existência atribulada e curta. Essas lojas espúrias geralmente são fundadas com terceiras intenções e, por vezes, provocam escândalos prejudiciais ao bom nome da Ordem. Foi o caso da famosa Loja P2, na Itália.

As lojas são absolutamente autônomas quanto ao direcionamento de seus trabalhos, às suas atividades maçônicas internas e às atividades sociais externas. Fazem seus próprios estatutos que, depois de submetido à aprovação formal do grão-mestrado, passam pelo registro oficial para lhes dar personalidade jurídica legal.

Têm também seus próprios regimentos internos, que regulam o seu funcionamento administrativo. Ambos os documentos devem estar conforme os Landmarks e a constituição do respectivo grão-mestrado.

O grão-mestre somente pode interferir administrativamente nas lojas quando nelas se verificam práticas anti-maçônicas ou quando houver desrespeito formal ao regulamento geral do grão-mestrado, ou quando se ferirem os Landmarks.

Administrativamente as lojas se compõem em potências administrativas formadas por um determinado número mínimo de lojas. Estas potências são conhecidas como grandes orientes ou grandes lojas. Cada potência tem sua própria constituição cujo resumo, devidamente registrado, lhe dá também personalidade jurídica legal. Para seu funcionamento interno têm um regulamento geral, que regula também administrativamente o funcionamento das lojas.

As potências maçônicas têm sempre uma jurisdição territorial bem definida. Há grandes orientes nacionais que supervisionam os grandes orientes estaduais, ou regionais, chamados de grandes orientes confederados. É o exemplo do Grande Oriente do Brasil, um órgão superior administrativamente que supervisiona todos os grandes orientes estaduais confederados do Brasil.

Há os grandes orientes independentes, que não adotam o sistema federativo dos grandes orientes nacionais. Suas jurisdições podem abranger uma unidade administrativa de um país, como um estado no Brasil, ou apenas uma parte dela. As grandes lojas seguem o mesmo sistema dos grandes orientes independentes.

Os grandes orientes e as grandes lojas são administradas por um grão-mestre que é, administrativamente, a autoridade máxima dentro da sua jurisdição maçônica, exceção feita ao sistema de confederação dos grandes orientes nacionais, cuja maior autoridade é o grão-mestre geral.

Os grão-mestres são as instâncias últimas dentro da Maçonaria e não há nenhuma autoridade maçônica acima deles. Nem mesmo as confederações maçônicas, como a COMAB, no Brasil, podem interferir em seu âmbito administrativo. Acima deles estão apenas os Landmarks. Os grão-mestres devem seguir rigorosamente as constituições de seu grão-mestrado que, sempre aprovadas por colegiados, não podem ferir as tradições maçônicas e nem os Landmarks.

As lojas, por sua vez, são administradas por um venerável mestre, que é a autoridade máxima em sua loja em assuntos administrativos comuns previstos nos estatutos e no regimento interno. Decisões que extrapolem esse âmbito devem ser submetidas à aprovação da assembléia da loja, ou grão-mestrado.

Nem o grão-mestre, nem o venerável mestre, nem qualquer outro maçom componente de seus respectivos grupos administrativos e nem mesmo qualquer irmão individualmente podem se manifestar oficialmente em nome da Maçonaria, a não ser que, em cada caso, estejam especialmente autorizados por uma assembléia da loja ou do grão-mestrado. Essas autorizações, sempre especiais somente podem ser dadas em caráter excepcional e somente sobre assuntos gerais precisamente predeterminados, ou para situações e ocasiões especiais.

Dessa forma, quando alguma autoridade maçônica se pronuncia em público sem autorização, sobre assunto que não digam respeito aos poderes do seu cargo, ela o faz apenas em seu próprio nome e não em nome da Maçonaria ou dos maçons.

Essas disposições de organização e essa forma de exercício de autoridades fazem parte dos Landmarks e impedem que se possam travar diálogos de qualquer espécie entre a Maçonaria, como ordem, e outras instituições profanas. Esse é um dispositivo que mantém intacta a tradição maçônica moderna já por mais de três séculos.

Por: Ambrósio Peters, Contribuição do Irmão Carlos K. da Loja "União e Prosperidade" GOB-SC

QUERER – OUSAR – SABER – CALAR



Benedictus Dominus Deus noster qui dedit nobis signum

Irmão Iniciado:

Um forte querer vos impeliu a buscar admissão aos umbrais do Templo, aspirando receber a Luz, como outrora peregrinavam os buscadores, nas regiões do Oriente, também desejosos de obter a Iniciação nos Mistérios. Descendo à sombria câmara, fostes buscar no interior da Terra a Pedra Oculta – o encontro com o Eu real – como o Mestre que se recolheu ao deserto para vencer suas tentações. O terror do Umbral não vos causou medo, nem ao percorrer os caminhos largos e estreitos, guiado por mãos tão desconhecidas quanto as provas que vos aguardavam. Passando por Fogo, Terra, Ar e Água, seguistes o exemplo do Mestre que triunfou das tentações e foi servido pelos Anjos.

Por ousar vencer essas provas, a Luz vos foi concedida, como prêmio da Iniciação: Ali estava a Luz verdadeira, que alumia a todo o homem que vem ao mundo. Como mais um Iniciado, livre e aceito, tomai vosso lugar no Templo. 

No Oriente, o Mestre pouco a pouco vos desvelará os Augustos Mistérios da Tradição antiga, orientando para as obras de Luz o fruto da Árvore da Ciência do Bem e do Mal. Ousai fazer, e o Poder vos será dado. Mas lembre-se de sua responsabilidade: No dia em que comeres deste fruto, serás ferido de morte. Que o saber não lhe deslumbre, nem acirre sua vaidade, que é destruidora da Luz.

O saber vos tornará o Mestre de vosso próprio Templo, pois o Reino de Deus está dentro de vós. Para que o Negro em Branco, e o Branco em Vermelho, seja transformado, o Iniciado separa o sutil do espesso.

Domina os elementos e opera a quadratura do círculo, tornando cúbica a pedra que era bruta. Está, enfim, diante da Realização da Grande Obra, e agora só lhe resta calar.

Velai prudentemente a Verdade oculta nos símbolos e alegorias cujo real sentido a poucos é dado conhecer, para não entregardes as luzes do Conhecimento às contradições humanas. Não lanceis vossas pérolas aos porcos.

O silêncio é o testemunho de tudo o que vistes e aprendestes – é o fecho de ouro dos quatro verbos do Iniciado.

Texto anônimo gentilmente cedido por  Wagner Mello

O USO DA MAÇONARIA PARA VANTAGENS PESSOAIS



Quando pertencemos a uma instituição, entidade, clube ou a uma ordem, temos obviamente motivos para acreditar que, fazendo parte desse grupo, teremos certos privilégios e prerrogativas não extensivas àqueles que não pertencem a esse meio.

Essa é uma situação comum que atinge a todos os que participam de um grupo estruturado e organizado. Trata-se de uma sensação básica que pode ser tanto positiva quanto negativa. Positiva quando vista sob o ângulo da compreensão de limites e negativa quando interpretada erroneamente: quando uma pessoa pensa que pode tudo.

É necessário reforçar que privilégios e prerrogativas podem ser desculpas ou disfarces para a intransigência, a arrogância e a falta de respeito – proveitos e favores que requerem a atenção e a vigilância pessoal de cada um de nós.

Das Regras Legais

Todo sistema social organizado dispõe de leis próprias que estabelecem as condições de convívio e postura, da mesma forma como uma instituição ou ordem disciplina o modo de ser de seus integrantes para mantê-los coesos em seus princípios.

O homem, o cidadão, antes mesmo de abraçar uma instituição, deve respeito às leis de seu país e às normas de seu Estado ou Cidade, as quais ditam sua conduta na “vida profana”, que todo iniciado na Maçonaria sabe como é.

A Maçonaria, por sua vez, também tem suas regras estatutárias, que orientam e disciplinam os irmãos, os chamados landmarks, as mais antigas leis que regem a Maçonaria – são regras colecionadas por Alberto Mackey, como explica a literatura Maçônica.

Dentre os vinte e cinco landmarks maçônicos, podemos extrair três deles: aquele que reza a crença no Grande Arquiteto do Universo, o que exige respeito ao Governo Maçônico e o que diz: “todos os Maçons são absolutamente iguais dentro da Loja, sem distinções de prerrogativas profanas, de privilégios que a sociedade confere”.

Da obtenção de vantagens

Pela leitura do landmark da igualdade, não resta dúvida alguma de que os irmãos em Loja encontram-se nivelados. Entretanto, o objetivo desta reflexão é discutir quando um Maçom pode usar referida condição para obter vantagens pessoais na sociedade.

Todos têm plena noção de que respeitar as leis de seu país é uma obrigação, assim como respeitar as regras da Maçonaria como ordem institucional de funcionamento também o é. Mas até que ponto, externamente, tais fundamentos irão acompanhar o irmão Maçom?

Fazer parte da Maçonaria pode deixar alguém em evidência? Claro que pode.

O fato de eu ser Maçom pode estabelecer contatos a partir dos quais se originam trabalhos profissionais?

Sem dúvida, mas a Maçonaria não é um trampolim para uma coisa nem outra. Nada de mal há em aproveitar os frutos advindos naturalmente de sua participação na Maçonaria. Porém, merece censura aquele que faz da Ordem uma base para suas aspirações politiqueiras, por exemplo, sem estar realmente comprometido com os fins da instituição.

Cabe aqui ressalvar que a Maçonaria não é incompatível com a política, que se revela em sua origem histórica por seus feitos (Abolição, Independência e República). Inclusive, a Constituição do Grande Oriente do Brasil prevê ser um direito do Maçom solicitar o apoio dos Irmãos quando candidato eletivo no mundo profano (disposição mantida no atual projeto de Constituição aprovado pela AFL/GOB: Art. 31-XIII), contanto que seja combatido qualquer tipo de exibicionismo que possa comprometer a imagem da Instituição.

Mas..., e a Irmandade?

Parece claro evidenciar que a Maçonaria, como Fraternidade que é, assim existe para permitir que os irmãos se reconheçam e prestem ajuda mútua uns aos outros. Desse modo, todos aprendem a se reconhecer de uma maneira muito própria, por meio de um ensinamento transmitido de forma a assegurar a interação com outro Maçom.

A fraternidade humana é uma bandeira de luta da Maçonaria em prol da amizade entre os homens (o espírito da Ordem), como preleciona José Martins Jurado em sua obra Apontamentos Adonhiramitas (Madras Editora, 2004, p. 50).

Se há uma Fraternidade, então há uma intenção de apoio também, de um suporte que faça o Maçom se sentir seguro em poder contar com um irmão em uma situação mais delicada ou necessária.

Porém, é nesse ponto que reside a sutileza em diferenciar o “uso da irmandade” com o objetivo de buscar uma solução para uma situação de dificuldade do “uso da irmandade” como se fosse um privilégio ou prerrogativa para obter ganho ou vantagem pessoal.

“Como irmãos, os Maçons devem mútuo auxílio e socorro, até mesmo com risco de perigos e da própria vida”, como nos expõe José Martins Jurado em seus já citados Apontamentos, em uma referência ao inciso V do artigo 32 da Constituição do Grande Oriente do Brasil.

É importante não perder de vista, contudo, que a Ordem Maçônica não prega a vantagem para quem pertencer aos quadros de uma Loja. A assim chamada Arte Real direciona seus trabalhos nas oficinas para o aperfeiçoamento do homem, para o aprimoramento intelectual e moral e para a solidariedade.

A tolerância e o respeito mútuo são princípios que não se coadunam com a postura da “Lei de Gerson”, expressão popularmente cunhada e que explica muito bem o assunto aqui discutido, isto é, que a vida de um Maçom deve ser pautada por vantagens pessoais.

O Código Maçônico (ou os Mandamentos da Maçonaria Universal) institui que é dever detestar a avareza, porque quem ama as riquezas em demasia não tirará nenhum fruto delas e será tachado como egoísta.

A própria Constituição do Grande Oriente do Brasil, no inciso I do artigo 1º, inserido no capítulo que trata dos princípios gerais da Maçonaria e dos postulados universais da Instituição, “condena a exploração do homem, os privilégios e as regalias...”.

Nesse diapasão, se um Ir.´. esquece o ideal maçônico, o aperfeiçoamento moral, e valoriza mais seus interesses pessoais, apresentando-se como Maçom ou autoridade maçônica e usando seu status de membro da Ordem para obter algumas vantagens pessoais, ele poderá ser acusado de cometer um delito contrário aos princípios da Arte Real, de travestir os ideais de uma Loja em “casa de favores” em vez de “casa de valores”.

Portanto, sem dúvida alguma, pode-se dizer que citar os abusos em Loja evita acusações levianas ou destituídas de provas, que formam as fofocas, e impõe-se obviamente, garantindo-se o amplo direito de defesa, um princípio basilar de uma sociedade justa.

Para não passar desapercebido e, também, como verdadeiro sinal de alerta, não se deve olvidar que a sublime Ordem, conquanto não seja secreta, requer discrição. Partindo dessa premissa, não deve o Ir.´., na euforia de pertencer a uma arte tão nobre e antiga, sair contando a todos sua condição de Maçom, pois existem pessoas mal-intencionadas e oportunistas que podem tanto atacar a Ordem e combater o Maçom por pura ignorância, como tirar proveito da camaradagem.

Conclusão

Ser Maçom propicia orgulho, porque a Ordem Maçônica é firme, histórica e já produziu grandes feitos. A justiça é um de seus lemas, assim como a prática da virtude um de seus objetivos. Entretanto, essa virtude só será revelada se o Maçom agir dentro de limites, não imaginando que tudo pode pela simples condição de ser um Maçom, e sim que tudo poderá se seu desejo, pedido ou favor não oferecer constrangimento nem significar vantagem desnecessária ou indevida. Nesse caso, ele estará agindo respeitosamente à imagem da Arte Real, com ética e postura, e se mostrará temente aos ensinamentos maçônicos.



Laerte Silva- Loja Maçônica Cruzeiro do Itapeti do Oriente de Mogi das Cruzes nº 1725. 


quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

HISTÓRIA DO RITO BRASILEIRO



INTRODUÇÃO

Neste trabalho, não foi nossa pretensão reescrever a história do Rito Brasileiro, mas, simplesmente, repassar aos Irmãos os fatos tais quais eles se apresentam. Para tanto, utilizaremos as sábias palavras do nosso Irmão Álvaro Palmeira, um dos mais ferrenhos defensores da consolidação do Rito, que assim se expressou através de texto publicado no Documento do Rito Brasileiro nº 29, sobre o primeiro movimento maçônico para a formação do um Rito Nacional:

Em 1864 foi publicado em Paris - França, “Biblioteca Maçônica ou Instrução Completa do Franco Maçom”, de autoria do Irmão Miguel Antônio Dias, de origem portuguesa, que modestamente se disse “um cavaleiro Rosa Cruz”. Era usual, entre os grandes autores maçônicos essa modéstia”.

A “Biblioteca Maçônica ou Instrução Completa do Franco Maçom” é uma obra clássica, completa, em 2 volumes e 6 tomos, citada como consulta por todos quantos se ocupam de Maçonaria”.

Nessa obra são considerados os Ritos, então existentes em 1864.

O autor inicia o seu estudo pelo Rito Francês, parecendo ter-lhe simpatia, mas esclarece, no prólogo, em sua parte final o seu pensamento, com o seguinte apelo, que fez:

Prólogo:

"Não foi pretensão nossa inculcarmos antes o Rito Maçônico Francês do que outro qualquer, mas bem pelo contrário nós solicitamos aos OOLusitano e Brasileiro a fazer um RITO novo e independente que, tendo por base os Graus Simbólicos e comuns a todos os Ritos, tenha contudo os altos Graus Misteriosos diferentes e nacionais”.

“Convimos em que semelhante reforma, é contrária ao cosmopolitismo e à tolerância maçônica, mas também é verdade que, enquanto os Maçons forem bons patriotas e os povos fisicamente desiguais, a conservação de um Rito universal parece-nos quase impossível: talvez que um tão grandioso projeto só poderá ter realidade no vigésimo século”.

Assim termina o prólogo.

Os grifos são do próprio autor.

Era a antevisão do futuro. Somente no século XX o apelo realmente se tornou realidade.

Quando o autor se referiu aos Altos Graus “diferentes e nacionais”, não estava pretendendo criar uma maçonaria nacional, tanto que encareceu fossem os Graus Simbólicos do novo Rito “comum a todos os Ritos”. É precisamente neste ponto que se resguarda a unidade doutrinária da Ordem.

DESENVOLVIMENTO, TENTATIVA, FUNDAÇÃO, CONSOLIDAÇÃO E EXPANSÃO DO RITO BRASILEIRO

“Um Rito Maçônico, criado no ambiente de nossa Pátria, foi sempre uma aspiração do Maçom no Brasil. Essa aspiração evidenciou-se pela primeira vez, em 1878 EV, com a “Constituição da Maçonaria do Especial Rito Brasileiro”, em Pernambuco, tendo como seu fundador o Irmão José Firmo Xavier, que se condecorou com o imponente título de Grande Chefe Propagador “ad vitam” devendo ser, em caso de morte, substituído por um Grande Chefe Conservador.

Entre os papéis deixados pelo Imperador Pedro II e reunidos em dois códices pela Biblioteca Nacional, encontram-se a sua Constituição e a “Caderneta Nominal dos Sócios” (Quadro de Obreiros), com 838 assinaturas de Irmãos Maçons daquele Oriente àquela época e foi dedicado à proteção do Imperador e ao Papa”.

Embora várias outras tentativas fossem promovidas, o Rito Brasileiro só tomou impulso, realmente, com o Decreto nº 500, de 23 de dezembro de 1914, por iniciativa do General Lauro Sodré, então Grão-Mestre do Grande Oriente do Brasil, consolidando-o como Rito Regular, Legal e Legítimo, o que veio dar-lhe caráter decisivo e imperecível.

Através do Decreto nº 536, foi apresentada à Assembléia Geral, em sessão de 16 de outubro de 1916, a Constituição do Rito, que foi apreciada com citações de louvor, sendo promulgada em 1916/1917, passando, assim, a ser reconhecido, consagrado e autorizado, em todo o território nacional.

O Decreto nº 554, de 13 de junho de 1917, adotou e incorporou ao Patrimônio da Legislação do Grande Oriente do Brasil a 1ª Constituição do Rito Brasileiro, contendo sua Declaração de Princípios, Estatutos, Regulamentos, Rituais e Institutos.

Muitos movimentos foram realizados em prol do Rito e várias tentativas de fundação de Lojas foram feitas em alguns Estados mas não sobreviveram, por inexistência de uma Oficina Chefe do Rito, e/ou por falta de rituais impressos.

Em 1921, tentaram implantar o Rito, editando Rituais nos três Graus Simbólicos, haja vista que quando da fundação esses rituais não foram editados pelo Grande Oriente do Brasil. Na realidade, esses Rituais eram cópias quase fiéis do Rito de York, uma vez que um ano antes haviam sido traduzidos do inglês para o português e impressos pelo Grande Oriente do Brasil. Com os rituais prontos, a Loja Campos Sales, do Oriente de São Paulo, recém-fundada, passa a trabalhar no Rito Brasileiro, tornando-se assim a primeira Loja a trabalhar no Rito Brasileiro, porém por pouco tempo.

Outra tentativa deu-se no Oriente de São Paulo, em 1928, quando a Loja Ipiranga tentou trabalhar no Rito Brasileiro, também não obtendo sucesso. Através do Ato nº 1617, de 03 de agosto de 1940, é formada uma Comissão de sete membros para a reestruturação do Rito Brasileiro, que estava adormecido desde a década de 20, e através do Ato nº 1636, de 06 de fevereiro de 1941, é nomeada uma Comissão para a formação da Oficina Chefe do Rito, dela fazendo parte os Irmãos remanescentes da fundação do Rito em 1914, mais os Irmãos Álvaro Palmeira e Otaviano de Menezes Bastos, sendo, em 19 de abril de 1941, aprovada e publicada a Constituição do Rito Brasileiro, devidamente aprovada pelo Conselho Geral do Grande Oriente do Brasil.

A Oficina Chefe do Rito passou a chamar-se Soberano Supremo Conclave do Rito Brasileiro, sendo eleito para dirigir o Rito o Irmão Otaviano de Medeiros Bastos, que passou a ter o título de Soberano Grande Principal (hoje, Soberano Grande Primaz), e o Irmão Álvaro Palmeira, o título de Grande Propagador (hoje, Grande Regente). Porém, pela efemeridade das Lojas, o Rito entra em adormecimento.

A implantação definitiva e vitoriosa só ocorreu quando, através do Decreto nº 2.080, de 19 de março de 1968, o Irmão Álvaro Palmeira, então Grão-Mestre Geral, nomeou uma nova Comissão com amplos poderes de revisão e reestruturação do que fora feito até ali, a fim de pôr o Rito “rigorosamente acorde às exigências maçônicas da Regularidade internacional”, conferindo-lhe “âmbito universal, separando o simbolismo do filosofismo e constituindo-o em real veículo de renovação da Ordem, conciliando a Tradição com a Evolução”.

O Soberano Supremo Conclave do Brasil para o Rito Brasileiro foi reerguido em 25 de abril de 1968, com a aprovação da nova Constituição, e o Rito passou a ter nova denominação: Rito Brasileiro de Maçons Antigos, Livres e Aceitos.

Nesta mesma data é fundada a primeira Loja Simbólica do Rito Brasileiro nessa fase de reimplantação, a Loja Fraternidade e Civismo, no Oriente do Rio de Janeiro (à época, Guanabara), que passou a ser a Loja Primaz do Rito Brasileiro. Por este motivo, ficou consagrado o dia 25 de abril como o Dia Nacional do Rito Brasileiro.

No mesmo ano, são fundados as Lojas Araribóia (Niterói-RJ, em 04 de maio) e Castro Alves (Salvador-BA, em 07 de maio); e a Loja Labor e Civismo (Cataguases-MG, em 24 de maio) muda do Rito Francês para o Rito Brasileiro, tornando-se a quarta Loja do Rito. No dia 1º de junho, o Boletim Oficial do Grande Oriente do Brasil publicou a aprovação, pelo Conselho Federal da Ordem, da Constituição do Rito Brasileiro.

Em 10 de junho, é assinado o Tratado de Aliança Maçônica entre o Grande Oriente do Brasil e o Supremo Conclave do Brasil para o Rito Brasileiro, ratificado pela Assembléia Federal Legislativa em 27 de julho de 1969. Em 24 de junho de 1968 o Irmão Álvaro Palmeira passa o Primeiro Malhete da Ordem ao seu sucessor e passa a dedicar-se exclusivamente ao Rito Brasileiro, que deixara totalmente constituído, com sua Oficina Chefe funcionando, e com quatro Lojas Simbólicas também funcionando.

A partir de sua reestruturação ocorrida em 1968, o Rito Brasileiro passou a se expandir pelo Território Nacional, formando Lojas Simbólicas e Oficinas Litúrgicas, constituindo, hoje, o segundo Rito mais praticado no Brasil, estando presente em quase todos os Estado da Federação, à exceção dos Estado do Amapá, Pará e Rio Grande do Norte, e marcando maior presença nos Estados da Bahia (44 Lojas), Rio de Janeiro (29 Lojas) e Minas Gerais (24 Lojas).

O crescimento e fortalecimento do Rito Brasileiro devem-se ao trabalho realizado pela sua Oficina Chefe, nas pessoas de seus Soberanos Grandes Primazes, como também o fora com o Soberano Irmão Álvaro Palmeira.

Bibliografia:

Constituição, Estatuto e Regulamento Especial do Supremo Conclave do Brasil para o Rito Brasileiro. Princeps Gráfica e Editora. ed. 1976.

Mota, Willian Felício da. Rito Brasileiro: Normas - Ritualística e Estrutura. Gráfica e Editora Pontual 1a. ed. - 2002.

Relatório Anual do Exercício de 2005 - Boletim Oficial Especial do Grande Oriente do Brasil.

Guia de Lojas do Grande Oriente do Brasil. Ed. GOB. ed. 2004.

Figueiredo, Joaquim Gervásio de, 33 - Dicionário de Maçonaria - Ed. Pensamento - 4ª ed. - 1989/1990.

Camino, Rizzardo da. Dicionário Maçônico. São Paulo. Ed. Madras. ed. 2001.

Ferreira, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Ed. Nova Fronteira 1ª ed. (14ª impressão).

Dicionário Escolar da Língua Portuguesa. FENAME - MEC - 11a. ed. – 1981.

Trabalho sobre a história do Rito Brasileiro escrito pelo Irmão E. R. Carneiro, membro da ARLS. Guatimozim nº 2.107 do Oriente de Brasília.

A FLAUTA MÁGICA – WOLFGANG GOTLIEB MOZART



“Hilfe!”, “Hilfe!”, “Hilfe!” – A ópera começa com a entrada de Pamino, esbaforido, gritando por socorro num bosque desconhecido. Antes de entendermos do que foge, esta maneira de começar a peça musical denota o estabelecimento de uma marca: vamos entrar num terreno iniciático, diferente do cotidiano regular.

Fugia de uma serpente de uma enorme serpente, pronta para devorá-lo. Acaba desfalecendo e é salvo por três Damas da Rainha o observam em segredo e correm a dar a notícia de sua chegada ao reino da Rainha da Noite. Entrementes, um caçador de pássaros, Papageno, entra em cena e, vendo a carcaça da serpente acaba assumindo a autoria da salvação diante de um atônito Tamino. Quando este se encontra no auge de sua fanfarronada, chegam as três Damas novamente, bem a tempo de pegá-lo mentindo. Papageno é castigado e elas, na condição de porta-vozes da Rainha da Noite, dão as boas vindas a Pamino e contam a história de Pamina. A jovem e bela princesa, filha da Rainha da Noite, seqüestrada pelo perverso Sarastro, um poderoso feiticeiro, em cujo castelo a mantém cativa. Elas entregam um retrato de Pamina enviado pela própria Rainha da Noite a Tamino, que imediatamente se apaixona pela beleza da princesa.

Tamino canta uma ária em louvor à beleza de Pamina. Nisso a Rainha da Noite, um ser sobrenatural que usa um véu negro, surge diante dele. Ela confirma a história contada por suas três Damas, fala da perda de sua filha para Sarastro e roga a Tamino que liberte sua filha das garras de Sarastro. Apaixonado, Tamino decide empreender a tarefa imediatamente.

A Rainha, usando seus poderes mágicos oferece ao príncipe uma arma: uma flauta dotada também de poderes sobrenaturais. Sempre que enfrentar quaisquer perigos bastará tocar esta flauta mágica que todos os obstáculos serão vencidos. A Rainha recruta ainda Papageno para auxiliar Tamino nesta tarefa e lhe dá como arma um “glockenspiel”, um pequenino carrilhão que imita sons de sinos. Como auxiliares em sua longa jornada, ambos contarão ainda com três Gênios da Floresta que os ajudarão a encontrar Sarastro e Pamina, assim como a superar dificuldades que surjam.

Saem os heróis principais, armados com seus instrumentos, guiados pelos três Gênios da Floresta.

Pamina é mantida prisioneira sob a guarda de três escravos liderados pelo mouro Monostatos, serviçal de Sarastro. Monostatos a deseja e, dominado por intensa sensualidade tenta por todos os meios seduzir Pamina. No interior do palácio, Monostatos avança mais uma vez sobre Pamina quando Papageno entra em cena. Ambos se assustam.

O mouro foge da presença da estranha figura do caçador de pássaros. Pamina, aliviada do assédio de Monostatos, conversa com Papageno, que se apresenta como embaixador da Rainha da Noite – fazendo a princesa feliz – e conta os planos de sua mãe para libertá-la. Pamina fortalece suas esperanças na libertação ao saber que um jovem e belo príncipe se encontra a caminho para tirá-la das garras do poderoso Sarastro.

Ignorando a real história de seu cativeiro, a real personalidade de Sarastro e seguem as orientações da Rainha da Noite, cujas intenções também ignoram. Quando pela primeira vez se encontram, por sinal, Pamina e Tamino cantam em dueto uma belíssima ode ao amor sublime entre um homem e uma mulher.

Entrementes, Tamino, guiado pela magia dos três Gênios da Floresta, chega aos domínios de Sarastro. Antes de prosseguir na sua missão, recebe ele a recomendação de observar três virtudes essenciais: firmeza, paciência e sigilo. “Empenhe-se como verdadeiro homem e conseguirá seu objetivo”. Pamino chega a um bosque no qual se erguem três templos muito belos. Colocados lado a lado, no da esquerda está escrito “Natur” – Templo da Natureza, “Weisheit” – Templo da Sabedoria – “Vernunft” –Templo da Razão.

Em dúvida sobre qual dos templos detém o ideal que busca e já partindo para o processo de tentativas, Tamino está prestes a bater à porta do Templo da Natureza quando escuta um coral que lhe barra a entrada dizendo: “Zurük” – para trás! A seguir prestes a bater à porta do Templo da Razão escuta novamente: “Zurük” - para trás! Finalmente, ao bater à porta do Templo da Sabedoria a porta se abre e um velho sacerdote, ricamente trajado em vestes brancas e com voz suave se dirige a Tamino: “Que traz você aqui, jovem audacioso? Que procuras neste local sagrado?” Tamino lhe revela suas intenções: quer libertar a princesa Pamina das mãos do cruel feiticeiro Sarastro.

O Sacerdote percebe que Tamino é movido pelo Amor mas que está mal informado acerca de Sarastro. Passa a buscar desfazer a imagem errônea que dele faz Tamino. Este insiste em saber onde a princesa se encontra tendo por toda a resposta o silêncio. Fica aliviado ao saber, contudo, por vozes estranhas ao templo, que ela ainda vive. O sacerdote se afasta e Tamino agora resolve tocar a Flauta Mágica, sua arma salvadora.

Papageno, ao longe, ouve o som e lhe responde com a sua flauta de caçador de pássaros. Fica imaginando se Papageno teria encontrado Pamina. Em instantes Papageno entra em cena com Pamina – livre de suas correntes – orientado que fora pelo som da Flauta Mágica. Monostatos segue a ambos, com auxílio dos escravos e os alcança já próximos de Tamino. Estão prestes a aprisioná-los quando Papageno se recorda de sua arma mágica, o “glockenspiel”, e o toca. Ao som de uma dança alegre e saltitante os bandidos saem dançando, como que enfeitiçados.

Pamina, Tamino e Papageno estão respirando aliviados quando um som de trombetas anuncia a chegada de Sarastro. Papageno teme por sua sorte e Pamina julga-se perdida. Afinal, acabara de fugir de Monostatos, que o mantinha cativa por ordem de Sarastro.

O séqüito de Sarastro chega ao local em que se encontram. Sarastro, saudado pelo coral, entra em cena. O coral diz: “O homem sábio o aclama, o falso aprende a temê-lo. Com paciência ele nos guia para a Sabedoria e para a Luz. Pois ele é nosso líder, proclamando a retidão.”

Monostatos conta a Sarastro a sua versão dos eventos recentes. De como aquela “estranha ave” – Papageno – o havia surpreendido e retirado Pamina de seus olhos. Sarastro compreende tudo e ordena que dêem “77 chibatadas” nos pés de Monostatos, que sai carregado por outros escravos para a sua punição.

Pamina se aproxima do Grão Sacerdote Sarastro e confessa sua transgressão, seu desejo de escapar para voltar ao convívio de sua mãe. Revela ainda o assédio que vinha sofrendo por parte do mouro Monostatos. Sarastro informa compreender suas intenções e que não poderia se interpor entre ela e seu anseio de amar. Ressalta, contudo, que não poderá, ainda, libertá-la. Revela quem de fato é sua mãe e seus planos para destruir a fraternidade de Ísis e Osíris – propõe-se a manter Pamina a seus cuidados e dos membros daquela fraternidade.

Papageno e Tamino percebem que tinham uma impressão equivocada sobre Sarastro, impressão neles inculcada pela Rainha da Noite, e agora, admirados com Sarastro e a irmandade de Ísis e Osíris manifestam sua vontade de também serem membros. Sarastro lhes informa que, neste caso, deverão passar por um julgamento e uma série de provas a fim de que sejam aceitos. Têm início aqui os preparativos para a Iniciação de Tamino e de Papageno que, com a cabeça recoberta por espessa venda, saem de cena.

Chegamos ao final do I Ato.

O II Ato começa num bosque com desenhos estranhos e uma pirâmide truncada ao fundo. Dezoito sacerdotes se posicionam em três pontos da cena, à esquerda, à direita e ao fundo. Sarastro, de pé ao centro, abre a reunião anunciando: “Iniciaremos neste Templo da Sabedoria, servos de Ísis e Osíris. Com alma pura eu declaro a todos vós que esta assembléia é uma das mais importantes do nosso Templo.

Tamino, filho de um rei, vinte anos de idade, está à porta de nosso Templo.” Três dos sacerdotes se levantam, um a cada vez. O primeiro questiona: “Ele é virtuoso?” pergunta o primeiro. “Ele é discreto?” pergunta o segundo. “É um homem caridoso?” pergunta o terceiro. Sarastro responde afirmativamente a todas as questões e pergunta se todos concordam com a iniciação, devendo manifestar-se erguendo uma das mãos. O grupo de sacerdotes que se encontra à esquerda o faz e mantém-se assim enquanto a orquestra entoa uma nota constante. A seguir, o mesmo para o grupo que está à direita e, finalmente, o grupo que está ao fundo, pontuados por uma mesma nota cada, totalizando três toques. Sarastro encerra a reunião cantando uma ária em que invoca a proteção de Ísis e Osíris.

Os dois iniciandos estão prontos para o cerimonial. Este tem início com Tamino e Papageno conduzidos por um sacerdote cada um, no átrio do Templo. Desvendado, Tamino reafirma sua intenção de galgar a sabedoria e ter como recompensa o amor de Pamina. Quando questionado pelo Orador, emite respostas simples, firmes e diretas. Papageno contudo, questionado pelo sacerdote, manifesta-se apenas ansioso pelos prazeres da vida: “comer, dormir e beber. Isto é bastante para mim. Se possível, ter uma bela esposa.

”O Orador dá a palavra final: aconteça o que acontecer daqui para frente ambos terão de manter silêncio absoluto. Se violarem esta ordem estarão perdidos. Orador e Sacerdote previnem a ambos quanto às malévolas tentações femininas. Logo que estes saem, deixando os dois sozinhos com suas meditações, entram as três Damas da Rainha da Noite que advertem os dois sobre o perigo que correm se permanecerem naquele lugar. “Tamino, certamente a morte o aguarda. Papageno, você está perdido para sempre.” Apavorado, Papageno começa a tagarelar e é por várias vezes repreendido por Tamino que lhe faz recordar o que ambos prometeram aos sacerdotes. Diante das três Damas, Tamino mantém silêncio e elas se vão. A prova termina com os sacerdotes entrando em cena e informando que Tamino vencera aquela etapa.

Na cena seguinte, vemos Pamina a ser preparada para a sua Iniciação. Pamina está adormecida no jardim do palácio de Sarastro. Monostatos surge para mais uma vez tentar seduzir a jovem. Canta a sua paixão pela beleza da princesa. A Rainha da Noite surge em meio a trovões fazendo Monostatos esconder-se amedrontado. Ao perguntar a Pamina sobre o destino do jovem que ela lhe havia enviado a filha retruca que este será iniciado na fraternidade de Ísis e Osíris. Percebendo a gravidade da situação a Rainha, sabedora de que Pamina também está enredada pela fraternidade dos iniciados, entoa a magnífica “Ária da Vingança”, um desafio para a soprano que o interpreta. Extravasa toda a sua cólera contra Sarastro e seus seguidores. Entrega um punhal à filha com a recomendação de que assassine seu inimigo mortal.

A Rainha da Noite desaparece tão misteriosamente como havia surgido. Monostatos, que se ocultara diante da aparição da Rainha, reaparece e toma o punhal das mãos da princesa ameaçando-a caso não se entregasse a seu apetite sensual. Exatamente no momento em que ele tenta possuir a jovem, Sarastro entra em cena, compreende o que se passa e repreende Monostatos. Este sai, ficando Sarastro e Pamina a sós. Este revela a Pamina que já conhecia os planos de vingança da Rainha da Noite contra ele e a fraternidade de Ísis e Osíris. De sua parte, numa bela ária, Sarastro mostra quais são as armas de que dispõe para derrotar a Rainha:

“Em nosso sagrado templo,

A vingança é desconhecida,

E aqueles que se desviam do dever

O caminho lhes é mostrado com amor

Com ternura são levados pela mão fraterna

Até encontrarem, com alegria, um lugar melhor


Dentro de nossa sagrada maçonaria,

Por laços de amor estamos unidos

Cada um perdoa o seu próximo

Aqui não há traição

E aqueles que desprezam este nobre plano

Não merecem ser chamados de homem.”



Com esta ária, de forma serena e firme, Sarastro ressalta a diferença entre o que a Rainha da Noite diz e o que a fraternidade de Ísis e Osíris realmente representa. Pamina conhece agora a face da verdade: a crueldade e os propósitos de vingança da Rainha da Noite estão em vivo contraste com a serenidade e o equilíbrio, temperados com o mais sincero amor fraternal revelados por Sarastro. Aqui se encontra o clímax da ópera, a universal confrontação da Luz contra as Trevas.

Na próxima cena, Tamino e Papageno prosseguem em suas provas. Ambos devem continuar guardando o mais absoluto silêncio, conforme recomendação do Orador e do Sacerdote. Para Papageno um teste estranho: surge a seu lado uma mulher muito velha coberta por um capuz e uma longa capa que, ocultando sua face e suas formas. Puxando conversa com ele e revela que tem dezoito anos e que seu namorado se chama Papageno. Vai revelar o seu nome quando desaparece num alçapão. Espantado, puxa conversa com Tamino, que sucessivas vezes o repreende. Tamino será submetido à prova ainda mais difícil: Pamina entra em cena e lhe dirige palavras de amor, mas ele está impedido, por seu juramento de silêncio, de dirigir-lhe a palavra. Ambos sofrem muito com esta situação. Tamino desejaria falar-lhe, mas está impedido. Pamina julga, desconcertada, que Tamino lhe renega seu amor. Chorando convulsivamente, deixa a cena com Tamino sofrendo muito pela dor que, involuntariamente, impôs à princesa.

Seguem as provas. Agora, no interior do Templo, Sarastro e outros sacerdotes entoam um coral em louvor a Ísis e Osíris. Tamino e Pamina são trazidos à sua presença. Faz-se silêncio em toda a assembléia. Sarastro previne a ambos que ainda deverão se submeter a outras provas. O casal deve despedir-se com um adeus pois agora o príncipe deve submeter-se à prova final – e seu futuro é incerto. Papageno também entra em cena e o sacerdote que o acompanha lhe diz que, embora não tenha sido bem sucedido na prova anterior, os deuses estavam dispostos a satisfazer-lhe um desejo. Ele pede um copo de vinho. A seguir recorda-se, numa alegre ária, Papageno canta seu maior anseio maior: que lhe seja concedida uma bem-amada, tão ansiosamente aguardada. A mesma velha de antes surge e informa que ele tem duas alternativas: casar-se com ela ou morrer. Ele se decide a aceitá-la e, como por encanto, ela se transforma numa jovem linda, a Papagena. Papageno corre a abraçá-la e é contido pelo sacerdote que lhe adverte: “Afaste-se, jovem! Você ainda não tem este direito!” E sai com a bela jovem deixando Papageno só e desolado.

Pamina, por sua vez, encontra-se num aprazível jardim envolvida por pensamentos melancólicos. Não tem certeza do amor de Tamino e, sentindo-se abandonada, pensa em suicidar-se utilizando o punhal que a mãe lhe dera. Surgem os três Gênios da Floresta, que buscam dissuadi-la daqueles maus pensamentos com a revelação de que Tamino está se submetendo a provas a fim de se unir a ela. Eles recomendam que Pamina os siga e verá Tamino em sua prova final.

Tamino está próximo ao Templo, onde se vêem duas cavernas – uma de cada lado do palco – com um portão gradeado. No centro, uma escada conduz a uma porta onde estão postados dois guardas armados. Os guardas cantam em dueto:



“Aquele que andar

Por estes caminhos

Cheios de dificuldades,

Terá de passar pelas provas

Do fogo, da água, do ar e da terra

E, se vencer

O temor da morte

Como que deixará a terra

Em direção ao brilho do céu.

Iluminados, coração e mente,

Empenhar-se-ão pelo direito

E no sagrado rito de Ísis

Encontrarão a verdadeira luz.”


Os dois guardas, avisando-lhe dos perigos, exortam à coragem de Tamino e Pamina no início destas provas. Tamino segue firme em seu propósito e informa que nenhuma ameaça pode amedrontá-lo.

Tamino prepara-se para enfrentar a primeira prova, a prova do fogo. Pamina se aproxima dele para participar também desta prova. Ambos entram na caverna por onde saem labaredas de fogo. Tamino, tocando a Flauta Mágica, passeia com desenvoltura em companhia de Pamina, pelas chamas que vão desaparecendo. A seguir atravessam por uma torrente de águas como de uma grande cachoeira sem que nada lhes aconteça, graças ao mágico som da Flauta. Ao retornarem vitoriosos são saudados por um coral de sacerdotes, Sarastro à frente, que se rejubilam com os iniciandos.

Próximo dali, Papageno ainda está atormentado, desconsolado sem a sua sonhada bem-amada. Canta com saudade e diz, diante de uma forca, que contará só até três para que Papagena reapareça. Papageno está prestes a suicidar-se quando surgem os três Gênios da Floresta que exortam-no a tocar seu “glockenspiel” e assim fazer com que Papagena volte. Ele se recorda de seu instrumento mágico, toca-o e Papagena surge magicamente, tendo início o delicioso dueto “Papagena-Papageno.”

Na cena final vemos a chegada da Rainha da Noite, das três Damas e de Monostatos, que havia passado para o lado da Rainha a fim de, usufruindo de seus poderes mágicos, chegar a seu intento: seduzir Pamina. A Rainha, ensandecida ao ver Pamina e Tamino agora iniciados e membros da fraternidade que odiava, tenta invadir os domínios dos iniciados para derrotá-los definitivamente. Chegam em meio a densa treva, os invasores portam tochas. Nesse instante, tem lugar uma grande tempestade, com raios e trovões, que obriga os invasores a se dispersarem. A noite vai aos poucos dando lugar à aurora. O sol surge e o ambiente ganha cada vez mais luz. Sarastro, o Grande Sacerdote, surge cercado pelos irmãos e sacerdotes e canta:

“A glória do dourado Sol,

Conquistou a noite.

O falso mundo das trevas

Conhece agora o poder da luz.”
Um majestoso coral encerra a ópera com louvores a Ísis e Osíris e aos iniciados:

“Salve, novos iluminados!

Passastes pela noite

Louvamos a ti, Osíris.

Louvamos a ti, Ísis.

Pela força são vitoriosos

São dignos da coroa

A beleza e a sabedoria

Haverão de iluminá-los como o Sol.”


Lázaro Curvêlo Chaves

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