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domingo, 28 de outubro de 2012

AS CONDIÇÕES PARA A INICIAÇÃO



Voltando agora a questão das condições da iniciação, e diremos em primeiro lugar, ainda que possa parecer evidente, que a primeira destas condições é certa aptidão ou disposição natural, sem a qual, todos os esforços seriam em vão, pois o indivíduo não pode indiscutivelmente desenvolver senão as possibilidades que tem nele desde a origem; esta aptidão, que faz o que alguns chamam o "iniciável", constitui propriamente a "qualificação" requerida por todas as tradições iniciáticas.


Esta condição é, por demais, a única comum, em certo sentido, à iniciação e ao misticismo, pois está claro que o místico deve ter, ele também, uma disposição natural especial, ainda que completamente diferente da do "iniciável", inclusive oposta a ela em muitos aspectos; porem esta condição, para ele, ainda que igualmente necessária, é de sobra suficiente; não tem nenhuma outra que se deva adicionar, e as circunstâncias fazem o resto, fazendo passar o seu capricho da "potência" ao "ato" tal ou qual possibilidades que comporte a disposição de que se trata.


Este resulta diretamente do caráter de "passividade" do que temos falado: não poderia, com efeito, em tal caso, tratar-se de um esforço ou de um trabalho pessoal qualquer, que o místico jamais efetuará, e do qual deverá inclusive resguardar-se cuidadosamente, como de algo que estivera em oposição com sua "via", enquanto que, pelo contrário, no relativo à iniciação, e em razão de seu caráter "ativo", um trabalho tal constitui outra condição não menos estritamente necessária que a primeira, e sem a qual o passo da "potência" ao "ato", que é propriamente a "realização", poderia de nenhum modo cumprir-se.


Contudo, isto não é, todavia tudo: não temos feito em suma mais que desenvolvera diferença, exposta a princípio, entre a "atividade" iniciática e a "passividade" mística, para extrair a consequência de que, para a iniciação, há uma condição que não existe, e que não poderia existir no que concerne ao misticismo; porém ainda há outra condição não menos necessária da qual temos falado, e que se situa em qualquer caso entre aquelas que estão postas em tela de juízo.


Esta condição, sobre a qual é preciso por outra parte insistir em que os ocidentais, em geral, são demasiado dados a ignora-la ou a desconhecer sua importância, e inclusive, verdadeiramente, a mais característica de todas as que permite definirem a iniciação sem equívoco possível, e não confundi-la com qualquer outra coisa; por ela, o caso da iniciação está muito mais delimitado do que poderia ser o do misticismo, para o qual não existe nada dele.


É a miúdo difícil, se não de todo impossível, distinguir o falso misticismo do verdadeiro; o místico é, por definição, um isolado e um "irregular", e muitas vezes ele mesmo não sabe o que é verdadeiro; e o feito de que não se trata do conhecimento no estado puro, senão que inclusive o que é conhecimento real está sempre influindo por uma mistura de sentimento e de imaginação, faz com que estes longe de simplificar a questão; em todo caso, há algo que escapa a todo controle, o que poderíamos expressar dizendo que não há para o místico nenhum "meio de conhecimento".


Se poderia dizer também que o místico não tem "genealogia", que não é tal destino por uma sorte de "geração espontânea", e cremos que estas expressões são fáceis de compreender sem necessidade de mais explicações; então, como se pode afirmar sem nenhuma dúvida que um é autenticamente místico e que o outro não é, quando sem dúvida todas as aparências podem ser sensivelmente as mesmas? Pelo contrário, as falsificações da iniciação sempre podem ser detectadas infalivelmente pela ausência da condição a que temos aludido, e que não é outra que a adesão a uma organização tradicional regular.


Há ignorantes que se imaginam poder "iniciar-se" a si mesmos, o que é de qualquer maneira uma contradição no final; esquecem se é que alguma vez o tenham sabido que a palavra initium significa "entrada" ou "começo", confunde o fato mesmo da iniciação, entendida no sentido estritamente etimológico, com o trabalho a realizar posteriormente para que esta iniciação, de virtual que tem sido em um princípio, se transforme mais ou menos em plenamente efetiva.


A iniciação, assim compreendida, é o que todas as tradições concordam em designar como o "segundo nascimento"; como poderia um ser atuar por si mesmo antes de haver nascido?


Bem sabemos o que se nos poderá objetar a ele: se o ser está verdadeiramente "qualificado", já leva nele as possibilidades que se propõe a desenvolver; porque, se ele é assim, não poderia realizá-las mediante seu próprio esforço, sem nenhuma intervenção exterior? Isto é, de fato, algo que está permitindo considerar teoricamente, a condição de conceber-se como o caso de um homem "duas vezes nascido" desde o primeiro momento de sua existência individual; porem se não tem ele uma impossibilidade de princípio, não há menos uma possibilidade de fato, no sentido em que isto é contrário a ordem estabelecida para nosso mundo. A menos em suas condições atuais.


Não estamos na época primordial em que todos os homens possuíam normal e espontaneamente um estado que hoje em dia é somente adquirido em um alto grau de iniciação; e, por outra parte, para dizer a verdade, o nome mesmo de iniciação, em uma época semelhante, não podia ter nenhum sentido.


Estamos no Kali-Yuga, é dizer, em um tempo em que o conhecimento espiritual se encontra oculto, e de onde somente uns poucos podem, todavia, alcança-lo, desde que se situem nas condições requeridas para obtê-lo; nesse instante, uma destas condições é precisamente aquela da qual temos falado, assim como outra é o esforço do qual os homens das primeiras épocas não tinham necessidade alguma, já que o desenvolvimento espiritual se cumpria neles tão naturalmente como o desenvolvimento corporal.


Trata-se então de uma condição cuja necessidade se impõe em conformidade com as leis que regem nosso mundo atual; e para fazermos compreender melhor, podemos recorrer aqui a uma analogia: todos os seres que se desenvolveram no curso de um ciclo estão compreendidos desde o princípio, em estado de germens sutis, no "Ovo do Mundo"; então, porque não surgiram ao estado corporal por si mesmo, sem pais? Não é isto uma impossibilidade absoluta, e pode conceber-se um mundo em que ocorra assim; porém, com efeito, esse mundo não é nosso.


Reservamos-nos, por suposição, a questão das anomalias; pode ser que existam casos excepcionais de "geração espontânea", e, na ordem espiritual, temos aplicado até agora esta expressão no caso do místico; porem também tem dito que este é um "irregular", enquanto que a iniciação é algo essencialmente "regular", que nada tem haver com as anomalias.


Todavia faltaria por saber exatamente até onde podem estas chegar; deve, também, ajustar-se em definitivo a alguma lei, pois todas as coisas não podem existir senão como elementos de ordem total e universal.


Só isto, si se quisera refletir, poderia bastar para fazer pensar que os estados realizados pelo místico não são precisamente os mesmos que os do iniciado, e que, se sua realização não está submetida às mesmas leis, é que efetivamente se trata de algo diferente; porem agora pode deixar por completo de lado o caso do misticismo, sobre o qual já temos falado bastante para o que nos proporíamos estabelecer, para não considerar exclusivamente mais que o da iniciação.


Nos falta, com efeito, precisar o papel da adesão a uma organização tradicional, que não poderia, hipoteticamente, dispensar de nenhum modo do trabalho interior que não pode cumprir cada um senão por si mesmo, porém que é necessária, como condição prévia, para que este mesmo trabalho possa efetivamente dar seus frutos.


Deve permanecer compreendido, desde e agora, que os que se tem constituído em depositários do conhecimento iniciático, não pode comunicá-lo de uma maneira mais ou menos comparável a um professor, no ensino profano, comunica a seus alunos fórmulas livres que devem armazenar em sua memória; se trata aqui de algo que, em sua própria essência, é propriamente "incomunicável", já que são estados a realizar interiormente.


O que pode ensinar-se são unicamente os métodos preparatórios para a obtenção destes estados; o que pode ser proporcionado exteriormente a este respeito é em suma uma ajuda, um apoio que facilite enormemente o trabalho a cumprir, e também um controle que separe os obstáculos e os perigos que possam se apresentar; todo ele está muito distante de ser depreciável, e quem se ver privado disto, correria o risco de desembocar em um fracasso, porém isto justificaria completamente o que temos dito quando falamos de uma condição necessária.


De modo que não é isto o que tínhamos em vista, ao menos de maneira imediata; todo ele não intervém senão secundariamente, e em qualquer caso a título de consequências, traz a iniciação entendida em seu sentido mais estrito, tal como temos indicado, e desde o momento em que se trata de desenvolver efetivamente a virtualidade que ela constitui; porem ainda é preciso, antes de tudo, que esta virtualidade preexista.


É então outra coisa o que deve se entender por transmissão iniciática propriamente dita, e não poderíamos caracteriza-la melhor que dizendo que esta é essencialmente a transmissão de uma influência espiritual; devemos voltar sobre ela mais amplamente, porem, no momento, nos limitará a determinar mais exatamente o papel que desempenha esta influência, entre a aptidão natural propriamente inerente ao indivíduo e o trabalho de realização que a continuação se efetuará.


Temos assinalado em outro lugar que as fases da iniciação, igual que as da "Grande Obra" hermética que não é no fundo senão uma de suas expressões simbólicas reproduzem as do processo cosmogônico; esta analogia, que se funda diretamente sobre a do "microcosmos" com o "macrocosmos", permite, melhor que toda outra consideração, aclarar a questão que atualmente tratamos.


Pode dizer-se, com efeito, que as atitudes ou possibilidades incluídas na natureza individual não são em princípio, em si mesmas, mais que uma matéria prima, é dizer, uma pura potencialidade, na qual não tem nada desenvolvido ou diferenciado; é então o estado caótico e tenebrosos, que o simbolismo iniciático faz precisamente corresponder com o mundo profano, e no qual se encontra o ser que, todavia não tem alcançado o "segundo Nascimento".


Para que este caos possa começar a tomar forma e a organizar-se é preciso que uma vibração inicial o seja comunicada pelas potências espirituais, a que o Gênesis hebreu designa como os Elohim; esta vibração é o Fiat Lux que ilumina o caos, que constitui o ponto de partida necessário para todos os desenvolvimentos posteriores; e sob o ponto de vista iniciático, esta iluminação está precisamente constituída pela transmissão da influência espiritual da que temos falado.


Desde então, e em virtude desta influência, as possibilidades espirituais do ser não são a simples potencialidade que antes eram; se transformam em uma virtude disposta a desenvolver-se em ato nos diversos estágios da realização iniciática.


Podemos resumir tudo o que precede dizendo que a iniciação implica três condições que se apresentam em forma sucessiva, e que se podiam fazer corresponder respectivamente com as três conclusões de "potencialidade", "virtualidade" e "atualidade":

1°, a "qualificação", constituídas por certas possibilidades inerentes a natureza própria do indivíduo, e que são a matéria prima sobre a qual o trabalho iniciático deverá se efetuar;

2°, a transmissão, por meio da adesão a uma organização tradicional, de uma influência espiritual que dá ao ser a "iluminação" que o permitirá ordenar e desenvolver as possibilidades que leva a ele;

3°, o trabalho interior pelo qual, com o auxilio de "ajudantes" ou "suportes" exteriores, se tem lugar e especialmente nos primeiros estágios, o desenvolvimento será realizado gradualmente, fazendo passar a ser, de escalão em escalão, através dos diferentes graus da hierarquia iniciática, para conduzi-lo ao objetivo final da "Liberação" ou da "Identidade Suprema".


Fonte: http://www.hermanubis.com.br/

Traduzido pelo Amado Irmão Albertus SI - Grupo Hermanubis

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