Qual Maçonaria estamos praticando? A que nos transforma ou apenas a que nos mantém iguais?
A Maçonaria é uma escola de aprimoramento pessoal. Sua linguagem é
simbólica, suas ferramentas são inspiradas na construção operativa e seus
ensinamentos apontam para a edificação de um homem melhor. Mas uma pergunta
precisa ser feita com sinceridade: estamos realmente utilizando essas
ferramentas para transformar a nossa vida? E, mais importante ainda, como
medimos essa transformação?
Ao longo dos meus vinte anos de Ordem, essa talvez tenha sido a reflexão
que mais me acompanhou. Como a Maçonaria transformou a minha vida?
Posso afirmar, sem hesitar, que ela me tornou um homem melhor. Mais do que
isso, ensinou-me algo ainda mais valioso: reconhecer diariamente as minhas
imperfeições. Compreendi que a evolução não é um estado permanente, mas um
exercício constante. Basta um momento de orgulho, de vaidade, de ira ou de
descuido para retrocedermos anos de aprendizado.
A Maçonaria não nos promete homens perfeitos. Ela nos convida a sermos
homens conscientes de nossas limitações. Ensina que a queda faz parte da
caminhada, mas também que jamais devemos desistir. Se necessário for, voltamos
ao início, retomamos as ferramentas e recomeçamos nossa construção interior.
Frequentar as sessões, estudar os rituais, apresentar trabalhos ou ouvir
palestras sobre filosofia, história, espiritualidade e simbolismo, por si só,
não nos torna melhores. Todo esse conhecimento só cumpre sua finalidade quando
ultrapassa as paredes do Templo e passa a fazer parte das nossas atitudes.
A verdadeira pergunta não é o quanto aprendemos, mas o quanto aplicamos.
Como cada símbolo, cada alegoria e cada ferramenta podem nos ajudar a sermos
melhores pais, filhos, esposos, profissionais, amigos e cidadãos? Primeiro
compreendemos o ensinamento. Depois, temos a coragem de vivê-lo.
Vivemos em uma época em que o tempo é escasso, os relacionamentos se
tornam superficiais e a competição parece ocupar o lugar da cooperação. Talvez
nunca tenha sido tão necessário colocar em prática aquilo que aprendemos na
Ordem. Afinal, a verdadeira construção maçônica acontece quando o homem leva o
Templo para dentro de si e faz de sua própria vida a maior obra que poderá
realizar.
No fim, a resposta à pergunta inicial depende apenas de cada um de nós.
Estamos praticando a Maçonaria que transforma ou apenas a Maçonaria que
frequentamos?
Fraternalmente,
Arlindo Batista Chapeta

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