Iniciaremos o assunto pelo quase
óbvio. “Perdido” remete a alguma coisa se perdeu! Contudo, não como verbo
transitivo direto no sentido de ter deixado a posse de algo, ou de derrota, nem
mesmo de desperdício, mas invocando o sentido alegórico de ter deixado
algo para trás, que não está mais com você.
Vale destacar que a “Sala dos Passos Perdidos” não tem conexão histórica e
estrutural com o Templo de Salomão do século XI antes de Cristo. Tal estrutura
foi incorporada às edificações maçônicas a partir do século XVIII depois de
Cristo.
Como novidade para alguns, ela não possui vinculação com qualquer estrutura
sacralizada. Sendo sarcástico e irônico, nossa Sala dos Passos Perdidos foi
inspirada nos Sagrados Templos das Leis Profanas, ou seja, nos Parlamentos
Legislativos.
Adjacente à sala onde ocorrem as Sessões Legislativas, há um espaço denominado
“Sala dos Passos Perdidos”, a qual funciona como centro de encontros e
conversas entre legisladores, membros do governo, imprensa e povo.
Assim, esclarecidos a origem, o
local e o simbolismo, resta a pergunta: e os “Passos”?
É neste ponto que muitos de nós não captaram a instrução simbólica da Sala dos
Passos Perdidos, confundindo passos com pegadas.
A SALA DOS PASSOS PERDIDOS NÃO É
O LOCAL PARA “PERDER OS PASSOS”, NÃO SÃO AS MARCAS DEIXADAS PELOS PÉS.
É PARA ABANDONAR OS CAMINHOS PERCORRIDOS.
Há vertentes interessantes para cumprirmos nossa alcunha de “Maçons
Especulativos”. Uma delas encontra-se na diferença de “passos” como
o ato de mover um pé para andar e o conceito militar para cada uma das várias
maneiras de a tropa marchar.
Os da caserna, com nostalgia, relembram que a marcha começa na posição de
sentido – em que estão todos de pé e em ordem. Nessa posição, os pés formam um
ângulo de aproximadamente 45°, com os calcanhares juntos, igual aos Irmãos do
Rito de York, antes do primeiro passo regular da Maçonaria.
O Infante começa o passo com o pé esquerdo e, quando dispensado, vira-se para a
direita e marcha três passos. Por falar em três, os Comandos de Ordem Unida
dividem-se em Voz de Advertência, Voz de Comando e Voz de Execução, ao passo
que os movimentos são: Sentido, Descansar e Ordinário Marcha. De fato, o três é
fascinante, e perdoem-me os devaneios.
A Sala dos Passos Perdidos é mais que um espaço físico ou um ambiente adequado
para se dedicar a algo. Albert Einstein, por meio da Teoria da Relatividade,
afirmou que tempo e espaço são relativos e estão entrelaçados.
Portanto, a Sala dos Passos
Perdidos é um momento, uma tomada de consciência de que, a poucos metros
(espaço) e em poucos minutos (tempo), haverá a oportunidade de evolução. Porém,
só acontecerá se abandonarmos os passos profanos que caminhamos. Não se sabe se
pelos becos da falsidade, pelas travessas da rispidez, pelas alamedas da
vaidade, pelas pontes da ganância, pelas ruas da intransigência ou pelas
avenidas da soberba.
SENDO ASSIM, MUITO ANTES DE
ADENTRAR UM RECINTO SAGRADO LIVRE-SE DA POEIRA DOS CAMINHOS PROFANOS.
LÁ DENTRO, NÃO HÁ ESPAÇO A GANHAR OU TEMPO A PERDER.
(ou, no caso do relativismo: lá dentro há espaço a perder e tempo a ganhar, se
o espaço for material e o tempo espiritual).
Duas décadas de compartilhamento
do que aprendi com o único propósito de ofertar às Lojas material para o QUARTO
DE HORA DE ESTUDO, ATIVIDADE OBRIGATÓRIA DE UMA LOJA MAÇÔNICA, e uma salutar
provocação dominical aos amados Irmãos. São artigos curtos e objetivos, a fim
de dar espaço à pesquisa, entre o pouco que sei e o muito que desejo que os
Irmãos se aprofundem sobre os temas.
Fraternalmente
Sérgio Quirino
