quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

A REVELAÇÃO DE UMA NOVA VISÃO COM OS OLHOS VENDADOS


 RELATO DE UM INICIADO

“A ordem Maçônica é uma associação de homens virtuosos, honrados e bondosos, que se consideram Irmãos entre si, cujo fim é viver em perfeita igualdade, intimamente ligados por laços de recíproca estima, confiança e amizade, estimulando-se uns aos outros, na prática da virtude.”.

Já tendo passado pelas três sindicâncias com minha esposa e ela já ciente de minha vontade e igualmente feliz, parti junto ao meu padrinho no dia 11 de outubro de 2025, para a tarde mais esperada, minha iniciação.

Seria um momento bastante especial, pois seriam iniciados outros onze Irmãos. Vendado escutei: “Eu sou vosso guia, tendes confiança em mim e nada receeis!”.

Coração acelerado de emoção misturada com medo de fazer algo errado, parti em uma jornada de sentimentos em ebulição. Então escuto: “Tira teu terno, desabotoa tua blusa, tira teu sapato direito.” Nesse momento caiu a ficha, eu realmente estava sendo iniciado. Levado logo após a uma sala escura onde fiz meu testamento. Olhei para a caveira, para o sal e para o galo, lá fui pedido a deixar todo e qualquer sentimento ruim que eu ainda tivesse, em meu íntimo respondi cada uma das frases escritas;

Se à curiosidade aqui te conduz, retira-te.

Se temes que os teus defeitos sejam descobertos, não estarás bem entre nós.

Se fortes dissimulado, serás descoberto.

Se tens apego as distinções mundanas, vai-te, pois, aqui não as reconhecemos.

Guiado e entusiasmado fui conduzido até onde estava antes sentado e lá aguardei até ser conduzido a outro lugar. Lembro das pancadas fortes, e da ponta metálica fria em meu peito.

Então ouvi que eu sou um homem livre e de bons costumes. Logo após fomos indagados:

o que queríamos ali? Bradei junto aos meus Irmãos gêmeos: Ser recebido maçom.

Um filme passava em minha mente, naquele momento o coração estava cheio de alegria, então me deixei levar, solicitado a ajoelhar me, recebi a oração do venerável mestre e me sentei.

Em pé mais uma vez, levado fui a sentir o gosto doce e o amargo da vida, onde lembrei que na vida terei momentos doces como mel e amargos como fel, com isso me ensinando a ser comedido para com a vida e nunca me por acima dos outros, para que assim seja sempre digno e justo. A cada pergunta e viagem, o brado era mais alto:

“Quero estar aqui!”.

Com o juramento selei minha aliança com a Ordem, recebi assim uma visão de vida, ciente do caminho árduo e longo a seguir atrás de minha lapidação interior.

Primeiro passo a se tomar nessa nova jornada após a iniciação, é, tomar ciência que a Ordem é séria e que a evolução do eu maçom começou de verdade.

Não sou mais um profano e sim um Irmão de Ordem com responsabilidades e dever moral de representar em minha vida o que é ser um maçom.

Ser servil, ser exemplo para minha família e amigos, compreender que sou apenas um átomo de algo muito maior, tornar me um ser aprimorado de conhecimento e sentimentos, zelar pela Ordem e lapidar minha pedra bruta, utilizando minhas ferramentas de aprendiz, a régua de 24 polegadas que representa a sabedoria, o maço que representa a força e o cinzel que por sua vez representa a beleza.

A régua de vinte quatro polegadas servirá para medir tudo em minha vida, calcular meu caminho de aperfeiçoamento, lidar com meu dia que assim como ela também tem vinte e quatro horas, onde pretendo organizar meus horários, traçar minhas metas, projetar minha jornada, medir meus desafios, aferir minha relação interior, me tornar cada vez mais sábio, ciente de que isso será eterno e que o único ser realmente sábio é o GRANDE ARQUITETO DO UNIVERSO e que todo conhecimento que eu venha a adquirir na vida não se comparará a um grão de areia na vastidão do universo perante ao conhecimento a ser desvendado no caminho do polimento.

O maço vem para me mostrar o quão ardo-a será a jornada de aprimoramento, a força que terá de ser aplicada na lapidação do eu maçom, as atitudes a serem tomadas para minha evolução, o cuidar de minha família, o realizar de meus trabalhos, as batalhas ainda a serem travadas com as paixões profanas e minhas vontades, vencendo cada uma delas para fazer novos progressos na maçonaria.

O cinzel vem para me ajudar a lapidar o eu maçom, o meu aperfeiçoamento como pai de família, a estabilização espiritual, a moderação das palavras, a mansidão do coração, a serenidade da alma, a retidão nas atitudes, o domínio das virtudes. Ir me moldando de forma flexível baseada no aprendizado adquiridos no processo de lapidação eterna da vida, vislumbrando a beleza da recompensa a ser alcançada.

Composta de vários ritos, entre os quais o que seguimos, (o Rito Escocês Antigo e Aceito, que foi nascido na França em por volta de 1786.) A maçonaria é regida por leis e regulamentos que lhe servem de normas em todos os países em que se faz presente, e em cada potência uma constituição e regulamento geral, que contém os princípios estabelecidos no pacto fundamental e, ainda, em cada loja pelo seu regulamento interno, que devem ser estudados para que possais conhecer vossos direitos e deveres.

Nossa loja assim como o templo de Salomão, é uma grande oficina no formato de quadrilongo, seu comprimento é do oriente ao ocidente. Sua largura é do Norte ao Sul.

Sua profundidade, da superfície ao centro da terra. Sua altura da terra ao céu. Está tão vasta extensão da loja simboliza a universalidade de nossa Instituição e mostra que a caridade do Maçom é sim limites, a não ser os ditados pela prudência.

Sustentada em três firmes colunas, Sabedoria (para nos orientar nos caminhos da vida), Força (para nos animar e sustentar em todas as dificuldades) e Beleza (para adornar todas as nossas ações, nosso caráter e nosso Espírito), onde os Irmãos de ordem devem realizar o seu trabalho de construção incessante, no plano moral e espiritual.

A primeira tarefa do aprendiz maçom é a de realização moral, de profunda preparação para os trabalhos subsequentes que se hão de exercer sobre o material humano que compõe o Universo.

AUTOR: RAIMUNDO NONATO MESQUITA DO NASCIMENTO

A RLS DREITO E LIBERDADE N° 03

sábado, 17 de janeiro de 2026

O PAPEL ESSENCIAL DA JUVENTUDE NA MAÇONARIA

 

A Maçonaria carrega uma história riquíssima e reúne muitos homens que marcaram seu tempo. Mas, em determinados momentos, vale a pena olhar com atenção para o agora — e, especialmente, para aqueles que estão sendo formados hoje e poderão se tornar referências amanhã.

 

A vitalidade da Ordem depende de quem chega com disposição, visão e vontade de construir. Os jovens não são apenas herdeiros da Arte; são parte do que mantém seus ideais acesos em um mundo em constante mudança.

Falo isso também por experiência própria. Hoje estou no fim dos meus vinte anos, mas minha caminhada começou cedo.

 

Aos 14 anos, fui iniciado na Ordem DeMolay (patrocinada pela Maçonaria) na Romênia. Foi ali que aprendi, ao lado de outros jovens, valores como liderança, responsabilidade e serviço. Aos 17, como Mestre Conselheiro do meu Capítulo — função equivalente, em responsabilidade simbólica, à do Venerável Mestre — entendi que fraternidade não se sustenta apenas em palavras: ela se prova no trabalho e na postura.

Ao completar 18 anos, decidi dar um passo importante e pedi ingresso em uma loja ligada ao ramo continental/liberal da Maçonaria, ciente de que não se tratava do modelo regular anglo-saxão. Meu interesse não era política maçônica, mas sim o aperfeiçoamento pessoal e a possibilidade de contribuir, junto aos irmãos, para uma transformação concreta na sociedade.

 

Talvez eu tenha compreendido melhor essa mensagem por ter sido formado ainda jovem, antes de me deparar com certas durezas e ambiguidades da vida adulta. E não tenho dúvida de que muitos outros jovens compartilham essa mesma disposição.

Como a vida não é uma linha reta, meu caminho maçônico também não foi. Mais tarde, passei a integrar outra obediência e outra loja, desta vez no Rito de Memphis. Ali, irmãos mais velhos e experientes depositaram em mim confiança suficiente para me conceder a responsabilidade de ser Venerável Mestre aos 22 anos.

 

Eu poderia contar outras histórias, mas este texto não é sobre mim. Ele é sobre muitos jovens — muitas vezes anônimos — que carregam o mesmo zelo e o mesmo desejo sincero de contribuir para o “Templo da Humanidade”: irmãos que vestem o avental branco como símbolo de pureza e procuram manter as luvas brancas também fora do templo, fazendo sua luz ser vista no mundo profano.

Na prática, jovens irmãos frequentemente são os que assumem tarefas mais exigentes, se voluntariam para o trabalho, puxam iniciativas, levam ferramentas e tecnologias para a rotina das lojas e ampliam a presença da Fraternidade na comunidade.

 

Essa energia faz diferença. Ela impede que a Maçonaria se torne apenas contemplação e a mantém também como ação. Energia, aqui, também significa resiliência: disposição para dedicar horas a projetos, viajar para encontros, se envolver com a vida da loja e sustentar compromissos com constância. Esse dinamismo evita a estagnação e, muitas vezes, reacende nos irmãos mais antigos o entusiasmo pela própria caminhada.

Além disso, os jovens costumam trazer abertura. Estão mais dispostos a aprender, a ouvir, a fazer perguntas e a experimentar abordagens novas quando isso serve ao bem maior. Em geral, são menos presos a hábitos rígidos e mais inclinados a adaptar formas de trabalho, sem necessariamente abandonar princípios. Essa receptividade permite integrar valores maçônicos aos desafios atuais — seja pela comunicação digital, por projetos sociais, por iniciativas de formação ou pelo diálogo com diferentes realidades culturais.

 

Não é raro ver como jovens transformam o clima das reuniões: o entusiasmo tira a loja da rotina; as perguntas fazem os mais experientes revisitarem ensinamentos com novos olhos; e a disposição ao diálogo cria pontes entre tradições e visões distintas.

Ainda assim, é fundamental reconhecer: a juventude, sozinha, não sustenta a Arte. A experiência dos irmãos mais antigos é o que oferece direção, profundidade e estabilidade. Ao mesmo tempo, sem juventude, a experiência corre o risco de virar acomodação.

 

A Maçonaria prospera quando essas duas forças trabalham juntas: a sabedoria oferece a bússola; a juventude oferece o impulso. Nem sempre esse equilíbrio é simples. Jovens podem questionar práticas e tradições; irmãos mais velhos podem resistir a mudanças. Mas é justamente nessa tensão — quando bem conduzida — que a Ordem amadurece.

A Maçonaria não foi feita para ficar parada. Ela precisa evoluir sem perder o essencial. E os jovens ajudam a garantir que esse movimento continue.

 

Por isso, uma Maçonaria saudável é aquela que investe nos jovens: tanto por meio de organizações juvenis maçônicas quanto abrindo espaço real, dentro das lojas, para que jovens merecedores cresçam. Isso inclui responsabilidades concretas, funções de trabalho e, quando apropriado, dignidades na Loja e na Grande Loja — não como enfeite, mas como oportunidade real de contribuição.

Talvez esse também seja um caminho para países que enfrentam o envelhecimento do quadro. Quando jovens estão presentes e são valorizados, outros jovens enxergam que também há lugar para eles. Entendem que são relevantes dentro de uma Fraternidade com cerca de três séculos de história — e que podem construir uma trajetória ali.

 

Quem sabe, assim, mais jovens se aproximem. E, junto deles, até os irmãos mais antigos se renovem — tornando a Maçonaria, na prática, cada vez mais viva.

Autor: Gabriel Anghelescu

 

Fonte: The Square Magazine

 


domingo, 11 de janeiro de 2026

O PONTO DE VIRAGEM DA MAÇONARIA

Gostaria de dedicar um momento para falar sobre um assunto que todos nós já refletimos ou discutimos em algum momento das nossas trajetórias maçônicas.

Como Venerável Mestre, testemunhei o surgimento e o declínio de muitas carreiras maçônicas e questionei-me frequentemente se existe um momento decisivo, um ponto de viragem que determina a permanência ou a rejeição.

“Porque é que os irmãos perdem o interesse pela Maçonaria e o que podemos fazer para reacender essa chama?”

Em que momento os nossos próprios pensamentos começaram a vacilar?

Existe um ponto de viragem na vida de cada Maçom; um momento em que a alegria de ser membro da nossa nobre Ordem começa a diminuir. Um momento em que nos esquecemos do propósito da nossa existência.

É neste ponto que perdemos a perspectiva do candidato que um dia fomos e nos tornamos meros espectadores da Maçonaria, em vez de participantes. Quando isto acontece, perdemos a perspectiva do candidato e deixamos de procurar novas luzes.

No início, a Maçonaria era excitante e nova. Chegamos à Ordem como candidatos ávidos dos seus mistérios e, a cada novo grau conquistado, sentíamos orgulho e realização ao desvendar os véus dos seus mistérios para revelar os seus antigos segredos, cada revelação impulsionando-nos ainda mais a procurar mais luz. Mas, por vezes, depois de atingirmos o sublime grau de Mestre Maçom, muitos de nós atingimos um patamar e tornamo-nos complacentes nas nossas viagens maçônicas.

Um participante é ativo; engajado. A sua mente é influenciada pela soma de tudo o que estuda processando-o; refina o seu caráter em direção ao louvável objetivo de se tornar um homem melhor. Ele exprime a própria quinta-essência da Maçonaria no pensamento e na ação pela retidão da sua conduta e pelo aperfeiçoamento do seu caráter, tornando-se o Aparelho Perfeito.

Um espectador, por outro lado, é passivo; desinteressado, a sua mente distraída por mil impulsos errantes que o afastam do caminho de platina. Perdido no caminho para a iluminação maçônica e já não um candidato adequado aos seus mistérios, é incapaz de se aperfeiçoar porque lhe falta a capacidade de subjugar as suas paixões e de interiorizar as lições que lhe são oferecidas, fazendo com que o seu interesse diminua.

Começamos fortes, envolvidos pela euforia de aprender os princípios fundamentais da Arte, apenas para nos vermos sobrecarregados e demasiado comprometidos pelas obrigações combinadas da família e da fraternidade. Para uns, isto acontece logo após a iniciação, para outros, depois de servir como Venerável Mestre da sua Loja. O nosso cabo de reboque fica tenso e esticado, tornando-se uma coleira apertada em volta do pescoço, sufocando os nossos desejos por mais luz se não for mantido sob controle e devidamente equilibrado.

Como aprendemos nas Ferramentas de Trabalho de um Aprendiz Maçom:

• 8 horas para o serviço de Deus e de um irmão digno e aflito

• 8 horas para as nossas vocações habituais

• 8 horas para descanso e sono

Nunca devemos deixar de nos aperfeiçoar na nossa busca da Iluminação Maçônica, esforçando-nos sempre pela equanimidade e procurando tornar-nos aprendizes da Ordem durante toda a vida, pontuando as nossas experiências com circunspecção e reflexão silenciosa.

Para reacender a nossa paixão pela Maçonaria, devemos testemunhar continuamente a outorga de cada grau pelos olhos de alguém que acaba de bater à porta da Maçonaria, e cada palavra deve tocar uma corda ressonante nos nossos corações. Devemos resgatar aquele momento transformador em que, diante do altar sagrado da Maçonaria, nos unimos perante Deus Todo-Poderoso em fraternidade e amizade místicas, para nos tornarmos irmãos.

Só assim podemos esperar progredir na Maçonaria e reacender a inspiração que recebemos quando éramos realmente os candidatos.

Qualquer Maçom que procure verdadeiramente a luz encontrará algo de novo na Maçonaria de cada vez que um grau for confirmado; MAS DEVE SER O CANDIDATO. Deve possuir a frescura de mente e de espírito, o anseio de um iniciado em busca de uma nova luz, que o possuía quando ingressou na fraternidade.

Se encararmos os graus da Maçonaria de forma impessoal e considerarmos as cerimônias apenas como uma repetição fria, então nada poderemos ganhar com elas. E se alcançarmos uma pequena percepção espiritual e nos recusarmos a nutri-la e a deixá-la crescer em visão e sabedoria, então até essa primeira luz se extingue. Deixamos de crescer quando já não procuramos a fonte que nos inspirou desde o início.

Este é o ponto de viragem; aquele momento crítico em que devemos assumir o controle dos nossos destinos e decidir que tipo de Maçom desejamos ser.

Como o ramo é dobrado, assim cresce a árvore. Para crescer na Maçonaria, devemos ter uma mente aberta, a coragem das nossas convicções, o desejo de progredir e a ânsia por mais luz: tudo o que tínhamos quando nós oferecemos pela primeira vez como candidatos aos Mistérios da Maçonaria.

A Maçonaria exige mais do que apenas tempo; ela quer os seus melhores momentos e o melhor de si. Este é o verdadeiro desafio de subjugar as nossas paixões e de nos aperfeiçoarmos através da Maçonaria.

Martin Bogardus-MI

Fonte: freemason

 

 

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

RELIGIÃO E MAÇONARIA:DOIS CAMINHOS, UMA MESMA PERGUNTA


 

Religião e Maçonaria nascem do mesmo ponto original: a inquietação humana diante do mistério. Ambas procuram responder à pergunta fundamental — de onde venho, quem sou, para onde vou? — mas fazem-no por vias distintas, quase opostas na forma, ainda que não necessariamente no fim.

A religião estrutura-se a partir da revelação. Parte de uma verdade transmitida, fixada na palavra, no livro, no dogma. Organiza a relação com o sagrado através da crença, do culto e da pertença. A sua força reside na capacidade de criar comunidade, sentido partilhado, narrativa comum. O seu risco está em confundir o símbolo com a realidade, a mediação com o absoluto, a obediência com a consciência.

A Maçonaria, pelo contrário, estrutura-se a partir da iniciação. Não transmite verdades finais; propõe experiências simbólicas. Não exige fé; exige trabalho sobre si. Não define Deus; aponta para um Princípio, deixando à consciência de cada um a forma de o nomear. Onde a religião afirma, a Maçonaria sugere; onde a religião prescreve, a Maçonaria simboliza.

Do ponto de vista simbólico, a diferença é clara: a religião eleva o olhar para o céu; a Maçonaria baixa-o para a pedra. Uma fala da salvação da alma; a outra da construção do homem. Uma promete redenção; a outra exige lapidação. Não são caminhos rivais, mas planos distintos.

A confusão começa quando a religião pretende ser iniciática sem o ser, ou quando a Maçonaria é lida como religião alternativa — erro frequente de críticos e de alguns entusiastas. A Maçonaria não substitui o sagrado religioso nem o combate; trabalha antes num plano ético, simbólico e antropológico, anterior a qualquer confissão. Por isso pode acolher homens de diferentes crenças sem lhes pedir renúncia.

Historicamente, a tensão entre ambas nasce quando a religião institucional se sente ameaçada por um espaço onde a consciência não é tutelada. A Maçonaria afirma a liberdade interior, o uso da razão, a dignidade do símbolo. Não nega Deus; recusa falar em nome de Deus. Esse silêncio ativo é, talvez, a sua maior heresia aos olhos do dogma.

Inicialmente, a religião tende a oferecer um caminho vertical — do homem para o divino — mediado por uma autoridade espiritual. A Maçonaria propõe um caminho horizontal e circular — do homem para si mesmo, e deste para a humanidade. O divino, se existir, manifesta-se como ordem, harmonia, lei moral inscrita no coração do ser humano.

Num tempo em que as religiões perdem autoridade simbólica e a espiritualidade se fragmenta, a Maçonaria permanece como um espaço raro de trabalho simbólico não dogmático. Não promete sentido; constrói-o. Não impõe valores; exercita-os. Não oferece certezas; educa para a dúvida fecunda.

Religião e Maçonaria não se anulam. A religião pode nutrir o sentido do transcendente; a Maçonaria disciplina a ética da ação. Quando separadas, empobrecem; quando confundidas, pervertem-se.

Talvez o equilíbrio esteja aqui: uma religião que volte a ser simbólica e humilde, e uma Maçonaria que permaneça fiel à sua vocação discreta de escola de humanidade. Não para salvar almas, mas para formar homens justos, conscientes e livres — capazes, talvez, de tornar o mundo um lugar um pouco menos indigno do mistério que o habita.

Porque, no fim, não foram as religiões que falharam totalmente.

Falhou o esquecimento de que o caminho é sempre interior, e que nenhum deus substitui a responsabilidade de tornar-se humano.

Rui Calado

 

domingo, 4 de janeiro de 2026

A MAÇONARIA VENEZUELANA

 

UM PEQUENO HISTÓRICO DA ORIGEM ATÉ O REGIME DE NICOLÁS MADURO

A Maçonaria venezuelana consolidou-se institucionalmente após a Guerra de Independência, a partir de 1823, quando Lojas em Barcelona, Cumaná e Valencia solicitaram cartas patentes aos Estados Unidos.

No entanto, sua unidade foi abalada por crises políticas internas e por um decreto de proscrição de sociedades secretas assinado por Simón Bolívar em 1828.

A reorganização ocorreu especialmente após a Revolução de 1853, com a promulgação de uma nova Constituição Maçônica em 1856, que estabeleceu o Grande Oriente Nacional como a suprema autoridade regular no território venezuelano.

A estrutura organizacional era complexa e hierárquica, dividida em três ordens principais: a Ordem Simbólica (que reunia as lojas com os três primeiros graus), a Ordem Perfeita (dos graus capitulares 4º ao 30º) e a Ordem Filosófica (graus 31º ao 33º).

A Constituição de 1856 também definiu requisitos de admissão, como a crença em um Ser Supremo, alfabetização e uma profissão honrada, além de centralizar a coordenação das atividades, que antes estava fragmentada desde a derrogação da constituição anterior de 1847.

Documentos históricos, como os da Loja "Esperança nº 37" de Caracas, revelam um crescimento significativo na segunda metade do século XIX. Em 1867, por exemplo, havia 28 Lojas registradas, totalizando cerca de 1.923 membros, com uma média de 68 maçons por Loja.

Este desenvolvimento ocorreu em meio a divisões internas, como o cisma de 1851 que gerou duas correntes (uma ligada ao Grande Oriente/Grande Loja e outra ao Supremo Conselho), e reflete a influência da Maçonaria na vida política e social da Venezuela da época.

Sob o regime de Maduro, a Maçonaria venezuelana enfrentou perseguição direta, marcada pela morte extrajudicial de membros como Oscar Pérez, desaparecimentos forçados e intimidação.

Enquanto a Maçonaria internacional condenava as violações, a liderança da Grande Loja da Venezuela, com autoridades alinhadas ao governo, absteve-se de criticar e até instruiu a cooperação com os órgãos de segurança do Estado.

A instituição foi forçada ao silêncio e à clandestinidade operacional, com vários maçons precisando buscar asilo político no exterior para sobreviver.

 

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

A LIBERDADE NOS DISTANCIA DA IGUALDADE. E A IGUALDADE SE CONTRAPÕE

Esta tríade já deu muito o que falar. Vamos “pular” o contexto histórico, que todos bem conhecemos, para tentarmos dar um passo diferente neste aspecto.

Ontem mesmo, participei da palestra que ostentava o tema LIBERDADE | IGUALDADE | FRATERNIDADE. Isso me motivou a transcrever estas breves palavras.

Entendo que a Liberdade é o que nos torna indivíduos, únicos e distintos. Ademais, a Liberdade, com suas diversas interpretações de épocas e situações sociais, preza por um núcleo-base comum: desgarrar de algo.

No nosso caso especificamente, necessariamente se faz importante uma ressalva aqui: liberdade está intimamente ligada à independência.

Mas que tipo de independência?

Àquela que diverge da submissão, em qualquer tom, que o homem poderia estar imerso.

É esta independência que traz à tona a espontaneidade do ser. Alguns designam ser a autonomia de um racional. Contrário a isso, defendo ser a essência que tanto buscamos (V.I.T.R.I.O.L.) dentro de nós mesmo.

Mas, se somos LIVRES, ou pelo menos pensamos ser, automaticamente não somos também, DIFERENTES?

Diferente no agir, pensar, julgar, subjugar, respeitar, conversar, revelar, impor. Opa! Impor?

Sim. A liberdade diretamente impõe a outrem SEU ponto-de-vista e, diga-se de passagem, (nosso ponto-de-vista) serve apenas para nós.

Sendo único, essência, indivíduo, livre e de bons costumes, o que nos nivela?

A extrema necessidade de encontrar algo. Todos buscamos nos mais diversos itens da vida e nos mais longínquos caminhos trilhados a mesma coisa. A essência. A Liberdade.

O que nos equipara uns com os outros é justamente isso. A igualdade da tríade Maç é um compêndio dos caminhos que buscamos a liberdade! Resumindo, o que nos tornam iguais é a necessidade de encontrarmos nossas diferenças, ora na liberdade ora na individualidade. Um, sem o outro não existem, maçônicamente falando. E qual a ferramenta que auxilia neste crivo que nos permite comungar de um mesmo tempo para estudar esta procura?

FRATERNIDADE! A fraternidade é nossa maior aliada na busca que nos tornam iguais pela liberdade. Por isso compõe a tríade.

Particularmente creio que existam outros muitos elementos que são tidos como metas vitais, mas na essência das buscas, o núcleo é exatamente este: LIBERDADE | IGUALDADE | FRATERNIDADE.

Vejo ainda as muitas pendências e rivalidades que existem entre PPot distintas, indo de encontro fulminante para com nossa tríade maior. Podemos colocar de lado, ou melhor, subtrair de nosso convívio tais diferenças pois elas sequer existem realmente.

A busca é INDIVIDUAL. Assim como em uma escola, a MAÇONARIA não forma bons homens, sequer os libertam! Pelo contrário! Para serdes admitido é que precisa, ao menos, ter consciência de sua própria liberdade. E, somente com uma profunda análise de consciência que conseguiremos ser justos.

Somos IIr, independente de PPot, RRit, Cargos ou outras atribuições PProf que nos conferiram. O conceito de igualdade se perde, muitas vezes, dentro de nosso T edificados. No caso da liberdade, muitos de nós ainda não conseguiram definir exatamente o que esta palavra significa. E, na fraternidade é onde encontro o conhecimento. Da boca para os ouvidos ou do coração para a mente. Nossas maiores “aulas” estão onde menos esperamos.

Vejamos esta tríade como níveis:

Liberdade: Primeiro passo para evolução. É também o desprendimento do corpo, do material. Além, é o desgarramento do que nos é e sempre foi apresentado. É o uso do lado direito e colorido do cérebro. O uso da intuição consciente.

Igualdade: Este segundo passo é o nivelador. Se somos essência, energia pura, somos “filhos” da mesma luz. O corpo material já ficastes no primeiro passo, o da liberdade, daqui em diante, somos todos um só.

Fraternidade: Terceiro e não último, este passo ainda está longe de ser atingir. Partes da mesma Unidade, somente com a fraternidade encontraremos nossos gêmeos e nos amalgamaremos novamente, voltando para a centelha divina d’onde saímos. É a união verdadeira e não simbólica. É o afunilamento dos caminhos quando em busca da VERDADE.

O mais intrigante fica em uma perguntinha:

E, para que tudo isso?

A resposta, meu Ir, está dentro de você!

Leo Cinezi

 

 

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

A CONSTANTE BUSCA PELO APERFEIÇOAMENTO-ABERTURA LIVRO DA LEI GRAU DE APRENDIZ


 

Estamos trilhando o caminho que prega uma Maçonaria mais unida, alegre, fraterna e sem vaidade. Percebemos, também, exemplos de que podemos fazer o melhor, ir mais longe, mesmo em tempos agitados, desde que haja resiliência, arrojo, criatividade e um inabalável espírito de luta.

“Salmo 133”

“Oh, quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em união. É como o óleo precioso sobre a cabeça, que desce sobre a barba, a barba de Aarão, e que desce à orla das suas vestes. Como o orvalho de Hermon, que desce sobre os montes de Sião, porque ali o Senhor ordena a bênção e a vida para sempre”.

Infinitas são as interpretações apresentadas na literatura maçônica sobre o Salmo 133 e uma que mais interessou vou descrever aos irmãos.

Em primeiro lugar, há que se registrar que essa não é a leitura original de Aprendiz no REAA, que adotava “João 1:1-5” e, geralmente, apenas em iniciações. Passou-se a adotar o Salmo 133 no Brasil após 1927, e de forma mais predominante entre as décadas de 40 e 50, por influência da Maçonaria Americana (Grandes Lojas) e Inglesa (Grande Oriente).

Para compreender o significado do Salmo, devemos conhecer os elementos que o compõe: DAVI: Tem-se o Rei Davi como autor do Salmo 133. O Rei Davi era tido como o grande cantor dos cânticos de Israel e autor de vários Salmos.

ÓLEO: o óleo era utilizado na cerimônia de unção dos Reis e Sumos Sacerdotes. Esses eram ungidos com um óleo especial, o qual era derramado sobre suas cabeças, e dessa forma, eram considerados “purificados” e “sagrados” para exercer suas funções.

HERMON: montanha considerada sagrada pelos judeus e chamada pelos árabes de “montanha nevada”. Localizada ao Norte de Israel, marca a divisão geográfica entre Israel, Líbano e Síria. Pela sua altitude (mais de 2.800 metros), seu cume está sempre coberto de neve, o que gera um orvalho que literalmente “rega” toda a região ao seu redor, sendo por isso a região mais fértil de Israel.

MONTES DE SIÃO: ao contrário do que alguns possam pensar, Sião não é Hermon. Ambos os pontos são extremidades de Israel, sendo Hermon a extremidade Norte e Sião a extremidade Sul. Após Sião, o que se vê é o deserto.

AARÃO: irmão mais velho de Moisés e primeiro Sumo Sacerdote de Israel, através do qual se originou a linhagem de Sumos Sacerdotes. Aarão era o porta-voz de Moisés (que possuía problemas de dicção), e servia de Orador dos judeus junto ao Faraó.

Conhecendo os elementos, pode-se compreender melhor a mensagem: Os Irmãos que Davi se refere são, provavelmente, o povo de Israel, divididos em suas tribos e espalhados entre Hermon e Sião (limites de Israel), mas todos vivendo em união.

Davi relembra então a unção de Aarão como o primeiro Sumo Sacerdote de Israel, momento que selou o compromisso entre o povo de Israel e seu Deus. Dali nasceu a nação que Davi representava e defendia. O óleo precioso que ungiu Aarão foi derramado em sua cabeça e desceu pela sua barba, espalhando-se para as extremidades de sua roupa.

Tal unção, que abençoava Israel, podia ser vista também em sua terra: a neve do cume de Hermon transforma-se em orvalho, que desce o monte e se transforma em um ribeirão, Banias, o qual desagua no Rio Jordão, esse que liga Hermon até a outra extremidade de Israel, os Montes de Sião, antes de desaguar no Mar Morto.

Todas as tribos de Israel estavam espalhadas de Hermon a Sião, sempre próximos às margens do Rio Jordão. “Jordão” significa exatamente isso, “que desce”. O Rio Jordão, alimentado pelo orvalho de Hermon, desce até a extremidade sul de Israel, Sião, distribuindo suas bênçãos, assim como o óleo precioso que desce da cabeça e a barba de Aarão até a orla de suas vestes.

Por fim, Davi afirma que, Sião (Jerusalém) é “ungido” pelas águas que vem de Hermon porque foi o lugar escolhido por Deus para que o povo judeu habite eternamente conforme suas bênçãos.

Com esse Salmo, Davi disse ao seu povo que eles deviam permanecer unidos e obedientes às ordens vindas de Sião, pois essa era a vontade de Deus desde a unção de Aarão, comprovada pela benção da água, que sai do alto de um monte e percorre 190Km de distância, derramando bênçãos por onde passa, até chegar a Sião.

É muito claro o motivo das palavras de Davi: ele era apenas o segundo rei de Israel, uma nação recente, ainda desestruturada, com muitas dificuldades, dividida em muitas tribos e sujeita a muitas ameaças. Ele precisava manter um discurso de unidade e esperança.

Das diversas interpretações vamos nos atentar a uma em especial e relacionar com a abertura de nossos trabalhos no Grau de Aprendiz Maçom.

Quão bom suave é que os irmãos vivam em união?

Estamos reunidos com irmãos da Loja com diversidade de religião, raça e pensamentos diferentes. Temos irmãos de outras Lojas e com ritos diferentes, sendo o que importa é que estamos unidos em busca do aprimoramento individual de cada irmão.

O óleo precioso...

A unção é a representação física do Espírito Santo agindo sobre a vida do ser humano. Em Seu caráter sagrado, é a proteção que nos proporciona sermos revestidos por Ele (cada um com sua crença).

..sobre a cabeça..

Essa unção se inicia sobre a cabeça que é parte pensante da Loja nosso Venerável Mestre que se encontra no Oriente da Loja.

...que desce sobre a barba...

A continuidade da benção segue agora para a coluna do norte que desce sobre a barba que representa a força, respeito.

...que desce à orla das suas vestes.

Agora representando a beleza a coluna do Sul é ungida para que os trabalhos possam ter moral nas ações, pensamentos e conduta, contribuindo para o desenvolvimento do maçom em busca da perfeição e do equilíbrio entre os pilares da Sabedoria, Força e Beleza. Juntas, essas colunas simbolizam um ideal de vida equilibrada, onde a sabedoria, a força e a beleza se complementam para a construção do Eu interior.

Como o orvalho de Hermon..

Orvalho é representado pelos ensinamentos que nutre o maçom com a filosofia de vida. Nessa coluna está o Aprendiz Maçom que necessita de uma bagagem muito grande de ensinamentos para que ele possa caminhar pelas colunas zodiacais em busca da luz. Após um ano de ensinamentos sobre a Filosofia Maçônica o Aprendiz tem seu aumento de salário e passa para a coluna do Sul.

...que desce sobre os montes de Sião...

Como Companheiro agora bem próximo da Plenitude Maçônica Simboliza a busca pela perfeição não só na estética, mas também na ética, na conduta e nos pensamentos. Ser bom, justo e honesto também é uma forma de beleza que o maçom deve praticar. Após seis meses alcança a plenitude Maçônica.

... porque ali o Senhor ordena a bênção e a vida para sempre”.

Ficamos a ordem e iniciamos nossos trabalhos em Loja Maçônica.

Considerações Finais

Assim, o Salmo 133, é um simbolismo que está centrado num segredo de extraordinário significado e a Maçonaria, ao adotá-lo na abertura das suas Lojas não está apenas contemplando a ideia da Fraternidade pura e simples, mas realizando o objetivo de integração total de todas as emanações da energia divina. Trata-se, na verdade, de um mantra poderoso, uma âncora fundamental para o aliciar da energia necessária para a formação do nosso aprendizado dentro da maçonaria.

Que os Irmãos, ao ouvirem o Orador pronunciá-lo na abertura de nossos trabalhos no Grau de Aprendiz Maçom tenham em mente esta informação, para melhor aproveitamento espiritual dessa invocação ao GADU.

Vanderlei Josquímica

Fontes:

https://teologia24horas.com.br/blog/salmo-133

https://noesquadro.com.br/entendendo-o-salmo-133

https://www.freemason.pt/estudo-do-salmo-133

Pedro Juck Secretário de Ritualística do GOB

Notas:

Texto conforme a Bíblia Hebraica, traduzida Por David Gorodovits e Jairo Fridlin – Editora e

Livraria Sefer Ltda. São Paulo, 2015. Para uma interpretação mais pormenorizada do

simbolismo do salmo 133, ver a nossa obra “O Tesouro Arcano”, publicada pela Editora Madras, 2013.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

VENERÁVEL MESTRE


 

Consiste no representante maior de uma Loja Maçônica, sendo o seu presidente e condutor dos trabalhos de uma sessão em Templo, tratando-se, também, do responsável legal da Loja perante a sua Potência Maçônica, assim como às demais instituições ligadas à Sublime Ordem e ao mundo profano.

Por ocasião das sessões de sua Loja, o Venerável Mestre representa Salomão na condução de seu povo. O Maçom, no desempenho desse honroso cargo, não pode ter apadrinhados, amigos nem inimigos, já que todos os membros da Loja são seus irmãos e colaboradores, devendo, desse modo ser tratados de forma fraternal, numa verdadeira convivência sincera e igual.

Cumprir e fazer cumprir fielmente o Vade Mecum e o Regulamento Geral da sua Potência Maçônica, assim também como o Regulamento Interno da sua Loja. Ser Venerável de uma Loja não é uma função espinhosa como muitos assim o dizem.

Missão espinhosa é comandar uma horda de baderneiros e não um grupo seleto de Maçons, os quais são homens livres e de bons costumes. A insígnia de um Venerável Mestre é originalmente, um esquadro, enquanto as suas atribuições, além das previstas nos rituais maçônicos, são:

a) Presidir os trabalhos da Loja, de combinação com o que originam as Leis Maçônicas;

b) preparar juntamente com o secretário, as pautas das reuniões;

c) assinar conjuntamente com o orador e o secretário, os balaústres das sessões, após a aprovação pelo plenário;

d) despachar o expediente, bem como constituir regras administrativas;

e) baixar atos de sua própria lavra, além de resoluções das decisões do plenário da Loja;

f) instituir comissões para fins característicos;

g) por ocasião das reuniões, outorgar a palavra aos obreiros, negá-la ou cassá-la, quando motivo justificado assim o determinar;

h) interromper os trabalhos ou encerrá-los, se não for possível manter a ordem e a disciplina nas reuniões;

i) deliberar com tolerância e aceleração as questões de ordem que forem levantadas;

j) colocar em sufrágio, após as arremate do orador, os contextos aventados na “Ordem do Dia”;

k) possibilitar ao tesoureiro proceder ao pagamento dos dispêndios na dotação da Loja, dando ciência ao plenário na reunião seguinte;

 l) analisar com assiduidade os “Livros Contábeis” da Loja, fazendo ajustar as anormalidades averiguadas;

m) acatar as exigências do Grão-Mestre de sua Potência, com relação ao recolhimento de livros e documentos produzidas pela Loja, bem como apresentar os subsídios e elucidações, quando solicitado por ele;

n) desempenhar comando disciplinar sobre os Maçons presentes à sessão da Loja, fazendo cobrir o Templo a qualquer obreiro que venha alterar a ordem dos trabalhos;

o) subscrever o encerramento do “Livro de Presença”, ao término de cada sessão; p) elaborar a previsão orçamentária juntamente com o tesoureiro;

p) questionar a sua Potência sobre as deliberações adversas à legislação desta;

q) instaurar processo disciplinar contra obreiro do “Quadro da Loja”, que tenha empreendido falha grave, tanto no âmbito maçônico como no mundo profano;

r) impedir com segurança, contendas sobre matérias que possam embaraçar a harmonia e a fraternidade da Loja;

s) informar com antecedência ao seu substituto legal, quando de possíveis faltas às sessões da Loja, bem como nos casos de impedimentos;

t) despachar solicitações à sua Potência, quando da concretização de sessões magnas que a Loja venha a realizar;

u) iniciar, elevar, exaltar, filiar e regularizar obreiros com os protocolos ritualísticos, após a aceitação dos adequados “quit-placet”, despachados pela sua Potência;

v) esparzir de forma confidencial, as investigações atinentes aos processos de iniciação, filiação e regularização;

w) nomear e dispensar livremente os oficiais administrativos e litúrgicos, desde que não sejam possuidores de mandato eletivo; x) nomear os membros das Comissões Permanentes da Loja;

y) oferecer para julgamento do plenário, na última reunião ordinária do seu encargo, o Relatório Administrativo e Financeiro da sua gestão;

z) encaminhar a sua Potência, escutado o plenário da Loja, as reivindicações e os expedientes formulados por obreiros;

z-1) requerer ao Grão-Mestre da sua Potência, devidamente abonada, a isenção de interstício para elevação e exaltação de obreiros;

z-2) manter sob malhete, pelo prazo de quinze dias, qualquer recurso que aquilatar pernicioso à boa ordem dos trabalhos ou à concórdia da Loja, diligenciando no sentido de superá-lo. Não conseguindo, deverá levar o assunto à análise do plenário. – O Venerável Mestre, tem acento no Trono de Salomão, porém esta regra, por motivos hierárquicos, apresenta exceção, ou seja:

Encontrando-se presentes à sessão o Grão-Mestre ou o Grão-Mestre Adjunto da sua Potência, o Venerável deverá lhes passar a presidência dos trabalhos, lhes cedendo, consequentemente, o Trono da Loja, passando, então, a ocupar a cadeira situada à direita deste. Por outro lado, nas faltas e impedimentos do Venerável Mestre, este será substituído, obedecendo a seguinte ordem:

a) Pelo Primeiro Vigilante;

b) pelo Segundo Vigilante, na falta do Primeiro; e,

c) na ausência de ambos, pelo Venerável Mestre de Honra ou pelo ex-Venerável mais moderno, desde que tenha autorização para tal, e, mesmo assim, nos casos de excepcionalidade.

Dicionário Maçônico Cristão.

Gilberto Lyra Stuckert Filho.

 

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