“Não podemos viver felizes, se não
formos justos, sensatos e bons.”
(Epicuro)
A
vida é uma escola. Desde a concepção no útero materno, estamos aprendendo. Após
o nascimento, a aprendizagem intensifica-se. Aprendemos a andar, a falar, somos
alfabetizados, educados e vivemos em sociedade. As leis dos homens regulam as
nossas condutas sociais.
O
uso e os costumes, a moral e as leis, traçam o nosso comportamento.
Dentro
desta escola da vida, alguns homens têm o privilégio de ingressarem numa
faculdade, que se chama Maçonaria. Alguns terminarão o curso e receberão o
diploma. Outros, desistem no início, no meio ou no fim.
Outros
ainda, são reprovados e perdem a oportunidade. São, o livre arbítrio e as
regras do curso. A faculdade começa na iniciação e termina na diplomação, que é
a comunhão total e final, cuja banca examinadora é o Tribunal da nossa
consciência e a misericórdia do Grande Arquiteto do Universo.
A
Maçonaria é uma faculdade na vida, que incentiva a pesquisa da verdade, o
exercício do amor e da tolerância. Que recomenda o respeito às leis, aos
costumes, às autoridades e, sobretudo, à opção religiosa de cada um.
A
Maçonaria não se preocupa em retribuir as ofensas injustas recebidas pelos que
não a conhecem, mas, devemos defender-nos mostrando aos nossos algozes o que é
a Maçonaria. Filosófica, moral e espiritualista é a Maçonaria. Filosófica,
porque leva o homem a se ajudar na busca da verdade que ele procura, a vencer
as suas paixões e submeter a sua vontade à verdadeira razão.
É
moral, porque só aceita homens de bons costumes, que comem o pão com o suor dos
seus rostos. É espiritualista, por não admitir ateus nas suas fileiras. Aliás,
a nossa Sublime Ordem é a única organização que transforma em irmãos pessoas de
crenças religiosas diferentes, pois nela convivem harmoniosamente católicos,
espíritas, protestantes, budistas, maometanos, judeus, etc.
Alguns
apressados poderiam pensar que isso significa que os maçons sejam transformados
em seres absolutamente passivos, submissos, sem o menor interesse pelo que se
passa na sociedade, no nosso país e no mundo. Outra inverdade, pois os maçons
se preocupam com tudo o que acontece, a Maçonaria é universal.
Se
os maçons têm como compromisso maior a busca incessante da verdade, é claro que
precisam exercitar continuadamente o direito de pensar em soluções que possam
eliminar o mal, sem destruir o homem. Ela tem os seus métodos próprios de ação,
conhecidos pelos verdadeiros maçons, os quais são agentes da paz e chamam os
conflitos armados de a estupidez da guerra, da guerrilha, do terrorismo, do
radicalismo e da ignorância.
A
Maçonaria sempre se colocou a favor da liberdade, contrária a qualquer tipo de
opressão que sonegue ao ser humano o direito de pensar. Jamais pode ser
radical, pois a virtude mora no meio, no bom senso, na equidade e isonomia.
Mas, como exige dos seus adeptos uma vida de constante exercício de cavar
masmorras aos vícios e erguer templos às virtudes, ela sabe que o maior
ensinamento que os maçons possam oferecer reside no exemplo oferecido por cada
pedreiro livre, que não se esquece do polimento da pedra bruta que somos e da
necessidade de erigirmos o nosso templo interior.
É
aí que valorizamos o entendimento de Cícero: Sou livre porque sou escravo da
lei! “Andar na lei” é difícil, fácil é andar fora dela. O Maçom sabe que uma
vida digna equivale a um templo erguido à virtude e que somente terá vencido as
suas paixões quando houver aprendido a respeitar e a amar cada ser humano,
nunca se acovardando quando tiver de exigir de qualquer um o cumprimento da
lei. Principalmente diante da covardia de maiorias que procuram esmagar
impiedosamente as minorias, ou fanáticos que usam métodos covardes para valerem
as suas condutas.
A
Maçonaria combate a hipocrisia, o fanatismo, a intolerância. E combate esses
males procurando conduzir os homens ao entendimento, única forma de se
conseguir a paz permanente, pregando a misericórdia para com os vencidos.
Para
a nossa Ordem, o vencedor deve ser sempre a humanidade. Portanto, todos os
maçons são concitados a uma conduta de vida capaz de levar consolo a quem
sofre, a comida a quem tem fome, o agasalho a quem tem frio, uma toalha macia
para enxugar as lágrimas dos nossos semelhantes, a levar o conhecimento a quem
desejar. Sabe a nossa Instituição que quanto mais se propagar a luz, menor será
a ser o espaço a ser ocupado pelas trevas.
Com
isso poderemos guiar-nos mais seguramente na direção do GRANDE ARQUITETO DO
UNIVERSO, luz irradiante que será o próprio caminho do amor, da fraternidade e
da tolerância per omnia secula seculorum!
Não
somos – e estamos longe de sermos – uma confraria de anjos, arcanjos ou
querubins. Simplesmente homens buscando a prática do bem sem olhar a quem, sem
alarde, sem soar a trombeta.
Uma
faculdade na escola da vida, onde temos o privilégio de podermos conhecer a fé,
a esperança e a caridade, sem necessidade de apegarmos a alguma religião ou
seita. Conseguimos o que muitos acham impossível, ou seja, a reunião de homens
de todas as crenças, unidos pelo laço da irmandade, pelo pensamento uníssono de
que pela boa obra, se conhece o bom pedreiro.
Enquanto
algumas religiões se dizem donas da verdade, nós estamos à busca dela sem
querermos ser seu dono. Não nos interessa a transmutação dos metais, não nos
interessa interferirmos na fé alheia. O que nos interessa é o exercício da
caridade, pois sabemos que sem ela não há salvação.
Não
existe fé sem caridade, sem esperança e sem amor. A fé põe-nos em contacto com
o criador, na sintonia de emissor e receptor. Somente palavras ou pensamentos
não nos põe em sintonia com Ele, pois se assim fosse, os fariseus que
praticavam com grande pontualidade os ritos prescritos e a grande importância
aos estudos das Escrituras, não teriam sido convidados a deixarem o templo,
mencionados pelos Evangelhos como hipócritas e orgulhosos.
Podemos
concluir sem medo de errar, que só a maldade e a desinformação são capazes de
rotular a Maçonaria como contrária a fé. O comportamento digno que a nossa
Ordem impõe aos seus membros honrará, certamente, a qualquer profissão de fé
religiosa, pois cada um de nós tem o direito de professar e praticar a sua
religião no mundo profano.
Garante
a Constituição brasileira que é inviolável a liberdade de consciência e de
crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida,
na forma da lei, a proteção aos locais de cultos e as suas liturgias. No Templo
Maçônico deixamos do lado de fora as diferenças religiosas e passamos à prática
comum da igualdade, liberdade e fraternidade. Oh! Como é bom, agradável viverem
unidos os irmãos.
Os
rótulos nem sempre garantem o conteúdo. Por isso, o nosso Templo Interior é que
deve permanecer sempre limpo, livre da sujeira que as iniquidades provocam,
iluminado pelo verdadeiro amor, sempre nos permitindo lembrar que o nosso
conhecimento é apenas uma gota diante de um oceano de coisas que ignoramos.
Ensina-nos
a Maçonaria que o GRANDE ARQUITETO DO UNIVERSO é uma fonte perene de amor,
sempre pronto a permitir o soerguimento de qualquer um que queira se levantar.
Como Ele saberá, a qualquer tempo, separar o joio do trigo, nós, os maçons,
somos sempre recomendados a produzir mais trigo, mais trigo, mais trigo…
Pedro
Campos de Miranda e Carlos Augusto Camargo da Silva

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