sábado, 17 de janeiro de 2026

O PAPEL ESSENCIAL DA JUVENTUDE NA MAÇONARIA

 

A Maçonaria carrega uma história riquíssima e reúne muitos homens que marcaram seu tempo. Mas, em determinados momentos, vale a pena olhar com atenção para o agora — e, especialmente, para aqueles que estão sendo formados hoje e poderão se tornar referências amanhã.

 

A vitalidade da Ordem depende de quem chega com disposição, visão e vontade de construir. Os jovens não são apenas herdeiros da Arte; são parte do que mantém seus ideais acesos em um mundo em constante mudança.

Falo isso também por experiência própria. Hoje estou no fim dos meus vinte anos, mas minha caminhada começou cedo.

 

Aos 14 anos, fui iniciado na Ordem DeMolay (patrocinada pela Maçonaria) na Romênia. Foi ali que aprendi, ao lado de outros jovens, valores como liderança, responsabilidade e serviço. Aos 17, como Mestre Conselheiro do meu Capítulo — função equivalente, em responsabilidade simbólica, à do Venerável Mestre — entendi que fraternidade não se sustenta apenas em palavras: ela se prova no trabalho e na postura.

Ao completar 18 anos, decidi dar um passo importante e pedi ingresso em uma loja ligada ao ramo continental/liberal da Maçonaria, ciente de que não se tratava do modelo regular anglo-saxão. Meu interesse não era política maçônica, mas sim o aperfeiçoamento pessoal e a possibilidade de contribuir, junto aos irmãos, para uma transformação concreta na sociedade.

 

Talvez eu tenha compreendido melhor essa mensagem por ter sido formado ainda jovem, antes de me deparar com certas durezas e ambiguidades da vida adulta. E não tenho dúvida de que muitos outros jovens compartilham essa mesma disposição.

Como a vida não é uma linha reta, meu caminho maçônico também não foi. Mais tarde, passei a integrar outra obediência e outra loja, desta vez no Rito de Memphis. Ali, irmãos mais velhos e experientes depositaram em mim confiança suficiente para me conceder a responsabilidade de ser Venerável Mestre aos 22 anos.

 

Eu poderia contar outras histórias, mas este texto não é sobre mim. Ele é sobre muitos jovens — muitas vezes anônimos — que carregam o mesmo zelo e o mesmo desejo sincero de contribuir para o “Templo da Humanidade”: irmãos que vestem o avental branco como símbolo de pureza e procuram manter as luvas brancas também fora do templo, fazendo sua luz ser vista no mundo profano.

Na prática, jovens irmãos frequentemente são os que assumem tarefas mais exigentes, se voluntariam para o trabalho, puxam iniciativas, levam ferramentas e tecnologias para a rotina das lojas e ampliam a presença da Fraternidade na comunidade.

 

Essa energia faz diferença. Ela impede que a Maçonaria se torne apenas contemplação e a mantém também como ação. Energia, aqui, também significa resiliência: disposição para dedicar horas a projetos, viajar para encontros, se envolver com a vida da loja e sustentar compromissos com constância. Esse dinamismo evita a estagnação e, muitas vezes, reacende nos irmãos mais antigos o entusiasmo pela própria caminhada.

Além disso, os jovens costumam trazer abertura. Estão mais dispostos a aprender, a ouvir, a fazer perguntas e a experimentar abordagens novas quando isso serve ao bem maior. Em geral, são menos presos a hábitos rígidos e mais inclinados a adaptar formas de trabalho, sem necessariamente abandonar princípios. Essa receptividade permite integrar valores maçônicos aos desafios atuais — seja pela comunicação digital, por projetos sociais, por iniciativas de formação ou pelo diálogo com diferentes realidades culturais.

 

Não é raro ver como jovens transformam o clima das reuniões: o entusiasmo tira a loja da rotina; as perguntas fazem os mais experientes revisitarem ensinamentos com novos olhos; e a disposição ao diálogo cria pontes entre tradições e visões distintas.

Ainda assim, é fundamental reconhecer: a juventude, sozinha, não sustenta a Arte. A experiência dos irmãos mais antigos é o que oferece direção, profundidade e estabilidade. Ao mesmo tempo, sem juventude, a experiência corre o risco de virar acomodação.

 

A Maçonaria prospera quando essas duas forças trabalham juntas: a sabedoria oferece a bússola; a juventude oferece o impulso. Nem sempre esse equilíbrio é simples. Jovens podem questionar práticas e tradições; irmãos mais velhos podem resistir a mudanças. Mas é justamente nessa tensão — quando bem conduzida — que a Ordem amadurece.

A Maçonaria não foi feita para ficar parada. Ela precisa evoluir sem perder o essencial. E os jovens ajudam a garantir que esse movimento continue.

 

Por isso, uma Maçonaria saudável é aquela que investe nos jovens: tanto por meio de organizações juvenis maçônicas quanto abrindo espaço real, dentro das lojas, para que jovens merecedores cresçam. Isso inclui responsabilidades concretas, funções de trabalho e, quando apropriado, dignidades na Loja e na Grande Loja — não como enfeite, mas como oportunidade real de contribuição.

Talvez esse também seja um caminho para países que enfrentam o envelhecimento do quadro. Quando jovens estão presentes e são valorizados, outros jovens enxergam que também há lugar para eles. Entendem que são relevantes dentro de uma Fraternidade com cerca de três séculos de história — e que podem construir uma trajetória ali.

 

Quem sabe, assim, mais jovens se aproximem. E, junto deles, até os irmãos mais antigos se renovem — tornando a Maçonaria, na prática, cada vez mais viva.

Autor: Gabriel Anghelescu

 

Fonte: The Square Magazine

 


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