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sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

RER - RITO ESCOCÊS RETIFICADO NO BRASIL


SISTEMA RETIFICADO - RER - O Escocismo é uma forma de maçonaria antiga, que existia e entrou em França ainda antes da criação da Grande Loja da Inglaterra. 

Frequentemente ouvimos falar de Lojas que trabalhavam no Rito Retificado.

A história deste Rito é particularmente difícil de fazer, pois após a Revolução Francesa o seu desenvolvimento sofreu um eclipse e as Lojas que o trabalhavam, faziam-no sob uma grande discrição.

A Grande Loja de França tem a sorte de possuir hoje sob a sua obediência cinco Lojas: Morinie, Amis Bienfaisants, Philadelphes, Côte-d’Azur e Tradition Ecossaise, que trabalham no Rito Escocês Retificado (RER).

Pareceu-nos oportuno precisar alguns pontos da história deste Rito e deste modo pedimos a um Irmão particularmente qualificado pela sua conduta, pela sua autoridade e pelos seus títulos que nos expusesse de forma sucinta a origem do Rito. 

Tendo sido o primeiro Prefeito da Ordem Interior do Grão Priorado das Gálias pela Carta Constitutiva de 1935 passada pelo Grão Priorado da Helvécia, antigo Grão Mestre da Grande Loja Retificada, Regente do Rito Escocês Retificado no seio da Grande Loja de França, membro do Supremo Conselho Escocês Antigo e Aceito para a França e suas dependências, este ilustre Irmão viu por bem honrar as páginas dos “Cahiers” da Grande Loja de França com este curto resumo histórico que poderá motivar o leitor a fazer mais amplos desenvolvimentos. (Editor dos “Cahiers” da Grande Loja de França, nº 11, Setembro de 1949.

Esta nota objetiva não tem qualquer pretensão de ser original e não é doutrinal.

A Maçonaria não é dogmática, sendo que isso é o que assegura a sua perenidade. Mas logo que estudamos a sua evolução, é importante assinalar que os “historiógrafos dos sistemas” elevaram muitas vezes meras hipóteses ao grau de verdadeiros dogmas.

Se é verdade que a passagem da operatividade à especulatividade não se deu instantaneamente em todo o lado ao toque de uma varinha mágica, tendo tardado mais de um século a se generalizar, do mesmo modo quando em 1717 quatro Lojas de Londres, sob o impulso de Desaguliers, criaram a Grande Loja da Inglaterra, existiam já outras Grandes Lojas em Inglaterra que duraram ainda muito tempo.

O sucesso nacional da Grande Loja da Inglaterra vem do fato de esta ter estado sob a proteção da Família Real de Hanover.

Fazer remontar a Maçonaria em França à introdução dessa Maçonaria oficial inglesa (1725) é um erro. Ainda antes desta data, já os refugiados stuartistas tinham implantado a Maçonaria antiga, que era tradicional e que, bem ou mal, reivindicava uma origem Templária.

A lenda Templária, da qual não pretendo estabelecer aqui as origens, tinha ao menos o mérito de glorificar uma companhia que havia sido vítima da tirania real e da intolerância clerical.

As lendas têm frequentemente ideias-força geradoras de movimentos sociais respeitáveis. Guilherme Tell, que é símbolo das liberdades helvéticas, provavelmente jamais existiu e, no entanto, a sua história continua a ser para nós – mas principalmente para os Suíços – a pedra angular de todo um edifício social.

Este preâmbulo não tem outro objetivo que o de situar no seu contexto o Capítulo de Clermont que criará (1755) em França a estrutura que permitirá praticar os Altos Graus da Maçonaria Templária. Não foi uma cisão, já que continuava o trabalho iniciado em 1688 por uma Loja que havia sido criada em St. Germain.

Apenas se estava a retomar a tese sempre defendida por Ramsay e, ao regressar às fórmulas primitivas da Maçonaria especulativa, reagia-se contra a tendência política da Maçonaria francesa que iria, alguns anos mais tarde, conduzir à criação do Grande Oriente de França, para grande proveito do duque de Orleães detinha o poder real.

É então nesse Capítulo de Clermont que tem assento a Maçonaria Escocesa. É., com efeito, uma das suas filiais que dá a Etienne Morin a Carta que virá a estar na origem do Rito Antigo e Aceite. Foi a este capítulo que se afiliou o Barão de Hundt (iniciado na Inglaterra) que criara na Alemanha o Rito da “Estrita Observância”, que mais tarde dará origem ao Rito Escocês Retificado.

O Rito Escocês Antigo e Aceite é sobejamente conhecido e não falarei dele. Em vez disso irei abordar de modo sucinto as diversas fases que levaram à criação do Rito Escocês Retificado. Mas antes de o fazer, queria ter deixado claro que ambos os Ritos estão unidos por uma paternidade comum indubitável e que, na realidade, não são mais que duas expressões do Escocismo.

O Rito Escocês Retificado é assim chamado por que foi diversas vezes depurado em diversos Conventos [reuniões maçônicas magnas que duram várias semanas]; daí o seu nome de “retificado”; uma primeira reunião deu-se em Colônia, onde se separou de elementos que se julgavam ter sido introduzido na Ordem pela Companhia de Jesus. Os dois principais Conventos, no entanto, foram os de Lyon em 1778 e de Wilhelmsbad em 1782.

Em Lyon renegou-se a filiação temporal aos da Ordem aos Templários e suprimiram-se os dois graus sacerdotais de Professo e Grão Professo. Os graus superiores foram reduzidos aos de Escudeiro Noviço e Cavaleiro Benfeitor da Cidade Santa, que se reagruparam numa Ordem Interior muito diferente daquela que hoje podemos encontra, por exemplo, na dos Knight Templars ingleses. Joseph de Maistre, que era Grão Professo, dará a conhecer a ira pela sua destituição numa célebre carta que endereçará quatro anos mais tarde ao duque de Brunswick, que presidiu ao Convento de Wilhelmsbad.

Este último Convento tratou antes de mais de separar a Ordem dos emergentes Iluminados, que mostravam tendências materialistas e revolucionárias.

Em seguida tomou a cargo a tarefa de reformar os rituais dos três primeiros graus, que não mudaram mais desde então. Existiam ainda, dois graus intermédios entre as Lojas Azuis e a Ordem Interior, os de Mestre Escocês e Cavaleiro de Santo André. Esses dois graus foram fundidos num só, o de Mestre Escocês de Santo André, cuja alegoria ritual recordava o regresso dos Judeus à Babilônia e a reconstrução do Templo de Jerusalém.

Essas Lojas, contudo, foram declaradas “nem permanentes, nem deliberantes”. Não eram por isso Ateliers de Perfeição, no sentido que damos a essa designação, mas um verdadeiro Conselho do Venerável no seio da Câmara do Meio. Veremos mais adiante que essas Lojas de Santo André, assim como a Ordem Interior, verão com o tempo outras interpretações.

Em França, sob o impulso de Willermoz, o Rito Retificado experimentou um grande fervor antes da Revolução. Mas os seus chefes estavam muito envolvidos no martinsimo e, sobretudo, no martinezismo, pelo que as Lojas tinham uma prática maioritariamente ocultista. O regime imperial, que regulamentava tudo num sistema laudatório e autoritário, incorporou o Rito Escocês Retificado sob a obediência do Grande Oriente de França [onde desapareceu aos poucos].

De todo o modo, a Vª Província da Ordem foi reorganizada na Suíça, numa obediência que fez o erro, a meu ver, de fazer das Lojas de Santo André um grau especial, incorporando a Ordem Interior no seu sistema. Apesar dessa interpretação da história, não restam dúvidas que o Grão Priorado da Helvécia foi indubitavelmente [e durante muitos anos] a única Potência Escocesa Retificada reconhecida.

Em 1910 alguns Irmãos que tinham recebido os seus graus em Genéve, em particular Ribaucourt e Savoire, retomam o Rito Retificado no seio do Grande Oriente de França. Mas os dirigentes dessa obediência queriam interditar toda a prática [maçônica] que fosse um pouco mais religiosa e esse facto resultou numa cisão.

O Irmão Ribeaucourt criou através do Rito Escocês Retificado a Grande Loja Nacional e Independente que teve a boa fortuna de ser reconhecida como regular pela Grande Loja Unida da Inglaterra.

O Irmão Savoire manteve-se fiel ao Grande Oriente onde acaba por se tornar Grão Comendador do Colégio de Ritos e teve do seu lado o favor de manter relações com o Grão Priorado da Helvécia. Deste modo havia algumas Lojas a trabalhar o Rito Escocês Retificado sob a obediência do Grande Oriente de França.

Em 1935, por razões diferentes, cinco membros do Grande Colégio de Ritos demitiram-se do Grande Oriente de França (Savoire, Machon, Wibaux, Lebey e Corbin). O Grão Priorado da Helvécia cortou o seu contato com o Grande Oriente e instalou em Paris o Grão Priorado das Gálias, dando uma Carta Patente a Savoire, Machon e Wibaux para criarem a Ordem Interior e Lojas Azuis.

A vida desta organização foi vegetativa. Em 1938, cinco das suas seis Lojas Azuis colocaram-se sob a obediência da Grande Loja de França, realizando assim a unidade do Escocismo. A eclosão da 2ª Guerra veio parar os trabalhos do Grão Priorado na sua forma regular.

Que pensar da situação?
Em Maçonaria há que distinguir o Rito, que é uma forma de trabalhar, e a Obediência, que é a fórmula administrativa. O Rito Escocês Retificado é cristão no sentido que era dado por São Justino no início do século XII. É uma filosofia mediterrânea muito impregnada de neo-platonismo da escola de Alexandria.

Manteve de uma estrita observância e fiel às velhas regras. Tenho o hábito de dizer que o Rito não é mais do que um instrumento; um escultor pode, com um polegar hábil, modelar a cera;  outro, com golpes de cinzel, pode desbastar a pedra. Ambos têm um só ideal: fazer uma estátua!

A Obediência é uma federação de Lojas que seguem uma mesma regra de conduta. 

Essas Lojas têm aspirações comuns embora possam trabalhar de modo diferente.

As Lojas são soberanas é surpreende-me que Obediências possam reclamar a propriedade das fórmulas rituais. Isto dá lugar a lutas verdadeiramente bizantinas, indignas da nossa atenção. O verdadeiro Maçom trabalha a Grande Obra com melhor lhe parece, sempre seguindo a disciplina da Obediência que prefere.

.(*) Este artigo é histórico e data de 1949, época em que o Grão Priorado das Gálias dos Cavaleiros Benfeitores da Cidade Santa (Ordem interior do RER) ainda trabalhava com diversas obediências, onde cooptava os seus membros em Lojas Retificadas.

Esta situação mudou em 1958, quando o GPDG assinou um tratado de reconhecimento exclusivo com a Grande Loja Nacional Francesa (que viria a denunciar em 2000).

Ao lado do Rito Adonhiramita, o RER cresce em toda Europa, instalando seus Priorados e seus Conventos.

RITO ESCOCÊS RETIFICADO NO BRASIL


Depois de longos anos de espera, os maçons brasileiros começam a praticar o belíssimo rito. O GOB - GRANDE ORIENTE DO BRASIL e GRANDES LOJAS federada a CMSB - Confederação Maçônica Simbólica do Brasil autorizam seu funcionamento. 

No Brasil o Regime se iniciou sob os auspicios do Grande Priorado Independente da Lusitânia que outorgou as Cartas Constitutivas das primeiras Lojas de Santo André e logo das primeiras Prefeituras, constituindo-se uma Delegação Nacional com sede no Brasil e nomeando-se como seu Delegado ao Reverendo Cavaleiro Santiago Ansaldo de Aróstegui, CBCS.

Em 7 de Setembro 2008 o Grande Priorado da Helvetia, Mãe do Mundo, e com o acordo unânime e presença de todos os Grandes Priorados, outorgou Carta Patente e sagrou o Grande Priorado do Brasil da Ordem dos Cavaleiros Benfeitores da Cidade Santa, com jurisdição nacional exclusiva, instalando como seu primeiro Grão Prior/Grão Mestre Nacional ao Mui Reverendo Cavaleiro Santiago Ansaldo de Aróstegui, CBCS, GCT e seu primeiro Grão Prior Adjunto ao Reverendo Cavaleiro Manoel Oliveira Leite, CBC, GCT.

Igualmente e seguindo a Tradição Templária constituiu a XIª Província denominada Terras de Vera Cruz, que abrange o território da República  Federativa do Brasil.

O Grande Priorado do Brasil está posto sob o governo supremo de um Grão Prior/Grão Mestre Nacional que dirige a Ordem assistido por um Diretório composto de Grandes Oficiais. Um Grande Capítulo constitui o órgão deliberante e se reúne ao menos uma vez ao ano. Por outra parte, um Rei de Armas cuida do Armorial do Grande Priorado. 

As Prefeituras estão dirigidas por um Prefeito e reúne os C.B.C.S. e os Escudeiros Noviços do território. Do Prefeito dependem as Lojas de Mestres Escoceses de Santo André a ele vinculadas

Loja Maçônica Amor e Caridade


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