terça-feira, 30 de dezembro de 2025

A LIBERDADE NOS DISTANCIA DA IGUALDADE. E A IGUALDADE SE CONTRAPÕE

Esta tríade já deu muito o que falar. Vamos “pular” o contexto histórico, que todos bem conhecemos, para tentarmos dar um passo diferente neste aspecto.

Ontem mesmo, participei da palestra que ostentava o tema LIBERDADE | IGUALDADE | FRATERNIDADE. Isso me motivou a transcrever estas breves palavras.

Entendo que a Liberdade é o que nos torna indivíduos, únicos e distintos. Ademais, a Liberdade, com suas diversas interpretações de épocas e situações sociais, preza por um núcleo-base comum: desgarrar de algo.

No nosso caso especificamente, necessariamente se faz importante uma ressalva aqui: liberdade está intimamente ligada à independência.

Mas que tipo de independência?

Àquela que diverge da submissão, em qualquer tom, que o homem poderia estar imerso.

É esta independência que traz à tona a espontaneidade do ser. Alguns designam ser a autonomia de um racional. Contrário a isso, defendo ser a essência que tanto buscamos (V.I.T.R.I.O.L.) dentro de nós mesmo.

Mas, se somos LIVRES, ou pelo menos pensamos ser, automaticamente não somos também, DIFERENTES?

Diferente no agir, pensar, julgar, subjugar, respeitar, conversar, revelar, impor. Opa! Impor?

Sim. A liberdade diretamente impõe a outrem SEU ponto-de-vista e, diga-se de passagem, (nosso ponto-de-vista) serve apenas para nós.

Sendo único, essência, indivíduo, livre e de bons costumes, o que nos nivela?

A extrema necessidade de encontrar algo. Todos buscamos nos mais diversos itens da vida e nos mais longínquos caminhos trilhados a mesma coisa. A essência. A Liberdade.

O que nos equipara uns com os outros é justamente isso. A igualdade da tríade Maç é um compêndio dos caminhos que buscamos a liberdade! Resumindo, o que nos tornam iguais é a necessidade de encontrarmos nossas diferenças, ora na liberdade ora na individualidade. Um, sem o outro não existem, maçônicamente falando. E qual a ferramenta que auxilia neste crivo que nos permite comungar de um mesmo tempo para estudar esta procura?

FRATERNIDADE! A fraternidade é nossa maior aliada na busca que nos tornam iguais pela liberdade. Por isso compõe a tríade.

Particularmente creio que existam outros muitos elementos que são tidos como metas vitais, mas na essência das buscas, o núcleo é exatamente este: LIBERDADE | IGUALDADE | FRATERNIDADE.

Vejo ainda as muitas pendências e rivalidades que existem entre PPot distintas, indo de encontro fulminante para com nossa tríade maior. Podemos colocar de lado, ou melhor, subtrair de nosso convívio tais diferenças pois elas sequer existem realmente.

A busca é INDIVIDUAL. Assim como em uma escola, a MAÇONARIA não forma bons homens, sequer os libertam! Pelo contrário! Para serdes admitido é que precisa, ao menos, ter consciência de sua própria liberdade. E, somente com uma profunda análise de consciência que conseguiremos ser justos.

Somos IIr, independente de PPot, RRit, Cargos ou outras atribuições PProf que nos conferiram. O conceito de igualdade se perde, muitas vezes, dentro de nosso T edificados. No caso da liberdade, muitos de nós ainda não conseguiram definir exatamente o que esta palavra significa. E, na fraternidade é onde encontro o conhecimento. Da boca para os ouvidos ou do coração para a mente. Nossas maiores “aulas” estão onde menos esperamos.

Vejamos esta tríade como níveis:

Liberdade: Primeiro passo para evolução. É também o desprendimento do corpo, do material. Além, é o desgarramento do que nos é e sempre foi apresentado. É o uso do lado direito e colorido do cérebro. O uso da intuição consciente.

Igualdade: Este segundo passo é o nivelador. Se somos essência, energia pura, somos “filhos” da mesma luz. O corpo material já ficastes no primeiro passo, o da liberdade, daqui em diante, somos todos um só.

Fraternidade: Terceiro e não último, este passo ainda está longe de ser atingir. Partes da mesma Unidade, somente com a fraternidade encontraremos nossos gêmeos e nos amalgamaremos novamente, voltando para a centelha divina d’onde saímos. É a união verdadeira e não simbólica. É o afunilamento dos caminhos quando em busca da VERDADE.

O mais intrigante fica em uma perguntinha:

E, para que tudo isso?

A resposta, meu Ir, está dentro de você!

Leo Cinezi

 

 

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

A CONSTANTE BUSCA PELO APERFEIÇOAMENTO-ABERTURA LIVRO DA LEI GRAU DE APRENDIZ


 

Estamos trilhando o caminho que prega uma Maçonaria mais unida, alegre, fraterna e sem vaidade. Percebemos, também, exemplos de que podemos fazer o melhor, ir mais longe, mesmo em tempos agitados, desde que haja resiliência, arrojo, criatividade e um inabalável espírito de luta.

“Salmo 133”

“Oh, quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em união. É como o óleo precioso sobre a cabeça, que desce sobre a barba, a barba de Aarão, e que desce à orla das suas vestes. Como o orvalho de Hermon, que desce sobre os montes de Sião, porque ali o Senhor ordena a bênção e a vida para sempre”.

Infinitas são as interpretações apresentadas na literatura maçônica sobre o Salmo 133 e uma que mais interessou vou descrever aos irmãos.

Em primeiro lugar, há que se registrar que essa não é a leitura original de Aprendiz no REAA, que adotava “João 1:1-5” e, geralmente, apenas em iniciações. Passou-se a adotar o Salmo 133 no Brasil após 1927, e de forma mais predominante entre as décadas de 40 e 50, por influência da Maçonaria Americana (Grandes Lojas) e Inglesa (Grande Oriente).

Para compreender o significado do Salmo, devemos conhecer os elementos que o compõe: DAVI: Tem-se o Rei Davi como autor do Salmo 133. O Rei Davi era tido como o grande cantor dos cânticos de Israel e autor de vários Salmos.

ÓLEO: o óleo era utilizado na cerimônia de unção dos Reis e Sumos Sacerdotes. Esses eram ungidos com um óleo especial, o qual era derramado sobre suas cabeças, e dessa forma, eram considerados “purificados” e “sagrados” para exercer suas funções.

HERMON: montanha considerada sagrada pelos judeus e chamada pelos árabes de “montanha nevada”. Localizada ao Norte de Israel, marca a divisão geográfica entre Israel, Líbano e Síria. Pela sua altitude (mais de 2.800 metros), seu cume está sempre coberto de neve, o que gera um orvalho que literalmente “rega” toda a região ao seu redor, sendo por isso a região mais fértil de Israel.

MONTES DE SIÃO: ao contrário do que alguns possam pensar, Sião não é Hermon. Ambos os pontos são extremidades de Israel, sendo Hermon a extremidade Norte e Sião a extremidade Sul. Após Sião, o que se vê é o deserto.

AARÃO: irmão mais velho de Moisés e primeiro Sumo Sacerdote de Israel, através do qual se originou a linhagem de Sumos Sacerdotes. Aarão era o porta-voz de Moisés (que possuía problemas de dicção), e servia de Orador dos judeus junto ao Faraó.

Conhecendo os elementos, pode-se compreender melhor a mensagem: Os Irmãos que Davi se refere são, provavelmente, o povo de Israel, divididos em suas tribos e espalhados entre Hermon e Sião (limites de Israel), mas todos vivendo em união.

Davi relembra então a unção de Aarão como o primeiro Sumo Sacerdote de Israel, momento que selou o compromisso entre o povo de Israel e seu Deus. Dali nasceu a nação que Davi representava e defendia. O óleo precioso que ungiu Aarão foi derramado em sua cabeça e desceu pela sua barba, espalhando-se para as extremidades de sua roupa.

Tal unção, que abençoava Israel, podia ser vista também em sua terra: a neve do cume de Hermon transforma-se em orvalho, que desce o monte e se transforma em um ribeirão, Banias, o qual desagua no Rio Jordão, esse que liga Hermon até a outra extremidade de Israel, os Montes de Sião, antes de desaguar no Mar Morto.

Todas as tribos de Israel estavam espalhadas de Hermon a Sião, sempre próximos às margens do Rio Jordão. “Jordão” significa exatamente isso, “que desce”. O Rio Jordão, alimentado pelo orvalho de Hermon, desce até a extremidade sul de Israel, Sião, distribuindo suas bênçãos, assim como o óleo precioso que desce da cabeça e a barba de Aarão até a orla de suas vestes.

Por fim, Davi afirma que, Sião (Jerusalém) é “ungido” pelas águas que vem de Hermon porque foi o lugar escolhido por Deus para que o povo judeu habite eternamente conforme suas bênçãos.

Com esse Salmo, Davi disse ao seu povo que eles deviam permanecer unidos e obedientes às ordens vindas de Sião, pois essa era a vontade de Deus desde a unção de Aarão, comprovada pela benção da água, que sai do alto de um monte e percorre 190Km de distância, derramando bênçãos por onde passa, até chegar a Sião.

É muito claro o motivo das palavras de Davi: ele era apenas o segundo rei de Israel, uma nação recente, ainda desestruturada, com muitas dificuldades, dividida em muitas tribos e sujeita a muitas ameaças. Ele precisava manter um discurso de unidade e esperança.

Das diversas interpretações vamos nos atentar a uma em especial e relacionar com a abertura de nossos trabalhos no Grau de Aprendiz Maçom.

Quão bom suave é que os irmãos vivam em união?

Estamos reunidos com irmãos da Loja com diversidade de religião, raça e pensamentos diferentes. Temos irmãos de outras Lojas e com ritos diferentes, sendo o que importa é que estamos unidos em busca do aprimoramento individual de cada irmão.

O óleo precioso...

A unção é a representação física do Espírito Santo agindo sobre a vida do ser humano. Em Seu caráter sagrado, é a proteção que nos proporciona sermos revestidos por Ele (cada um com sua crença).

..sobre a cabeça..

Essa unção se inicia sobre a cabeça que é parte pensante da Loja nosso Venerável Mestre que se encontra no Oriente da Loja.

...que desce sobre a barba...

A continuidade da benção segue agora para a coluna do norte que desce sobre a barba que representa a força, respeito.

...que desce à orla das suas vestes.

Agora representando a beleza a coluna do Sul é ungida para que os trabalhos possam ter moral nas ações, pensamentos e conduta, contribuindo para o desenvolvimento do maçom em busca da perfeição e do equilíbrio entre os pilares da Sabedoria, Força e Beleza. Juntas, essas colunas simbolizam um ideal de vida equilibrada, onde a sabedoria, a força e a beleza se complementam para a construção do Eu interior.

Como o orvalho de Hermon..

Orvalho é representado pelos ensinamentos que nutre o maçom com a filosofia de vida. Nessa coluna está o Aprendiz Maçom que necessita de uma bagagem muito grande de ensinamentos para que ele possa caminhar pelas colunas zodiacais em busca da luz. Após um ano de ensinamentos sobre a Filosofia Maçônica o Aprendiz tem seu aumento de salário e passa para a coluna do Sul.

...que desce sobre os montes de Sião...

Como Companheiro agora bem próximo da Plenitude Maçônica Simboliza a busca pela perfeição não só na estética, mas também na ética, na conduta e nos pensamentos. Ser bom, justo e honesto também é uma forma de beleza que o maçom deve praticar. Após seis meses alcança a plenitude Maçônica.

... porque ali o Senhor ordena a bênção e a vida para sempre”.

Ficamos a ordem e iniciamos nossos trabalhos em Loja Maçônica.

Considerações Finais

Assim, o Salmo 133, é um simbolismo que está centrado num segredo de extraordinário significado e a Maçonaria, ao adotá-lo na abertura das suas Lojas não está apenas contemplando a ideia da Fraternidade pura e simples, mas realizando o objetivo de integração total de todas as emanações da energia divina. Trata-se, na verdade, de um mantra poderoso, uma âncora fundamental para o aliciar da energia necessária para a formação do nosso aprendizado dentro da maçonaria.

Que os Irmãos, ao ouvirem o Orador pronunciá-lo na abertura de nossos trabalhos no Grau de Aprendiz Maçom tenham em mente esta informação, para melhor aproveitamento espiritual dessa invocação ao GADU.

Vanderlei Josquímica

Fontes:

https://teologia24horas.com.br/blog/salmo-133

https://noesquadro.com.br/entendendo-o-salmo-133

https://www.freemason.pt/estudo-do-salmo-133

Pedro Juck Secretário de Ritualística do GOB

Notas:

Texto conforme a Bíblia Hebraica, traduzida Por David Gorodovits e Jairo Fridlin – Editora e

Livraria Sefer Ltda. São Paulo, 2015. Para uma interpretação mais pormenorizada do

simbolismo do salmo 133, ver a nossa obra “O Tesouro Arcano”, publicada pela Editora Madras, 2013.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

VENERÁVEL MESTRE


 

Consiste no representante maior de uma Loja Maçônica, sendo o seu presidente e condutor dos trabalhos de uma sessão em Templo, tratando-se, também, do responsável legal da Loja perante a sua Potência Maçônica, assim como às demais instituições ligadas à Sublime Ordem e ao mundo profano.

Por ocasião das sessões de sua Loja, o Venerável Mestre representa Salomão na condução de seu povo. O Maçom, no desempenho desse honroso cargo, não pode ter apadrinhados, amigos nem inimigos, já que todos os membros da Loja são seus irmãos e colaboradores, devendo, desse modo ser tratados de forma fraternal, numa verdadeira convivência sincera e igual.

Cumprir e fazer cumprir fielmente o Vade Mecum e o Regulamento Geral da sua Potência Maçônica, assim também como o Regulamento Interno da sua Loja. Ser Venerável de uma Loja não é uma função espinhosa como muitos assim o dizem.

Missão espinhosa é comandar uma horda de baderneiros e não um grupo seleto de Maçons, os quais são homens livres e de bons costumes. A insígnia de um Venerável Mestre é originalmente, um esquadro, enquanto as suas atribuições, além das previstas nos rituais maçônicos, são:

a) Presidir os trabalhos da Loja, de combinação com o que originam as Leis Maçônicas;

b) preparar juntamente com o secretário, as pautas das reuniões;

c) assinar conjuntamente com o orador e o secretário, os balaústres das sessões, após a aprovação pelo plenário;

d) despachar o expediente, bem como constituir regras administrativas;

e) baixar atos de sua própria lavra, além de resoluções das decisões do plenário da Loja;

f) instituir comissões para fins característicos;

g) por ocasião das reuniões, outorgar a palavra aos obreiros, negá-la ou cassá-la, quando motivo justificado assim o determinar;

h) interromper os trabalhos ou encerrá-los, se não for possível manter a ordem e a disciplina nas reuniões;

i) deliberar com tolerância e aceleração as questões de ordem que forem levantadas;

j) colocar em sufrágio, após as arremate do orador, os contextos aventados na “Ordem do Dia”;

k) possibilitar ao tesoureiro proceder ao pagamento dos dispêndios na dotação da Loja, dando ciência ao plenário na reunião seguinte;

 l) analisar com assiduidade os “Livros Contábeis” da Loja, fazendo ajustar as anormalidades averiguadas;

m) acatar as exigências do Grão-Mestre de sua Potência, com relação ao recolhimento de livros e documentos produzidas pela Loja, bem como apresentar os subsídios e elucidações, quando solicitado por ele;

n) desempenhar comando disciplinar sobre os Maçons presentes à sessão da Loja, fazendo cobrir o Templo a qualquer obreiro que venha alterar a ordem dos trabalhos;

o) subscrever o encerramento do “Livro de Presença”, ao término de cada sessão; p) elaborar a previsão orçamentária juntamente com o tesoureiro;

p) questionar a sua Potência sobre as deliberações adversas à legislação desta;

q) instaurar processo disciplinar contra obreiro do “Quadro da Loja”, que tenha empreendido falha grave, tanto no âmbito maçônico como no mundo profano;

r) impedir com segurança, contendas sobre matérias que possam embaraçar a harmonia e a fraternidade da Loja;

s) informar com antecedência ao seu substituto legal, quando de possíveis faltas às sessões da Loja, bem como nos casos de impedimentos;

t) despachar solicitações à sua Potência, quando da concretização de sessões magnas que a Loja venha a realizar;

u) iniciar, elevar, exaltar, filiar e regularizar obreiros com os protocolos ritualísticos, após a aceitação dos adequados “quit-placet”, despachados pela sua Potência;

v) esparzir de forma confidencial, as investigações atinentes aos processos de iniciação, filiação e regularização;

w) nomear e dispensar livremente os oficiais administrativos e litúrgicos, desde que não sejam possuidores de mandato eletivo; x) nomear os membros das Comissões Permanentes da Loja;

y) oferecer para julgamento do plenário, na última reunião ordinária do seu encargo, o Relatório Administrativo e Financeiro da sua gestão;

z) encaminhar a sua Potência, escutado o plenário da Loja, as reivindicações e os expedientes formulados por obreiros;

z-1) requerer ao Grão-Mestre da sua Potência, devidamente abonada, a isenção de interstício para elevação e exaltação de obreiros;

z-2) manter sob malhete, pelo prazo de quinze dias, qualquer recurso que aquilatar pernicioso à boa ordem dos trabalhos ou à concórdia da Loja, diligenciando no sentido de superá-lo. Não conseguindo, deverá levar o assunto à análise do plenário. – O Venerável Mestre, tem acento no Trono de Salomão, porém esta regra, por motivos hierárquicos, apresenta exceção, ou seja:

Encontrando-se presentes à sessão o Grão-Mestre ou o Grão-Mestre Adjunto da sua Potência, o Venerável deverá lhes passar a presidência dos trabalhos, lhes cedendo, consequentemente, o Trono da Loja, passando, então, a ocupar a cadeira situada à direita deste. Por outro lado, nas faltas e impedimentos do Venerável Mestre, este será substituído, obedecendo a seguinte ordem:

a) Pelo Primeiro Vigilante;

b) pelo Segundo Vigilante, na falta do Primeiro; e,

c) na ausência de ambos, pelo Venerável Mestre de Honra ou pelo ex-Venerável mais moderno, desde que tenha autorização para tal, e, mesmo assim, nos casos de excepcionalidade.

Dicionário Maçônico Cristão.

Gilberto Lyra Stuckert Filho.

 

terça-feira, 23 de dezembro de 2025

FELIZ NATAL

MEUS QUERIDOS IRMÃOS

Hoje estamos aqui para mandar, a cada um, uma mensagem de Paz e Amor em virtude do Natal que se aproxima e do final de Ano e Chegada do Novo Ano de 2026.

Dedico esta linda mensagem em "idioma maçônico" para todos os maçons que repartem comigo, e entre si, o universo em que vivemos.

O Natal e o Ano Novo se aproximam!

Roguemos ao Grande Arquiteto do Universo, para que possamos:

. Medir nossos projetos com a exatidão da régua de 24 polegadas;

- Remover de nossos sonhos os empecilhos, com a ajuda da alavanca;

. Aplainar nossos caminhos com a horizontalidade do nível;

. Vencer nossos problemas com a potência do maço e o corte do cinzel;

. Festejar nossos feitos com os olhos voltados para o Alto, tal qual a verticalidade do prumo;

. Emitir nossos livres pensamentos nas linhas retas do esquadro e nos círculos do compasso;

. Detectar as nossas imperfeições com o malho e o cinzel na Pedra Bruta;

. Buscar o progresso espiritual rumo à Pedra Polida;

. Afastar nosso desânimo com o conforto encontrado nas páginas do Livro da Lei;

. Ter a prosperidade em nosso Lar, tal qual a profusão dos grãos das romãs;

. Contar com o mais belo brilho do Sol em cada amanhecer que aponta no Oriente;

. Lembrar-nos de render graças ao Grande Arquiteto do Universo por tudo que Ele nos reserva no espetáculo de nossas Vidas, no tempo exaurido pela Ampulheta.

E na noite de Natal, ao lado dos nossos familiares, irmãos Maçons e amigos, possamos elevar nossos pensamentos por 3 x 3 vezes em favor da Humanidade!

FELIZ NATAL À TODOS OS IRMÃOS ESPALHADOS PELA FACE DA TERRA!

 Paulo Edgar Melo

 

sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

O MEDO- A PERSPECTIVA DE UM MAÇOM

Convosco quero partilhar um tema mais ou menos consciente em cada um de nós, que desde muito cedo, é difundido na nossa programação de vida, através de ensinamentos e formatações e que de forma sutil vai provocando inúmeros estragos e limitações...o medo!

De forma mais ou menos consciente na vida de cada ser, o medo mostra-se integrado na programação de vida, revelando sinais e propostas de melhoramento interno, que na grande maioria das vezes, requerem níveis mais despertos de consciência e atenção, para que sejam ultrapassados processos limitadores e limitativos do potencial humano intrínseco a todos e a cada um de nós.

O ego, agente regulador do processo individual de conhecimento e aprendizagem, permite através do medo, julgar formas e acontecimentos, na procura incessante, nem sempre descodificada, da ilusória sensação de proteção, aceitação e bem estar.

Dependendo da forma como cada ser foi programado, através de um conjunto de vivências pessoais, assim julga e interpreta, subjugado aos filtros criados que, no decorrer do seu processo individual e coletivo de crescimento, foram sendo construídos e estruturados.

O medo, torna-se assim numa potente ferramenta de controle e condicionamento, que desde cedo, passou a ser utilizado, como forma de dirigir e subjugar vontades em benefício dos interesses próprios.

O medo, é no meu entender o maior e mais difundido veneno, a antítese do nosso processo intrínseco de evolução, que se encontra institucionalmente liberalizado e disseminado pela grande maioria da população mundial.

O medo impede e castra a capacidade de ação.

Tenho para mim uma máxima de vida que diz: “No dia em que largarmos esta experiência terrena, e ficarmos frente-a-frente com Deus, entenda-se a nossa consciência, Ele não nos vai perguntar o que fizemos, mas antes, o que não fomos capazes de fazer!! ”. E aqui, seremos obrigados a entender, por força das circunstâncias, que por medo, muito deixamos de fazer, hipotecando assim, esta maravilhosa oportunidade de vida.

E muitos, no seu processo final de vida encarnada, deixam transparecer no olhar, o espelho da alma, um sentimento de desperdício e frustração!

Quantos de nós deixamos escapar uma determinada oportunidade, matando-a mesmo antes de nascer, pelos filtros de medo e julgamento que nos impediram de agir??

Quantos de nós vivemos vidas infelizes com elevados níveis de frustração, por não conseguirmos agir escutando o nosso coração?? subjugados a padrões, com os quais não nos identificamos, mas que ao abrigo de convenções estruturadas, com medo de as quebrar, não ousamos transpor??

Pois é MM
QQ II, muito provavelmente TODOS!

Mas já me darei por feliz se pelo menos tiver despertado em vós, a necessidade de estarmos permanentemente atentos e vigilantes aos acontecimentos condicionados pelo o medo, que no meu entender, quando não devidamente descodificados, tornam-se na maior contradição do princípio orientador da nossa Ordem – o de nos cumprirmos como homens e de trabalharmos a nossa pedra bruta, sem medo!

Tenho para mim uma linha orientadora de vida que ensina. Quem olha para fora sonha, quem olha para dentro desperta! E nesse sentido, vejo o medo como um filtro que nos impede de despertar do percurso da ilusão, que nos impede de encontrar o caminho de volta para a casa! Impede-nos de olharmos a necessidade de aprimoramento interior de forma isenta e construtiva, camuflando todo o processo evolutivo e isentando, de forma mais ou menos temporária, as reais necessidades corretivas que a todos e a cada um de nós, individualmente dizem respeito.

O adiar permanente da necessidade de alinhamento com o MOMENTO PRESENTE, o único ponto da nossa existência onde nos é permitido alcançar estados de consciência verdadeiramente únicos e onde o medo não reside, conduz-nos a um constante sentimento de frustração pela busca incessante de algo que não temos e que procuramos alcançar mais na frente, aliando no tempo a expectativa de satisfação que teima em chegar...

O passado, já passou é por isso história, o futuro por ser uma expectativa é uma incógnita, o momento presente, é assim chamado, por se tratar de uma dádiva... um verdadeiro presente!

No MOMENTO PRESENTE a expectativa de futuro não existe, como tal o medo do que poderá vir a seguir, deixa de existir

Pois é meus queridos irmãos, vivemos identificados com a imagem cartunesca do burrico que se deixa conduzir pelo dono sem escrúpulos, com uma vara, um fio e uma cenoura atada na ponta, que montado na garupa do pobre animal, acena a cenoura na frente do burro, que, sem a poder alcançar, motivado pelo medo de passar fome, acelera o passo para a comer... e assim se perpetua um ciclo que alicerçado no tempo, nos conduz com expectativa de momentos melhores... momentos esses que nunca chegam, pois não estão na frente. Estão no momento presente. E enquanto deste processo não estivermos conscientes, andaremos no encalço do inalcançável

Despertemos!

Foquemos a nossa atenção no percurso pessoal de crescimento para que a todos nos possa despertar, a cada momento, a permanente necessidade de crescimento, livre, ou cada vez menos limitada, de barreiras que nos impedem de manifestar a magnitude do nosso verdadeiro ser. Querendo dizer, interpretemos a cada momento a necessidade de nos ligarmos internamente, para nos mantermos alinhados na nossa própria essência, através do foco e atenção.

Este é um trabalho constante... parafraseando Jesus: “Orai e vigiai”

O nosso processo evolutivo, quando vivido em verdade, requer a consciência permanente deste princípio. A consciência do momento presente. Como a única porta de acesso e verdadeira ferramenta evolutiva ao alcance de todo o Ser humano. É nele que a noção de medo se desvanece, pois a expectativa do que vira a seguir, deixa de existir.

Procuremos conscientemente a cada momento, viver libertos das amarras do medo, esse potente veneno, antítese do verdadeiro crescimento humano.

Para finalizar, gostaria de deixar-vos a referência a dois livros, que representam para mim a estrutura do que acima partilhei convosco:

“O Poder do Agora”, de Eckhart Tolletaten

“As mensagens escondidas na água”, de Masaru Emoto

Se no primeiro livro sugerido, que muito provavelmente alguns de vós já leram, o título tudo diz, já o segundo fala de um cientista que criou um aparelho capaz de tirar fotografias das moléculas da água. Ele prova cientificamente, com resultados verdadeiramente surpreendentes, reportados em diversas imagens fotográficas, que através de emoções e pensamentos, é possível alterar a composição molecular da água.

Ora se identificarmos que 80% o nosso corpo é composto por água, torna-se mais importante ainda descodificar e trabalhar conscientemente as emoções que, tal como o medo, para além de interferirem no equilíbrio mental, físico e espiritual, atrasam e diminuem o potencial evolutivo do ser humano.

Compete-nos pois, assumir o controle deste processo!

Mário Tomás-MM

 

 

quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

CONSTRUINDO PONTES

Recorrente expressão que temos ouvido nas diversas narrativas e abordagens maçônicas é a de que a missão precípua do maçom é a de “construir pontes” ao invés de erigir muros.

O emprego desta terminologia é uma clara referência ao estágio atual das retaliações e políticas insensatas que acabaram por gerar proibições na Inter visitação entre Irmãos de Potências distintas, bem como a adoção de ações desmedidas e sem lastro de legitimidade com interpretações obtusas sobre Reconhecimento e Regularidade por parte de algumas dessas Potências.

Cabe, contudo, fazer uma concisa e tênue ilação à referida expressão, intimamente ligada ao Grau 19 da Maçonaria no grau filosófico do Rito Escocês Antigo e Aceito, sem obviamente adentrar em qualquer aspecto simbólico, alegórico, ritualístico ou de mérito dialético, obedecendo a hierarquia e os segredos de cada grau da Sublime Ordem.

No referido grau 19, o maçom é chamado de GRANDE PONTÍFICE ou SUBLIME ESCOCÊS. Este grau filosófico representa justamente a construção de pontes entre a ignorância e a sabedoria. Algo extremamente procedente para combater o cenário atual de que se revestiu a Maçonaria nesses últimos 7 anos.

A palavra PONTÍFICE origina-se do LATIM.

“PONS” - ponte

“FEX” - flexão do verbo fazer

Ou seja; “construtor de pontes”, termo que se referia a um membro do principal colégio de sacerdotes da Roma Antiga, responsável por supervisionar o culto religioso e à construção e manutenção das pontes, que eram cruciais para a cidade.

Com o tempo, o título passou a ser associado a figuras com autoridade religiosa, sendo hoje usado principalmente para se referir ao papa, ou seja; o Sumo Pontífice.

Por uma circunstância histórica, a Maçonaria Especulativa tomou o termo emprestado da Igreja como forma de argumentar e explicar o propósito de sua finalidade.

Trata-se de um grau cujo foco reside na busca por conhecimento, verdade e progresso moral e intelectual, e este grau prepara o maçom para os estudos filosóficos mais profundos dos graus subsequentes.

Na Maçonaria, a ponte é uma analogia para o acesso e o exercício do meio racional, crítico e científico de superar as trevas da ignorância, do fanatismo e do dogmatismo.

O oposto a este processo é erigir Muros, que filosoficamente representam a proibição, o impedimento às relações sociais, culturais e fraternas entre os Maçons, desvirtuando assim, o espírito e o caráter universal da Maçonaria, que como princípio e fundamento respeita todas as raças, etnias, cores, e crenças religiosas, sem qualquer distinção.

A rigor neste grau de “Grande Pontífice” o maçom é desafiado a se livrar de superstições, da arrogância e dos preconceitos, bem como de serem exemplos de sabedoria, justiça e integridade.

É por este motivo e inspirado por estes significados, que em variadas ocasiões, ouvimos nosso Sereníssimo Grão Mestre proferir esta expressão. A rigor, maçônicamente, construir pontes é pavimentar caminhos mais consistentes pelo aprimoramento de nossa consciência.

Newton Agrella-MI

 

 

terça-feira, 16 de dezembro de 2025

ATÉ ONDE VAI A TOLERÂNCIA NA ORDEM MAÇÔNICA?

Pergunta coloquial e de dificílima resposta à luz de nossos usos e costumes, permitindo a formatação de um compêndio, tamanha a amplitude dos posicionamentos emanados de muitos irmãos.

A tolerância é um dos pilares da convivência humana. É ela que permite que diferentes pensamentos, culturas, religiões e estilos de vida coexistam num mesmo espaço sem que o caos se instale. Mas, como toda virtude, ela tem limites. E é justamente nesses limites que se revela o dilema de cada sociedade, de cada indivíduo.

Somos ensinados, desde cedo, a respeitar as diferenças. Na escola, aprendemos que o coleguinha tem outro jeito de falar, outro tom de pele, outra fé, e que isso não diminui o valor de ninguém. Crescemos acreditando que aceitar o outro é sinal de maturidade e de humanidade. E, de fato, é. O problema começa quando a tolerância deixa de ser virtude e se transforma em passividade diante do inaceitável ou, pior ainda, de permissividade.

Até onde tolerar a injustiça? Até onde suportar a mentira disfarçada de opinião? Até onde aguentar o preconceito vestido de “sinceridade”? É nesse ponto que a tolerância, mormente a Maçônica, se vê diante de sua fronteira mais delicada: quando respeitar o outro significa violentar a si mesmo.

Há quem confunda tolerância com concordância. Não, não são a mesma coisa. Eu posso tolerar a ideia do outro sem jamais concordar com ela. Posso permitir que se expresse, mas não preciso me calar diante do que considero nocivo. Tolerância não é resignação. É equilíbrio.

O perigo está quando, em uma Loja Maçônica, em nome da paz, é decidido silenciar diante do intolerante. Quando o ódio se esconde atrás do direito de expressão e a violência se disfarça de liberdade. A tolerância não pode ser uma via de mão única. Se for, vira submissão.

É preciso lembrar que toda democracia se sustenta nesse jogo frágil de limites. Permite-se o diferente, mas não se deve abrir espaço para o que destrói a diferença. Quem prega a exclusão, a violência e o desrespeito não podem ser protegidos pelo manto da tolerância. Ser tolerante com o intolerante é dar-lhe a arma que voltará contra nós.

Na vida cotidiana maçônica, a medida da tolerância é ainda mais sutil. Quantas vezes suportamos calados pequenas agressões de um irmão ou de “grupinhos”, acreditando que é melhor não criar conflitos? Quantas vezes deixamos que um irmão ultrapasse nossa linha de respeito, só para manter o “clima leve”? E, ao final, percebemos que o peso de engolir tudo corrói por dentro.

Tolerar não significa aceitar tudo. É preciso saber dizer não. É preciso aprender que a firmeza também pode ser um gesto de respeito: respeito a si mesmo, respeito ao próprio limite. A fronteira entre a paciência e a omissão é tênue, e cada um precisa descobri-la em seu coração.

Talvez a verdadeira sabedoria emanada da Coluna Jônica esteja em cultivar uma tolerância ativa, e não passiva. Aquela que escuta, mas que também responde. Que compreende, mas que também delimita. Que permite o diferente, mas não o destrutivo.

No fundo, a pergunta não é apenas “até onde vai a tolerância na Maçonaria?”, mas também: “até onde eu suporto ser menos do que sou, em nome da Paz, da Harmonia e da Concórdia?”. A resposta não está nos livros, nem nas leis, mas na consciência de cada um.

A tolerância é nobre. Mas, como toda virtude, quando ultrapassa o limite, degenera. E, nesse instante, aquilo que era ponte se torna abismo. Cabe a nós vigiar o ponto exato onde a tolerância deixa de construir e começa a destruir.

Porque, no fim das contas, ser tolerante é aceitar o outro sem perder a si mesmo. E, se a tolerância exige a nossa própria anulação, então já não é tolerância — é rendição.

E ninguém deveria ser rendido em nome daquilo que nasceu para libertar. Aí surge um grande dilema: até quando ou qual o meu limite de tolerância para com meu irmão?

Essa é uma pergunta profunda. Quando falamos em tolerar o irmão — seja de sangue, de Ordem Maçônica ou até mesmo no sentido espiritual de “próximo” — entramos num território delicado.

Podemos dizer que a tolerância com o irmão vai até o ponto em que não nos leva à autodestruição. É nobre suportar falhas, compreender limitações, perdoar erros. Afinal, todos nós erramos e, em algum momento, também precisamos da paciência alheia.

Mas tolerar não significa aceitar abusos indefinidamente. Se a convivência passa a ferir a dignidade, o respeito ou a paz interior, é sinal de que o limite foi ultrapassado. Nesse momento, é possível — e necessário — amar à distância, preservando o coração sem se submeter ao que causa dor.

Ou seja:

 Toleramos para dar espaço ao crescimento do outro e ao nosso.

 Não toleramos quando isso alimenta injustiça, violência ou destruição.

O próprio Jesus ensinou o perdão sem medidas, mas também mostrou firmeza quando enfrentou a hipocrisia e a opressão. Perdoar é eterno, mas conviver em silêncio com o erro e o mal não é exigência espiritual — é aprisionamento.

Portanto, podemos tolerar o irmão enquanto houver possibilidade de diálogo, mudança, respeito e esperança. Mas, quando a tolerância vira cumplicidade com o erro ou ferida contra nós mesmos, o caminho é o afastamento sereno, sem ódio — apenas com amor e firmeza.

Aí entramos em outra seara: até quando devemos perdoar ao nosso irmão?

Na Maçonaria, o perdão e a tolerância são conceitos fundamentais que se entrelaçam, moldando a conduta e os relacionamentos dos maçons. Ambos não são apenas ideias abstratas, mas princípios ativos que os membros são encorajados a praticar no seu dia a dia.

O perdão, na perspectiva maçônica, é visto como um ato de libertação pessoal e de reconciliação. Não se trata de esquecer a ofensa, mas de liberar a si mesmo da amargura e do desejo de vingança. A Maçonaria ensina que a raiva e o ressentimento são pesos que impedem o crescimento espiritual e a evolução pessoal. Ao perdoar, o maçom não apenas beneficia a outra pessoa, mas, de forma mais crucial, a si mesmo.

O processo de perdão na Maçonaria é frequentemente comparado à ação de “desbastar a pedra bruta”, um dos principais símbolos da Ordem. Assim como a pedra bruta representa o indivíduo em seu estado imperfeito, o ato de perdoar ajuda a remover as arestas da intolerância e do rancor, permitindo que a pessoa se torne um ser humano mais refinado e virtuoso. É um passo essencial no caminho para se tornar uma “pedra polida”, pronta para ser usada na construção do “Templo da Virtude”.

A tolerância maçônica vai além de simplesmente “aguentar” as diferenças. Ela é um convite ativo à compreensão mútua e ao respeito pelas convicções alheias. Os maçons são instruídos a não discutir temas que possam gerar desunião dentro da Loja, como política partidária e disputas religiosas. O objetivo é criar um ambiente de harmonia onde o foco esteja no aprimoramento moral e ético de cada membro.

Essa tolerância é o alicerce para que o perdão possa florescer. Quando se entende e respeita o ponto de vista do outro, torna-se mais fácil compreender que todos estão em um processo de evolução, e que erros podem ser cometidos. A tolerância cria o espaço para que a compaixão e o perdão possam se manifestar, fortalecendo a fraternidade entre os irmãos.

Perdão e tolerância são interdependentes na Maçonaria:

 A tolerância é a condição prévia para o perdão.

 O perdão é a sua manifestação mais profunda.

A tolerância permite que o perdão seja possível: ao tolerar as diferenças e imperfeições dos outros, o maçom desenvolve a paciência e a empatia necessárias para perdoar quando uma ofensa ocorre.

O perdão fortalece a tolerância: ao perdoar, o maçom pratica a essência da tolerância, que é a aceitação de que todos são falíveis. Isso reforça o compromisso de respeitar e conviver com as diferenças, criando um ciclo virtuoso de harmonia.

Em resumo, a Maçonaria ensina que, para alcançar o verdadeiro aperfeiçoamento moral, é preciso cultivar tanto a tolerância — o respeito às diferenças — quanto o perdão — a libertação do rancor. Juntos, esses princípios capacitam os maçons a construir não apenas a si mesmos, mas também uma sociedade mais justa e fraterna.

Ir .'. Dário Angelo Baggieri

M.'. I.'. — CIM 157465

Cadeira nº 1 da AMLES — Patrono Alferes Tiradentes

 

 

sábado, 13 de dezembro de 2025

A MAÇONARIA ATRAVESSA UM DOS SEUS PERÍODOS MAIS SOMBRIOS

Uma Ordem construída para elevar consciências e formar homens livres está se deixando arrastar para o pântano da politicagem, das manobras de bastidor e dos arranjos profanos que nada têm de iniciáticos.

O Templo que deveria ecoar sabedoria e silêncio hoje se contamina com disputas mesquinhas por cargos, vaidades infladas e projetos pessoais travestidos de “interesse da Ordem”.

Há irmãos que esqueceram completamente que a Maçonaria não é carreira.

Não é trampolim.

Não é máquina eleitoral.

É caminho filosófico.

É ética.

É trabalho interior.

Mas alguns transformaram a instituição em praça pública de barganhas, como se nossos rituais fossem meras formalidades e nossas leis internas fossem peças maleáveis ao sabor de conveniências momentâneas.

O mais grave é ver que essa prática não apenas desvirtua a essência da Ordem — ela a profana.

Profana quando ignora a Constituição Maçônica.

Profana quando atropela regimentos.

Profana quando usa o avental para proteger interesses particulares.

Profana quando irmãos são tratados como peças descartáveis em jogos de poder.

E enquanto isso cresce, cresce também a sensação de que estamos nos afastando do verdadeiro propósito:

"Lapidar nossa pedra bruta, não disputar território político".

A Maçonaria não nasceu para ser um teatro de vaidades.

Não nasceu para ser um comitê de eleição permanente.

Nasceu para ser um farol moral.

Uma escola de virtudes.

Um espaço onde o homem comum se torna melhor do que era ontem.

Por isso, é preciso levantar a voz.

 É preciso confrontar os vícios internos com firmeza.

Não há como combater a corrupção profana quando toleramos pequenas corrupções dentro de casa.

Não há como falar de fraternidade quando há perseguição, favoritismo e coronelismo administrativo.

Não há como falar de liberdade quando o pensamento crítico é abafado pelos donos do poder.

Se a Ordem quiser sobreviver com dignidade, precisa retomar sua essência.

Precisa expulsar a mentalidade politiqueira que se infiltra sorrateira.

Precisa lembrar que um irmão sem valores nunca poderá ocupar um cargo com legitimidade.

E que nenhum avental — por mais adornado — tem valor quando quem lhe veste esquece que a Maçonaria é escola da alma, não palanque.

A reconstrução começa com coragem.

Com posicionamento.

Com a recusa em aceitar a decadência como normal.

A Maçonaria não é lugar para ambições profanas — e quem as cultiva deve ser chamado pelo nome: "desviou-se do caminho".

É hora de recuperar a Ordem — ou ela afundará sob o peso dos próprios vícios.

Ir Ricardo Martinez

 

terça-feira, 9 de dezembro de 2025

O HOMEM E A RENOVAÇÃO MAÇÔNICA


 

“Um eterno aprendiz, nunca cessará o seu processo de aprendizagem”

A vida é uma escola continuada que temos ao nosso dispor desde o dia em que nascemos e até que exalemos o último suspiro estaremos sempre numa contínua aprendizagem.

Este processo passa talvez sem ser percebido pela maioria dos indivíduos que apenas transitam pela vida e não abstraem nenhuma lição útil para dar mais brilho aos seus espíritos.

Entretanto, ainda que não cheguemos a frequentar escolas regulares temos ao nosso dispor os costumes, as tradições, as normas de conduta transmitidas pelos mais velhos, as experiências e os conceitos de ética e moral que nos são disponibilizados.

Alguns indivíduos têm a chance de frequentar escolas, cursos profissionalizantes, universidades e expandir esses conhecimentos para além da maioria das pessoas, como pós-graduações, mestrados, doutorados e muito o que há ao seu dispor para os colocar acima da média no campo do conhecimento.

Tudo isto serve para aprimorar os espíritos que servirão para ficar em melhor comunhão consigo mesmo e com o universo que os rodeia, aí incluídos o resto da humanidade. De nada adianta tanta aprendizagem se ele não tiver como propósito o engrandecimento do indivíduo provido de alma que se relaciona com os seus iguais.

E há uma possibilidade disposta para o homem de bem que ama a liberdade e se habilita a conviver em harmonia com os seus irmãos a ajudar o Grande Arquiteto Do Universo na árdua tarefa de edificar um mundo melhor e mais justo.

A maçonaria universal possibilita a quem nela ingressa a união desses dois elos edificantes: o aprendiz e a aprendizagem, com a observância estrita de que o homem é um eterno aprendiz e que nunca cessará o seu processo de escolaridade. Na maçonaria o lema de aprender sempre precisa ser compreendido como a busca incessante pela verdade e pela evolução do espírito.

Esta é uma escola que se apresenta como uma faculdade da vida e que induz os seus integrantes a estarem em constante contato com as lições que servem para renovar o homem em todos os seus quesitos, como moral, espiritual, familiar, profissional e humano.

Um Maçom é um diligente e dedicado aprendiz, que cultua a virtude e combate os vícios que o desviam do rumo da perfeição. Nas nossas lojas buscamos aprender com os nossos irmãos a melhoria dos nossos edifícios interiores através da prática desses princípios: o exercício do amor, da tolerância, da humildade e da harmonia que deve reinar nas relações de todos os homens.

Cada Maçom é um aprendiz que tem ao seu lado um mestre pronto a ajudá-lo a rever a lição e aprimorar o ensinamento que lhe foi ministrado. Para que o aprendiz consiga abstrair em toda a sua essência o ensinamento a ele ministrado é preciso despir-se de capas e indumentárias que impedem essa evolução, por isto dizemos que um bom aprendiz consegue vencer as suas paixões e superar as suas vontades para crescer.

Somente com espírito aberto e sem vontades que nos prendem aos vícios e máculas trazidos pelas más experiências conseguimos elevar as nossas mentes à boa aprendizagem e à evolução que buscamos.

Para ingressar nas nossas fileiras o indivíduo precisa acreditar na existência de um princípio criador a quem chamamos de Deus, o Grande Arquiteto Do Universo. Isto engrandece o homem porque o coloca na senda da supremacia do amor, da concórdia, da paz e da retidão de caráter.

Assim, é imprescindível que cada irmão admitido na maçonaria seja um homem plenamente renovado na sua forma de encarar o mundo e se relacionar com os demais indivíduos que convivam ao seu redor.

Se não nos tornamos melhores quando ingressamos na nossa sublime ordem de nada adiantou o legado de lições que os nossos mestres nos transmitiram e terá sido em vão todo o tempo que dedicamos às nossas reflexões e todo o esforço que empreendemos na busca da verdade e da evolução dos nossos espíritos.

Se não conseguimos desbastar a pedra bruta que há em nós e não nos tornamos pedra polida ou cúbica o erro terá sido nosso por não sermos férteis em virtude e não nos despimos das nossas vontades e as imperfeições das nossas almas terão vencido.

O escritor francês Saint-Exupéry legou-nos ensinamentos primorosos sobre o sentido da renovação que cada indivíduo precisa ter em consonância para crescer e evoluir.

Renovar significa ser melhor a cada dia, abandonando os vícios da sociedade contemporânea como imediatismo, egoísmo, intolerância, concorrência desleal e hipocrisia.

Todos temos a oportunidade de nos reinventarmos a cada dia. Somente quem tem vontade e disciplina consegue se renovar com a aprendizagem que a vida nos possibilita.

Adolfo Ribeiro Valadares

 

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