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quarta-feira, 6 de abril de 2016

VENERÁVEL MESTRE E O TRONO DE SALOMÃO


Ao estar no comando da Loja, além da observância contínua do contido nos ordenamentos administrativos, ritualísticos e jurídicos, em consonância legal com os poderes constituídos, o Venerável Mestre terá que avaliar, juntamente com os componentes da sua administração, o que é prioritário. O que é prioridade hoje, talvez não seja amanhã. Cada administração tem sua forma de agir, que deve estar em sintonia com a legislação pertinente.

É comum que cada Venerável Mestre imprima sua maneira, seu toque, denotando particularidades inerentes ao ser humano, algo congênito, parte subjetiva caracterizada com uma marca pessoal. Há os que se dedicam e dão ênfase à administração, empreendimentos, ritualística, e ainda ao social (filantropia).

É valioso ressaltar que Venerável Mestre é um cargo de enorme envergadura. Sem dúvida, o maior cargo na Maçonaria Simbólica. Não confundir com grau. Venerável Mestre não é grau. Trata-se de um cargo de muita responsabilidade, que tem conotação mística pelo que representa no seio maçônico e no mundo profano.

Diria por analogia, que o Venerável Mestre poderia ser comparado, em termos, a um Capitão de embarcação, daquelas que navegam pelos oceanos. Empreendendo uma viagem onde poderão ocorrer tempestades, ondas agitadas, levantes, motins, calmarias, bonança e por aí vai. Lógico que para viajar é preciso planejamento prévio e, na viagem, planejamento de manutenção, relativo ao que for possível para pôr a embarcação em funcionamento.

Na condição de comandante terá que saber ouvir. Não se deixar levar num primeiro instante. Poderá sofrer pressões veladas ou ostensivas. Será o ponto de equilíbrio. Ocorrerão erros, isso é normal. Só erra quem faz. Dos erros, extraem-se as maiores lições. E somente acerta quem tem iniciativa, coragem.

Ao cabo da viagem empreendida que levou um ou dois anos, estando prestes a atracar no porto, num dia e hora determinados; o comandante terá então realizado uma viagem que, certamente, exigiu muito da sua pessoa e dos demais membros co-responsáveis.

Mesmo experimentando incompreensões e dificuldades, o Venerável Mestre é amigo de todos, como um sol que se irradia a todos que o recebem.

Por mais que soframos de perfeccionismo, todos nós temos defeitos. Afinal, somos seres humanos. O erro é não admiti-los e, pior, não tentar corrigi-los.

O cargo de Venerável é temporário e o exercício dignifica seu ocupante, por ter sido escolhido entre seus pares para a distinção de representá-los e conduzi-los à continuidade da Loja, visto, pois, como iluminado para a direção dos trabalhos e tudo fará com sabedoria precisa para a orientação dos obreiros do quadro. Poderá até ser impecável no quesito administrativo, mas deverá evitar esbarrar em problemas como: falta de tato nas relações com os Obreiros; acomodação; individualismo e até ausência de ética.

Na essência o Venerável Mestre é um coordenador, um instrumento gerador de freqüência, de vibração, um modelo organizador, mediador, aglutinador, preceptor e não um mandante, decisor, chefe ou ditador, mesmo porque lhe cabe manter a união do grupo, a harmonia do todo, o exemplo da conduta maçônica.

Deve desenvolver uma visão de conjunto, assimilando as atividades de forma mais ampla e realista. Aprendendo, acima de tudo, a respeitar o outro.

O bom Venerável Mestre não é aquele que sempre resolve os problemas que ocorrem em sua Loja, mas, sim, aquele cujos problemas nunca ocorrem em sua Loja.

Sua posição embora a mais honrosa, é a mais difícil. Deve ser absolutamente imparcial, não tomando partido nem deixando perceber seus pontos de vista em relação às matérias objeto de debates.

Os membros de uma Loja têm os mesmos direitos e deveres. Ao Venerável cabe a difícil tarefa de manter esse equilíbrio. Deve ater-se, em sua maneira de agir, a uma forma que todos sintam seus direitos respeitados e cumpram seus deveres.

O Venerável não tem por missão impor normas; mas sim fazê-las respeitadas sem que ninguém sinta. Sua missão é sempre impessoal e ele não se impõe pela força. É apenas o condutor dos trabalhos, equidistante das facções que no plenário da Loja lutam pelas suas idéias.

Além das atribuições consignadas nos Landmarks, usos e costumes, Rituais e tradições da Maçonaria Simbólica Universal, compete ao Venerável, ao assumir o cargo, liderar com inteligência, sabedoria e visão esclarecida para atingir seu objetivo. Por isso é que uma Loja é, antes de tudo, o retrato de seu próprio Venerável. Que a conduzirá bem ou mal, segundo seu próprio modelo de vida.

O Venerável Mestre é uma figura que assume destaque e proporções especiais. As suas atribuições definem-se em dois planos: o administrativo e o esotérico.

PLANO ADMINISTRATIVO

No plano administrativo não há ainda um modelo de administração, um vade-mecum (vai comigo) com esse objetivo, ou seja, uma cartilha que ensine o “bê-á-bá”, a “cola” para que o recém-empossado recorra quando em dúvida. Ele haverá de interpretar, sistematizar por si mesmo.

O Venerável é o presidente da sociedade civil, que é a Loja. É o seu administrador geral e o seu representante junto à Potência ou Obediência a que a Loja se subordina. Sendo esta uma organização à semelhança das empresas, não deve se distanciar das teorias, métodos, técnicas e sistemas da moderna administração, para atingir com segurança e eficácia os resultados desejados.

PLANO ESOTÉRICO

No plano esotérico, o Venerável Mestre adquire a condição de guia espiritual dos Obreiros, transformando-se num verdadeiro sacerdote da Ordem.

O Venerável é especialmente quem deve “iluminar” a Loja com sua Sabedoria e o reto julgamento que simbolicamente representa, dirigindo construtivamente sua atividade. Como presidente da Oficina, ele tem uma tarefa extremamente pesada: é dele que dependem, em grande parte, a orientação espiritual de sua Oficina e os trabalhos que aí são feitos.

O Venerável tem a sua disposição forças poderosas, sem fugir do Rito e da liturgia. É preciso que elas sejam projetadas para que se tornem edificantes, para que todos tenham a inabalável certeza e sintam em seus corações toda a vibração e plenitude do que é ser um verdadeiro Irmão.

Não se pode perder de vista a necessidade de nos auto-examinarmos, com o devido cuidado para não sermos severos com os outros e extremamente indulgentes conosco.

O Venerável que está de posse do Primeiro Malhete, não existe para si mesmo, mas para os outros; esquece a si próprio para servir aos outros.

Aquele que tem um cargo de comando deve estar ciente de que comandar é a arte de “mandar com”; Para ser exercido com sucesso nos ambientes maçônicos, onde o consenso deverá sempre ser buscado. Para isso há de enfrentar resistências, sobretudo aquelas existentes em seu próprio coração.

Ao Venerável cabe interpretar os fatos, direcionar a ação, tomar as decisões mais eficazes e fomentar a cooperação entre todos. Se ninguém fizer nada (lei do menor esforço), tudo continuará como está (lei da inércia) e acabará na desordem (lei da entropia).

Sempre existirão diferentes formas de se compreender e solucionar um problema ou melhorar alguma coisa. Basta trilhar o caminho que conduz à Verdade e ao Bem, que não faltarão os recursos necessários.

Não há lugar para ditaduras, submissão cega e veneração nos ambientes maçônicos, onde o consenso será sempre buscado, mesmo entre os Irmãos que possuam pontos de vista diferentes.

O Venerável Mestre, sabendo o que tem a fazer, deverá tentar fazê-lo de modo sensato, compreendendo que todos somos Um, e que, portanto, só aquilo que o UNO quer, pode, realmente, ser agradável a todos. Deve conduzir seu malhete para que todos os Irmãos recebam alegria semelhante.

Denilson Forato M.'.I.'.


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