sexta-feira, 20 de março de 2026

O COLAPSO DA MAÇONARIA NA ALEMANHA NAZISTA (1933-1935)


 

Antes da ascensão de Hitler ao poder em 1933, a Maçonaria alemã já se encontrava profundamente dividida e enfraquecida. Existiam 9 Grandes Lojas no país, divididas em dois grupos principais: as três "Velho Prussianas", de caráter conservador e cristão, que não de origem judaica ou do Antigo Testamento, na esperança de serem toleradas.

Aceitavam judeus em seus quadros, e as seis "Humanitárias", que nominalmente não faziam distinção religiosa. Essa cisão impedia qualquer ação unificada da Ordem, enquanto a propaganda da extrema-direita, especialmente a partir de 1919, difundia incansavelmente a teoria da "conspiração judaico maçônica", responsabilizando a Maçonaria pela derrota na Primeira Guerra e pelos males da República de Weimar. Livros como os de Friedrich Wichtl e do General Ludendorff tornaram-se best-sellers, associando a Ordem ao "perigo judaico" e difamando sua imagem perante o povo.

A pressão constante e o medo da crescente influência do Partido Nazista já causavam uma debandada de membros antes mesmo de 1933. Em 1932, uma Loja "Velho Prussiana" relatava uma perda de um terço de seus integrantes em seis anos. Imediatamente após a tomada do poder, as Grandes Lojas Humanitárias, percebendo que não teriam lugar no novo regime, simplesmente se autodissolveram.

As "Velho Prussianas", numa tentativa desesperada de sobreviver, apressaram-se em declarar sua lealdade ao regime, abandonando o título de "maçons", renomeando-se como "Ordens Cristãs Alemãs" e expurgando de seus rituais qualquer elemento

Essa estratégia de submissão revelou-se inútil. Apesar de inúmeras cartas e apelos ao governo e ao Partido Nazista, os maçons foram tratados como "cidadãos de segunda classe" e impedidos de ingressar nas organizações do partido. Em maio de 1935, o Ministério do Interior do Reich ordenou a dissolução imediata das três Ordens Cristãs Alemãs, que foram formalmente extintas em cerimônias vigiadas pela Gestapo entre junho e julho daquele ano.

A Maçonaria alemã estava oficialmente morta, e seus prédios foram posteriormente convertidos em museus antimaçônicos, enquanto uma nova onda de propaganda difamava a Ordem.

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Por Bro. Ellic Howe, 1982.

 

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