segunda-feira, 30 de março de 2026

O TEMPO NA MAÇONARIA

O tempo sempre foi objeto de reflexão de filósofos, teólogos e cientistas. No pensamento ocidental, ele é frequentemente compreendido de forma linear, tendo como ponto de partida o surgimento da matéria, seja na perspectiva religiosa da criação ex nihilo, iniciada por Deus "do nada", seja no modelo científico do Big Bang, quando a matéria, condensada num ponto de densidade e temperatura extremas, começou a se expandir e a formar o universo.

Em tradições orientais, o tempo é muitas vezes entendido de forma cíclica. Inspirados pelos ciclos da agricultura, surgiram mitos cosmológicos que descrevem universos em constante expansão e contração, repetindo-se em longos períodos chamados kalpas. Há também quem afirme que o tempo é uma experiência mental, como propõe Agostinho de Hipona, para quem o passado existe na memória, o presente na percepção direta e o futuro na expectativa, tudo coexistindo na mente humana.

Na maçonaria, o templo é o espaço onde os maçons se reúnem para o trabalho simbólico do "desbastar da pedra bruta", que representa o autoaprimoramento que cada membro busca. Esse processo não tem fim, pois o aperfeiçoamento do ser é contínuo e exige tempo para se desenvolver.

O tempo, no templo, não segue a lógica do mundo exterior. Cada grau e cada ritual marcam etapas do percurso iniciático, organizando o progresso do maçom de forma gradual. O ritmo dos trabalhos permite atenção, reflexão e prática sem pressa, sustentando a evolução interior de cada membro.

O templo cria uma suspensão simbólica do tempo. Ao entrar nesse espaço, o maçom abandona as ansiedades, a pressa e as preocupações do mundo exterior. Nesse ambiente ordenado e separado, a experiência espiritual sobrepõe-se às limitações materiais e temporais, tornando possível o aperfeiçoamento de si mesmo de forma profunda.

O tempo no templo tem ainda uma lógica própria em relação ao espaço profano. Os momentos que delimitam o início e o fim dos trabalhos possuem significado, indicando que o progresso depende apenas da dedicação e do esforço que o maçom aplica ao seu crescimento, e não do tempo.

Assim, o templo oferece um espaço em que o tempo se torna aliado do aperfeiçoamento. Ele permite que o maçom trabalhe sobre a própria pedra bruta com paciência e concentração, vivendo a experiência da iniciação e do crescimento espiritual como um caminho contínuo, dedicado exclusivamente ao labor de conhecer a si mesmo.

"Não havendo tempo, há eternidade; onde há eternidade, há prevalência do espírito; e onde há prevalência do espírito, há aperfeiçoamento."

— Fernando Souza

André L. B. Pereira

Deco Pereira

PM / MI

 

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

É livre a postagem de comentários, os mesmos estarão sujeitos a moderação.
Procurem sempre se identificarem.

Postagem em destaque

O TEMPO NA MAÇONARIA

O tempo sempre foi objeto de reflexão de filósofos, teólogos e cientistas. No pensamento ocidental, ele é frequentemente compreendido de for...