Ao tratar da relação entre a Igreja Católica e a Maçonaria, entendo que é preciso reconhecer, com serenidade, que se trata de um tema historicamente marcado por posicionamentos distintos e por compreensões próprias de cada instituição.
Desde o século XVIII, com as primeiras manifestações formais
da Igreja, estabeleceu-se um distanciamento que atravessou o tempo. Ainda
assim, sob a perspectiva maçônica que compartilho, a Ordem nunca se apresentou
como alternativa ou oposição a qualquer religião. Sempre a compreendi como uma
instituição de caráter filosófico, moral e espiritual, voltada ao
aperfeiçoamento do homem e ao fortalecimento de valores como ética,
responsabilidade e fraternidade.
Na Maçonaria, convivem homens de diferentes crenças, unidos
pelo respeito à liberdade de consciência. Esse é, para mim, um ponto essencial:
cada irmão mantém sua fé e sua convicção, sem qualquer imposição, encontrando na Ordem um
espaço de reflexão e crescimento.
É importante destacar também um dado da realidade
brasileira: estima-se que mais de 85% dos maçons no Brasil se declarem
católicos ou tenham vivência na fé católica. Muitos desses irmãos são cristãos
atuantes, participam assiduamente da vida religiosa e, não raramente, exercem
funções relevantes em suas comunidades, colaborando com obras de caridade e com
a própria liturgia. Esse aspecto evidencia que, na prática, a convivência entre
fé e vivência maçônica é uma realidade presente na vida de muitos.
As divergências históricas, a meu ver, decorrem
principalmente de interpretações distintas sobre temas sensíveis, especialmente
no campo espiritual. Essas diferenças acabaram por consolidar posições
institucionais que contribuíram para o distanciamento da cúpula da Igreja com a
Maçonaria.
Por outro lado, não posso deixar de observar que, no plano
individual, há aqueles que buscam conciliar sua vivência religiosa com os
ensinamentos da Ordem. Isso demonstra que o tema não é simples, e que comporta
diferentes formas de compreensão.
Diante disso, procuro tratar essa questão com equilíbrio e
respeito. Mais do que acentuar divergências, entendo que o assunto exige
maturidade, reconhecimento das diferenças e valorização de tudo aquilo que
contribui para o aprimoramento moral e espiritual do ser humano.
Arlindo Batista Chapeta
-Presidente da Academia Maçônica de Letras da Baixada
Santista e membro da AIMI
-Secretário Geral de Comunicação do GOB
“As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade
exclusiva do autor e não refletem, necessariamente, o posicionamento oficial da
instituição.”
Sempre à frente, o GOB e você!
Secretaria Geral de Comunicação do GOB
Nenhum comentário:
Postar um comentário
É livre a postagem de comentários, os mesmos estarão sujeitos a moderação.
Procurem sempre se identificarem.