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terça-feira, 17 de janeiro de 2017

POR QUE AS RELIGIÕES FALHARAM?


Não posso negar que a religiosidade teve e ainda tem um papel social importante. As religiões estabeleceram padrões éticos necessários à humanidade, criaram orientações para os relacionamentos interpessoais bem sucedidos, e com o desenvolvimento da consciência da dimensão espiritual da humanidade, deu origem a sentimentos de conexão e de admiração pelas maravilhas da criação, deu até um sentido de propósito a existência e uma consciência da unidade do Ser material e espiritual. A religião é manancial da esperança e da confiança no futuro, e pode evitar ou suavizar o comportamento desesperado.

No entanto, não podemos negar que a religião também deu origem a um sentimento de superioridade e autojustiça, a crença de que um povo, um grupo, um segmento da humanidade tem uma ligação mais estreita com a Divindade do que outros, a convicção de que alguns sabem precisamente a vontade do Criador, que são os únicos que conhecem a verdade - em suma, ao extremismo, ao preconceito, ao ódio e à justificação da opressão e da violência em nome do próprio Criador.

Nenhuma religião está isenta de tais excessos. É só estudar a história da humanidade, que vamos encontrar a morte, a tortura, a escravidão, etc., exercida por diversos povos, em diferentes momentos dessa história, em nome de um Deus Violento, Vingativo, Irado, Etnocentrista, que determina que o “Seu Povo”, destrua, destroce, aniquile... outro povo.

Se esse é o deus das religiões... Então, eu quero renunciar à religião.
Se 'religião' significa certeza absoluta de que uma pessoa sabe o que Deus pretende, o que Deus quer da humanidade, em vez da humildade de que não podemos compreender plenamente a vontade divina, então eu não quero a religião.

Sempre entendi a religião como a tentativa humana de alcançar a Divindade – mas, sem olvidar nossa incapacidade de alcançar os desígnios Divinos, da nossa insignificância e temporalidade do Ser, para ‘o que está além do tempo e do espaço’, variáveis incognoscíveis para o Homem. Temos que distinguir entre o Criador e o criado, o primeiro conhece e compreende a mente humana, já os seres humanos são incapazes de conhecer e compreender plenamente a vontade Divina.

Nós, seres humanos, só podemos fazer o nosso melhor. Existe uma Lei Natural de distingue o ‘Bem’ do ‘Mal’, não é necessário nenhuma religião para mostrar ao Ser Esclarecido essa diferença. Uma religião que faz a afirmação de que decifrou totalmente a vontade divina não pode, a meu ver, mais servir a sua função primária de infundir na humanidade a humildade e nos ajudar a admirar a grandeza e a generosidade de Deus em criar o universo e o homem.

Se 'religião' significa orgulho em si mesmo e de seu povo, em oposição ao orgulho de ser uma boa pessoa, então eu não quero a religião. Não há nada de errado em enaltecer o próprio povo, mas há algo completamente falho em não aceitar que todos os seres humanos são criados na mesma origem Divina.

Quando nos dizem para 'amar o próximo', isso implica que devemos odiar alguém que não é nosso próximo? Quando nos dizem para 'proteger o estranho', nossa proteção se estende somente aos estranhos que se conformam com nossos caminhos? Rejeito inteiramente qualquer ideia de que Deus criou algumas pessoas mais dignas de amor e arrimo do que outras.

Eu rejeito qualquer religião que diga possuir um vínculo especial, uma aliança, que a sua ligação com Deus é a única aliança verdadeira. Isso sugere que os sentimentos de Deus são limitados, que ele só pode ter uma relação afetiva, que ele só pode amar um povo, um grupo, os membros de uma religião, o que é totalmente incompatível com a minha concepção de Deus.

Se 'religião' significa amor etnocêntrico pela própria nação, povo, grupo ou terra, em oposição ao amor por Deus e toda a sua criação, então eu não quero a religião. Um discípulo perguntou ao mestre porque o deus criou somente um humano, Adão, em vez de povoar a terra com muitos seres humanos. O mestre pensou um pouco e respondeu: “- se alguém, algum dia lhe disser – ‘meus antepassados são maiores que os seus’, você poderá responder – ‘todos temos o mesmo ancestral’. Todos os seres humanos descendem de Adão, que foi criado pelo próprio Deus”.

Se "religião" significa que há espaço para o ódio, antes que haja espaço para a compaixão, então eu não quero a religião. A religião pode legislar sobre o comportamento correto para seus seguidores, pode impor aos seus fiéis os seus dogmas, mas não pode querer impor seus dogmas e exigir daqueles que não professam sua fé, os comportamentos de seus membros.

Sempre esperei que as religiões que pregam compaixão, perdão e amor, exercessem essas virtudes. Certamente essas virtudes não se destinam apenas para aqueles que fazem parte dessa religião. Porque então, não deveríamos destiná-las a alguém que não faz parte dessa religião. Não posso aceitar que em nome de Deus alguém queira impor pela força ou violência sua crença. Imitar Deus significa amar e resguardar toda a criação.

Mas o que devo fazer? Eu não pertenço a nenhuma religião. Mas, eu acredito em Deus e o aceito como Criador e Mantenedor do Universo! Então, posso renunciar à religião? Eu não quero uma religião que contraponha minhas crenças contra as dos outros e reivindique a posse única da Verdade. Então, para mim, não seria possível definir nenhuma das que conheço como minha "religião".

Procuro seguir as leis legais e morais, os rituais e as tradições da minha sociedade e as tradições culturais que meus antepassados me ensinaram, porque acredito que me ajudam a desenvolver meus padrões éticos, minha concepção do que é importante em minha vida, para o desenvolvimento do meu ‘self’ e de uma relação com o Transcendente.

Eu não faço as coisas porque são definidas pela ‘minha religião’. Minhas decisões não estão separadas da minha humanidade e da minha personalidade, e não tenho uma religião para ser minha desculpa para os meus erros ou acertos. Eu sou responsável por minhas escolhas. Quando, na condição de Ser Humano, fui agraciado com o ‘livre arbítrio’, foi para que pudesse racionalmente, de acordo com minha consciência, tomar minhas decisões e deliberar minha vida.

Finalizando, o Criador é ‘Inefável’, você pode senti-lo, mas, é incapaz de descrevê-lo... Somos limitados, pois somos humanos, somos limitados pelo tempo e pelo espaço, como podemos compreender Deus Eterno e Infinito? Confundimos valores materiais com valores espirituais. A religião, na tentativa de conformar o comportamento humano a valores socialmente aceitáveis, criou o ‘Pecado’, e colocou como vontade do Criador, o controle de comportamentos puramente materiais. 

Comportamentos sociais como sexo, relações de casais, etc., foram determinados pela religião, e para terem força sobre os indivíduos foram apresentados como vontade divina! Só que Deus não se envolve nessas coisas.

Mas, para aqueles que acreditam que para se salvar precisam de uma "religião", não percam de vista o que é fé e que a esperança é tudo. Não se deixem levar pela estrutura de poder, onde os que estão no topo reivindicam o acesso único à Verdade e a capacidade de absolver seus seguidores da responsabilidade de seus erros, se obedecerem a eles cegamente.

Deus está em tudo e em todos, para você conhecer Deus não precisa de intermediários ou interlocutores, é só você senti-lo, olhe a sua volta... Tudo que você vê e sente foi criado por Deus... Até ‘você’! Porque então, ao invés de melhorar o significado de ser um ‘Ser Criado Humano’, deixar que sua relação com o Criador seja gerida por um indivíduo e não por você mesmo? As versões de religião que abundam por ai, para mim falharam e para muitos outros como eu.

Seja Você... Tome suas decisões, de acordo com sua Consciência... Não deixe ninguém dizer como você tem que viver... Viva como você decidir... Faça o que é Legal Socialmente aceito e você achar Certo... E SEJA FELIZ!

Eduardo G. Souza. 
Ex-Grão Mestre do GOB-RJ, atual Secretário de Orientação Ritualística do GOB

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