Como são passageiras as glórias do mundo!
Esta frase dita pelo Venerável
Mestre é o ponto alto de uma Iniciação Maçônica. Ela encerra uma das maiores verdades e
que quase sempre é ignorada por todos nós. Julgamo-nos eternos e pouco fazemos
para vencer as nossas paixões. Os cargos, o poder e a vaidade impedem-nos
muitas vezes de aparar a pedra bruta que somos, e, esquecemos então um dos
princípios mais importantes da Maçonaria que é a humildade.
Já, como neófito, é-lhe dito que
ele acabou de morrer para a vida profana (Era Vulgar) e renasceu para a
Verdadeira Luz. Isto quer dizer que tudo que o aviltava, quando profano, deverá
ser desvestido, inclusive a VAIDADE. E, tudo que lhe faltava como virtudes,
deverá ser incorporado, inclusive a HUMILDADE. Uma vez Iniciado, o postulante
torna-se Maçom, e, como tal, estará sob vigilância da sua própria consciência e
dos demais Maçons.
Comandado pelo Venerável Mestre a
Loja dará guarida ao novo Irmão orientando e ensinando o caminho a ser
trilhado, agora como Maçom, imbuído de humildade e destituído de ostentação.
A figura do Venerável Mestre, das
Luzes ou de qualquer outra autoridade, numa Loja Maçónica, reflete sempre a
bondade e as suas ações que são comparadas as de um pai que aconselha o filho
ou do irmão mais velho que o protege.
É por esta razão que a joia do
Venerável Mestre (o esquadro) tem um significado tão profundo para todos nós,
pois ela representa a retidão das suas atitudes além da confiança que todos os
irmãos nele depositam. No nosso meio não há lugar para arrogâncias, vaidades,
orgulho e alta opinião de si mesmo.
Ser humilde significa seguir esta
postura e quando perguntado: “Que vindes fazer aqui?”, responder com convicção
e com orgulho: “Vencer as minhas paixões, submeter a minha vontade e fazer
novos progressos na Maçonaria!”
Aquele Maçom que se deixa
contaminar pelo sonho passageiro de poder, seja na vida profana ou até mesmo
dentro da Ordem infelizmente não entendeu a beleza e a profundidade dos nossos
ensinamentos.
Devemos ter sempre em mente que a
Maçonaria é perfeita nos seus ensinamentos e naquilo que tenta modificar dentro
de cada um de nós, porém nem todos os Maçons entendem desta forma e alguns
permitem que o falso brilho das coisas possa ofuscar estas verdades.
Pior que a falta de humildade é a
vaidade.
O Maçom tem o dever de
constantemente policiar os seus procedimentos para evitar que a vaidade possa
fazê-lo esquecer dos ensinamentos recebidos, que somos todos iguais e que na
Maçonaria não existem distinções de títulos e de cargos.
Devemos aprender sobre humildade
com o maior homem que já pisou nessa terra e que por milhares e milhares de
anos pregou e prega o verdadeiro amor, a verdadeira compaixão, a verdadeira retidão
e a verdadeira humildade, que é Jesus Cristo.
Uma das frases mais expressivas
de Jesus é: “Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração!”. Os
discípulos são chamados a serem humildes como Jesus.
Aprendendo a sermos humildes como
Jesus, vamos lá?
Muitas foram as ações do Senhor
que demonstravam o cultivo da virtude da humildade.
1 – Tratou as pessoas com
compreensão e respeito.
Em nenhuma ocasião bíblica vimos
Jesus ser incompreensivo ou desrespeitoso com ninguém. Ao contrário, o Senhor
se sentava com pecadores públicos (cf. Mt 9,10-13), lidava com leprosos (cf.Lc
17,11-19), submetia-se às leis civis (cf. Mc 12,13-17). Os seus apóstolos
testemunharam a mesma vivência mesmo depois da Ascensão do Senhor. O livro dos Atos
dos Apóstolos testemunha que o povo era cativado pela simpatia e fraternidade
dos discípulos (cf At 2,47).
2 – Quando foi desapontado ou
traído, não julgou.
Já nos seus sermões, o Senhor
dizia: “Não julgueis e não sereis julgados” (Lc 6,37). Na sua vida e missão,
testemunhou inúmeras vezes o acolhimento e o perdão diante do desapontamento
com os seus amigos e discípulos. Quanto a nós, tendemos a no primeiro flagrante
de um erro, julgarmos e implicarmos castigo e humilhação, tal qual foi a sorte
da mulher pega em adultério. Jesus, porém, disse: “Ninguém te condenou, eu
também não te condeno!” (Jo 8,11).
O ápice da sua Misericórdia
deu-se no alto da Cruz quando exclamou: “Pai, perdoa-lhes, eles não sabem o que
fazem.” (Lc 23,34). Jesus ensina-nos que o coração humilde não condena, não
julga, mas acolhe e ama.
3 – Quando estiveram contra Ele,
foi suave e não desistiu
Eis uma grande prova de humildade
do Senhor. Em meio aos julgamentos e emboscadas que colocaram contra Ele, com
sabedoria e serenidade Jesus respondia e ensinava fielmente a doutrina
aprendida do Pai. O Senhor não desistiu de ninguém, mesmo dos seus algozes.
Jesus deu-se também por eles, e Neles a nós todos, mesmo diante dos nossos
erros e pecados. A humildade é a capacidade de estar amavelmente em desacordo.
Com Jesus aprendemos a ser dóceis
em todas as circunstâncias, mesmo na discordância.
4 – Ao ser ferido, o Senhor
quebrou as ofensas com a caridade
Quando somos feridos ou magoados
e perdemos o controle da situação, estamos sendo levados pelo orgulho. A
verdadeira humildade sabe sofrer pacientemente – mesmo diante do sofrimento
mais cruel, da maior injustiça – sendo humilde como Jesus. Como diz São Paulo
aos Romanos, “Não te deixes vencer pelo mal, triunfa do mal com o bem” (Rm
12,21).
Poderíamos dar muitos outros
exemplos da vida do Senhor, ele é a humildade em perfeição, e tudo viveu assim.
Seja humilde e verá como as pessoas se aproximam de você. Jesus quer que
sejamos humildes, em troca devemo-nos esforçar permanentemente. A boa notícia é
que é possível aprender a humildade, é o que Jesus diz:
“Aprendei de mim…”.
O humilde vive em paz. Esse é o
motivo que muitos sofrem e se perdem na vida, falta de humildade. Sejamos
humildes a exemplo de Jesus e se cumprirá o que Ele disse aos seus discípulos:
“Ao que se humilhar será exaltado!” (cf. Lc 18, 14).
Sendo assim, devemos cativar
constantemente a humildade para não caímos na ignorância, nos erros, e assim,
continuamos em busca de uma vida cheia de graça e repleta de amor, humildade e
irmandade.
Danialison Lima de Araújo –
CIM 335518 – ARLS Amor, União e Justiça nº 1888, Or.: de Ouricuri-PE.
