O presente Trabalho tem por objetivo apresentar um estudo
superficial a respeito dos três Pilares ou Colunas que, segundo o REAA, dão
sustentação [1][2] ao Templo/Loja [3]. Salientamos que estas
Colunas não se confundem com as Colunas “J” e “B” que estão dispostas na
entrada do Templo e, muito menos, com as Colunas dos Companheiros e dos
Aprendizes dispostas, respectivamente, no Sul e Norte do Templo.
Segundo o Ritual do Aprendiz, três grandes Colunas sustentam
a Loja: Jónica (Minerva) – Sabedoria; Dórica (Hércules) – Força; e a Coríntia
(Vénus) – Beleza [4]. Sendo tais Colunas representadas pelas Luzes da Loja
respectivamente: o Venerável Mestre; o Irmão 1º Vigilante; e o Irmão 2º
Vigilante [5].
Estas três Colunas ou Pilares são emblemas de três grandes
personagens que fazem parte da própria essência da Maçonaria, cujas habilidades
combinadas resultaram na construção do primeiro Templo. Desta forma, as Colunas
representam: Salomão, portador da Sabedoria para planear e construir o Templo
de Jerusalém; Hiram, rei de Tiro, pela Força que deu aos trabalhos do Templo,
fornecendo homens e materiais; e Hiram Abiff, por seu primoroso trabalho em
adorná-lo, dando-lhe Beleza ímpar, até hoje nunca igualada [6].
Destarte, encontramos uma correlação entre aqueles que
construíram o primeiro Templo e as Luzes da Loja, pois conforme a tradição, o
Templo Maçónico é a reprodução daquele, possuindo igualmente três Colunas que
sustentam a eterna construção do nosso Templo. Seguindo essa esteira, tais
Luzes são relacionadas com aquelas Colunas, sendo atribuído a elas certos
poderes/deveres, conforme passamos a descrever.
A primeira Coluna, representa a Sabedoria, o vetor inventivo
com o qual devemos nos pautar, a fim de orientar as nossas atitudes no decorrer
das nossas vidas. Daí a sua relação com o Venerável Mestre, pois cabe a ele a
missão de comandar e orientar, de forma sábia e inventiva, os demais Irmãos.
A segunda Coluna, representa a Força; não a força desmedida,
desregrada, mas aquela que nos dá ânimo, sustância, para superar todas as
dificuldades encontradas no nosso caminho. Tal Coluna, é representada, em Loja,
pelo Irmão 1º Vigilante, que, entre outras atribuições, possui a missão de
instruir os Companheiros, de cuja Força depende o futuro da Arte Real.
Por último, mas não menos importante, a terceira Coluna,
representante da Beleza; não a vaidosa, mas aquela que adorna todas as nossas ações,
o nosso caráter e o nosso espírito. Esta Coluna é personificada pelo Irmão 2o Vigilante
que, por sua vez, tem como obrigação, além da instrução dos Aprendizes,
fiscalizar todos os trabalhos realizados em Loja, a fim de que sejam estáveis e
resultem em honra para o Venerável Mestre e glória para o GADU, tornando a sua
obra bela e graciosa.
Segundo Jules Boucher [7], devemos notar que os nomes
dados às Colunas correspondem aos nomes de três das Sephiroth da
Kaballa. Conforme o autor, na Kaballa hebraica as Sephiroth [8] representam
um sistema particular de emanação divina, que pode ser representado sob a forma
reproduzida na página 35.
Para o referido autor, houve uma confusão entre Chesed e Thiphereth, pois
as três pilares que se correlacionam no Quadrado Oblongo só poderiam ser Chochmah (Sabedoria), Geburah (Força)
e Chesed (Graça) [9].
Contudo, mesmo levando-se em conta a sapiência do douto
autor, adotamos no presente Trabalho a denominação majoritária, ou seja, aquela
que atribui à Coluna do Irmão 2o Vigilante, como correspondente
à Tiphereth (Beleza), pois não encontramos mais nenhuma outra fonte
que corrobore tal entendimento.
Além disso, como já descrito, cada uma das três Colunas
representa também uma das três principais ordens da arquitetura Grega: a Jônica,
a Dórica e a Coríntia.
A Coluna Jónica, símbolo da Sabedoria e do Venerável Mestre,
possui vinte e quatro estrias e a sua altura é nove vezes o seu diâmetro. O
capitel está adornado com duas volutas [10] e a cornija [11] com
dentículos. De formas elegantes e esteticamente estáveis e seguras, a Coluna
Jónica é comparada a uma bela mulher, pois o seu capitel e o seu fuste lembram
as roupas e o penteado das mulheres viventes naquele período.
A Coluna Dórica, símbolo da Força e do Irmão 1º Vigilante, é
a mais simples das três Colunas Gregas. O fuste tem vinte estrias superficiais
e a sua altura é oito vezes o seu diâmetro. Considera-se esta Coluna traçada
segundo o modelo de um homem de perfeita musculatura, pois denota fortaleza e
nobre simplicidade.
A Coluna Coríntia, símbolo da Beleza e do Irmão 2º
Vigilante, é a mais formosa. Tem as mesmas estrias da Coluna Jónica, mas a sua
altura é dez vezes o seu diâmetro, o que lhe dá aspecto gracioso. O seu capitel
é belo e adornado com duas filas de folhas de acanto [12] e oito
volutas que sustentam o ábaco [13].
Como podemos observar, as três Colunas são consubstanciadas
de uma forte carga simbólica e filosófica. Indicam-nos que, tanto na Obra
Universal do GADU, como na Obra Fundamental da nossa construção moral, devemos
iluminar todas as possibilidades da nosso potencial coletivo, como Irmãos
construtores e partícipes da Arte Real e, individual, despojando-nos de todas
as paixões e vícios. E, que para tanto, só poderemos ser sábios se possuirmos
Força, porque a Sabedoria exige sacrifícios que só podem ser realizados pela
Força; e que ser Sábio com Força sem ter Beleza, torna a obra desarmónica, pois
a Beleza é fio condutor entre o mundo e a nossa sensibilidade.
Assim, podemos concluir que a Sabedoria, a Força e a Beleza
são essenciais ao desfecho de toda Obra, formando a tríplice argamassa
responsável pela firmeza e equilíbrio do Templo.
Marcos Eduardo Lelis – Or. São Paulo – SP
Notas
[1] Dada a multiplicidade de formas de se abreviar os
termos maçónicos, adopta-se no presente Trabalho a utilizada no Ritual de
Apr.’., 2001.
[2] Segundo Harry Carr, somente em
1730, no Masonry Dissected de Prichard e no Wilkinson
MS., é que encontramos a primeira menção aos “Três Pilares” que
“sustentam a Loja…[isto é] Sabedoria, Força e Beleza”. Salientamos que tal
informação é apenas ilustrativa, pois, além de se referir a outro Rito (Lojas
Inglesas), não pudemos corroborá-la em nenhuma outra obra consultada.
[3] Há quem relacione as três Colunas com o Templo.
Contudo, não corroboramos com esse entendimento; seguimos a corrente
majoritária que as relaciona apenas com a sustentação da Loja.
[4] Minerva (Roma)/Atena ou Palas (Grécia) – deusa da
guerra justa, da sabedoria, das artes, da estratégia e ofícios; Vênus (Roma) –
deusa pré-romana da península itálica, representava a beleza e as aventuras
amorosas. Na Roma Antiga foi identificada com Afrodite, a deusa grega do amor.
Contudo, segundo os historiadores não há motivo relevante para essa ligação;
Héracles (Grécia (Hércules (Roma) – aclamado herói e depois adorado como deus,
filho de Zeus.
[5] Ritual do Aprendiz, 2001, pp. 158 e 159.
[6] Neste sentido, Ritual e Instruções de Aprendiz
Maçom, 1974, pp. 158-159 e Wagner Veneziani Costa, Maçonaria – Escola
de Mistérios, p. 538.
[7] A Simbólica Maçônica, pp. 113-114.
[8] 1. – Kether (Coroa); 2. – Cbochmah (Sabedoria);
3. – Binah (Inteligência); 4. – Chesed (Graça); 5.
– Geburah (Força); 6. – Tiphereth (Beleza);
7. – Netzah (Vitória); 8. – Hod (Glória); 9. – lesod (Fundamento);
e 10. – Malkuth (Reino). Ressaltamos que existem
variações ortográficas presentes nas traduções dos termos utilizados para
representar o conjunto das dez emanações divinas descritas na Sephiroth, justificando,
assim, a discrepância entre a descrição do texto e a imagem apresentada acima.
Contudo, tal discrepância ortográfica, não inibe a inteligência das
informações.
[9] Para um estudo mais aprofundado, ver A
Simbólica Maçônica, pp. 113-118.
[10] Volutas, sf. 1. Ornato espiralado
de um capitel de coluna. 2. Parte de objeto, ou ornato etc., em forma de
espiral. – Minidicionário Aurélio.
[11] Cornija. Sf. Arquit. Série de molduras
sobrepostas que formam saliências na parte superior de parede, porta, etc.
– Minidicionário Aurélio.
[12] Acanto, sm. Bot. Planta
espinhosa, acantácea, cujas folhas serviram de modelo para ornamentos arquitetônicos.
– Minidicionário Aurélio.
[13] Ábaco, sm. Arquit. Parte superior
do capitel de uma coluna, com a finalidade de criar apoio para arco ou
arquitrave. Disponível em: Wikipedia. Acesso em: 10 abr. 2008.
Bibliografia
- ADOUM,
Jorge. Grau do Aprendiz e seus Mistérios. São Paulo:
Pensamento, 2006. BOUCHER, Jules. A Simbólica Maçônica – Segundo as
Regras da Simbólica Esotérica e Tradicional. ed. São Paulo:
Pensamento, 2006.
- CAMINO,
Rizzardo da. Simbolismo do Primeiro Grau-Aprendiz. 1. São
Paulo: Madras, 2005.
- CARR,
Harry. O Ofício do Maçom – Guia Definitivo para o Trabalho Maçônico, tradução
de Carlos Raposo. São Paulo: Madras, 2007.
- CASTELLANI,
José. O Rito Escocês Antigo e Aceito – História, Doutrina e Prática. ed.
Londrina: “A TROLHA”, 2006.
- COSTA,
Wagner Veneziani. Maçonaria – Escola de Mistérios. A Antiga
Tradição e seus Símbolos. São Paulo: Madras, 2006. FERREIRA,
Aurélio Buarque de Holanda. Mini Aurélio – O Dicionário da
Língua Portuguesa. ed. Curitiba: Positivo, 2007. RITUAL e Instruções
de Aprendiz Maçom do Rito Escocês Antigo e Aceito, Grande Oriente de São
Paulo, elaborado por Theobaldo Varoli Filho. São Paulo, 1974.
- RITUAL
– Rito Escocês Antigo e Aceito – Io Grau – Aprendiz,
Grande Oriente do Brasil, 2001.

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