domingo, 11 de janeiro de 2026

O PONTO DE VIRAGEM DA MAÇONARIA

Gostaria de dedicar um momento para falar sobre um assunto que todos nós já refletimos ou discutimos em algum momento das nossas trajetórias maçônicas.

Como Venerável Mestre, testemunhei o surgimento e o declínio de muitas carreiras maçônicas e questionei-me frequentemente se existe um momento decisivo, um ponto de viragem que determina a permanência ou a rejeição.

“Porque é que os irmãos perdem o interesse pela Maçonaria e o que podemos fazer para reacender essa chama?”

Em que momento os nossos próprios pensamentos começaram a vacilar?

Existe um ponto de viragem na vida de cada Maçom; um momento em que a alegria de ser membro da nossa nobre Ordem começa a diminuir. Um momento em que nos esquecemos do propósito da nossa existência.

É neste ponto que perdemos a perspectiva do candidato que um dia fomos e nos tornamos meros espectadores da Maçonaria, em vez de participantes. Quando isto acontece, perdemos a perspectiva do candidato e deixamos de procurar novas luzes.

No início, a Maçonaria era excitante e nova. Chegamos à Ordem como candidatos ávidos dos seus mistérios e, a cada novo grau conquistado, sentíamos orgulho e realização ao desvendar os véus dos seus mistérios para revelar os seus antigos segredos, cada revelação impulsionando-nos ainda mais a procurar mais luz. Mas, por vezes, depois de atingirmos o sublime grau de Mestre Maçom, muitos de nós atingimos um patamar e tornamo-nos complacentes nas nossas viagens maçônicas.

Um participante é ativo; engajado. A sua mente é influenciada pela soma de tudo o que estuda processando-o; refina o seu caráter em direção ao louvável objetivo de se tornar um homem melhor. Ele exprime a própria quinta-essência da Maçonaria no pensamento e na ação pela retidão da sua conduta e pelo aperfeiçoamento do seu caráter, tornando-se o Aparelho Perfeito.

Um espectador, por outro lado, é passivo; desinteressado, a sua mente distraída por mil impulsos errantes que o afastam do caminho de platina. Perdido no caminho para a iluminação maçônica e já não um candidato adequado aos seus mistérios, é incapaz de se aperfeiçoar porque lhe falta a capacidade de subjugar as suas paixões e de interiorizar as lições que lhe são oferecidas, fazendo com que o seu interesse diminua.

Começamos fortes, envolvidos pela euforia de aprender os princípios fundamentais da Arte, apenas para nos vermos sobrecarregados e demasiado comprometidos pelas obrigações combinadas da família e da fraternidade. Para uns, isto acontece logo após a iniciação, para outros, depois de servir como Venerável Mestre da sua Loja. O nosso cabo de reboque fica tenso e esticado, tornando-se uma coleira apertada em volta do pescoço, sufocando os nossos desejos por mais luz se não for mantido sob controle e devidamente equilibrado.

Como aprendemos nas Ferramentas de Trabalho de um Aprendiz Maçom:

• 8 horas para o serviço de Deus e de um irmão digno e aflito

• 8 horas para as nossas vocações habituais

• 8 horas para descanso e sono

Nunca devemos deixar de nos aperfeiçoar na nossa busca da Iluminação Maçônica, esforçando-nos sempre pela equanimidade e procurando tornar-nos aprendizes da Ordem durante toda a vida, pontuando as nossas experiências com circunspecção e reflexão silenciosa.

Para reacender a nossa paixão pela Maçonaria, devemos testemunhar continuamente a outorga de cada grau pelos olhos de alguém que acaba de bater à porta da Maçonaria, e cada palavra deve tocar uma corda ressonante nos nossos corações. Devemos resgatar aquele momento transformador em que, diante do altar sagrado da Maçonaria, nos unimos perante Deus Todo-Poderoso em fraternidade e amizade místicas, para nos tornarmos irmãos.

Só assim podemos esperar progredir na Maçonaria e reacender a inspiração que recebemos quando éramos realmente os candidatos.

Qualquer Maçom que procure verdadeiramente a luz encontrará algo de novo na Maçonaria de cada vez que um grau for confirmado; MAS DEVE SER O CANDIDATO. Deve possuir a frescura de mente e de espírito, o anseio de um iniciado em busca de uma nova luz, que o possuía quando ingressou na fraternidade.

Se encararmos os graus da Maçonaria de forma impessoal e considerarmos as cerimônias apenas como uma repetição fria, então nada poderemos ganhar com elas. E se alcançarmos uma pequena percepção espiritual e nos recusarmos a nutri-la e a deixá-la crescer em visão e sabedoria, então até essa primeira luz se extingue. Deixamos de crescer quando já não procuramos a fonte que nos inspirou desde o início.

Este é o ponto de viragem; aquele momento crítico em que devemos assumir o controle dos nossos destinos e decidir que tipo de Maçom desejamos ser.

Como o ramo é dobrado, assim cresce a árvore. Para crescer na Maçonaria, devemos ter uma mente aberta, a coragem das nossas convicções, o desejo de progredir e a ânsia por mais luz: tudo o que tínhamos quando nós oferecemos pela primeira vez como candidatos aos Mistérios da Maçonaria.

A Maçonaria exige mais do que apenas tempo; ela quer os seus melhores momentos e o melhor de si. Este é o verdadeiro desafio de subjugar as nossas paixões e de nos aperfeiçoarmos através da Maçonaria.

Martin Bogardus-MI

Fonte: freemason

 

 

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