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terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

APRENDER A SER APRENDIZ


O método de aprendizado na Maçonaria é ritualístico e repetitivo. Não há, dentro do simbolismo, outra forma de ensinar e aprender, senão através da constante repetição dos conceitos e significados de cada símbolo.
É o meio mais eficiente e comprovado pelos séculos de escola maçônica. Porém é preciso destacar que, para aprender melhor e ensinar do jeito correto, somos obrigados a observar no mínimo os seguintes princípios:
01 – O aprendizado é independente. O que isso quer dizer? Quer dizer que só aprende quem tem vontade de aprender, quem busca o aprendizado e quem, principalmente, aceita o ensinamento.
Se o iniciado não aceitar a forma, o significado e o resultado do ensinamento, em vão lhe serão repetidas as lições dos graus, pois, se o aprendizado depende exclusivamente de quem estuda, e se o estudante, o aluno não aceitar o ensinamento, nada aprenderá;
02 – Os princípios da Maçonaria não são impostos, mas propostos. Este princípio é, por excelência, a maior razão pela qual a Maçonaria permanece existindo no mundo.
Por quê? Como já disse no tópico anterior, que o aprendizado é independente, ou seja, só depende da pessoa que quer aprender, não se pode impor nada a quem tem a liberdade de escolher, se quer ou não quer aprender.
Logo, todos os conceitos, significados e resultados dos ensinamentos, são propostos, e o aluno aprende se quiser. É impossível impor que se aprenda à força, razão pela qual a maçonaria prega a liberdade. Liberdade de pensamento, de ações, de comportamento, e também a liberdade de aprender;
03 – Por fim, e com certeza o segredo real da Maçonaria e no que ela também se sustenta: o aprendizado é individual, solitário e acontece em si mesmo. Explico: vejamos a gravura das primeiras páginas do ritual de aprendiz e dos demais graus.
No ritual de aprendiz, aparece um homem, jovem, em idade de aprendizado, devidamente trajado para o trabalho, com as ferramentas empunhadas, aparentemente num estado de reflexão e introspecção, e com a matéria prima à sua frente: a Pedra Bruta.
Não aparece mais ninguém, nenhuma outra pessoa ao seu lado, auxiliando, ajudando ou ensinando. Apenas se presume que alguém lhe tenha entregado as ferramentas e a matéria prima, e, com certeza, passado as informações necessárias para a execução da tarefa:
O desbaste da Pedra Bruta. Cabe então ao aprendiz executar essa tarefa sozinho. O que isso quer dizer? Quer dizer que, o aprendizado será conseguido na sua própria pessoa. Deve obrigatoriamente, corrigir os seus defeitos, desbastar sozinho a sua pedra, para servir de exemplo.
Baseado nisso, concluo que antes de aprender a maçonaria, é preciso saber como aprendê-la, ou seja, aprender a ser aprendiz.
O maior professor do mundo, Jesus Cristo, ensinou assim, pelo exemplo, pelos símbolos e comparações através de parábolas. Jesus Cristo não falava uma coisa e fazia outra!
Tudo o que falava, fazia. Não julgava, não suspeitava, mas tinha autoridade em ensinar, porque ele mesmo, antes de tudo, cumpria seus ensinamentos. Jesus Cristo ensinava perguntando, indagando e questionando seus alunos, buscando descobrir suas deficiências.
Depois de tomar contato com os problemas dos alunos, dava-lhes a receita certa para a solução. Porém essa solução, sempre dependia do aluno! Sim, pois, como sabemos, Jesus Cristo ensinava, mas advertia os alunos para acreditar e ter fé.
Qual o resultado dessa forma de ensinamento? É a conclusão de que, perguntando ao aprendiz que está interessado no aprendizado, este fará uma reflexão de si mesmo para corrigir, melhorar primeiramente a si, pelo exemplo, aquilo que muitas vezes só vê nos outros.
Em resumo, o nome dessa forma de aprendizado é conversão.
Na Maçonaria, essa conversão não é espiritual ou religiosa, ela é material e comportamental. Através dessa conversão, aquele que tinha hábitos ruins, abandona-os e passa a ter bons hábitos. Com efeito, obterá também um ganho espiritual.
Os nossos rituais seguem essa fantástica forma de ensino. Diálogos em perguntas e respostas. Não há nenhuma lição impondo o ensinamento, mas sempre propondo, através das indagações, das perguntas, propondo um exemplo a ser seguido, um princípio a ser observado.
O sucesso então do aprendizado, depende única e exclusivamente do aluno, do aprendiz que aceitar e refletir sobre as lições e os exemplos dados pelas lições dos nossos rituais. Sua tarefa é se auto-desbastar, reconhecendo suas asperezas e imperfeições.
Vale lembrar que, Jesus Cristo disse aos seus alunos, que corrigissem primeiro a si mesmo, corrigissem os seus defeitos, para depois criticar os defeitos dos outros, e se fosse necessário criticar, ajudar o próximo a melhorar com a crítica, sempre pelo caminho do bom exemplo.
Qualquer semelhança com os nossos rituais não é mera coincidência, mas sim o fundamento, a base de tudo que a maçonaria se propõe a ensinar aos homens que desejam aprender a ser um homem melhor.
Ricardo Pohlot Perfeito 
MI 
ARLS Força e União de Umuarama nº 126


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