terça-feira, 27 de outubro de 2026

AMIGO E IRMÃO DE MAÇONARIA, EXISTEM DIFERENÇAS?


Quando ingressamos na Maçonaria nos foi falado que todos os maçons esparsos pela superfície da terra são indistintamente considerados irmãos entre si; isso pelo fato de que, após passar pela cerimônia de iniciação, todos os maçons que se submeteram às provas simbólicas contidas nas viagens (provas da terra, do ar, da água e do fogo), assim como ao juramento solene na presença do Livro da Lei, do Esquadro e do Compasso (as três grandes luzes da maçonaria) e ao juramento firmado sob a taça sagrada (a taça da boa e da má sorte) perante uma assembleia de maçons (homens livres e de bons costumes), outorga ao iniciado o título de irmão de Maçonaria.

Não obstante ao título de irmão maçom, também nos foi falado pelo Venerável Mestre ao término do cerimonial: ¹“Raiou enfim o dia em que se abrem para vós as portas da verdadeira amizade; de agora em diante considerai-nos como amigos que conquistastes e achareis sempre prontos a correr em vosso socorro...”.

Caríssimos irmãos, diante dessa afirmativa extraída do ritual de aprendiz do REAA (parte da iniciação), podemos evidenciar que todo maçom iniciado, automaticamente ao lhe ser dada a luz, além de se tornar irmão de milhões de outros iniciados pelo universo, também faz jus a igual número de amigos.

No ²dicionário da língua portuguesa de Antônio Houaiss, a amizade tem o seguinte significado: “sentimento de afeto, de carinho, de estima e de dedicação que uma pessoa demonstra por outra, sendo que essa pessoa também retribui esses sentimentos” (sentimento mútuo); e irmão: nascido do mesmo pai e da mesma mãe (sentido literal); pessoa que se possui uma proximidade muito grande em relação a outra, considerando-o como irmão (sentido figurado).

Diante do que acaba de ser apresentado, podemos entender que os termos irmão e amigo, na maçonaria, se entrelaçam formando um elo muito forte e altamente resistente. A comprovação dessa afirmação vem descrita logo no início da segunda instrução do aprendiz quando o Venerável Mestre indaga ao 2º Vig.’., por ocasião de sua iniciação: ³“Como vos encontráveis ao serdes levado ao templo?” E o Vigilante da Col.’. do Sul responde: “Vendado, nem nu, nem vestido. Retiraram-me todos os metais e fui, então, conduzido por um amigo, que depois reconheci como irmão”.

Ora, meus irmãos, conduzido vendado por alguém que, até lhe ser retirada a venda, o neófito não tinha conhecimento de quem fosse; ainda assim, antes de concluído o cerimonial, já o considerava como um amigo. Não resta dúvidas diante dessa passagem de que a amizade e a irmandade, no sentido de sentimento de afeto, carinho e dedicação, se confundem e se completam revelando o que de fato significa o culto à fraternidade que une os maçons como irmãos de fato.

Portanto, meus irmãos, tenhamos o maior prazer em chamar, também de amigo, um legítimo irmão; e de irmão, um legítimo amigo; porque essas duas referências se apresentarão sempre associadas e uma sem a outra estará incompleta.

Nossos laços de amizade são o que caracterizam o maçom onde quer que ele se encontre. Suas características peculiares é o que identifica o maçom transformando a atmosfera ao seu redor de modo que harmonia, a tranquilidade e a concórdia não permitam que sentimentos contrários interfiram na paz que nos é propiciada através das bênçãos emanadas pelo Grande Arquiteto do Universo.

Trabalho concluído em 15/06/2026 pelo ir.’. Murilo Américo da Silva, membro da A.’.R.’.L.’.S.’. Onofre de Castro Neves n° 2.555, Or.’. de Carangola/MG.

Fonte:

¹Dicionário online Houaiss da Língua portuguesa

²Ritual de Aprendiz Maçom do REAA GOB edição 2024 (p. 161);

³Ritual de Aprendiz Maçom do REAA GOB edição 2024 (p. 186).

sexta-feira, 23 de outubro de 2026

CIÊNCIA, RELIGIÃO E MAÇONARIA


A Maçonaria vem demonstrar a realidade, rasgando o véu que a oculta à muitas criaturas. Mas não pode impor as suas verdades a quem não as quer aceitar ou aos que não têm ainda condições para a aceitação.

Os 288 anos decorridos desde a Instituição da Maçonaria Especulativa, foram pródigos em notáveis avanços no terreno dos conhecimentos e da tecnologia no mundo.

Os homens desenvolveram e ratificaram as ciências, no que se refere à matéria, dominaram o espaço do Planeta, chegaram à Lua, foram ao fundo dos oceanos, venceram obstáculos de várias ordens, dominaram doenças milenares do corpo, avançaram muito no que concerne à vida transitória na Terra.

Entretanto, o conhecer-te a ti mesmo permanece como desafio ao homem, há 2500 anos.

Este desafio demonstra quão difícil se torna ao homem o conhecimento da realidade de si próprio, da sua individualidade, e das leis que regem a vida, pela eternidade.

A Humanidade tem propensão para enfrentar os problemas que dizem respeito à vida transitória, mas tem muita dificuldade no entendimento da vida eterna, apesar das religiões milenares que estão no mundo.

CIÊNCIA

Ciência – Como as Letras e as Artes, as Ciências compõem todo o domínio do espírito humano.

Na antiguidade a Ciência, que os gregos denominavam Sefia ou Filosofia, era pouco extensa e era fácil a um só homem a abarcar toda.

A Ciência, envolta com o engenhoso simbolismo dos graus, é a base do sábio sistema iniciático praticado pela Maçonaria.

Se as ciências cultivadas pelos homens têm por escopo o conhecimento da verdade, nada justifica a separação e até o combate entre cientistas e maçons, uma vez que uns e outros estão sempre em busca da verdade, dos factos, das realidades, das leis naturais.

O que tem ocorrido é que as ciências, que se têm desenvolvido através de observações, de experiências, de descobertas de leis naturais e métodos próprios, só se preocupam com um dos elementos do Universo – a matéria – deixando de lado o outro elemento, de vital importância – o espírito.

Aquele que se limita a pesquisar no infinito faz ciência. Se a sua imaginação se inflama, se a sua alma se emociona e impõe regras morais que lhe tracem a conduta, prática, desde então, uma religião.

RELIGIÃO

Religião – Vários são os conceitos formados para a definição da religião. Segundo uns, é o conjunto das crenças, dos sentimentos e dos atos que religam (de religare) o homem a Deus e que lhe dão a solução dos problemas relativos ao seu destino. Outros fazem derivar esta palavra de religere, adorar com temor e respeito. Para outros, enfim, é o culto prestado a uma divindade, representando uma etapa da civilização humana, e, fundado por um “Instrutor” (Buda, Zoroastro, Moisés, Platão, Orfeu, Maomé e Cristo), enviado ao mundo para preparar uma nova fase na vida social, moral e intelectual.

Os grandes desvios da igreja, desde o acordo com o Imperador Constantino, em 312 e 325; O grande delito jurídico perpetrado a 13 de Outubro de 1307, sob a tiara de um papa, quando o Grão-Mestre da ex-Ordem do Templo, Jacques De Molay, foi condenado por se ter recusado a confissões arrancadas pela fraude, visando o poder temporal e interesses materiais, até aos nossos dias, quando o seu chefe pede perdão pelos erros cometidos, ao mesmo tempo que reafirma a infalibilidade papal, aprovada no Concílio de 1870, estão a demonstrar a profunda diferença entre a Maçonaria e a Doutrina das Igrejas denominadas cristãs.

Como conciliar um Cristianismo instigador das guerras das Cruzadas, instituidor da Inquisição e do Tribunal do Santo Ofício, perseguidor de judeus, muçulmanos, espíritas, assim como a bula de excomunhão contra a Maçonaria, de triste memória “In Eminenti Apostolatus Specula”, lançada em 1738 pelo papa Clemente XII (1652 – 1741), presunçosa, orgulhosa, violenta, em total divergência com os ensinos do Cristo, que têm por base o amor a Deus e ao próximo, o perdão aos inimigos, a tolerância, a indulgência para com todos.

MAÇONARIA

A Doutrina Maçônica possuí os seus aspectos essenciais. Não cerceia o seu adepto que se dedique à ciência que a cultive na sua dignidade, que se devote à filosofia que lhe divinize as aspirações, mas que a base maçónica permaneça em tudo e todos, para que não venhamos a perder o equilíbrio sobre os alicerces em que se levanta a Ordem. Daí a necessidade de que a ninguém seja possível interpretar os nossos símbolos, segredos e alegorias, as nossas Leis ao sabor das suas paixões e interesses diversos, nem falsear o sentido dessas Leis.

A Maçonaria não é um movimento filosófico admitindo toda a orientação de opinião. A verdadeira Maçonaria é um culto para conservar e difundir a crença na existência de Deus, para ajudar os Maçons a regularem a sua vida e conduta sobre os princípios da sua própria religião, qualquer que ela seja, mas ela deve ser uma religião que exija a crença em Deus como ser supremo e deve possuir um livro sagrado sobre o qual o Iniciado possa prestar juramento à Ordem.

Nenhuma hostilidade, nenhum desapreço a quem quer que seja. Acontece, porém, que temos a necessidade de preservar os fundamentos maçônicos, honrá-los e sublimá-los, senão acabaremos estranhos uns aos outros, ou mutilados nos nossos melhores anseios, convertendo o movimento de lutar por uma Humanidade melhor, mais feliz e mais próxima da Verdade.

Estudar, ensinar, aconselhar, mas exemplificar. Nada que lembre castas, discriminações, evidências individuais injustificáveis, privilégios, imunidades, prioridades.

O ensino maçônico tem de ser claro e sem equívocos, para que ninguém possa pretextar ignorância e para que todos o possam julgar e apreciar com a razão.

CONCLUSÃO

O cientista se utiliza do método científico para estudar um fato e interpretá-lo. No campo religioso, é a partir da crença ou da fé que se interpreta o fato. Na constante observação da ação dos seus adeptos, a Maçonaria pelo aperfeiçoamento do coração, pelo trabalho, pela prática da Moral e pela observação da Ciência, não permite que seja esquecido que devemos procurar sempre a mais iluminada e mais profunda compreensão das religiões, com o sentimento de tolerância e solidariedade, que nasce da sincera comunhão entre Irmãos, com a Liberdade que aspira Luz e Igualdade para que se possa solidificar os sentimentos de Fraternidade.

O homem, nascido numa religião, contrai o hábito de só crer, porque nela vê a única verdade religiosa possível, ou melhor, a prova da falsidade das outras.

A Maçonaria que não é de nenhuma época, pertence a todas as épocas; não sendo de nenhuma religião, encontra em todas as religiões as suas grandes verdades, encara cientificamente a ideia religiosa, as suas origens, a sua evolução, as influências recíprocas das diferentes doutrinas, respeitando a todas, com a sinceridade da ciência.

Não resta dúvida que o materialismo deve ser destruído e a Maçonaria é, no mundo atual, o seu grande opositor, uma vez que as religiões tradicionais, pelos seus desvios e enfraquecimento, se tornaram impotentes para se lhe opuserem.

Em cada Loja, o mais forte deve ser escudo do mais fraco, o mais esclarecido a luz para o menos esclarecido, e sempre seja o Aprendiz o mais protegido e o mais auxiliado, que seja maior aquele que se fizer o servidor de todos.

É necessário definirmos objetivos que devemos alcançar, sem sermos apressados, porquanto não nos compete violentar consciência alguma, mantendo o projeto de irmanar, aproximar, confraternizar e compreender.

Trabalhemos, pois, conscientes, aproveitando a oportunidade de servir que se nos oferece, unindo as nossas mãos, os nossos esforços e os nossos sentimentos nesta grande obra, não perdendo de vista essa realidade de suma importância – a total vinculação da Sublime Instituição, sem os desvios impostos pelos interesses dos homens.

Sigamos em frente buscando a inspiração do Grande Arquiteto do Universo.

“Superando os homens o preconceito contra o que lhes é desconhecido, se desvenda à humanidade, com extraordinário progresso para as ciências e as religiões, a Maçonaria desvenda toda a riqueza a par de conquistas importantes, como a Liberdade, a Igualdade, ao lado da Fraternidade, como aspiração para toda a Humanidade.”

Valdemar Sansão

Fontes Consultadas

Rituais Maçônicos;

Grande Dicionário Enciclopédico de Maçonaria e Simbologia – Nicola Aslan;

“O Despertar para a Vida Maçônica” – Valdemar Sansão

 

quarta-feira, 21 de outubro de 2026

MAÇOM DA MENTE


Os Maçons das obras (operativos), os Maçons das indagações (especulativos) e os Maçons executivos foram tratados em artigo anterior. Agora, é o momento de pensarmos nos Maçons da mente.

Para tanto, é necessário ir além da noção de “mente” como um conjunto de faculdades e processos intelectuais, denominado pensamento, memória e emoção. Em âmbito maçônico, mentalizaremos o Pensamento como sendo a Coluna Jônica, capaz de gerar ideias; a Memória será a Coluna Dórica e está ligada às experiências passadas; e a Emoção será a Coluna Coríntia, pois são as respostas subjetivas aos estímulos.

O MAÇOM DA MENTE USA A SABEDORIA, A FORÇA E A BELEZA PARA INTERPRETAR A REALIDADE E DIRECIONAR SEU COMPORTAMENTO.

No oceano da vida, com as furiosas vagas das ilusões, nossa mentalidade deve ser um conjunto de valores e atitudes que nos purificam e moldam a maneira como devemos nos enxergar e o mundo, orientando nossos pensamentos, comportamentos e sentimentos diários.

O interessante é que, ao assumirmos a condição de Maçom da mente, materializamos os ideais maçônicos – a teoria torna-se prática. Nossas instruções não visam ser decoradas, são para serem praticadas. Nossa mente cria tudo o que existe ao nosso redor. Sendo assim, todos nós temos o poder de modificar tudo, mas, antes, precisamos mudar a consciência, deixar as ilusões.

Há uma instrução importantíssima do que fazer diante de uma porta fechada.

Primeiro, bata e será atendido. Segundo peça e receberá. Terceiro, procure e encontrará. Em resumo, somos incitados a uma nova mentalidade, mediante três níveis:

Aos Aprendizes, aceitem mudanças. O aprendizado exige sair da zona de conforto. Entenda que você foi iniciado na Maçonaria, portanto você não é apenas membro de uma Loja. Visite outras Oficinas em dias diferentes da sua (batei e sereis atendido).

Aos Companheiros, observem os desvios, corrijam rotas e vejam suas falhas e as dos Irmãos como oportunidades de ajuste e evolução. No campo material, nada é perfeito: a rosa tem espinho; o esterco fertiliza, mas fede; a mesma água que mata a sede afoga o sedento (pedi e recebereis).

Aos Mestres, não acreditem que a maestria veio com a exaltação, posto que um verdadeiro Mestre nunca se exalta, nos dois sentidos da palavra. A plenitude é o direito de buscar conhecimento constante, vide os Graus Superiores. Substitua a apatia pela curiosidade ativa em prol do próprio desenvolvimento (procurai e encontrareis).

Há três tipos de mentalidades, ou seja, temos três principais categorias de Irmãos. Os Maçons da Mente de Escassez acreditam que inteligência e talentos são inatos e não aceitam assumir cargos e missões por medo de falhar.

Os Maçons da Mente de Avidez são os que se desenvolvem pelo esforço, acreditando no aprendizado contínuo. Esses são nossos líderes.

Por fim, os Maçons da Mente de Abundância, os quais compreendem que a vida é ação e superação. Estes inspiram nossos líderes.

Duas décadas de compartilhamento do que aprendi com o único propósito de ofertar às Lojas material para o QUARTO DE HORA DE ESTUDO, ATIVIDADE OBRIGATÓRIA DE UMA LOJA MAÇÔNICA, e uma salutar provocação dominical aos amados Irmãos. São artigos curtos e objetivos, a fim de dar espaço à pesquisa, entre o pouco que sei e o muito que desejo que os Irmãos se aprofundem sobre os temas.

Fraternalmente

Sérgio Quirino

 

domingo, 18 de outubro de 2026

O POSICIONAMENTO DO MAÇOM DIANTE DE QUESTIONAMENTOS RELIGIOSOS


 

A trajetória de um iniciado na Maçonaria é marcada pela busca incessante da verdade e pelo autoaperfeiçoamento. Entretanto, essa jornada não ocorre em um vácuo. O maçom é, acima de tudo, um cidadão do mundo, inserido em famílias, ambientes de trabalho e círculos sociais onde as opiniões divergem e as crenças muitas vezes colidem. Em uma era de polarização digital e excesso de informações — muitas vezes imprecisas —, o obreiro da arte real é frequentemente convocado, pelo olhar alheio, a explicar a natureza de sua instituição.

Como deve o maçom se portar quando sua honra ou a de sua Ordem é posta em dúvida por visões religiosas estritas ou preconceitos sociais? A resposta não reside no embate retórico, mas na profundidade da filosofia que ele abraça. Este ensaio busca explorar o caminho do equilíbrio, fundamentado na história e na ética, para que o diálogo prevaleça sobre o conflito.

A TRADIÇÃO DA TOLERÂNCIA: DOS CANTEIROS À ESPECULAÇÃO

Para compreendermos a postura maçônica atual, é imperativo retornar às raízes documentais da Ordem. A Maçonaria, em sua transição do caráter operativo (dos construtores de catedrais) para o especulativo (pensadores e filósofos), estabeleceu um marco fundamental na história da civilização ocidental: a tolerância religiosa.

As Constituições de Anderson, de 1723, documento basilar da Maçonaria Moderna, já previam que o maçom deveria seguir a “Religião em que todos os homens concordam, deixando suas opiniões particulares para si mesmos”. Este preceito não visava criar uma religião ou substituir as existentes, mas sim oferecer um espaço seguro — a Loja — onde homens de diferentes credos pudessem se encontrar como irmãos, focando no que os une (a moral e a virtude) em vez do que os separa (o dogma confessional).

Historicamente, a Maçonaria surge como uma ponte em um período de profundas guerras religiosas na Europa. O maçom aprende, desde o primeiro contato com a instituição, que a liberdade de consciência é sagrada. Portanto, diante de questionamentos religiosos, a primeira ferramenta do obreiro é o reconhecimento histórico de que a Ordem é um santuário de paz, e não um campo de disputa teológica. 

O DESAFIO DA PERCEPÇÃO SOCIAL NA ERA DIGITAL

Atualmente, o questionamento muitas vezes nasce da “Maçonaria Imaginária” — aquela construída por teorias da conspiração, vídeos sensacionalistas e desinformação em redes sociais. É comum que familiares ou colegas de trabalho, movidos por uma preocupação genuína ou por preconceito, lancem dúvidas sobre os propósitos da instituição.

O erro mais comum cometido por alguns irmãos é a tentativa de defesa agressiva. O conflito alimenta a dúvida; a serenidade a dissipa. É fundamental compreender que a maioria das críticas não é direcionada ao maçom enquanto indivíduo, mas a uma imagem distorcida que o interlocutor possui.

A conduta ideal envolve o acolhimento da dúvida. Em vez de rebater com termos técnicos ou segredos rituais — que devem ser preservados em sua sacralidade —, o maçom deve utilizar uma linguagem acessível e transparente sobre os fins da Ordem: o desenvolvimento do caráter, a prática da caridade e a busca pela justiça social.

DIÁLOGO SEM CONFLITO: A ARTE DA ESCUTA ATIVA

O diálogo fraterno exige o que os filósofos chamam de “escuta ativa”. Quando um religioso expressa preocupação sobre a compatibilidade da Maçonaria com sua fé, o maçom deve ouvir com respeito. Muitas vezes, o interlocutor apenas deseja ser ouvido e assegurado de que os valores morais que ele preza — como a família e a crença em um Criador — também são pilares para o maçom.

Ao explicar que a Ordem exige de seus membros a crença em um Princípio Criador (o Grande Arquiteto do Universo), o maçom estabelece um ponto de contato imediato. Ele esclarece que a Maçonaria é uma escola de moral que complementa, e não substitui, a vivência religiosa de cada um. A harmonia é alcançada quando demonstramos que nossa caminhada na Ordem nos torna melhores membros em nossas próprias comunidades de fé.

A CONDUTA ÉTICA COMO RESPOSTA DEFINITIVA

As palavras possuem força, mas o exemplo possui autoridade. Um dos ensinamentos mais valiosos da Maçonaria é que o verdadeiro templo é construído no coração do homem. Se um maçom é reconhecido em sua comunidade como um pai exemplar, um profissional honesto e um cidadão solidário, qualquer crítica teórica à Maçonaria perderá sua força diante da realidade de seus atos.

A aplicação prática do “polimento da pedra bruta” é visível na paciência diante da agressividade e na temperança diante do excesso. Quando confrontado com opiniões divergentes ou extremistas, o maçom deve recordar-se de que a resposta mais eloquente é a sua própria vida. A retidão de caráter é o argumento que não permite réplica.

ESTRATÉGIAS PARA CONVIVÊNCIA EM AMBIENTES DIVERGENTES

Como agir na prática quando o debate surge à mesa de jantar ou no ambiente corporativo?

  1. Mantenha a Serenidade: A alteração da voz ou o uso de ironia apenas confirmam os preconceitos do outro. A calma é o escudo do sábio.
  2. Evite o Dogmatismo: Não tente convencer o outro de que a Maçonaria é a “detentora da verdade”. Apresente-a como uma ferramenta de busca pessoal pela verdade, respeitando o caminho alheio.
  3. Destaque os Valores Universais: Foque em temas como ética, filantropia e o estudo da história. Estes são campos onde o consenso é mais facilmente alcançado.
  4. Saiba Encerrar a Discussão: Quando o diálogo deixa de ser uma busca por entendimento e se torna um ataque pessoal ou dogmático intransigente, o silêncio respeitoso é a melhor saída. Retirar-se de uma discussão infrutífera não é sinal de fraqueza, mas de domínio próprio.

A MAÇONARIA E A SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA

Vivemos em um mundo que clama por pontes, não por muros. O maçom, por sua formação, é um construtor de pontes social. O posicionamento diante de questões sociais — sejam elas políticas ou de costumes — deve ser pautado pela defesa da dignidade humana e pela liberdade de expressão, sempre dentro dos limites da lei e da ordem.

Embora o maçom tenha suas convicções individuais, ele não deve usar a Ordem para promover agendas político-partidárias que gerem divisão. Seu papel é ser o elemento de coesão, aquele que consegue enxergar o valor na opinião divergente e extrair dela o que for útil para o bem comum.

A INFLUÊNCIA DO EXEMPLO NO CÍRCULO FAMILIAR

O ambiente familiar é, por vezes, o mais desafiador. É nele que as convicções religiosas são mais profundas e os laços afetivos tornam as divergências mais sensíveis. O maçom deve ser o porto seguro de sua família. Sua dedicação ao lar, o carinho com o cônjuge e a educação dos filhos são as provas reais de que a Maçonaria eleva a alma. Com o tempo, a observação da mudança positiva no comportamento do iniciado costuma transformar o receio dos familiares em admiração e respeito.

CONCLUSÃO – A OBRA PERMANENTE DO MAÇOM

O posicionamento do maçom diante de questionamentos não deve ser o de um apologista fervoroso, mas o de um filósofo praticante. A Ordem não necessita de defensores que gritem, mas de obreiros que edifiquem. Ao enfrentarmos a divergência com respeito, a crítica com serenidade e o preconceito com o exemplo, honramos a tradição milenar que nos foi confiada.

A verdadeira face da Maçonaria é revelada não através de discursos complexos, mas pelo brilho da luz que emana de um homem que aprendeu a dominar suas paixões e a estender a mão ao seu semelhante, independentemente de sua cor, crença ou convicção social. Que cada maçom seja, em si mesmo, uma resposta viva e positiva a todos aqueles que buscam compreender a essência desta augusta instituição.

Ao final do dia, a convivência harmoniosa com o diferente é a maior lição de arquitetura social que podemos oferecer ao mundo. Que possamos continuar trabalhando em nossa pedra bruta, para que a construção final seja um monumento à paz e à fraternidade universal.

www.estudosmaconicos.com.br 

 

quinta-feira, 15 de outubro de 2026

SERÃO MESMO "PASSOS PERDIDOS"?


 

Iniciaremos o assunto pelo quase óbvio. “Perdido” remete a alguma coisa se perdeu! Contudo, não como verbo transitivo direto no sentido de ter deixado a posse de algo, ou de derrota, nem mesmo de desperdício, mas invocando o sentido alegórico de ter deixado algo para trás, que não está mais com você.

Vale destacar que a “Sala dos Passos Perdidos” não tem conexão histórica e estrutural com o Templo de Salomão do século XI antes de Cristo. Tal estrutura foi incorporada às edificações maçônicas a partir do século XVIII depois de Cristo.

Como novidade para alguns, ela não possui vinculação com qualquer estrutura sacralizada. Sendo sarcástico e irônico, nossa Sala dos Passos Perdidos foi inspirada nos Sagrados Templos das Leis Profanas, ou seja, nos Parlamentos Legislativos.

Adjacente à sala onde ocorrem as Sessões Legislativas, há um espaço denominado “Sala dos Passos Perdidos”, a qual funciona como centro de encontros e conversas entre legisladores, membros do governo, imprensa e povo.

Assim, esclarecidos a origem, o local e o simbolismo, resta a pergunta: e os “Passos”?

É neste ponto que muitos de nós não captaram a instrução simbólica da Sala dos Passos Perdidos, confundindo passos com pegadas.

A SALA DOS PASSOS PERDIDOS NÃO É O LOCAL PARA “PERDER OS PASSOS”, NÃO SÃO AS MARCAS DEIXADAS PELOS PÉS.
É PARA ABANDONAR OS CAMINHOS PERCORRIDOS.


Há vertentes interessantes para cumprirmos nossa alcunha de “Maçons Especulativos”. Uma delas encontra-se na diferença de “passos” como o ato de mover um pé para andar e o conceito militar para cada uma das várias maneiras de a tropa marchar.

Os da caserna, com nostalgia, relembram que a marcha começa na posição de sentido – em que estão todos de pé e em ordem. Nessa posição, os pés formam um ângulo de aproximadamente 45°, com os calcanhares juntos, igual aos Irmãos do Rito de York, antes do primeiro passo regular da Maçonaria.

O Infante começa o passo com o pé esquerdo e, quando dispensado, vira-se para a direita e marcha três passos. Por falar em três, os Comandos de Ordem Unida dividem-se em Voz de Advertência, Voz de Comando e Voz de Execução, ao passo que os movimentos são: Sentido, Descansar e Ordinário Marcha. De fato, o três é fascinante, e perdoem-me os devaneios.

A Sala dos Passos Perdidos é mais que um espaço físico ou um ambiente adequado para se dedicar a algo. Albert Einstein, por meio da Teoria da Relatividade, afirmou que tempo e espaço são relativos e estão entrelaçados.

Portanto, a Sala dos Passos Perdidos é um momento, uma tomada de consciência de que, a poucos metros (espaço) e em poucos minutos (tempo), haverá a oportunidade de evolução. Porém, só acontecerá se abandonarmos os passos profanos que caminhamos. Não se sabe se pelos becos da falsidade, pelas travessas da rispidez, pelas alamedas da vaidade, pelas pontes da ganância, pelas ruas da intransigência ou pelas avenidas da soberba.

SENDO ASSIM, MUITO ANTES DE ADENTRAR UM RECINTO SAGRADO LIVRE-SE DA POEIRA DOS CAMINHOS PROFANOS.
LÁ DENTRO, NÃO HÁ ESPAÇO A GANHAR OU TEMPO A PERDER.
(ou, no caso do relativismo: lá dentro há espaço a perder e tempo a ganhar, se o espaço for material e o tempo espiritual).

Duas décadas de compartilhamento do que aprendi com o único propósito de ofertar às Lojas material para o QUARTO DE HORA DE ESTUDO, ATIVIDADE OBRIGATÓRIA DE UMA LOJA MAÇÔNICA, e uma salutar provocação dominical aos amados Irmãos. São artigos curtos e objetivos, a fim de dar espaço à pesquisa, entre o pouco que sei e o muito que desejo que os Irmãos se aprofundem sobre os temas.

Fraternalmente

Sérgio Quirino

 

terça-feira, 13 de outubro de 2026

A PALAVRA DO SEMEADOR E A SEMENTE DO CONHECIMENTO MAÇÔNICO

“...muitos são os iniciados, poucos despertados”

Edouard Schuré – Os Grandes Iniciados

O presente texto pretende apresentar a relação entre a “Parábola do Semeador”e o conhecimento maçônico como semente e destacar a importância da gnose na Maçonaria.

Em sentido denotativo, “parábola” significa uma figura de linguagem que envolve uma história, ou metáfora que transmite uma mensagem ou ensinamento mais profundo. No sentido lógico, “parábola” é uma narrativa alegórica que utiliza elementos concretos e simbólicos para ilustrar uma verdade ou um princípio abstrato.

Portanto, a “parábola” tem como características ser uma alegoria, já que utiliza símbolos e metáforas para transmitir uma mensagem; é um simbolismo, pois, os elementos da história têm significados simbólicos que necessitam ser interpretados. É um ensinamento: pois, a Parábola visa transmitir um conteúdo moral e tem caráter universal, pois a Parábola pode ser aplicada a diferentes contextos e situações.

Na interpretação feita por Jordan B. Peterson em sua Obra – “Nós que Lutamos com Deus”, (2025) ele analisa a “Palavra do Semeador”.
A palavra de Deus pode ser comparada, por exemplo: a uma semente. Na Parábola do grão de mostarda (Mateus 13:3); (Marcos 4:30-32); (Lucas: 13:18-19), o Reino dos Céus é descrito como algo semelhante a uma pequena semente, da qual emerge uma imensa força vital.

Na Parábola do Semeador: (Lucas 8:5); (Mateus 13: 3-23); (Marcos 4:3-20) – aqueles que ouvem ou falham em ouvir são comparados ao solo. Algumas sementes caem à beira do caminho (aqueles que ouvem, mas, não entendem), algumas em solo rochoso (aqueles que recebem a palavra com alegria, mas não perseveram), algumas entre espinhos (aqueles que acabam sufocados pelas preocupações e riquezas da vida) e algumas em solo fértil (aqueles que vivem, guardam na memória e geram frutos).

Relação entre a Palavra do Semeador com a Semente do Conhecimento Maçônico

Para desenvolver este tópico, será utilizada a Obra de Albert Mackey – “Maçons que leem e Maçons que não leem” de 1875.

Ele considera que o grande corpo de Maçons pode ser dividido em 3 (três) classes:

1. Primeira classe: Consiste naqueles que fizeram o seu pedido de Iniciação, não por um desejo de conhecimento, mas por algum motivo acidental, nem sempre honroso. Tais homens foram levados a procurar a Iniciação ou porque era susceptível, na sua opinião, de facilitar as suas operações comerciais, ou de fazer avançar as suas perspectivas políticas, ou de qualquer forma de se beneficiar pessoalmente.

Para esses Maçons não há esperança. São árvores mortas, sem promessa de frutos. Deixai-os passar como seres ou pessoas totalmente sem valor e incapazes de melhorar. Na Parábola do semeador, são comparados com as sementes que caem em solo rochoso (pedregoso) – mas não germinam.

2. Segunda classe: que consiste em homens que são os antípodas morais e maçônicos da primeira. Estes fazem o seu pedido de admissão sendo motivados, como o Ritual exige, “por uma opinião favorável concebida da Instituição, em desejo de conhecimento”. Logo são iniciados, veem nas cerimônias pelas quais passaram, um significado filosófico digno do trabalho de investigação. Eles dedicam-se a esta investigação. Obtém livros maçônicos, leem periódicos maçônicos e conversam com Irmãos bem-informados.

Eles familiarizam-se com a história da Ordem. Eles investigam a sua origem e o seu objetivo final. Exploram o sentido oculto dos símbolos e adquirem a interpretação. Tais Maçons são sempre membros úteis e honrados da Ordem, e muito frequentemente tornam suas Lojas brilhantes. A sua lâmpada arde para o esclarecimento dos outros e a eles a Instituição está em dívida por qualquer que seja a posição elevada que tenha alcançado. Este artigo não foi escrito para eles. Estes correspondem a semente do conhecimento que cai em solo fértil, que germina e produz frutos.

Terceira classe: é uma classe intermediária que constitui o Corpo da Fraternidade. Ela consiste em Maçons que se juntaram à Ordem com motivos inquestionáveis, e com, talvez, as melhores intenções. Mas eles falharam em levar essas intenções a efeito. Eles cometeram um erro grave: supuseram que a Iniciação era tudo o que era necessário para os tornar Maçons, e que qualquer estudo adicional era inteiramente desnecessário.

Por isso, nunca leram um livro maçônico. Se lhes mostrarmos as produções dos mais célebres autores maçônicos, o seu comentário é que não têm tempo para ler – as exigências dos negócios são esmagadoras. Mostrem-lhes uma revista maçônica de reputação conhecida e peçam-lhes que a subscrevam. A sua resposta é que não podem pagar, os tempos são difíceis e o dinheiro é escasso. E no entanto, não há falta de ambição maçônica em muitos destes homens. Mas a sua ambição não está na direção certa. Eles não têm sede de conhecimento, mas têm uma sede muito grande de Cargos ou Graus.

Eles não podem dispor de dinheiro ou tempo para compra ou leitura de livros maçônicos, mas têm o suficiente de ambas para gastar na aquisição de Graus Maçônicos. É surpreendente a avidez com que alguns Maçons que não compreendem os rudimentos mais simples de sua arte, e que falharam completamente em compreender o alcance e o significado da Maçonaria primária e simbólica, se agarram às honras vazias dos Graus mais elevados.

O Mestre Maçom que sabe muito pouco, se é que sabe alguma coisa, do Grau de Aprendiz, anseia por ser Cavaleiro Templário. Ele não sabe nada, e nunca espera saber nada, sobre a história do Templarismo, ou como porque é que estes velhos Cruzados se incorporaram na Irmandade Maçônica.

O auge de sua ambição é usar a Cruz Templária no seu peito. Se ele entrou no Rito Escocês, a Loja de Perfeição não o satisfará, embora forneça material para meses de estudo. Ele gostaria de subir mais alto na escala de classificação, e se por esforços perseverantes ele puder atingir o cume do Rito e ser investido com o 33º, pouco lhe importa qualquer conhecimento da organização do Rito ou das sublimes lições que ele ensina.

Ele atingiu o auge da ambição e pode usar a águia bicéfala. Esses Maçons são como as sementes que caem à beira do caminho, ouvem os ensinamentos, mas não entendem, ficando à margem da Luz do Conhecimento. Com isso, não se deve supor que todo Maçom seja um Maçom erudito e que todo iniciado seja obrigado a se dedicar ao estudo da ciência e literatura maçônicas.

                                    MAÇONARIA GNÓSTICA

Para exemplificar a importância do conhecimento, José Loiola (2023), analisa a Maçonaria Gnóstica. Esse autor explica que existe uma categoria de Graus no Rito Escocês Antigo e Aceito (R\E\A\A\) denominada de Gnósticos Superiores, dentre eles o de “Cavaleiro Rosa Cruz” que é consagrado ao triunfo da Luz sobre as Trevas e sua interpretação é a emancipação da humanidade pelo amor e pela verdade gnóstica.

Trata este Grau da liberdade absoluta da palavra falada e escrita, da prática do direito que cada homem tem de formular suas opiniões e ideias de maneira que lhe parece mais aceitável, e isto sem restrições de qualquer espécie, desde que os direitos dos demais não sejam feridos ou menosprezados por essa manifestação.


A Maçonaria é essencialmente gnóstica, pois tem como bem a busca constante da verdade e essa só nos é apresentada através do conhecimento. A palavra “gnose” do verbo gignósko, significa conhecer, conhecimento superior, interior, espiritual e iniciático, assemelhando-se ao da palavra episteme que significa conhecimento científico, contrapondo a forma de conhecimento empírico, aquele obtido através da experimentação. Gnosis significa, pois, conhecimento em oposição a “ignorância”.


Gnosiologia, portanto, é a parte da filosofia que estuda o conhecimento humano (ato cognitivo) – ação de conhecer e conhecimento é o ato ou efeito de abstrair de uma determinada ideia a noção de alguma coisa.

                                    CONSIDERAÇÕES FINAIS

            Como visto a palavra do semeador pode ter relações com o conhecimento maçônico do ponto de vista simbólico, eis algumas possibilidades:

Plantio de ideias: o Semeador planta as sementes, que representam ideias e conhecimentos. Na Maçonaria o conhecimento é visto como uma semente que precisa ser plantada e cultivada para crescer e se desenvolver.

Crescimento Espiritual: A semente representa o potencial de crescimento e desenvolvimento espiritual e o conhecimento maçônico busca promover o crescimento e a evolução do indivíduo. Fertilização da Mente: O semeador fertiliza a terra, preparando-a para receber as sementes. Da mesma forma, o conhecimento maçônico busca fertilizar a mente, preparando-a para receber e processar novas ideias.

Colheita dos frutos: O semeador colhe os frutos do seu trabalho, assim como o Maçom colhe os frutos da dedicação ao conhecimento e à prática maçônica.

Renovação e transformação cíclica: A semente é o ciclo da vida, morte e renascimento. O conhecimento maçônico também busca promover a renovação e a transformação pessoal, permitindo ao iniciado renascer e renovar. Atualmente vivemos muitos paradoxos tais como: o divórcio entre o progresso moral e o progresso material. O arsenal tecnológico está a serviço da depreciação de valores e conquistamos espaço exterior, mas não o interior e muitos outros.


Por outro lado, temos redutos como a Ordem Maçônica, verdadeira escola de ética que usa a doutrina como rearmamento moral; é uma tribuna, obviamente restrita, mas de livre pensamento para unificar o progresso.

Ingressamos na Ordem com o objetivo de transformar-nos, o que representa um fator educativo que impulsiona o progresso. Nossa meta é melhorar a Humanidade, promovendo a justiça, a igualdade, a liberdade, a compaixão e a sabedoria, e contribuindo para a criação de uma sociedade mais justa, harmoniosa e próspera.

Essa meta é impulsionada pela prática desinteressada da filantropia, que é um fator de evolução. Nesse sentido, o conhecimento filosófico é capaz de alcançar a Verdade, revelar as alegorias e desvelar os símbolos, permitindo-nos compreender mais profundamente a realidade e nosso lugar no mundo.

Os segredos dos Graus Superiores, Altos Graus ou Filosóficos, praticamente quase todos na linha do aprimoramento moral e espiritual, podem ser resumidos da seguinte forma:

A vida é o segredo da Tolerância;
                                    A Tolerância é o segredo da Maçonaria;
                                    A Maçonaria é o segredo do Amor;
                                    O Amor é o segredo da Vida.
João Francisco Guimarães (2006).

Paulo Roberto Marra

Referências bibliográficas

BÍBLIA SAGRADA – Antigo e Novo Testamentos. Trad. João Ferreira de Almeida. 2.ed. SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993
CAMINO, Rizzardo da. Dicionário Maçônico. S. Paulo: Madras, 2006
GUIMARÃES, João Francisco. Maçonaria: a filosofia do conhecimento. 2.ed. S. Paulo: Madras, 2006
JAPIASSÚ, Hilton e MARCONDES, Danilo. Dicionário Básico de Filosofia. 4. ed. atual. Rio de Janeiro: Zahar, 2006
LOIOLA, José. A Filosofia dos 33 Graus do Rito Escocês Antigo e Aceito. Londrina: Trolha, 2023
MACKEY, Albert. Disponível em: http://bibliot3ca.com/macons-que-leem-e-maçons-que-nao-leem/ trad. Antônio Jorge – M.:M.: - Publicado em Free Mason-PT, 1875
PETERSON, Jordan B. Nós que lutamos com Deus: Percepções do Divino. Trad. Wendy Campos. 1.ed. Rio de Janeiro: Alta Books, 2025
Obs: Os tópicos: Conceito lógico de Parábola e a Relação entre a Palavra do Semeador e a semente do Conhecimento Maçônico foram aprimorados pela Meta IA.

Eu não sou o que aconteceu comigo,
                                               eu sou o que escolhi me tornar.
                                                      Carl Jung – (1875 – 1961)
                                                Psiquiatra e Psicoterapeuta suíço

 

 

 

 

segunda-feira, 12 de outubro de 2026

A LOJA ESTÁ DESMORONANDO. MAS A INTOLERÂNCIA CONTINUA NO TRONO.


O Templo está em ruínas. Os princípios estão sendo esquecidos. A fraternidade virou discurso.

Irmãos que antes se abraçavam agora se tratam como inimigos. Divergir virou ofensa. Pensar diferente virou motivo de suspeita. E a liberdade de consciência, antes tão defendida, passou a incomodar.

Mas observe bem a imagem.

Não é um homem que ocupa o trono. É a intolerância.

E os que estão ajoelhados não são vítimas de um tirano. São aqueles que acreditam que a tirania é aceitável quando serve às suas próprias convicções.

Porque a intolerância não se sustenta sozinha. Ela precisa de quem a justifique, de quem aplauda a exclusão e de quem confunda fidelidade aos princípios com submissão a determinadas ideias.

A Loja deveria reunir homens livres, não homens obrigados a pensar da mesma maneira.

Mas quando a opinião de um Irmão passa a valer mais que seu caráter, já não se busca a verdade. Exige-se alinhamento.

E quando a fraternidade só existe entre os que concordam, não estamos diante de uma união de Irmãos.

Estamos diante de uma torcida organizada.

O mais perigoso é que ninguém se considera intolerante. A intolerância está sempre no outro. A própria é convenientemente chamada de convicção, coragem ou defesa de valores.

E assim, enquanto cada um acredita estar protegendo a Loja daqueles que pensam diferente, todos podem estar contribuindo para destruí-la.

Afinal, o que ameaça mais uma Loja: a intolerância que ocupa o trono ou os Irmãos que se ajoelham diante dela?

E você? Está combatendo a intolerância ou apenas aquela que contraria suas próprias convicções?

A/D

domingo, 11 de outubro de 2026

SIGNIFICADO DA COLMEIA

Nas pesquisas que tenho realizado sobre a simbologia maçônica, sempre me impressionou como certos símbolos, apesar da sua riqueza de significado, são relegados ao esquecimento ou, na melhor das hipóteses, ao conhecimento de poucos.

A colmeia é um desses casos.

Trata-se de um dos mais antigos e profundos emblemas da Arte Real, presente nos rituais desde o século XVIII, mas que, com o passar do tempo e as sucessivas revisões ritualísticas, foi perdendo espaço — a ponto de ser justamente chamado de "símbolo perdido" da Maçonaria.

A investigação sobre a colmeia revela uma riqueza doutrinária notável. Na tradição maçônica, ela representa o trabalho coletivo, a disciplina, a organização e a harmonia social — virtudes que o obreiro é chamado a cultivar.

As abelhas, incansáveis e cooperativas, simbolizam o maçom ideal: aquele que trabalha em silêncio, contribui para o bem comum e reconhece que o todo é maior do que a soma das partes.

Doutrinadores como Albert G. Mackey, em Symbolism of Freemasonry, e W. L. Wilmshurst, em The Meaning of Masonry, reconheceram o valor deste emblema, enquanto René Guénon, em Símbolos Fundamentais da Ciência Sagrada, viu na colmeia a expressão da ordem cósmica que rege o universo.

Novas interpretações, como as de estudiosos da simbologia maçônica, sugerem que a colmeia representa a própria Loja: um corpo orgânico onde cada membro tem uma função específica, e onde a cooperação e a reciprocidade são as condições da sobrevivência.

Este artigo convida o autor e o leitor a explorarem as profundezas deste símbolo, para que a compreensão da colmeia ilumine a prática da fraternidade e do trabalho coletivo

 MS MAÇOM 

 

quinta-feira, 8 de outubro de 2026

AS TRÊS COLUNAS: SABEDORIA, FORÇA E BELEZA

O presente Trabalho tem por objetivo apresentar um estudo superficial a respeito dos três Pilares ou Colunas que, segundo o REAA, dão sustentação [1][2] ao Templo/Loja [3]. Salientamos que estas Colunas não se confundem com as Colunas “J” e “B” que estão dispostas na entrada do Templo e, muito menos, com as Colunas dos Companheiros e dos Aprendizes dispostas, respectivamente, no Sul e Norte do Templo.

Segundo o Ritual do Aprendiz, três grandes Colunas sustentam a Loja: Jónica (Minerva) – Sabedoria; Dórica (Hércules) – Força; e a Coríntia (Vénus) – Beleza [4]. Sendo tais Colunas representadas pelas Luzes da Loja respectivamente: o Venerável Mestre; o Irmão 1º Vigilante; e o Irmão 2º Vigilante [5].

Estas três Colunas ou Pilares são emblemas de três grandes personagens que fazem parte da própria essência da Maçonaria, cujas habilidades combinadas resultaram na construção do primeiro Templo. Desta forma, as Colunas representam: Salomão, portador da Sabedoria para planear e construir o Templo de Jerusalém; Hiram, rei de Tiro, pela Força que deu aos trabalhos do Templo, fornecendo homens e materiais; e Hiram Abiff, por seu primoroso trabalho em adorná-lo, dando-lhe Beleza ímpar, até hoje nunca igualada [6].

Destarte, encontramos uma correlação entre aqueles que construíram o primeiro Templo e as Luzes da Loja, pois conforme a tradição, o Templo Maçónico é a reprodução daquele, possuindo igualmente três Colunas que sustentam a eterna construção do nosso Templo. Seguindo essa esteira, tais Luzes são relacionadas com aquelas Colunas, sendo atribuído a elas certos poderes/deveres, conforme passamos a descrever.

A primeira Coluna, representa a Sabedoria, o vetor inventivo com o qual devemos nos pautar, a fim de orientar as nossas atitudes no decorrer das nossas vidas. Daí a sua relação com o Venerável Mestre, pois cabe a ele a missão de comandar e orientar, de forma sábia e inventiva, os demais Irmãos.

A segunda Coluna, representa a Força; não a força desmedida, desregrada, mas aquela que nos dá ânimo, sustância, para superar todas as dificuldades encontradas no nosso caminho. Tal Coluna, é representada, em Loja, pelo Irmão 1º Vigilante, que, entre outras atribuições, possui a missão de instruir os Companheiros, de cuja Força depende o futuro da Arte Real.

Por último, mas não menos importante, a terceira Coluna, representante da Beleza; não a vaidosa, mas aquela que adorna todas as nossas ações, o nosso caráter e o nosso espírito. Esta Coluna é personificada pelo Irmão 2o Vigilante que, por sua vez, tem como obrigação, além da instrução dos Aprendizes, fiscalizar todos os trabalhos realizados em Loja, a fim de que sejam estáveis e resultem em honra para o Venerável Mestre e glória para o GADU, tornando a sua obra bela e graciosa.

Segundo Jules Boucher [7], devemos notar que os nomes dados às Colunas correspondem aos nomes de três das Sephiroth da Kaballa. Conforme o autor, na Kaballa hebraica as Sephiroth [8] representam um sistema particular de emanação divina, que pode ser representado sob a forma reproduzida na página 35.

Para o referido autor, houve uma confusão entre Chesed e Thiphereth, pois as três pilares que se correlacionam no Quadrado Oblongo só poderiam ser Chochmah (Sabedoria), Geburah (Força) e Chesed (Graça) [9].

Contudo, mesmo levando-se em conta a sapiência do douto autor, adotamos no presente Trabalho a denominação majoritária, ou seja, aquela que atribui à Coluna do Irmão 2o Vigilante, como correspondente à Tiphereth (Beleza), pois não encontramos mais nenhuma outra fonte que corrobore tal entendimento.

Além disso, como já descrito, cada uma das três Colunas representa também uma das três principais ordens da arquitetura Grega: a Jônica, a Dórica e a Coríntia.

A Coluna Jónica, símbolo da Sabedoria e do Venerável Mestre, possui vinte e quatro estrias e a sua altura é nove vezes o seu diâmetro. O capitel está adornado com duas volutas [10] e a cornija [11] com dentículos. De formas elegantes e esteticamente estáveis e seguras, a Coluna Jónica é comparada a uma bela mulher, pois o seu capitel e o seu fuste lembram as roupas e o penteado das mulheres viventes naquele período.

A Coluna Dórica, símbolo da Força e do Irmão 1º Vigilante, é a mais simples das três Colunas Gregas. O fuste tem vinte estrias superficiais e a sua altura é oito vezes o seu diâmetro. Considera-se esta Coluna traçada segundo o modelo de um homem de perfeita musculatura, pois denota fortaleza e nobre simplicidade.

A Coluna Coríntia, símbolo da Beleza e do Irmão 2º Vigilante, é a mais formosa. Tem as mesmas estrias da Coluna Jónica, mas a sua altura é dez vezes o seu diâmetro, o que lhe dá aspecto gracioso. O seu capitel é belo e adornado com duas filas de folhas de acanto [12] e oito volutas que sustentam o ábaco [13].

Como podemos observar, as três Colunas são consubstanciadas de uma forte carga simbólica e filosófica. Indicam-nos que, tanto na Obra Universal do GADU, como na Obra Fundamental da nossa construção moral, devemos iluminar todas as possibilidades da nosso potencial coletivo, como Irmãos construtores e partícipes da Arte Real e, individual, despojando-nos de todas as paixões e vícios. E, que para tanto, só poderemos ser sábios se possuirmos Força, porque a Sabedoria exige sacrifícios que só podem ser realizados pela Força; e que ser Sábio com Força sem ter Beleza, torna a obra desarmónica, pois a Beleza é fio condutor entre o mundo e a nossa sensibilidade.

Assim, podemos concluir que a Sabedoria, a Força e a Beleza são essenciais ao desfecho de toda Obra, formando a tríplice argamassa responsável pela firmeza e equilíbrio do Templo.

Marcos Eduardo Lelis – Or. São Paulo – SP

Notas

[1] Dada a multiplicidade de formas de se abreviar os termos maçónicos, adopta-se no presente Trabalho a utilizada no Ritual de Apr.’., 2001.

[2] Segundo Harry Carr, somente em 1730, no Masonry Dissected de Prichard e no Wilkinson MS., é que encontramos a primeira menção aos “Três Pilares” que “sustentam a Loja…[isto é] Sabedoria, Força e Beleza”. Salientamos que tal informação é apenas ilustrativa, pois, além de se referir a outro Rito (Lojas Inglesas), não pudemos corroborá-la em nenhuma outra obra consultada.

[3] Há quem relacione as três Colunas com o Templo. Contudo, não corroboramos com esse entendimento; seguimos a corrente majoritária que as relaciona apenas com a sustentação da Loja.

[4] Minerva (Roma)/Atena ou Palas (Grécia) – deusa da guerra justa, da sabedoria, das artes, da estratégia e ofícios; Vênus (Roma) – deusa pré-romana da península itálica, representava a beleza e as aventuras amorosas. Na Roma Antiga foi identificada com Afrodite, a deusa grega do amor. Contudo, segundo os historiadores não há motivo relevante para essa ligação; Héracles (Grécia (Hércules (Roma) – aclamado herói e depois adorado como deus, filho de Zeus.

[5] Ritual do Aprendiz, 2001, pp. 158 e 159.

[6] Neste sentido, Ritual e Instruções de Aprendiz Maçom, 1974, pp. 158-159 e Wagner Veneziani Costa, Maçonaria – Escola de Mistérios, p. 538.

[7] A Simbólica Maçônica, pp. 113-114.

[8] 1. – Kether (Coroa); 2. – Cbochmah (Sabedoria); 3. – Binah (Inteligência); 4. – Chesed (Graça); 5. – Geburah (Força); 6. – Tiphereth (Beleza); 7. – Netzah (Vitória); 8. – Hod (Glória); 9. – lesod (Fundamento); e 10. – Malkuth (Reino). Ressaltamos que existem variações ortográficas presentes nas traduções dos termos utilizados para representar o conjunto das dez emanações divinas descritas na Sephiroth, justificando, assim, a discrepância entre a descrição do texto e a imagem apresentada acima. Contudo, tal discrepância ortográfica, não inibe a inteligência das informações.

[9] Para um estudo mais aprofundado, ver A Simbólica Maçônica, pp. 113-118.

[10] Volutas, sf. 1. Ornato espiralado de um capitel de coluna. 2. Parte de objeto, ou ornato etc., em forma de espiral. – Minidicionário Aurélio.

[11] Cornija. Sf. Arquit. Série de molduras sobrepostas que formam saliências na parte superior de parede, porta, etc. – Minidicionário Aurélio.

[12] Acanto, sm. Bot. Planta espinhosa, acantácea, cujas folhas serviram de modelo para ornamentos arquitetônicos. – Minidicionário Aurélio.

[13] Ábaco, sm. Arquit. Parte superior do capitel de uma coluna, com a finalidade de criar apoio para arco ou arquitrave. Disponível em: Wikipedia. Acesso em: 10 abr. 2008.

Bibliografia

  • ADOUM, Jorge. Grau do Aprendiz e seus Mistérios. São Paulo: Pensamento, 2006. BOUCHER, Jules. A Simbólica Maçônica – Segundo as Regras da Simbólica Esotérica e Tradicional. ed. São Paulo: Pensamento, 2006.
  • CAMINO, Rizzardo da. Simbolismo do Primeiro Grau-Aprendiz. 1. São Paulo: Madras, 2005.
  • CARR, Harry. O Ofício do Maçom – Guia Definitivo para o Trabalho Maçônico, tradução de Carlos Raposo. São Paulo: Madras, 2007.
  • CASTELLANI, José. O Rito Escocês Antigo e Aceito – História, Doutrina e Prática. ed. Londrina: “A TROLHA”, 2006.
  • COSTA, Wagner Veneziani. Maçonaria – Escola de Mistérios. A Antiga Tradição e seus Símbolos. São Paulo: Madras, 2006. FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Mini Aurélio – O Dicionário da Língua Portuguesa. ed. Curitiba: Positivo, 2007. RITUAL e Instruções de Aprendiz Maçom do Rito Escocês Antigo e Aceito, Grande Oriente de São Paulo, elaborado por Theobaldo Varoli Filho. São Paulo, 1974.
  • RITUAL – Rito Escocês Antigo e Aceito – Io Grau – Aprendiz, Grande Oriente do Brasil, 2001.

 

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