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domingo, 10 de agosto de 2014

NÃO EXISTE BODE NA MAÇONARIA


Chega às raias do ridículo e, pior, alimentado pelos próprios Maçons, a associação do bode com a Maçonaria.

É muito comum os Maçons chamarem-se a si próprios de bode e, ao arrepio do que preconizam os Rituais, com a finalidade de amedrontar os candidatos à iniciação, dizer-lhes que “vão ter que sentar no bode”, que devem “ter cuidado com o bode” e outras tolices de igual monta, inconcebíveis para um verdadeiro Maçom, um homem escolhido na Sociedade para “promover o bem estar da Humanidade, levantando Templos às virtudes e cavando masmorras aos vícios”.

Não existe bode na Maçonaria! Um dos principais símbolos da Maçonaria, o pentagrama (estrela de cinco pontas) com uma única ponta para o alto, onde pode ser inscrita uma figura humana (cabeça, braços e pernas), é exatamente o oposto do bode, cuja cabeça se pode inscrever dentro de uma estrela invertida, com uma única ponta para baixo (chifres, orelhas e barba).

Enquanto a estrela adotada pela Maçonaria representa o que de mais nobre, ativo e benéfico existe na natureza humana, a estrela invertida, geralmente utilizada em rituais de magia negra, representa o que de mais brutalmente instintivo existe na impureza animal.

Não existe bode na Maçonaria! E a esmagadora maioria dos Maçons desconhece como, quando e onde tudo começou, havendo inclusive alguns eminentes autores nacionais que dizem ser uma invenção exclusivamente brasileira, derivada da expressão “bode preto”, que substitui a palavra “diabo”, o que não está correto.

A associação do bode com a Maçonaria é muito mais profunda e perversa e se dá a nível internacional. Nicola Aslan in Grande Dicionário Enciclopédico de Maçonaria e Simbologia, afirma: “Houve mesmo uma época, na Inglaterra, em que alguns gracejadores insistiam em que houvesse um bode na Loja, sobre o qual obrigavam os neófitos a montar”. 

Não existe bode na Maçonaria! Na mitologia greco-romana sim. Pan (“tudo” em grego), o deus dos caçadores, das florestas, da vida natural e da fertilidade, era representado com o corpo de homem e com barba, cornos, orelhas, pernas e patas de bode. Na batalha de Maratona, teria ajudado os gregos amedrontando os persas, seus inimigos, originando-se daí a palavra pânico.

Não existe bode na Maçonaria! Na tradição judaica, cristã e islâmica sim. Com os demônios figurados como meio homem e meio bode. A expressão “bode expiatório”, que significa a pessoa a quem é imputada a culpa alheia, é originária da tradição judaica de enxotar para o deserto, no dia da expiação, um bode que carregava consigo os pecados do povo, devolvendo-os a quem os inspirara, o diabo.

Não existe bode na Maçonaria! Nas religiões afro-brasileiras sim. Dos 16 Orixás cultuados no Brasil, 10 deles recebem oferendas de caprinos: Iansã, Oxum, Obá, Nanã, Ewá e Oxalá (cabra); Ogum (cabrito); Ossaim e Obaluaiê (bode) e Exú (bode preto).

Não existe bode na Maçonaria! A associação do bode com a Maçonaria, na realidade, começa com uma grande farsa perpetrada em dois atos teatrais, ambos tendo como pano de fundo a afirmação de que os Maçons cultuam Baphomet, o diabo em forma de bode. 

O primeiro ato inicia-se com a tese de que uma das origens ou fontes de inspiração da Maçonaria foi a Ordem dos Templários, parcialmente confirmada nos Altos Graus, com os chamados Graus Templários.

Os Templários eram uma ordem militar religiosa fundada em 1118, com a finalidade de proteger o Reino Cristão de Jerusalém e escoltar os peregrinos cristãos que iam a Terra Santa.

Tornaram-se muito poderosos e banqueiros de papas, reis e particulares. Em 1307, o Rei Felipe o Belo, de França, totalmente falido pelas guerras que movia contra seus vizinhos, resolveu apoderar-se dos bens da Ordem, prendendo os Templários sob a acusação de devassidão e idolatria e entregando-os à Inquisição que, sob tortura, obteve declarações de culpabilidade e queimou vivos, em 1314, os altos dignitários da Ordem, inclusive seu Grão-Mestre Jacques de Molay.

Entre as inverídicas acusações contra os Templários, pesava a adoração a Baphomet, pretenso ídolo associado ao nome de Maomé, representado por uma figura humana com atributos dos dois sexos e com cabeça de carneiro ou bode.

O segundo ato, muito mais prejudicial e delirante, tem como ator principal o impostor francês Gabriel Antoine Jogand Pagés (1854-1907). Aluno expulso de colégios católicos, tornou-se jornalista e escritor anticlerical. Maçom expulso de sua Loja, tornou-se escritor antimaçônico, depois de arrepender-se publicamente de seu anticlericalismo e ser recebido, abençoado e absolvido das inúmeras excomunhões que sofrera, pelo próprio papa.

Em seus escritos, fazia uso de diversos pseudônimos, entre os quais o de Leo Taxil, Dr. Bataille e Diana Vaughan. Levando uma vida de falcatruas, enganou os Maçons, iludiu o clero, ludibriou os intelectuais e explorou a credulidade do público.

Deve-se a ele, entre outras, a idéia de um Papa Maçônico, chefe mundial oculto e empenhado em destruir a Igreja Católica, a utilização de cadeiras de pregos onde os candidatos supunham que nelas iriam se sentar e a invenção de práticas luciferianas, com o culto a Baphomet.

Seus escritos eram levados em alta conta pelas autoridades eclesiásticas, sendo traduzidos em diversos idiomas, geralmente por padres. A tradução para o português foi feita em 1892 pelo padre Francisco Correa Portocarreiro, autorizado pelo bispo do Porto. Embora suas imposturas fossem ridículas, o público de então, sob o beneplácito do clero, era extremamente crédulo.

A imprensa, o público e o clero regozijaram-se quando Diana Vaughan se converte ao catolicismo, tornando-se ferrenha inimiga do luciferismo e da Maçonaria. O grande impostor torna-se então uma celebridade mundial, tendo sido, inclusive, condecorado pelo Papa Leão XIII com a Ordem do Santo Sepulcro, embora os personagens que criara nunca tivessem aparecido em público, o que começou a despertar desconfianças em uns e a certeza da impostura em outros, conquanto para a Igreja, os ataques fossem convenientes. 

Para encurtar esta sórdida história, após sofrer pesados ataques da imprensa, Taxil anunciou, em 25 de fevereiro de 1897, que Diana Vaughan compareceria em público em 19 de abril na Sociedade Geográfica de Paris para fazer uma conferência. No dia marcado, com a sala tomada por jornalistas, eclesiásticos e leigos, comparece Taxil em lugar de Diana para pronunciar um dos mais cínicos e descarados, se bem que esclarecedores, discursos já ouvidos:

- Que a única Diana Vaughan que conhecera era uma moça, sua datilógrafa, a quem pagava 150 francos por mês;

- Que durante doze anos sua intenção sempre fora a de estudar a fundo a Igreja Católica, com o auxílio de uma série de mistificadores que lhe revelariam os segredos dos espíritos e dos corações na hierarquia sacerdotal, tendo sido bem sucedido além de suas mais audaciosas esperanças;

- Que depois de sua pretensa conversão ao catolicismo, o meio de alcançar seus fins lhe tinha sido sugerido no fato da Igreja ver na Maçonaria o seu mais perigoso adversário, e que numerosos católicos, encabeçados pelo papa, acreditavam que o demônio era o chefe daquela associação anticlerical;

- Que os cardeais e a Cúria de Roma, com conhecimento de causa e de má fé, tinham patrocinado os escritos publicados sob o seu nome, sob o nome Dr. Bataille e Diana Vaughan;

- Que o Vaticano conhecia a natureza fraudulenta de suas pretensas revelações, mas estava satisfeitíssimo por poder utilizá-las para entreter entre os fiéis uma crença proveitosa para a Igreja;

- Que o bispo de Charleston, cidade que dissera ser a sede do Papado Maçônico, tinha escrito ao papa que as histórias relativas àquela cidade eram falsas, mas que Leão XIII impusera silêncio àquele prelado; e

- Que Leão XIII impusera igual silêncio ao vigário apostólico de Gibraltar, que tinha afirmado não existir lá os subterrâneos onde seriam celebrados os ritos infames que Bataille descrevera.

Desde então, especialmente na Europa e nos Estados Unidos, passou-se a fazer com que os candidatos montassem em um bode, saindo em público pelas ruas da cidade, para escarnecer da Igreja – por ter participado da farsa – e de todos aqueles que nela acreditaram.

Entretanto, as brincadeiras começaram a chocar os mais religiosos que as assistiam e passou-se então a realizá-las em ambientes fechados, longe das vistas do público, geralmente substituindo o animal por mecanismos especialmente montados sobre rodas de bicicletas. O guidom era substituído por cabeças de bode esculpidas ou empalhadas e o candidato segurava nos chifres para dirigir o estranho “veículo”, sob aplausos dos que a tudo assistiam. 

Assim, o principal motivo da utilização do bode nos trotes perdeu o seu principal sentido, o de zombar dos que acreditaram na farsa de Taxil. Perdido o sentido da zombaria, descontinuou-se a prática.

Descontinuada a prática, esqueceu-se a razão. Esquecida a razão, sobraram os inconvenientes resquícios que perduram até os dias atuais.

Então, apesar do próprio Taxil ter desmentido seus escritos, exposto seus motivos e apontado os seus cúmplices, muitas de suas histórias continuam a ser repetidas até hoje, alimentadas por sentimentos antimaçônicos, por medo ou desconfiança do desconhecido, por ignorância e até mesmo pelos próprios Maçons, a princípio para escarnecer da Igreja e dos que acreditaram na farsa e atualmente sem saber a razão.

Definitivamente, não existe bode na Maçonaria!


Irm.'. Almir Sant'Anna Cruz, M.'.I.'. da Loja Brasil. 

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