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sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

A CAMARA DE REFLEXÕES


Tida e havida como uma das mais sérias instituições do nosso mundo, de origem desconhecida, que vai desde os primórdios do mundo, ou desde os tempos de Jesus Cristo, também tida como fundada em 1717, a Maçonaria hoje em dia continua tendo uma aura de secreta, de misticismo, de esoterismo, de uma crendice impar, que a torna respeitada e, até odiada.

                           Neste trabalho, porém, não quero abordar este lado da nossa SubInst e sim abordar uma das coisas mais importantes, que é a Iniciação de Profanos, no aspecto que tange a Câmara de Reflexões, local sagrado onde o futuro irmão se concentra, medita, reflita sobre a fragilidade humana, sobre o nosso futuro, enfim, sobre tudo aquilo que a Maçonaria quer que ele reflita naquele momento solene e importante de sua vida.

                           A Câmara de Reflexões, portanto, é o primeiro contato real que o postulante tem com a Maçonaria. Para que melhor a compreendemos, se faz necessário conhecermos o significado da palavra Iniciação etimologicamente. Derivada do latim “initiare-initium” representa “inicio ou começo” derivada de “in tere” “ir dentro ou ingressar”. Em outras palavras, Iniciação é a porta que nos conduz a um novo estado moral ou espiritual a partir do qual se inicia ou começa uma nova maneira de ser ou viver.

                           O símbolo fundamental da Iniciação é a morte, como estado preliminar à nova vida. Para tal, a Maçonaria nos oferece a Câmara de Reflexões. Afastada como é do Templo. Constitui a prova da Terra, a primeira das quatro que simbolizam os elementos da natureza. Com suas pretas paredes, figurando uma catacumba, cercada de símbolos e de emblemas da morte, inscrições, um galo, um testamento entre outros, revela-nos que cada símbolo, cada frase, tem sua própria explicação e importância isolada, mas o conjunto é que nos oferecerá a idéia e a sensação de transitoriedade e insignificância da vida.

Neste local, somos levados a conceber novas ideias, introspectar, examinar e comparar tudo o que nos cerca. Isolados do mundo exterior para concentrarmos no estado intimo do mundo interior, aonde devemos dirigir nossos esforços para chegar à Realidade. É o “gnothi seautón” dos iniciados gregos. É a formula hermética V.I.T.R.I.0.L.; “Visita Interiora Terrae: Rectificando: Invenies Occultun Lapidem” cuja a tradução literal é: “Visita o interior da Terra, retificando encontrarás a pedra oculta”.

Significando que devemos ingressar dentro da realidade do próprio mundo objetivo, não contentando-nos apenas com o seu estudo ou exame puramente exterior: então, retificando constantemente nosso ponto de vista, a nossa visão, e com os esforços de nossa inteligência (como o demonstra a cuidadosa retidão dos três passos da marcha do aprendiz), poderemos chegar ao uso do compasso junto com o esquadro, isto é, o conhecimento da Verdade livre a Ilusão.
                          
Em segundo lugar, retificando-te significa, na verdade o “seguir em linha reta”, ou seja, agir em si mesmo com profundidade. E é nesse momento de solidão, de encontro consigo mesmo, de meditação diante do inusitado, do desconhecido, que o novo homem retifica-se interiormente, deixando de lado todos os vícios de uma vida anterior para adotar novos padrões de conduta moral. E ao fazer isso, mostra-se para o novo homem a pedra oculta que há dentro de nós.

                           A visita a C de R é fundamental no processo iniciático porque é no interior da terra, por ela representada, que o profano morre para nascer um Maçom. A Câmara das Reflexões, na realidade, relembra as cavernas das antigas iniciações, inclusive religiosas.

Como qualquer iniciação, simboliza a morte material de alguém e o seu ressurgimento em um plano mais elevado. O iniciando permanecia no interior de uma caverna da qual em dado momento, saia por uma fenda ou orifício, como se estivesse nascendo.

A Câmara das Reflexões representa, ainda, o útero da mãe terra, de onde os filhos da viúva nascem para uma nova vida. Esse conceito atual de masmorra foi introduzido pelos franceses na metade do Século XIX, influenciados pela revolução Francesa e por certo sentimento antimístico oriundo do iluminismo francês, mas esses não podem desvirtuar a sua origem.

                           A passagem pela Câmara das Reflexões, onde o profano, deixado a sós com ele mesmo, em ambiente decorado com diversas alegorias que estão o tempo todo a demonstrar a fatalidade e brevidade da matéria, permite claramente a reflexão da necessidade de estar sempre vigilante e perseverante em seu aprimoramento espiritual, afinal a todo instante somos lembrados que a morte física poderá se abater sobre nós.

Segundo o poeta e orador romano Cícero “Quem não souber morrer bem, terá vivido mal, pois quantas vezes morremos vitimas de nosso medo de morrer”.
                          
Finalizando, a Câmara de Reflexões da a oportunidade ao candidato de refletir sobre a vida pregressa: e sentir o peso das quantas vezes que: por orgulho, ignorância, apego à matéria, falta de sabedoria deixou de ajudar algum necessitado.

Pois enquanto não conseguirmos dominar a materialidade existente em nós, o nosso lado divino não fluirá. Porque o GADU nos criou para sermos divinos e perfeitos, somente dominando a matéria à centelha divina existente nos levará invariavelmente a buscar o sol do meio dia que irradia o TODO, o qual nos originou a para o qual retornaremos.

                           E vocês meus IIr que pensamentos vos ocorreram quando estáveis no lugar sombrio de meditação, onde vos pediram que escrevêsseis a vossa última vontade e o vosso testamento?

Nota: São considerados elementos obrigatórios em uma C.’.d.’.R.’., segundo Ritual de Aprendiz do REAA-GOB, a ampulheta, o esqueleto humano, o pão e a água.

Fonte: O Templo Maçônico – Dario Velozzo
           Pesquisa de vários autores – Internet
           Ritual de Aprendiz Maçom – REAA-GOB-2001
 Ir Paulo Edgar Melo -  MI

ARLS Cedros do Líbano, 1688 – GOB-RJ

Um comentário:

  1. Belíssimo trabalho!
    tudo relacionado a iniciação nos remete a reflexão sobre o que realmente queremos ser com maçons e como vamos usar o tempo que nos resta neste curto período de existência.

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