“...muitos são os iniciados, poucos despertados”
Edouard Schuré – Os Grandes Iniciados
O presente texto pretende
apresentar a relação entre a “Parábola do Semeador”e o conhecimento maçônico
como semente e destacar a importância da gnose na Maçonaria.
Em sentido denotativo, “parábola”
significa uma figura de linguagem que envolve uma história, ou metáfora que
transmite uma mensagem ou ensinamento mais profundo. No sentido lógico,
“parábola” é uma narrativa alegórica que utiliza elementos concretos e simbólicos
para ilustrar uma verdade ou um princípio abstrato.
Portanto, a “parábola” tem como
características ser uma alegoria, já que utiliza símbolos e metáforas para
transmitir uma mensagem; é um simbolismo, pois, os elementos da história têm
significados simbólicos que necessitam ser interpretados. É um ensinamento:
pois, a Parábola visa transmitir um conteúdo moral e tem caráter universal,
pois a Parábola pode ser aplicada a diferentes contextos e situações.
Na interpretação feita por Jordan
B. Peterson em sua Obra – “Nós que Lutamos com Deus”, (2025) ele analisa a
“Palavra do Semeador”.
A palavra de Deus pode ser comparada, por exemplo: a uma semente. Na Parábola
do grão de mostarda (Mateus 13:3); (Marcos 4:30-32); (Lucas: 13:18-19), o Reino
dos Céus é descrito como algo semelhante a uma pequena semente, da qual emerge
uma imensa força vital.
Na Parábola do Semeador: (Lucas
8:5); (Mateus 13: 3-23); (Marcos 4:3-20) – aqueles que ouvem ou falham em ouvir
são comparados ao solo. Algumas sementes caem à beira do caminho (aqueles que
ouvem, mas, não entendem), algumas em solo rochoso (aqueles que recebem a
palavra com alegria, mas não perseveram), algumas entre espinhos (aqueles que
acabam sufocados pelas preocupações e riquezas da vida) e algumas em solo
fértil (aqueles que vivem, guardam na memória e geram frutos).
Relação entre a Palavra do
Semeador com a Semente do Conhecimento Maçônico
Para desenvolver este tópico,
será utilizada a Obra de Albert Mackey – “Maçons que leem e Maçons que não
leem” de 1875.
Ele considera que o grande corpo
de Maçons pode ser dividido em 3 (três) classes:
1. Primeira classe: Consiste
naqueles que fizeram o seu pedido de Iniciação, não por um desejo de
conhecimento, mas por algum motivo acidental, nem sempre honroso. Tais homens
foram levados a procurar a Iniciação ou porque era susceptível, na sua opinião,
de facilitar as suas operações comerciais, ou de fazer avançar as suas
perspectivas políticas, ou de qualquer forma de se beneficiar pessoalmente.
Para esses Maçons não há
esperança. São árvores mortas, sem promessa de frutos. Deixai-os passar como
seres ou pessoas totalmente sem valor e incapazes de melhorar. Na Parábola do
semeador, são comparados com as sementes que caem em solo rochoso (pedregoso) –
mas não germinam.
2. Segunda classe: que
consiste em homens que são os antípodas morais e maçônicos da primeira. Estes
fazem o seu pedido de admissão sendo motivados, como o Ritual exige, “por uma
opinião favorável concebida da Instituição, em desejo de conhecimento”. Logo são
iniciados, veem nas cerimônias pelas quais passaram, um significado filosófico
digno do trabalho de investigação. Eles dedicam-se a esta investigação. Obtém
livros maçônicos, leem periódicos maçônicos e conversam com Irmãos bem-informados.
Eles familiarizam-se com a
história da Ordem. Eles investigam a sua origem e o seu objetivo final.
Exploram o sentido oculto dos símbolos e adquirem a interpretação. Tais Maçons
são sempre membros úteis e honrados da Ordem, e muito frequentemente tornam suas
Lojas brilhantes. A sua lâmpada arde para o esclarecimento dos outros e a eles
a Instituição está em dívida por qualquer que seja a posição elevada que tenha
alcançado. Este artigo não foi escrito para eles. Estes correspondem a semente
do conhecimento que cai em solo fértil, que germina e produz frutos.
Terceira classe: é uma classe intermediária que constitui o
Corpo da Fraternidade. Ela consiste em Maçons que se juntaram à Ordem com
motivos inquestionáveis, e com, talvez, as melhores intenções. Mas eles
falharam em levar essas intenções a efeito. Eles cometeram um erro grave:
supuseram que a Iniciação era tudo o que era necessário para os tornar Maçons,
e que qualquer estudo adicional era inteiramente desnecessário.
Por isso, nunca
leram um livro maçônico. Se lhes mostrarmos as produções dos mais célebres
autores maçônicos, o seu comentário é que não têm tempo para ler – as
exigências dos negócios são esmagadoras. Mostrem-lhes uma revista maçônica de
reputação conhecida e peçam-lhes que a subscrevam. A sua resposta é que não
podem pagar, os tempos são difíceis e o dinheiro é escasso. E no entanto, não
há falta de ambição maçônica em muitos destes homens. Mas a sua ambição não
está na direção certa. Eles não têm sede de conhecimento, mas têm uma sede
muito grande de Cargos ou Graus.
Eles não podem
dispor de dinheiro ou tempo para compra ou leitura de livros maçônicos, mas têm
o suficiente de ambas para gastar na aquisição de Graus Maçônicos. É
surpreendente a avidez com que alguns Maçons que não compreendem os rudimentos
mais simples de sua arte, e que falharam completamente em compreender o alcance
e o significado da Maçonaria primária e simbólica, se agarram às honras vazias
dos Graus mais elevados.
O Mestre Maçom
que sabe muito pouco, se é que sabe alguma coisa, do Grau de Aprendiz, anseia
por ser Cavaleiro Templário. Ele não sabe nada, e nunca espera saber nada,
sobre a história do Templarismo, ou como porque é que estes velhos Cruzados se
incorporaram na Irmandade Maçônica.
O auge de sua
ambição é usar a Cruz Templária no seu peito. Se ele entrou no Rito Escocês, a
Loja de Perfeição não o satisfará, embora forneça material para meses de
estudo. Ele gostaria de subir mais alto na escala de classificação, e se por
esforços perseverantes ele puder atingir o cume do Rito e ser investido com o
33º, pouco lhe importa qualquer conhecimento da organização do Rito ou das
sublimes lições que ele ensina.
Ele atingiu o
auge da ambição e pode usar a águia bicéfala. Esses Maçons são como as sementes
que caem à beira do caminho, ouvem os ensinamentos, mas não entendem, ficando à
margem da Luz do Conhecimento. Com isso, não se deve supor que todo Maçom seja
um Maçom erudito e que todo iniciado seja obrigado a se dedicar ao estudo da ciência
e literatura maçônicas.
MAÇONARIA
GNÓSTICA
Para exemplificar a importância
do conhecimento, José Loiola (2023), analisa a Maçonaria Gnóstica. Esse autor
explica que existe uma categoria de Graus no Rito Escocês Antigo e Aceito
(R\E\A\A\) denominada de Gnósticos Superiores, dentre eles o de “Cavaleiro Rosa
Cruz” que é consagrado ao triunfo da Luz sobre as Trevas e sua interpretação é
a emancipação da humanidade pelo amor e pela verdade gnóstica.
Trata este Grau da liberdade
absoluta da palavra falada e escrita, da prática do direito que cada homem tem
de formular suas opiniões e ideias de maneira que lhe parece mais aceitável, e
isto sem restrições de qualquer espécie, desde que os direitos dos demais não
sejam feridos ou menosprezados por essa manifestação.
A Maçonaria é essencialmente gnóstica, pois tem como bem a busca constante da
verdade e essa só nos é apresentada através do conhecimento. A palavra “gnose”
do verbo gignósko, significa conhecer, conhecimento superior, interior,
espiritual e iniciático, assemelhando-se ao da palavra episteme que
significa conhecimento científico, contrapondo a forma de conhecimento empírico,
aquele obtido através da experimentação. Gnosis significa,
pois, conhecimento em oposição a “ignorância”.
Gnosiologia, portanto, é a parte da filosofia que estuda o conhecimento humano
(ato cognitivo) – ação de conhecer e conhecimento é o ato ou efeito de abstrair
de uma determinada ideia a noção de alguma coisa.
CONSIDERAÇÕES
FINAIS
Como
visto a palavra do semeador pode ter relações com o conhecimento maçônico do
ponto de vista simbólico, eis algumas possibilidades:
Plantio de ideias: o Semeador planta as sementes, que
representam ideias e conhecimentos. Na Maçonaria o conhecimento é visto como
uma semente que precisa ser plantada e cultivada para crescer e se desenvolver.
Crescimento Espiritual: A semente representa o potencial de
crescimento e desenvolvimento espiritual e o conhecimento maçônico busca
promover o crescimento e a evolução do indivíduo. Fertilização da Mente:
O semeador fertiliza a terra, preparando-a para receber as sementes. Da mesma
forma, o conhecimento maçônico busca fertilizar a mente, preparando-a para
receber e processar novas ideias.
Colheita dos frutos: O semeador colhe os frutos do seu trabalho,
assim como o Maçom colhe os frutos da dedicação ao conhecimento e à prática
maçônica.
Renovação e
transformação cíclica: A semente é o ciclo da vida, morte e renascimento. O
conhecimento maçônico também busca promover a renovação e a transformação
pessoal, permitindo ao iniciado renascer e renovar. Atualmente vivemos muitos
paradoxos tais como: o divórcio entre o progresso moral e o progresso material.
O arsenal tecnológico está a serviço da depreciação de valores e conquistamos
espaço exterior, mas não o interior e muitos outros.
Por outro lado, temos redutos como a Ordem Maçônica, verdadeira escola de ética
que usa a doutrina como rearmamento moral; é uma tribuna, obviamente restrita,
mas de livre pensamento para unificar o progresso.
Ingressamos na Ordem com o objetivo de transformar-nos, o que representa um
fator educativo que impulsiona o progresso. Nossa meta é melhorar a Humanidade,
promovendo a justiça, a igualdade, a liberdade, a compaixão e a sabedoria, e
contribuindo para a criação de uma sociedade mais justa, harmoniosa e próspera.
Essa meta é
impulsionada pela prática desinteressada da filantropia, que é um fator de
evolução. Nesse sentido, o conhecimento filosófico é capaz de alcançar a
Verdade, revelar as alegorias e desvelar os símbolos, permitindo-nos
compreender mais profundamente a realidade e nosso lugar no mundo.
Os segredos dos
Graus Superiores, Altos Graus ou Filosóficos, praticamente quase todos na linha
do aprimoramento moral e espiritual, podem ser resumidos da seguinte forma:
A vida é o segredo da Tolerância;
A Tolerância é o segredo da Maçonaria;
A Maçonaria é o segredo do Amor;
O Amor é o segredo da Vida.
João Francisco Guimarães (2006).
Paulo Roberto Marra
Referências bibliográficas
BÍBLIA SAGRADA – Antigo e
Novo Testamentos. Trad. João Ferreira de Almeida. 2.ed. SP: Sociedade Bíblica
do Brasil, 1993
CAMINO, Rizzardo da. Dicionário Maçônico. S. Paulo: Madras,
2006
GUIMARÃES, João Francisco. Maçonaria: a filosofia do
conhecimento. 2.ed. S. Paulo: Madras, 2006
JAPIASSÚ, Hilton e MARCONDES, Danilo. Dicionário Básico de Filosofia. 4.
ed. atual. Rio de Janeiro: Zahar, 2006
LOIOLA, José. A Filosofia dos 33 Graus do Rito Escocês Antigo e Aceito. Londrina:
Trolha, 2023
MACKEY, Albert. Disponível em: http://bibliot3ca.com/macons-que-leem-e-maçons-que-nao-leem/ trad.
Antônio Jorge – M.:M.: - Publicado em Free Mason-PT, 1875
PETERSON, Jordan B. Nós que lutamos com Deus: Percepções do
Divino. Trad. Wendy Campos. 1.ed. Rio de Janeiro: Alta Books, 2025
Obs: Os tópicos: Conceito lógico de Parábola e a Relação entre a Palavra
do Semeador e a semente do Conhecimento Maçônico foram aprimorados pela Meta
IA.
Eu não sou o que aconteceu
comigo,
eu sou o que escolhi me tornar.
Carl Jung – (1875 – 1961)
Psiquiatra e Psicoterapeuta suíço
