Gostaria de dedicar um momento para falar sobre um assunto que todos nós
já refletimos ou discutimos em algum momento das nossas trajetórias maçônicas.
Como Venerável Mestre, testemunhei o surgimento e o declínio de muitas
carreiras maçônicas e questionei-me frequentemente se existe um momento
decisivo, um ponto de viragem que determina a permanência ou a rejeição.
“Porque é que os irmãos perdem o interesse pela Maçonaria e o que podemos
fazer para reacender essa chama?”
Em que momento os nossos próprios pensamentos começaram a vacilar?
Existe um ponto de viragem na vida de cada Maçom; um momento em que a
alegria de ser membro da nossa nobre Ordem começa a diminuir. Um momento em que
nos esquecemos do propósito da nossa existência.
É neste ponto que perdemos a perspectiva do candidato que um dia fomos e
nos tornamos meros espectadores da Maçonaria, em vez de participantes. Quando
isto acontece, perdemos a perspectiva do candidato e deixamos de procurar novas
luzes.
No início, a Maçonaria era excitante e nova. Chegamos à Ordem como
candidatos ávidos dos seus mistérios e, a cada novo grau conquistado, sentíamos
orgulho e realização ao desvendar os véus dos seus mistérios para revelar os
seus antigos segredos, cada revelação impulsionando-nos ainda mais a procurar
mais luz. Mas, por vezes, depois de atingirmos o sublime grau de Mestre Maçom,
muitos de nós atingimos um patamar e tornamo-nos complacentes nas nossas
viagens maçônicas.
Um participante é ativo; engajado. A sua mente é influenciada pela soma de
tudo o que estuda processando-o; refina o seu caráter em direção ao louvável
objetivo de se tornar um homem melhor. Ele exprime a própria quinta-essência da
Maçonaria no pensamento e na ação pela retidão da sua conduta e pelo
aperfeiçoamento do seu caráter, tornando-se o Aparelho Perfeito.
Um espectador, por outro lado, é passivo; desinteressado, a sua mente
distraída por mil impulsos errantes que o afastam do caminho de platina.
Perdido no caminho para a iluminação maçônica e já não um candidato adequado
aos seus mistérios, é incapaz de se aperfeiçoar porque lhe falta a capacidade
de subjugar as suas paixões e de interiorizar as lições que lhe são oferecidas,
fazendo com que o seu interesse diminua.
Começamos fortes, envolvidos pela euforia de aprender os princípios
fundamentais da Arte, apenas para nos vermos sobrecarregados e demasiado
comprometidos pelas obrigações combinadas da família e da fraternidade. Para
uns, isto acontece logo após a iniciação, para outros, depois de servir como
Venerável Mestre da sua Loja. O nosso cabo de reboque fica tenso e esticado,
tornando-se uma coleira apertada em volta do pescoço, sufocando os nossos
desejos por mais luz se não for mantido sob controle e devidamente equilibrado.
Como aprendemos nas Ferramentas de Trabalho de um Aprendiz Maçom:
• 8 horas para o serviço de Deus e de um irmão digno e aflito
• 8 horas para as nossas vocações habituais
• 8 horas para descanso e sono
Nunca devemos deixar de nos aperfeiçoar na nossa busca da Iluminação
Maçônica, esforçando-nos sempre pela equanimidade e procurando tornar-nos
aprendizes da Ordem durante toda a vida, pontuando as nossas experiências com
circunspecção e reflexão silenciosa.
Para reacender a nossa paixão pela Maçonaria, devemos testemunhar
continuamente a outorga de cada grau pelos olhos de alguém que acaba de bater à
porta da Maçonaria, e cada palavra deve tocar uma corda ressonante nos nossos
corações. Devemos resgatar aquele momento transformador em que, diante do altar
sagrado da Maçonaria, nos unimos perante Deus Todo-Poderoso em fraternidade e
amizade místicas, para nos tornarmos irmãos.
Só assim podemos esperar progredir na Maçonaria e reacender a inspiração
que recebemos quando éramos realmente os candidatos.
Qualquer Maçom que procure verdadeiramente a luz encontrará algo de novo
na Maçonaria de cada vez que um grau for confirmado; MAS DEVE SER O CANDIDATO.
Deve possuir a frescura de mente e de espírito, o anseio de um iniciado em
busca de uma nova luz, que o possuía quando ingressou na fraternidade.
Se encararmos os graus da Maçonaria de forma impessoal e considerarmos as
cerimônias apenas como uma repetição fria, então nada poderemos ganhar com
elas. E se alcançarmos uma pequena percepção espiritual e nos recusarmos a
nutri-la e a deixá-la crescer em visão e sabedoria, então até essa primeira luz
se extingue. Deixamos de crescer quando já não procuramos a fonte que nos
inspirou desde o início.
Este é o ponto de viragem; aquele momento crítico em que devemos assumir o
controle dos nossos destinos e decidir que tipo de Maçom desejamos ser.
Como o ramo é dobrado, assim cresce a árvore. Para crescer na Maçonaria,
devemos ter uma mente aberta, a coragem das nossas convicções, o desejo de
progredir e a ânsia por mais luz: tudo o que tínhamos quando nós oferecemos
pela primeira vez como candidatos aos Mistérios da Maçonaria.
A Maçonaria exige mais do que apenas tempo; ela quer os seus melhores
momentos e o melhor de si. Este é o verdadeiro desafio de subjugar as nossas
paixões e de nos aperfeiçoarmos através da Maçonaria.
Martin Bogardus-MI
Fonte: freemason

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