sexta-feira, 23 de outubro de 2026

CIÊNCIA, RELIGIÃO E MAÇONARIA


A Maçonaria vem demonstrar a realidade, rasgando o véu que a oculta à muitas criaturas. Mas não pode impor as suas verdades a quem não as quer aceitar ou aos que não têm ainda condições para a aceitação.

Os 288 anos decorridos desde a Instituição da Maçonaria Especulativa, foram pródigos em notáveis avanços no terreno dos conhecimentos e da tecnologia no mundo.

Os homens desenvolveram e ratificaram as ciências, no que se refere à matéria, dominaram o espaço do Planeta, chegaram à Lua, foram ao fundo dos oceanos, venceram obstáculos de várias ordens, dominaram doenças milenares do corpo, avançaram muito no que concerne à vida transitória na Terra.

Entretanto, o conhecer-te a ti mesmo permanece como desafio ao homem, há 2500 anos.

Este desafio demonstra quão difícil se torna ao homem o conhecimento da realidade de si próprio, da sua individualidade, e das leis que regem a vida, pela eternidade.

A Humanidade tem propensão para enfrentar os problemas que dizem respeito à vida transitória, mas tem muita dificuldade no entendimento da vida eterna, apesar das religiões milenares que estão no mundo.

CIÊNCIA

Ciência – Como as Letras e as Artes, as Ciências compõem todo o domínio do espírito humano.

Na antiguidade a Ciência, que os gregos denominavam Sefia ou Filosofia, era pouco extensa e era fácil a um só homem a abarcar toda.

A Ciência, envolta com o engenhoso simbolismo dos graus, é a base do sábio sistema iniciático praticado pela Maçonaria.

Se as ciências cultivadas pelos homens têm por escopo o conhecimento da verdade, nada justifica a separação e até o combate entre cientistas e maçons, uma vez que uns e outros estão sempre em busca da verdade, dos factos, das realidades, das leis naturais.

O que tem ocorrido é que as ciências, que se têm desenvolvido através de observações, de experiências, de descobertas de leis naturais e métodos próprios, só se preocupam com um dos elementos do Universo – a matéria – deixando de lado o outro elemento, de vital importância – o espírito.

Aquele que se limita a pesquisar no infinito faz ciência. Se a sua imaginação se inflama, se a sua alma se emociona e impõe regras morais que lhe tracem a conduta, prática, desde então, uma religião.

RELIGIÃO

Religião – Vários são os conceitos formados para a definição da religião. Segundo uns, é o conjunto das crenças, dos sentimentos e dos atos que religam (de religare) o homem a Deus e que lhe dão a solução dos problemas relativos ao seu destino. Outros fazem derivar esta palavra de religere, adorar com temor e respeito. Para outros, enfim, é o culto prestado a uma divindade, representando uma etapa da civilização humana, e, fundado por um “Instrutor” (Buda, Zoroastro, Moisés, Platão, Orfeu, Maomé e Cristo), enviado ao mundo para preparar uma nova fase na vida social, moral e intelectual.

Os grandes desvios da igreja, desde o acordo com o Imperador Constantino, em 312 e 325; O grande delito jurídico perpetrado a 13 de Outubro de 1307, sob a tiara de um papa, quando o Grão-Mestre da ex-Ordem do Templo, Jacques De Molay, foi condenado por se ter recusado a confissões arrancadas pela fraude, visando o poder temporal e interesses materiais, até aos nossos dias, quando o seu chefe pede perdão pelos erros cometidos, ao mesmo tempo que reafirma a infalibilidade papal, aprovada no Concílio de 1870, estão a demonstrar a profunda diferença entre a Maçonaria e a Doutrina das Igrejas denominadas cristãs.

Como conciliar um Cristianismo instigador das guerras das Cruzadas, instituidor da Inquisição e do Tribunal do Santo Ofício, perseguidor de judeus, muçulmanos, espíritas, assim como a bula de excomunhão contra a Maçonaria, de triste memória “In Eminenti Apostolatus Specula”, lançada em 1738 pelo papa Clemente XII (1652 – 1741), presunçosa, orgulhosa, violenta, em total divergência com os ensinos do Cristo, que têm por base o amor a Deus e ao próximo, o perdão aos inimigos, a tolerância, a indulgência para com todos.

MAÇONARIA

A Doutrina Maçônica possuí os seus aspectos essenciais. Não cerceia o seu adepto que se dedique à ciência que a cultive na sua dignidade, que se devote à filosofia que lhe divinize as aspirações, mas que a base maçónica permaneça em tudo e todos, para que não venhamos a perder o equilíbrio sobre os alicerces em que se levanta a Ordem. Daí a necessidade de que a ninguém seja possível interpretar os nossos símbolos, segredos e alegorias, as nossas Leis ao sabor das suas paixões e interesses diversos, nem falsear o sentido dessas Leis.

A Maçonaria não é um movimento filosófico admitindo toda a orientação de opinião. A verdadeira Maçonaria é um culto para conservar e difundir a crença na existência de Deus, para ajudar os Maçons a regularem a sua vida e conduta sobre os princípios da sua própria religião, qualquer que ela seja, mas ela deve ser uma religião que exija a crença em Deus como ser supremo e deve possuir um livro sagrado sobre o qual o Iniciado possa prestar juramento à Ordem.

Nenhuma hostilidade, nenhum desapreço a quem quer que seja. Acontece, porém, que temos a necessidade de preservar os fundamentos maçônicos, honrá-los e sublimá-los, senão acabaremos estranhos uns aos outros, ou mutilados nos nossos melhores anseios, convertendo o movimento de lutar por uma Humanidade melhor, mais feliz e mais próxima da Verdade.

Estudar, ensinar, aconselhar, mas exemplificar. Nada que lembre castas, discriminações, evidências individuais injustificáveis, privilégios, imunidades, prioridades.

O ensino maçônico tem de ser claro e sem equívocos, para que ninguém possa pretextar ignorância e para que todos o possam julgar e apreciar com a razão.

CONCLUSÃO

O cientista se utiliza do método científico para estudar um fato e interpretá-lo. No campo religioso, é a partir da crença ou da fé que se interpreta o fato. Na constante observação da ação dos seus adeptos, a Maçonaria pelo aperfeiçoamento do coração, pelo trabalho, pela prática da Moral e pela observação da Ciência, não permite que seja esquecido que devemos procurar sempre a mais iluminada e mais profunda compreensão das religiões, com o sentimento de tolerância e solidariedade, que nasce da sincera comunhão entre Irmãos, com a Liberdade que aspira Luz e Igualdade para que se possa solidificar os sentimentos de Fraternidade.

O homem, nascido numa religião, contrai o hábito de só crer, porque nela vê a única verdade religiosa possível, ou melhor, a prova da falsidade das outras.

A Maçonaria que não é de nenhuma época, pertence a todas as épocas; não sendo de nenhuma religião, encontra em todas as religiões as suas grandes verdades, encara cientificamente a ideia religiosa, as suas origens, a sua evolução, as influências recíprocas das diferentes doutrinas, respeitando a todas, com a sinceridade da ciência.

Não resta dúvida que o materialismo deve ser destruído e a Maçonaria é, no mundo atual, o seu grande opositor, uma vez que as religiões tradicionais, pelos seus desvios e enfraquecimento, se tornaram impotentes para se lhe opuserem.

Em cada Loja, o mais forte deve ser escudo do mais fraco, o mais esclarecido a luz para o menos esclarecido, e sempre seja o Aprendiz o mais protegido e o mais auxiliado, que seja maior aquele que se fizer o servidor de todos.

É necessário definirmos objetivos que devemos alcançar, sem sermos apressados, porquanto não nos compete violentar consciência alguma, mantendo o projeto de irmanar, aproximar, confraternizar e compreender.

Trabalhemos, pois, conscientes, aproveitando a oportunidade de servir que se nos oferece, unindo as nossas mãos, os nossos esforços e os nossos sentimentos nesta grande obra, não perdendo de vista essa realidade de suma importância – a total vinculação da Sublime Instituição, sem os desvios impostos pelos interesses dos homens.

Sigamos em frente buscando a inspiração do Grande Arquiteto do Universo.

“Superando os homens o preconceito contra o que lhes é desconhecido, se desvenda à humanidade, com extraordinário progresso para as ciências e as religiões, a Maçonaria desvenda toda a riqueza a par de conquistas importantes, como a Liberdade, a Igualdade, ao lado da Fraternidade, como aspiração para toda a Humanidade.”

Valdemar Sansão

Fontes Consultadas

Rituais Maçônicos;

Grande Dicionário Enciclopédico de Maçonaria e Simbologia – Nicola Aslan;

“O Despertar para a Vida Maçônica” – Valdemar Sansão

 

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