sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

REALMENTE AINDA VALE A PENA SER MAÇOM?


No Oriente Eterno, sob o céu de estrelas fixas, onde o Compasso traça círculos de mistério, pergunto ao eco das colunas B e J, no átrio da entrada do Templo:


“Realmente ainda vale a pena ser Maçom?”

O mundo gira em turbilhões de luzes falsas: telas que hipnotizam, ouro que escorre como areia, homens acorrentados a correntes invisíveis, vendendo a alma por likes, relacionamentos virtuais e efêmeros, cheios de promessas vazias.

E a Loja? Ainda pulsa com o malhete do Venerável em sua condução? Ou tornou-se uma relíquia empoeirada, esquecida no porão do tempo?

Lembro-me do primeiro toque da Espada da Justiça, fria contra o peito nu, colocada pelo Irmão Sacrificador, quando adentrei o Templo e firmei a promessa de retificar as arestas espiculadas de minhas intolerâncias; de lapidar a pedra tosca e bruta que sou, transformando-a em pedra polida e perfeita.

Mas e hoje? Nas ruas de nossas cidades ainda nos deparamos com Irmãos de corações ávidos e sequiosos de ações que só víamos no passado longínquo? Vemos muitos deles desanimados, dizendo que o suor do trabalho maçônico está minguando em contratos frágeis, num desfilar de arrogância sob uma falsidade de ações vãs e efêmeras — os famosos pombos de avental.

Eles ostentam suas alfaias brilhantes e reluzentes, que falsamente ornamentam um suposto realizador de benefícios à humanidade. Na realidade, apenas tornam expoentes suas frívolas vaidades pessoais.

Surge, então, a pergunta que é objeto deste ensaio:

Vale ainda a pena usar o avental branco de eternos Aprendizes como sinal de reconhecimento?

Hoje vemos muitos profanos — inclusive alguns de avental — zombando:

“A Maçonaria tornou-se uma sociedade discreta de velhos, paquidérmicos, neolíticos, que vivem sonhando com uma Ordem institucional que não mais existe.”

Riem das luvas brancas, dos rituais e dos ritos praticados. Ignoram que o segredo não é conspiração, mas o silêncio sagrado da alma em construção.

Na Câmara de Reflexão, o crânio nos encara, lembrando a finitude: pó ao pó, luz a luz. Ser Maçom é morrer para renascer; passar pelo túmulo simbólico rumo ao Templo Interior. Vale a pena quando o mundo grita egoísmo e nós, Irmãos, tecemos a corrente de união.

No Grau de Aprendiz, aprendemos, na humildade, a medir o esquadro da virtude contra o compasso do desejo. No Grau de Companheiro, o esquadro da razão corta excessos; e, no Grau de Mestre, o Delta luminoso ilumina o abismo.

Mas e se a Loja se transforma em clube social, em festas vazias, sem o fogo do simbolismo? Pergunto aos amados e verdadeiros Irmãos:

Hiram ainda vive realmente em nós?

O Mestre assassinado, que não traiu o segredo, ensina que a fidelidade é mais que palavras. Vale a pena resistir à apostasia moderna, quando Templos caem e Irmãos se perdem na escuridão?

Aqui aparece ao lado do sonhador que sempre fui e sempre serei:

Sim, vale!

Porque a Maçonaria não é relíquia; é chama perene no coração do buscador. No silêncio da meditação, sob o olhar do Supremo Arquiteto dos Mundos, encontro a resposta: ser Maçom é ser livre.

Livre das paixões baixas, das vaidades tolas; construtor de pontes entre o visível e o invisível. Vale a pena erguer o Templo da Humanidade, pedra por pedra, com mãos calejadas de amor.

No Brasil das desigualdades e dos sonhos partidos, a Maçonaria clama:

“Luz, mais luz!”

E se o mundo profano dúvida, que duvide. Nós marchamos ao ritmo do malhete eterno, vestindo o avental da pureza e o colar da sabedoria — não como alfaias, mas como expressão de um coração sensível ao bem que habita o peito do verdadeiro iniciado.

Realmente vale a pena?

Pergunte ao seu coração. Se ele pulsa com o anseio pela Verdade Absoluta, então sim, Irmão: a Loja te espera, aberta. Na sua Loja e em todas as outras, onde o espírito ascende no eterno caminho da evolução pessoal.

Seja Maçom. Lapide-se. Ilumine-se.

Porque, no fim, o que vale é a Obra Interna: o Templo que ninguém destrói — você mesmo.

Atualmente, vemos neste orbe terrestre o caos aparente de sombras dançantes. Mas isso é apenas a tela para o Grande Arquiteto traçar Sua sinfonia. A Maçonaria é o farol que desperta o sonâmbulo.

Nas Lojas vivas, o malhete pulsa como um coração cósmico, chamando almas para o Grande Trabalho eterno.

Concluindo: ainda vale, sim, realmente a pena ser Maçom — para aqueles que entronizaram em seus corações a verdadeira Luz que vem do Alto. Quanto aos curiosos, aventureiros, néscios, oportunistas e vazios de iluminação interior, certamente não. Para esses, jamais valerá a pena, pois nunca foram realmente dignos de serem reconhecidos como tal.

Dário Angelo Baggieri-MM

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