terça-feira, 7 de julho de 2026

ENTRE A LUZ E A SOMBRA: A PEDRA BRUTA DO AUTOCONHECIMENTO

A antiga inscrição do Templo de Delfos dizia: “Conhece-te a ti mesmo.”

Séculos depois, essa continua sendo uma das maiores e mais difíceis tarefas do ser humano.

Conhecer o mundo é importante. Conhecer os outros também. Mas talvez o maior desafio seja olhar para dentro de si mesmo com honestidade suficiente para reconhecer virtudes, defeitos, limites e potencialidades.

Foi justamente nesse caminho que Carl Jung desenvolveu a teoria da Sombra. Segundo ele, todos nós carregamos uma parte oculta da personalidade: medos, ressentimentos, vaidades, preconceitos, inseguranças e impulsos que preferimos não enxergar. Não porque sejamos maus, mas porque somos humanos.

A sombra não é formada apenas pelos defeitos que escondemos dos outros. Muitas vezes, ela é composta pelos defeitos que escondemos de nós mesmos.

E talvez aí esteja uma das mais belas conexões entre a psicologia junguiana e a Maçonaria.

Quando ingressamos na Ordem, recebemos a missão simbólica de lapidar a Pedra Bruta. À primeira vista, imaginamos que essa pedra representa apenas nossos vícios mais evidentes. Com o passar do tempo, porém, descobrimos que as arestas mais difíceis de aparar são justamente aquelas que não conseguimos ver.

A vaidade que criticamos nos outros.

A intolerância que condenamos.

O orgulho que apontamos.

 

 

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