quinta-feira, 16 de outubro de 2025

CAFÉ MAÇÔNICO DOS VELOCÍMETROS


 

Numa cidade do interior existe um café,

lá irmão é bem-vindo, sabe onde é?

O aroma do café já invade a rua,

como luz de conhecimento que a todos perpetua.

Ao entrar, sinta a energia do lugar,

onde ideias e sorrisos se põem a circular.

Momento de união que a tristeza cancela,

o café é mágico e a amizade é fraterna

Nesse lugar a pedra bruta se transforma em obra,

do Aprendiz ao Mestre a união redobra,

O Esquadro e o Compasso a todos aprova,

União Fraternal no café se renova,

O Rito Escocês nos ensina o caminho,

a bater na pedra com bastante carinho,

Nesse lugar se aprende a avançar devagarinho,

a partilhar café, pão … e na ágape o vinho

Nesse café com grandes amigos me conselho,

são grandes líderes, neles me espelho

Nos seus olhos eu vejo confiança,

fraternidade essa que o destino alcança

Esse local é de GADU com muita inspiração,

lá bebemos café com pão e vezes têm salsichão,

Cultivando a Virtude em cada lição,

celebramos sempre a Fraternal União.

Com gratidão, dedico aos irmãos Luís e Nílson que como um farol mantêm a luz do café dos velocímetros acesos diariamente.

MÜLLER, M. .C (2025)

sábado, 11 de outubro de 2025

GRAU DE APRENDIZ NA MAÇONARIA


Grau de Aprendiz na Maçonaria é o primeiro passo na jornada de um maçom e serve como base para todo o conhecimento que será adquirido nos níveis subsequentes. Este grau é onde o iniciado começa a aprender sobre os símbolos, rituais e responsabilidades que moldarão sua trajetória dentro da Maçonaria.

 

Neste artigo, exploraremos em profundidade o significado do Grau de Aprendiz, os símbolos que o acompanham, o processo de iniciação, e como esse grau prepara o maçom para avançar em sua jornada espiritual e moral. Ao longo deste texto, discutiremos os elementos essenciais do Painel do Grau de Aprendiz, as lições morais e éticas que devem ser cultivadas, e a importância do progresso para o próximo grau.

O QUE É O GRAU DE APRENDIZ NA MAÇONARIA?

O Grau de Aprendiz na Maçonaria é o ponto de partida para todos os maçons. Ele representa o início da jornada maçônica, onde o indivíduo, conhecido como Aprendiz, é introduzido aos ensinamentos e valores fundamentais da ordem.

Este grau é simbolizado pelo aprendizado e pelo trabalho árduo, ambos necessários para o desenvolvimento pessoal e espiritual do homem. No Grau de Aprendiz, o iniciado começa a entender a importância do autoconhecimento e da disciplina, elementos essenciais para o progresso dentro da Maçonaria.

O Aprendiz é incentivado a refletir sobre sua própria moralidade e a buscar o aprimoramento contínuo, tanto em sua vida pessoal quanto em sua participação nas atividades da Loja. Além disso, o Grau de Aprendiz serve como base para a compreensão dos ensinamentos mais profundos que serão revelados nos níveis seguintes.

SIMBOLISMO NO GRAU DE APRENDIZ

O Grau de Aprendiz na Maçonaria é repleto de simbolismos que servem como orientações para o aprendizado e desenvolvimento moral do iniciado. Cada símbolo carrega uma lição valiosa, destinada a instigar a reflexão e o entendimento mais profundo dos princípios maçônicos.

SÍMBOLOS PRINCIPAIS

Um dos símbolos mais reconhecidos do Grau de Aprendiz é o Pavimento Mosaico, composto por ladrilhos em preto e branco. Esse pavimento simboliza a dualidade da vida, o bem e o mal, e a necessidade de equilíbrio na jornada do maçom. O Aprendiz é ensinado a caminhar por esse pavimento com cuidado, reconhecendo os contrastes e buscando harmonia em todas as suas ações.

As Colunas J e B são outros elementos importantes no simbolismo do Grau de Aprendiz. Representando as colunas do Templo de Salomão, essas colunas simbolizam a força e a estabilidade, princípios fundamentais para o crescimento do maçom. A Coluna J (Joaquim) representa a estabilidade física, enquanto a Coluna B (Boaz) simboliza a força espiritual.

A Escada de Jacó, outro símbolo central, representa a ascensão espiritual. Composta por degraus que simbolizam virtudes como a fé, a esperança e a caridade, a escada é um lembrete de que o Aprendiz deve sempre aspirar a um nível mais elevado de moralidade e sabedoria.

FERRAMENTAS DO APRENDIZ

As ferramentas simbólicas do Aprendiz, como a régua e o malho e o cinzel, são instrumentos que representam a construção do caráter e a disciplina necessária para o aprimoramento moral.

A régua, com suas 24 polegadas, simboliza a divisão do tempo de maneira equilibrada entre trabalho, descanso e devoção. O malho, por sua vez, representa a força de vontade e a determinação necessárias para moldar o próprio caráter, eliminando vícios e cultivando virtudes. O cinzel simboliza a precisão e o aperfeiçoamento, representando a busca pelo conhecimento e o esforço para alcançar a perfeição.

O RITUAL DE INICIAÇÃO

O Ritual de Iniciação no Grau de Aprendiz é um dos momentos mais significativos na jornada de um maçom. É durante essa cerimônia que o indivíduo é formalmente introduzido à fraternidade e começa sua transformação espiritual e moral.

A Cerimônia de Iniciação

A cerimônia de iniciação é carregada de simbolismos e rituais cuidadosamente planejados para ensinar lições profundas ao novo Aprendiz. Desde o início, o candidato é levado a um estado de reflexão, muitas vezes simbolizado pelo uso de uma venda nos olhos, representando a ignorância e a busca pela luz do conhecimento.

Durante o ritual, o candidato passa por uma série de provas que representam os desafios da vida. Estas provas são projetadas para testar a força de vontade, a coragem e a determinação do candidato, e cada uma delas carrega um significado simbólico profundo. Ao final dessas provas, a venda é removida, simbolizando a nova visão e o entendimento que o candidato começa a adquirir.

JURAMENTO E DEVERES

Ao longo da cerimônia, o Aprendiz faz um juramento solene de cumprir os deveres da Maçonaria, de respeitar seus irmãos e de trabalhar continuamente para o seu próprio aprimoramento moral e espiritual. Este juramento é um compromisso com os princípios maçônicos e com a comunidade da Loja, estabelecendo um vínculo de confiança e responsabilidade.

Os deveres do Aprendiz incluem a prática do silêncio e da humildade, a dedicação ao estudo e ao trabalho maçônico, e o respeito às tradições e rituais da ordem. O Aprendiz é incentivado a ser um observador atento, absorvendo o conhecimento e os ensinamentos oferecidos pelos irmãos mais experientes, enquanto começa a aplicar esses princípios em sua própria vida.

PAPEL O DO PAINEL NO GRAU DE APRENDIZ

O Painel do Grau de Aprendiz é uma das ferramentas mais didáticas e simbólicas utilizadas na Maçonaria. Este painel serve como um mapa visual para o Aprendiz, representando os ensinamentos que ele deve assimilar e as virtudes que deve cultivar durante sua jornada.

ELEMENTOS DO PAINEL

O Painel do Grau de Aprendiz é composto por diversos símbolos, cada um com seu significado específico. Entre os elementos mais destacados estão o Sol, a Lua e as estrelas, que simbolizam a luz do conhecimento que guia o Aprendiz em sua busca pela sabedoria. Esses astros representam também a presença constante de forças superiores, orientando o maçom em seu caminho.

Outro elemento central é o Pavimento Mosaico, composto por ladrilhos em preto e branco, simbolizando a dualidade da vida e a necessidade de encontrar equilíbrio entre o bem e o mal, a luz e a escuridão. O Aprendiz é constantemente lembrado de que sua jornada é uma busca contínua por harmonia e justiça.

USO DIDÁTICO

O Painel é utilizado nas sessões maçônicas como uma ferramenta de ensino, onde os mestres explicam aos Aprendizes o significado de cada símbolo e sua aplicação na vida diária. Este processo de aprendizado é essencial para que o Aprendiz compreenda os princípios fundamentais da Maçonaria e comece a aplicá-los em seu próprio desenvolvimento moral e espiritual.

O Painel também serve como um lembrete visual das lições aprendidas durante o ritual de iniciação e das responsabilidades que o Aprendiz assumiu ao ingressar na Maçonaria. Cada vez que o Aprendiz observa o Painel, ele é levado a refletir sobre seu progresso e a reafirmar seu compromisso com os ideais maçônicos.

IMPORTÂNCIA NA RITUALÍSTICA

Além de sua função didática, o Painel desempenha um papel crucial nas cerimônias ritualísticas, sendo um ponto focal durante as reuniões da Loja. Ele não só ajuda a orientar o Aprendiz, mas também a reforçar os valores e as tradições da Maçonaria, garantindo que cada maçom, independentemente do grau, esteja alinhado com os ensinamentos da ordem.

O entendimento completo do Painel é uma das etapas fundamentais para que o Aprendiz possa avançar para os graus superiores. Ele representa a base simbólica sobre a qual todo o conhecimento maçônico é construído, fazendo com que o domínio de seu significado seja essencial para o crescimento do maçom.

LIÇÕES MORAIS E ÉTICAS

O Grau de Aprendiz na Maçonaria não é apenas uma introdução aos símbolos e rituais da ordem, mas também um momento crucial para o desenvolvimento moral e ético do maçom. As lições ensinadas neste grau são fundamentais para moldar o caráter do Aprendiz e orientá-lo em sua jornada pessoal e espiritual.

DESENVOLVIMENTO PESSOAL

Uma das principais lições do Grau de Aprendiz é a importância do autoconhecimento. O Aprendiz é incentivado a refletir sobre suas ações, seus pensamentos e suas intenções, buscando constantemente o aprimoramento pessoal.

A Maçonaria vê o indivíduo como uma “pedra bruta” que precisa ser esculpida e refinada ao longo da vida. Esse processo de autoaperfeiçoamento é simbolizado pelo uso das ferramentas maçônicas, que representam a disciplina e a diligência necessárias para moldar um caráter virtuoso.

VIRTUDES A CULTIVAR

No Grau de Aprendiz, o maçom é introduzido a várias virtudes que deve cultivar ao longo de sua vida. Entre as mais importantes estão a humildade, a diligência, a paciência, e a fidelidade. A humildade ensina o Aprendiz a reconhecer suas limitações e a aprender com os irmãos mais experientes. A diligência o motiva a trabalhar arduamente em sua jornada de autodescoberta e contribuição à sociedade.

A paciência é uma virtude essencial para quem busca o autoconhecimento, pois o desenvolvimento moral é um processo gradual, que exige tempo e dedicação. Por fim, a fidelidade, tanto aos princípios maçônicos quanto aos seus irmãos, é crucial para a construção de uma comunidade sólida e confiável.

IMPACTO NA VIDA DO APRENDIZ

As lições morais e éticas ensinadas no Grau de Aprendiz não se restringem às atividades dentro da Loja Maçônica; elas se aplicam diretamente à vida cotidiana do maçom. O Aprendiz é encorajado a ser um exemplo de integridade, justiça e bondade em sua família, em seu trabalho e na sociedade em geral. O compromisso com essas virtudes reflete o objetivo maior da Maçonaria: a construção de uma sociedade mais justa e fraterna.

A EVOLUÇÃO DO APRENDIZ

O Grau de Aprendiz na Maçonaria é apenas o primeiro passo de uma jornada longa e repleta de descobertas. À medida que o Aprendiz assimila os ensinamentos e cumpre suas responsabilidades, ele se prepara para evoluir e enfrentar os desafios dos graus superiores.

PREPARAÇÃO PARA O PRÓXIMO GRAU

O Aprendiz é constantemente incentivado a estudar e refletir sobre os ensinamentos recebidos. Esse processo de aprendizado contínuo é fundamental para sua preparação para o Grau de Companheiro, o próximo estágio na hierarquia maçônica.

Durante o período em que permanece no Grau de Aprendiz, ele é orientado a dominar os conceitos básicos da Maçonaria, como os símbolos e rituais, além de aplicar as lições morais e éticas em sua vida diária.

A transição para o Grau de Companheiro não é apenas uma mudança de título, mas uma evolução no entendimento e na responsabilidade do maçom. O Aprendiz deve demonstrar que está pronto para assumir novas responsabilidades e aprofundar seu conhecimento sobre os mistérios da Maçonaria.

TRANSIÇÃO E CONTINUIDADE

A transição do Grau de Aprendiz para o Grau de Companheiro é marcada por uma nova cerimônia de iniciação, que introduz o maçom a conceitos mais complexos e responsabilidades maiores. Durante essa transição, o Aprendiz deve mostrar que compreendeu plenamente as lições do seu grau inicial e que está pronto para aplicar esse conhecimento em um nível mais elevado.

A continuidade do aprendizado é uma característica central na jornada maçônica. Cada grau é construído sobre as fundações estabelecidas no anterior, criando uma progressão lógica e coesa. O Grau de Aprendiz, portanto, é crucial para o sucesso nos graus superiores, pois fornece a base necessária para a compreensão dos princípios mais avançados da Maçonaria.

A evolução do Aprendiz não é apenas uma questão de progresso na hierarquia, mas também de crescimento pessoal e espiritual. Ao avançar para o próximo grau, o maçom leva consigo as lições aprendidas e as aplica de maneira mais profunda, consolidando sua identidade como membro da fraternidade e como indivíduo dedicado ao aprimoramento contínuo.

CONCLUSÃO

O Grau de Aprendiz na Maçonaria é mais do que apenas uma introdução aos rituais e símbolos da ordem; é o alicerce sobre o qual toda a jornada maçônica é construída. Desde o início, o Aprendiz é convidado a mergulhar em um processo profundo de autoconhecimento e desenvolvimento moral, guiado por símbolos ricos em significado e lições que perduram ao longo de toda a sua vida. Ao longo deste artigo, exploramos a importância do Grau de Aprendiz, desde a sua definição e simbolismo até os rituais de iniciação e o papel crucial do Painel no ensino dos princípios maçônicos.

Discutimos também as virtudes que o Aprendiz deve cultivar e a forma como essas lições são aplicadas tanto na vida maçônica quanto na vida cotidiana. Por fim, vimos como o Aprendiz se prepara para evoluir e enfrentar os desafios dos graus superiores, sempre buscando o aperfeiçoamento moral e espiritual. A jornada do Aprendiz é apenas o começo de uma caminhada mais longa e profunda dentro da Maçonaria, mas é durante este primeiro grau que se estabelecem as bases para tudo o que virá a seguir.

 Com dedicação, estudo e prática constante dos princípios aprendidos, o Aprendiz se transforma, pouco a pouco, em um verdadeiro maçom, pronto para contribuir com sua comunidade e crescer espiritualmente. A Maçonaria, com suas lições e símbolos, oferece ao Aprendiz as ferramentas necessárias para moldar seu caráter e alcançar um entendimento mais profundo de si mesmo e do mundo ao seu redor. Ao abraçar essas lições, o Aprendiz está não apenas honrando a tradição maçônica, mas também preparando-se para um futuro de contínuo aprendizado e crescimento.

Jacimar Silvah

 

 

segunda-feira, 6 de outubro de 2025

AS PARALELAS E O PONTO NO INTERIOR DO CÍRCULO


Este é um dos símbolos usados pela nossa Ordem que mais me fascina, apesar de muito pouco discutido em reuniões na maioria de nossas Lojas.

Segundo Harry Carr, o “ponto” é ético e implica o fundamento especifico sobre o qual o maçom deve basear seu padrão de conduta e, enquanto aderir a este, ele não pode errar, remetendo-nos imediatamente à First Charge do dr. Anderson, de 1723: “...serem homens Bons e Fiéis, ou Homens de Honra e Honestidade”.

Na maçonaria teísta ele simboliza, primordialmente, o campo de ação traçado para nós pelo compasso do Grande Arquiteto do Universo, lembrando que, aquele que cumprindo os desígnios do Criador, mantivera-se circunscritos a este círculo, jamais errará neste plano material.

Colin Dyer em sua obra “O Simbolismo na Maçonaria diz”: A escada de Jacó se apoia no Volume das Sagradas Escrituras que, por sua vez, estava sobre um dispositivo muitas vezes sob a forma de um pedestal, dotado de duas linhas paralelas com um círculo entre elas que as tocavam e tocava o Volume. O centro do círculo era acentuado.

As duas linhas paralelas representavam as duas Grandes Paralelas da Maçonaria: São João Batista e São João Evangelista. Estes Santos eram os padroeiros dos maçons e as festividades semestrais eram realizadas nos seus dias comemorativos: 24 de junho e 27 de dezembro, convenientemente separados por um intervalo de seis meses.

Preston aborda este ponto em sua preleção e diz: Em tempos modernos, estas duas paralelas eram usadas para exemplificar os dois São João – o Batista e o Evangelista – como patronos da Ordem, cujas festividades são celebradas perto dos solstícios, que acontecem quando o Sol, em seu trajeto zodiacal, toca estas duas paralelas.

Antes que os graus se estabelecessem em seu atual simbolismo, este ponto no interior de um círculo era um símbolo incorporado a todas as representações pictóricas relacionadas com a maçonaria em geral e foi explicada nas Preleções do Primeiro Grau juntamente com outros símbolos afins. Ele aparece em nossos dias em algumas Tábuas de Delinear.

No livro Master Key de John Browne de 1802, são formuladas algumas perguntas  e respostas  na Primeira Preleção que abordam a posição do ponto no interior de um círculo:

A quem dedicamos a nossa Loja, já ornamentada, mobiliada e aparelhada?
- Ao rei Salomão.
Por que ao rei Salomão?
- Por ter sido ele o primeiro Grão Mestre que introduziu a Maçonaria em sua devida forma e, sob cujo patrocínio real muitos dos nossos mistérios receberam sua primeira sansão.
Como o rei Salomão era um hebreu muito tempo antes da era cristã, a quem ora dedicamos nossa Loja?
- A são João Batista
Por que São João Batista?
- Ele foi o precursor ou predecessor de nosso Salvador, que pregava o arrependimento entre as multidões e traçou a primeira linha do Evangelho por meio de Cristo.
Tinha ele algum igual?
- Sim, tinha: São João Evangelista.
Em que eram eles iguais?
- Este, tendo chegado após o outro, concluiu com zelo o que o outro iniciara por meio do seu Aprendizado e traçou uma linha paralela.
Qual o primeiro ponto da Maçonaria?
- O joelho esquerdo nu e dobrado.
No que consiste o primeiro ponto?
- Na posição ajoelhada me foi ensinado adorar meu criador e, sobre o meu joelho esquerdo nu e dobrado eu fui Iniciado na Maçonaria.
Existe algum ponto principal?
 - Sim, o de fazermos um ao outro felizes e transmitir aquela felicidade a outrem.
Existe algum ponto central?
- Sim, um ponto no interior de um círculo, do qual o Mestre e os Irmãos não podem materialmente errar.
Explicai este ponto no interior de um círculo.
- Em todas as Lojas regulares de franco maçons existe um ponto no interior de um círculo, ao redor do qual o Mestre e os Irmãos não podem materialmente errar. O círculo é limitado ao Norte e ao Sul, por duas linhas perpendiculares paralelas: a do Norte representa São João Batista, e a do Sul simboliza São João Evangelista. Nos pontos de cima destas linhas e no perímetro do círculo, está colocada a Bíblia Sagrada, sobre a qual se apoia a Escada de Jacó, que alcança as nuvens do Céu. Aí também estão contidos as Ordens e os Preceitos de um Ser infalível, Onipotente e Onisciente, de forma que enquanto estivermos em seu interior e obedientes a Ele, como foram São João Batista e São João Evangelista, seremos levados a Ele e não nos decepcionaremos e nem O frustraremos.

Portanto, ao nos mantermos assim circunscritos será impossível que venhamos a errar materialmente.

Temos aqui uma bela declaração de muito daquilo sobre o que a nossa Maçonaria foi fundada há muitos e muitos anos, embora muitos possam reverter as qualidades dos dois santos mencionados nesse trecho. É obvio que, tendo surgido num país cristão, a sua base religiosa, que transparece de maneira tão forte nesse trecho, esteja sob o enfoque da fé cristã.

Quando por volta de 1816, a Franco-Maçonaria se tornou não- sectária, foi feita uma tentativa de se alterar todas e quaisquer referências de conotação especificamente cristã. Essa passagem, em particular, foi consideravelmente modificada. As duas grandes paralelas se tornaram representativas de Moisés e do rei Salomão, sendo que toda essa passagem, em resultado, teve de ser bastante abreviada. A Bíblia se tornou o “Volume das Sagradas Escrituras”, não apenas nesta passagem, mas em todo o ritual.

Quando as preleções foram ponderadas, o Grão-Mestre então em exercício, o duque de Sussex, decretou que elas deveriam se basear no antigo sistema de tal como constam no Master Key de Browne.

Um dos livros de resumos das preleções de William Preston pertence ao Rev. L. D. H. Cockburne, que era o Grande Capelão entre 1817 e 1826 e membro da Lodge of Antiquity, a Loja de Preston, entre 1819 e 1822. Neste livro está inscrito um pequeno ensaio de uma sessão de uma preleção que trata da dedicação do Templo, no qual lemos:
Como é denominada nas Lojas esta dedicação?
- Por um ponto dentro de um Círculo, com dois pilares paralelos descritos como tangentes àquele círculo.
Por que?
- Como simbolizamos o Centro do Universo, o Divino Arquiteto, cuja bondade nós representamos no Sol, e pelos benefícios que desfrutamos de sua grandiosa luminosidade.
O que representa o círculo?
- O zodíaco está nele representado tal como o movimento descrito pelo sistema Solar para assinalar a limitada natureza das mais maravilhosas criaturas que contemplamos.
O que representam as paralelas?
- Os Trópicos, para nos lembrar do Ser Supremo que estabeleceu limites a todas as criaturas e delimitou o sistema planetário.

Estas são algumas das simbologias das Paralelas e o Ponto no Centro do Círculo: Ética, Desígnios de Deus, São João Batista e São João Evangelista, Moisés e Salomão, Os dois Solstícios e o Sol, O zodíaco e os Trópicos de Câncer e Capricórnio... Porém o assunto está longe de ser esgotado neste simples relato. É por isso que este símbolo tanto me fascina.

Francisco de ASSIS de GÓIS

Bibliografia:
O Simbolismo na Maçonaria – Colin Dyer
A História da Franco-Maçonaria – Jean Ferré

O Ofício do Maçom – Harry Carr 

segunda-feira, 29 de setembro de 2025

ENSAIO SOBRE O FANATISMO

A Luz está nos cegando?

Em nossos rituais, no cerimonial solene de abertura dos trabalhos, proclamamos com convicção várias palavras bonitas e cheias de moralidade da qual qualquer um se orgulha em dizer. Nos reunimos em loja para combater males como o obscurantismo, o fanatismo e os preconceitos. Todos os maçons sabem do que eu estou falando e estas não são meras palavras decoradas, mas um juramento perante o Volume da Lei Sagrada. É um compromisso com a Razão, com a Tolerância e, acima de tudo, com a construção de um mundo melhor.

No entanto, ao fecharmos o Livro da Lei e retornarmos ao mundo profano, quantos de nós, IIr, verdadeiramente vivemos esse preceito? Em um tempo de polarização extrema, onde o Brasil e o mundo se veem divididos entre “nós” e “eles”, é nosso dever, como MAÇONS, conduzir uma profunda e corajosa investigação de consciência.

As linhas a seguir não são críticas à política partidária, a direita ou esquerda, a Lula ou Bolsonaro, mas uma crítica aos próprios maçons e um alerta sobre o fanatismo – um vírus que corrói os alicerces de nossa sociedade e, preocupantemente, tem encontrado abrigo até mesmo dentro de nossos próprios Templos.

O que a Filosofia nos ensina sobre o fanatismo

Para combater um inimigo, é preciso primeiro conhecê-lo. E a filosofia ilumina a natureza sombria do fanatismo de forma magistral.

Eric Hoffer, em “O Verdadeiro Crente”, nos mostra que o fanático raramente é movido por um amor profundo por sua causa, mas sim por uma frustração pessoal e um vazio existencial. Ele busca escapar de seu “eu” insignificante fundindo-se em uma massa, em um movimento. O ódio a um inimigo comum – o outro lado político – é a cola que une esse grupo. O fanático não defende ideias; ele ataca aqueles que são diferentes.

Friedrich Nietzsche, com sua percepção afiada, identifica no fanatismo o sintoma do ressentimento. É a raiva do fraco contra o forte, a inveja daquele que, se sentindo impotente, nega os valores que não pode alcançar. A “certeza inabalável” do fanático, longe de ser sinal de força, é um grito de insegurança interior. Como Nietzsche alertou em “A Gaia

Ciência”, a ferocidade do fanático é frequentemente uma tentativa desesperada de calar suas próprias dúvidas.

Karl Popper, defensor da sociedade aberta, via o fanatismo como a antítese do pensamento crítico. O fanático opera uma lógica tribal e maniqueísta: o mundo é dividido entre o bem puro (o seu grupo) e o mal absoluto (os opositores). Não há espaço para debate, nuance ou autocrítica. A verdade já está estabelecida, e qualquer questionamento é visto como traição.

Por fim, Hannah Arendt, ao estudar o totalitarismo, demonstrou como o fanático substitui a realidade factual pela ficção ideológica. Ele vive em um universo paralelo, onde fatos são ignorados ou distorcidos para se encaixar na narrativa do grupo. A lógica interna do movimento torna-se mais real do que a própria realidade.

O trágico e brutal assassinato do influenciador político americano Charlie Kirk é um exemplo extremo e horrendo desse fenômeno. As manchetes globais noticiaram a morte de Kirk baleado na frente de uma multidão, entre eles, suas filhas e esposa assistiam a tudo de camarote, tudo filmado e as imagens correram o mundo.

O tiro foi dado por Tyler Robinson, um suposto extremista de esquerda. As investigações revelaram mensagens do suspeito confessando o crime à namorada, motivado por um ódio ideológico profundo.

O pior de tudo são os comentários de pessoas dizendo que ele merecia esse destino, por suas ideias que não condizem com as dessas pessoas.

Outros comentários não menos assustadores, são de pessoas que defendiam as ideias de Kirk que desejam o mesmo destino as pessoas que eram contra as ideias dele.

Este episódio é um alerta global. Mostra a culminância do processo de desumanização do outro. Charlie Kirk não era visto por seu algoz como um ser humano com família, amigos e convicções. Ele era apenas um símbolo, uma abstração a ser eliminada em nome de uma causa. É a materialização do pensamento maniqueísta: “Se você não é por nós, é contra nós, e merece ser destruído”.

É profundamente paradoxal e trágico que isso tenha partido de alguém que, supostamente, estaria inserido em um espectro que prega amor, igualdade e liberdade. Isso nos prova uma lição crucial:

O fanatismo não tem ideologia.

Ele é uma patologia da mente, um método de pensamento que pode corromper qualquer causa, por mais nobre que seus princípios originais possam ser. O fanatismo de esquerda que prega o extermínio do opositor é tão doente e condenável quanto o fanatismo de direita que faz o mesmo. Ambos são a face da mesma moeda: a irracionalidade.

O fanatismo entre Colunas: uma hipocrisia à prova do mundo profano

E nós, maçons? Estamos imunes a esse vírus?

Quantos de nós, após as sessões ritualísticas onde pregamos a fraternidade universal, acessamos nossas redes sociais para compartilhar notícias falsas, discursos de ódio, e xingar, diminuir e até desejar a morte àqueles que pensam diferente? Quantos de nós vemos um Irmão que vota em “A” ou “B” e, secretamente, questionamos não suas ideias, mas seu caráter, sua honra ou seu direito de ser maçom?

Esta é a grande hipocrisia que precisamos combater. Ser maçom não é sobre em quem você vota. É sobre como você pensa, debate e convive com a divergência. O fanatismo político dentro da Maçonaria é um OXÍMORO, uma contradição em termos. Ele vai contra tudo o que juramos defender:

  • Contra a Tolerância: O fanático não tolera; ele apenas suporta até que possa eliminar a divergência.
  • Contra a Razão: O fanático rejeita fatos e lógica em favor de dogmas e narrativas.
  • Contra a Fraternidade: Como pode haver fraternidade com quem você deseja morto, preso ou exilado?
  • Contra a Liberdade de Pensamento: O fanático quer liberdade apenas para suas próprias ideias, nunca para as dos outros.

Ao agirmos assim, não estamos apenas falhando como cidadãos; estamos falhando como maçons. Estamos profanando nossos próprios juramentos. O mundo profano está inundado de ódio. A Maçonaria deve ser o último bastião do diálogo racional, o Templo onde Colunas de força sustentam um teto de tolerância, onde podemos discordar com veemência, mas sempre nos lembrar de que do outro lado da trincheira ideológica está um Irmão, um igual, um ser humano.

Considerações finais

O combate ao fanatismo não é um dever abstrato. É uma batalha diária, interna e externa. Começa com um exame de consciência individual:

  1. Autocrítica: Eu me informo por fontes diversas ou vivo em uma bolha que só confirma meus vieses?
  2. Humanização: Eu consigo enxergar a pessoa por trás da opinião política? Consigo debater sem desrespeitar?
  3. Dúvida: Tenho a humildade de duvidar das minhas próprias certezas? Lembro-me de que a busca pela verdade é eterna e nunca está completa?
  4. Ação: Na minha Loja, eu promovo o diálogo ou o conflito? Corrijo um Irmão quando ele profere um discurso de ódio, independente de ser do “meu” ou do “outro” lado?

O antídoto maçônico para o fanatismo é a aplicação prática de nossas ferramentas simbólicas: o Esquadro da Retidão e da Razão, o Nível para agir com equidade; o Compasso que delimita nossas paixões e nos mantém dentro dos limites do respeito; e o Malho que, com persistência e junto ao Cinzel que é o direcionamento, deve desbastar a pedra bruta de nosso próprio fanatismo interior.

Devemos honrar nossos juramentos. Não apenas recitá-lo em Loja, mas vivê-lo no mundo. Devemos ter tolerância e viver a verdadeira fraternidade em meio à tempestade do ódio. construir pontes, não muros; a semear o diálogo, não o ódio; e a lembrar que, acima de tudo, somos Irmãos.

Autor: Aislan Fabrício Nunes da Silva Pansardis

*Aislan é membro da ARLS Templários da Paz, n° 3969, Oriente de São José dos Campos-SP.

Bibliografia

  • H. ARENDT, As origens do totalitarismo. Tradução de Roberto Raposo., São Paulo: Companhia das Letras, 1989.
  • F. W. NIETZSCHE, A gaia ciência. Tradução, notas e posfácio de Paulo César de Souza, São Paulo: Companhia das Letras, 2001.
  • F. W. NIETZSCHE, Além do bem e do mal: prelúdio a uma filosofia do futuro. Tradução, notas e posfácio de Paulo César de Souza, São Paulo: Companhia das Letras, 1992.
  • F. W. NIETZSCHE, Humano, demasiado humano: um livro para espíritos livres. Tradução de Paulo César de Souza, São Paulo: Companhia das Letras, 2000.
  •  K. R. POPPER, A sociedade aberta e seus inimigos. Tradução de Milton Amado, Belo Horizonte: Editora da Universidade de São Paulo, 1987.
  •  “Charlie Kirk: o que sabemos sobre as investigações do assassinato,” [Online].                       
  • Available: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/charlie-kirk-o-que- sabemos-sobre-as-investigacoes-do-assassinato/. [Acesso em 17 09 2025].
  •  J. FUCS, “A turma do ‘amor’ e o assassinato de Charlie Kirk,” Gazeta do Povo, [Online]. Available: https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/jose-fucs/a-turma-do- amor-e-o-assassinato-de-charlie-kirk/.  [Acesso  em  17  092025].
  • E. HOFFER, O verdadeiro crente: pensamentos sobre a natureza dos movimentos de massa

 

 

quinta-feira, 25 de setembro de 2025

A MAÇONARIA E AS COLUNAS ZODIACAIS


O ser humano tem buscado ao longo dos tempos, respostas para os mistérios da vida de várias formas, desde a observação dos fenômenos naturais, na tentativa de reprodução desses mesmos fenômenos, do exercício para a compreensão dos fatos formulando hipóteses, teorias e leis.

Antigamente, o homem não dispunha de metodologia científica e para não se sentir distante da compreensão dos mistérios do universo e da verdade absoluta, lançou-se a especulação, trabalhando o incompreensível e o imponderável. Por meio do Misticismo, o homem começou a se aproximar das respostas que queria no aspecto intelectual e espiritual.

O estudo dos corpos celestes e de suas influencias sobre o planeta Terra e os seres humanos, por meio da Astrologia, é um dos grandes exemplos da união de limites imprecisos, entre ciência e o misticismo.

Embora a Maçonaria moderna seja baseada em ideias iluministas, liberais, progressistas e normalmente vinculadas ao uso da razão, na busca da verdade absoluta, ela utiliza em seus rituais, na sua simbologia e na sua estrutura filosófica e doutrinária, padrão místico de diversas seitas, religiões e civilizações antigas.

O estudo das colunas zodiacais torna-se fascinante quando tentamos entender a sua simbologia, expressada por meio de figuras e imagens provenientes de vários povos, relacionando de maneira extraordinária o cosmos, o homem e a Maçonaria. Os signos zodiacais são originários da babilônia, mas os egípcios desenvolveram magnífico trabalho de representação zodiacal.

Os chineses também representaram as constelações por meio de imagens de animais. O registro mais antigo que se tem de astrologia está no livro de Jô, o mais antigo Canon Hebreu, anterior ao de Moisés, que fala dos 12 signos e prova que os primeiros fundadores da ciência zodiacal pertenciam a um povo primitivo, antediluviano.

Os povos sumerianos e babilônicos criaram a astrologia, os egípcios deram base científica e os árabes, no período medieval, salvaram-na do total desaparecimento. Pode-se imaginar que tudo começou em tempos imemoriais, quando o homem, em vigília a zelar pelos rebanhos, observava os corpos celestes no firmamento intrigando-se com os seus regulares movimentos.

Percebeu então que, lenta e regularmente, os astros mudavam de posição em relação ao nascer do Sol, e que, depois de determinado tempo, voltavam com absoluta regularidade ao mesmo ponto no firmamento. Não pode deixar de observar que o nascimento helíaco de certos grupos de estrelas se repetia em períodos coincidentes, com determinados acontecimentos importantes de sua vida, como o nascimento de crias nos rebanhos, a recorrência regular de épocas de chuva, a germinação de culturas sazonais, e outros fatos de sua vida repetitiva de pastor-agricultor.

Sentiu então a necessidade dememorizar e registrar esses fatos astronômicos que começavam a se tornar importantes para orientação de suas atividades.

Quando um determinado grupo de estrelas precedia o nascer do Sol era hora de plantar, ou era hora de transferir os rebanhos para outras pastagens, ou era hora de tosquia, ou era hora de colher, ou era tempo de cio entre os animais e era preciso acasalá-los, ou vinha o tempo de nascimentos em sua família.

Foi uma consequência inevitável, que aos poucos ele tentasse melhor identificar esses tão importantes grupos de estrelas com nomes próprios, que naturalmente se relacionavam com suas atividades.

Recorrer ao nascimento helíaco, como ponto de referência, foi um passo inicial importante, foi a descoberta de um referencial, foi o início da marcação e medição do tempo. Nascimento helíaco de um astro é o seu aparecimento logo acima do horizonte, imediatamente antes do nascer do Sol. Assim, os grupos de estrelas referenciais de tempo foram recebendo nomes, tirados da vida quotidiana daqueles primeiros astrônomos.

Esses nomes nada tinham a ver com a formação característica dos conjuntos estelares. Eram simples nomes apenas, nada relacionados com poderes mágicos e premonições.

O zodíaco, que em grego significa ciclo dos animais, é uma faixa celeste imaginária, que se estende entre 8 a 9 graus de cada lado da eclíptica e que com essa coincide. Eclíptica é o caminho que o Sol, do ponto de vista da Terra, parece percorrer anualmente no céu.

Essa faixa foi dividida em 12 casas de 30 graus cada uma, e o Sol parece caminhar 1 grau por dia. Os planetas, conhecidos na antiguidade (Mercúrio a Saturno), também faziam parte do zodíaco, pois suas órbitas se colocavam no mesmo plano da órbita da Terra.

O zodíaco então é dividido em doze constelações, que são percorridas pelo Sol, uma vez por ano. A maior evidência de que os nomes das constelações que formam o nosso zodíaco tiveram uma origem, conforme descrito anteriormente, está na sua relação com a vida pastoril. Podemos classificar os signos do Zodíaco em grupos de três formando quatro categorias distintas:

I)             Os três reprodutores de seus rebanhos: Touro, Capricórnio (bode), Áries (carneiro).

II)            Os três inimigos naturais dos rebanhos e dos pastores: Leão, Escorpião, Câncer (caranguejo).

III)          III) Os três auxiliares mais importantes dos pastores: Sagitário (defensor, arqueiro), Aquário (aguadeiro ou carregador de água), Libra (pesador e sua balança).

IV)          Os três mais destacados valores sociais da comunidade pastoril: Virgem, Gêmeos (benção dos Deuses), Peixes (alimentação).

No sempre presente afã humano de mistificar tudo o que não conhece ou não consegue explicar, já desde remota antiguidade começaram os homens a cercar de mistério as constelações do zodíaco, atribuindo-lhes poderes místicos e premonitórios e assim, creditando aos astros seus sucessos e infortúnios.

Um dos ramos dessa cultura mística, mediante observação de reis e pessoas, procurou determinar uma relação entre o dia do nascimento da pessoa e seu caráter.

O processo empírico com que foi desenvolvido o sistema partiu do que se conhecia do homem em sentido moral, ético, beleza, força, determinação, para conectá-lo à posição dos astros. Uma espécie de engenharia reversa, que parte do resultado para lhe determinar fonte ou origem.

Assim originaram-se os diversos métodos astrológicos, cujo objetivo era decifrar a influência dos astros no curso dos acontecimentos terrestres e na vida das pessoas, em suas características psicológicas e em seu destino, explicar o mundo e predizer o futuro de povos ou indivíduos.

O mais famoso de todos, segundo especialistas, foi o sistema dos astecas. Com isso, se influenciou o povo em ver nas previsões dos astrólogos a delineação de rumos para as suas vidas, a semelhança que se dava aos fenômenos naturais influenciáveis pelas linhas de força da gravitação universal.

As colunas zodiacais num Templo maçônico do Rito Escocês Antigo e Aceito são doze. Servem como símbolos de demarcação do caminho do homem Maçom em desenvolvimento. Localizam-se todas no ocidente e são sinais do crescimento do aspecto material, moral e ético do Iniciado, que durante sua jornada transcende em sua religião com a divindade. São seis em cada lado, normalmente engastadas nas paredes e sempre na mesma ordem.

Constituem mais da metade de toda a decoração da Loja. Suas representações gráficas apresentam misturas dos quatro elementos místicos estudados por Aristóteles da Grécia antiga e sete astros. Os Rituais maçônicos usam os signos, sinais do zodíaco, em sentido simbólico, não falam em horóscopo, ou em diagrama das posições relativas dos planetas e dos signos zodiacais num momento específico, como o do nascimento de uma pessoa, ou com a intenção de inferir o caráter e os traços de personalidade e prever os acontecimentos da vida de alguém, ou um mapa astral, ou mapa astrológico.

O homem livre não carece disso quando estuda e evolui. Na filosofia maçônica, as colunas zodiacais são apenas símbolos para estudo, destituídas da atribuição de aspectos da predição do comportamento do homem.

É fácil deduzir que sua existência no Rito Escocês Antigo e Aceito tem finalidade educacional, parte de uma metodologia pedagógica específica à semelhança de outros símbolos e ferramentas.

As colunas zodiacais, representadas no Templo, são colunas da ordem jônica tendo, cada uma, sobre seu capitel, o pentatlo correspondente (pentatlo é a representação de cada signo com o planeta e o elemento que o caracteriza).

As colunas são postadas longitudinalmente junto às paredes, sendo seis ao Norte e seis ao Sul. A sequência das colunas é de Áries a Peixes, iniciando-se com Áries, ao norte, próxima à parte  Ocidental, e terminando com Peixes, ao Sul, também próxima à parte Ocidental. Os signos zodiacais relacionados com o Grau de Aprendiz Maçom são: Áries, Touro, Gêmeos, Câncer, Leão e Virgem.

O signo zodiacal relacionado com o Grau de Companheiro é Libra; e os inerentes ao Grau de Mestre Maçom são os signos de Escorpião, Sagitário, Capricórnio, Aquário e Peixes. Acompanhe cada um da sua representatividade:

Em nosso Templo temos a seguinte disposição Zodiacal: Venerável Mestre: Sol, 1º Vigilante: Netuno, 2º Vigilante: Urano, 1º Experto: Saturno, Orador: Mercúrio, Secretário: Vênus, Tesoureiro: Marte, Mestre de Cerimônias: Lua

 Coluna nº 1: ARIES – Mês: abril, Masculino, Planeta Marte, Elemento fogo. Corresponde à cabeça e o cérebro de Benjamim, representa o Aprendiz, o fogo interno encontrado no Candidato à procura de Luz.

Coluna nº 2: TOURO – Mês: maio, Feminino, Planeta Vênus, Elemento Terra. Corresponde ao pescoço e à garganta. Representa fecundação, simboliza o candidato admitido nas provas de Iniciação.

Coluna nº 3: GÊMEOS – Mês: junho, Masculino, Planeta Mercúrio, Elemento Ar. Corresponde aos braços e às mãos, dos Irmãos Simeão e Levi, a faculdade intelectual, a união e a razão simbolizam o recebimento da luz pelo candidato.

Coluna nº 4: CÂNCER – Mês: julho, Feminino, Corresponde a Lua, Elemento Água. Representa o nascimento, simboliza a instrução do Iniciado. Corresponde aos órgãos vitais respiratórios, digestivos, é Zabulão, representa o equilíbrio entre o material e o intelectual.

Coluna nº 5: LEÃO – Mês: agosto, Masculino, Corresponde ao Sol, Elemento Fogo. Corresponde ao coração, centro vital da vida física é Judá. O Aprendiz busca a luz que vem do Oriente, é o calor dos Irmãos dentro da Loja.

Coluna nº 6: VIRGEM – Mês: setembro, Feminino, Planeta Mercúrio, Elemento Terra. Corresponde às funções do organismo. É Ascher, representa, para o Aprendiz, o aperfeiçoamento, a dedicação no desbastamento da Pedra Bruta.

Coluna nº 7: LIBRA – Mês: outubro, Masculino, Planeta Vênus, Elemento o ar. Refere ao Grau de Companheiro Maçom. Simboliza o equilíbrio entre as forças construtivas e destrutivas. Assim diz o Senhor: - “Se puderem ser medidos os céus, lá em cima, e sondados os fundamentos da terra, cá embaixo””

A partir dessa coluna ESCORPIÃO até a coluna de PEIXES, todas se referem ao Grau de Mestre Maçom.

Coluna nº 8: ESCORPIÃO – Mês: novembro, Feminino, Planeta Marte, Elemento água. Representa as emoções e sentimentos poderosos, a constante batalha contra as imperfeições.

Coluna nº 9: SAGITÁRIO – Mês: dezembro, Masculino, Planeta Júpiter, Elemento fogo, representa a mente aberta e o julgamento crítico.

Coluna nº 10: CAPRICORNIO – Mês: janeiro, Feminino, Planeta Saturno, Elemento Terra. Simboliza a determinação e a perseverança.

Coluna nº 11: AQUÁRIO – Mês: fevereiro, Masculino Planeta Saturno, Elemento Ar. Representa o sentimento humanitário e prestativo.

Coluna nº 12: PEIXES – Mês: março, Feminino, Planeta Júpiter, Elemento Água. Simboliza o desprendimento das coisas materiais. Referências

Bibliográficas:

1. Do Meio Dia a Meia Noite. João Ivo Girardi - Ed. 2008;609.

2. Cadernos de Estudos Maçônicos nº 27 / Ambrósio Peters – Editora Maçônica “A Trolha” Ltda. 1996

3. Cadernos de Pesquisas Maçônicas nº 13 / Encontro Nacional “Loja Fraternidade Brazileira de Estudos e

Pesquisas”

– Editora Maçônica “A Trolha” Ltda. 1996

4. Maçonaria e Astrologia “As Colunas Zodiacais” / José Castellani – Revista “A Trolha” Ltda. Novembro

1995

5. As Colunas Zodiacais / Robson Papaleo – Revista “A Trolha” Ltda.

Irmão Marco Aurélio Bertoli

Loja “Acácia Riosulense” nº 95 - Rio do

Sul – SC


domingo, 21 de setembro de 2025

O RITUAL DAS VELAS


 

O uso de acender luzes nas religiões e nas sociedades iniciáticas para clarear o local em que se realizam tais cerimónias é antiguíssimo. É preciso, no entanto, não confundir a iluminação geral, prática ou ornamental, com iluminação Litúrgica ou mística.

Assim, enquanto a iluminação normal pode ser elétrica ou de qualquer ordem, a litúrgica ou maçônica só pode ser de Vela de cera branca, amarela ou na cor exigida pelo cerimonial.

O número de velas a serem usadas na Maçonaria, depende do grau em que se vá trabalhar.

No grau de APRENDIZ, o Venerável Mestre e os dois Vigilantes deveriam ter cada um, um candelabro sobre o seu altar. No grau de COMPANHEIRO, o orador e o secretário igualmente e no grau de MESTRE, o tesoureiro e o chanceler também.

Antes da abertura dos trabalhos, o Venerável Mestre deve ter a sua vela acesa para que no decorrer da abertura dos trabalhos, ele “dê à luz aos Vigilantes”, que munidos das suas velas juntamente com o Venerável Mestre vêm acender as do altar dos juramentos e os que lhes são destinados numa ritualística toda especial.

Existem assim seis luzes dentro do templo: três no mundo dos arquétipos e três no mundo realizado. Mas para respeitar o simbolismo tradicional, deveriam ser acesas primeiro as velas do altar dos juramentos, e que o Venerável Mestre e os Vigilantes viessem cada um tomar a luz em candelabro respectivo, visto que serem estes oficiais, o reflexo do mundo dos arquétipos.

Pela lógica, as velas do altar, deveriam ser acesas antes dos Irmãos entrarem no templo e apagadas somente após a saída deles, para que a energia que emana dos mesmos permanecesse ali todo o tempo.

Seria desejável que todas as Lojas compreendessem e adotassem este simbolismo, seria nitidamente acentuada a transcendência do simbolismo maçónico.

Todas as Lojas deveriam usar velas e não luz eléctrica, porque não produzem os mesmos efeitos; dão luz, mas não FOGO (um dos quatro elementos simbolizado no signo de Áries- o jovem fogo) que é o 4o elemento da natureza.

Compreende-se muito pouco o significado do fogo nas cerimônias maçónicas. Uma vela acesa com ritualística equivale a uma oração e atrai sempre do GADU fluxos de energia positiva.

Contudo a luz eléctrica é admissível para a estrela Flamígera e a estrela de iniciação, cujo efeito e simbolismo é somente “luz”, (que se lhe dê a luz)

Uma das razões pela qual os antigos maçons usavam nas suas iniciações a vela de cera de abelhas é porque simbolicamente a abelha se traduz por trabalho, justiça, atividade e esperança.

A vela também apresenta um simbolismo ternário, qualificado pela igreja como sendo a Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo. Cera o Pai, pavio o Filho e a chama o Espírito Santo ou a Sublimação espiritual: Corpo, Alma e Espírito.

A luz física é o emblema da luz espiritual. A vela incandescente dos altares medievais e das antigas corporações, têm a ideia de consagração e a de promover a guarda dos votos de gratidão por graças recebidas; porque a chama da vela é viva e é ritual ao passo que a luz elétrica tem sempre algo de artificial. Por esta razão o uso de vela de cera na Maçonaria tem a sua origem nas antigas ordens iniciativas e de alquimias.

Sabe-se, porém, que os Maçons ingleses do século XVIII acendiam velas litúrgicas sobre grandes candelabros, e os Maçons “modernos” da época consideravam-na as três grandes luzes da loja porque mostravam as três principais posições do sol durante o seu percurso diário. Já os antigos Maçons, admitiam as três velas apenas como as pequenas luzes, isto é, o Venerável Mestre, 1o e 2o Vigilantes e chamavam de grandes luzes o Livro Sagrado, o Esquadro e o Compasso.

Acredita-se que as velas foram introduzidas na Maçonaria especulativa primitiva por Cabalistas. Sabe-se que nunca era iniciada uma cerimônia cabalística sem o prévio acendimento de três velas rituais.

Tomando-se em consideração o caráter sagrado que a Maçonaria empresta às velas, pelo simbolismo transcendente com que foram revestidas, existe uma ritualística tanto para acendê-las, como para apagá-las.

Não é difícil manter esta ritualística; é necessário apenas manter certos cuidados: Jamais acender as velas, dentro de um templo, com isqueiro, fósforos ou com qualquer outra substância que produza mau cheiro e fumaça com fuligem.

  • a maneira correta é acender uma vela intermediária, transmitindo o “fogo” com o seu auxílio (devendo a chama como a vela em si mesma ser conservada PURA).

Da mesma forma toma-se necessário tomar outras precauções quando se vai apagar as velas:

  • Nunca se deve soprar a chama. Ela deve ser extinta com um apagador próprio ou ser esmagada com o malhete, porque as velas dentro de um Templo Maçônico não são um mero detalhe do ritual. Elas representam o FOGO SAGRADO, símbolo do GADU, e para acendê-las, segue-se a uma sequência ritualística e simbólica; acendendo-se primeiro a que representa o Venerável Mestre, e seguir a correspondente ao 1o Vigilante e finalmente a do 2o Vigilante e para apagá-las segue-se a ordem inversa: 2o Vigilante, 1° Vigilante e por último Venerável Mestre. E para que os fluidos benéficos advindos do GADU, através do fogo da vela permaneça no templo, mantendo as irradiações positivas até a próxima sessão.

Todos os Irmãos deverão deixar o templo em silêncio absoluto, para não quebrar a Magia da Omnipresença Divina.

Anésio Tambosi – ARLS Luz do Oriente – Itajaí-SC

 

 

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