Como um Engenheiro Agrônomo, vou começar falando da Acácia
pelo ponto de vista da minha área de formação, sendo sucinto, pois sabemos que
o seu significado é muito maior e muito mais amplo do que a sua descrição
botânica, mas se entendermos um pouco das suas características morfológicas
entenderemos o motivo dela ser um dos maiores símbolos da nossa ordem.
Trata-se de uma planta da família das leguminosas mimosas,
uma árvore ou arbusto de folhagem muito leve, elegante, resistente e muito
comum nas regiões tropicais e subtropicais e cujo caule e ramos muitas vezes
são armados de fortes espinhos ou aguilhões. Fornece madeira de longa duração,
e pelo fato de não apodrecer com a humidade, nem mesmo quando mergulhada na
água, e não ser sujeita a pragas, adquiriu (no passado oriental) fama de
eterna, incorruptível.
O género, com aproximadamente 2.000.000 há plantados em
todo o mundo, apresenta uma relevante importância do ponto de vista social e
industrial no reflorestamento. As espécies de maior utilização são acácias mangium e acácia auriculiformis,
sendo as suas produções direcionadas para polpa de celulose, madeira para
movelaria e construção, matéria-prima para compensados, combustível, controle
de erosão, quebra-vento e sombreamento.
Também há interesse por ela apresentar significativa
capacidade de adaptação às condições edafoclimáticas, sobretudo em solos
pobres, ácidos e degradados produzindo elevada quantidade de madeira com baixo
acúmulo de nutrientes.
É uma planta abundante em Jerusalém, apesar de crescer em
qualquer parte do mundo, as suas características diferem de região a região.
A acácia oriental ou acácia diabalta produz a
denominada “goma arábica”, que entre nós não vinga e esteve presente nos
processos de mumificação. No sul do Brasil temos múltiplas espécies de acácia,
entre elas, a denominada “acácia Negra”, de cuja casca é extraído o “tanino”.
A palavra acácia deriva do grego: “Akè” com o significado
de “ponta” de um instrumento de metal. Existem variações no nome: AKAKIA,
KASIA, KASSIA, AKANTHA (planta que tem espinhos). AKAKIA significa: inocência e
ingenuidade. Os Significados de KAKIA significam vícios, desonra, disposição
para o mal. Como o prefixo “a” significa negação, o significado de AKAKIA seria
há oposição a todas as características ruins existentes.
Para entendermos um pouco do seu simbolismo, vamos recorrer
a uma das principais lendas egípcias: a lenda de Osíris.
Seth odiava Osíris, que era tido como sábio e poderoso,
então resolveu matá-lo. Ele fez um belo caixão com as exatas medidas de Osíris
e convidou as pessoas para um jogo: aquele que se encaixasse perfeitamente no
caixão, ganharia o mesmo de presente.
Logicamente, quando
a vez de Osíris chegou, o caixão era perfeito, e Seth e os seus cúmplices
trancaram Osíris dentro do caixão e jogaram-no no rio. A sua mulher, Ísis,
procurou-o por muitos dias. O caixão tinha encalhado e sobre ele havia brotado
uma acácia. A acácia serviu de indicação para que Ísis encontrasse o corpo de
Osíris. Por esta lenda, Osíris é considerado o deus da morte e da imortalidade
da alma.
Os antigos egípcios tinham a acácia como planta sagrada,
era adorada pelos árabes. Maomé destruiu o mito da acácia, que os árabes
denominavam de: “Al- uzzá”. A aclamação “Huzzé”,” pode ter origem no vocábulo
“Al-uzzá”. “Al-uzzá” que Maomé baniu, por considerá-la idolatria, era venerada
pelas tribos de Ghaftanm, de Koreiseh, de Kenânah e de Saken, a quem denominavam
de “Pinheiro do Egipto”.
Se Moisés recomendava que o Tabernáculo, a Arca da Aliança,
a Mesa dos Pães da Propiciação e demais Adornos Sagrados, fossem construídos
com madeira de acácia, isto não significa que o seu uso fosse originário
daquela época, pois nos mistérios egípcios o seu uso era conhecido. Moisés que
estivera no cativeiro, certamente, colheu dos egípcios, o uso da acácia sagrada
nas escrituras.
Na antiguidade, em hebraico, o antigo termo Shittah era
usado para acácia, sendo o plural Shittim (espinho em hebreu). Bete-Sita, no
hebraico significa lugar da acácia – e no Atlas Moderno aparece localizada no
paralelo 32-30, ao lado do Rio Jordão. Os povos antigos tinham um respeito
extremo por ela, chegando a ser considerada como um símbolo solar porque as
suas folhas se abrem com a luz do sol ao amanhecer e fecham-se no ocaso. A sua
flor imita o disco solar.
No Antigo Testamento, no livro do Êxodo, encontramos
diversos trechos que mencionam o seu uso:
- Arca
da Aliança – farão uma arca de madeira de acácia. (Êxodo 25.10);
- Mesa
dos Pães Propiciais – farás uma mesa de madeira de acácia (Êxodo 25.23);
- Altar
dos Holocaustos – Farás o altar de madeira de acácia – o seu comprimento
será de cinco côvados, a sua largura de cinco côvados e a sua altura será
de três côvados. (Êxodo 27.1);
- Altar
de Incenso – Farás um altar para nele queimar incenso, de madeira de
acácia o farás. (Êxodo 30);
Hiram Abiff na ornamentação do grande templo esculpiu os
Querubins e todos os demais ornamentos, em acácia que, posteriormente cobriu
com lâminas de ouro. Considerando o tamanho dessas esculturas, e o revestimento
das paredes internas, tipo “lambris”, a acácia não se apresentava como um
simples arbusto, mas como árvore de grande porte. Todas as religiões místicas
antigas, possuíam uma árvore simbólica para venerar.
Na Maçonaria conhecemo-la na lenda de Hiram Abiff, durante
a exaltação. Rapidamente no contesto do trabalho, uma lenda diz que após
enterrado no Monte Moriá o túmulo estava marcado por um galho da acácia deixado
pelos seus assassinos, que foi desenterrado por um dos exploradores enviados
pelo rei Salomão que extenuado da viagem tentou agarrar-se a ele, soltou-o e
criou vida própria.
Outra lenda diz que quando os M∴ foram procurar Hiram Abiff, encontraram num local
terra removida que parecia ocultar um cadáver então plantaram um galho de
acácia. E por fim uma terceira lenda, diz que uma acácia teria brotado do corpo
do Maçom morto, anunciando a sua ressurreição.
Estima-se que em 1937 a acácia nasce no nosso simbolismo
junto com a Maçonaria especulativa, sendo a consciência da vida eterna.
“Este galho verde no mistério da morte é o emblema do zelo
ardente que o M∴ M∴ deve ter pela verdade e a justiça, no meio dos homens
corruptos que atraiçoam uns aos outros”.
O significado místico da Acácia é a imortalidade, porque
significa a indestrutibilidade, e que o Ser é Imperecível, esse é o ponto
culminante d filosofia maçónica.
Quando o Venerável Mestre pergunta ao 1º Vig. “Sois M∴ M∴? e o interpelado responde”
A A∴ M∴ é C∴” ele estabelece de
imediato a sua qualidade de Maç∴, o que, equivale a dizer “tendo estado na tumba, e
triunfado levantando-me dentre os mortos e, estando regenerado, tenho direito à vida eterna”. A interpretação simbólica e filosófica da planta sagrada é riquíssima e lembra a parte
espiritual que existe dentro de nós que, como uma emanação ao GADU, jamais pode
morrer. A acácia é, simplesmente, a
representação da alma e nos leva a estudar
seriamente o nosso espírito, o nosso eu interior e a parte imaterial da nossa
personalidade. Do Maçom, que já conhece a acácia é esperado uma conduta pura e
sem máculas. Para os Maçons, simboliza Inocência, Iniciação, Imortalidade da
Alma e Incorruptibilidade.
- Inocência,
não dos profanos e dos impuros, mais sim a dos mais justos e nobres. Esta diretamente
ligada as maiores virtudes dos Maç∴, igualdade, liberdade,
fraternidade, verdade, honra, justiça e as
demais características
de um homem livre e de bons costumes.
- Iniciação,
renascimento do homem físico para o homem espiritual, mais evoluído e
focado em aprofundar os seus conhecimentos e maneiras de agir e pensar.
- Imortalidade,
Ressurreição de Osíris, Hiram e Jesus; está presente na crença do 3 grau,
a imortalidade da alma, ou a sua herança moral para a sociedade.
- Incorruptibilidade,
pôr a sua madeira não apodrecer, por isso, foram enterrados os membros de
Osíris, num caixão de acácia; esta característica define bem o Maçom a que
não apodrece ou se deixa corromper por influências externas.
Quando o Maçom diz que a A∴ é M∴ C∴, significa que conhece
a imortalidade da alma. É o um dos mais
importantes e significativos símbolos da Maçonaria, onde temos uma
bela percepção dos mistérios da vida e da morte,
do tempo e da eternidade, do presente e do futuro. Tem por objetivo também ensinar-nos que a vida
do homem, norteada de boas e puras ações, será recompensada, na hora
final da nossa vida terrena e por toda a eternidade.
Autor desconhecido
Bibliografia
- O
MESTRADO MAÇÔNICO – Rizzardo da Camino 2007
- A
SIMBOLOGIA MAÇÔNICA – Jules Boucher 1979
- MAÇONARIA
UMA JORNADA POR MEIO DO RITUAL E DO SIMBOLISMO – W. Kirk MacNulty 2008
- MESTRE
MAÇOM – Mário Gomes
- RITUAL
DO GRAU DE MESTRE MAÇOM – Grande Loja do Paraná. 2009
- SIMBOLISMO
DO TERCEIRO GRAU – Rizaardo da Camino 1998
- PEÇAS
DE ARQUITETURA – Loja Simbólica Estrela do Oeste 1 n 24. 2004
- TRABALHOS
MAÇÔNICOS GRAU MESTRE – Loja Simbólica Estrela do Oeste 1 n 24. 2003
- https://pt.wikipedia.org/wiki/Ac%C3%A1cia
- http://julearauju.blogspot.com.br/2012/09/o-que-significa-o-ramo-de-acacia-na.html
- http://www.maconaria.net/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=149
- https://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%ADmbolos_ma%C3%A7%C3%B4nicos
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sAQIKQ&dpr=1.1
- http://www.noesquadro.com.br/2011/02/acacia-na-maconaria.html
- http://maconariasociedadesecreta.blogspot.com.br/2010/12/acacia.html
- http://marciodutra.dominiotemporario.com/doc/acacia.html
- http://www.deldebbio.com.br/2011/04/14/a-acacia-dentro-da-maconaria/
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