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domingo, 2 de março de 2014

SOIS MAÇOM? (NOVO)


Meu filho c.´. t.´. m.´. r.´.?

Infelizmente não meu pai, mas como tal viveste e como tal, por mim, será lembrado.

Meus IIr.´., coincidentemente, nesta mesma época, há um ano atrás, falecia meu pai. Ele de fato não era maçom, mas em minha formação, foi o fator fundamental, para que maçom me tornasse. 

Esta afirmação posso dizer, vai de encontro à outra, que me foi dita, ainda no mundo profano, por alguns dos IIr.´. desta mesma loja, a qual hoje pertenço, um deles já em seu oriente eterno, o nosso Ir.´. Cláudio, e outros como o Ir.´. Umberto, e Paulo, que em encontros fortuitos vez ou outra me diziam:

“Leal, você já é um maçom, falta-lhe somente a iniciação”. 

- O que os levava a pensar assim? Indagava-me.

Hoje tenho o discernimento necessário para a resposta, foi meu pai. Ensinou-me os princípios básicos, para a vida adulta, e por fim, e talvez e sem querer para a Maçonaria, pois nunca se furtou a me dizer:

• obedeça a quem de direito
• obedeça as leis que nos regem
• seja honrado
• seja justo
• ame a deus, 
• ame a sua família
• ame o seu próximo 
• ame a sua pátria

São os princípios básicos para qualquer cidadão, e também, fundamentos essenciais para um aprendiz maçom, almejando o grau de companheiro. È interessante notar, que ao longo de nossas vidas, estamos sempre participando de cerimônias de iniciação, vejamos:

• recém-nascidos, a cerimônia do batismo é a iniciação religiosa
• formatura escolar é a cerimônia de iniciação, à vida profissional
• casamento é a cerimônia de iniciação, à vida conjugal

Entre outras tantas cerimônias possíveis, em nossas vidas, nós aqui reunidos, participamos de uma em especial, a cerimônia de iniciação ao grau de aprendiz maçom. Em meu caso, mais recentemente, portanto, mais acesa em minha mente. Deixamos para trás, não no sentido de abandono, e sim de escolha, o mundo profano, e adentramos a esta nova ordem. 

Esta experiência me ocorreu em uma manhã fria de sábado, quando recebi em minha casa, os IIr.´. Silvio, João Emilio e Paulo, foram os primeiros, bem antes da abertura dos trabalhos, pelo V.´. M.´. a me iniciarem neste novo mundo, orientando e indicando-me os caminhos a serem percorridos, pois nas trevas me encontrava.

Não senti o menor receio, carregava comigo um pensamento profano comum, porém verdadeiro, “entre amigos estou, portanto, a temer, nada tenho”. 

Passei pela ritualística tentando entender cada etapa alcançada, algo por demais elevado, para este simples aprendiz, entretanto, e citando minha mãe, que gostava de dizer, “o que os olhos não vêem, o cérebro realça”, percebi que a semente havia sido plantada e com certeza germinaria.

A luz foi alcançada, resta a difícil tarefa, de deixar seus feixes, 
transformarem-se em intensos brilhos, porém, esta transformação, não se dá naturalmente, requerem estudos, trabalhos e principalmente a sua prática no cotidiano da vida. Como bem definido na conclusão do trabalho do ir.´. Wellington, os solstícios:

“Para o ser homem definir a sua essência verdadeira, é necessário no mínimo, que saiba onde está, para onde vai e como vai”. 

Ou na conclusão do trabalho dos IIr.´. Everaldo e Rinaldo:

“O neófito colocou o pé no primeiro degrau da escada, iniciando sua busca para o aperfeiçoamento moral”.

Para concluir, se me permitem os IIr.´., gostaria de incluir uma homenagem neste trabalho, homenagem esta, dirigida ao meu pai, neste seu primeiro ano de morada eterna. Texto que lhe dirigi por ocasião de sua morte, e que muitos aqui já conhecem. 

A minha intenção é poder dizer-lhe que a lição foi aprendida, e sua prática está em curso:


“O número 29.298 forma a quantidade de dias que compreendem o período entre o dia 05/01/1927 e 24/03/2007, representa também, o espaço no tempo em que meu pai por aqui esteve. Desses dias, dividi com ele 18.815. houve dias maravilhosos, e outros não tão bons assim, porém, foram todos vividos cada um, de maneira intensa, resultado de seu caráter forte, que se faz presente mesmo em sua ausência. 

Sou seu primogênito de seis filhos, e nesses últimos três anos assistimos gradativamente sua desistência à vida, conseqüência de uma isquemia, que o deixou semi-paralisado.

Aquele mesmo homem, senhor de si, ativo e lutador fervoroso, foi aos poucos abandonando as conversas, os livros, jornais e revistas, e passiva e silenciosamente, mudando as feições, foi de sua poltrona na sala, onde passava horas em frente ao televisor, para a sua cama, que se tornou o leito de morte. 

Em minha última visita, quando ao seu lado estava, lutava em me dizer alguma coisa, mas sua memória não ajudava. Essa passagem me marcou muito, vivenciei seu desespero e angustia em não conseguir fazer-se entender e abaixando o braço desistiu daquela luta inglória. Não sei se estava a pressentir o fim, ou talvez, pressentisse que não mais veria seu filho mais velho.

A partir de agora, não poderei mais chamar pai, mãe, há muito não chamo, aos poucos deixarão de me chamar de lealzinho, já não faz sentido. Aos meus filhos, ainda no ataúde, ensinou sua última lição, mostrou-lhes a tenuidade de nossas vidas, mesmo que longeva, foi o primeiro velório de ambos.


Dentre as tantas lembranças que me vêem à mente, uma está mais afoita: um casal de braços entrelaçados. Vislumbro meus pais, penso no reencontro deles, percebo que este anseio de anos se realiza. 

Alegro-me... fica a saudade carregada de lágrimas”. 

Trabalho de 1º grau de
José Maria Leal Júnior.´. A.´.M.´. – 31/03/2008.

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