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segunda-feira, 19 de agosto de 2013

O APRENDIZ



LIBERTANDO-SE DO EGO, DESENVOLVENDO A RAZÃO E ADQUIRINDO CONSCIÊNCIA PARA A CONSTRUÇÃO DE UMA NOVA SOCIEDADE.

A Pedra Bruta possui uma carga muito grande de simbolismo, e talvez seja uma das lembranças mais vivas para o Maçom, não somente para o recém-iniciado, mas, para todo o restante da nossa trajetória maçônica, como se a lembrar-nos sempre do quanto é longo o caminho em busca da perfeição, ou o quanto é difícil desvencilhar-se de todas as nossas impurezas e defeitos.

O Aprendiz, a partir do momento aquele que sucedeu ao da sua Iniciação e de ter recebido a sua primeira lição, é considerado apto a dar início ao trabalho esse que inaugura a sua caminhada rumo à libertação do ego, com o desbaste contínuo da sua pedra bruta, até então uma massa informe, e o lugar onde residem as suas imperfeições, paixões e defeitos.

Trabalho somente para o Aprendiz?

 Certamente pela sua condição de Aprendiz, o trabalho a que irá se dedicar deverá ser cumprido com uma maior intensidade, movido pela máxima vontade e afinco, pois, o Aprendiz é ainda um ser muito rústico, mais material e, portanto, imperfeito do ponto de vista espiritual.

Mas, se o Aprendiz é assim imperfeito espiritualmente, aqueles que ultrapassaram essa e outras etapas podem ser considerados perfeitos?

Claro que não, daí dizermos que o desbastar da pedra bruta irá diminuindo com certeza de intensidade ao longo do caminho, mas, sempre haverá alguma aresta por apararmos, pois, somos Maçons, e somos humanos.

Talvez a pretendida evolução, ou o estágio mais avançado na busca da perfeição possa definitivamente ser alcançado se formos donos de uma vontade férrea em nossos objetivos, pois, sem a vontade constante não conquistar consciência para mudarmos.

Num mundo materialista e de individualismos exagerados, quem não sofre os reflexos desses comportamentos hoje tão disseminados e até dissimulados em meio as nossas múltiplas tarefas da vida profana?

E como ficar imune a tudo isso?

Porque é livre e de bons costumes, liberdade de pensamento, pedreiro-livre, liberdade, igualdade e fraternidade, são expressões e conceitos afetos ao mundo maçônico, mas, como eles irão sendo assimilados, como eles irão sendo entendidos pelo Aprendiz, e depois de digeridos totalmente, como serão devolvidos pelo Maçom, já um Mestre, e assim, consciente de que a sua maior missão é mesmo colaborar para a evolução da humanidade como um todo.

 Como regular o seu livre-arbítrio, como ser livre para mudar o que tem de ser mudado, em meio a uma sociedade, a mesma de onde ele é oriundo, e aquela que faz vigorar um conceito de liberdade “mais atual”, esticado a ponto de abrigar em seu âmago, a ideia errônea e individualista de que ser realmente livre, combina com a possibilidade de agir sem necessariamente levar em conta os outros?

A nossa época é marcada pelo individualismo, e exatamente aí residem muitos dos males atuais. Além do mais, o orgulho e o egoísmo, nada constroem. Como extirpá-los, como removê-los, tão entranhados estão em nossa sociedade, ou, por onde começar para minimizar seus efeitos nocivos, sabendo que as primeiras vítimas são as nossas próprias crianças?

Quando o homem abre mão do seu egoísmo, ele está usando a sua liberdade de forma universal, assim como, oferecendo o melhor de si ao coletivo.

Como implantar essa ideia já defendida por um filósofo iluminista que foi Rousseau?
Ou de maneira mais aprimorada depois, por Kant?

A Maçonaria que propicia ao Aprendiz lições éticas de elevação para o ser humano, dá-lhe os instrumentos desde o primeiro momento, para que trabalhando a sua pedra bruta venha a despir-se do seu egoísmo.

Dá-lhe também o conhecimento das vertentes filosóficas para o devido discernimento, onde aí se inclui o mesmo Rousseau foi um dos filósofos que mais se aprofundou no estudo da liberdade, para concluir que somente é possível ao homem desfrutar de certo grau da própria liberdade, se souber abrir mão dela em proveito do bem comum.

Após, Kant, colocou a liberdade como uma condição humana surgida da razão, ou da sua capacidade racional.

O homem é um animal superior, está acima da natureza, e tal condição é que lhe dá a liberdade. Ou seja, liberdade sem condições de desenvolvimento da razão, sem o aprendizado da valorização do outro, sem o respeito para com o nosso próximo, não faz muito sentido.

A Maçonaria propicia ao Aprendiz um novo nascimento, depois o sólido aprendizado com as instruções e os exemplos, ensina-o a usar das ferramentas necessárias para que, se aprimorando sempre, melhore, apare, e desbaste as asperezas existentes na sua pedra bruta.

De posse do seu maço e cinzel empreenderá a sua tarefa, de libertação do ego, de construção do seu templo interior, só finalizando quando estiver livre das paixões materiais.

Está lá no Ritual e Instruções: “Para elevar o Homem aos próprios olhos e para torná-lo digno de sua missão sobre a Terra, a Maçonaria proclama que o Grande Arquiteto do Universo deu ao mesmo, como o mais precioso dos bens, a LIBERDADE – patrimônio de toda a Humanidade, cintilação divina que nenhum poder tem o direito de obscurecer ou de apagar e que é a fonte de todos os sentimentos de Honra e Dignidade”.

A palavra liberdade é parte da vida e das especulações filosóficas do ser humano desde muito tempo. Com o estudo ou leituras mais aprofundadas, podemos constatar que o conceito ou o sentido de liberdade sofreu mudanças no transcorrer da história das mais variadas sociedades. O que devemos ter em mente, nós os Maçons, é que devemos trabalhar para que a humanidade ganhe essa tal liberdade.

O homem que não é livre em todos os sentidos não pode ser Maçom, conforme o que está disposto no verbete Liberdade do Grande Dicionário Enciclopédico de Nicola Aslan, e ainda ”não pode ser Maçom, porque a liberdade, ou a consideração de não ser escravo, socialmente falando, e o livre uso das suas ações, lhe são indispensáveis para poder, sem coação, cumprir os deveres da Ordem, e a irrepreensibilidade da conduta social é a única garantia do êxito da missão que lhe cabe dentro e fora da Instituição”.

Curioso, como esta descrição efetuada por Aslan vem de encontro ao pensamento de Rousseau que disse que somente os homens realmente livres poderiam ter um comportamento bom.

É a Maçonaria e o eco do Iluminismo reverberando. Outra passagem que considero digna de ser assimilada por nós todos, e que se aplica ao conjunto todo aqui, diz respeito à tríade Liberdade, Igualdade e Fraternidade, título de um trabalho do Irmão Felipe Spir, onde podemos ler o seguinte: (...) Os três princípios são solidários entre si, apoiando-se mutuamente.

Sem a sua existência o edifício social fica incompleto, pois, a Fraternidade praticada em sua pureza, necessita da Liberdade e da Igualdade, sem as quais nunca será perfeita.

Com a Fraternidade o homem saberá regular o livre arbítrio. Estará sempre na ordem. Sem a fraternidade, a Liberdade soltará a rédea às más paixões, que correrão sem freio. Sem ela, usará o livre arbítrio sem escrúpulos, originando a licenciosidade e anarquia.

“A Igualdade sem Fraternidade conduz aos mesmos resultados, porque a Igualdade requer necessariamente a Liberdade”.

 Como possibilidade, hoje somos mais livres que nunca. Libertar-se de limites para ampliar possibilidades é o caminho que o Maçom terá pela frente.

FONTES BIBLIOGRÁFICAS: Revistas: A Trolha - números 195 e 287 Filosofia – números 62 e 65
Livros; GRANDE DICIONÁRIO ENCICLOPÉDICO DE MAÇONARIA E SIMBOLOGIA – Nicola Aslan – Ed. A Trolha Ltda. - 2012 - O HUMANO, LUGAR DO SAGRADO - Vários Autores – Ed. Olho
D'Água – 1998 - RITUAL E INSTRUÇÕES DO GRAU DE APRENDIZ-MAÇOM DO R.'.E.'.A.'.A.'. – GORGS – 2010-2013

 Ir.'. Jose Ronaldo Viega Alves - Loja Saldanha Marinho “A Fraterna”

Or.'. de Sant'Ana do Livramento – RS.

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