sexta-feira, 31 de julho de 2026

FORMAÇÃO – O SILÊNCIO MAÇÔNICO


Silêncio, no que se refere à Ordem, está intimamente relacionado aos segredos e simbolismos maçónicos (boa parte destes públicos atualmente, revelados em páginas e páginas da Internet).

É uma pena que a maioria dos indivíduos que as constroem sejam pessoas que, um dia, mereceram a confiança de irmãos em Loja e que, além de não assimilarem a filosofia embutida em tantas alegorias, não foram merecedores do respeito um dia neles depositado.

As convicções adquiridas, no entanto, me fazem crer que muito do que constitui os segredos maçónicos são impossíveis de se revelar, posto que estão na alma do iniciado na arte real.

Lembranças que vem à mente reportam-me aos meus primeiros contatos com a Sublime Instituição, onde somos recebidos por advertência contida na frase “TUDO QUE AQUI OUVIRES, TUDO QUE AQUI SOUBERES, QUANDO DAQUI SAÍRES DEIXE QUE FIQUE AQUI”.

Na progressão das instruções, fica claramente estabelecido ao Aprendiz que o seu papel será principalmente de ouvinte, que a Ordem espera que ele saiba muito mais escutar do que falar; palavras sempre com significado semelhante… manter o silêncio como sua virtude maior.

Desde cedo aprendemos que, em Maçonaria, o silêncio tem um rico significado, que incita ao neófito analisar os mistérios do seu íntimo, buscar dentro de si mesmo as suas verdades absolutas, com as quais trabalhará de hora em diante. Ficamos sabendo que o significado simbólico do desbastar a pedra bruta significa lapidar o nosso interior, buscando cepilhar rudezas e asperezas para que, polidos, sejamos virtuosos e justos.

A necessidade da exaltação do silêncio, na Maçonaria, remete aos mais antigos conhecimentos da humanidade, sendo utilizado por várias religiões, congregações filosóficas e outras entidades afim. Desde as primeiras civilizações, notadamente as que tinham sociedades iniciáticas, o silêncio é um importante elemento cultural, imposto drasticamente para salvaguardar os seus segredos.

São exemplos para nós os egípcios que, entre magos e sacerdotes, ao serem iniciados assumiam um estado de silêncio total, a fim de se manterem os segredos e incitá-los à meditação.

Igualmente, o budismo também valorizava o silêncio como condição para a contemplação. Os essênios tinham como principais símbolos um triângulo contendo uma orelha e outro contendo um olho, significando que a tudo viam e ouviam, mas não podiam falar, por não terem boca. Para os talhadores de pedras, o segredo e o silêncio sobre a sua arte eram uma questão de sobrevivência, constituindo-se inclusive num salvo-conduto.

Quando da unificação, a Grande Loja Unida de Inglaterra adotou a legenda “audi, vide, tace” (ouça, veja, cale). Elementos não faltam na literatura maçónica para salientar a importância do silêncio: as “Old Charges” (Antigas Obrigações), pregavam o silêncio, a circunspecção e a compostura durante os trabalhos.

A constituição de Anderson pregava a prudência e o silêncio, notadamente em relação aos profanos. E, nos Landmarks de Mackey, o n° 23 refere-se ao sigilo que o Maçom deve conservar sobre todos os conhecimentos que lhe são transmitidos e dos trabalhos em Loja, sendo que as cartas constitutivas de todas as Obediências contêm referências com o mesmo sentido.

A Lei do Silêncio é a origem de todas as verdadeiras iniciações. Segundo Wirth, o ensino deve ser pelo silêncio, nada de palavras que podem faltar com a verdade. Nada mais é do que um perpétuo exercício do pensamento.

Calar não consiste somente em nada dizer, mas também em deixar de fazer qualquer reflexão dentro de si, quando se escuta alguém falar. Não se deve confundir silêncio com mutismo. Segundo Aslan, o primeiro é um prelúdio de abertura para a revelação, o segundo é o encerramento dela. O silêncio envolve os grandes acontecimentos, o mutismo os esconde. Um assinala o progresso, o outro a regressão.

Dizem as regras monásticas que o silêncio é uma grande cerimônia, pois Deus chega na alma que nela faz reinar o silêncio, mas torna mudo a que se distrai em tagarelices.

Os mistérios na Maçonaria devem ser velados em silêncio, pois em relação ao mundo profano os nossos segredos existem com o objetivo de não os poluir pelos que não se encontram preparados para entendê-los, e nada mais perigoso do que a verdade mal compreendida.

Somente o homem capaz de guardar o silêncio será disciplinado em todos os outros aspectos do seu ser, e assim poderá se entregar à meditação. Enfim, o silêncio é a virtude maçônica que desenvolve a discrição, corrige os defeitos, permite usar a prudência e a tolerância em relação aos defeitos e faltas dos semelhantes.

A leitura de textos e obras de sapientes irmãos mostra que mesmo que algumas coisas sejam ditas, o profano nunca saberá o real significado da filosofia maçônica, uma vez que ela está alicerçada no interior de cada Maçom. Entre os próprios irmãos nota-se que a linha divisória do entendimento das bases filosóficas e do simbolismo que rege o processo ritualístico é muito subtil.

O ambiente que criamos, compenetrando-nos, antes de iniciarmos os trabalhos em Loja cria-nos uma condição especial, essencial para que a energia emanada do ritual e dos próprios irmãos sirva de cinzel e nos ajude a polir a nossa pedra bruta interior. As transformações que obtemos, são essencialmente nossas, íntimas, adquiridas através do incessante desbastar.

O silêncio maçônico foi entendido durante muito tempo como uma arma de arremesso social: nada se sabia do que se passava ou do que passava pelas lojas maçônicas. Mas, apesar do temor das sociedades esse silêncio era diretamente correlacionado com a prática ritualística. O silêncio, maçônico, certamente, está na base do entendimento do conceito de segredo.

Na Maçonaria, o segredo é, antes de qualquer coisa, uma prática de humildade. Diferentemente do que entenderam muitos governos totalitários, e mesmo maçons, especialmente alguns que se tornaram irregulares, o segredo (e o silêncio) nunca foi uma forma conspiratória, ou instrumento de sabotagem.

É, isso sim, um mecanismo, um instrumento de aprendizagem. Na verdade, é muito mais do que isso: é um ato de humildade, que o homem iniciado se permite trazer de volta depois de tê-la perdido em algum momento do seu crescimento pessoal.

O exercício do silêncio, e da plena consciência de que é preciso manter a boca fechada, deve ser uma das metas de aprendizagem mais caras do iniciado, porque quem ostenta publicamente uma regra qualquer de educação e só por isso se sente diferente dos demais, então é porque considera todos os outros inferiores a si, o que foge totalmente do que se procura ensinar em Maçonaria.

Até porque na Maçonaria não deve existir espaço para aqueles que se ostentam diferentes. Deve existir espaço para os que, pela diferença e no silêncio dos seus trabalhos, fazem o progresso da sociedade. Ou seja, ao revelar ao profano o que só compete aos iniciados discutir e absorver, mostra-nos que não aprendemos nada e que, portanto, não estamos verdadeiramente revelando o que significa ser um Maçom verdadeiro.

É por isto que palavras, na grande maioria dos casos, são inúteis para revelar as nossas conquistas interiores. Isto é bom, porque mostra e comprova que a discrição e o silêncio continuarão sendo virtudes marcantes para o iniciado. Por outro lado, apresenta alguma dificuldade porque não podemos mostrar aos próprios irmãos toda a magnitude das nossas conquistas interiores. Podemos, isso sim, mostrar que somos indivíduos melhores e mais justos em função do que aprendemos desta arte real.

Acredito, hoje, que a preservação dos segredos maçônicos transpassa a simples explicação de que não devemos revelar os nossos mistérios. Os mistérios serão sempre revelados aos iniciados, pelo simples fato de que a busca interior que temos que fazer só funciona bem quando estamos respaldados pelo ambiente altamente energizado de uma sessão ritualística.

Tal como nos ensina o ritual, os espíritos desatentos encaram as instituições como expedientes imaginados pelo interesse ou pelo capricho de um homem ou grupo de homens. Não dão contas de que o segredo da Maçonaria consiste apenas na existência indispensável de um sistema iniciático, que somente se revela (ao iniciado) quando o desejo deste, de aprender e de se aperfeiçoar, fará com que busque a verdadeira concepção das verdades que regem a sua força espiritual, e que estará sempre dentro de si mesmo.

Autor desconhecido

terça-feira, 28 de julho de 2026

QUAL MAÇONARIA ESTAMOS PRATICANDO?


Qual Maçonaria estamos praticando? A que nos transforma ou apenas a que nos mantém iguais?

A Maçonaria é uma escola de aprimoramento pessoal. Sua linguagem é simbólica, suas ferramentas são inspiradas na construção operativa e seus ensinamentos apontam para a edificação de um homem melhor. Mas uma pergunta precisa ser feita com sinceridade: estamos realmente utilizando essas ferramentas para transformar a nossa vida? E, mais importante ainda, como medimos essa transformação?

Ao longo dos meus vinte anos de Ordem, essa talvez tenha sido a reflexão que mais me acompanhou. Como a Maçonaria transformou a minha vida?

Posso afirmar, sem hesitar, que ela me tornou um homem melhor. Mais do que isso, ensinou-me algo ainda mais valioso: reconhecer diariamente as minhas imperfeições. Compreendi que a evolução não é um estado permanente, mas um exercício constante. Basta um momento de orgulho, de vaidade, de ira ou de descuido para retrocedermos anos de aprendizado.

A Maçonaria não nos promete homens perfeitos. Ela nos convida a sermos homens conscientes de nossas limitações. Ensina que a queda faz parte da caminhada, mas também que jamais devemos desistir. Se necessário for, voltamos ao início, retomamos as ferramentas e recomeçamos nossa construção interior.

Frequentar as sessões, estudar os rituais, apresentar trabalhos ou ouvir palestras sobre filosofia, história, espiritualidade e simbolismo, por si só, não nos torna melhores. Todo esse conhecimento só cumpre sua finalidade quando ultrapassa as paredes do Templo e passa a fazer parte das nossas atitudes.

A verdadeira pergunta não é o quanto aprendemos, mas o quanto aplicamos. Como cada símbolo, cada alegoria e cada ferramenta podem nos ajudar a sermos melhores pais, filhos, esposos, profissionais, amigos e cidadãos? Primeiro compreendemos o ensinamento. Depois, temos a coragem de vivê-lo.

Vivemos em uma época em que o tempo é escasso, os relacionamentos se tornam superficiais e a competição parece ocupar o lugar da cooperação. Talvez nunca tenha sido tão necessário colocar em prática aquilo que aprendemos na Ordem. Afinal, a verdadeira construção maçônica acontece quando o homem leva o Templo para dentro de si e faz de sua própria vida a maior obra que poderá realizar.

No fim, a resposta à pergunta inicial depende apenas de cada um de nós. Estamos praticando a Maçonaria que transforma ou apenas a Maçonaria que frequentamos?

Fraternalmente,

Arlindo Batista Chapeta

 

quinta-feira, 23 de julho de 2026

O VM ESTÁ SOB A ÉGIDE DE MINERVA OU DA JUSTITIA?


Antes de adentrarmos no tema, há um aspecto que gostaria de apresentar. Sabemos que há deuses gregos e deuses romanos e que muitos deles têm os mesmos atributos, mudando apenas o nome.

A representação da sabedoria pela iconografia grega é Atena e, pela iconografia romana, é Minerva. Ambas personificam a sabedoria, a estratégia, as artes ou os artesões. Contudo, Atena tem um plus diferencial: ela também inspira a aplicação da justiça.

Quando, então, falamos do Trono de Salomão, de forma instintiva somos remetidos à ideia de que ele foi o homem mais sábio do mundo. Portanto, o Venerável Mestre, ao ser instalado, deve ser a sabedoria personificada, estando, logo, sob a égide de Minerva?

Permitam-me, pois, uma indagação. Qual é o momento histórico de Salomão de que o Irmão se lembra da aplicação de sua sabedoria? Teria sido quando ele se casava com as filhas de seus parceiros comerciais e possíveis desafetos, aumentando seu reino e evitando guerras?

Nesse árduo trabalho de evitar conflitos, ele teve 700 esposas e 300 concubinas. Haja sabedoria horizontal! Todavia, sua sabedoria vertical é sempre lembrada no tribunal, quando duas mulheres reclamavam a maternidade de um bebê (1Reis 3:23-28). Salomão mandou buscar uma espada para que a criança fosse cortada em duas partes e cada mulher ficasse com uma. A verdadeira mãe preferiu que o filho permanecesse vivo com outra pessoa, demonstrando, assim, o verdadeiro amor materno.

É nesse ponto que destaco o versículo 28: “E todo o Israel ouviu a sentença que dera o rei e temeu ao rei, porque viram que havia nele a sabedoria de Deus para fazer justiça”.

O VENERÁVEL MESTRE TEM A CONDIÇÃO E A MISSÃO DE SABIAMENTE FAZER JUSTIÇA.

É uma instrução maçônica que a espada à frente do Venerável Mestre consiste em uma arma simbólica, que deve ser usada para repelir, de forma rápida, toda insubordinação, tudo o que possa aviltar os Obreiros e, sobretudo, excluir de nosso meio aqueles que não nos reconhecem e não nos tratam como Irmãos.

A JUSTIÇA DE SALOMÃO É A SABEDORIA MAÇÔNICA.

A ESPADA NÃO É PARA EMANAR LUZ E FOGO, MAS, SIM, EQUIDADE E IMPARCIALIDADE.

O Esquadro colocado sobre seu peito é a marca indelével de que só se deve agir de uma única forma – com retidão. Quando vemos as imagens da justiça com os olhos vendados, pensamos que ela é cega ou é para demonstrar sua imparcialidade.

Entretanto, na Maçonaria, a justiça não é cega. Ela visualiza a má intenção nos recôncavos mais escuros do homem. Por incrível que possa parecer, ela não é imparcial, ela é sectarista na aplicação única dos Estatutos da Ordem.

Por isso, retorno à pergunta tema: O VM ESTÁ SOB A ÉGIDE DE MINERVA OU DA JUSTITIA?

Sem qualquer tentativa de afronta ou desrespeito às tradições, mas em prol das Lojas e do futuro da Maçonaria, creio que o Venerável Mestre deveria atuar menos em Minerva e mais em Justitia, a deusa romana da justiça. Ela personifica a moral e o cumprimento dos deveres como base para os direitos.

Duas décadas de compartilhamento do que aprendi com o único propósito de ofertar às Lojas material para o QUARTO DE HORA DE ESTUDO, ATIVIDADE OBRIGATÓRIA DE UMA LOJA MAÇÔNICA, e uma salutar provocação dominical aos amados Irmãos. São artigos curtos e objetivos, a fim de dar espaço à pesquisa, entre o pouco que sei e o muito que desejo que os Irmãos se aprofundem sobre os temas.

Salamaleico - Rubor et Furor

Fraternalmente

Sérgio Quirino
Minas Gerais Shrine Club

 

 

domingo, 19 de julho de 2026

POR QUE FUNDAR UMA LOJA MACÔNICA?

Se existe um “tabu” na Maçonaria é a fundação de novas lojas maçônicas, principalmente nas cidades onde já existem lojas.

Sob a alegação que “os irmãos vão-se dividir, ao invés de somar” ou uma simples pergunta “por que mais uma Loja?”, os maçons parecem não aceitar com naturalidade o argumento da criação de uma nova oficina.

Mas, quais são os motivos, as razões que levam os irmãos a fundarem uma Loja maçônica?

É o que pretendemos analisar neste texto.

1_ Implementação de um novo rito:

* um rito é um sistema de cerimônias que pretende dar continuidade ao ensinamento maçônico.

* Funda-se uma nova Loja maçônica para que os maçons possam ter acesso a um novo modo de difundir o conhecimento na Maçonaria, isto é, uma nova escola de pensamento que segue as linhas gerais da instituição.

* Assim, o primeiro ponto da fundação de novas lojas diz respeito à possibilidade de ofertar aos irmãos um rito diferenciado dos que já existem numa cidade, por exemplo.

* Claro que, ao conhecer um novo rito, o Maçom pode, consequentemente, incentivar o debate sadio de cultura da instituição.

* Lógico que, no final desta conta, todos saem ganhando.

2_ Resolução de conflitos:

* não são raras as situações que novas lojas maçônicas são criadas para solucionar problemas de relacionamento entre os irmãos.

* Talvez esta seja a oportunidade mais adequada para dizimar conflitos internos.

* Ora, se existem dois grupos com ideais distintos, qual a vantagem de mantê-los dividindo o mesmo teto, a mesma sessão?

* Sim, o ideal é que não entrassem em querela.

* Entretanto, elas são típicas do ser humano.

* Se ambos desejam trabalhar maçônicamente, a instituição não se pode privar de oferecer esta possibilidade.

3_ Ampliação de território:

* Seja para uma cidade em que não há Maçonaria, seja para “ganhar terreno” dentro de um grande município, a criação de lojas neste sentido é interessante, uma vez que uma nova comunidade pode ser beneficiada com os trabalhos de uma Loja maçônica.

* Cada grupo, portando as suas peculiaridades, irá atuar maçônicamente de acordo com os seus princípios, a sua vocação.

* E, assim, todos ganham: a região que ainda não possui uma Loja passará a contar com homens dispostos a mudar a realidade local;

* a que já possui ampliará o leque de possibilidades da atuação da Maçonaria naquela localidade.

Diante destas vantagens, constatamos que os argumentos dos contrários à fundação de novas lojas maçônicas não se sustentam.

Para isto, os “fundadores” devem levar a sério a criação da nova oficina, pois a responsabilidade tanto interna quanto externa é grande.

A instituição não pode e não deve fugir do dever dos membros de uma Loja maçônica para a comunidade em que ela está instalada.

Portanto, pense bem antes de propor a criação de uma Loja.

Afinal, se o projeto não vingar, os fracos argumentos contrários continuarão sempre a prosperar face aos inúmeros benefícios existentes – por única e exclusiva culpa daqueles que não souberam alavancar o novo empreendimento.

Tiago Valenciano M.'.M.'.

 

quinta-feira, 16 de julho de 2026

PRECE MAÇÔNICA

 

O amanhecer não conhece fronteiras.

Quando a luz rompe o horizonte, ela não escolhe sobre qual credo, qual bandeira ou qual história ela irá repousar, pois ela simplesmente desperta o mundo.

O novo dia é a página em branco que nos é oferecida, sendo um consenso universal de uma nova oportunidade, independentemente de como nomeamos o Mistério da Origem ou da Existência.

Todos compartilhamos a mesma respiração que nos permite saudar o Sol.

O Convite da Alvorada é que, neste momento em que o mundo recomeça, deixemos de lado o que nos separa.

A luz que entra pela janela não pertence a nenhuma doutrina, ela é o presente comum de uma vida que insiste em florescer.

Na quietude do reinício, encontramos o espaço para agradecer o dom de estarmos aqui.

No movimento reconhecemos que nossas mãos, independentemente da crença que carregam, são instrumentos de construção, cura e cuidado.

Na esperança, nos unimos de forma silenciosa, para que este dia seja, para todos e cada um de nós, um terreno de paz e compreensão.

"Que a luz deste novo dia seja o fio que nos tece em uma única humanidade, lembrando-nos de que a bondade é o idioma que todos compreendem sem precisar de tradução."

O compromisso comum com o novo dia não exige perfeição, apenas presença.

Que possamos vivê-lo com a consciência de que o outro é, também, um viajante da mesma jornada.

Que o nosso agir hoje seja reflexo de um respeito profundo pela sacralidade da vida, essa força vital que, em silêncio, habita cada coração, cada cultura e cada horizonte.

Hoje é, por natureza, um dia sagrado, porque é o dia em que temos a chance de sermos, simplesmente, melhores uns para os outros.

Que a aurora de hoje nos encontre não como estranhos, mas como guardiões da mesma luz que nos desperta.

Sob a Luz e a crença nos sagrados que cada um de nós, em nosso mais profundo íntimo, possui, e que sintetizamos na expressão GRANDE ou SUPREMO ARQUITETO DO UNIVERSO, nos faça cada dia mais humanos e mais focados em construir uma sociedade mais justa e mais perfeita.

Antônio Guedes

terça-feira, 14 de julho de 2026

IRMÃO ADORMECIDO

Muitas vezes ouvimos alguém dizer: “aquele Irmão está adormecido “, “aquele ali é um Maçom adormecido “, e outras expressões parecidas.

Mas afinal, o que é um “Irmão Adormecido”?

Se tiver uma resposta como por exemplo, que é aquele Irmão que pediu o seu Quite Placet e está há muito tempo sem frequentar uma Loja Maçônica, podemos até concordar em certo ponto.

Porém, há outra forma de intitular um verdadeiro “Irmão Adormecido”, ou até mesmo num “Coma Induzido”.

O Irmão adormecido por muito tempo, na verdade, é como um passarinho caído do ninho, que desaparecerá sem deixar vestígios, mas temos também aquele que encontramos em “todas”.

Num ponto de vista, o Irmão Adormecido é aquele que está Regular com a sua Loja, que está em dia com as suas mensalidades, que vez ou outra participa no ágape, mas quando participa, está presente em algumas Sessões apenas para cumprir com o número mínimo de presenças.

É também aquele que quando comparece aos trabalhos, muitas vezes atrasado, não sabe o seu lugar na formação do cortejo de entrada, abre a sua pasta e não encontra o seu ritual, quando o encontra não sabe a página em que o deve abrir, não sabe o que deve ler ou dizer quando ocupa um cargo e por aí vai.

Irmão Adormecido é também aquele que durante os trabalhos está de olhos fechados, acreditando que aqueles que o estão a ver, acham que está a meditar sobre as instruções que estão a ser transmitidas.

No entanto, tem o pensamento lá fora, olhando para o relógio e contando os minutos para o encerramento da Sessão, muitas vezes já ansioso para saber o menu e o local do ágape.

Irmão Adormecido é aquele que só retira o seu Ritual no dia da Sessão, que não lê, que não escreve ou apresenta uma Peça de Arquitetura, sempre com a desculpa de que não teve tempo para isso.

Irmão Adormecido é aquele que só é reconhecido como Maçom perante os seus Irmãos em Loja, vestido com o seu Avental, mas que, longe dali se torna num simples mortal, um profano.

Portanto, não podemos esquecer aquele Irmão regularmente adormecido, ou seja, que está com Quite Placet, mas nunca deixou de colocar em prática os ensinamentos que obteve em Loja, que nunca deixou de ler livros e Peças de Arquitetura, que nunca deixou de estender as suas mãos a um outro Irmão.

Na prática, o Irmão adormecido é aquele que está de posse do Quite Placet, embora tenhamos também o Maçom “entorpecido”, aquele que está regular, porém, inativo em relação aos trabalhos Maçônicos.

Movimenta-se como um ser sem vida e é incapaz de olhar para os lados onde estão os seus irmãos.

Então, antes de intitularmos um Irmão Adormecido, temos primeiro que avaliar a sua conduta, a sua inteligência, a sua capacidade, as suas qualidades e principalmente o seu caráter e personalidade no mundo profano, muitas vezes melhor que um Irmão Regular.

Nivaldo Tono M.'.M.'.

 

 

sábado, 11 de julho de 2026

A SENDA DO COMPANHEIRO: AS CINCO FASES DA ELEVAÇÃO

A jornada do Companheiro Maçom é um processo geométrico e progressivo que expande a consciência do operário e o transforma em um verdadeiro construtor social. 

Ao deixar a penumbra da Coluna do Norte, o iniciado passa a percorrer cinco etapas sucessivas e distintas, representadas pelas suas viagens simbólicas, onde cada fase exige o entendimento de novas ferramentas e novos conceitos morais e intelectuais.

Na Primeira Fase, o operário recapitula o uso do Maço e do Cinzel, garantindo que a base de sua estrutura está firme e livre das arestas mais grosseiras do ego. 

Superada essa transição, a Segunda Fase introduz a Régua de 24 Polegadas e o Compasso, inaugurando a disciplina mental. O tempo passa a ser rigidamente planejado e os desejos internos recebem o limite exato do círculo da razão.

O progresso se acentua na Terceira Fase, onde a Régua se junta à Alavanca e ao Prumo. O foco aqui se desloca para a verticalidade do caráter e para o estudo das ciências e das artes liberais; o maçom descobre que o conhecimento serve para elevar estruturas e buscar a verdade. 

Em seguida, na Quarta Fase, a aplicação do Nível ensina o autêntico nivelamento social. Compreendendo a igualdade absoluta entre os homens, a pedra polida encontra o seu perfeito encaixe junto às demais na construção do Templo Social.

O ápice desse desenvolvimento se consolida na Quinta Fase. Nela, o Companheiro realiza o seu movimento de mãos totalmente livres, desprovido de qualquer ferramenta material. Organizar, elevar e nivelar foram etapas vencidas; agora, na Coluna do Sul, sob a plena claridade do Meio-Dia, o operário assume a nobre postura de quem simplesmente assiste a tudo. 

Livre do peso mecânico, ele usa a mente, o coração e a intuição para testemunhar os mistérios, zelar pela harmonia da oficina, proteger a egrégora e guiar os novos Irmãos que estão começando.

Nota de Rodapé e Alinhamento Filosófico:

As cinco fases do Companheiro desenham a transição da força para a sabedoria. As mãos livres no final da jornada (Quinta Fase) são a recompensa por terem sido firmes e operosas nas etapas anteriores: somente o operário que aprendeu a retidão da Régua, o limite do Compasso, a elevação do Prumo e a igualdade do Nível adquire a clareza necessária para olhar para cima, assistir ao Todo e servir de legítimo amparo para a sua Loja e para a humanidade.

A/D

 

 

terça-feira, 7 de julho de 2026

ENTRE A LUZ E A SOMBRA: A PEDRA BRUTA DO AUTOCONHECIMENTO

A antiga inscrição do Templo de Delfos dizia: “Conhece-te a ti mesmo.”

Séculos depois, essa continua sendo uma das maiores e mais difíceis tarefas do ser humano.

Conhecer o mundo é importante. Conhecer os outros também. Mas talvez o maior desafio seja olhar para dentro de si mesmo com honestidade suficiente para reconhecer virtudes, defeitos, limites e potencialidades.

Foi justamente nesse caminho que Carl Jung desenvolveu a teoria da Sombra. Segundo ele, todos nós carregamos uma parte oculta da personalidade: medos, ressentimentos, vaidades, preconceitos, inseguranças e impulsos que preferimos não enxergar. Não porque sejamos maus, mas porque somos humanos.

A sombra não é formada apenas pelos defeitos que escondemos dos outros. Muitas vezes, ela é composta pelos defeitos que escondemos de nós mesmos.

E talvez aí esteja uma das mais belas conexões entre a psicologia junguiana e a Maçonaria.

Quando ingressamos na Ordem, recebemos a missão simbólica de lapidar a Pedra Bruta. À primeira vista, imaginamos que essa pedra representa apenas nossos vícios mais evidentes. Com o passar do tempo, porém, descobrimos que as arestas mais difíceis de aparar são justamente aquelas que não conseguimos ver.

A vaidade que criticamos nos outros.

A intolerância que condenamos.

O orgulho que apontamos.

 

 

Postagem em destaque

DIA DO MAÇOM – UMA DATA PARA CELEBRAR, REFLETIR E AGIR

Amados Irmãos, O Dia do Maçom, em 20 de agosto, é mais do que uma data comemorativa. É um momento de lembrar nossa história, honrar aqueles ...