A acácia é uma árvore que possui cerca
de 500 variedades distintas, todas produzem flores perfumadas brancas ou
amarelas, é presente em todos os continentes. No Brasil a acácia negra é uma
das riquezas do Rio Grande do Sul. Ela é Maçônicamente universal.
A acácia do Egipto tem a particularidade de ser uma árvore espinhosa e
autores maçónicos acreditam que a coroa de espinhos colocada na cabeça de
Jesus, bem como a cruz onde foi pregado era deste tipo de acácia.
Em hebraico, o termo shittah (sita – cetim) é usado para a acácia, sendo o
plural shittin. No texto original grego do Novo Testamento, o termo usado é
akanqwn (akanthon), que foi traduzido ao português tanto como acácia ou como
acanto, e que também pode significar espinho, espinhoso, etc.
Era tratada com reverência pelos povos antigos, pois a acácia era
considerada um símbolo solar, já que as suas folhas se abrem com a luz do sol
do amanhecer no oriente e se fecham ao desaparecer o sol no ocidente no final
do dia e a sua flor imita o disco radiado do sol. Era utilizada para amortalhar
os defuntos em diversos países do oriente.
A sua madeira é tida como incorruptível, inatacável por predadores de
qualquer espécie, simboliza perenidade, imortalidade, transcendência, etc.; a
certeza da indestrutibilidade da vida, reconhecida como landmark é
representado pelo ramo de acácia.
Entre os árabes, o seu nome é Houza e se acredita ser a origem da nossa
palavra “Huzé”, o viva escocês “houzé”, que se escreve “huzza”, prova de que na
Inglaterra, como na França, o grito de alegria popular tira o seu nome do ramo
dos iniciados.
Pela característica de imputrescibilidade (símbolo da imortalidade) da
acácia, os israelitas, a começar por Moisés, a utilizam na construção dos
elementos mais sagrados (Arca, Mesa, Altar).
“Também farão a arca de madeira de cetim (acácia)…” Êxodo 25:10.
“Também farás uma mesa (a mesa dos pães da proposição) de madeira de cetim
(acácia)…” Êxodo 25:23
“Farás também as tábuas para o tabernáculo de madeira de cetim (acácia)…”
Êxodo 26:15 “Farás também o altar de madeira de cetim (acácia)…” Êxodo 27:1
Abel-Sitim no hebraico significa Vale das Acácias, Bete-Sita no hebraico
significa Lugar da Acácia. A acácia simbolicamente representa a alma ou o
espírito emanado de Deus, o nosso Eu Superior, o Rei que é a Majestade no nosso
templo interior.
O grego “akakia” também é usado para definir qualidade moral, inocência ou
pureza de vida.
A Maçonaria tem incorporado nos seus Rituais a Robinia ou Robinier, mais
conhecida como falsa acácia, mas qualquer variedade que for usada não tira em
absoluto o valor simbólico do Ritual que a Ordem lhe atribui assim: Inocência =
nascimento, Iniciação = conhecimento de si mesmo e Imortalidade = a ligação do
Finito com o Infinito “DEUS”, isto é, os três I. I. I. ou o número 3, e ainda
por suas flores simboliza beleza, pureza e, sobretudo, a irradiação de luz.
Acácia é a árvore da vida. As suas flores cegam, as suas sementes matam e
as suas raízes curam. A semente é o veneno e a raiz o antídoto. “Akakia”
significa a inocência, a ingenuidade, como o prefixo a indica negação, Kakia
será o vício, a desonra, a disposição para o mal. Portanto, Akakia significa ao
mesmo tempo acácia e inocência, ela é o antídoto do vício e da disposição para
o mal; por suas virtudes ela protege o homem.
Tenho no meu humilde entendimento que Jesus, que simboliza o templo vivo,
humano, o ego ou eu inferior, foi coroado com a acácia que representa os
espinhos de fora para dentro, como as provas na vida, as dores e sofrimentos
são as oportunidades de purificação; e os espinhos de dentro para fora, como as
nossas armas de defesa e protecção, ou seja, as nossas ferramentas, ou melhor,
talentos que possuímos para cumprir a nossa missão de construir um templo
sólido e justo (a cor verde das folhas, símbolo da esperança de realização), o
corpo físico, profano, para que seja realizada a instalação do Cristo interior,
o Eu Superior, a Luz Interna (a cor amarela das flores agrupadas em espigas ou
capítulos, símbolo da beleza irradiante, a realização), tornar-se uno com o
Pai, e perfeito.
A acácia, como símbolo da feminilidade, tem por representação Maria
Madalena, a prostituta servindo a muitos senhores, ou seja, o dinheiro, a
luxúria, a vaidade, a promiscuidade, os vícios em geral, o orgulho, a soberba,
etc., vivendo nas trevas da ignorância, subjugada pelas paixões do eu inferior
ou ego, ao receber a Luz = contacto com Cristo, iniciação, pelo perdão no
julgamento “atire a primeira pedra quem estiver sem pecado” João 8:7. “Vá e não
peques mais!” João 8:11.
Constato em Lucas 7:36 a 50, a correlação das lágrimas = espinhos = sal =
terra = matéria = ego = justiça, utilizadas para lavar os pés = semente = raiz
para uma nova vida, de Jesus, transformada pela iniciação ou exaltação =
cabelos = coroa que enxuga os pés (curvar-se = mergulho ou baptismo =
introjetar-se) em acto de renascimento pela instalação do único Senhor, o Eu
Superior = Cristo = o Perfeito no comando da sua vida.
Assim posso dizer com fé, amor e plena consciência: “Mais radiante que o
sol, mais puro que a neve, mais subtil que o éter é o EU, o Espírito dentro de
meu coração, eu sou esse EU, esse EU sou eu”.
Antonio Luiz Morais, M. M. – ARLS Theobaldo Varoli Filho, n° 2699, GOSP –
Brasil.
Bibliografia
- Ritual
de Mestre – R.E.A.A.
- Bíblia
Sagrada, traduzida por João Ferreira de Almeida A Simbólica Maçónica –
Jules Boucher
- Grau
do Mestre Maçom e Seus Mistérios – Esta é a Maçonaria – Jorge Adoum