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domingo, 7 de setembro de 2014

A INDEPENDÊNCIA DO BRASIL E A MAÇONARIA



MEUS IRMÃOS

Cento e noventa e dois anos são passados, desde quando o Príncipe Regente D. Pedro declarou nossa Independência do Reino de Portugal. 

Difícil falar em Independência do Brasil e não revivermos um pouco de seus principais personagens, a começar pelo próprio Príncipe D. Pedro, que embora colocado contra a parede pelos movimentos e inquietações nacionais, deu exemplo de amor a esta terra e de brasilidade, maior do que muitos outros sem vínculo algum com a Coroa Portuguesa.

Além da participação efetiva de dois grandes Maçons, Joaquim Gonçalves Ledo e José Bonifácio, mas sem nenhum sentido harmônico entre ambos, podendo-se concluir que aquele tempo a maçonaria brasileira estava dividida em duas grandes facções. Como nos afiança os grandes historiadores, ambas favoráveis à independência, mas uma delas com vistas já à possível proclamação da república.

Joaquim Gonçalves Ledo, um dos principais articuladores políticos pró-independência imediata do Brasil nutria idéias republicanas. Homem inteligente, destemido e articulista nato, extremamente competente.

José Bonifácio, também grande líder, porém, mais conservador, articulava rumo à nossa independência, mas, sem tanto radicalismo, como o defendido pelo grupo integrado por Gonçalves Ledo.

Gonçalves Ledo e José Bonifácio, ambos integrantes do Grande Oriente do Brasil, disputavam passo a passo o processo que culminaria com a independência do nosso país.

Gonçalves Ledo, mais radical, defendia a independência e a imediata convocação de uma Assembléia Constituinte, o que na verdade implicaria não apenas em desvincular o país do jugo português, mas no fim do Regime Monárquico.

José Bonifácio por seu turno liderava um grupo de brasileiros contrários ao pensamento e as idéias do grupo liderado por Gonçalves Ledo. Preferiam manter o quadro vigente, aproximando-se de D. Pedro em cujos ombros deveriam repousar as iniciativas de declaração da independência de nosso país.

Na verdade dessa disputa resulta uma aparente divisão de forças, uma liderada por José Bonifácio que se desvincula do Grande Oriente e funda a Sociedade Secreta da Nobre Ordem dos Cavaleiros da Santa Cruz. A outra liderada por Gonçalves Ledo, que continua no Grande Oriente do Brasil.

Ambos objetivando conquistar o apoio de D. Pedro, o iniciam na Ordem, passando a integrar o Apostolado no posto de Arconde-Rei, no Grande Oriente como Grão-Mestre Honorífico.

Essa disputa conduz D. Pedro a assumir os resultados da independência que se tornava irreversível, ou D. Pedro a faria ou far-na-iam os radicais liderados por Gonçalves Ledo, situação logo percebida por José Bonifácio.

Àquela altura não se discutia mais se si faria a independência, mas a forma como se daria esse processo libertário e de emancipação.

As Cortes de Lisboa radicalizavam em relação ao Brasil, os grupos liderados por José Bonifácio e Gonçalves Ledo, não disputavam mais entre si o prestígio de D. Pedro, centrando a luta em torno da forma pela qual se faria o rompimento com Portugal.

A 1º de agosto, D. Pedro assina um decreto considerando inimigas as tropas portuguesas que desembarcassem em território brasileiro, cujo comandante já àquela hora já havia sido expulso do país.

Redigido por Ledo, D. Pedro assinou também um manifesto à Nação, no qual se falava claramente em independência, fazendo-se referencias aos abusos do colonialismo, denunciando novas medidas da Corte, como a exclusão dos brasileiros de cargos públicos, a utilização por Portugal de recursos do Brasil depositado no Banco do Brasil e o esvaziamento da autoridade do Príncipe D. Pedro.

Clamava ainda D. Pedro como integrante do Grande Oriente pela unidade de todas as Províncias para que participassem do ato de emancipação e dizia:

“Não se ouça, pois, entre vós outro grito que não seja união. Do Amazonas ao Prata não retumbe outro eco que não seja a independência. Formem todas as Províncias o feixe misterioso que nenhuma força pode quebrar. Desapareçam de uma vez, antigas preocupações, substituindo o amor do bem geral ao de qualquer província ou cidade”.

José Bonifácio não ficou para trás e a 06 de agosto conduz D. Pedro a se dirigir ao povo brasileiro e às Nações Amigas também em manifesto.

Era como se fosse uma declaração de independência e um pedido de reconhecimento por parte das Nações Amigas. Afirmava o documento que D. João VI se fazia prisioneiro das Cortes Portuguesas e que as medidas adotadas visavam garantir a pré-existência da Monarquia, o que agradava algumas Nações a exemplo da Inglaterra. Exigia-se a independência, mantendo-se, porem, o Brasil como Reino Irmão de Portugal. Assim proclamava o documento:

“Espero, pois que os homens sábios e imparciais de todo o mundo; e que os governos e nações amigas do Brasil hajam de fazer justiça a tão justos e nobres sentimentos. Eu os convido a continuarem com o Reino do Brasil as mesmas relações de mútuo interesse e amizade. Os Portos do Brasil continuarão a estar abertos a todas as Nações pacíficas e amigas para o comércio lícito. Como o Brasil sabe respeitar os direitos de outros povos e governos legítimos, espera igualmente por justa retribuição, que seus inalienáveis direitos sejam também por eles respeitados e reconhecidos”.

Estava àquela altura decretada a independência do Brasil, restando apenas sua explicitação e definição da organização do Poder remanescente.

Continuavam, contudo os movimentos pró-independência em todas as Províncias. D. Pedro temendo perder o controle da situação começa uma viagem pelas Províncias em busca de apoio, segue para São Paulo, deixando no Rio sua esposa D. Leopoldina.

Continuam as pressões da Corte Portuguesa sobre o Príncipe, com vistas ao seu retorno imediato a Portugal. Os Ministros seriam nomeados pela Corte, os Atos do Príncipe Regente anulados e dissolvida a Constituinte.

Decide D. Leopoldina e José Bonifácio seu confidente na ausência do Príncipe, informar a D. Pedro sobre a situação a que chegou o processo de emancipação.

D. Leopoldina e José Bonifácio relatam em carta ao Príncipe D. Pedro as medidas adotadas por Lisboa. Só restava a D. Pedro duas alternativas, ou voltar a Portugal como ordenara a Corte, ou declarar definitivamente a independência do Brasil. O que foi efetivamente feito ainda em Território Paulista às 16 horas e 30 minutos do dia 07 de setembro de 1.822.

Venceu mais uma vez José Bonifácio e os conservadores, perderam os radicais liberais, liderados por Gonçalves Ledo, diriam alguns historiadores. Não é verdade, venceram todos eles, não fosse à postura dos liberais, os conservadores teriam continuado em cima do muro onde sempre estiveram.

Não tivesse D. Pedro decidido pela forma mais democrática de se instalar a independência, a teriam feito os liberais, mesmo com sangue e a fio de espada.

Parte do trabalho do Irmão:
Joneval Gomes de Carvalho
Membro da Loja Maçônica Liberdade e União 1158
Goiânia GO


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