O tempo sempre foi objeto de
reflexão de filósofos, teólogos e cientistas. No pensamento ocidental, ele é
frequentemente compreendido de forma linear, tendo como ponto de partida o
surgimento da matéria, seja na perspectiva religiosa da criação ex nihilo,
iniciada por Deus "do nada", seja no modelo científico do Big Bang,
quando a matéria, condensada num ponto de densidade e temperatura extremas,
começou a se expandir e a formar o universo.
Em tradições orientais, o
tempo é muitas vezes entendido de forma cíclica. Inspirados pelos ciclos da
agricultura, surgiram mitos cosmológicos que descrevem universos em constante
expansão e contração, repetindo-se em longos períodos chamados kalpas. Há também
quem afirme que o tempo é uma experiência mental, como propõe Agostinho de
Hipona, para quem o passado existe na memória, o presente na percepção direta e
o futuro na expectativa, tudo coexistindo na mente humana.
Na maçonaria, o templo é o
espaço onde os maçons se reúnem para o trabalho simbólico do "desbastar da
pedra bruta", que representa o autoaprimoramento que cada membro busca.
Esse processo não tem fim, pois o aperfeiçoamento do ser é contínuo e exige
tempo para se desenvolver.
O tempo, no templo, não
segue a lógica do mundo exterior. Cada grau e cada ritual marcam etapas do
percurso iniciático, organizando o progresso do maçom de forma gradual. O ritmo
dos trabalhos permite atenção, reflexão e prática sem pressa, sustentando a
evolução interior de cada membro.
O templo cria uma suspensão
simbólica do tempo. Ao entrar nesse espaço, o maçom abandona as ansiedades, a
pressa e as preocupações do mundo exterior. Nesse ambiente ordenado e separado,
a experiência espiritual sobrepõe-se às limitações materiais e temporais,
tornando possível o aperfeiçoamento de si mesmo de forma profunda.
O tempo no templo tem ainda
uma lógica própria em relação ao espaço profano. Os momentos que delimitam o
início e o fim dos trabalhos possuem significado, indicando que o progresso
depende apenas da dedicação e do esforço que o maçom aplica ao seu crescimento,
e não do tempo.
Assim, o templo oferece um
espaço em que o tempo se torna aliado do aperfeiçoamento. Ele permite que o
maçom trabalhe sobre a própria pedra bruta com paciência e concentração,
vivendo a experiência da iniciação e do crescimento espiritual como um caminho
contínuo, dedicado exclusivamente ao labor de conhecer a si mesmo.
"Não havendo tempo, há
eternidade; onde há eternidade, há prevalência do espírito; e onde há
prevalência do espírito, há aperfeiçoamento."
— Fernando Souza
André L. B. Pereira
Deco Pereira
P∴M∴ / M∴I∴

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