Antes da ascensão de Hitler ao poder em 1933, a Maçonaria
alemã já se encontrava profundamente dividida e enfraquecida. Existiam 9
Grandes Lojas no país, divididas em dois grupos principais: as três "Velho
Prussianas", de caráter conservador e cristão, que não de origem judaica
ou do Antigo Testamento, na esperança de serem toleradas.
Aceitavam judeus em seus quadros, e as seis
"Humanitárias", que nominalmente não faziam distinção religiosa. Essa
cisão impedia qualquer ação unificada da Ordem, enquanto a propaganda da
extrema-direita, especialmente a partir de 1919, difundia incansavelmente a
teoria da "conspiração judaico maçônica", responsabilizando a
Maçonaria pela derrota na Primeira Guerra e pelos males da República de Weimar.
Livros como os de Friedrich Wichtl e do General Ludendorff tornaram-se
best-sellers, associando a Ordem ao "perigo judaico" e difamando sua
imagem perante o povo.
A pressão constante e o medo da crescente influência do
Partido Nazista já causavam uma debandada de membros antes mesmo de 1933. Em
1932, uma Loja "Velho Prussiana" relatava uma perda de um terço de
seus integrantes em seis anos. Imediatamente após a tomada do poder, as Grandes
Lojas Humanitárias, percebendo que não teriam lugar no novo regime,
simplesmente se autodissolveram.
As "Velho Prussianas", numa tentativa desesperada
de sobreviver, apressaram-se em declarar sua lealdade ao regime, abandonando o
título de "maçons", renomeando-se como "Ordens Cristãs
Alemãs" e expurgando de seus rituais qualquer elemento
Essa estratégia de submissão revelou-se inútil. Apesar de
inúmeras cartas e apelos ao governo e ao Partido Nazista, os maçons foram
tratados como "cidadãos de segunda classe" e impedidos de ingressar
nas organizações do partido. Em maio de 1935, o Ministério do Interior do Reich
ordenou a dissolução imediata das três Ordens Cristãs Alemãs, que foram
formalmente extintas em cerimônias vigiadas pela Gestapo entre junho e julho
daquele ano.
A Maçonaria alemã estava oficialmente morta, e seus prédios
foram posteriormente convertidos em museus antimaçônicos, enquanto uma nova
onda de propaganda difamava a Ordem.
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Por Bro. Ellic Howe, 1982.
