Antes de adentrarmos no tema, há um aspecto que gostaria de apresentar. Sabemos que há deuses gregos e deuses romanos e que muitos deles têm os mesmos atributos, mudando apenas o nome.
A representação da sabedoria pela iconografia grega é Atena e, pela iconografia
romana, é Minerva. Ambas personificam a sabedoria, a estratégia, as artes ou os
artesões. Contudo, Atena tem um plus diferencial: ela
também inspira a aplicação da justiça.
Quando, então, falamos do Trono de Salomão, de forma instintiva somos remetidos
à ideia de que ele foi o homem mais sábio do mundo. Portanto, o Venerável
Mestre, ao ser instalado, deve ser a sabedoria personificada, estando, logo,
sob a égide de Minerva?
Permitam-me, pois, uma indagação. Qual é o momento histórico de Salomão de que
o Irmão se lembra da aplicação de sua sabedoria? Teria sido quando ele se
casava com as filhas de seus parceiros comerciais e possíveis desafetos,
aumentando seu reino e evitando guerras?
Nesse árduo trabalho de evitar conflitos, ele teve 700 esposas e 300
concubinas. Haja sabedoria horizontal! Todavia, sua sabedoria vertical é sempre
lembrada no tribunal, quando duas mulheres reclamavam a maternidade de um bebê
(1Reis 3:23-28). Salomão mandou buscar uma espada para que a criança fosse
cortada em duas partes e cada mulher ficasse com uma. A verdadeira mãe preferiu
que o filho permanecesse vivo com outra pessoa, demonstrando, assim, o
verdadeiro amor materno.
É nesse ponto que destaco o versículo 28: “E todo o Israel ouviu a sentença
que dera o rei e temeu ao rei, porque viram que havia nele a sabedoria de
Deus para fazer justiça”.
O VENERÁVEL MESTRE TEM A CONDIÇÃO E A MISSÃO DE SABIAMENTE FAZER JUSTIÇA.
É uma instrução maçônica que a espada à frente do Venerável Mestre consiste em uma arma simbólica, que deve ser usada para repelir, de forma rápida, toda insubordinação, tudo o que possa aviltar os Obreiros e, sobretudo, excluir de nosso meio aqueles que não nos reconhecem e não nos tratam como Irmãos.
A JUSTIÇA DE SALOMÃO É A SABEDORIA MAÇÔNICA.
A ESPADA NÃO É PARA EMANAR LUZ E FOGO, MAS, SIM, EQUIDADE E
IMPARCIALIDADE.
O Esquadro colocado sobre seu peito é a marca indelével de que só se deve agir
de uma única forma – com retidão. Quando vemos as imagens da justiça com os
olhos vendados, pensamos que ela é cega ou é para demonstrar sua
imparcialidade.
Entretanto, na Maçonaria, a justiça não é cega. Ela visualiza a má intenção nos
recôncavos mais escuros do homem. Por incrível que possa parecer, ela não é
imparcial, ela é sectarista na aplicação única dos Estatutos da Ordem.
Por isso, retorno à pergunta tema: O VM ESTÁ SOB A ÉGIDE DE MINERVA OU DA
JUSTITIA?
Sem qualquer tentativa de afronta ou desrespeito às tradições, mas em prol das
Lojas e do futuro da Maçonaria, creio que o Venerável Mestre deveria atuar
menos em Minerva e mais em Justitia, a deusa romana da justiça. Ela personifica
a moral e o cumprimento dos deveres como base para os direitos.
Duas décadas de compartilhamento do que aprendi com o único propósito de ofertar às Lojas material para o QUARTO DE HORA DE ESTUDO, ATIVIDADE OBRIGATÓRIA DE UMA LOJA MAÇÔNICA, e uma salutar provocação dominical aos amados Irmãos. São artigos curtos e objetivos, a fim de dar espaço à pesquisa, entre o pouco que sei e o muito que desejo que os Irmãos se aprofundem sobre os temas.
Salamaleico - Rubor et Furor
Fraternalmente
Sérgio Quirino
Minas Gerais Shrine Club
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