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quarta-feira, 25 de outubro de 2017

O QUE É SER LIVRE?


O conceito de liberdade nem sempre é bem interpretado. Ser livre significa, de pronto, ter-se a faculdade de se poder fazer ou de se deixar de fazer alguma coisa. 

Isso parece estabelecer o direito de cada um poder dispor de sua pessoa como bem entender, sem se sujeitar a qualquer tipo de imposição ou de coação física ou moral.

Mas, ao mesmo tempo, só é livre aquele que goza de sua plena dignidade como ser humano, pois ser livre não significa mudar de senhor, mas, sim deixar de ser escravo.

A vontade é um componente importante na manutenção de nossa liberdade. É ela que determina se seremos escravos de uma ideia, de um vício. E é ela que molda nossos atos, colocando-nos sob a proteção da lei ou sob sua mira punitiva. Enfim, ser livre é nunca dar a ninguém o direito de ferir nossa integridade moral.

Quando somos iniciados maçons, nossa Ordem sonda nossa alma, nosso caráter, nosso coração e nossa inteligência, procurando saber se somos realmente livres. 

Livres de preconceitos, da preguiça de trabalhar ou de procurar a verdade.

A Maçonaria não nos impõe sua verdade. Ao contrário, concita-nos a investigá-Ia, pois, sabiamente, nossa Instituição entende que cada um de nós procura a sua verdade pessoal. Nosso irmão, o grande poeta clássico alemão Goethe, informava-nos de que a verdade possui particularidades absolutamente individuais.

O Grande Arquiteto do Universo dotou-nos de livre arbítrio. A partir daí, somos livres para agir, sem nos esquecermos, é claro, de que a cada ação corresponde uma reação em sentido contrário e em igual intensidade. Destarte, procuremos nos lembrar sempre de que não podemos fazer tudo o que queremos, mas sim o que podemos ou devemos.

Imagine-se membro de uma orquestra. Você tem liberdade de executar seu instrumento, mas tudo dentro de um tempo e de um compasso estabelecidos anteriormente, além das notas que são escritas para sua participação.

Você pode desrespeitar tudo isso e tocar como quiser, mas estará prejudicando a todos, principalmente a você. Sua atuação correta, por outro lado, será benéfica a todos. A Maçonaria é uma floração mística da alma. E a mística maçônica é apoiada na razão. Por isso, sabemos que quem traz ganha; quem vem apenas buscar, perde.

A realidade é que o trabalho é um hino de amor à vida. Trabalharam-se, merecemos um salário. Não é por acaso que os maçons são chamados de obreiros. Prestamos um juramento de modo livre, sem coação, de combatermos a ignorância, os erros, a injustiça e de glorificarmos o amor, a justiça, o direito e a verdade.

Quando não trabalhamos por preguiça ou desinteresse, descurando-nos das tarefas que nos são cometidas, estamos nos esquecendo de parte do juramento que fizemos, qual seja o de respeitar aos que vierem a ser nossos superiores hierárquicos e agredimos à nossa própria razão.

E o que é pior: agredimos aos nossos irmãos, também. Gibran dizia que o culpado é, muitas vezes, a vítima do ofendido.

É melhor termos para receber do que para pagar. Afinal, somos livres ou escravos do descumprimento do dever? O homem livre encontra a paz no cumprimento do dever.

Nunca procuremos nos justificar por não termos realizado o que era de nossa obrigação fazer e que a preguiça ou o desinteresse não nos permitiu. Cada um de nós percebe quando os ouvidos e o coração ficam contentes ou não com o que ouvem da boca.

Nosso amado Mestre Jesus alertou-nos: conhecereis a verdade e ela vos libertará. E a maior verdade que precisamos conhecer é sobre nós mesmos.

Quantas faces da verdade sobre nós mesmos já procuramos conhecer?

Somos livres para amar, para sermos tolerantes, solidários, fraternos, leais. Nossos atos é que constituem o melhor ensinamento que poderemos transmitir aos nossos irmãos e semelhantes.

Bebamos mais um pouco da sabedoria de Gibran Khalil Gibran, orientando- nos sobre nossas preces a Deus: Nada Te podemos pedir, pois Tu conheces nossas necessidades antes mesmo que nasçam em nós. 

E continua o grande pensador libanês: Se penetrardes no templo unicamente para pedir, nada recebereis. É bastante que entreis no templo invisível. E Gibran maravilha-nos quando comenta a comunhão da abelha com a flor, falando-nos do prazer que a abelha sente em sugar o mel da flor. E a flor sente-se feliz por poder oferecer o mel à abelha, a fim de que esta possa levar lenitivo a quem sofre de amargura.

Aquele que vive escondido na sombra acaba tendo medo da luz. O Maçom deve dizer, sem medo de desagradar a seus ouvidos e a seu coração: Sou livre e honro o Criador, amando a criatura.

Faço isso livremente porque desejo viver um dia na luz plena, onde não haverá trevas nem amargura e onde todos serão verdadeiramente irmãos e bendirei todas as ações que desenvolvi, contribuindo para que nosso templo fosse sempre um reflexo da ordem e da beleza que resplandecem no trono do Grande Arquiteto do Universo.

Autor: Pedro Campos de Miranda


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