A Maçonaria vem demonstrar a realidade, rasgando o véu que a oculta à muitas criaturas. Mas não pode impor as suas verdades a quem não as quer aceitar ou aos que não têm ainda condições para a aceitação.
Os 288 anos decorridos desde a Instituição da
Maçonaria Especulativa, foram pródigos em notáveis avanços no terreno dos
conhecimentos e da tecnologia no mundo.
Os homens desenvolveram e ratificaram as ciências,
no que se refere à matéria, dominaram o espaço do Planeta, chegaram à Lua,
foram ao fundo dos oceanos, venceram obstáculos de várias ordens, dominaram
doenças milenares do corpo, avançaram muito no que concerne à vida transitória
na Terra.
Entretanto, o conhecer-te a ti mesmo
permanece como desafio ao homem, há 2500 anos.
Este desafio demonstra quão difícil se torna ao
homem o conhecimento da realidade de si próprio, da sua individualidade, e das
leis que regem a vida, pela eternidade.
A Humanidade tem propensão para enfrentar os
problemas que dizem respeito à vida transitória, mas tem muita dificuldade no
entendimento da vida eterna, apesar das religiões milenares que estão no mundo.
CIÊNCIA
Ciência – Como as Letras e as Artes, as
Ciências compõem todo o domínio do espírito humano.
Na antiguidade a Ciência, que os gregos
denominavam Sefia ou Filosofia,
era pouco extensa e era fácil a um só homem a abarcar toda.
A Ciência, envolta com o engenhoso simbolismo
dos graus, é a base do sábio sistema iniciático praticado pela Maçonaria.
Se as ciências cultivadas pelos homens têm por
escopo o conhecimento da verdade, nada justifica a separação e até o combate
entre cientistas e maçons, uma vez que uns e outros estão sempre em busca da
verdade, dos factos, das realidades, das leis naturais.
O que tem ocorrido é que as ciências, que se
têm desenvolvido através de observações, de experiências, de descobertas de
leis naturais e métodos próprios, só se preocupam com um dos elementos do
Universo – a matéria – deixando de lado o outro elemento, de vital
importância – o espírito.
Aquele que se limita a pesquisar no infinito
faz ciência. Se a sua imaginação se inflama, se a sua alma se emociona e impõe
regras morais que lhe tracem a conduta, prática, desde então, uma religião.
RELIGIÃO
Religião – Vários são os conceitos formados
para a definição da religião. Segundo uns, é o conjunto das crenças, dos
sentimentos e dos atos que religam (de religare) o homem a Deus e que lhe
dão a solução dos problemas relativos ao seu destino. Outros fazem derivar esta
palavra de religere, adorar com temor e respeito. Para outros, enfim, é o
culto prestado a uma divindade, representando uma etapa da civilização humana,
e, fundado por um “Instrutor” (Buda, Zoroastro, Moisés, Platão, Orfeu, Maomé e
Cristo), enviado ao mundo para preparar uma nova fase na vida social, moral e
intelectual.
Os grandes desvios da igreja, desde o acordo
com o Imperador Constantino, em 312 e 325; O grande delito jurídico perpetrado
a 13 de Outubro de 1307, sob a tiara de um papa, quando o Grão-Mestre da
ex-Ordem do Templo, Jacques De Molay, foi condenado por se ter recusado a
confissões arrancadas pela fraude, visando o poder temporal e interesses
materiais, até aos nossos dias, quando o seu chefe pede perdão pelos erros
cometidos, ao mesmo tempo que reafirma a infalibilidade papal, aprovada no
Concílio de 1870, estão a demonstrar a profunda diferença entre a Maçonaria e a
Doutrina das Igrejas denominadas cristãs.
Como conciliar um Cristianismo instigador das
guerras das Cruzadas, instituidor da Inquisição e do Tribunal do Santo Ofício,
perseguidor de judeus, muçulmanos, espíritas, assim como a bula de excomunhão
contra a Maçonaria, de triste memória “In Eminenti Apostolatus Specula”,
lançada em 1738 pelo papa Clemente XII (1652 – 1741), presunçosa, orgulhosa,
violenta, em total divergência com os ensinos do Cristo, que têm por base o
amor a Deus e ao próximo, o perdão aos inimigos, a tolerância, a indulgência
para com todos.
MAÇONARIA
A Doutrina Maçônica possuí os seus aspectos
essenciais. Não cerceia o seu adepto que se dedique à ciência que a cultive na
sua dignidade, que se devote à filosofia que lhe divinize as aspirações, mas
que a base maçónica permaneça em tudo e todos, para que não venhamos a perder o
equilíbrio sobre os alicerces em que se levanta a Ordem. Daí a necessidade de
que a ninguém seja possível interpretar os nossos símbolos, segredos e
alegorias, as nossas Leis ao sabor das suas paixões e interesses diversos, nem
falsear o sentido dessas Leis.
A Maçonaria não é um movimento filosófico
admitindo toda a orientação de opinião. A verdadeira Maçonaria é um culto para
conservar e difundir a crença na existência de Deus, para ajudar os Maçons a
regularem a sua vida e conduta sobre os princípios da sua própria religião,
qualquer que ela seja, mas ela deve ser uma religião que exija a crença em Deus
como ser supremo e deve possuir um livro sagrado sobre o qual o Iniciado possa
prestar juramento à Ordem.
Nenhuma hostilidade, nenhum desapreço a quem
quer que seja. Acontece, porém, que temos a necessidade de preservar os
fundamentos maçônicos, honrá-los e sublimá-los, senão acabaremos estranhos uns
aos outros, ou mutilados nos nossos melhores anseios, convertendo o movimento
de lutar por uma Humanidade melhor, mais feliz e mais próxima da Verdade.
Estudar, ensinar, aconselhar, mas exemplificar.
Nada que lembre castas, discriminações, evidências individuais injustificáveis,
privilégios, imunidades, prioridades.
O ensino maçônico tem de ser claro e sem
equívocos, para que ninguém possa pretextar ignorância e para que todos o
possam julgar e apreciar com a razão.
CONCLUSÃO
O cientista se utiliza do método científico
para estudar um fato e interpretá-lo. No campo religioso, é a partir da crença
ou da fé que se interpreta o fato. Na constante observação da ação dos seus
adeptos, a Maçonaria pelo aperfeiçoamento do coração, pelo trabalho, pela
prática da Moral e pela observação da Ciência, não permite que seja esquecido
que devemos procurar sempre a mais iluminada e mais profunda compreensão das
religiões, com o sentimento de tolerância e solidariedade, que nasce da sincera
comunhão entre Irmãos, com a Liberdade que aspira Luz e Igualdade para que se
possa solidificar os sentimentos de Fraternidade.
O homem, nascido numa religião, contrai o
hábito de só crer, porque nela vê a única verdade religiosa possível, ou
melhor, a prova da falsidade das outras.
A Maçonaria que não é de nenhuma época,
pertence a todas as épocas; não sendo de nenhuma religião, encontra em todas as
religiões as suas grandes verdades, encara cientificamente a ideia religiosa,
as suas origens, a sua evolução, as influências recíprocas das diferentes
doutrinas, respeitando a todas, com a sinceridade da ciência.
Não resta dúvida que o materialismo deve ser
destruído e a Maçonaria é, no mundo atual, o seu grande opositor, uma vez que
as religiões tradicionais, pelos seus desvios e enfraquecimento, se tornaram
impotentes para se lhe opuserem.
Em cada Loja, o mais forte deve ser escudo do
mais fraco, o mais esclarecido a luz para o menos esclarecido, e sempre seja o
Aprendiz o mais protegido e o mais auxiliado, que seja maior aquele que se
fizer o servidor de todos.
É necessário definirmos objetivos que devemos
alcançar, sem sermos apressados, porquanto não nos compete violentar
consciência alguma, mantendo o projeto de irmanar, aproximar,
confraternizar e compreender.
Trabalhemos, pois, conscientes, aproveitando a
oportunidade de servir que se nos oferece, unindo as nossas mãos, os nossos
esforços e os nossos sentimentos nesta grande obra, não perdendo de vista essa
realidade de suma importância – a total vinculação da Sublime Instituição, sem
os desvios impostos pelos interesses dos homens.
Sigamos em frente buscando a inspiração do
Grande Arquiteto do Universo.
“Superando os homens o preconceito contra o que
lhes é desconhecido, se desvenda à humanidade, com extraordinário progresso
para as ciências e as religiões, a Maçonaria desvenda toda a riqueza a par de
conquistas importantes, como a Liberdade, a Igualdade, ao lado da Fraternidade,
como aspiração para toda a Humanidade.”
Valdemar Sansão
Fontes Consultadas
Rituais Maçônicos;
Grande Dicionário Enciclopédico de Maçonaria e
Simbologia – Nicola Aslan;
“O Despertar para a Vida Maçônica” – Valdemar
Sansão
