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sexta-feira, 19 de outubro de 2012

A INICIAÇÃO REAL



A Maçonaria adquiriu o seu aspecto iniciático a partir do século XVIII. A singela recepção das Lojas operativas foi transformando-se, o ritual foi enriquecendo-se e complicando-se a Liturgia, durante todo o século XIX, até chegar à Iniciação Maçônica atual com o seu brilhante cortejo simbólico.

Na verdade, o que a Ordem Maçônica pretende, através da Iniciação, é dar ao iniciado uma responsabilidade maior não somente como ser humano com vida espiritual, mas também como homem e cidadão. E isto os antigos o faziam por meio de ritos iniciáticos. Os iniciados eram submetidos a exercícios mentais e intelectuais e, pela meditação e a concentração, era conduzida paulatinamente ao despertar de uma vida interior intensa e, assim, a uma compreensão melhor da vida.

Diz ARYAN, na introdução ao Livro "La Masoneria Oculta Y la Iniciacion Hermética", de J. M. Ragon, que "os ritos não teriam nenhuma utilidade se os seus ensinamentos caíssem como água numa ânfora quebrada”. O seu objetivo consiste em relembrar ao iniciado que deve dar cada vez mais predomínio à vida interior do que à atração dos sentidos.

A promessa do Maçom de ser bom cidadão, de praticar a fraternidade não quer dizer outra coisa. Diodoro da Sicília dizia que "aqueles que participavam dos Mistérios tornavam-se mais justos, mais piedosos e melhores em tudo". Por isto, o primeiro passo da vida iniciática é a entrada em câmara ou cripta onde hão de morrer as paixões, para que o aspirante possa ser admitido no reino da Luz. Como dizia, faz séculos, Plutarco: "Morrer é ser iniciado".

Há duas espécies de iniciação: a REAL e a SIMBÓLICA. A primeira, segundo escreve A. Gédalge no "Dicionário Rhea", é o resultado de um processo acelerado de evolução que leva o Iniciado a realizar em si mesmo o que o homem atual deverá ser num futuro que não pode ser calculado. A segunda é apenas a imagem da iniciação real.

Referindo-se à Iniciação Simbólica, o Manual de Instrução do primeiro grau da Grande Loja de França, citado por PAUL NAUDON em "La Franc-Maçonnerie et le Divin", assim se expressa: “Os ritos iniciáticos não têm nenhum valor sacramental”. O profano que foi recebido Maçom, de acordo com as formas tradicionais, não adquiriu só por este fato as qualidades que distinguem o pensador esclarecido do homem sem inteligência e grosseiro.

“O cerimonial de recepção tem valor unicamente como encenação de um programa que importa ao Neófito seguir, para entrar na posse de todas as suas faculdades".

Pela iniciação simbólica, segundo o sentido etimológico dado por JULES BOUCHER, no livro "Simbólica Maçônica", o "iniciado" é aquele que foi "colocado no caminho".

PAUL NAUDON, em "La Franc-Maçonnerie", referindo-se à iniciação simbólica, assim escreve: “O objetivo da iniciação formal é conduzir o indivíduo ao Conhecimento por uma luminação interna”. É a razão pela qual a Maçonaria usa símbolos para provocar esta iluminação por aproximação analógica.

Vemos assim que "os verdadeiros segredos da Maçonaria são aqueles que não se dizem ao adepto e que ele deve aprender a conhecer pouco a pouco soletrando os símbolos". Não existe nisto nenhum incitamento à pura contemplação interior, o êxtase, ao misticismo...

"Cabe ao neófito descobrir o segredo". Dentro da noite das nossas consciências, há uma centelha que nos basta atiçar para transformá-la em luz esplêndida. “A busca desta Luz é a Iniciação".

Nesta marcha ascensional em direção à Luz, onde a via intuitiva parece primordial é evidente que a razão não pode ser afastada. Em todos os ritos, a Maçonaria invoca sem cessar. É a lição dos símbolos, entre outras a do compasso, que se aplica particularmente ao Volume da Lei Sagrada, símbolo da mais alta espiritualidade, à qual aspira o Maçom."

Estas ideias e pensamentos têm o objetivo fraterno e leal de incutir-nos recém-iniciados o verdadeiro espírito maçônico; de fazê ver da responsabilidade assumida perante a família dos Irmãos conhecidos e desconhecidos espalhados pelo orbe da terra.

Que todos nós, indistintamente, aprendamos a conhecer o espírito maçônico afastando-nos da falsa ciência e do sectarismo, combatendo e esclarecendo todo cérebro denegrido pelo obscurantismo para que possamos nos tornar dignos de ser uma destas Luzes ocultas que iluminam a humanidade.

Os verdadeiros sinais porque se reconhece o Maçom não são outros senão os atos da vida real, já nos ensinava o Irmão Oswald Wirth. O Maçom há que agir equitativamente como homem que cuida de se comportar para com outrem como deseja que se proceda a seu respeito.

O Maçom distingue-se dos profanos pela sua maneira de viver; se não viver melhor que a massa frívola ou devassa, a sua pretensa iniciação na arte de viver revela-se fictícia, a despeito das belas atitudes que fingem ter.

Esforcemo-nos para que sejamos reconhecidos não pelo toque, pelo sinal ou pela palavra, mas por nossas ações no âmbito maçônico, social e profissional.
"Sejamos homens de elite, sábios ou pensadores, erguidos acima da massa que não pensa", porque somente desse modo é que poderemos alcançar a iniciação real.

Irmão José Inácio da Silva Filho

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