quinta-feira, 8 de outubro de 2026

AS TRÊS COLUNAS: SABEDORIA, FORÇA E BELEZA

O presente Trabalho tem por objetivo apresentar um estudo superficial a respeito dos três Pilares ou Colunas que, segundo o REAA, dão sustentação [1][2] ao Templo/Loja [3]. Salientamos que estas Colunas não se confundem com as Colunas “J” e “B” que estão dispostas na entrada do Templo e, muito menos, com as Colunas dos Companheiros e dos Aprendizes dispostas, respectivamente, no Sul e Norte do Templo.

Segundo o Ritual do Aprendiz, três grandes Colunas sustentam a Loja: Jónica (Minerva) – Sabedoria; Dórica (Hércules) – Força; e a Coríntia (Vénus) – Beleza [4]. Sendo tais Colunas representadas pelas Luzes da Loja respectivamente: o Venerável Mestre; o Irmão 1º Vigilante; e o Irmão 2º Vigilante [5].

Estas três Colunas ou Pilares são emblemas de três grandes personagens que fazem parte da própria essência da Maçonaria, cujas habilidades combinadas resultaram na construção do primeiro Templo. Desta forma, as Colunas representam: Salomão, portador da Sabedoria para planear e construir o Templo de Jerusalém; Hiram, rei de Tiro, pela Força que deu aos trabalhos do Templo, fornecendo homens e materiais; e Hiram Abiff, por seu primoroso trabalho em adorná-lo, dando-lhe Beleza ímpar, até hoje nunca igualada [6].

Destarte, encontramos uma correlação entre aqueles que construíram o primeiro Templo e as Luzes da Loja, pois conforme a tradição, o Templo Maçónico é a reprodução daquele, possuindo igualmente três Colunas que sustentam a eterna construção do nosso Templo. Seguindo essa esteira, tais Luzes são relacionadas com aquelas Colunas, sendo atribuído a elas certos poderes/deveres, conforme passamos a descrever.

A primeira Coluna, representa a Sabedoria, o vetor inventivo com o qual devemos nos pautar, a fim de orientar as nossas atitudes no decorrer das nossas vidas. Daí a sua relação com o Venerável Mestre, pois cabe a ele a missão de comandar e orientar, de forma sábia e inventiva, os demais Irmãos.

A segunda Coluna, representa a Força; não a força desmedida, desregrada, mas aquela que nos dá ânimo, sustância, para superar todas as dificuldades encontradas no nosso caminho. Tal Coluna, é representada, em Loja, pelo Irmão 1º Vigilante, que, entre outras atribuições, possui a missão de instruir os Companheiros, de cuja Força depende o futuro da Arte Real.

Por último, mas não menos importante, a terceira Coluna, representante da Beleza; não a vaidosa, mas aquela que adorna todas as nossas ações, o nosso caráter e o nosso espírito. Esta Coluna é personificada pelo Irmão 2o Vigilante que, por sua vez, tem como obrigação, além da instrução dos Aprendizes, fiscalizar todos os trabalhos realizados em Loja, a fim de que sejam estáveis e resultem em honra para o Venerável Mestre e glória para o GADU, tornando a sua obra bela e graciosa.

Segundo Jules Boucher [7], devemos notar que os nomes dados às Colunas correspondem aos nomes de três das Sephiroth da Kaballa. Conforme o autor, na Kaballa hebraica as Sephiroth [8] representam um sistema particular de emanação divina, que pode ser representado sob a forma reproduzida na página 35.

Para o referido autor, houve uma confusão entre Chesed e Thiphereth, pois as três pilares que se correlacionam no Quadrado Oblongo só poderiam ser Chochmah (Sabedoria), Geburah (Força) e Chesed (Graça) [9].

Contudo, mesmo levando-se em conta a sapiência do douto autor, adotamos no presente Trabalho a denominação majoritária, ou seja, aquela que atribui à Coluna do Irmão 2o Vigilante, como correspondente à Tiphereth (Beleza), pois não encontramos mais nenhuma outra fonte que corrobore tal entendimento.

Além disso, como já descrito, cada uma das três Colunas representa também uma das três principais ordens da arquitetura Grega: a Jônica, a Dórica e a Coríntia.

A Coluna Jónica, símbolo da Sabedoria e do Venerável Mestre, possui vinte e quatro estrias e a sua altura é nove vezes o seu diâmetro. O capitel está adornado com duas volutas [10] e a cornija [11] com dentículos. De formas elegantes e esteticamente estáveis e seguras, a Coluna Jónica é comparada a uma bela mulher, pois o seu capitel e o seu fuste lembram as roupas e o penteado das mulheres viventes naquele período.

A Coluna Dórica, símbolo da Força e do Irmão 1º Vigilante, é a mais simples das três Colunas Gregas. O fuste tem vinte estrias superficiais e a sua altura é oito vezes o seu diâmetro. Considera-se esta Coluna traçada segundo o modelo de um homem de perfeita musculatura, pois denota fortaleza e nobre simplicidade.

A Coluna Coríntia, símbolo da Beleza e do Irmão 2º Vigilante, é a mais formosa. Tem as mesmas estrias da Coluna Jónica, mas a sua altura é dez vezes o seu diâmetro, o que lhe dá aspecto gracioso. O seu capitel é belo e adornado com duas filas de folhas de acanto [12] e oito volutas que sustentam o ábaco [13].

Como podemos observar, as três Colunas são consubstanciadas de uma forte carga simbólica e filosófica. Indicam-nos que, tanto na Obra Universal do GADU, como na Obra Fundamental da nossa construção moral, devemos iluminar todas as possibilidades da nosso potencial coletivo, como Irmãos construtores e partícipes da Arte Real e, individual, despojando-nos de todas as paixões e vícios. E, que para tanto, só poderemos ser sábios se possuirmos Força, porque a Sabedoria exige sacrifícios que só podem ser realizados pela Força; e que ser Sábio com Força sem ter Beleza, torna a obra desarmónica, pois a Beleza é fio condutor entre o mundo e a nossa sensibilidade.

Assim, podemos concluir que a Sabedoria, a Força e a Beleza são essenciais ao desfecho de toda Obra, formando a tríplice argamassa responsável pela firmeza e equilíbrio do Templo.

Marcos Eduardo Lelis – Or. São Paulo – SP

Notas

[1] Dada a multiplicidade de formas de se abreviar os termos maçónicos, adopta-se no presente Trabalho a utilizada no Ritual de Apr.’., 2001.

[2] Segundo Harry Carr, somente em 1730, no Masonry Dissected de Prichard e no Wilkinson MS., é que encontramos a primeira menção aos “Três Pilares” que “sustentam a Loja…[isto é] Sabedoria, Força e Beleza”. Salientamos que tal informação é apenas ilustrativa, pois, além de se referir a outro Rito (Lojas Inglesas), não pudemos corroborá-la em nenhuma outra obra consultada.

[3] Há quem relacione as três Colunas com o Templo. Contudo, não corroboramos com esse entendimento; seguimos a corrente majoritária que as relaciona apenas com a sustentação da Loja.

[4] Minerva (Roma)/Atena ou Palas (Grécia) – deusa da guerra justa, da sabedoria, das artes, da estratégia e ofícios; Vênus (Roma) – deusa pré-romana da península itálica, representava a beleza e as aventuras amorosas. Na Roma Antiga foi identificada com Afrodite, a deusa grega do amor. Contudo, segundo os historiadores não há motivo relevante para essa ligação; Héracles (Grécia (Hércules (Roma) – aclamado herói e depois adorado como deus, filho de Zeus.

[5] Ritual do Aprendiz, 2001, pp. 158 e 159.

[6] Neste sentido, Ritual e Instruções de Aprendiz Maçom, 1974, pp. 158-159 e Wagner Veneziani Costa, Maçonaria – Escola de Mistérios, p. 538.

[7] A Simbólica Maçônica, pp. 113-114.

[8] 1. – Kether (Coroa); 2. – Cbochmah (Sabedoria); 3. – Binah (Inteligência); 4. – Chesed (Graça); 5. – Geburah (Força); 6. – Tiphereth (Beleza); 7. – Netzah (Vitória); 8. – Hod (Glória); 9. – lesod (Fundamento); e 10. – Malkuth (Reino). Ressaltamos que existem variações ortográficas presentes nas traduções dos termos utilizados para representar o conjunto das dez emanações divinas descritas na Sephiroth, justificando, assim, a discrepância entre a descrição do texto e a imagem apresentada acima. Contudo, tal discrepância ortográfica, não inibe a inteligência das informações.

[9] Para um estudo mais aprofundado, ver A Simbólica Maçônica, pp. 113-118.

[10] Volutas, sf. 1. Ornato espiralado de um capitel de coluna. 2. Parte de objeto, ou ornato etc., em forma de espiral. – Minidicionário Aurélio.

[11] Cornija. Sf. Arquit. Série de molduras sobrepostas que formam saliências na parte superior de parede, porta, etc. – Minidicionário Aurélio.

[12] Acanto, sm. Bot. Planta espinhosa, acantácea, cujas folhas serviram de modelo para ornamentos arquitetônicos. – Minidicionário Aurélio.

[13] Ábaco, sm. Arquit. Parte superior do capitel de uma coluna, com a finalidade de criar apoio para arco ou arquitrave. Disponível em: Wikipedia. Acesso em: 10 abr. 2008.

Bibliografia

  • ADOUM, Jorge. Grau do Aprendiz e seus Mistérios. São Paulo: Pensamento, 2006. BOUCHER, Jules. A Simbólica Maçônica – Segundo as Regras da Simbólica Esotérica e Tradicional. ed. São Paulo: Pensamento, 2006.
  • CAMINO, Rizzardo da. Simbolismo do Primeiro Grau-Aprendiz. 1. São Paulo: Madras, 2005.
  • CARR, Harry. O Ofício do Maçom – Guia Definitivo para o Trabalho Maçônico, tradução de Carlos Raposo. São Paulo: Madras, 2007.
  • CASTELLANI, José. O Rito Escocês Antigo e Aceito – História, Doutrina e Prática. ed. Londrina: “A TROLHA”, 2006.
  • COSTA, Wagner Veneziani. Maçonaria – Escola de Mistérios. A Antiga Tradição e seus Símbolos. São Paulo: Madras, 2006. FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Mini Aurélio – O Dicionário da Língua Portuguesa. ed. Curitiba: Positivo, 2007. RITUAL e Instruções de Aprendiz Maçom do Rito Escocês Antigo e Aceito, Grande Oriente de São Paulo, elaborado por Theobaldo Varoli Filho. São Paulo, 1974.
  • RITUAL – Rito Escocês Antigo e Aceito – Io Grau – Aprendiz, Grande Oriente do Brasil, 2001.

 

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