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terça-feira, 26 de setembro de 2017

INICIAÇÃO COMO OBJETIVO DE VIDA


Muito se tem escutado e transmitido sobre este tema ao longo de várias eras, algumas confusões têm gerado é certo, mas, também, muitas verdades têm sido reveladas.

Umas transcritas a partir de personalidades que acabamos por assimilar e sobrescrever e outras, que, apesar de influenciadas pelas primeiras, são, deliberadamente, o resultado do nosso próprio trabalho interior.

Tal como Dante Alighieri, teremos que iniciar a descida ao interior de nós mesmos, ao Inferno das Paixões e dos Vícios, com a consequente luta contra os nossos próprios demônios, culminando na subida em direção a uma luz paradisíaca, que, apesar de inatingível, será, sempre, um objetivo para além mesmo deste ciclo temporal! VITRIOL - Visita Interiora Terrae Retificando Invenies Occultum Lapidem (Visita o interior da Terra e, retificando, encontrarás a Pedra Oculta).

No entanto, não estamos sós… Teremos, sempre, um Virgílio que, sabiamente, guia-nos, afastando-nos dos obstáculos difíceis e nos entrega nos braços da “Donna Angelicata” (da bela Beatriz).

A Iniciação é, de fato, um ponto de viragem em nossa existência, neste plano. Nos antigos, a Iniciação era tratada como um conjunto de provas, que determinavam a capacidade de um jovem atingir a maioridade e as responsabilidades inerentes.

As provas passavam pelo campo físico, intelectual, moral e, por vezes, espiritual, no caso de alguns eleitos. O armar de um cavaleiro era precedido de um conjunto de provas de bravura no campo de batalha, que não se resumiam, somente, ao número de vidas ceifadas ao inimigo, mas a sua postura entre os demais, que lhe garantiam o respeito e a admiração – a honra.

 Assim como no passado, todos nós temos que vencer os 12 Trabalhos de Hércules, se pretendermos aspirar à Imortalidade, que é, objetivamente, o resultado da Iniciação.

Para vos dar um exemplo prático deixo-vos as seguintes perguntas, que devemos permitir-nos sentir no silencio do nosso Ser: Quantas vezes, durante o dia, ousamos agir de forma correta, mesmo com aqueles que não o são conosco? Quantas vezes conseguimos resistir aos estímulos destrutivos da mente como a inveja, a cobiça, o ciúme, a raiva, a culpa ou o ressentimento? Quantas vezes sentimos felicidade na presença de coisas simples como um pôr-do-sol, uma obra de arte, um relacionamento estável?

Temos consciência que a Verdadeira Iniciação não é um processo fácil, nem igual para todos qualitativamente. Pode durar uma vida inteira para se ascender ao mesmo que outros, apenas, necessitam de um pequeno instante! Pode mesmo nunca chegar a manifestar-se.

Meus Irmãos, de fato, não somos todos iguais! Somo-lo, apenas, na condição de seres humanos que ao baterem à porta do Templo, trouxeram dentro do seu coração a pretensão de ascender a algo superior, à realidade da qual vivemos, apenas, na sombra.

O desenvolvimento espiritual que se traduz na capacidade de sentirmos a voz interior, com uma intensidade e frequência cada vez maiores… é e, sempre, foi o que diferenciou os homens! Já alguém disse: “não há boas nem más pessoas, o que existe são pessoas mais ou menos conscientes, mais ou menos elevadas, espiritualmente”.

Lembrem-se da alegoria da Caverna de Platão, e ousem olhar lá para fora! Recuando um pouco na trajetória individual, importa dizer que para iniciarmos o processo de Iniciação é preciso estar preparado, estar vigilante “não colocarás vinho novo em vasilhas velhas” diz na Bíblia, o que isso quer dizer é que não se consegue implementar novas ideias em mentes cristalizadas e fechadas.

Assim, a Iniciação tem que ser preparada com alguma antecedência “abrindo novos caminhos e veredas para o Messias que está para vir”. O batismo Iniciático ritual é, objetivamente, um formalismo, tal como o são muitas das cerimônias que atravessamos ao longo da nossa vida.

No entanto, de que valem as cerimônias formais se carecem, na sua essência, do poder de transformarem os seus participantes? O que importa a beleza da cerimônia do matrimônio se os nubentes, antecipadamente, não partilharem, verdadeiramente, do seu amor? Meus Irmãos, nós não estamos na confraria dos aventais!

Lembrem-se que de cada vez que entrarem num lugar sagrado estão a sofrer, por si só, uma Iniciação: “descalçai as sandálias, pois o chão que pisas é sagrado”.

Para isso, é vos exigido que venham preparados. Em suma, desde que o homem seja, realmente, livre e de bons costumes, já conseguiu fazer o seu caminho de preparação para ser Iniciado. Quando conseguir viver no dia a dia esses princípios, ouvindo e seguindo a voz interior, então sim, deixou de ser neófito!

Quer na forma quer no conteúdo, o batismo Iniciático tem, ainda, uma particularidade em relação, por exemplo, com o religioso. O primeiro carrega o pretendente de uma responsabilidade, acrescida dado que prevê a participação de todas as faculdades do indivíduo no sentido do seu trabalho interior e da sua consequente elevação a Deus. 

O segundo, pressupondo que o indivíduo ascenda à divindade, apenas, pela fé, pela sua humildade e obediência constante ao dogma corporativo, desresponsabilizar-se, parcialmente, da sua escolha (muitas vezes essa cerimônia é praticada por vontade única da família, pois acontece na idade em que o batizando não tem consciência do processo).

Em suma, nada há de completamente errado ou certo em nenhum deles, o que importa é que cada um sinta, verdadeiramente, qual é o seu verdadeiro caminho e o percorra em consonância, responsabilizando-se pelas escolhas feitas.

O verdadeiro Mestre é aquele que, depois de passadas as suas provas iniciáticas, e fazendo uso da sua sabedoria (conhecimento aplicado), constrói o seu próprio dogma e o utiliza na edificação do seu templo interior. Não esquecer que o dogma ou mesmo ideal é, apenas, uma visão da verdade, logo, dependente do seu criador – duas pessoas com o mesmo nível de elevação espiritual e cultural não terão, necessariamente, a mesma visão, quando muito serão convergentes!

Meus Irmãos, em todas as épocas existiram Homens mais conscientes espiritualmente do que outros, e quando lhes foi concedido o poder temporal, eles lideraram a humanidade com sabedoria, consequentemente, esta evoluiu saindo das trevas em que se encontrava.

No entanto, quando a liderança caiu nas mãos de inconscientes, obcecados pelos brilhos materiais, tudo regrediu e as instituições mergulharam na letargia ou foram completamente demolidas.

Vejamos como exemplo, o que aconteceu, historicamente, ao Templo de Salomão, à Ordem do Templo, bem como tantas outras mais: a responsabilidade pela queda da humanidade e suas instituições é de todos aqueles que, elevados espiritualmente, não souberam manter-se desse modo.

É muito fácil, em qualquer ponto da nossa evolução interior, voltar a cair em patamares inferiores. Se a subida da Escada de Jacob é difícil, mais difícil é, ainda, nos mantermos lá em cima, porque maiores são os estímulos e maiores são as responsabilidades nas escolhas! E mais violentas serão as consequências!

Essas são as fundações interiores que o Homem terá que consolidar, para que possam manifestar-se no exterior, no mundo material, com todo o sucesso que se pretende atingir neste plano de vida.

As Ordens sendo instituições, são edificadas no mundo material – pórticos de matéria para o espírito, por isso, necessitam de homens renovados, pois só desses se espera a sua manutenção e evoluções futuras!


 Eurico Reis

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