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quinta-feira, 14 de julho de 2011

O RITO ESCOCÊS ANTIGO E ACEITO



1.Preliminares

Preleção sobre tese, antítese e síntese.
Comentários de Luis Umbert Santos in Historia Del Rito Escoces, Antiguo y Aceptado.

2. Maçonaria

Há cerca de 950.000 anos antes de Jesus Cristo, na antiga Lemúria, surgiu a primeira sociedade espiritualista do globo, denominada "Adoradores de Mu", ou seja Adoradores do Supremo, que funcionava como a Maçonaria que conhecemos, podendo ser considerada a raiz de nossa poderosa e intelectual Instituição, segundo palavras ditadas pelo mestre Shebna.

Cem mil anos depois continua esse grande mestre da espiritualidade, em 850.000 a. C., foi fundado o Grande Círculo Branco, na antiga Atlântida, prosseguindo arregimentando obreiros e funcionando também nos moldes da sociedade anterior com uma parte Iniciática e outra profana, isso na ilha chamada Possidônia.

Para as nossas considerações, é necessário que mencionemos a existência, em 1376, da "London Company of Masons and Freemasons" (Companhia dos Pedreiros e dos Trabalhadores de Pedra de Londres), porque foram nas ilhas Britânicas que se verificou a transição entre agremiações profissionais e a Maçonaria.

A respectiva agremiação começou a aceitar membros não-profissionais. Consta que o primeiro deles foi o aristocrata John Boswell, da Escócia, em 1600.

No século seguinte, em 1705, já na fase especulativa (ou seja, a fase dos não-profissionais), algumas lojas Maçônicas de York estabeleceram normas vinculadoras, mas os Maçons de Londres foram ainda mais longe, quando, em 1717, exatamente em 24 de junho na "Goose and Gridiron Tavern" (Taverna do Ganso e Grelha) sob a assessoria de James Anderson, líder da Igreja Presbiteriana, fundaram a primeira Potência Maçônica do mundo, a "Grand Lodge of London" (Grande Loja de Londres). O fidalgo Antony Sayer foi escolhido Grão-Mestre (presidente), o carpinteiro Jacob Lambdall foi escolhido primeiro vice-presidente e o capitão Joseph Elliot foi escolhido segundo vice-presidente.

3. Ritos
Preleção sobre a característica de alguns ritos praticados no Brasil.
Rito Escocês antigo e Aceito
O Rito Escocês Antigo e Aceito nasceu na Franca, como "O rito dos Stuart, da Inglaterra e da Escócia" tendo sido a primeira manifestação maçônica em território francês (1649), antes mesmo da fundação da Grande Loja de Londres (1717).

Desde a criação da Grande Loja de Londres em 1717, apareceram na França dois ramos distintos da Maçonaria. Um dependente da Grande Loja de Londres e outro (escocês) autônomo que não estava ligado a nenhum sistema obediencial. Viviam sob o antigo preceito maçônico de que os maçons tinham o direito de constituir lojas sem prestar contas de seus atos a uma autoridade ou poder supremo (O Maçom Livre na Loja Livre).

As Lojas Escocesas eram maioria, na França. Até 1766, somente três Lojas, entre as 487 Lojas existentes, tinham patente da Grande Loja de Londres.

Em 1758 criou-se, no escocesismo, os altos graus, 25 graus do chamado Rito de Héredom, que, no entanto só foi plenamente estabelecido em 31 de maio de 1801 com a fundação em Charlston, Estados Unidos, do primeiro Supremo Conselho do Mundo do chamado Rito Escocês Antigo e Aceito. Até então, Heredom, Francês, dos Stuart, Escocês e outros.

Os principais pontos da Doutrina do Rito Escocês Antigo e Aceito estão contidos nas instruções dos três Graus Simbólicos.
Embora existam variações de Obediência para Obediência e de país para país, as linhas mestras de doutrina estão sempre presentes e podem servir para os ensinamentos em qualquer parte do mundo.

Destacamos. "A maçonaria é uma associação íntima de homens e mulheres escolhidos, cuja doutrina tem por base o Grande Arquiteto do Universo, que é Deus; como regra a lei Natural; por causa a Verdade, a Liberdade, a Fraternidade e a Caridade; por frutos a Virtude, a Sociabilidade e o Progresso; por finalidade a felicidade de todos os povos, que ela procura, incessantemente, reunir sob sua bandeira de Paz. Assim, nunca deixará a Maçonaria de existir no gênero humano."

O nome Rito Escocês Antigo e Aceito foi anunciado para o mundo maçônico após a criação do primeiro Supremo Conselho em Charleston, Estados Unidos, em 31 de maio de 1801.

Em 4 de dezembro de 1802, uma circular levou ao conhecimento dos maçons, principalmente europeus, a criação do Conselho-Mãe em Charleston, na Carolina do Sul, denominado Supremo Conselho dos Soberanos Grandes Inspetores Gerais, 33º e último Grau do Rito Escocês Antigo e Aceito.

5. A cor púrpura do REAA (segundo o Ir.´. José Castellani, em pesquisa gentilmente oferecida pelo Ir.´. Gershon)

A cor púrpura, principal do Rito Escocês Antigo e Aceito é uma decorrência de suas origens mais remotas, no século XVII, na França, e da aristocratização que lhe foi imposta, a partir do segundo quartel do século XVIII, também na França.

Na realidade, os primeiros agrupamentos maçônicos de feição moderna dos maçons Aceitos na França surgiram na esteira do séquito dos Stuarts, a partir de 1649, quando Henriqueta de França, viúva do rei stuartista inglês Carlos I, que fora preso e decapitado após a vitória da revolução puritana de Oliver Crommwell, aceitava, do Rei-Sol, Luis XIV, asilo no castelo de Saint-Germain-en-Laye. 

E haveria um sensível aumento desses agrupamentos, a partir de 1688, quando da segunda queda dos Stuarts, com Jaime II, depois da restauração de 1660; nessa segunda queda, novamente, o asilo político seria em Saint-Germain, concedido pelo mesmo Luís XIV. Os Stuarts, que, a partir do século XIV, com Alan Fitzflaald, haviam ocupado os tronos da Escócia e da Inglaterra, eram reis católicos e os seus seguidores, os jacobitas, eram chamados de "escoceses", por sua feição partidária stuartista e não pela sua origem nacional.

Já com um grande contingente maçônico desse sistema "escocês", na França, um cavalheiro escocês, André Michel de Ramsay, que havia sido corrido da Escócia, por querer implantar graus cavalheirescos na Maçonaria, produziu um discurso, em 1737, onde ele pretendia demonstrar o seu agradecimento, por ter passado de plebeu a nobre, depois de se tornar cavaleiro da Ordem de S. Lázaro. E nesse discurso, que não lhe foi possível pronunciar, por proibição do cardeal Fleury, mas que foi publicado no ano seguinte, ele procura ligar as origens da Franco-Maçonaria aos reis e príncipes das Cruzadas. 

Embora isso fosse apenas uma fantasia, o certo é que renderia frutos duradouros, a partir de 1758, quando foi fundado, em Paris, o Conselho dos Imperadores do Oriente e do Ocidente, ou Soberana Loja Escocesa de S. João de Jerusalém. A partir desse momento, o sistema se tornava aristocratizado com o Rito de Héredom ganhando a América do Norte, onde teria a sua roupagem definitiva , a partir de 31 de maio de 1801, com a fundação, em Charleston, por onde passa o paralelo 33 da Terra, na Carolina do Sul, do primeiro Supremo Conselho do Rito Escocês  dos Maçons Antigos e Aceitos.

O que importa considerar, nesse apanhado bastante superficial dos primórdios do Rito, são os dois dados principais:  
1. o Rito nasceu no catolicismo;
2. o Rito foi aristocratizado.

O catolicismo possui cinco cores litúrgicas: branca, negra, verde, roxa e vermelha. Destas, a mais importante é a VERMELHA, que é a cor do sangue e o símbolo da efusão do sangue por amor; por isso é a cor dos mártires da Igreja, usada durante as celebrações em homenagem a esses mártires. Além disso, ela é a cor que distingue a alta dignidade cardinalícia; os cardeais, que, na hierarquia mundana, correspondem aos príncipes, usam o chapéu ou solidéu vermelho e a faixa vermelha, como sinal de sua distinção.

E a cor da nobreza, da realeza, também é a vermelha. Todos os antigos reinantes, ao assumir o trono, recebiam, sobre os ombros, um manto vermelho; famosa é a púrpura imperial, com que os imperadores romanos, os Césares, eram revestidos, quando de sua ascensão ao trono imperial. A própria púrpura cardinalícia, já referida, é um sinal de nobreza dos príncipes da Igreja.

Estabelecida a origem da cor vermelha no Rito Escocês Antigo e Aceito, podemos, então, lançar os olhos sobre as instruções e resoluções do rito, antigas e modernas:

Havendo necessidade, na segunda metade do século XIX, de tomar algumas medidas que tornassem consensual a prática do Rito Escocês Antigo e Aceito, inclusive no que se referia à cor do rito e aos aventais, embora estes, em todas as instruções anteriores, fossem orlados de vermelho, realizou-se em Lausanne, em 1875, um Congresso de Supremos Conselhos, que, em relação, especificamente, ao tema em pauta, resolveu:

1. O avental terá dimensão variável de 30/35 cm. por 40/45 cm. ;
2. O avental do Aprendiz Maçom é branco, de pele de carneiro, com abeta triangular levantada e sem nenhum enfeite;
3. O avental do Companheiro Maçom é branco, com a abeta triangular abaixada, podendo ter uma orla vermelha;
4. O avental do Mestre Maçom é branco, com a abeta triangular abaixada, orlado e forrado de vermelho, tendo, no meio, também em vermelho, as letras M e B;
5. O avental é o símbolo do trabalho e lembra, ao obreiro, que ele deve ter uma vida laboriosa;
6. A cor do Rito Escocês Antigo e Aceito é a vermelha.

Alguns autores questionam as resoluções de Lausanne, porque este Congresso reuniu poucos participantes. Ora, como em qualquer sociedade, os ausentes, que deixam de atender ao chamamento, devem  aceitar o que os presentes decidirem.

Mas, alem disso, aí estão rituais e instruções anteriores e posteriores à Convenção de Lausanne, mostrando qual é, na realidade a cor do Rito. Para ficar só nos nacionais, podemos citar os seguintes trechos, de publicações anteriores a 1875:

"As paredes do templo, cortinas, mesas, docel, etc., são forradas de encarnado no rito escocês e de azul nos ritos moderno e adoniramita; nestes dois últimos, os galões e franjas dos paramentos devem ser de prata ou de fazenda de cor branca, e no primeiro, de ouro" (Guia dos Maçons Escoceses, ou Reguladores dos Três Graus Simbólicos do Rito Antigo e Aceito, do Grande Oriente Brasileiro - Rio de Janeiro - 1834 - página 46

"Grau 3o. - Fita azul orlada de escarlate a tiracolo da esquerda para a direita, suspensa em baixo a  jóia, que é um esquadro e um compasso de ouro entrelaçados. A jóia pode ser cravejada de pedras. Avental branco de pele forrado e orlado de escarlate, com uma algibeira abaixo da abeta, sobre a qual estão bordadas as letras M.: B.:"

"O encarnado é o característico do escossismo" (Regulador Geral do Rito Escocês Antigo e Aceito para o Império do Brasil - Rio de Janeiro - 1857 - pag. 46) --- os grifos são meus. O mesmo regulador, na mesma página, para estabelecer as diferenças com os outros dois ritos então praticados no país, Moderno e Adoniramita, destacam que, para esses ritos "o azul é o característico, razão porque são estes dois ritos chamados azuis” (os grifos são meus).  "A Loja é decorada com estofo ou tapeçaria encarnada" (Manual Maçônico ou Cobridor dos Ritos Escocês Antigo e Aceito e Francês ou Moderno - 4 a. ed. - Rio de Janeiro - 1875 - pag. 1)

"No Oriente há um docel de estofo encarnado com franjas de ouro" (no mesmo Manual Maçônico - pag. 2) --- os grifos são meus. "Avental branco,forrado e orlado de encarnado, com uma algibeira por baixo da abeta. No meio do avental estão pintadas ou bordadas em encarnado as letras M.: B.: (no mesmo Manual Maçônico - pag. 11)

Como se pode ver, portanto, o Congresso de Lausanne não fixou novas regras; ele, apenas, regulamentou os costumes já vigentes, desde os primórdios do rito.
Posterior a 1875, pode-se citar, pelo menos, uma publicação brasileira, que confirma a  resolução de Lausanne:

 "Fita azul, orlada de escarlate, a tiracolo da esquerda para a direita, suspensa em baixo a jóia, que é um compasso e um esquadro de ouro entrelaçados. Avental branco de pele, forrado e orlado de escarlate com uma algibeira abaixo da abeta, sobre a qual estão bordadas as letras M.: B.:  (Regulamento Geral da Ordem Maçônica no Brasil - Rio de Janeiro - 1902 - pag. 165, no capítulo que trata das insígnias e jóias do REAA).

No caso específico do Brasil, o que se vê hoje em dia é a fuga às tradições e às origens do Rito Escocês, com a padronização de todos os paramentos de acordo com o Rito de York. Sim, pois aventais de orla azul, com roseta e de orla azul, com bolinhas de prata e níveis de metal para o Venerável Mestre são paramentos do Rito de York  (Emulation)! Esta "inovação" surgiu com a cisão de 1927, no Grande Oriente do Brasil, com a conseqüente criação das Grandes Lojas estaduais brasileiras, sob a liderança de Mário Behring; copiando os paramentos usados pela Grande Loja de Nova York, que trabalha no Rito de York,  as novas Obediências passaram a adotá-los e a decorar os seus templos totalmente em azul, sem nenhum detalhe, dossel, cortinas, almofadas, estofos, que lembre a cor do rito.

O Grande Oriente do Brasil, todavia, até ao início de 1966, mantinha-se fiel às origens e à tradição do rito. Nessa época, lamentavelmente, ouvindo "conselhos" de obreiros egressos de Grande Loja, a Obediência começava a alterar os seus paramentos escoceses do grau de Mestre, colocando, nos aventais, inicialmente, uma fita azul junto à orla vermelha e rosetas azuis com botão central vermelho. Isto era uma aberração inominável, pois não existem ritos com orlas bicolores nos aventais.

Alguns anos depois, porem, provavelmente por influência de alguém com mais imaginação do que conhecimentos, o Grande Oriente sepultava, definitivamente, a cor vermelha do rito, "azulando", totalmente, os aventais e retirando a orla escarlate das faixas. Copiava, assim, infelizmente, o erro perpetrado em 1928 pelas Obediências dissidentes. E os Grandes Orientes independentes, surgidos de uma dissidência do Grande Oriente do Brasil, em 1973, acabariam, de início, copiando os aventais de orla bicolor.

E a coisa chegou ao ponto de gerar situações absurdas, para não dizer ridículas, como a que me foi narrada por um querido amigo de Brasília: um candidato, funcionário do Ministério das Relações Exteriores, foi iniciado e, logo depois, teve que cumprir missão na Itália, onde deveria permanecer, pelo menos, um ano, o que fez com que sua Loja autorizasse suas elevações em uma co-irmã italiana, também do Rito Escocês. 

Pois bem, cerca de dois anos depois, o obreiro retornou, já colado no grau de Mestre e com o seu avental de orla vermelha; com ele se apresentou em reunião de sua Loja e foi impedido de ingressar. Ou seja: o único que estava com paramentos escoceses corretos, foi impedido de ingressar em Loja escocesa, por um bando de obreiros com paramentos do Rito de York!

E mais dois casos podem ser citados, não absurdos como o primeiro, mas esclarecedores. O primeiro: fazendo palestra em Santana do Livramento (RS), na fronteira com o Uruguai, em 1989, constatei a presença, e chamei a atenção para isso, de diversos obreiros de Rivera, da Grande Loja do Uruguai, com seus paramentos de orla vermelha. O segundo: falando em Londrina (PR), em 1991, em sessão não litúrgica (sem paramentos), sobre a cor dos aventais e templos escoceses, fui interrompido por um Irmão do Equador, recém chegado, o qual me perguntava, diante disso, qual era a cor usada no Brasil, no Rito Escocês; quando lhe disse que era a azul, ele reagiu com um riso de mofa, que valeu por mil palavras, e, puxando uma maleta, de lá tirou e mostrou o seu avental de orla vermelha.

Apesar de todos esses rituais já terem sido mostrados e publicados diversas vezes, sempre existem os que não pesquisam, não estudam, não  procuram, mas "acham". Apenas "acham" que a cor do rito deve ser a azul e ainda inventam que a cor vermelha foi uma criação brasileira do século passado, atribuindo-a a Cairu (Henrique Valladares), que só pontificou na Maçonaria nacional no fim do século XIX, muito depois dos rituais de 1834, 1857 e 1875. Para esses, nada melhor do que "matar a cobra e mostrar o pau", pois, em termos de rituais ESTRANGEIROS, podem ser citados pelo menos dois:

O primeiro é um ritual do Grau de Mestre Maçom, editado em 1912, em Lisboa, pelo Grande Oriente Lusitano Unido e pelo Supremo Conselho da Maçonaria Portuguesa, ambos reconhecidos mundialmente, na época. Nesse ritual, à página 10, pode-se ler:

INSÍGNIAS - 1o. - Avental branco orlado de carmesim, tendo bordadas no meio as letras M.: B.:, também da mesma cor.  2o. - Banda de "moiré" azul orlada de carmesim, lançada do ombro direito para o flanco esquerdo, tendo na parte inferior uma roseta vermelha, da qual pende a jóia formada por um compasso aberto 45 graus, cruzado com um esquadro. A jóia também pode ser um triplo triângulo coroado.
O segundo, é um ritual do Grau de Aprendiz Maçom, editado em 1971, pela Grande Loja Nacional Francesa, que é a única Obediência francesa reconhecida em todo o mundo, inclusive, evidentemente, pela Grande Loja Unida da Inglaterra e pelas Grandes Lojas norte-americanas. Nesse ritual, impresso à rue Christine de Pisan, 12, em Paris, pode-se ler, à página 1, Decoration de la Loge,  o seguinte: 

La tenture des parois doit être en principe rouge. O que significa:
A tapeçaria  (estofo, forro) das paredes deve ser principalmente vermelha.

Mais adiante, na mesma página, quando aborda o trono e o altar, o ritual especifica:

Au-dessus du trône est un dais rouge avec franges en or. O que significa: 
Acima do trono há um dossel vermelho com franjas douradas.

E, para finalizar, uma instrução mais recente e também européia, em uma obra aprovada pelo Supremo Consiglio del 33.: per l'Italia, reconhecido pelos demais Supremos Conselhos do mundo. Trata-se do livro "GLI EMBLEMI ARALDICI DELLA MASSONERIA DI RITO SCOZZESE ANTICO ED ACCETTATO" (Os Emblemas Heráldicos da Maçonaria do Rito Escocês Antigo e Aceito), editado em 1988, por Convivio-Nardini Editore, de Firenze, e que traz o timbre do Supremo Conselho da Itália, para mostrar a procedência oficial.

A obra foi realizada sob a supervisão de Giordano Gamberini, que foi Grão-Mestre do Grande Oriente da Itália, durante nove anos, e Membro Efetivo do Supremo Conselho do 33o. e Último Grau Escocês. O valor deste maçom é destacado no seguinte trecho introdutório: "A competência e autoridade de Gamberini, nesse específico terreno, é reconhecida e merecidamente apreciada, não só na Itália, mas em todo o mundo, a partir da cúpula da Grande Loja Mãe da Inglaterra até ao Supremo Conselho "Mãe do Mundo", da primeira jurisdição Escocesa dos Estados Unidos da América".

O texto referente aos emblemas heráldicos e aos paramentos dos 33 graus é de Gamberini e existe um texto complementar de Giovanni Pica e Giovanni Ghinazzi, respectivamente Soberano Grande Comendador do Rito Escocês do Palazzo Giustiniani e da Piazza del Gesú, que haviam passado, recentemente, para o Oriente Eterno. Segundo o texto introdutório, os dois Irmãos participaram dessa obra, "não só para proporcionar ao leitor a sua iluminada palavra de mestres e de iniciados, mas também para reafirmar, em seu nome, a unidade indissolúvel dos universais princípios do Rito Escocês, independentemente de toda humana e profana dissensão no campo da realidade contingente".

Pois, neste livro, sobre emblemas heráldicos dos 33 graus escoceses, há uma parte complementar que descreve os paramentos e jóias de cada grau. E, no de Mestre Maçom (Maestro Massone), há a seguinte descrição:

 "Grembiale bianco foderato e orlato di rosso. Nel mezzo vi sono le lettere M.B. . Il gioiello è un triplice triangolo coronato, attaccato al Cordone bleu con una rosetta rossa".

O que, vertido para o nosso vernáculo, significa:
"Avental branco forrado e orlado de vermelho. No centro estão as letras M.B. . A jóia é um tríplice triângulo coroado, atado ao Cordão azul por uma roseta vermelha".

Esse é o uso, em Obediências regulares e reconhecidas e não é, como disse um "entendido" desentendido, "coisa de Potência irregular, como o Grande Oriente da França e a Grande Loja da França". Não! É de regulares, embora o conceito de regularidade, a meu ver, seja muito subjetivo. Que argumento usarão os que apenas "acham", depois disso?

6. O Supremo Conselho no Brasil
12/03/1829 – o Irmão Francisco Ge Acayaba de Montezuma, depois Visconde de Jequitinhonha, então no exílio, recebe do Supremo Conselho dos Países Baixos, hoje Bélgica, uma carta de autorização para instalar um Supremo Conselho do Rito Escocês Antigo e Aceito no Brasil.

12/11/1832 – de volta ao Brasil o Irmão Montezuma instala o Supremo Conselho usando a autorização do Supremo Conselho da Bélgica.
Durante os anos seguintes, várias foram às cisões e aproximações em torno do Supremo Conselho.

Uma das características dessa fase é um amálgama, entre o Supremo Conselho e o Grande Oriente do Brasil, de forma que o Grão-Mestre eleito passava a ser o Soberano Grande Comendador do Supremo Conselho do Rito Escocês, mesmo que tal Grão-Mestre sequer fosse membro do Rito.

1925 – O Grão-Mestre do Grande Oriente do Brasil, e portanto Soberano Grande Comendador do Rito Escocês, era o Irmão Mário Behring que, concluindo pela irregularidade de tal situação decidiu separar as duas jurisdições a exemplo do resto do mundo, os Graus Simbólicos com o Grande Oriente do Brasil e os Graus Superiores com o Supremo Conselho. Assim, não mais se candidatou ao cargo de Grão-Mestre permanecendo como Soberano Grande Comendador. Estava feita a tão desejada separação.

O Grão-Mestre eleito, Irmão Octavio Kelly, levado por alguns dissidentes achou por bem não mais reconhecer a separação decidindo assumir também o cargo de Soberano, para o qual não foi eleito, sendo prontamente rechaçado pelos Membros com direito a voto no Supremo Conselho. O que era uma separação amigável transformou-se em cisão.

1927 – Assim, ficou o Supremo Conselho sem ter base simbólica onde buscar os Mestres Maçons para ingresso no Grau 4, e o Grande Oriente do Brasil sem ter para onde mandar os Irmãos das Lojas Escocesas desejosos de continuar os seus estudos. Não tendo alternativa, o Supremo Conselho, que continuava a ser dirigido pelo Irmão Mário Behring, promoveu a criação das Grandes Lojas Brasileiras para delas poder continuara retirar os Mestres para as suas Lojas de Perfeição (Grau 4 ao 14). Membros do Grande Oriente do Brasil, por sua vez, criou, apoiado em alguns ex-membros do Supremo Conselho, um novo Supremo Conselho, que foi chamado de reconstituído.

1929 – Paris, França, é realizada a IV Conferência Mundial, onde comparecem os Supremos Conselhos Montezuma e o Supremo Conselho "reconstituído". Naquela ocasião ficou definitivamente assentado que o único Supremo regular, reconhecido e única autoridade legal e legítima para o Rito Escocês Antigo e Aceito no Brasil é o que hoje se denomina SUPREMO CONSELHO DO GRAU 33 DO RITO ESCOCÊS ANTIGO E ACEITO DA MAÇONARIA PARA A REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL, com sede em Jacarepaguá, Rio de Janeiro cujo Soberano Grande Comendador é o Irmão Luiz Fernando Rodrigues Torres, 33°, que é também presidente da XVI Conferência Mundial de Supremos Conselhos.
Tal decisão tem por base o Art. 5°, das Grandes Constituições de 1786, que determina que só pode existir um Supremo Conselho em cada País, exceto nos Estados Unidos da América, onde foi previsto a existência de dois. Não se trata, entretanto, de cisão até porque um é filho do outro.
2000 – Rio de Janeiro, Brasil – Realizada a XVI Conferência Mundial dos Supremos Conselhos com a presença de quase todos os Supremos Regulares do Mundo. O Ir. Luiz Fernando Rodrigues Torres, 33°, Soberano Grande Comendador do Supremo Conselho do Grau 33 do Rito Escocês Antigo e Aceito da Maçonaria para a República do Brasil passa a ser o Presidente da XVI Conferência Mundial, e em 2005 transferiu o cargo para o Ir.JACK BALL, 33º, Soberano Grande Comendador da Austrália.

7. CONCLUSÃO 
O Rito Escocês Antigo e Aceito ou R.·.E.·.A.·.A.·. é um Rito dentro da Maçonaria, que deriva do Rito de Heredom e da época da fuga dos Cavaleiros Templários para a Escócia. Ligados ao Antigo Testamento e à lenda de Hiram (lenda base da Maçonaria simbólica), julga-se que alguns dos ritos descritos eram praticados por outras ordens secretas existentes em França, como os Martinistas, na Alemanha, como os Illuminati ou os Rosa-Cruz, e na Escócia, como os Templários (estes refugiados nesse país depois da sua perseguição nos Grêmios ou Lojas da classe profissional dos Pedreiros Livres aí existentes).

O rito é composto de três graus simbólicos e trinta filosóficos.
Existe muita controvérsia sobre a influência templária no R.·.E.·.A.·.A.·., mas os mais atuais estudos, feitos por Nicola Aslan e José Castellani em seus diversos livros, nos dão conta de que o templarismo não influenciou o R.·.E.·.A.·.A.·. propriamente dito mas sim ao Rito de Perfeição ou de Heredom, sob a pena de Andrew Ramsay, cavaleiro escocês que protagonizou a criação deste rito em solo francês, ocasião em que proferiu dois discursos de grande repercussão a respeito do assunto. O Rito de Perfeição ou de Heredom foi por esse motivo o ponto de partida para o R.·.E.·.A.·.A.·. mas este sofreu vastas modificações até se ter tornado no que é hoje.

Geridos pelas Obediências Maçônicas, cada um dos três primeiros graus apresenta de forma paulatina ensinamentos básicos simbólicos aos iniciados maçons no almejado aprimoramento moral e espiritual. Quando os maçons atingem o 3.º Grau, diz-se que estão em pleno gozo de suas prerrogativas maçônicas, uma vez que originalmente a Grande Loja Unida da Inglaterra trabalhou sucessivamente com dois (Aprendiz e Mestre) e depois com três graus que ensinavam a parte da filosofia base da simbólica maçônica.

Os graus referidos como Filosóficos, são graus elevados e em número de trinta, onde a filosofia e a moral são estudadas simbolicamente, em cada grau, com lendas ou mitos a estes associados.

Os graus elevados Filosóficos são geridos por vários Supremos Conselhos, que têm como objectivo manter a uniformidade mundial dos rituais e dos métodos utilizados (?).
O Rito Escocês Antigo e Aceito nasceu inspirado no catolicismo e foi aristocratizado.

Atualmente é o mais popular no Brasil, sendo praticado em inúmeras lojas por todo o seu território.


Este trabalho teve como base de pesquisa registros que se encontram no Google, portanto ao alcance de todos.

Porém nos atribulados dias de hoje, poucos são os Irmãos, que por força de seus compromissos profissionais ou profanos, ainda dispõem de tempo para se aprofundarem na busca da história de nossa Sublime Ordem.

A esses Irmãos dedico esta compilação.



A.´.R.´.L.´.S.´. Apóstolo da Caridade 111, 28 de março de 2011, E.´.V.´.

A.J.Miranda, M.´.I.´.




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