A antiga inscrição do Templo de Delfos dizia: “Conhece-te a
ti mesmo.”
Séculos depois, essa continua sendo uma das maiores e mais
difíceis tarefas do ser humano.
Conhecer o mundo é importante. Conhecer os outros também.
Mas talvez o maior desafio seja olhar para dentro de si mesmo com honestidade
suficiente para reconhecer virtudes, defeitos, limites e potencialidades.
Foi justamente nesse caminho que Carl Jung desenvolveu a
teoria da Sombra. Segundo ele, todos nós carregamos uma parte oculta da
personalidade: medos, ressentimentos, vaidades, preconceitos, inseguranças e
impulsos que preferimos não enxergar. Não porque sejamos maus, mas porque somos
humanos.
A sombra não é formada apenas pelos defeitos que escondemos
dos outros. Muitas vezes, ela é composta pelos defeitos que escondemos de nós
mesmos.
E talvez aí esteja uma das mais belas conexões entre a
psicologia junguiana e a Maçonaria.
Quando ingressamos na Ordem, recebemos a missão simbólica
de lapidar a Pedra Bruta. À primeira vista, imaginamos que essa pedra
representa apenas nossos vícios mais evidentes. Com o passar do tempo, porém,
descobrimos que as arestas mais difíceis de aparar são justamente aquelas que
não conseguimos ver.
A vaidade que criticamos nos outros.
A intolerância que condenamos.
O orgulho que apontamos.
