sábado, 31 de janeiro de 2026

OS SÍMBOLOS, DEVERES E MISSÃO DE UM APRENDIZ MAÇOM.


O Grau de Aprendiz na Maçonaria é o primeiro passo na jornada de um maçom e serve como base para todo o conhecimento que será adquirido nos níveis subsequentes. Este grau é onde o iniciado começa a aprender sobre os símbolos, rituais e responsabilidades que moldarão sua trajetória dentro da Maçonaria.

Após passar por sua iniciação o Aprendiz passa a ser instruído em uma augusta e respeitável loja, o venerável mestre, o primeiro e segundo vigilantes, o orador e demais autoridades da loja o ensinarão: os ritos, as alegorias e os símbolos da maçonaria.

A Maçonaria é repleta de simbolismos que servem como orientações para o aprendizado e desenvolvimento moral do iniciado. Cada símbolo carrega uma lição valiosa, destinada a instigar a reflexão e o entendimento mais profundo dos princípios maçônicos.

• Um dos símbolos mais reconhecidos do Grau de Aprendiz é o Pavimento Mosaico, composto por ladrilhos em preto e branco. Esse pavimento simboliza a dualidade da vida, o bem e o mal, e a necessidade de equilíbrio na jornada do maçom.

Ao caminhar por esses ladrilhos devemos sempre apreciar que o oposto do branco e preto, serve para mostrar que a diferença de cores fica só no chão, assim como a diferença de religiões, conceito políticos, e toda e qualquer diferença profana que tenhamos. Como Irmãos Maçons que somos sempre devemos buscar a harmonia em todas as nossas ações.

• Estando ela circundando as paredes do Templo entre o início da abóbada celeste e as colunas zodiacais. A corda, preferencialmente, com 81 (oitenta e um) nós dispostos da seguinte maneira: um nó central é colocado no centro do Oriente sobre o trono de Salomão acima do acento de Venerável e representa o número um, a unidade, indivisível, princípio e fundamento do Universo.

A corda conta ainda com quarenta “nós”, equidistantes, de cada lado que se estendem pelo Norte e pelo Sul; os extremos da corda terminam, em ambos os lados da porta ocidental de entrada, em duas borlas, elas estão ali permanentemente como símbolos da justiça (ou equidade) e a prudência (ou moderação), que devem nortear os iniciados no caminho da perfeição. Além de mostrar o símbolo do infinito em sua forma, que representa a jornada eterna de aprendizado que teremos na maçonaria, como aprendiz, companheiro e mestre.

• A Escada de Jacó, outro símbolo central, representa a ascensão espiritual. Composta por degraus que simbolizam virtudes como a fé, a esperança e a caridade, a escada é um lembrete de que o Aprendiz deve sempre aspirar a um nível mais elevado de moralidade e sabedoria, buscando o conhecimento junto aos irmãos de Ordem.

• As Colunas J e B são outros elementos importantes no simbolismo do Grau de Aprendiz. Representando as colunas do Templo de Salomão, essas colunas simbolizam a força e a estabilidade, princípios fundamentais para o crescimento do maçom. A Coluna J (Joaquim) representa a estabilidade física, enquanto a Coluna B (Boaz) simboliza a força espiritual. Que serão as bases para a elevação espiritual e intelectual na jornada eterna de aprendizado.do Aprendiz.

Eu como Aprendiz sou incentivado a ser um observador atento, absorvendo o conhecimento e os ensinamentos oferecidos pelos meus irmãos mais experientes, enquanto começo a aplicar esses princípios em minha própria vida.

Buscando ascensão contínua pela Verdade e do aperfeiçoamento de minhas qualidades morais, os meus deveres como Aprendiz incluem a prática do silêncio e da humildade, a dedicação ao estudo e ao trabalho maçônico e o respeito às tradições e rituais da ordem. Tendo quatro espécies de deveres a cumprir: Os da Moral Individual, os da Moral Doméstica; os de caráter Cívico e os de Ordem Social.

• DEVERES DE MORAL INDIVIDUAL

Os maçons devem ter sempre presentes em seu espírito o Ritual de Iniciação e seus preciosos ensinamentos. Entre estes, batalhar todos os dias para conhecer a si próprio. É fácil inteirarmo-nos de nossas virtudes e até mesmo atribuirmo-nos, de boa-fé, qualidades que não possuímos. Em compensação é muito difícil admitirmos nossas deficiências e nossos defeitos.

A consciência de cada Irmão deve ser um Tribunal em que, através da meditação e do exame sereno e imparcial de nossos gestos e atitudes, formulemos um julgamento que nos orientes com segurança em nossa vida futura.

Os bons livros de bons autores, poderão constituir uma excelente ajuda na tarefa do alto conhecimento. Enfim, o Maçom, em face dos juramentos proferidos, está obrigado, para consigo mesmo a: Ser leal e verdadeiro. Combater as injustiças. Ter uma vida sã. Ser livre não ter apego a posições. Viver com simplicidade. Dar sempre o bom e sadio exemplo.

• DEVERES DE MORAL DOMÉSTICA

A família é a base da sociedade e o Maçom, mais que qualquer outro, está obrigado a defendê-la e a prestigiá-la. É no lar que se forjam as virtudes morais de um povo. O Maçom tem três deveres fundamentais para com o seu lar:

Subordinar seus interesses pessoais aos de sua família; b) conceder à família ampla liberdade religiosa; e, c) Guardar fidelidade conjugal.

• DEVERES DE ORDEM SOCIAL.

O Maçom tem de ser, necessariamente, um padrão de dignidade no meio em que vive. Deve ser um exemplo de boa moral para os que o cercam e sempre buscar aspirações para uma vida superior. Cumprir com zelo os deveres de sua religião, respeitando, porém, as demais crenças, que todas elas pregam o Bem e exaltam a Virtude.

Deve dar seu decidido amparo a todas as obras úteis à coletividade, pois é essa uma das melhores maneiras de amar ao próximo. Formular juízos próprios, mas respeitar as opiniões alheias. Praticar a caridade; fazer o bem, protegendo, especialmente, os seus Irmãos.

• DEVERES DE CARÁTER CÍVICO.

A Maçonaria, como escola de aperfeiçoamento moral, como Religião da Virtude, impõe aos seus adeptos deveres especiais para com a Pátria onde vive. O Maçom deve obediência à Lei, sem a qual não pode haver ordem nem progresso. Estar obrigado a cumprir o melhor possível, os seus deveres profissionais e cívicos. Não se submeter, sem protesto, aos atos arbitrários ou ordens injustas das autoridades, por mais influentes que elas sejam.

Ouvir sempre, sem irritação, as ponderações de seus subordinados, e, sem diminuição, ter a coragem de revogar uma ordem, ante a evidência de que ela é falha, prejudicial, injusta ou ilegal. Nunca criticar nem reclamar à surdina contra uma ordem de que não teve a coragem de discordar quando a recebeu.

A minha missão como Aprendiz maçom é vital não apenas para o desenvolvimento individual, mas também para a saúde e a continuidade da própria Maçonaria. Ao cultivar valores éticos e morais, tornar me ei um membro mais consciente e responsável da sociedade. Além disso, a ênfase na educação e no autoconhecimento me ajudará a aprimorar o líder dentro de mim guiando me em direção a um futuro mais iluminado. Essa missão como Aprendiz maçom pode ser entendida em várias dimensões.

• AUTOCONHECIMENTO:

A primeira e mais importante missão do Aprendiz é o autoconhecimento. A Maçonaria ensina que, para se tornar um membro pleno e ativo, é necessário entender a si mesmo, suas fraquezas e virtudes. O Aprendiz é incentivado a refletir sobre suas ações e a buscar um entendimento mais profundo de sua própria vida.

• DESENVOLVIMENTO MORAL E ÉTICO:

O Aprendiz deve se comprometer a viver de acordo com altos padrões morais e éticos. Isso envolve a prática da honestidade, integridade e respeito ao próximo.

A Maçonaria enfatiza a importância de agir com justiça e compaixão, e o Aprendiz é desafiado a incorporar esses valores em sua vida cotidiana.

• BUSCA PELO CONHECIMENTO:

A educação é um dos pilares da Maçonaria. O Aprendiz é incentivado a buscar conhecimento em diversas áreas, incluindo filosofia, história, ciência e espiritualidade. Essa busca não é apenas acadêmica, mas também prática, pois o Aprendiz deve aplicar o que aprende em sua vida e em suas interações com os outros.

• SERVIÇO À COMUNIDADE:

A caridade e o serviço ao próximo são fundamentais na Maçonaria. O Aprendiz deve se envolver em atividades que beneficiem a comunidade, ajudando aqueles que estão em necessidade. Essa prática não apenas fortalece os laços entre os maçons, mas também promove um senso de responsabilidade social.

• CONSTRUÇÃO DE RELAÇÕES:

A Maçonaria valoriza a fraternidade e a camaradagem. O Aprendiz deve trabalhar para construir relacionamentos significativos com outros maçons, aprendendo com suas experiências e contribuindo para um ambiente de apoio e crescimento mútuo.

A busca pelo meu aperfeiçoamento individual como Aprendiz deve ser constante, voraz e incansável, tendo como base seus deveres e missões, sendo os dois muito parecidos, pois na minha opinião, um completa o outro, o estudo dos símbolos e a meditação sobre os seus significados elevarão o “Eu Maçom” ao próximo nível sempre ciente que a escada de Jacó tem que ser conquistada degrau por degrau, com humildade e atenção aos ensinamentos passados em Loja.

Ciente disso é que se torna imprescindível que eu como Aprendiz maçom, conheça e cumpra minha missão e dever, sempre com fé no GRANDE ARQUITETO DO UNIVERSO, guiado sempre pelo justo e perfeito.

AUTOR: RAIMUNDO NONATO MESQUITA DO NASCIMENTO

A RLS DIREITO E LIBERDADE N° 03

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

MAÇONARIA, UMA FACULDADE NA ESCOLA DA VIDA


“Não podemos viver felizes, se não formos justos, sensatos e bons.”

(Epicuro)

A vida é uma escola. Desde a concepção no útero materno, estamos aprendendo. Após o nascimento, a aprendizagem intensifica-se. Aprendemos a andar, a falar, somos alfabetizados, educados e vivemos em sociedade. As leis dos homens regulam as nossas condutas sociais.

O uso e os costumes, a moral e as leis, traçam o nosso comportamento.

Dentro desta escola da vida, alguns homens têm o privilégio de ingressarem numa faculdade, que se chama Maçonaria. Alguns terminarão o curso e receberão o diploma. Outros, desistem no início, no meio ou no fim.

Outros ainda, são reprovados e perdem a oportunidade. São, o livre arbítrio e as regras do curso. A faculdade começa na iniciação e termina na diplomação, que é a comunhão total e final, cuja banca examinadora é o Tribunal da nossa consciência e a misericórdia do Grande Arquiteto do Universo.

A Maçonaria é uma faculdade na vida, que incentiva a pesquisa da verdade, o exercício do amor e da tolerância. Que recomenda o respeito às leis, aos costumes, às autoridades e, sobretudo, à opção religiosa de cada um.

A Maçonaria não se preocupa em retribuir as ofensas injustas recebidas pelos que não a conhecem, mas, devemos defender-nos mostrando aos nossos algozes o que é a Maçonaria. Filosófica, moral e espiritualista é a Maçonaria. Filosófica, porque leva o homem a se ajudar na busca da verdade que ele procura, a vencer as suas paixões e submeter a sua vontade à verdadeira razão.

É moral, porque só aceita homens de bons costumes, que comem o pão com o suor dos seus rostos. É espiritualista, por não admitir ateus nas suas fileiras. Aliás, a nossa Sublime Ordem é a única organização que transforma em irmãos pessoas de crenças religiosas diferentes, pois nela convivem harmoniosamente católicos, espíritas, protestantes, budistas, maometanos, judeus, etc.

Alguns apressados poderiam pensar que isso significa que os maçons sejam transformados em seres absolutamente passivos, submissos, sem o menor interesse pelo que se passa na sociedade, no nosso país e no mundo. Outra inverdade, pois os maçons se preocupam com tudo o que acontece, a Maçonaria é universal.

Se os maçons têm como compromisso maior a busca incessante da verdade, é claro que precisam exercitar continuadamente o direito de pensar em soluções que possam eliminar o mal, sem destruir o homem. Ela tem os seus métodos próprios de ação, conhecidos pelos verdadeiros maçons, os quais são agentes da paz e chamam os conflitos armados de a estupidez da guerra, da guerrilha, do terrorismo, do radicalismo e da ignorância.

A Maçonaria sempre se colocou a favor da liberdade, contrária a qualquer tipo de opressão que sonegue ao ser humano o direito de pensar. Jamais pode ser radical, pois a virtude mora no meio, no bom senso, na equidade e isonomia. Mas, como exige dos seus adeptos uma vida de constante exercício de cavar masmorras aos vícios e erguer templos às virtudes, ela sabe que o maior ensinamento que os maçons possam oferecer reside no exemplo oferecido por cada pedreiro livre, que não se esquece do polimento da pedra bruta que somos e da necessidade de erigirmos o nosso templo interior.

É aí que valorizamos o entendimento de Cícero: Sou livre porque sou escravo da lei! “Andar na lei” é difícil, fácil é andar fora dela. O Maçom sabe que uma vida digna equivale a um templo erguido à virtude e que somente terá vencido as suas paixões quando houver aprendido a respeitar e a amar cada ser humano, nunca se acovardando quando tiver de exigir de qualquer um o cumprimento da lei. Principalmente diante da covardia de maiorias que procuram esmagar impiedosamente as minorias, ou fanáticos que usam métodos covardes para valerem as suas condutas.

A Maçonaria combate a hipocrisia, o fanatismo, a intolerância. E combate esses males procurando conduzir os homens ao entendimento, única forma de se conseguir a paz permanente, pregando a misericórdia para com os vencidos.

Para a nossa Ordem, o vencedor deve ser sempre a humanidade. Portanto, todos os maçons são concitados a uma conduta de vida capaz de levar consolo a quem sofre, a comida a quem tem fome, o agasalho a quem tem frio, uma toalha macia para enxugar as lágrimas dos nossos semelhantes, a levar o conhecimento a quem desejar. Sabe a nossa Instituição que quanto mais se propagar a luz, menor será a ser o espaço a ser ocupado pelas trevas.

Com isso poderemos guiar-nos mais seguramente na direção do GRANDE ARQUITETO DO UNIVERSO, luz irradiante que será o próprio caminho do amor, da fraternidade e da tolerância per omnia secula seculorum!

Não somos – e estamos longe de sermos – uma confraria de anjos, arcanjos ou querubins. Simplesmente homens buscando a prática do bem sem olhar a quem, sem alarde, sem soar a trombeta.

Uma faculdade na escola da vida, onde temos o privilégio de podermos conhecer a fé, a esperança e a caridade, sem necessidade de apegarmos a alguma religião ou seita. Conseguimos o que muitos acham impossível, ou seja, a reunião de homens de todas as crenças, unidos pelo laço da irmandade, pelo pensamento uníssono de que pela boa obra, se conhece o bom pedreiro.

Enquanto algumas religiões se dizem donas da verdade, nós estamos à busca dela sem querermos ser seu dono. Não nos interessa a transmutação dos metais, não nos interessa interferirmos na fé alheia. O que nos interessa é o exercício da caridade, pois sabemos que sem ela não há salvação.

Não existe fé sem caridade, sem esperança e sem amor. A fé põe-nos em contacto com o criador, na sintonia de emissor e receptor. Somente palavras ou pensamentos não nos põe em sintonia com Ele, pois se assim fosse, os fariseus que praticavam com grande pontualidade os ritos prescritos e a grande importância aos estudos das Escrituras, não teriam sido convidados a deixarem o templo, mencionados pelos Evangelhos como hipócritas e orgulhosos.

Podemos concluir sem medo de errar, que só a maldade e a desinformação são capazes de rotular a Maçonaria como contrária a fé. O comportamento digno que a nossa Ordem impõe aos seus membros honrará, certamente, a qualquer profissão de fé religiosa, pois cada um de nós tem o direito de professar e praticar a sua religião no mundo profano.

Garante a Constituição brasileira que é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de cultos e as suas liturgias. No Templo Maçônico deixamos do lado de fora as diferenças religiosas e passamos à prática comum da igualdade, liberdade e fraternidade. Oh! Como é bom, agradável viverem unidos os irmãos.

Os rótulos nem sempre garantem o conteúdo. Por isso, o nosso Templo Interior é que deve permanecer sempre limpo, livre da sujeira que as iniquidades provocam, iluminado pelo verdadeiro amor, sempre nos permitindo lembrar que o nosso conhecimento é apenas uma gota diante de um oceano de coisas que ignoramos.

Ensina-nos a Maçonaria que o GRANDE ARQUITETO DO UNIVERSO é uma fonte perene de amor, sempre pronto a permitir o soerguimento de qualquer um que queira se levantar. Como Ele saberá, a qualquer tempo, separar o joio do trigo, nós, os maçons, somos sempre recomendados a produzir mais trigo, mais trigo, mais trigo…

Pedro Campos de Miranda e Carlos Augusto Camargo da Silva

 

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

A REVELAÇÃO DE UMA NOVA VISÃO COM OS OLHOS VENDADOS


 RELATO DE UM INICIADO

“A ordem Maçônica é uma associação de homens virtuosos, honrados e bondosos, que se consideram Irmãos entre si, cujo fim é viver em perfeita igualdade, intimamente ligados por laços de recíproca estima, confiança e amizade, estimulando-se uns aos outros, na prática da virtude.”.

Já tendo passado pelas três sindicâncias com minha esposa e ela já ciente de minha vontade e igualmente feliz, parti junto ao meu padrinho no dia 11 de outubro de 2025, para a tarde mais esperada, minha iniciação.

Seria um momento bastante especial, pois seriam iniciados outros onze Irmãos. Vendado escutei: “Eu sou vosso guia, tendes confiança em mim e nada receeis!”.

Coração acelerado de emoção misturada com medo de fazer algo errado, parti em uma jornada de sentimentos em ebulição. Então escuto: “Tira teu terno, desabotoa tua blusa, tira teu sapato direito.” Nesse momento caiu a ficha, eu realmente estava sendo iniciado. Levado logo após a uma sala escura onde fiz meu testamento. Olhei para a caveira, para o sal e para o galo, lá fui pedido a deixar todo e qualquer sentimento ruim que eu ainda tivesse, em meu íntimo respondi cada uma das frases escritas;

Se à curiosidade aqui te conduz, retira-te.

Se temes que os teus defeitos sejam descobertos, não estarás bem entre nós.

Se fortes dissimulado, serás descoberto.

Se tens apego as distinções mundanas, vai-te, pois, aqui não as reconhecemos.

Guiado e entusiasmado fui conduzido até onde estava antes sentado e lá aguardei até ser conduzido a outro lugar. Lembro das pancadas fortes, e da ponta metálica fria em meu peito.

Então ouvi que eu sou um homem livre e de bons costumes. Logo após fomos indagados:

o que queríamos ali? Bradei junto aos meus Irmãos gêmeos: Ser recebido maçom.

Um filme passava em minha mente, naquele momento o coração estava cheio de alegria, então me deixei levar, solicitado a ajoelhar me, recebi a oração do venerável mestre e me sentei.

Em pé mais uma vez, levado fui a sentir o gosto doce e o amargo da vida, onde lembrei que na vida terei momentos doces como mel e amargos como fel, com isso me ensinando a ser comedido para com a vida e nunca me por acima dos outros, para que assim seja sempre digno e justo. A cada pergunta e viagem, o brado era mais alto:

“Quero estar aqui!”.

Com o juramento selei minha aliança com a Ordem, recebi assim uma visão de vida, ciente do caminho árduo e longo a seguir atrás de minha lapidação interior.

Primeiro passo a se tomar nessa nova jornada após a iniciação, é, tomar ciência que a Ordem é séria e que a evolução do eu maçom começou de verdade.

Não sou mais um profano e sim um Irmão de Ordem com responsabilidades e dever moral de representar em minha vida o que é ser um maçom.

Ser servil, ser exemplo para minha família e amigos, compreender que sou apenas um átomo de algo muito maior, tornar me um ser aprimorado de conhecimento e sentimentos, zelar pela Ordem e lapidar minha pedra bruta, utilizando minhas ferramentas de aprendiz, a régua de 24 polegadas que representa a sabedoria, o maço que representa a força e o cinzel que por sua vez representa a beleza.

A régua de vinte quatro polegadas servirá para medir tudo em minha vida, calcular meu caminho de aperfeiçoamento, lidar com meu dia que assim como ela também tem vinte e quatro horas, onde pretendo organizar meus horários, traçar minhas metas, projetar minha jornada, medir meus desafios, aferir minha relação interior, me tornar cada vez mais sábio, ciente de que isso será eterno e que o único ser realmente sábio é o GRANDE ARQUITETO DO UNIVERSO e que todo conhecimento que eu venha a adquirir na vida não se comparará a um grão de areia na vastidão do universo perante ao conhecimento a ser desvendado no caminho do polimento.

O maço vem para me mostrar o quão ardo-a será a jornada de aprimoramento, a força que terá de ser aplicada na lapidação do eu maçom, as atitudes a serem tomadas para minha evolução, o cuidar de minha família, o realizar de meus trabalhos, as batalhas ainda a serem travadas com as paixões profanas e minhas vontades, vencendo cada uma delas para fazer novos progressos na maçonaria.

O cinzel vem para me ajudar a lapidar o eu maçom, o meu aperfeiçoamento como pai de família, a estabilização espiritual, a moderação das palavras, a mansidão do coração, a serenidade da alma, a retidão nas atitudes, o domínio das virtudes. Ir me moldando de forma flexível baseada no aprendizado adquiridos no processo de lapidação eterna da vida, vislumbrando a beleza da recompensa a ser alcançada.

Composta de vários ritos, entre os quais o que seguimos, (o Rito Escocês Antigo e Aceito, que foi nascido na França em por volta de 1786.) A maçonaria é regida por leis e regulamentos que lhe servem de normas em todos os países em que se faz presente, e em cada potência uma constituição e regulamento geral, que contém os princípios estabelecidos no pacto fundamental e, ainda, em cada loja pelo seu regulamento interno, que devem ser estudados para que possais conhecer vossos direitos e deveres.

Nossa loja assim como o templo de Salomão, é uma grande oficina no formato de quadrilongo, seu comprimento é do oriente ao ocidente. Sua largura é do Norte ao Sul.

Sua profundidade, da superfície ao centro da terra. Sua altura da terra ao céu. Está tão vasta extensão da loja simboliza a universalidade de nossa Instituição e mostra que a caridade do Maçom é sim limites, a não ser os ditados pela prudência.

Sustentada em três firmes colunas, Sabedoria (para nos orientar nos caminhos da vida), Força (para nos animar e sustentar em todas as dificuldades) e Beleza (para adornar todas as nossas ações, nosso caráter e nosso Espírito), onde os Irmãos de ordem devem realizar o seu trabalho de construção incessante, no plano moral e espiritual.

A primeira tarefa do aprendiz maçom é a de realização moral, de profunda preparação para os trabalhos subsequentes que se hão de exercer sobre o material humano que compõe o Universo.

AUTOR: RAIMUNDO NONATO MESQUITA DO NASCIMENTO

A RLS DREITO E LIBERDADE N° 03

sábado, 17 de janeiro de 2026

O PAPEL ESSENCIAL DA JUVENTUDE NA MAÇONARIA

 

A Maçonaria carrega uma história riquíssima e reúne muitos homens que marcaram seu tempo. Mas, em determinados momentos, vale a pena olhar com atenção para o agora — e, especialmente, para aqueles que estão sendo formados hoje e poderão se tornar referências amanhã.

 

A vitalidade da Ordem depende de quem chega com disposição, visão e vontade de construir. Os jovens não são apenas herdeiros da Arte; são parte do que mantém seus ideais acesos em um mundo em constante mudança.

Falo isso também por experiência própria. Hoje estou no fim dos meus vinte anos, mas minha caminhada começou cedo.

 

Aos 14 anos, fui iniciado na Ordem DeMolay (patrocinada pela Maçonaria) na Romênia. Foi ali que aprendi, ao lado de outros jovens, valores como liderança, responsabilidade e serviço. Aos 17, como Mestre Conselheiro do meu Capítulo — função equivalente, em responsabilidade simbólica, à do Venerável Mestre — entendi que fraternidade não se sustenta apenas em palavras: ela se prova no trabalho e na postura.

Ao completar 18 anos, decidi dar um passo importante e pedi ingresso em uma loja ligada ao ramo continental/liberal da Maçonaria, ciente de que não se tratava do modelo regular anglo-saxão. Meu interesse não era política maçônica, mas sim o aperfeiçoamento pessoal e a possibilidade de contribuir, junto aos irmãos, para uma transformação concreta na sociedade.

 

Talvez eu tenha compreendido melhor essa mensagem por ter sido formado ainda jovem, antes de me deparar com certas durezas e ambiguidades da vida adulta. E não tenho dúvida de que muitos outros jovens compartilham essa mesma disposição.

Como a vida não é uma linha reta, meu caminho maçônico também não foi. Mais tarde, passei a integrar outra obediência e outra loja, desta vez no Rito de Memphis. Ali, irmãos mais velhos e experientes depositaram em mim confiança suficiente para me conceder a responsabilidade de ser Venerável Mestre aos 22 anos.

 

Eu poderia contar outras histórias, mas este texto não é sobre mim. Ele é sobre muitos jovens — muitas vezes anônimos — que carregam o mesmo zelo e o mesmo desejo sincero de contribuir para o “Templo da Humanidade”: irmãos que vestem o avental branco como símbolo de pureza e procuram manter as luvas brancas também fora do templo, fazendo sua luz ser vista no mundo profano.

Na prática, jovens irmãos frequentemente são os que assumem tarefas mais exigentes, se voluntariam para o trabalho, puxam iniciativas, levam ferramentas e tecnologias para a rotina das lojas e ampliam a presença da Fraternidade na comunidade.

 

Essa energia faz diferença. Ela impede que a Maçonaria se torne apenas contemplação e a mantém também como ação. Energia, aqui, também significa resiliência: disposição para dedicar horas a projetos, viajar para encontros, se envolver com a vida da loja e sustentar compromissos com constância. Esse dinamismo evita a estagnação e, muitas vezes, reacende nos irmãos mais antigos o entusiasmo pela própria caminhada.

Além disso, os jovens costumam trazer abertura. Estão mais dispostos a aprender, a ouvir, a fazer perguntas e a experimentar abordagens novas quando isso serve ao bem maior. Em geral, são menos presos a hábitos rígidos e mais inclinados a adaptar formas de trabalho, sem necessariamente abandonar princípios. Essa receptividade permite integrar valores maçônicos aos desafios atuais — seja pela comunicação digital, por projetos sociais, por iniciativas de formação ou pelo diálogo com diferentes realidades culturais.

 

Não é raro ver como jovens transformam o clima das reuniões: o entusiasmo tira a loja da rotina; as perguntas fazem os mais experientes revisitarem ensinamentos com novos olhos; e a disposição ao diálogo cria pontes entre tradições e visões distintas.

Ainda assim, é fundamental reconhecer: a juventude, sozinha, não sustenta a Arte. A experiência dos irmãos mais antigos é o que oferece direção, profundidade e estabilidade. Ao mesmo tempo, sem juventude, a experiência corre o risco de virar acomodação.

 

A Maçonaria prospera quando essas duas forças trabalham juntas: a sabedoria oferece a bússola; a juventude oferece o impulso. Nem sempre esse equilíbrio é simples. Jovens podem questionar práticas e tradições; irmãos mais velhos podem resistir a mudanças. Mas é justamente nessa tensão — quando bem conduzida — que a Ordem amadurece.

A Maçonaria não foi feita para ficar parada. Ela precisa evoluir sem perder o essencial. E os jovens ajudam a garantir que esse movimento continue.

 

Por isso, uma Maçonaria saudável é aquela que investe nos jovens: tanto por meio de organizações juvenis maçônicas quanto abrindo espaço real, dentro das lojas, para que jovens merecedores cresçam. Isso inclui responsabilidades concretas, funções de trabalho e, quando apropriado, dignidades na Loja e na Grande Loja — não como enfeite, mas como oportunidade real de contribuição.

Talvez esse também seja um caminho para países que enfrentam o envelhecimento do quadro. Quando jovens estão presentes e são valorizados, outros jovens enxergam que também há lugar para eles. Entendem que são relevantes dentro de uma Fraternidade com cerca de três séculos de história — e que podem construir uma trajetória ali.

 

Quem sabe, assim, mais jovens se aproximem. E, junto deles, até os irmãos mais antigos se renovem — tornando a Maçonaria, na prática, cada vez mais viva.

Autor: Gabriel Anghelescu

 

Fonte: The Square Magazine

 


domingo, 11 de janeiro de 2026

O PONTO DE VIRAGEM DA MAÇONARIA

Gostaria de dedicar um momento para falar sobre um assunto que todos nós já refletimos ou discutimos em algum momento das nossas trajetórias maçônicas.

Como Venerável Mestre, testemunhei o surgimento e o declínio de muitas carreiras maçônicas e questionei-me frequentemente se existe um momento decisivo, um ponto de viragem que determina a permanência ou a rejeição.

“Porque é que os irmãos perdem o interesse pela Maçonaria e o que podemos fazer para reacender essa chama?”

Em que momento os nossos próprios pensamentos começaram a vacilar?

Existe um ponto de viragem na vida de cada Maçom; um momento em que a alegria de ser membro da nossa nobre Ordem começa a diminuir. Um momento em que nos esquecemos do propósito da nossa existência.

É neste ponto que perdemos a perspectiva do candidato que um dia fomos e nos tornamos meros espectadores da Maçonaria, em vez de participantes. Quando isto acontece, perdemos a perspectiva do candidato e deixamos de procurar novas luzes.

No início, a Maçonaria era excitante e nova. Chegamos à Ordem como candidatos ávidos dos seus mistérios e, a cada novo grau conquistado, sentíamos orgulho e realização ao desvendar os véus dos seus mistérios para revelar os seus antigos segredos, cada revelação impulsionando-nos ainda mais a procurar mais luz. Mas, por vezes, depois de atingirmos o sublime grau de Mestre Maçom, muitos de nós atingimos um patamar e tornamo-nos complacentes nas nossas viagens maçônicas.

Um participante é ativo; engajado. A sua mente é influenciada pela soma de tudo o que estuda processando-o; refina o seu caráter em direção ao louvável objetivo de se tornar um homem melhor. Ele exprime a própria quinta-essência da Maçonaria no pensamento e na ação pela retidão da sua conduta e pelo aperfeiçoamento do seu caráter, tornando-se o Aparelho Perfeito.

Um espectador, por outro lado, é passivo; desinteressado, a sua mente distraída por mil impulsos errantes que o afastam do caminho de platina. Perdido no caminho para a iluminação maçônica e já não um candidato adequado aos seus mistérios, é incapaz de se aperfeiçoar porque lhe falta a capacidade de subjugar as suas paixões e de interiorizar as lições que lhe são oferecidas, fazendo com que o seu interesse diminua.

Começamos fortes, envolvidos pela euforia de aprender os princípios fundamentais da Arte, apenas para nos vermos sobrecarregados e demasiado comprometidos pelas obrigações combinadas da família e da fraternidade. Para uns, isto acontece logo após a iniciação, para outros, depois de servir como Venerável Mestre da sua Loja. O nosso cabo de reboque fica tenso e esticado, tornando-se uma coleira apertada em volta do pescoço, sufocando os nossos desejos por mais luz se não for mantido sob controle e devidamente equilibrado.

Como aprendemos nas Ferramentas de Trabalho de um Aprendiz Maçom:

• 8 horas para o serviço de Deus e de um irmão digno e aflito

• 8 horas para as nossas vocações habituais

• 8 horas para descanso e sono

Nunca devemos deixar de nos aperfeiçoar na nossa busca da Iluminação Maçônica, esforçando-nos sempre pela equanimidade e procurando tornar-nos aprendizes da Ordem durante toda a vida, pontuando as nossas experiências com circunspecção e reflexão silenciosa.

Para reacender a nossa paixão pela Maçonaria, devemos testemunhar continuamente a outorga de cada grau pelos olhos de alguém que acaba de bater à porta da Maçonaria, e cada palavra deve tocar uma corda ressonante nos nossos corações. Devemos resgatar aquele momento transformador em que, diante do altar sagrado da Maçonaria, nos unimos perante Deus Todo-Poderoso em fraternidade e amizade místicas, para nos tornarmos irmãos.

Só assim podemos esperar progredir na Maçonaria e reacender a inspiração que recebemos quando éramos realmente os candidatos.

Qualquer Maçom que procure verdadeiramente a luz encontrará algo de novo na Maçonaria de cada vez que um grau for confirmado; MAS DEVE SER O CANDIDATO. Deve possuir a frescura de mente e de espírito, o anseio de um iniciado em busca de uma nova luz, que o possuía quando ingressou na fraternidade.

Se encararmos os graus da Maçonaria de forma impessoal e considerarmos as cerimônias apenas como uma repetição fria, então nada poderemos ganhar com elas. E se alcançarmos uma pequena percepção espiritual e nos recusarmos a nutri-la e a deixá-la crescer em visão e sabedoria, então até essa primeira luz se extingue. Deixamos de crescer quando já não procuramos a fonte que nos inspirou desde o início.

Este é o ponto de viragem; aquele momento crítico em que devemos assumir o controle dos nossos destinos e decidir que tipo de Maçom desejamos ser.

Como o ramo é dobrado, assim cresce a árvore. Para crescer na Maçonaria, devemos ter uma mente aberta, a coragem das nossas convicções, o desejo de progredir e a ânsia por mais luz: tudo o que tínhamos quando nós oferecemos pela primeira vez como candidatos aos Mistérios da Maçonaria.

A Maçonaria exige mais do que apenas tempo; ela quer os seus melhores momentos e o melhor de si. Este é o verdadeiro desafio de subjugar as nossas paixões e de nos aperfeiçoarmos através da Maçonaria.

Martin Bogardus-MI

Fonte: freemason

 

 

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

RELIGIÃO E MAÇONARIA:DOIS CAMINHOS, UMA MESMA PERGUNTA


 

Religião e Maçonaria nascem do mesmo ponto original: a inquietação humana diante do mistério. Ambas procuram responder à pergunta fundamental — de onde venho, quem sou, para onde vou? — mas fazem-no por vias distintas, quase opostas na forma, ainda que não necessariamente no fim.

A religião estrutura-se a partir da revelação. Parte de uma verdade transmitida, fixada na palavra, no livro, no dogma. Organiza a relação com o sagrado através da crença, do culto e da pertença. A sua força reside na capacidade de criar comunidade, sentido partilhado, narrativa comum. O seu risco está em confundir o símbolo com a realidade, a mediação com o absoluto, a obediência com a consciência.

A Maçonaria, pelo contrário, estrutura-se a partir da iniciação. Não transmite verdades finais; propõe experiências simbólicas. Não exige fé; exige trabalho sobre si. Não define Deus; aponta para um Princípio, deixando à consciência de cada um a forma de o nomear. Onde a religião afirma, a Maçonaria sugere; onde a religião prescreve, a Maçonaria simboliza.

Do ponto de vista simbólico, a diferença é clara: a religião eleva o olhar para o céu; a Maçonaria baixa-o para a pedra. Uma fala da salvação da alma; a outra da construção do homem. Uma promete redenção; a outra exige lapidação. Não são caminhos rivais, mas planos distintos.

A confusão começa quando a religião pretende ser iniciática sem o ser, ou quando a Maçonaria é lida como religião alternativa — erro frequente de críticos e de alguns entusiastas. A Maçonaria não substitui o sagrado religioso nem o combate; trabalha antes num plano ético, simbólico e antropológico, anterior a qualquer confissão. Por isso pode acolher homens de diferentes crenças sem lhes pedir renúncia.

Historicamente, a tensão entre ambas nasce quando a religião institucional se sente ameaçada por um espaço onde a consciência não é tutelada. A Maçonaria afirma a liberdade interior, o uso da razão, a dignidade do símbolo. Não nega Deus; recusa falar em nome de Deus. Esse silêncio ativo é, talvez, a sua maior heresia aos olhos do dogma.

Inicialmente, a religião tende a oferecer um caminho vertical — do homem para o divino — mediado por uma autoridade espiritual. A Maçonaria propõe um caminho horizontal e circular — do homem para si mesmo, e deste para a humanidade. O divino, se existir, manifesta-se como ordem, harmonia, lei moral inscrita no coração do ser humano.

Num tempo em que as religiões perdem autoridade simbólica e a espiritualidade se fragmenta, a Maçonaria permanece como um espaço raro de trabalho simbólico não dogmático. Não promete sentido; constrói-o. Não impõe valores; exercita-os. Não oferece certezas; educa para a dúvida fecunda.

Religião e Maçonaria não se anulam. A religião pode nutrir o sentido do transcendente; a Maçonaria disciplina a ética da ação. Quando separadas, empobrecem; quando confundidas, pervertem-se.

Talvez o equilíbrio esteja aqui: uma religião que volte a ser simbólica e humilde, e uma Maçonaria que permaneça fiel à sua vocação discreta de escola de humanidade. Não para salvar almas, mas para formar homens justos, conscientes e livres — capazes, talvez, de tornar o mundo um lugar um pouco menos indigno do mistério que o habita.

Porque, no fim, não foram as religiões que falharam totalmente.

Falhou o esquecimento de que o caminho é sempre interior, e que nenhum deus substitui a responsabilidade de tornar-se humano.

Rui Calado

 

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