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sábado, 7 de junho de 2014

ETERNO APRENDIZ


Todo Prof.'.que demonstra interesse e depois é convidado a ingressar na Maçonaria, e, antes de ser iniciado na Sublime Ordem, ouve sempre de um maçom a seguinte frase: “Vamos amarrar o bode” e não entende o porquê desta expressão. Já iniciado, pesquisando, descobre que esta denominação teve origem no ano de 1808, muito embora existam pesquisas divergentes e significados diferentes do que seja amarrar o bode. 

Conta José Castellani, que por volta do Ano III d.C. Vários apóstolos saíram para o mundo a fim de divulgar o cristianismo. Alguns foram para o lado judaico da palestina. E lá, curiosamente, notaram que era comum ver um judeu falando ao ouvido de um bode, animal muito comum naquela região.

Tentaram obter resposta daquela cena e ninguém dava informação, com isso a curiosidade dos representantes cristãos aumentava ainda mais. Certo dia, o Apóstolo Paulo conversando com um rabino de uma aldeia, foi informado que aquele ritual era usado para expiação dos erros.

Fazia parte da cultura daquele povo, contar a alguém da sua confiança, quando cometia, mesmo escondido, as suas faltas para ficar mais aliviado junto a sua consciência. Perguntou ainda Paulo: Mas por que bode? Respondeu o rabino: é porque o bode é seu confidente. Como o bode nada fala o confesso fica ainda mais seguro de que seus segredos serão mantidos.

Trinta e seis anos mais tarde, a igreja introduziu no seu ritual, o Confessionário, juntamente com o voto de silêncio por parte do Padre Confessor. 

Na França, em 1808, a Igreja se uniu a Napoleão Bonaparte e começou a perseguir todas as instituições que não compartilhavam com todas as idéias do governo ou da Igreja. Assim, a Maçonaria que era um fator pensante, teve seus direitos suspensos e seus templos fechados, sendo proibida de se reunir.

Entretanto, na clandestinidade os Irmãos se reuniam tentando modificar a situação do país. Nesse período, vários Maçons foram presos pela Igreja e submetidos a terríveis inquisições, mas mesmo assim, ela nunca encontrou um covarde ou delator entre os Maçons, chegando ao ponto de um dos inquisidores dizer a seguinte frase a seu superior: "Senhor este pessoal (maçons) parece bode, por mais que eu flagele não consigo arrancar-lhes nenhuma palavra". Assim, a partir desta frase, todos os maçons tinham, para os inquisidores, esta denominação: "Bode" - aquele que não fala, sabe guardar segredo.

Agora à iniciação do Bode.

Em uma iniciação, o ainda prof.'. percorre um caminho de OOl.'. VVen.'. como se estivesse realizado um sonho de infância, que nem sabia ter. Vive cada momento, cada pancada do Malhete, cada pergunta, cada prova, para depois ter a oportunidade de sair das trevas para receber a luz, e a luz é dada.

Já como Ap.'.M.'., e ainda na região escura, deve lutar para poder suportar a luz plena do meio dia, para que a infância cultural fique para trás, pois, é preciso sair da escuridão e da ignorância. Ou seja, deve o Ap.'.combater o vício, a mentira, o fanatismo, a ambição, lutar para vencer suas paixões. Estudar as leis, os usos e os costumes da maçonaria e procurar simbolicamente desbastar a pedra bruta. 

Enfim, direcionar-se para o caminho da verdade e da virtude, fazendo delas carne de sua carne, sangue de seu sangue, vida de sua vida, pois o verdadeiro maçom tem que instituir um domínio do superior sobre o inferior.

Todo prof.'.convidado quando não tem a certeza de receber a notícia, o aviso ou o comunicado oficial do seu beneplácito para ingressar na Ordem, a ânsia toca seu coração. No meu caso, depois de aprovado, consentido tal ingresso, minha consciência entendeu, compreendeu que há um longo caminho a percorrer, com bons e maus momentos, aqueles como incentivo e estes jamais serão motivos para desânimo e desistência de ser digno e capaz de desempenhar as funções de um legítimo Maçom.

É preciso libertar e purificar o coração, procurar a realização do ideal ou espírito maçônico. Como Aprendiz, estou na etapa de aplicação do espírito para aprender, do silêncio e da procura do progresso, tentando construir e aprender com minhas próprias experiências e sempre com o desejo de encontrar o meu mestre interno e ver a própria luz em seu interior. Conhecer a verdade e praticá-la.

Na minha iniciação ainda não entendia, mas hoje compreendo porque cheguei a este local antes por mim desconhecido, trajando terno prêto e logo na entrada ter os OOl.'. VVen.'., o lado esquerdo do peito, a perna até o joelho e o pé despidos, para em seguida ser colocado sozinho com meus pensamentos, paixões, vaidades e vícios na câmara de reflexões.


E é na Câmara de Reflexões, de OOl.'.VVen.'. desprendido de ambição, que o iniciado se isola do mundo exterior, afastando todo desejo e avidez dos valores externos para conhecer a sí mesmo e encontrar os verdadeiros valores espirituais.

Descobre depois que a venda é o estado de ignorância ou cegueira do mundo profano. E é nesse lugar cheio de objetos e inscrições sugestivas que responde um questionário (testamento), realizando assim a uma viagem: a prova da terra ou o domínio do mundo físico.

Aquela parte de esqueleto humano indica a morte simbólica do neófito para renascer no mundo do espírito; as inscrições que revestem as paredes indicam os conselhos do ser interno que tem por alvo guiar o homem à verdade e ao poder; o grão de trigo atirado e sepultado no chão simboliza o iniciado, para que germine e abra, com o próprio esforço, seu caminho para a luz; o pão e a água é a continuação do símbolo anterior; o enxofre é a energia ativa, o princípio criador e o sal a energia passiva e ambos correspondem às duas colunas, aos dois pólos do corpo humano, aos dois Primeiros Graus da Maçonaria, se completando esse símbolo com a figura do galo representando a vida do espírito que domina o tempo e a destruição de toda forma exterior; o testamento é a preparação para a vida nova, porque a morte já não é fim para o iniciado senão princípio de vida, sendo executor o próprio iniciado.

Após a prova da terra, o iniciado é guiado de OOl.'.VVen.'., nem nu e nem vestido e desprovido de todas as vaidades profanas por um antes estranho, hoje Ir.'., para a Sala dos Passos Perdidos e depois bate três vezes de maneira desordenada na porta do Templo e alí o seu guia interno pede a sua entrada e responde às perguntas dirigidas do interior do templo, e logo depois já no interior deste o iniciado é interrogado sobre o exame de sua meditação na Câmara de Reflexões.

Com a virtude que lhe dá o sentimento de sua fraqueza e confiando em seu guia, viaja por mais três vezes. São as provas do ar, da água e do fogo.

A primeira, a Prova do Ar, é uma viagem cheia de obstáculos, estorvamento e com muitos ruídos. Entendemos que é o esforço que faz o homem para adquirir seu objetivo. Depois, ao assistir uma iniciação de um novo irmão, percebe que essa viagem começa do ocidente, quer dizer, do conhecimento objetivo da realidade exterior, e de lá o homem se encaminha pela enigmática noite do norte não devendo se assustar em sua caminhada, em busca da verdadeira luz no oriente. Ao chegar no oriente retorna ao ocidente com a consciência iluminada e o corpo purificado, dominando as paixões com o reconhecimento da verdade. 

Mais fácil que a primeira, pois já não há obstáculos violentos, é a Segunda Viagem: a Prova da Água. No percurso dessa viagem se ouve o choque de espadas que é o emblema das lutas que se travam em redor do iniciado. é a luta individual consigo mesmo para dominar sua mente elaboradora dos pensamentos negativos. é o batismo do ar, é a purificação da mente e da imaginação dos seus erros e defeitos. Esta viagem serve também para lembrar a pureza das ações e a virtude na qual devem viver os iniciados.

A Terceira Viagem, a Prova do Fogo, realiza-se com mais facilidades que as anteriores, pois desaparecidos os obstáculos e ruídos, uma música profunda e harmoniosa é o que se escuta. Dominando e purificando a parte negativa de sua natureza causadora de dificuldades, familiariza-se o iniciado com a energia do fogo, quer dizer, chega a ser consciente do poder infinito do espírito que se acha em si mesmo.

A descida do espírito sobre o iniciado com seu fogo, faz desaparecer as trevas dos sentidos e com ela toda a dúvida e vacilação, dando-lhe serenidade imperturbável em que a alma descansa para sempre ao abrigo de todas as influências, tempestades e lutas externas. 

Passadas tais provas, é conduzido pelo seu guia ao Altar dos Juramentos e lá se ajoelha sobre o joelho direito, colocando a mão direita sobre o Livro da Lei, o Esquadro e o Compasso e com a mão esquerda leva ao peito a ponta de um compasso aberto em 45 graus, onde em seguida presta juramento em presença do G.'.A.'.D.'.U.'. e dos IIr.'.reunidos em Loja. Jura guardar silêncio e não revelar a ninguém os segredos da ordem, pois ao penetrar o homem no templo interno da sabedoria e receber os fragmentos do saber divino, deve guardá-los como um tesouro em seu próprio coração e por dois motivos: um, porque ninguém podes compreender; o outro, porque ao divulgá-los perderá com as palavras a energia interna, que é como a levedura que fermenta o coração com aquela sabedoria. 

Cumprido o juramento, é marcado simbolicamente no peito por um sinal perpétuo. Em seguida, é dito ao iniciado que este é digno de receber a luz da verdade e a luz é feita. Esse símbolo é executado fazendo cair a Ven.'.dos seus OOl.'. onde fica o iniciado deslumbrado ao ver seus IIr.'.com EEsp.'. dirigidas para ele.

Concluído o antecedente, é levado a ara onde reside o Verdadeiro Mestre, diante da qual se ajoelha sobre o joelho esquerdo, ao passo que o direito fica em forma de esquadro e confirma suas obrigações. 

Ali é consagrado com palavras tendo a Espada Flamejante acima da sua cabeça e depois tocada por três vezes pelo Ven.'.Mest.'., e depois declarado Aprendiz Maçom, recebendo a verdadeira veste maçônica que é o Avental, o símbolo do trabalho. é o Avental que lhe dá o direito de estar entre os IIr.'., pois sem ele nunca deve estar em loja. Colocar o avental significa isolar o coração do mundo físico durante os momentos de trabalho espiritual, durante a comunhão com o pai que se acha no interior. 

Aprende o Sinal de Ordem, o aperto de mão com os devidos toques, a palavra sagrada, o tríplice abraço (prova máxima da verdadeira fraternidade maçônica), a Marcha do Grau e a sua idade, esta como sendo o símbolo do tríplice período que marcará as etapas do estudo e do progresso.

Recebe dois pares de luvas, um para si e outro para oferecer à mulher mais amada. Deve o Aprendiz compreender que as luvas são o símbolo das boas obras, isto é, para expressar o divino em nós sem mirar o fruto das obras. Tem também um significado muito elevado que é amar a deus com todas as forças.

E a partir daí começa aprender a dar os primeiros golpes para o desbaste da pedra bruta.


Deve aprender por exemplo, sobre os instrumentos de trabalho do Aprendiz, que são a Régua de 24 PPol.'., o Maço e o Cinzel.

Dentro da maçonaria especulativa, a Régua de 24 PPol.'. serve para medir a longitude, planear as atitudes, representando a Sabedoria; o Maço para aplicar toda a energia, representando a Força e o Cinzel para polir os vícios, vaidades e paixões, representando a Beleza.

É preciso aprender sempre, pois somos um Eterno Aprendiz.
Fraternalmente,

Ir.'. Demétrius Faustino de Souza.
A.'.B.'.R.'.L.'.S.'.M.'. Francisco Edward nº 02.

Notas Bibliográficas:
Adoum, Jorge, “Grau do Aprendiz e Seus Mistérios”, Ed. Pensamento.
Aslan, Nicola, “Comentários ao Ritual de Aprendiz”, Ed. Maçônica.
“Revista Nossa História”, junho de 2005, Gráfica Posigraf.

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